Operação Condor-Diplomacia: Cumplicidade entre Brasil e Argentina
Jornalista: sindicato
“Depois de analisar milhares de documentos no Brasil, estamos em condições de dizer que a articulação diplomática foi importante para o funcionamento da articulação repressora” conhecida como Operação Condor. A afirmação é de uma fonte do Ministério de Relações Exteriores argentino durante uma entrevista à Carta Maior em Buenos Aires, onde foi lançado um buscador virtual que compila papéis inéditos sobre a trama criminosa sul-americana.
Há um mês, o chanceler argentino, Héctor Timerman, colocou no ar o site onde se pode ter acesso ao material desclassificado durante cinco anos nas missões diplomáticas do Brasil, assim como nas embaixadas de outros países cujas ditaduras se associaram, com a benção de Washington, especialmente de Henry Kissinger, que já estava na Casa Branca em 1970, quando Jefferson Cardim Osorio foi sequestrado em Buenos Aires. O coronal Osorio foi torturado por elementos da Polícia Federal argentina com o consentimento do embaixador brasileiro Francisco Azeredo da Silveira, depois promovido a chanceler pelo presidente Ernesto Geisel. Este caso é um dos primeiros da associação entre brasileiros e argentinos, orquestrada com a participação de altos membros do Itamaraty e do Palácio San Martín (chancelaria portenha).
Embaixadores brasileiros e argentinos, articulados com os serviços de inteligência, operaram durante anos nas sombras, montando uma engrenagem cuja reconstrução será facilitada a partir das informações obtidas pelo governo da presidenta Cristina Kirchner.
“Isto que recuperamos na Embaixada de Brasília e nos consulados de São Paulo e Rio de Janeiro é parte de um grande quebra-cabeça. A verdade sobre o terrorismo de Estado está aparecendo em partes. Há muito trabalho pela frente, estamos agora diante da ponto do iceberg sobre o qual a diplomacia atuou. Estou seguro de que, com esta decisão política do nosso governo, de investigar e publicar o que encontrarmos, estamos acrescentando parte da verdade sobre a articulação da repressão”, explica nosso entrevistado enquanto saboreia um café.
É meio-dia de uma calorosa sexta-feira, estamos em um restaurante localizado a poucos metros do Palácio San Martín. Em Buenos Aires, ainda se respira a efervescência do clássico em que o River venceu o Boca Juniors por um a zero, jogado na noite de quinta-feira pela Copa Sul-americana no Estádio Monumental, o mesmo que recebeu a final da Copa de 1978, organizada pela ditadura, com apoio de João Havelange e a visita de Kissinger.
É certo que o volumoso arsenal de dados liberados pelo chanceler Héctor Timerman (um dos funcionários mais hostilizados pela velha mídia portenha) talvez permita jogar luz, ou pelo menos conceder mais elementos, sobre o tecido de complicações construído pelos ditadores Ernesto Geisel e Jorge Rafael Videla para vigiar e, eventualmente, eliminar o presidente João Goulart, falecido em 1976 na província de Corrientes, Argentina, quando estava cercado pela Operação Condor. O laudo dos laboratórios que analisaram seus restos, divulgado recentemente, não permite assegurar que faleceu de causas naturais.
Por outro lado, os documentos localizados no buscador argentino podem dar novas pistas sobre o plano do Planalto e da Casa Rosada, que desembocou no desaparecimento do guerrilheiro ítalo-argentino Domingo Horacio Campiglia, sequestrado em 1980 no Aeroporto do Galeão em uma operação de que fez parte o famoso coronel Paulo Malhães.
Ditadura no Brasil foi pioneira
Sabe-se que a ditadura brasileira foi a primeira a implementar a Doutrina de Segurança Nacional na região, e que seu governo de fato foi pioneiro na formação de uma equipe diplomática à serviço do terrorismo de Estado sob o pretexto da “guerra sem fronteiras contra o comunismo”.
Uma década antes do golpe dado em 1976 pelas forças armadas argentinas, o Brasil já havia estruturado, dentro do Ministério das Relações Exteriores, um esquema de espionagem cuja primeira missão seria seguir o presidente deposto João Goulart, exilado no Uruguai desde 1964.
O Centro de Informações no Exterior (CIEX) foi concebido pelo embaixador Manoel Pio Correa (suspeito de trabalhar para a CIA), que, em meados dos anos 60, atuou como chefe da missão diplomática no Uruguai, antes de ser transferido para a Argentina, onde trabalhou entre 1967 e 1969, durante o governo do general Juan Carlos Onganía, outro acólito da Doutrina de Segurança Nacional.
Nos arquivos do CIEX, revelados em 2007 pelo jornalista Cláudio Dantas Sequeira, há informações sobre o sequestro e posterior desaparecimento no Aeroporto Internacional de Ezeiza (Buenos Aires) do militante Edmur Pericles Camargo, o “Gauchão”, ocorrido em 1971. No acervo do CIEX, que desmentiu o mito de que o Itamaraty esteve alheio ao terrorismo de Estado, também há fichas sobre o militar e guerrilheiro Onofre Pinto (participou no sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick), assassinado pouco tempo depois de retornar ao Brasil procedente da Argentina.
O coronel Paulo Malhães foi um dos elementos vinculados com a perseguição na Argentina e a posterior execução de Onofre Pinto no Parque Nacional de Foz do Iguaçu, junto de outros militantes, em julho de 1974.
Em março deste ano, Paulo Malhães falou por horas diante da Comissão da Verdade, explicando como torturou, assassinou e eliminou cadáveres de oposicionistas (um deles possivelmente foi Onofre Pinto), mas não se aprofundou sobre sua atuação na teia de aranha da espionagem e morte costurada na Argentina durante anos.
A suspeitosa morte de Malhães (queima de arquivo?), ocorrida um mês depois de suas confissões diante da Comissão, deixou muitas questões em aberto, que talvez possam ser solucionadas com a ajuda dos documentos ventilados pela Chancelaria portenha. As investigações cruzadas de país a país são a chave para dar forma ao esqueleto ainda incompleto da Operação Condor, em particular da Condor diplomática.
“O que propomos é que haja a maior transparência possível, acredito que este trabalho de recompilação e publicação de arquivos não tem antecedentes na América Latina e talvez haja poucos iguais no mundo”, disse o diplomata ao encerrar sua conversa com Carta Maior.
(Da Carta Maior)
Proposta de lei no Chile quer mudar nomes de ruas e proibir homenagens a militares
Jornalista: sindicato
Um projeto de lei apresentado na semana passada no Congresso chileno quer proibir a realização no país de homenagens ou exaltações de qualquer tipo à ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) em eventos ou espaços públicos de responsabilidade do Estado.
A medida, proposta pela deputada comunista e ex-líder estudantil Karol Cariola na terça-feira (2), causou controvérsia na cena política nacional tanto pelo conteúdo do diploma, quanto pelo nome: ’Ninguna calle llevará tu nombre’ (nenhuma rua terá seu nome). O documento apresentado pela parlamentar traz uma lista de locais públicos, cujos nomes homenageiam pessoas, datas ou fazem referência elogiosa ao período ditatorial.
A iniciativa da deputada chilena é semelhante à recomendação que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) brasileira fará ao apresentar o relatório final à presidenta Dilma Rousseff, na próxima quarta-feira (10). O órgão brasileiro quer rebatizar obras públicas do país que carreguem o nome de presidentes militares ou pessoas envolvidas com torturas, desaparecimentos e outras violações contra os direitos humanos no período.
Medidas semelhantes, porém, pontuais, já foram adotadas no Chile anteriormente — como a mudança de nome, realizada no ano passado, da Avenida 11 de Setembro na capital Santiago, referência ao dia em que se consumou o golpe contra Salvador Allende. Entretanto, o projeto de Cariola é o primeiro a pretender unificar e institucionalizar a mudança de política.
Espalhadas pelo país, ainda existem mais de vinte ruas e avenidas com o mesmo nome, além das centenas de outras localidades que carregam a estirpe do ditador Augusto Pinochet, de outros membros da Junta Militar, ou até mesmo da viúva do “generalíssimo”, Lucía Hiriart de Pinochet.
“O Chile não pode mais conviver diariamente com homenagens aos responsáveis pelos anos mais obscuros da sua história e aos seus crimes”, assinala a deputada Karol Cariola.
“Se o Estado reconhece que o governo do ditador perseguiu e assassinou milhares de compatriotas, não podemos aceitar que a Rodovia Austral se chame Augusto Pinochet. Se o Exército fez um mea culpa, dez anos atrás, pelos crimes cometidos, não podemos manter na Escola Militar uma biblioteca com o nome do ditador que ordenou esses crimes”, continua a parlamentar, citando dois casos específicos, considerados os mais controversos da iniciativa.
Caso da Rodovia Austral
Procuradas por Opera Mundi, fontes ligadas ao Exército chileno e autoridades de províncias austrais do país dizem que entre os militares existe uma forte resistência ao “rebatismo” de bens públicos.
Sobretudo no caso da Rodovia Austral, a relutância é mais forte ainda. Isto, por causa da história da via. Ainda sem ter sido concluído, o projeto inicial da rodovia pretende fazer a conexão terrestre definitiva da região sul do país — fazendo com que as províncias de Aysén e Magallanes sejam, enfim, acessíveis por terra, e não apenas por via aérea ou marítima, como ocorre hoje. No entanto, os 1.240 quilômetros pavimentados que existem foram feitos na era Pinochet com mão de obra militar, e não através de uma construtora ou empreiteira. Por este motivo, as Forças Armadas insistem que o nome faça referência a algum símbolo da instituição militar daquela época.
Igualmente emblemático é o caso da única escultura pública que homenageia um integrante da Junta Militar. Na entrada do Museu Marítimo Nacional, na cidade de Valparaíso, há uma estátua em tamanho natural do almirante José Toríbio Merino, representante da Marinha na Junta, que cumpriu o papel de porta-voz durante a ditadura. Desde 2011, existe uma campanha na cidade de Valparaíso pedindo a sua retirada.
Eventos públicos
É importante observar que, pelo texto do projeto, somente as instâncias de responsabilidade ligada ao Estado estariam sujeitas à proibição. Desta forma, eventos que fazem apologia à ditadura, mas que sejam realizados por entes privados, continuariam a ser permitidos — a exemplo de uma manifestação, ocorrida em junho de 2012, por um grupo de simpatizantes da ditadura.
Por outro lado, órgãos públicos não poderão realizar iniciativas semelhantes, caso a lei seja promulgada. Ficariam banidas iniciativas públicas como a da prefeitura da comuna de Providência, em novembro de 2011, que sediou um encontro com ex-militares em apoio ao brigadeiro Miguel Krassnoff, ex-chefe da DINA (serviço secreto da ditadura) e cumpre a pena de prisão perpétua por violações aos direitos humanos.
Reações políticas
Apesar de ter vivido recentemente um processo de discussão interna sobre o seu apoio ao golpe, a UDI, maior partido da direita chilena, liderou as críticas à nova proposta. O porta-voz da legenda, deputado Javier Macaya, classificou o projeto como “totalitário e baseado em ideias norte-coreanas”. E continuou: “talvez na China de Mao ou na Alemanha de Hitler pudéssemos ver algo similar”.
Por sua parte, o senador Iván Moreira, conhecido por ser um dos políticos mais próximos a Pinochet em seus últimos anos de vida, afirmou que apoiaria a proposta “se o outro lado também for punido, e acabemos com todas as homenagens a Salvador Allende nas ruas e avenidas do Chile”.
Já a professora Lorena Pizarro, presidente da Agrupação de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD), elogiou a iniciativa e o fato de que o documento fala em proibir não só os nomes militares ligados à ditadura como também os nomes civis, como o do jurista e senador Jaime Guzmán, autor da Constituição de 1980, vigente até hoje. “O Chile vem relativizando o terrorismo de Estado desde o fim da ditadura, chegou a hora de estabelecer uma coerência na forma em que condenamos o que aconteceu”, comentou.
(Da Rede Brasil Atual)
Salários atrasados em Educação e Saúde somam R$ 700 milhões, diz DF
Jornalista: sindicato
O secretário de Administração, Wilmar Lacerda, afirmou que o governo do Distrito Federal vai depositar R$ 700 milhões nesta segunda-feira (8) para pagar os servidores da Educação e da Saúde. Os salários deveriam ter caído na conta dos profissionais na quinta (4) e na sexta (5) da semana passada, respectivamente.
Segundo o gestor, o problema ocorre porque o Executivo enfrenta problemas na receita. Além disso, as operações para transferência dos recursos federais só teriam sido finalizadas no início da noite de sexta. O valor, segundo ele, corresponde à folha líquida das duas pastas.
“O DF, como todos os estados brasileiros, em função do baixo crescimento da economia, teve um problema de receita, de arrecadação e frustração da arrecadação. Nós estamos vivendo o que 15 estados brasileiros estão vivendo, dificuldade de pagamento”, afirmou Lacerda. “Isso é normal no final do ano, mas nós vamos acertar todas essas contas.”
A Secretaria de Educação tem aproximadamente 50 mil servidores. De acordo com o Sindicato dos Professores, atrasos no pagamento não ocorriam há pelo menos dez anos.
O DF, como todos os estados brasileiros, em função do baixo crescimento da economia, teve um problema de receita, de arrecadação e frustração da arrecadação. Nós estamos vivendo o que 15 estados brasileiros estão vivendo, dificuldade de pagamento”
Wilmar Lacerda,
secretário de Administração
“Salário é coisa sagrada, é serviço prestado, nós não recebemos antecipado, já trabalhamos. Portanto, deve-se honrar isso, respeitar o direito do trabalhador”, disse a diretora da entidade Rosilene Correia.
A professora Maria Miranda também reclamou. “Todo mundo está com as contas atrasadas, está com pagamento de comida, de água, de escola, de filho.”
Já a Secretaria de Saúde tem 35 mil servidores, que enfrentam também outras dificuldades. Eles continuam com a alimentação suspensa desde que a Sanoli, que oferece refeição para os 16 hospitais públicos e as cinco UPAs, voltou a paralisar o serviço alegando que o governo lhe deve R$ 23 milhões.
Lacerda afirmou que o pagamento está “garantido”. “O depósito é feito à noite, no banco, e amanhã estarão disponíveis os salários dos servidores.” Creches
Creches que recebem verba do governo para funcionar por meio de um convênio completaram uma semana de greve nesta segunda (8). De acordo com o conselho que as representa, 22 unidades estão de portas fechadas por falta de dinheiro.
O governo diz que o atraso ocorreu por motivos pontuais e que está adequando o fluxo de caixa para pagar as dívidas. A previsão era de que isso foi feito até sexta.
Mãe de David, a autônoma Fátima Soares conta que não sabe o que vai fazer. Ele estudava em um estabelecimento da Asa Norte, que alega que o repasse não acontece desde setembro. A direção fez empréstimos para manter o caixa, mas afirma que o dinheiro acabou. “Muitas mães estão nessa situação, não têm onde deixar o filho,” diz a mulher.
O secretário afirma que o problema será corrigido nesta semana. “A Secretaria de Educação, que é quem faz os contratos com as creches, deve normalizar o pagamento neste mês, […] nesta semana.”
(Do G1)
O Ministério da Educação está trabalhando na implantação de um sistema nacional de educação. Foi o que informou ontem a secretária de Educação Básica do MEC, Maria Beatriz Luce, durante audiência pública da Comissão de Educação (CE) sobre a construção de uma base curricular nacional comum para os ensinos fundamental e médio.
Pelo Plano Nacional de Educação, em vigor desde junho deste ano, todas as escolas públicas e privadas do país deverão se orientar por uma mesma base curricular a partir de 2016, cabendo a cada uma delas escolher a linha pedagógica e a metodologia de ensino, passando pela formação dos professores.
Apontando um documento com mais de 500 páginas para os participantes do encontro, a secretária garantiu que a construção da base curricular nacional comum é hoje uma das prioridades do ministério.
— Estamos saindo de uma era onde a política curricular ficou submissa, ocultada e até pouco tratada diante das demais. Há, sim, indicações de conteúdo e de método. Há diretrizes para todas as etapas da educação infantil, do ensino fundamental, do ensino médio e para todas as modalidades. Como isso vai ser tratado na educação indígena, nos quilombolas, na educação do campo, na educação profissional — explicou Maria Beatriz.
Cristovam Buarque (PDT-DF), defensor da federalização da educação básica, chamou a atenção para o equilíbrio que deve haver na construção da base curricular com as especificidades regionais e culturais, estimulando a iniciativa dos alunos.
— O aluno tem que ter liberdade. A escola, não. Tirando certas especificidades como grupos indígenas, questões étnicas, as condições têm que ser as mesmas, e o conteúdo, básico. Isso exige um currículo comum — afirmou o senador. Prós e contras
O diretor-executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, mostrou dados de uma pesquisa inédita do Ibope, com professores de todo o país, favoráveis à adoção da base comum. Segundo o levantamento, 82% concordam com a adoção dessa política pública.
Mizne destacou também o apoio que a presidente Dilma deu à diretriz durante a abertura da Conferência Nacional de Educação, no dia 19 de novembro, em Brasília. Disse ainda que o atual modelo não atinge os objetivos que pretende e, portanto, precisa de aprimoramentos, pois hoje 75% dos adultos brasileiros seriam analfabetos funcionais, 50% dos matriculados no ensino público não finalizam os estudos e apenas 10% chegam ao final do ensino médio sabendo o que é esperado nesse nível de ensino.
Quem também apoiou a iniciativa durante a audiência foi o primeiro-vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps. Ele informou que a entidade está disposta a colaborar na tarefa da elaboração da base curricular comum e reiterou que esse modelo é o aplicado na maioria dos países, com bons resultados.
A professora Alice Casimiro Lopes, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), avalia que o Brasil não precisaria adotar essa política pública, porque já possui as diretrizes fundamentais definidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
Com base em pesquisas que realizou em diversas regiões, ela chegou à conclusão de que o modelo flexível é o mais efetivo para a superação das desigualdades históricas. Alice afirmou que o principal problema do modelo educacional brasileiro está nas políticas de financiamento, no salário dos professores e na própria desigualdade social que marca a sociedade.
Os senadores Cristovam Buarque, Ana Amélia (PP-RS) e Cyro Miranda (PSDB-GO), que preside a comissão, participaram da audiência, solicitada por eles. Paula Louzano, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), completou a lista de convidados.
(Da Agência Senado)
Câmara analisa proposta que regulamenta o Plano Nacional de Educação
Jornalista: sindicato
Passados alguns meses da entrada em vigor do Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/14 – PNE), a Câmara dos Deputados trabalha agora na regulamentação da nova lei. Uma proposta sobre o tema aguarda análise na Comissão de Educação (PLP 413/14).
O PNE traz 20 metas para a melhoria da qualidade da educação no País, com objetivos que tratam desde o ensino infantil até o superior, passando pela gestão e o financiamento do setor e a formação profissional. A lei do PNE também obriga o governo a investir em educação 10% do Produto Interno Bruto (PIB), em um prazo de dez anos.
Um dos pontos a ser regulado é o cálculo do Custo Aluno Qualidade (CAQ inicial e CAQ), que deverá servir de parâmetro para o financiamento do setor. O autor da proposta de regulamentação do PNE, deputado Ságuas Moraes (PT-MT), afirmou que, durante a votação do plano, este foi um dos itens mais polêmicos da discussão, principalmente com o Ministério da Educação.
Pelo projeto, o custo anual por aluno para a educação de qualidade será definido por uma comissão tripartite permanente de cooperação federativa. O cálculo vai considerar os investimentos necessários para a qualificação e remuneração dos profissionais da educação; e para a aquisição, construção e conservação de instalações e equipamentos, de material didático escolar, transporte do escolar e alimentação escolar. Cooperação
O PNE também confere prazo de dois anos, a partir de junho de 2014, para a regulamentação dos artigos 23 e 211 da Constituição, de forma a estabelecer as regras de cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, em matéria educacional, bem como a articulação de um sistema nacional de educação em regime de colaboração e repartição de responsabilidades.
Pela proposta do deputado Ságuas Moraes, o Sistema Nacional de Educação terá como órgão formulador e normativo o Conselho Nacional de Educação, que passará a ter composição diferente da atual. Hoje, o conselho só tem representação do governo federal e de entidades, e não é de forma paritária.
Já a proposta prevê um conselho nacional tripartite, com a presença dos governos federal, estaduais e municipais. Além disso, será paritária a participação de governos e de entidades da sociedade civil organizada. “Desse modo, cria-se um conselho com participação dos três entes federados. E [o projeto] também acaba democratizando mais quando coloca a paridade”, disse o deputado.
Segundo o projeto, somente terá acesso aos recursos suplementares da União o estado que tiver instituído uma comissão bipartite permanente de pactuação federativa, semelhante à comissão tripartite nacional. Tramitação
A proposta que regulamenta o PNE terá que passar pela análise de três comissões na Câmara (de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania) antes de ir a Plenário.
Estudantes da rede pública aprendem técnicas de animação e cinema
Jornalista: sindicato
Arqueologia da Animação, projeto produzido pelo Coletivo Ora Bolas, abrirá o fabuloso mundo do cinema e da animação aos estudantes da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal. Por meio de uma exposição itinerante e da confecção de brinquedos ópticos, a ideia é mostrar a eles algumas das técnicas de animação e como isso influi nas produções atuais. Tudo de graça e nas próprias instituições de ensino e em espaços públicos como o Zoológico de Brasília.
O projeto vai passar por escolas públicas do Distrito Federal, sendo algumas nas áreas rurais. A duração das visitas e das oficinas ocorrerá de acordo com a disponibilidade das instituições. As escolas interessadas em receber o projeto devem entrar em contato com o Ora Bolas pelo e-mail o.b.orabolas@gmail.com ou arqueologiadaanimacao@gmail.com.
“Queremos levar a experiência do cinema para dentro das escolas como forma dinâmica de aprendizado para os estudantes”, conta Raquel Piantino, uma das idealizadoras do projeto. “Ao conhecerem a história da animação, eles poderão criar seus próprios brinquedos óticos e compartilhar o que aprenderam com outras pessoas, disseminando a arte entre seus amigos e familiares.” Criação – Na exposição, os estudantes terão a oportunidade de conhecer a história do cinema e da animação por meio das réplicas dos dispositivos ópticos. Já nas oficinas os próprios estudantes poderão recriar os objetos.
Entre os brinquedos que serão aprendidos está o taumátropo. Trata-se de um pequeno disco com um desenho na frente e outro invertido no verso, preso por duas cordas amarradas uma em cada borda. Quando torcidas e esticadas, fazem o disco girar rapidamente transformando as duas imagens em uma, dando a impressão de movimento.
Outro dispositivo que será confeccionado é o estroboscópio. Ele também é composto por um disco, mas com imagens pintadas em sequencia em torno do eixo, visto pelas frestas através do espelho que, ao ser girado, dá vida aos desenhos.
Provavelmente um dos mais populares, o flip book também será apresentado às crianças e adolescentes. Conhecido como livro mágico, trata-se de fotos ou desenhos sequencias dispostos um cada página. Passando rapidamente com as mãos é possível criar dinamismo nas imagens.
Professores e estudantes também receberão o material didático desenvolvido especialmente para o projeto. Lá eles encontrarão detalhes da exposição e instruções de como fazer os brinquedos. O projeto é realizado com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Está prevista ainda a produção de um vídeo para mostrar como foi a experiência com os estudantes. Coletivo – O Ora Bolas é um coletivo de criação comprometido com a realização de projetos independentes, autorais e livremente educativos. Ele se aproxima de organizações que entendem o trabalho como meio de promover a transformação social por meio da difusão da arte em oposição às atividades humanas predatórias.
Composto pelas desenhistas e animadoras Raquel Piantino e Julia Libânio, e pela jornalista e escritora Tamara Costa, o grupo finalizou, em 2013, o curta de animação Encantadores de Histórias. O filme recebeu Menção Honrosa na 12ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e circulou por diversos festivais do país. O trabalho foi todo feito manualmente: colorido e animado com papel, canetas, tintas e recursos gráficos apenas na finalização. Para assistir basta clicar aqui ou no site do Filmes que Voam, do qual faz parte do acervo. Serviço
Arqueologia da Animação – exposição itinerante por escolas públicas do Distrito Federal
Onde: Escolas da rede pública de ensino do DF e espaços públicos da cidade
Quando: outubro de 2014 a julho de 2015
Informações: arqueologiadaanimacao.blogspot.com.br
(Do Jornal de Brasília)
João Vitor, o garoto que acertou mais de 95% do Enem
Jornalista: sindicato
Ver João Vitor falar sobre sua conquista é assistir à luta entre a timidez do garoto mais acostumado aos livros do que a grandes conversas e o orgulho de quem está vendo o esforço recompensado. O número da vitória é de impressionar: João Vitor acertou 172 questões das 180 que compõem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O equivalente a 95,5% de acertos. Mas João Vitor Claudiano dos Santos, 16, aluno do 2.º ano da Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, em Fortaleza, ainda não consegue mensurar o significado do feito.
O menino agora espera o resultado oficial, que deve sair em janeiro de 2015, mas, em um comparativo, João Vitor ultrapassou os 164 acertos da estudante mineira Mariana Drummond, que conquistou o primeiro lugar no Enem 2013. A nota final ainda depende do desempenho na Redação, que João acredita ter sido a mais difícil das avaliações.
“Sempre ouvi falar da dificuldade que é o Enem e tinha medo. Mas quando vi, sinceramente, achei muito fácil. Quando corrigi pelo gabarito, não fiquei assustado, apenas lamentei pelas oito (questões erradas)”, diz com a simplicidade de quem dormia em média quatro horas por dia para garantir o bom desempenho, que ele credita também ao apoio recebido dos professores.
A ficha da biblioteca, lugar preferido de João, já vai na segunda folha e ultrapassa os 40 livros. A leitura assídua é o segredo dele. “O que tem de cansativo no Enem são os textos grandes. Então, minha estratégia foi me adaptar à leitura, ler livros grandes, alguns com linguagem rebuscada”.
João, cujo maior orgulho é ter estudado a vida toda em escola pública, ainda não sabe se irá cursar o 3.º ano, mas quer fazer Ciências Biológicas e sonha em viajar para o Reino Unido pelo Ciência Sem Fronteiras. Aos 16 anos, ele tem muito bem traçados os planos da vida. “Sempre me vejo fazendo especialização em bioquímica e biologia molecular. Quero ser pesquisador e estudar o resto da vida”.
Criado pela mãe, a aposentada Ana Maria Santos, morador do bairro Vila União, quarto de cinco irmãos, João será o primeiro da família a ingressar no ensino superior. Os estudos foram, para ele, a forma de transformar o próprio destino. “Sou um garoto que não conheceu o pai, que sempre sofreu bullying por ser nerd, por causa do cabelo, do sapato, da magreza. O estudo não combateu minha timidez, mas me ajudou a ser feliz”.
(Da Carta Capital)
México: Mais de dez corpos decapitados são encontrados no estado de Guerrero
Jornalista: sindicato
Na quinta-feira (27), autoridades mexicanas encontraram 11 corpos de jovens decapitados e carbonizados no caminho entre as localidades de Chilapa de Álvarez e Ayahualulco, no estado de Guerrero, no sul do país. A área é a mesma em que ocorreu o caso de desaparecimento de 43 estudantes há dois meses, que ganhou repercussão internacional.
Uma equipe da Procuradoria Geral da República (PGR) viajou até o local para apurar os fatos. As investigações mostraram, até o momento, que as mortes aconteceram após disputa entre dois grupos rivais do crime organizado: Los Rojos e Los Ardillos, que brigam pelo controle do tráfico de drogas.
O episódio veio a público no mesmo dia em que o presidente do México, Enrique Peña Nieto, anunciou novas medidas de segurança em resposta à onda de manifestações pelo desaparecimento dos 43 estudantes. A busca pelos jovens, que supostamente foram entregues por policiais a um grupo criminoso para que fossem assassinados, levou à descoberta de várias valas clandestinas com restos humanos na região.
(Da Revista Forum)
Relação dos 6.501 medalhistas da Olimpíada da Matemática está disponível para consulta
Jornalista: sindicato
Estudantes da educação básica pública de todo o país podem consultar, nesta sexta-feira, 28, a relação dos vencedores da 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). São 6.501 medalhistas, sendo 501 de ouro, 1.500 de prata e 4.500 de bronze. Além dos medalhistas, a olimpíada divulga a relação dos 42.043 alunos que serão contemplados com menções honrosas.
A Olimpíada é promovida pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação e realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBA). A esse conjunto de alunos medalhistas, do sexto ao nono anos do ensino fundamental, e dos três anos do ensino médio, que estiverem matriculados nas redes públicas em 2015, será oferecida a oportunidade de participar do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC).
O PIC é realizado por uma rede nacional de professores em polos distribuídos em todo o país e em fórum virtual. O programa tem por objetivo despertar entre os estudantes o gosto pela matemática e pela ciência e motivá-los na escolha profissional em carreiras científicas e tecnológicas.
Dados do Impa mostram que a Obmep deste ano teve 18,1 milhões de alunos inscritos de 46.712 escolas localizadas em 5.533 municípios, o que representa 99,41% das cidades do país. Os vencedores foram selecionados em duas fases de testes, em maio e em setembro. Ionice Lorenzoni
O portal da Obmep traz a relação dos vencedores, as escolas, os municípios e as unidades da Federação.
(Do MEC)
O que é preciso para ter um ensino de qualidade? Em Heliópolis (SP), a escola Municipal Presidente Campos Salles decidiu derrubar os muros e apostar na democracia. Já na zona oeste do Rio de Janeiro, no bairro Padre Miguel, o colégio Estadual Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochón inovou suas aulas, criando projetos que deixam o currículo mais atrativo. Mas o que há de comum entre essas duas experiências? Além de mostrarem que é possível alcançar resultados surpreendentes em territórios com dificuldades socioeconômicas, elas integram a série de documentários “Educação.doc”, produzida pelos cineastas Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky.
Dividida em cinco episódios, a série percorre oito escolas brasileiras para mostrar histórias de quem está fazendo a diferença no ensino público, apresentando experiências realizadas nos estados do Piauí, Ceará, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Com depoimentos de alunos, professores e diversos especialistas, o documentário traz uma série de discussões sobre a qualidade da educação, redução da evasão escolar, integração da escola com a comunidade e a valorização de professores.
Entre os entrevistados, estão nomes como Viviane Senna e Mozart Neves Ramos (Instituto Ayrton Senna), Beatriz Bontempi (Instituto Avisa Lá), Giovana Zen (Instituto Chapada de Educação e Pesquisa), a filósofa Viviane Mosé e a pesquisadora Paula Louzano, doutora em política educacional pela Universidade Harvard (EUA).
Segundo a cineasta Laís Bodanzky, a intenção do documentário é pautar a sociedade para mostrar que é possível fazer diferente. “A escola dos meus pais e dos meus avós já não é mais a mesma escola de hoje. Antes a informação toda estava na escola. Hoje em dia você já não precisa mais da escola como a única fonte”, afirmou ao Instituto Ayrton Senna, durante o Fórum Internacional de Políticas Públicas.
‘A escola dos meus pais e dos meus avós já não é mais a mesma escola de hoje. Antes a informação toda estava na escola. Hoje em dia você já não precisa mais da escola como a única fonte’
No primeiro episódio, o documentário conta a experiência realizada na Chapada Diamantina, no interior da Bahia, onde a qualidade do ensino melhorou em 20 municípios da região. O segundo vídeo da série percorre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro para mostrar o trabalho realizado em duas escolas que se abriram para a comunidade e passaram a atrair o interesse dos alunos. Na terceira etapa da série, são apresentadas escolas em Cocal dos Alves(PI), Sobral(CE) e Foz do Iguaçu(PR), onde os resultados educacionais chamam a atenção, seja pelo acúmulo de medalhas em olimpíadas de química e matemática, ou por terem conseguido zerar a evasão escolar.
Mais adiante, no quarto episódio, os espectadores conhecem a experiência do Colégio Estadual Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochón, que tem encontrado propostas para tornar o currículo mais atrativo. Por fim, a série encerra com uma discussão sobre como será a escola do futuro, convidando professores, alunos, diretores e pensadores a darem a sua opinião sobre o modelo de ensino que gostariam de ter daqui a 50 anos.
“A educação que se espera para o futuro é uma educação que consiga fornecer conhecimento e potencial de reflexão”, defendeu o cineasta Luiz Bolognesi durante o fórum. De acordo com ele, a escola que se abre para ouvir o lugar em que está inserida tem mais chances de acertar, pois apresenta mais conexão com a realidade.
Os episódios da série “Educação.doc” podem ser assistidos no canal da Buriti Filmes, no YouTube (clique aqui para ver).
(Do Porvir)