Interação entre pais e escola é fundamental para o ensino

Professora há 30 anos, Mariza Teresa Chiari Dantas acredita que a escola e a comunidade estão diretamente ligadas e que uma educação de qualidade depende da interação entre escola e família. “Não há como pensar em educação sem o envolvimento da família nesse processo”, destaca Mariza, vice-diretora da Escola Estadual Archimedes Aristeu Mendes de Carvalho, no município paulista de São Carlos. “Educar é sem dúvida um papel que recai sobre a família e a escola. Por isso, quanto mais estreita for essa relação, melhor será o resultado.”
Pedagoga, com especialização em gestão educacional, Mariza coordena na instituição, desde 2012, o programa Escola da Família. Criado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em 2003, o programa tem o propósito de possibilitar o desenvolvimento de uma cultura de paz, despertar potencialidades e ampliar os horizontes culturais dos participantes por meio de atividades que contribuam para a inclusão social. Assim, espaços da escola são usados para receber toda a comunidade em atividades de lazer, cultura, saúde, esporte e qualificação profissional.
Segundo Mariza, a unidade de ensino organiza as atividades nos eixos esporte, cultura, saúde e trabalho. “Nesses eixos, incluímos ética e cidadania como base para a melhoria da qualidade de vida”, diz.
De acordo com a professora, o programa Escola da Família tem assegurado benefícios ao relacionamento entre instituição e comunidade. “A participação em reuniões com professores aumentou, assim como no dia a dia da escola”, revela. Além disso, os pais sabem que podem contar com a escola como um espaço seguro de lazer e cultura, nos fins de semana, para os filhos. “A comunidade torna-se participativa, e a escola passa a ser um local agradável de conviver”, avalia.
Curso — Uma das atividades desenvolvidas pelo programa é o curso Escola de Pais, que tem como proposta de trabalho a vivência das famílias, com a reflexão sobre seu papel no atendimento à criança e ao adolescente. “Os temas desenvolvidos abrangem assuntos do dia a dia que muitas vezes, enquanto pais, não sabemos como tratá-los com nossos filhos”, ressalta Mariza. Assuntos como cuidados essenciais com a criança, como educar os filhos, sentimentos e comportamentos infantis — medo, ciúme, mentira —, adolescência, sexualidade humana e manifestação do amor são tratados em conversas, apresentações de vídeos, músicas e outras dinâmicas de grupo.
“O curso é destinado, em primeiro lugar, àqueles pais que se interessam, mas procuramos incentivar os que apresentam algum tipo de dificuldade de relacionamento em relação aos filhos”, diz Mariza. Os dias e horários dos cursos são estabelecidos em comum acordo com os participantes.
De acordo com a coordenadora regional do programa, Mara Silvio Olívio, o curso Escola de Pais nasceu na França. “O ambiente familiar deve ser um lugar saudável, com afetividade, respeito, segurança, mas impondo limites e sabendo dizer não quando necessário”, enfatiza.
(do MEC)

Tempo livre para brincar também educa, dizem especialistas

Brincar é coisa séria. Por meio da brincadeira – não apenas de jogos educativos ou de atividades orientadas por adultos – as crianças aprendem lições importantes, como se relacionar umas com as outras e obedecer a regras. Assim, é imprescindível que haja tempo para a diversão. Segundo especialistas, no entanto, pais ansiosos pelo sucesso dos filhos têm se esquecido ou valorizado pouco esses momentos.
Desde os anos 1940, pesquisas sobre o desenvolvimento humano já identificam o protagonismo das brincadeiras na formação das crianças, sob os aspectos cognitivos, emocionais, físicos, sociais e morais. Mais recentemente, a neurociência identificou evidências de como o cérebro recebe e processa informações e estímulos colhidos do ambiente pelos sentidos e a importância do brincar nas sinapses – ligação entre neurônios.
“Os neurocientistas mostraram que os afetos positivos na interação da criança com o adulto geram sentimentos de segurança e prazer, fatores imprescindíveis para a saúde mental”, explica a educadora Adriana Friedmann, em um estudo encomendado pela Bauducco.
Pesquisadora do tema, Adriana afirma que a ansiedade excessiva dos adultos acaba deixando em segundo plano as necessidades dos pequenos. “A gente não tem realmente respeitado o ritmo das crianças. Tudo precisa ter equilíbrio.”
Alguns pecadilhos são comuns no dia a dia. Por exemplo: quando o pai apressado ou o professor interrompe uma brincadeira abruptamente, desmontando um mundo, uma linguagem que estavam sendo construídos. Ou ainda o adulto que intervém sem necessidade enquanto a criança brinca sozinha, o que é natural entre os mais novos.
“Os pais podem ser bons observadores das ações e interações infantis, sabedores que, ao brincar, a criança está talhando sua visão de mundo”, afirma a professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) Zilma Oliveira.
A educadora alerta que, muitas vezes, a escolas também falham. “Nas escolas, predomina a ideia do ensino centrado no professor e as brincadeiras livres costumam ser vistas como lazer, ignorando seu valor na promoção de importantes aprendizagens, ainda que fora do menu pedagógico.”
Para os pais
Coordenadora pedagógica da Escola Stance Dual, de São Paulo, Liliane Gomes conta que é necessário investir no diálogo com os pais para que eles entendam a importância das atividades livres. Na unidade, os alunos costumam ter três momentos ao longo do dia em que ficam livres.
“Principalmente em relação às crianças de 5 anos, os pais ficam muito ansiosos de que eles estejam lendo e escrevendo. Precisamos de reuniões extras para que eles diminuam essa ansiedade”, explica Liliane. “Quando elas brincam, aprendem a resolver os problemas. E essa é a meta da vida.”
Até mesmo fora do ambiente escolar, a pressão por resultados do brincar é sentida. A pedagoga Paula Kesselman coordena o espaço Mamusca, na zona oeste da capital paulista, onde pais levam seus filhos para brincar. “Tivemos dificuldade no começo porque muitos pais nos perguntavam: ‘Eles vão ficar soltos assim?’”
O Mamusca mantém educadores observando ou sugerindo brincadeiras, histórias, além de oficinas – que não têm horário definido. O espaço abriu ainda a Escola de Pais, para aproximar os adultos do livre brincar.
Enquanto era amarrado em uma brincadeira pelo filho Giovanni e pela amiguinha Julie, ambos de 4 anos, o engenheiro João Arantes, de 50 anos, disse que sabia a importância do brincar. “Em casa, a gente faz laboratório de desenho e de massinha. A gente se diverte muito”, afirmou o professor universitário. “Quero que ele tenha autonomia para decidir.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Do R7)

Olimpíada de Matemática faz dez anos e modifica a vida de estudantes

Antônio Cardoso do Amaral leciona na Escola Estadual Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves, no norte do Piauí. Ele será um dos dez professores homenageados por terem marcado os dez anos da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). O reconhecimento será na segunda-feira (20), durante a entrega da premiação, às 15h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no centro da cidade. “Eu sou cria dessa competição. Através dela eu me senti despertado para o ensino da matemática e bastante incentivado para enfrentar os desafios que foram surgindo, e hoje a gente consegue comemorar vários resultados positivos”, disse o professor à Agência Brasil.
Cocal dos Alves está entre as cinquenta cidades que registraram os mais baixos níveis do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, divulgado naquele ano, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), entre os 5.565 municípios do país, a cidade ficou em 5535º lugar. O índice varia de 0 a 1 e a cidade registrou 0,498, quanto mais perto de 1 maior é o IDHM. Ele é calculado levando em consideração três dimensões do desenvolvimento humano: a longevidade, a educação e a renda.
Mesmo com um nível tão baixo de IDHM, Cocal dos Alves tem o que comemorar. Desde 2005, quando começou a ser feita a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), alunos do município participam da competição e conquistam medalhas. Na 10ª edição da Olimpíada (Obamep 2014), a Escola Augustinho Brandão está entre as que conquistaram o maior número de prêmios no país. Os alunos Sávio Vinícius Costa do Amaral, José Márcio Machado de Brito e Jean Carlos Sousa de Brito receberam medalha de ouro.
Na avaliação do professor Antônio, a sensação dele é a de que a tarefa não foi cumprida integralmente, mas o caminho está certo em oferecer educação para os jovens de Cocal dos Alves. “Isso nos mostra que temos que buscar a manutenção. A meta é melhorar e fazer com que uma escola pública, de um lugar humilde, faça acontecer uma educação de qualidade”.
Antônio destacou também que participar da Olimpíada da Matemática não significa apenas competir, mas representa uma mudança de vida dos alunos que recebem incentivos para estudar a matéria de forma mais interessante e acabam seguindo até a universidade.
Foi o que ocorreu com Jáderson Pará Rodrigues. Quando participou da 1ª edição da Obmep, em 2005, e ganhou medalha de ouro, ele estudava no Colégio Militar. A identificação com a matemática o levou a cursar a Universidade do Estado do Amazonas. Hoje é professor da matéria em Manaus. Jáderson prepara alunos para a competição e transmite o sentimento que a matemática representa para ele.
“A matemática, para mim, é a minha vida porque eu gosto muito. Matemática é simplesmente a arte de resolver problemas”, disse. Jáderson quer ir adiante, e tem o sonho de poder fazer doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. “Ainda quero estudar lá um dia”.
Gerson Tavares Câmara de Souza participou das quatro primeiras edições da Obmep, ganhou medalha de ouro e disse que a Olimpíada foi um “divisor de águas” na sua vida, porque descobriu que tinha uma habilidade e que existia um universo em torno da matemática. “A matemática na escola às vezes é muito repetitiva, não tem motivação para aprender e com a Olimpíada, sim. Aprendi muitas coisas, e foi algo que me motivou a estudar. Tinha 15 anos em 2005, e descobri que tinha a universidade”, disse.
Para Gerson, quando o aluno participa da competição entende que o aprendizado da matéria pode ser por meio do uso do raciocínio e não apenas repetir fórmulas. Isso, na avaliação dele, é o que mais motiva os estudantes. Gerson cursou o ensino médio à noite, porque trabalhava como estagiário pela manhã e, à tarde, tinha um curso técnico no Senai. Apesar da dificuldade no dia a dia, ele tem orgulho do que conquistou. “Consegui entrar na faculdade e passar no vestibular sem fazer cursinho particular”, ressaltou.
Em 2013, Gerson se formou em engenharia elétrica na Universidade de São Paulo (USP). “Sou engenheiro e hoje uso a matemática para fazer tudo”. O paulista destacou ainda a importância da Olimpíada para o intercâmbio dos alunos. “Conheci alunos do Brasil todo. Alguns se tornaram grandes amigos, e somos amigos até hoje. Coisa que eu não tinha na escola que eu estudava. As aulas acabavam e não tinha uma atividade para fora, para sair, passear”.
(Da Agência Brasil)

Pedro Cardoso: “Toda rádio e toda televisão pertencem ao povo”

No final do mês passado, ganhou repercussão o episódio em que a atriz Marieta Severo rebateu, ao vivo, o apresentador Fausto Silva. Ele falava que o Brasil era o “país da desesperança” quando foi interrompido pela atriz, que elogiou os avanços sociais dos últimos anos. Na semana passada, em entrevista à rádio Jovem Pan, o também ator Pedro Cardoso comentou as declarações e teceu elogios à atriz, com quem trabalhou no elenco fixo do extinto seriado A Grande Família.
“Ela é uma pessoa extraordinária. O Brasil precisa merecer a Marieta Severo pela historia de vida dela”, comentou. Cardoso, no entanto, não se limitou à fala da atriz. Na entrevista, ele aproveitou o gancho do episódio para defender a democratização dos meios de comunicação. “Achei muito oportuno que isso tenha acontecido neste momento. Os meios de comunicação têm que se democratizar. Isso não é uma legislação. O empresário ter uma compreensão de que o capital não dá a ele o monopólio da mensagemO cara tem o monopólio, ok, escreve um editorial e diz o que pensa”, afirmou.
Para o ator, pelo fato de as emissoras de rádio e TV serem operadas por meio de concessões públicas, todos têm que ter voz. “É uma obrigação legal. Aquilo é uma concessão publica. Toda rádio e toda televisão pertencem ao povo”.
(Do Portal Forum)

Desrespeitando a legislação, Câmara e Senado aprovam membros do conselho de comunicação

No dia 8 de julho, sem aviso prévio, entrou na pauta da sessão conjunta do Congresso a homologação dos nomes dos novos membros do CCS, numa sessão que não teve quórum deliberativo, mas que mesmo assim sequer submeteu as indicações para votação secreta em plenário. Em nota pública, entidades da sociedade civil repudiam o desrespeito ao setor e a falta de transparência da Casa.
Curiosamente, a referida sessão conjunta, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, devia ter ocorrido para analisar 10 vetos presidenciais a projetos de lei, mas foi cancelada por falta de quórum. No final da sessão, apenas 211 deputados e 35 senadores tinham registrado presença, abaixo do mínimo necessário para votação: 257 deputados e 41 senadores.
Ainda que houvesse quórum, a legislação constitucional exige aprovação dos indicados por maioria simples das duas Casas legislativas, o que não condiz com o relatório da Mesa Diretora do Congresso – no dia, menos de 90 deputados e apenas 14 senadores estavam reunidos.
O Conselho de Comunicação Social tem por atribuição realizar estudos, pareceres, recomendações e outras solicitações do Congresso Nacional no que diz respeito à regulação dos meios de comunicação social do País. Em tempos em que o Congresso não quer discutir a regulação da mídia, é um movimento bem premeditado quando a um tema tão importante para a democracia, a liberdade de expressão e a regulação da mídia.
O FNDC lidera o movimento contra esta ação, quem tiver interesse em subscrever a nota de repudio, abaixo, basta envie email para secretaria@fndc.org.br
Quórum deliberativo
E o número mínimo de parlamentares que devem estar presentes em uma reunião de comissão ou sessão do Plenário para que se possa deliberar sobre qualquer matéria. Esse número é fixado constitucionalmente e corresponde à maioria absoluta do total de membros.
CCS
Fazem parte do Conselho de Comunicação Social dois representantes de veículos de comunicação, um engenheiro com conhecimento na área; representantes de jornalistas, radialistas, artistas e profissionais de cinema e vídeo, além de cinco integrantes que representem a sociedade civil.
(Do Barão de Itararé)

Ato rechaça exclusão de união homoafetiva do Estatuto da Família

O menor A.H.R., que tem 14 anos e foi adotado por um casal homoafetivo quando tinha 5 anos participou, nesta segunda-feira (13), na sede da Seção do Estado do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil da (OAB-RJ), no centro da capital fluminense, de ato público contra o Estatuto da Família, contido no projeto de lei nº 6.583/13, que está em tramitação na Câmara dos Deputados.
 

O ato em defesa da união homoafetiva reconhecida no Estatuto da Família aconteceu na OAB do Rio de Janeiro

A.H.R nasceu em Madureira, na zona norte do Rio, mas, atualmente, vive com os pais adotivos em Curitiba, no Paraná e diz que a definição de família, formada por um homem e uma mulher, conforme expressa o texto do projeto de lei, causa nele muito constrangimento e não tem cabimento.
“Me sinto constrangido e sinto muito preconceito. Nossa família é uma família como qualquer outra família normal, que paga os mesmos impostos, mora na mesma rua, vai no mesmo mercado como qualquer outra”, explicou.
O menor pediu que os legisladores se imaginem no lugar dele ou dos pais e pensem na família que foi construída. “Com certeza essa pessoa ia falar que a família dele era uma família. Se eles se colocassem no meu lugar, iam perceber isso”, analisou o rapaz, que durante o ato fez o lançamento do livro Jamily, A Holandesa Negra. A história de uma adoção homoafetiva.
O professor e ativista Toni Reis, um dos pais adotivos do adolescente, disse acreditar que, mesmo que seja aprovado na Câmara, o texto do projeto de lei não deve passar no Senado. Segundo ele, já há um grupo de senadores e senadoras contrários à medida. “Temos uma proposta do Instituto Brasileiro de Direito de Família, o Ibdfam, que é o Estatuto das Famílias, no plural. Nós somos favoráveis às famílias. Mas se passar no Senado e a presidenta não vetar, vamos ver como encaminhar para que o Supremo declare como inconstitucional”, explicou.
Na avaliação do presidente do Ibdfam, no Rio de Janeiro, Luiz Cláudio Guimarães, o Estatuto da Família é excludente, viola o princípio da dignidade das pessoas e, por isso, é inconstitucional. Além disso, afronta o Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que a corte decidiu pela validade das uniões homoafetivas. “Acho também que estamos entrando em uma questão religiosa em um estado que é laico”, opinou.
O advogado destacou ainda que atualmente existem muitas crianças abrigadas e adotadas por casais homoafetivos e o Estatuto pode prejudicar as adoções e causar outros empecilhos no futuro. Luiz Cláudio Guimarães explicou que atualmente a adoção pode ser feita por uma pessoa sozinha, sem a necessidade de ser uma família, mas ele questiona o que pode acontecer caso seja aprovado o texto em discussão na Câmara.
“A partir do momento em que hoje é permitido um casal homoafetivo adotar uma criança, se vem esse passo de que não pode ter família a não ser entre homem e mulher, já fico alarmado com o que eles [parlamentares] podem pretender mais a frente”, disse Luiz Cláudio.
De acordo com o presidente da Comissão de Direito de Família da OAB-RJ, Bernardo Garcia, os parlamentares estão distante da realidade brasileira. “O que o Estatuto da Família está querendo fazer é voltar atrás uma coisa que não se pode negar que existe na sociedade, que já abraça e incentiva este tipo de família”, analisou.
O advogado acrescentou que outro fato importante é que, caso seja aprovado o Estatuto, essas famílias não terão a proteção do Estado: “A criança, o idoso, as partes que estão naquela família são protegidos com direitos de divisão de patrimônio, de alimentos de seguridade social. Vai se marginalizar estas famílias”.
(Do Portal Vermelho)

Plano Nacional de Educação patina em meio a metas descumpridas

Sancionado sem vetos em junho de 2014 pela presidenta Dilma Rousseff, o Plano Nacional de Educação (PNE) patina e não consegue cumprir as metas estabelecidas para seu primeiro ano vigência. Em audiência realizada ontem (8) no Senado, parlamentares, gestores, especialistas, professores e demais militantes do setor avaliaram os primeiros doze meses desse plano que estabelece as diretrizes para a educação nacional nos próximos dez anos.
A conclusão a que se chegou é que há muito a ser feito para que o PNE comece a sair do papel. Das suas 20 metas, há aquelas que já deveriam estar em vias de implementação. É o caso dos planos de educação que já deveriam estar prontos e aprovados nos Estados, Distrito Federal e municípios, bem como de medidas para corrigir o fluxo escolar e da aprendizagem para que toda a educação básica estivesse equilibrada, perto de atingir as médias do Ideb neste ano.
Estavam previstas também as seguintes metas: a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais deveria estar perto de 93,5%; a implementação de políticas nacionais de formação dos profissionais do magistério e para os profissionais da educação de outros segmentos; a constituição de um fórum permanente para acompanhamento da atualização progressiva do valor do piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da educação básica; e aprovada a Lei de Responsabilidade Educacional, assegurando padrão de qualidade e pondo fim às desigualdades na educação brasileira.
Na opinião do ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, um dos compromissos mais importantes estabelecidos pelo PNE para 2015 é a elaboração dos planos educacionais por estados e municípios – o que está sendo feito, segundo ele. E que o corte de R$ 9 bilhões no orçamento para a área é “algo difícil”. “Porém, os 12 últimos anos bem-sucedidos do setor não vão ser apagados com um ano de crise”.
Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, pouco está se avançando. De acordo com ele, o que mais preocupa neste primeiro ano é o descumprimento da meta 15, relativa à Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação. A meta 9 é outro problema, já que o Brasil patina na incapacidade de garantir a alfabetização de todos os brasileiros. A taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais deveria subir para 93,5% até 2015.  “Estamos em momento crítico. Não dá para ter PNE com educação perdendo tantos recursos com o ajuste fiscal. Em que pese o fato de metas não serem cumpridas, deixamos claro que acreditamos no Plano e vamos lutar pelo seu cumprimento. A sociedade civil tem de tirar os governos da zona de conforto”, afirmou.
A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) elogiou a atuação dos movimentos sociais na elaboração do PNE, que tramitou por quase quatro anos, e classificou o plano como “uma das mais belas apostas no futuro do país”. Ela reconheceu, no entanto, que as metas não são simples.
“As metas são ousadas e teriam de ser assim para responder ao desafio pelo qual passa o Brasil. Temos avançado nestes últimos dez anos, com conquistas significativas, mas temos longa avenida pela frente”, alertou.
Assim como os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Telmário Mota (PDT-RR), ela defendeu a manutenção dos recursos da exploração do pré-sal para a educação.  Os parlamentares temem que o PLS 131/2015 prejudique o setor.
O projeto do senador José Serra (PSDB-SP) retira da Petrobras a participação obrigatória mínima nos campos do pré-sal. O ministro Janine não se posicionou sobre o projeto, mas disse que o dinheiro vindo do pré-sal é importantíssimo e todo recurso que não vem da tributação é bem-vindo. “É muito importante que uma riqueza única não seja queimada à toa. Esse combustível precioso deve gerar realizações permanentes. A natureza levou bilhões de anos para construir essa riqueza, que deve ser transformada em estruturas duradouras. E a educação é que há de sustentável”, afirmou.
O PNE apresenta 20 metas a serem cumpridas até 2024. Entre elas, erradicar o analfabetismo absoluto; reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional; investir 10% do produto interno bruto (PIB) no setor; e alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o fim do 3º ano do ensino fundamental.
Também participaram da audiência desta quarta-feira o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão; o coordenador do Fórum Nacional de Educação (FNE), Heleno Araújo Filho, e o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime/Região Sul), André Leme da Silva.
(Da RBA)

Para que servem e por que existem os sites progressistas?

Para que servem os sites progressistas? Por que existem?
A sociedade sabe as respostas para ambas as questões, mas a mídia tradicional insiste em tentar manipular as pessoas.
Os sites progressistas servem, fundamentalmente, para dar pluralidade ao mercado de notícias e opiniões.
E existem por causa disso: porque há uma expressiva parcela de brasileiros que não se satisfazem com o que lhes é oferecido, ou impingido, pela Globo, pela Veja, pela Folha e por aí vai.
É, no fundo, uma questão de mercado.
O conservadorismo monolítico das grandes empresas jornalísticas – já não tão grandes assim na Era Digital, aliás – abriu espaço para sites com outra visão de mundo.
Chamar os sites progressistas de governistas é uma mistura de mentira e obtusidade.
Sob qualquer governo, eles seriam o que são. O mesmo já não se pode dizer da grande imprensa: ela protege administrações conservadoras e fustiga administrações populares. Com isso, defende não os interesses da sociedade, mas os seus próprios.
Que o mercado pedia isso – outras vozes – está claro. É só ver os números.
O DCM, por exemplo.
Tivemos, em junho, 3,4 milhões de visitantes únicos. É o melhor termômetro de audiência: você conta apenas uma vez pessoas que entram diversas ocasiões no site.
Os acessos são algumas vezes aquilo: no ápice da campanha presidencial, o DCM bateu em 20 milhões de visualizações.
Importante: isto tudo foi conseguido num espaço de dois anos e meio. Em janeiro de 2013, quando tomamos a forma atual de um espaço de análises e informações, tivemos 200 mil acessos e 100 mil visitantes únicos.
Sites progressistas acolhem e propagam ideias que não existem nas empresas jornalísticas.
Um exemplo notável: a desigualdade, o câncer nacional.
Jamais o combate à desigualdade esteve na pauta da mídia tradicional. Seus donos sempre se beneficiaram dela, aliás: basta ver sua colocação nas listas das maiores fortunas do país.
A imprensa sempre preferiu, por demagogia, fazer campanhas contra a corrupção, por saber que num certo tipo de leitor menos qualificado esse discurso hipnotiza.
Vital: não contra toda corrupção, mas contra aquela — real, imaginária ou brutalmente ampliada – associada a governos populares.
Não é notícia nada que diga respeito ao PSDB. A roubalheira no Metrô de São Paulo nunca foi assunto. A compra de votos para a reeleição de FHC, idem. O aeroporto particular de Aécio também.
Um delator diz que um ex-presidente tucano recebeu 10 milhões de reais para melar uma CPI da Petrobras. Ninguém, na grande mídia, dá a menor bola, porque este tipo de notícia mina a tese de que a corrupção estásempre ligada a governos populares, de Getúlio a Jango, de Lula a Dilma.
Neste e em tantos outros assuntos, os sites progressistas jogam luzes onde as corporações de jornalismo projetam sombras. (Fizemos,aqui, levantamentos sobre assuntos tabus na imprensa, como o “Helicoca” e a sonegação da Globo.)
Pessoas que são ignoradas pela mídia tradicional aparecem nos sites progressistas, e enriquecem os debates.
No DCM, para ficar num caso, Jean Wyllys é figura frequente. Vá ao arquivo da Veja e tente encontrá-lo.
A pauta dos sites progressistas é outra. São outros os personagens, são outras as visões, são outros os princípios e valores.
São outros também os leitores. Veja os comentários do blogue de Reinaldo Azevedo: são o primado do ódio, do preconceito, da homofobia.
Agora compare com os comentários dos sites progressistas. São mundos diferentes.
Os anunciantes podem escolher o público que desejam atingir. Não fossem os sites progressistas, esta escolha não existiria.
Como seria o debate no Brasil de 2015 se não houvesse o contraponto digital?
Você pode imaginar.
O cidadão iria para o trabalho ouvindo a CBN ou a Jovem Pan. Leria a Folha e a Veja. Veria à noite o Jornal Nacional e a Globonews.
É sempre a mesma mensagem. A isso se dá o nome de monopólio de opinião.
Os sites progressistas surgiram e cresceram como resposta, exatamente, a esse monopólio.
É para isso que servem. É por isso que existem.
(Do DCM)

Facebook redesenha ícone e põe mulheres em primeiro plano

O Facebook redesenhou alguns dos pequenos ícones que usa no site e colocou a figura feminina, até aqui ligeiramente atrás da figura masculina, em primeiro plano.
Um dos ícones redesenhados é aquele que, na barra superior, dá conta dos pedidos de amizade. Um outro é o ícone com três figuras que é usado para indicar os grupos. Os ícones com figuras individuais também sofreram ligeiras alterações, como os cortes de cabelo, que podem facilmente passar despercebidas aos utilizadores, dado o tamanho diminuto com que muitas vezes são apresentados.
No ícone com duas figuras, a silhueta feminina passou para a frente, mas as duas silhuetas estão agora mais próximas do que quando a mulher estava atrás. Já no ícone do grupo, para além de retoques nas imagens femininas e masculinas, a terceira figura tornou-se mais neutra, ao ser despojada de características identificadoras de género.
O processo de modificação foi detalhado online pela designer do Facebook responsável pela mudança. “A minha primeira ideia foi desenhar uma silhueta dupla, com duas pessoas de tamanho igual, sem uma linha a indicar quem estava à frente. Dezenas de tentativas depois, abandonei esta abordagem, por não conseguir fazer um ícone que não parecesse uma besta mítica de duas cabeças”, escreveu Caitlin Winner.
De acordo com a designer, os novos ícones foram o resultado de um processo informal e, uma vez concluídos, ela simplesmente disponibilizou-os aos restantes funcionários, que os começaram a usar nos produtos da empresa. Os ícones antigos, porém, ainda podem ser encontrados nos produtos do Facebook.
Não é a primeira vez que o Facebook faz uma mudança deste género. No ano passado, o ícone com o globo, que serve para aceder às notificações, foi actualizado para que os utilizadores de algumas partes do mundo deixassem de ver o continente americano no centro. O novo globo, que é visível a partir de Portugal, mostra os continentes africano e asiático.
(Do FNDC)

Ministro da Educação pede rejeição ao projeto do pré-sal de José Serra

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, defendeu nesta quarta-feira (8) que o Senado não aprove o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que retira a obrigatoriedade da Petrobras participar do modelo de exploração dos campos de petróleo do pré-sal. Em audiência pública na Comissão de Educação do Senado, Janine Ribeiro defendeu que o petróleo do pré-sal não seja “queimado à toa”.
“É muito importante que um combustível fóssil de bilhões e bilhões de anos, que é extremamente precioso, não seja queimado à toa, que gere realizações permanentes. Aquilo que demorou bilhões de anos para ser feito pela natureza deve construir estruturas duradouras”, afirmou. “A educação é o que há por excelência de sustentável. Daí que seja muito importante garantir os recursos sobretudo desse petróleo melhor de todos que é o do pré-sal, para a educação”.
A proposta de José Serra deve entrar em pauta nesta quarta-feira no Senado, depois de duas Medidas Provisórias que estão trancando a pauta – a primeira delas traz dispositivo que indexa as aposentadorias do INSS à política de reajuste do salário mínimo. A proposta do senador tucano retira a obrigatoriedade de que a Petrobras seja a única operadora e tenha participação mínima de 30% na exploração dos campos do pré-sal. Serra alega que a retirada da participação obrigatória iria acelerar a exploração dos campos, que estaria parada porque a Petrobras não teria hoje recursos para honrar sua participação obrigatória.
Já o governo argumenta que a mudança retiraria recursos da educação, do Fundo Social e da saúde, áreas para as quais vão a maior parte dos royalties da exploração desses novos campos. Um levantamento feito pela assessoria da Comissão de Educação do Senado aponta que, com a mudança, apenas do campo de Libras – o primeiro a ser explorado no novo modelo – deixariam de ser arrecadados R$ 100 bilhões para o Fundo Social e R$ 50 bilhões para educação e saúde. Os números foram apresentados pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) durante a audiência com Janine Ribeiro.
Em vídeo em sua página em uma rede social, o ministro já havia defendido há alguns dias que o Senado não aprovasse o projeto de Serra, afirmando ser “temerária” a mudança que pode retirar recursos da educação. Durante a audiência, Janine Ribeiro lembrou que o Congresso aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE) com a previsão de que o País passe a investir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação. “Cabe a vossas excelências tornar esses 10% realidade”, disse.

PNE

Durante a audiência, o ministro afirmou que apenas 100 municípios não teriam entregue seus planos municipais de educação até o prazo final, no mês passado. “Foi menos de 1% do total”, afirmou.
Janine se mostrou incomodado com as discussões dos planos nas questões de ideologia de gênero. Oito Estados retiraram esses temas dos planos por pressões de bancadas evangélicas. “Não existe uma ideologia. Existe a realidade dos jovens no momento da descoberta da sua sexualidade. Não faz sentido impor uma sexualidade que não é a sua, seja hetero ou seja homo. Ninguém pode ser discriminado”, afirmou.

Nota do MEC

Em nota, divulgada na noite desta quarta-feira (8), o ministro negou que tenha feito críticas ao projeto de lei do senador José Serra.
Confira a nota na íntegra:
O Ministério da Educação e o ministro Renato Janine Ribeiro têm defendido, reiteradamente, a destinação dos royalties do pré-sal à educação, conforme prevê a lei. Ao contrário do que foi noticiado pela mídia, o ministro não citou nenhum projeto de lei. Sua explanação em defesa da garantia de recursos e das realizações permanentes obtidas por meio da educação, feita nesta quarta-feira, 8, em audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, destinada a debater o balanço do primeiro ano do Plano Nacional de Educação, pode ser ouvida na íntegra no link abaixo.  “Aquilo que demorou milhões de anos para ser feito pela natureza deve construir estruturas que permaneçam e sejam duradouras. A educação é o que há por excelência de sustentável. Daí a importância de garantir os recursos do pré-sal para a educação”, afirmou o ministro.
(Do Uol)

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