Professor em extinção: conheça quatro docentes que resistem às dificuldades

Professores comprometidos, exigentes, que respeitam o aluno e dominam o conteúdo que ministram. Essas são características esperadas de qualquer profissional responsável pela formação de estudantes universitários, mas são raras. A falta de valorização e de reconhecimento desestimula muitos deles a continuarem na carreira ou de manterem o prazer pela profissão. Em livro lançado na última semana, pesquisadores de instituições de ensino de Brasília definem quem é esse docente e por que é difícil encontrá-lo.“Professores entusiasmados não são professores ‘cesta básica’. E o pior é que nós temos uma razoável convicção de que eles não podem ser formados. O entusiasmo é algo muito profundo, remonta às origens até familiares. São valores, princípios, ética, esse tipo de coisa que não se ensina em cursos”, explica José Florêncio Rodrigues Júnior, professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB) e um dos autores do livro.A publicação O professor universitário entusiasmado — Seis estudos sobre uma espécie em extinção é fruto de 11 anos de pesquisa de um grupo que reúne sete especialistas. O estudo incluiu a aplicação de mais de 450 questionários entre estudantes concluintes de cursos. Eles identificaram o professor entusiasmado como aquele que respeita os alunos — chama a todos pelo nome, por exemplo —, é sábio, tem senso de comprometimento e é exigente. “Eles não são professores coniventes, que tentam se fazer aceitáveis e populares”, destaca José Florêncio. “Outro traço importante é que são informais, têm um estilo de vida solto, casual”, acrescenta.
O nível de exigência mais alto e o jeito diferente dos demais, no entanto, frequentemente os colocam em conflito com a administração ou com os colegas de trabalho, segundo a pesquisa. “Acaba-se criando um clima em que eles ou pedem para sair ou são mandados embora”, afirma o pesquisador. Mas, quando conseguem superar os desafios, esses profissionais contagiam os estudantes e os incentivam a aprender, desde que a turma colabore. “Eu não posso ser um professor entusiasmando com uma turma apática, checando WhatsApp o tempo todo. Há aquilo que se chama reciprocidade no entusiasmo”, alerta.
Os estudantes que responderam ao questionário da pesquisa também indicaram professores que consideram entusiasmados em sala de aula. O Correio ouviu quatro desses profissionais, que relataram as experiências e os desafios enfrentados diariamente.
Fora da zona de conforto

André Viollati/Esp.CB/DA Press

Sérgio Euclides de Souza, 55 anos, acredita no confronto como um recurso pedagógico e avisa logo: “Sou um professor controverso”. Há 25 anos em sala de aula, ele busca tirar os alunos da zona de conforto para contribuir com o aprendizado de cada um deles. “Às vezes, dá certo; às vezes, não dá”, observa. Essa posição já colocou o próprio emprego em risco em algumas instituições. “Já respondi a processos administrativos por conta de conflitos com alunos em sala de aula”, relata. Mesmo assim, ele afirma que a maioria dos estudantes entendem que o trabalho é feito dessa forma em benefício deles. “Sou o contrário do professor populista, esse professor bonzinho que passa a mão na cabeça dos estudantes”, destaca. O objetivo principal é contribuir para formar profissionais que consigam atender às expectativas que a sociedade terá em relação a eles depois da graduação. Hoje, Sérgio ministra aulas em cinco disciplinas nos cursos de jornalismo, propaganda, design gráfico e produção audiovisual do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), e, apesar do compromisso com a docência, acredita que a tarefa está mais complicada a cada dia. “Eu ainda amo esse trabalho, mas ele está ficando cada vez mais difícil por causa do novo contexto tecnológico.”
Formando futuros colegas

Paula Rafiza/Esp.CB/DA Press

Antes mesmo de se formar no curso de medicina, o cirurgião João Batista Tajra, 43 anos, já dava aulas de biologia e de química. Hoje, como professor das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), ele leciona anatomia e cirurgia. “Eu era professor antes mesmo de ser médico. Essa é uma paixão mesmo, e há muito tempo. Agora, eu uni as duas coisas que eu mais gosto: a medicina e dar aula”, orgulha-se. Ele acredita que esse é o segredo para ter o trabalho reconhecido. A maior proximidade com os estudantes, por meio do diálogo, também ajuda. “A nossa geração é de conversa”, explica. Mas, se por um lado a aproximação facilita o trabalho, por outro, a desvalorização da carreira desestimula os profissionais. “O maior desafio que o professor enfrenta, hoje, é a falta de valorização da profissão, e isso num contexto geral: no ensino infantil, no segundo e no terceiro grau e na pós-graduação”, reclama. Por isso, João Batista acredita que a recompensa pelo trabalho vem do valor que ele próprio se dá e do reconhecimento dos alunos. Muitos deles até escolheram a mesma carreira. “Com certeza, eu devo ter desenvolvido a vontade de seguir tanto a docência quanto a minha área, que é cirurgia, em diversos alunos meus. Tenho ex-alunos que são colegas de profissão na minha especialidade”, finaliza.
Sem medo de aprender

 Paula Rafiza/Esp.CB/DA Press

O professor que se dedica à docência e mostra interesse pelos alunos se destaca e desperta neles a vontade de aprender. É nisso que acredita Luiz Carlos Iasbeck, docente do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB). “Eu procuro fazer com que ele tenha vontade de aprender mais e costumo sempre dizer para os meus alunos que eles não têm de estudar para o professor, devem estudar para eles mesmos, para a vida deles”, relata. Luiz Carlos não acha que seja um professor entusiasmado. Na opinião dele, o termo remete a um profissional bobo, que gosta de ser popular e está sempre animado. “Tem dia que eu vou dar aula sem vontade nenhuma, mas sou profissional e acredito naquilo que faço. Por isso, supero e executo (o trabalho) da melhor maneira”, explica. Segundo Luiz Carlos, o que faz ele ser reconhecido pelos estudantes é o fato de valorizá-los e nunca tratá-los como incapazes. “Tem aluno de todo tipo, mas acredito que cada um deles tem condições de aprender”, afirma. Em sala de aula, ele não usa a posição de professor de forma autoritária, mas também não deixa que ninguém se acomode. “Estudar é uma forma de ser infeliz, porque você vai se incomodar, e é assim que a gente cresce. Nenhuma pessoa acomodada evolui”, atesta.
Ensino com foco no aluno

Arquivo pessoal

A paixão pelo trabalho e a preocupação com os alunos norteiam a carreira do maranhense Anderson Nascimento, 38 anos, e são os dois fatores que, na opinião dele, fazem com que os alunos o admirem. “Provavelmente, eles veem isso nos meus olhos. Na hora em que eu falo, a paixão por aquele tema e a vontade de transmitir o conteúdo transparecem”, conta. Ele é professor do curso de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB), onde foi homenageado diversas vezes pelos alunos nas cerimônias de colação de grau. Hoje, após pedir uma licença de três anos, ele mora nos Estados Unidos e dá aulas na Universidade de Washington. No terceiro trimestre de trabalho, já recebeu as melhores avaliações dos alunos do departamento do qual faz parte. “Eu me sinto extremamente privilegiado de estar na sala de aula. O fato de o aluno dedicar um tempo precioso da vida dele para ficar na sua frente discutindo determinado tema com você, para mim, é um grande privilégio”, relata. No entanto, manter o mesmo entusiasmo sempre não é tarefa fácil no Brasil. Para ele, falta valorização financeira e acadêmica. “O reconhecimento não existe no Brasil tanto quanto nos Estados Unidos. O bom professor é mais recompensado aqui. No Brasil, o professor ser mediano, bom ou ruim não faz muita diferença.”
Fonte: Correio Braziliense 16/4/2015

Atos contra terceirização. Cadê a Globo?

Balanço parcial do dia nacional de luta contra a terceirização, realizado nesta quarta-feira (15), indica que esta mobilização só tende a crescer no país. Ocorreram paralisações parciais, passeatas e atos públicos em 23 Estados e no Distrito Federal. Várias categorias aderiram aos protestos, convocados pela CUT, CTB, NCST, Conlutas e Intersindical e com o apoio de inúmeros movimentos sociais – como o MST, o MTST e a UNE. A jornada de luta acabou repercutindo na Câmara Federal, que adiou a votação das emendas ao projeto de lei (PL-4330) que amplia a barbárie do trabalho terceirizado. A TV Globo, que investiu pesado na divulgação das marchas golpistas do domingo passado (12), não deu maior destaque à mobilização dos trabalhadores. O “Jornal Nacional” concedeu apenas quatro minutos e 26 segundos para o protesto e ainda manipulou a cobertura.
Segundo a Agência Brasil, em matéria postada no final da noite, houve paralisações no transporte público em pelo menos cinco capitais: Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Salvador e Recife. Outras categorias também cruzaram os braços parcialmente e houve dezenas de marchas e atos públicos no país. Em São Paulo, “manifestantes fizeram um ato político em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde queimaram bonecos representando o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”. Incidentes com a polícia foram registrados apenas em Vitória (ES). “Durante o tumulto [que linguagem num veículo de comunicação pública], a PM utilizou bombas de efeito moral para tentar dispersar os participantes do protesto”.
Já a Rede Brasil Atual, veículo ligado ao sindicalismo, registra o êxito do dia nacional de luta e destaca a massiva passeata realizada em São Paulo. “Milhares de manifestantes deixam o Largo da Batata, na zona oeste da capital, neste início de noite, em direção à Avenida Paulista, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), dando continuidade ao ato de protesto contra o Projeto de Lei 4.330, que amplia a terceirização do trabalho no país. No local, vão encontrar outros movimentos e trabalhadores que protestam desde o início da tarde e também com os professores estaduais, cuja greve que completou um mês na segunda-feira e tem sido ignorada pelo governo do estado e pela mídia. Segundo os organizadores, a marcha reúne aproximadamente 40 mil pessoas, e não há policiamento ostensivo”.
Um dos oradores da marcha foi o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos. Além de criticar a “elite preconceituosa” que trama golpes, ele também cobrou uma posição mais firme da presidenta da República. “Se o PL for aprovado, a Dilma tem o dever de vetá-lo”. Já o presidente da CUT, Vagner Freitas, destacou a urgência da unidade das esquerdas para derrotar a ofensiva da direita e mandou um recado para o lobista Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados: “Você não manda no Brasil. Vamos fazer uma greve nacional se for preciso”. O mesmo tom, propondo a radicalização contra a ofensiva de retirada de direitos dos trabalhadores, foi dado por lideranças da CTB, Intersindical, Conlutas, MST e UNE, entre outras entidades sindicais e movimentos populares.
A mobilização acabou “assustando” os deputados e pode até brecar a tramitação do projeto de lei, segundo artigo de André Barrocal no site da revista CartaCapital. “Ondas surgidas na internet e nas ruas podem provocar uma reviravolta no futuro da Lei da Terceirização (PL 4330/04). Com receio da reação contrária à tentativa de relativizar os direitos trabalhistas, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspendeu a sessão de terça-feira, 14, na qual estavam sendo votados pontos específicos do projeto. Pelo clima em Brasília, nada garante que será concluída nem se pode antecipar qual seria o texto final resultante de eventual votação. Cunha decidiu adiar a sessão após apelos de líderes partidários. Da tribuna, alguns deles admitiram preocupação com a repercussão negativa da lei”. Eles temem o carimbo de “traidores” do trabalhador!
Ainda segundo a matéria, “dos 28 partidos representados na Câmara, só três ficaram oficialmente contra o projeto na semana passada. O PT foi um deles, ao lado de PCdoB e PSOL. Um dos únicos seis, entre 61 peemedebistas, a votar contra o projeto, João Arruda (PR), disse a CartaCapital que a onda antiterceirização começou a se formar no fim da semana passada. Segundo ele, em redes sociais e em conversas no Paraná, sua terra natal, foi possível perceber um crescente sentimento contra o projeto. Suspensa a sessão, Arruda apontou à reportagem um panfleto revelador do clima entre os deputados. Intitula-se ‘Ladrões de Direitos’ e exibe a foto de seis ‘Procurados’ pelo ‘crime’ de ‘roubo de direitos’. ‘Essa lei rasga a carteira assinada. É muito ruim para o trabalhador’, afirmou Arruda”.
“Entusiasta do projeto e dono do gabinete onde muitos dispositivos do texto foram redigidos, Paulo Pereira da Silva, do Solidariedade, também apelou a Cunha: ‘A prudência nos recomenda suspender a sessão’. Uma posição sintomática. Paulinho é correligionário do relator do projeto, Arthur Maia (BA), e ex-presidente da Força Sindical, uma das duas centrais apoiadoras da lei. Até a semana passada, das seis centrais sindicais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho, havia três de cada lado. CUT, CTB e NCST, que juntas representam 50% dos empregados sindicalizados, eram contra. Força, UGT e CSB, a representar 28%, a favor. Nesta terça-feira 14, porém, a UGT debandou. Em nota oficial, o presidente da entidade, Ricardo Patah, disse que ‘da forma como o texto está, ele precariza o trabalho’”.
Todas estas mobilizações e reviravoltas, porém, não mereceram uma cobertura mais imparcial da mídia privada. Na prática, os jornalões, revistonas e as emissoras de rádio e televisão são favoráveis à terceirização – até como forma de precarizar ainda mais o trabalho dos jornalistas. Em editoriais, Folha, Estadão e O Globo defenderam de forma explícita a imediata aprovação do projeto de lei 4330. Este rabo preso com os patrões explica o pouco destaque dado pela imprensa ao dia nacional de mobilização. Além de dar poucos minutos para o protesto, o “Jornal Nacional” da TV Globo ainda teve o descaramento de ouvir três pessoas favoráveis à terceirização – inclusive o famigerado José Pastore, um arqui-inimigo da CLT e famoso consultor dos programas eleitorais do PSDB.
(Do Blog do Miro)

Com violência, entidades são expulsas de ato da Globo na Câmara

Mais uma vez os movimentos sociais são impedidos de entrar em sessão na Câmara dos Deputados. Agora os barrados foram os representantes do movimento pela democratização da comunicação, que tentaram participar de sessão em homenagem à Rede Globo realizada nesta terça-feira (14), fruto de um requerimento dos deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Romulo Gouveia (PSD-PB).

É bom lembrar que, há exatamente uma semana,representantes de centrais sindicais e movimentos sociais também foram brutalmente recebidos pela Polícia Legislativa. Parece que a truculência tem sido a marca dessa nova Câmara presidida por Eduardo Cunha (PMDB/RJ).
O coordenador do Barão de Itararé do Distrito Federal, Fred Vázquez, repudiou a ação truculenta e destacou que a “repressão dentro de uma sessão solene, que normalmente é aberta, demonstra o poder da Rede Globo no cerceamento das vozes dissonantes”.
Ele ainda denunciou que o ato durante a sessão tinha por objetivo expor uma “emissora que cresceu no colo do regime militar e que hoje assume o papel de agente ativo numa onda que busca impedir o avanço de um projeto popular e progressista inaugurado por uma ampla frente em 2002”.
Pedro Rafael Vilela, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que também foi impedido de entrar na sessão, fala da violência sofrida e destacou que no momento atual é fundamental denunciar que não existe democracia no Brasil, já que o país está refém de um monopólio que é único no mundo. Nesses termos, alertou ele, “o processo democrático fica inviável. Sem pluralidade e diversidade o avanço social e democrático é impossível de ocorrer”.
Em entrevista ao Vermelho, Sônia Corrêa, diretora de Políticas Públicas do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, afirmou que “a retirada na base da força de Pedro Rafael Vilela, do FNDC, foi uma demonstração de que a liberdade de expressão que o presidente da Casa, Eduardo Cunha, inimigo número 1 da democracia nas comunicações, não passa de uma piada pronta. O engraçado é que a retirada à força de Pedro do Plenário da Câmara por expressar-se é que a emissora jura defender a liberdade de expressão”.

50 anos de manipulação e hegenomia

Enquanto os parlamentares comemoram o que chamaram de “a construção de um veículo de comunicação pujante, que promoveu, com responsabilidade, a integração de 100% dos brasileiros”, os movimentos sociais ali presentes, que lutam pela efetiva democratização do setor há 30 anos e contra o monopólio da família Marinho, questionaram como eles avaliam um país de dimensões continentais possuir apenas um viés de opinião, sem falar na concentração escancarada promovida pela Globo.
Boa parcela da Câmara acredita, ou defende, que a Globo cumpriu com um serviço de interesse nacional. A sociedade organizada cobra a conta da sonegação de impostos, a cobertura enviesada que toma conta da TV de forma descarada desde sua criação, a criminalização dos movimentos sociais, a edificação e enraizamento de arquétipos e estereótipos que impedem a construção, sadia, de visões de mundo e lastro social.

As entidades não queriam outra coisa senão cobrar da Rede Globo e da Casa Legislativa o respeito à Constituição Federal, um freio ao chamado Sudeste way of life, o reconhecimento das culturas diversas, do respeito aos trabalhadores. Afinal, a Globo é ou não uma concessão pública e como deve prestar serviço público?

Neste abril de 2015, a Rede Globo completa 50 anos e sua comemoração é pela edificação de um projeto associado a um modelo de desenvolvimento, amparado no regime militar e no capital estrangeiro, que institui um padrão de qualidade baseado em ideias importadas, que mais atenta à nossa cultura do que a fortalece. Essa realidade nos convoca a reforçar cada vez mais os movimentos que pedem a democratização da comunicação, que lutam pela comunicação com um direito e não como mercadoria.
A quem serve a Câmara dos Deputados
Em entrevista à Rádio Vermelho, a coordenadora do Barão de Itararé São Paulo, Ana Flávia Marques, que acompanhou as agressões pelas redes sociais, condenou a postura violenta repita na Câmara dos Deputados. “Por que apenas alguns têm acesso à Casa do povo?”, questionou a ativista ao criticar a postura violenta empreendida mais uma vez na Câmara dos Deputados de Eduardo Cunha.
(Do Portal Vermelho)

5 livros essenciais para entender a obra do escritor Eduardo Galeano

“O mundo está feito de histórias. São as histórias que contamos, escutamos, multiplicamos, que permitem converter o passado em presente e o distante em próximo, o que está longe em algo próximo, possível e visível”. (Eduardo Galeano, 1940 – 2015).

Do microcosmo, Eduardo Galeano, que morreu nesta segunda-feira (13/04), pretendia alcançar toda a humanidade. Com os pequenos fatos cotidianos, recriar a história oficial, contada para que os pequenos, os pobres, as mulheres, os negros, os indígenas não tivessem voz. Trabalhou toda a vida para inverter a perversa ordem.

De “As Veias Abertas da América Latina”, obra histórica visceral, símbolo da esquerda latino-americana, Galeano passou ao relato poético e breve, mas não menos essenciais. Classificar suas obras nas categorias existentes é uma difícil e às vezes impossível missão já que mistura poesia, história, análise, relatos.

1. As Veias Abertas da América Latina (1971)

“Nós nos negamos a escutar as vozes que nos advertem: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o sequestro de bem naturais com que Deus, ou o Diabo, nos distinguiu, e assim trabalhamos para a nossa perdição e contribuímos para o extermínio da escassa natureza que nos resta”. O trecho consta no prefácio de Galeano à edição do livro As Veias Abertas da América Latina (L&PM, 2010, 397 páginas, R$44).

Publicado pela primeira vez em 1971, o autor passou a vida lamentando a atualidade da obra que pela transcendência, marcou a esquerda latino-americana e chegou a ser proibido na Argentina, Chile, Brasil e no Uruguai, durante as ditaduras militares nesses países.

Do período colonial até a contemporaneidade, passando pelas ditaduras do subcontinente, a obra questiona: “o subdesenvolvimento é uma etapa no caminho do desenvolvimento ou é consequência do desenvolvimento alheio?” e analisa a exploração econômica e a dominação política na América Latina.

A obra ganhou ainda mais notoriedade quando em 2009, o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez o deu de presente ao mandatário norte-americano, Barack Obama, durante a 5ª Cúpula das Américas. Mas, Galeano considerou, no final da vida, a obra ultrapassada. Em declarações a jornalistas durante a 2ª Bienal do Livro de Brasília no ano passado, o autor afirmou: “eu não seria capaz de ler de novo. Cairia desmaiado. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é chatíssima. Meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro”.

2. Memória do fogo (1982-1986)

Publicado em forma de trilogia, o livro, premiado pelo Ministério da Cultura do Uruguai e com o American Book Award, distinção fornecida pela Universidade de Washington, combina elementos de poesia, historia e conto. É composto pelos livros “Os Nascimentos” (1982), “As Caras e as Máscaras” (1984) e “O Século do Vento” (1986) (L&PM, 2010, 1584 páginas, R$69).

Os livros trazem poemas, transcrição de documentos, descrição dos fatos e interpretação de movimentos sociais e culturais, que compõem uma cronologia de acontecimentos, proporcionando uma visão de conjunto sobre a identidade latino-americana.

Como em “As Veias Abertas”, o livro propõe-se a ser uma revisão da história da região, desde o descobrimento até nossos dias, para enfrentar a “usurpação da memória” da história oficial. Com textos independentes que se encaixam e se articulam entre si, a obra traz um quadro completo dos últimos 500 anos. Apesar de manter a cronologia das histórias, o autor ignora a geografia para dar, assim, uma melhor ideia da unidade da história americana, para além das fronteiras fixadas “em função de interesses alheios às realidades nacionais”, como definiu.

3. Dias e Noites de Amor e Guerra (1975)

Vencedor do Prêmio Casa das Américas de 1978, “Dias e Noites de Amor e de Guerra” (L&PM, 2001, 200 páginas, R$ 19,90) é uma crônica novelada das ditaduras de Argentina e Uruguai, um relato autobiográfico, uma memória íntima, convertida em memória coletiva.

Junto ao horror dos amigos que desapareceram, Galeano traz o amor, os amigos, os filhos, a paisagem, tudo aquilo que ainda na escuridão de uma guerra suja e despiedada contra os mais fracos segue sendo motivo para viver, para defender as ideias e para alçar a voz contra os que atuavam impunemente para implantar o medo e a conseguinte paralização.

“Às vezes, sinto que a alegria é um delito de alta traição, que sou culpado do privilégio de seguir vivo e livre. Então me faz bem lembrar o que disse o cacique Huillca, no Peru, falando diante das ruínas: ‘aqui chegaram. Quebraram até as pedras. Queriam nos fazer desaparecer. Mas não conseguiram, porque estamos vivos’. E penso que Huilca tinha razão. Estar vivos: uma pequena vitória. Estar vivos, ou seja: capazes de alegria, apesar dos adeuses e os crimes”, como consta na contracapa do livro.

4. Os filhos dos dias (2012)

“Os Filhos dos Dias” (L&PM, 2012, 432 páginas, R$ 49) se inspira na sabedoria maia e traz 366 relatos que compõem a história, desde a Antiguidade até o presente. É baseado em uma versão do Gênesis que Galeano escutou em uma comunidade maia da Guatemala. “Se somos filhos dos dias, nada tem de estranho que cada dia tenha uma história para oferecer”. Assim, o livro, escrito em forma de calendário, traz episódios que ocorreram no México de 1585, no Brasil de 1808, na Alemanha de 1933 e em outras épocas e países.

A obra, que não pode ser definida em nenhum gênero por ser, ao mesmo tempo, todos (jornalismo, literatura, música e poesia), foi trabalhada ao longo de quatro anos. Teve 11 versões antes de ser publicada. “Sou um perfeccionista insuportável”, reconheceu Galeano. “É um livro que dói, mas também faz rir”, disse.

A mulher, o poder, os maias, as culturas originárias, o homem, a legalização das drogas são temas presentes. Com um olho no microscópio e outro no telescópio, Galeano forma um mosaico que permite contemplar o micromundo, de onde acredita que sai a grandeza do universo. “O prazer de encontrar essas histórias é descobrir o que não foi contado, ou que foi mentido pelas vozes do poder: essas contra vozes que o poder oculta porque não convém a eles que saibamos”.

Em entrevista ao site mexicano La Jornada, disse: “Vivemos presos em uma cultura universal que confunde a grandeza com o grandinho. Creio que a grandeza alenta, escondida, nas coisas pequeninas, as pequenas histórias da vida cotidiana que vão formando o colorido mosaico da história grande. Não é fácil escutar esses sussurros quando vivemos mal a vida convertida no espetáculo grande e gigantesco”.

5. Mulheres (1997)

“Mulheres” (L&PM, 1998, 176 páginas, R$ 18) é uma coletânea de textos publicados nos livros “Vagamundo e outros contos”, “Dias e Noites de Amor e de Guerra”, “Memória do Fogo” (trilogia), “O Livro dos Abraços” e “As Palavras Andantes”.

De forma lírica e poética, o autor traz relatos de mulheres célebres, anônimas que com sua vivência, deixaram marcas no dia a dia das pessoas com as quais conviveram e, por isso, devem ser lembradas.

O livro traz histórias de Charlotte Perkins Gilman (1860-1935), escritora norte-americana, cuja produção literária enfoca as relações entre mulher e homem e a opressão da sociedade em que viveu; da escrava Jacinta de Siqueira, “africana do Brasil, fundadora da Vila do Príncipe e das minas de ouro dos barrancos de Quatro Vinténs”; de Xica da Silva, escrava que virou rainha no século XVIII; da revolucionária Manuela Saénz, que junto a Simón Bolívar, seu amante, lutou pela independência das colônias sul-americanas; da compositora e cantora Violeta Parra, considerada a mais importante folclorista do Chile e ainda de Frida Khalo, Tina Modotti, Evita, Carmem Miranda, Isadora Duncan.

(Do Portal Forum)

Por ser parecido com Lula, fotógrafo é agredido durante protesto em BH

O fotógrafo Beto Novaes, funcionário do jornal Estado de Minas, foi agredido enquanto cobria o ato do último domingo (12) contra a presidenta Dilma Rousseff, em Belo Horizonte (MG). As informações são do portal O Tempo.
Por conta da semelhança física com o ex-presidente Lula, Novaes diz que é frequentemente abordado nas ruas por pessoas que querem tirar foto com ele. Ontem, uma mulher de Brasília o parou e fez o pedido. Foi aí que um grupo de quatro manifestantes o cercou. Mesmo identificado com o crachá do veículo onde trabalha, os agressores continuaram a ofendê-lo, até que teve de deixar o local.

“Eles começaram a me empurrar, me deram um chute na coxa e pediram para eu sair”, relata o fotógrafo. “Me disseram que eu não estava trabalhando, mas que tinha ido à manifestação fantasiado de Lula.” Novaes diz ainda que, em 30 anos de profissão, nunca havia passado por situação parecida.

Até o momento, o Estado de Minas não noticiou o ocorrido.

(Do Portal Forum)

Governo adotará novas medidas para que a segurança volte às escolas do DF

Até o fim do ano, pelo menos três medidas serão implantadas pelo Executivo para evitar novos episódios de violência dentro das escolas do DF. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), inclusive, já havia recomendado uma das ações: a mediação. As outras duas tratam  da contratação de mais profissionais para a área e da reestruturação curricular de estudantes da rede pública do DF.
Com o episódio da Cidade Estrutural — em que um homem entrou no Centro de Ensino Fundamental 1 e feriu 11 pessoas —, o secretário da Segurança Pública e da Paz Social, Arthur Trindade, determinou a elaboração de um estudo sobre violência nas escolas. O trabalho servirá para orientar as ações do Batalhão Escolar. Um mapa com as áreas mais problemáticas do DF será traçado. A promessa do secretário é reforçar o policiamento nessas localidades. “O mesmo trabalho terá como destino a Secretaria de Educação, com o objetivo de subsidiar estratégias de resolução de conflitos ou até mesmo promover mudanças na distribuição dos vigilantes”, explicou o chefe da segurança pública.
Segundo a promotora de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), Márcia da Rocha, a mediação será um mecanismo para criar segurança entre as pessoas. No formato de grupo de encontro, alunos, professores, servidores e pais seriam, com a institucionalização da medida, capacitados a ouvir o outro de forma a entender as atitudes de todos. Uma espécie de mesa redonda para aprender a respeitar as opiniões diversas. “É uma medida primária para evitar que as pessoas transformem um simples desentendimento em conflito, na reprodução da violência. E que, juntos, possam começar a trabalhar o entendimento do que o outro está dizendo”, explicou a promotora.
Ato egoísta
Atualmente, algumas escolas do DF já trabalham com o método, mas o número é baixo. Das 627 escolas públicas do DF, menos de 10 usam a mediação. “A violência é um ato egoísta. Quem pratica não está pensando no outro. A pessoa pode até se vitimizar, dizer que foi para se defender, mas é incapaz de estabelecer um diálogo. E a mediação é uma das formas de mudar isso. Não é a única, mas já surte grandes resultados”, ponderou Márcia.
A Secretaria de Educação também estuda a contratação de profissionais para o posto de inspetor: um profissional que fará o monitoramento dos intervalos, do horário de entrada e saída da escola e das salas de aula e vigiará o comportamento dos estudantes. A licitação, segundo o secretário Júlio Gregório, está encaminhada. “Ainda não temos definição da quantidade de profissionais, mas será algo que atenda às escolas maiores do DF, onde existem os conflitos de violência”, adiantou. A longo prazo, o plano do governo é alterar a estrutura curricular e criar atividades estimulantes, que mantenham os alunos mais conectados com o estudo e menos dispersos. “Eles precisam estar ocupados com coisas mais interessantes para não terem tempo de outras coisas”, justificou o secretário.
Carlos Mota
Há seis anos, o diretor Carlos Mota dá nome ao Centro de Ensino Fundamental do Lago Oeste. A homenagem, infelizmente, veio após ele ser assassinado por alunos e ex-estudantes, em casa. O motivo: ele atuava fortemente no combate às drogas na instituição de ensino. Em 20 de junho de 2008, quatro rapazes foram flagrados tentando entrar no colégio com entorpecentes, mas o educador os impediu. Criminosos foram até a chácara onde o professor morava com a mulher e dois dos três filhos, e atiraram contra Carlos. A viúva, Rita Pereira, 45 anos, socorreu o marido até o hospital, mas era tarde. O professor trabalhava em projetos para implementar o ensino de tempo integral na escola, criar uma biblioteca virtual, levar o cinema à instituição e estimular atividades culturais.
Mesmo pais de alunos recém-chegados conhecem a história do professor. O jardineiro Ronaldo Rocha Siqueira, 30 anos, busca o filho Erick Feitosa Siqueira, 7, todos os dias no colégio. A escola fica a cerca de 100m de um posto da Polícia Militar — que não funciona. Ronaldo tem medo da insegurança. “Você pode passar 24 horas aqui e nunca ver a polícia. Fico com medo, principalmente depois do caso da Estrutural. Aqui entra gente que nem é estudante ou funcionário. À noite, a venda de droga na porta da instituição ocorre sem ninguém fazer nada. Entrego meu filho na sala de aula e o busco com a professora”, destacou.
(Do Correio Braziliense)

Dia de luta contra o PL 4.330

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que o projeto de lei 4.330/2004 poderá ser pautado no plenário da Casa nesta terça-feira (7). O PL, de autoria do ex-deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), precariza as relações de trabalho através da subcontratação/terceirização indiscriminada.
O projeto é tão nefasto que possibilita a terceirização das atividades fim das empresas.
No caso do setor público, esse tipo de manobra abre brechas para o fim dos concursos públicos, ampliando a retirada de direitos.
Já imaginou uma escola pública funcionando com professores terceirizados, contratados por empresas particulares?
E é preciso muita atenção. O PL 4.330 ainda precisaria da análise da Comissão de Constituição e Justiça – CCJ da Câmara. Entretanto, é previsto no Regimento Interno da Casa que o texto seja apreciado direto pelo plenário. A decisão, caso efetivada, não levaria em conta a opinião da CUT e demais centrais sindicais que representam 33 milhões de trabalhadores, segundo Ministério do Trabalho.
Para o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, “é inadmissível que a Casa do Povo não contemple de fato o que é de interesse do povo. A intenção de aprovação do PL 4.330 é totalmente a favor dos interesses dos empresários e traz o caos para a classe trabalhadora. Se a Câmara tampa os ouvidos para a classe trabalhadora, nós vamos aumentar o nosso tom, até que sejamos ouvidos. Isso vai ser demonstrado neste mês de abril, quando realizaremos o Abril de Luta. Toda a militância CUTista já está convocada para as ações que repudiam qualquer tentativa de retirada de direito da classe trabalhadora, principalmente para a ação do dia 7, quando ‘tingiremos’ a Câmara de vermelho”.
Mobilização
7h – no saguão de desembarque do Aeroporto, recepcionaremos os parlamentares com faixas, balões e panfletagem.
13h – concentrarão na tenda da CUT montada próximo na Alameda dos Estados (em frente ao Congresso Nacional). Lá será realizada uma breve assembleia que definirá a atuação do grupo no Congresso Nacional.
O Sinpro enfatiza que é extremamente importante a mobilização de professores e professoras para estarem presentes nessas atividades.
Com informações da CUT Brasília

Escolas que homenageiam militares no Maranhão serão rebatizadas

Nesta terça-feira (31), data em que o golpe militar completa 51 anos, escolas estaduais do Maranhão cujos nomes homenageiam membros das Forças Armadas serão rebatizadas por determinação do governador Flávio Dino (PCdoB). “Amanhã, data do golpe de 1964, vamos trocar os nomes de escolas alusivos aos generais-ditadores. Não merecem homenagens. Ditadura nunca mais”, disse Dino em posts nas redes sociais.
A Secretaria de Estado da Educação identificou, em nove municípios maranhenses, dez instituições de ensino que possuíam nomes de ex-presidentes do regime militar. Na capital, São Luís, a Escola Estadual Marechal Castelo Branco passará a se chamar Unidade Jackson Lago (ex-governador do estado). Em Imperatriz, o então Centro de Ensino Castelo Branco se tornará  Centro de Ensino Vinícius de Moraes. Em Timbiras, a escola batizada com o nome do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici será, a partir de hoje, Centro de Ensino Paulo Freire.
Ainda segundo o governador, “as próprias comunidades escolares escolheram novos nomes”. Ele ressaltou que, com o relatório apresentado no final de 2014 pela Comissão Nacional da Verdade, não é “razoável” que prédios públicos continuem a agraciar militares que cometeram graves violações de direitos humanos. “O estado do Maranhão não mais homenageará os responsáveis por crimes contra a humanidade”, afirmou ao Estado de S. Paulo.
As alterações serão publicadas no Diário Oficial de hoje.
(Do Portal Forum)
Muitas escolas ainda levam o nome dos responsáveis pela ditadura no Brasil. Você pode mudar isso!
Acesse http://ditaduranuncamais.cnte.org.br

CCJ aprova maioridade penal e vai contra posição da sociedade organizada

maioridade penal2Apesar da grande campanha contra a redução da maioridade penal em todo o país, os deputados federais aprovaram, nesta terça-feira (31), na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), com voto em separado do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC ) 171/1993, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Foram 42 votos a favor e 17 contra.
O resultado, que gerou protesto de manifestantes presentes na reunião, é uma decepção para a sociedade civil organizada que, há anos, tem se posicionado contrária ao projeto. Antes, havia sido rejeitado o relatório do Luiz Couto (PT-PB), que era contrário à proposta. Couto argumentou que a proposta fere cláusula pétrea da Constituição, o que a tornaria inconstitucional.
Se o Senado aprovar o texto como o recebeu da Câmara, a emenda será promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. Se o texto for alterado, volta para a Câmara, para ser votado novamente. Não cabe veto da Presidência da República, uma vez que se trata de emenda à Constituição. A redução, se aprovada, pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), último responsável pela análise da constitucionalidade das leis.
maioridade_penal_manifestaçãoNo parecer vencedor, Marcos Rogério afirma que a redução da maioridade penal “tem como objetivo evitar que jovens cometam crimes na certeza da impunidade”. Ele defendeu que a idade para a imputação penal não é imutável. “Não entendo que o preceito a ser mudado seja uma cláusula pétrea, porque esse é um direito que muda na sociedade, dentro de certos limites, e que pode ser estudado pelos deputados”, disse.
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) lamentou o resultado: “Estamos decidindo mandar para um sistema falido, com altíssimas taxas de reincidência, adolescentes que a sociedade quer supostamente recuperar. É um enorme contrassenso”, disse. Partidos políticos, como PT, PSol, PPS, PSB e PCdoB votaram contra a proposta. Os partidos favoráveis à aprovação da admissibilidade foram PSDB, PSD, PR, DEM, PRB, PTC, PV, PTN, PMN, PRP, PSDC, PRTB. Já os que liberaram suas bancadas porque havia deputados contra e a favor foram os seguintes: PMDB, PP, PTB, PSC, SD, Pros, PHS, PDT, e PEN.
Católicos, evangélicos, juristas e ativistas sociais: todos juntos contra a redução da maioridade penal
Há tempos a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem se manifestado contrária a redução da maioridade penal. Em nota no site, ela informa que as “entidades ligadas à Igreja Católica no Brasil se posicionaram contra a redução da maioridade penal”, diz a nota. Em 2013, a CNBB, por meio de seu Conselho Permanente, também emitiu nota na qual reafirmava “que a redução da maioridade não é a solução para o fim da violência”, declara.
Na ocasião, os bispos da CNBB alertavam a sociedade que a medida é uma “negação da Doutrina da Proteção Integral que fundamenta o tratamento jurídico dispensado às crianças e adolescentes pelo Direito Brasileiro”. E que “a Igreja no Brasil continua acreditando na capacidade de regeneração do adolescente quando favorecido em seus direitos básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o ser humano”. Duas importantes organizações representativas das Igrejas Evangélicas brasileiras, os Evangélicos pela Justiça e a Rede Evangélica Nacional de Ação Social – RENAS, se posicionaram contra a tentativa da redução da maioridade penal.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT)  também tem se manifestado contrária, e em nota divulgada no site, declara que a aprovação desse projeto é um passo para trás, “um terrível retrocesso no sistema de garantias de direitos da criança e do adolescente brasileiro, por meio da aprovação da PEC 171/93”. Na nota, a diretoria da CUT reafirma seu posicionamento, consolidado em sua última Plenária Nacional, de ser contrária a qualquer iniciativa ou projeto de lei que venha a reduzir a idade penal.
“Não há como concordar com a redução da maioridade penal que só vai penalizar ainda mais os grupos e indivíduos vulneráveis psicológica, econômica, cultural e socialmente, enviando os mesmos para um sistema policialesco, punitivo e encarcerador que não ressocializa ninguém, como é o caso do sistema carcerário brasileiro”.
Para a subprocuradora-geral da República, Raquel Elias Ferreira Dodge, há uma má interpretação dos índices de violência cometidos por jovens. “Há uma sensação social de descontrole que é irreal. Os menores que cometem crimes violentos estão ou nas grandes periferias ou na rota do tráfico de drogas e são vítimas dessa realidade”, diz.
Atualmente, roubos e atividades relacionadas ao tráfico de drogas representam 38% e 27% dos atos infracionais, respectivamente, de acordo com o levantamento da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Crianças e do Adolescentes. Os homicídios não chegam a 1% dos crimes cometidos entre jovens de 16 e 18 anos. A Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância – indica que, dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida.
Ao mesmo tempo, não há comprovação de que a redução da maioridade penal contribua para a redução da criminalidade. Do total de homicídios cometidos no Brasil nos últimos 20 anos, apenas 3% foram realizados por adolescentes. O número é ainda menor em 2013, quando apenas 0,5% dos homicídios foram causados por menores. Por outro lado, são os jovens (de 15 a 29 anos) as maiores vítimas da violência. Em 2012, entre os 56 mil homicídios em solo brasileiro, 30 mil eram jovens, em sua maioria, negros e pobres.
Por isso, para a subprocuradora-geral da República, o remédio para essa situação não é a redução da idade penal, mas o endurecimento da pena para adultos que corrompem menores – como o Projeto de Lei 508/2015, do deputado Major Olímpio – e o investimento em políticas sociais para os jovens.
Entidades como a Unicef, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o Ministério Público Federal (MPF), a Anced (Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente), o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) manifestaram-se, insistentemente, contrários ao projeto.
A seguir, confira diversas notas públicas, manifestações contrárias e links com matérias que servem para aprofundar o conhecimento sobre o tema.
NOTAS PÚBLICAS
Manifesto de Movimentos Sociais, Intelectuais e Magistrados Contra a Redução da Maioridade Penal 
Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude – ABMP

Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP
Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adoescentes – ANCED / Rede Nacional de Defesa do Adolescente em Conflito com a Lei – RENADE
Brigadas Populares
Cáritas Brasileira
Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social – Cendhec
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul
Conselho Federal da OAB (enviado a todos os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara)
Conselho Federal de Serviço Social – CFESS
Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS
Conselho Regional de Psicologia do DF – CRP/01
Conselho Regional de Psicologia SP – CRP/06
Evangélicos pela Justiça
Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM / Rede Justiça Criminal
Movimento de Adolescentes e Crianças – MAC
Nações Unidas
Pastoral da Juventude
Pastoral do Menor
Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal
Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude
Rede Nacional Primeira Infância
Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude – SECRIA/DF
Visão Mundial
Matérias e estudos
OAB vai ao Supremo contra a redução da maioridade penal
Congresso Nacional pode aprovar redução da maioridade penal
Mitos sobre a redução da maioridade penal
Reduzir a maioridade penal é a solução para a criminalidade?
18 razões para ser contra a redução da maioridade penal
Todos os países que reduziram a maioridade penal não diminuíram a violência

Dúvidas Comuns sobre a redução da maioridade penal
Instituto Protagonismo Juvenil sobre redução da maioridade penal
Qual é a contribuição da mídia para o debate da redução da maioridade penal?
Como outros países abordam as infrações cometidas por adolescentes
Futebol atrás das grades e a redução da idade para responsabilidade penal
Por que somos contra a redução da maioridade penal?
Nota da ONU contra a redução da maioridade penal

 

Seminário em Brasília discute memória e verdade da ditadura militar

Com o objetivo de discutir a importância da memória e verdade sobre as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante o período da ditadura militar, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) promove o seminário “Democracia e Ditadura: memória e verdade contra autoritarismo do presente”. O evento, aberto ao público, acontece nesta terça-feira (31), data em que se completa 51 anos do golpe de 1964.

O evento vai discutir a importância da memória e verdade sobre as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante o período da ditadura militar.O evento vai discutir a importância da memória e verdade sobre as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante o período da ditadura militar.

A constituição de uma memória coletiva sobre o passado, torturas e desaparecimento de pessoas, análises das manifestações do dia 15 de março, o encerramento da Comissão Nacional da Verdade e de outras Comissões da Verdade estaduais, municipais ou setoriais, além do significado da Justiça de Transição no Brasil estão entre os temas que serão debatidos pelos participantes.
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti e o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Marques de Toledo Camargo, participarão das mesas de debate, juntamente com representantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, da Rede de Comissões da Verdade Universitárias e da Comissão da Verdade “Anísio Teixeira” da Universidade de Brasília, que apoiam o seminário.
Serviço:
Seminário “Democracia e Ditadura: memória e verdade contra autoritarismos do presente”
Data: 31 de março
Horário: 16 horas às 19 horas
Local: Auditório Joaquim Nabuco, Faculdade de Direito da UnB
(Do Portal Vermelho)

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