As ameaças contra os (as) professores (as) é um problema que deve ser combatido

O Jornal de Brasília desta segunda-feira (15) publicou uma reportagem sobre a violência contra os professores no DF. As agressões (físicas e psicológicas) precisam acabar. O Sinpro acredita que a escola é um território livre e que esta violência urbana é um sintoma de algumas mazelas da nossa própria sociedade.
A escola é um espaço que deve ser para aprendizado e educação e não pode ser lugar para agressões de nenhuma natureza.
Abaixo a reportagem do Jornal de Brasília:
Por cima do muro do Centro de Ensino Fundamental 04, em Ceilândia, já voaram coqueteis molotov e pedras, segundo funcionários. Uma professora  já ouviu, mais de uma vez, que um dia “ela seria a próxima” e que “a escola inteira iria queimar com ela dentro”. “Se for para me pegarem, vão pegar”, resigna-se a mulher de 54 anos.
Ela alega que não tem medo. “Vou ficar me escondendo? Não posso viver assim. Se acontecer alguma coisa comigo, pelo menos as autoridades vão prestar atenção e talvez reforçar o policiamento”, diz a funcionária, que trabalha no local há 15 anos e iniciou sua carreira como instrutora de Ciências.
Um estudo global da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) colocou o Brasil como primeiro lugar no ranking de agressões – físicas ou verbais – contra professores no ambiente escolar. Dos 34 países envolvidos na pesquisa, o Brasil foi o que teve maior média de docentes ameaçados ou intimidados ao menos uma vez por semana: 12,5%.
Não existe estudo parecido no DF. No Brasil, a referência é o levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), feito no ano passado. Ele aponta que 44% dos docentes da rede estadual, num universo de 167 municípios, já sofreram agressões em sala de aula.
No DF
“É uma realidade que pode ser trazida para cá”, disse a presidente do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Rosilene Corrêa. “Normalmente, o agressor é um aluno com perfil social complicado. A escola é um ambiente que estabelece regras, então às vezes o professor é visto como alguém que quer impor alguma coisa, e os alunos não gostam”, avalia.
Ela diz já ter havido esforços para fazer um mapeamento da violência em escolas no DF, mas nenhuma iniciativa teria ido adiante. “Tentamos criar um banco de dados, um disque denúncia, mas não emplacou. Para termos dados é só pela polícia, por meio de boletins de ocorrência. Geralmente as agressões não saem da escola. Queremos mudar isso”, defende.
Segundo ela, o mais comum são situações conflituosas tentarem ser resolvidas apenas no ambiente escolar. “Tem a questão da exposição pessoal e o temor dos desdobramentos. Você nunca sabe com que alunos  está lidando”, explica
Injúrias podem ocasionar doenças
A diretora do CEF 04 de Ceilândia, Maria Madalena de Araújo, trabalha há 18 anos na escola e já presenciou muitas coisas. A última foi o afastamento de uma professora de inglês, diagnosticada com Síndrome do Pânico, após sofrer injúrias e ameaças de um estudante. “Ela teria pedido para o rapaz sair da sala, mas ele teria desobedecido e dito que, se ela chamasse a mãe dele, não sabia o que podia acontecer com ela”, conta.
Ela era vice-diretora quando, em maio de 2008, o professor Valério Mariano dos Santos foi agredido até a inconsciência por três rapazes na entrada da escola. Um deles, Laerte Furtado, à época com 21 anos, era ex-estudante do CEF. Foi o último caso de violência física de que ela se recorda envolvendo alunos contra professores, mas insubordinações e desrespeito seriam corriqueiros.
Para tentar mudar a situação, ela, em parceria com a orientadora pedagógica Mônica Gabriel e da vice-diretora da unidade, passou a convocar os pais para reuniões periódicas, junto aos filhos, na escola. “No começo vinham cinco ou seis pais, hoje em dia já temos bem mais e a situação melhorou”, afirma Mônica.
Casos isolados
A pesquisa da OCDE não especifica quantas escolas particulares e públicas do Brasil tiveram seus profissionais entrevistados, mas a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), Fátima Alves, acredita não haver motivo para alarde. “As relações entre alunos e professores são amistosas. Ocorrem episódios eventualmente”, define.
Fátima, porém, se sensibiliza com a realidade apontada. “É preocupante e, como educadora, temos um papel de conscientização da comunidade escolar”, defende. No cargo há três anos, ela não se recorda de casos  na rede particular de ensino, mas diz que, na ocorrência de algo mais grave, a questão geralmente é tratada na escola.
Após usar droga, menor pula muro
No Centro de Ensino Fundamental 04 do Guará, um caso de agressão deixou o clima, especialmente entre professores, conturbado. Um estudante de 14 anos teria, sob efeito de drogas, pulado o muro da escola e, ao ser confrontado por uma professora, ferido a perna da mulher na tentativa de desvencilhar-se. “A docente registrou boletim de ocorrência e se afastou daqui”, afirma a vice-diretora, Jane Alves Barreto.
Desde então, após o muro ter sido aumentado e o Batalhão Escolar da Polícia Militar ter criado uma base dentro da escola, as ocorrências graves se tornaram escassas. “Quando há enfrentamento verbal por parte dos alunos, os pais são chamados e damos advertências”, garante.
Com uma filha de 14 anos na escola, George Klein, 59 anos, credita parte dos problemas à falta de preparo dos próprios docentes. “Muitos não querem ter o trabalho de atender às necessidades específicas dos alunos. Não estão prontos para lidar com eles”, defende.
Segundo ele, o cenário pode se agravar com o decorrer do tempo. “Isso pode gerar uma situação de conflito. O professor precisa ter amor pela profissão e ser simpático, pois esse é seu dever”, afirma.
Para o pai, o sistema educacional em si também favorece a quebra do decoro em sala de aula. “O grande erro é que o respeito em ambiente escolar é imposto, quando deveria ser conquistado”, completa.
A supervisora pedagógica da escola, Sheila Lemos, 40, também leciona História e diz que o perfil dos estudantes varia. “Alguns meninos são mais indisciplinados do que desafiadores. O professor tem que saber diferenciar”, diz.
Desestrutura familiar tem influência
A supervisora pedagógica do Centro de Ensino Fundamental 4 do Guará, Sheila Lemos, garante nunca ter sofrido agressões ou ameaças diretamente, mas companheiros de profissão já teriam escutado o, segundo ela “clássico”, “Não tem medo de morrer?”. “O estresse a que o professor é submetido é o maior problema. A falta de estrutura familiar gera um aluno indisciplinado e pode acabar levando a uma situação extrema”, pondera.
Desvalorização
O estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também revelou que o próprio profissional brasileiro se sente desvalorizado. Cerca de 12% disseram acreditar na importância do professor perante a sociedade, sendo que a média global foi mais que o dobro desse número.
“Nossa categoria tem os menores salários, e às vezes o aluno leva isso em consideração”, afirma a diretora do Sinpro-DF, Rosilene Corrêa.
Segundo ela, “no mundo capitalista, eles podem achar que quem ganha mais também manda mais. Até isso influencia no respeito”, diz.

Queda de matrículas em licenciatura no país gera temor de apagão na formação de professores

Os dados do Censo de Educação Superior de 2013 divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram uma tendência sombria para o futuro do país: o “apagão de professores” nas escolas. O fenômeno ocorre porque, pelo quarto ano seguido, é cada vez menor a quantidade de estudantes que procuram cursos de licenciatura. Consequentemente, o Brasil tem formado menos docentes.
O caso mais emblemático é o de Português. Em dez anos, entre 2003 a 2013, o número de matrículas na disciplina no ensino superior avançou mais de 1000%. Mas, a partir de 2010, tem havido queda. Naquele ano o Brasil tinha mais de 90 mil alunos matriculados no curso. Em 2013, eram 78 mil, redução de quase 13%.
O cenário é o mesmo para Matemática. Em 2010, eram 82.792 estudantes na área, número que caiu para 80.891, ou 2,3% menos.
Para a professora da Faculdade de Educação da Uerj Marise Nogueira Ramos, a queda progressiva no número de matrículas em licenciaturas, tendência iniciada há quatro anos, se dá por conta da pouca atratividade do magistério. Segundo ela, o salto (e, depois, a queda) verificada em Português se explicam pela maior facilidade de acesso à carreira.
– Somos levados a pensar que vamos nos dar bem profissionalmente em carreiras ligadas às matérias de que mais gostamos na escola. Isso poderia explicar o aumento maior para Português do que para Matemática. É uma carreira mais fácil para passar no vestibular. Então, o aluno a usa para migrar para outras áreas dentro da universidade.

Química teve crescimento

A queda no total de matrículas em licenciaturas desde 2010 é ainda verificada em carreiras como Física (-2,9%) e Biologia (-11%). No entanto, houve poucas áreas onde foi registrado aumento no interesse dos estudantes. É o caso de Química, que viu o número de matrículas em licenciaturas subir 5% nos quatro últimos anos.
Os dados do Censo da Educação Superior também confirmam uma tendência de hegemonia da Educação Física entre as licenciaturas. No ano passado, as matrículas para professor na área foram 51% maiores do que em Matemática, 55% maiores do que em Português, 247% maiores do que em Química e 395% maiores do que em Física.
Especialistas estimam que o Brasil precisará de até dois milhões de novos professores até 2024 para cumprir as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado este ano.
Hoje em dia, porém, já é comum haver escolas sem docentes com formação adequada. De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, chega a 67,2% o percentual de professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil que não têm licenciatura na disciplina que ensinam. No ensino médio, a parcela de docentes sem a formação adequada é de 51,7%.
(Do O Globo)

O vitorioso Plebiscito Popular da Constituinte

As urnas estão sendo apuradas e ainda não é possível saber o total de votos obtidos. De qualquer forma, os percentuais já apurados permitem afirmar a estrondosa vitória dos que defendem a constituinte exclusiva. E, uma informação é certa, a mobilização surpreendeu até os mais otimistas.
O Plebiscito Popular da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político produziu uma unidade entre as forças sociais e populares que não se via desde a campanha contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), comprovando a força desta proposta no atual momento histórico.
Foram mais de 100 mil militantes e ativistas voluntários em todo o país, a imensa maioria de jovens, dedicando-se de forma incansável em instalar urnas em toda parte. O primeiro Plebiscito Popular da era das redes sociais produziu uma infinidade de imagens, gerando a bem-humorada modalidade que foi apelidada de #PlebiSelfie, envolvendo artistas, intelectuais, lideranças populares numa campanha onde todos puderam acompanhar o ânimo e o esforço militante nos mais distantes pontos.
Mais uma vez, a força das redes sociais driblou a proposital omissão da grande mídia. A grande mídia limitou-se a coberturas locais e artigos críticos, desqualificando a campanha e os participantes. Nada impediu que a mobilização ganhasse a proporção que tomou.
O elemento mais original deste plebiscito popular, quando comparado às experiências anteriores, foi a participação dos trabalhadores. Uma enorme quantidade de urnas em fábricas e empresas marcaram o envolvimento do movimento sindical. Centenas de escolas e universidades realizaram debates e o tema da Constituinte ganhou força na juventude.
Hoje, não resta dúvida de que, se novas circunstâncias possibilitarem novamente grandes mobilizações da juventude, a bandeira da “Constituinte Já” ganhará as ruas. Não só porque a unidade consagrada entre os principais movimentos sociais irá assegurar sua presença, como pelo resultado do formidável trabalho pedagógico construído no Plebiscito Popular.
A primeira batalha foi vitoriosa. Porém, a conquista de uma Constituinte não será tarefa fácil. Será necessário conquistar um plebiscito oficial, com valor legal, com a mesma pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?” E o Congresso Nacional detém a prerrogativa de convocar um Plebiscito Legal.
Sabemos que sem muita pressão social, uma vitória que incomoda tanto os interesses da classe dominante é impossível. Recordemos que mesmo a campanha das “Diretas Já”, nossa maior mobilização social, que mais acumulou forças para a luta popular não conseguiu aprovar a Emenda Dante de Oliveira que restabelecia eleições presidenciais diretas.
Isso somente será possível se os mais de 1.800 comitês populares que se conformaram ao longo da preparação do Plebiscito Popular forem capazes de se manter atuantes, conservando a preciosa unidade entre as diversas forças políticas e novos ativistas que trabalharam juntos nos últimos meses.
Estamos assistindo a uma ofensiva política conservadora, que aposta todas as fichas em derrotar as conquistas obtidas nas últimas décadas. Assistimos a isso no formato diretamente golpista em Honduras e no Paraguai, nas últimas eleições em que se construíram candidaturas muito bem patrocinadas nos vários países do continente e nos intensos ataques contra o governo Maduro na Venezuela. Seria muita ingenuidade imaginar que não aproveitariam a conjunção de uma quadro recessivo com as eleições brasileiras.
Com o atual sistema político em que o Parlamento é hegemonizado por grandes grupos econômicos, nenhum avanço social será possível. Não basta uma mera reforma eleitoral, mudar o sistema político é mudar suas bases constitucionais. Daí por que a proposta de uma Constituinte incomoda tanto os conservadores.
O maior resultado deste plebiscito popular não será medido em números. É ter conquistado corações e mentes da juventude. Esta é a garantia de que a bandeira da “Constituinte já” seguirá ganhando força. E todos os que trabalharam incansavelmente nesta campanha levarão pro resto da vida o orgulho de terem deflagrado o movimento que mudará o curso de nossa história.
(Editorial do Brasil de Fato)

CNE estuda implantar competências socioemocionais no currículo escolar

O Conselho Nacional de Educação (CNE) estuda a implantação de diretrizes que desenvolvam as competências socioemocionais na educação básica. Essas competências, também chamadas de não cognitivas, estão relacionadas a caraterísticas como capacidade de resolver desafios, inovar, trabalhar em equipe, liderar, entre outras habilidades.
Estudos apontam que tais competências impactam no desempenho dos estudantes nas sala de aula. O CNE é um órgão normativo ligado do Ministério da Educação que recomenda diretrizes para a construção dos currículos da educação básica. Segundo o conselheiro Francisco Cordão, o debate sobre as competências socioemocionais começou em outubro do ano passado na Câmara da Educação Básica e deve continuar até o fim deste ano.
“É uma discussão bastante rica, vamos retomar o debate com os novos conselheiros que serão nomeados e a partir daí vamos tirar o parecer conclusivo”, diz Cordão, que participou de um encontro sobre o tema promovido pelo Instituto Ayrton Senna, em São Paulo, nesta terça-feira (9). Segundo ele, o parecer e resolução das diretrizes das competências socioemocionais vão dialogar com as já existentes desde 2010, que definiram as diretrizes gerais para a educação básica e específicas para o ensino fundamental de nove anos, o ensino médio e o ensino profissionalizante de nível médio.
Os conselheiros se reúnem sempre na primeira semana de cada mês. No próximo encontro, em outubro, segundo Cordão, deve haver a posse dos novos conselheiros – cinco dos 12 estão com o mandato vencido, mas dois deles ainda podem participar de uma nova gestão. Por isso, a discussão deverá ser retomada com os novos integrantes e a expectativa é que o tema seja abordado nos encontros de novembro e dezembro.
Para Cordão, é importante que as competências socioemocionais sejam desenvolvidas de maneira interdisciplinar e contextualizada na educação. “Sempre que se fala em desenvolvimento de competência, supõe sempre a capacidade de decidir, corrigir, fazer, resolver desafios, conviver com o inusitado. É nessa perspectiva que se trabalha o desenvolvimento das competências.” O conselheiro condena o desenvolvimento dessas habilidades dentro, por exemplo, de uma disciplina isolada na grade curricular de uma escola. Para ele, esta é uma ação cultural que deve ser pensada de maneira global.
Segundo Anita Abed, psicóloga e consultora que preparou um estudo encomendado pela Unesco sobre o tema em 2013, um dos requisitos para que diretrizes voltadas às competências emocionais sejam aplicadas nas escolas é a formação de professores. “Formação inicial, formação continuada e formação em serviço”, explicou ela, afirmando que o embasamento por trás dos conceitos é teórico, mas o treinamento dos professores deve ser prático e contemplar os projetos pedagógicos da própria escola onde trabalham os docentes.
Bem estar dos alunos no Canadá
Fora do país, o desenvolvimento de competências socioemocionais na educação já é realidade, como no distrito de Ottawa-Carleton, no Canadá, que integrou as competências socioemocionais ao seu currículo oficial. Jennifer Adams, educadora que dirige o distrito, que tem cerca de 70 mil alunos disse que, desde 2009, faz parte do projeto pedagógico das escolas “expandir o papel da educação pública para promover também o bem estar dos alunos”.
Jennifer afirma que todos os anos os diretores das escolas precisam elaborar planos de como vão garantir esse bem estar nos aspectos físico, psicoemocionais e cognitivos. No ano letivo que começou na semana passada, o desafio dos professores e gestores tem como tema o sentimento de “pertencer”. “Toda e qualquer criança que entra pela porta da escola deve sentir que pertence àquele local”, explicou ela.
Bolsa para formar especialistas
No Brasil, a proposta de reunir habilidades cognitivas e não cognitivas no currículo está sendo aplicada no Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, e em mais 53 escolas de tempo integral, em uma parceria com o Instituto Ayrton Senna.
O governo federal quer formar especialistas no tema e está oferecendo bolsas a professores e pesquisadores interessados em se aprofundar na área. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, está com o edital 44/2014 aberto com bolsas para dois cursos de doutorado, seis de mestrado, 18 para graduação e 18 para professores da educação básica. A duração é de 24 a 48 meses. No total, a Capes vai investir R$ 566 mil em bolsas de estudo.
(Do G1)
 

Brasil investe mais no ensino superior do que no básico

No Brasil, as instituições públicas de ensino superior gastam quatro vezes mais por aluno do que gasta no ensino fundamental por estudante. De acordo com o relatório Education at a Glance,divulgado nesta terça-feira(9) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), essa é a maior diferença de gasto entre níveis educacionais dentre todos os países do grupo. Os dados do relatório são de 2011.
O gasto por cada aluno da educação superior corresponde a 93% do Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro, enquanto o valor para o ensino fundamental equivale a 23%. O documento faz a ressalva de que entre, 1995 e 2011, o gasto por aluno na educação básica cresceu por volta de 128%, enquanto decresceu no nível superior.
O governo brasileiro gastou em educação 19% do total de seu gasto público, acima da média da OCDE, de 13%. Com isso, no ranking dos países, o Brasil é o quarto mais alto.  Segundo o relatório, o Brasil investe quase um terço em educação do que investem, na média, os países da OCDE;  O levantamento mostra também que, em relação ao PIB, o investimento brasileiro está acima da média desses países.
O gasto público total em educação representou 6,1% do PIB, e está também acima da média da OCDE de 5,6%, assim como acima de outros países latino-americanos como Chile (4,5%), México (5,2%), e Colômbia (4,5%). “De fato, o gasto com instituições educacionais tem aumentado em um ritmo mais acelerado que o PIB no período de 2000 a 2011”, diz o relatório.
O ministro da Educação comentou o resultado em coletiva de imprensa nesta terça-feira. “Temos tido uma evolução desse valor por aluno ao longo dos anos, temos feito um esforço para ampliar”, disse. Segundo ele, em 2012 (os dados da pesquisa da OCDE são de 2011), o investimento em educação em relação ao PIB aumentou para 6,4%. Sobre a relação entre o financiamento do ensino superior e básico, ele diz que a diferença tem diminuído.
“A questão do financiamento é um dos elementos que determinam a qualidade. Tem outros elementos, como a formação dos professores, a complexidade da gestão do ensino fundamental e médio”, acrescentou.
(Da Agência Brasil)

Nota boa do 1º ao 5 ºanos no Ideb vai gerar onda de qualidade do ensino, acredita ministro da Educação

A qualidade da educação oferecida para as crianças brasileiras nos anos iniciais do ensino fundamental aumentou em dois anos, segundo dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)  recolhidos em 2013, que foram divulgados nesta sexta-feira (5) pelo MEC (Ministério da Educação).
O País ultrapassou as metas previstas para os anos iniciais (1º ao 5º ano) do ensino fundamental em 0,3 ponto. Assim, o Ideb nacional nessa etapa ficou em 5,2 pontos, enquanto em 2011 havia sido de 5 pontos.
Durante coletiva de imprensa convocada para anunciar os resultados do índice, o ministro da Educação, José Henrique Paim, comemorou o resultado positivo nesta etapa de ensino.
— Nós acreditamos que esse resultado dos anos iniciais vai ajudar a melhorar a qualidade nos anos finais do fundamental e do ensino médio como uma onda. O que nós estamos vendo é que essa onda não tem um grau de intensidade tão forte quanto nós imaginávamos que teria.
Redes
As metas das instituições de de ensino mantidas pelos municípios foram alcançadas por 69,7% deles. As vagas dpreenchidas nas redes municipais nos anos iniciais do ensino fundamental correspondem a 81,6% das matrículas das escolas públicas.
Já a rede estadual, que atende 18% das matrículas públicas nessa fase, também superou as projeções. Em 75,7% dos municípios as escolas estaduais superaram a nota 5,0 prevista para 2013. Na rede federal, o Ideb aumentou de 6,8 em 2011 para 7 em 2013 nos anos iniciais.
Anos finais do ensino fundamental
Nos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, o índice nacional cresceu de 4,1 pontos em 2011 para 4,2 pontos em 2013. Do total de 5.369 municípios com índice da rede pública calculado nessa etapa, 39,6% atingiram as metas previstas na rede pública, que atende a 86,5% dos matriculados nessa etapa (um total de 13.304.355 estudantes). Na rede federal, o Ideb se manteve em 6,3.
(Do R7)

DF apresenta melhora no Ideb, mas está abaixo do ideal

Apesar de ter melhorado a maioria das notas do Índice de Desenvolvimentoda Educação Básica (Ideb) 2013 em relação ao de 2011, o Distrito Federal alcançou a meta estabelecida Pelo Ministério da Educação (MEC) apenas nos anos iniciais do ensino fundamental da rede pública—o resultado foi 5,6, enquanto a meta era 5,5 (veja quadro). Ainda assim, a redede ensino da capital do país ficou acima da média nacional, com exceção do ensino médio público. Essa etapa, aliás, é o ponto fraco da educação brasiliense e deixou o DF na 12ª posição do ranking nacional.No ensino fundamental público, a capital está na quinta colocação, quando se avaliam os primeiros anos; ena 13ª no período final.
Algumas escolas ajudaram a elevar a médiado DF e podem servir de exemplo, como os colégios militares.Disciplina e reconhecimento são os conceitos centrais para entender o Colégio Militar Dom Pedro II, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.Oresultado é o segundo lugar nos anos iniciais do ensino fundamental e o primeiro lugar nos anos finais dessa etapa. Gabriel Sobral, 16 anos, vê um saldo positivo nas regras de comportamento: “Contribui para que a gente estude mais. Quem presta atenção nas aulas não teve dificuldades na prova do Ideb”.O tenente Gontijo, diretor pedagógico do colégio, destaca a carga horária dos professores como essencial para o sucesso. “Eles têm um dia fora da sala de aula.Nesse dia, planejam as aulas, recebem os pais, conversam com os alunos e nos dão sugestões”, explica.
Na Escola Classe 106 Norte, que conquistou 7,6 no Ideb 2013, a melhor nota nos anos iniciais do ensino fundamental, o sucesso se explica com a fórmula trabalho em equipe, projetos diferenciados de atenção aos alunos e pais presentes. “Nós temos aqui um polo de apoio à aprendizagem, com psicóloga e pedagoga que fazem atendimento a alunoscom dificuldades pontuais. Temos sala de recursos, projeto de leitura com atividades internas e externas e umprojeto interventivo, em que os estudantes com mais dúvidas em certas matérias têm atendimento individualizado”, diz a coordenada Geneni Pereira. A EC 106 Norte tem outra vantagem: atender apenas 346 alunos,com oito turmas pela manhã e outras oito à tarde.
Embora o Distrito Federal tenha mantido o  resultado de 2011 no ensino médio, o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da Secretaria de Educação do DF, Fábio Pereira de Sousa, destaca que houve uma melhora nos índices de aprovação e uma queda na reprovação. “Tivemos um resultado excelente nos anos iniciais e uma evolução significativa no ensino médio”, avalia. Segundo ele, o desempenho do DF se deve ao investimento, tanto na contratação de professores quanto na implantação do sistema de educação integral e reformulação do currículo da educação básica. “O impacto do ensino em tempo integral no desempenho dos estudantes é notável. Estamos com quase metade das escolas nesse sistema”, diz.
Palavra do especialista
O Ideb mostra que o maior problema está no ensino médio —no qual a meta já era baixa—, e há um problema crônico. São 27 ensinos médios,porque são 27 unidades da Federação com autonomia própria, que podem ou não adotar determinadas normas. A contratação de professores com jornada parcial é um grande problema, pois faz com que o profissional pule de uma escola para outra.A faixa etária do ensino médio também é muito delicada.São jovens com muitas dúvidas sobre o que é o ensino médio e para quê ele serve.
A escola precisa se tornar mais atrativa, tanto para o professor assumir de fato a carreira do magistério quanto para o jovem, que precisa compreender que a passagem dele é extremamente importante.É preciso um acordo federativo para superar essas dificuldades.
Os anos finais do ensino fundamental também começaram a apresentar os mesmos problemas do ensino médio.O aluno passa a ter mais conteúdo por disciplina, troca de escola e é nesse período que a evasão aumenta.
Remi Castioni, professor pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB)
Confira as notas do Distrito Federal
Anos iniciais do ensino
fundamental

2011: 5,7
2013: 5,9
Meta: 5,8
Escolas públicas
2011: 5,4
2013: 5,6
Meta: 5,5
Escolas privadas
2011: 6,8
2013: 6,9
Meta: 7,2
Anos finais do ensino
fundamental
2011: 4,4
2013: 4,4
Meta: 4,7
Escolas públicas
2011: 3,9
2013: 3,9
Meta: 4,1
Escolas privadas
2011: 6,0
2013: 6,1
Meta: 6,7
Ensino médio
2011: 3,8
2013: 4,0
Meta: 4,1
Escolas públicas
2011: 3,1
2013: 3,3
Meta: 3,6
Escolas privadas
2011: 5,6
2013: 5,7
Meta: 6,3
Confira as notas do Distrito Federal
Anos iniciais do ensino
fundamental

2011: 5,7
2013: 5,9
Meta: 5,8
Escolas públicas
2011: 5,4
2013: 5,6
Meta: 5,5
Escolas privadas
2011: 6,8
Posição Instituição Nota
11°° Escola Classe 106 Norte 7,6
22°° Colégio Militar Dom Pedro II 7,3
33°° EC Kanegae 7,0
EC 308 Sul 7,0
55°° EC 03 do Núcleo Bandeirante 6,9
EC 05 do Núcleo Bandeirante 6,9
77°° CEF 306 Norte 6,8
EC Ipê 6,8
EC 305 Sul 6,8
1100°° EC 03 do Paranoá 6,7
EECC 110088 SSuull 66,,77
EC 113 Norte 6,7
EC 41 de Taguatinga 6,7
EC 415 Norte 6,7
1155°° EC 01 do Gama 6,6
EC 312 Norte 6,6
EC 316 Sul 6,6
EC 39 de Taguatinga 6,6
1199°° EC 04 do Núcleo Bandeirante 6,5
EC 05 do Guará 6,5
EC 16 de Ceilândia 6,5
EC 17 de Taguatinga 6,5
EC 19 do Gama 6,5
EC 314 Sul 6,5
EC 413 Sul 6,5
EC 45 de Ceilândia 6,5
2277°° EC Jardim Botânico 6,4
EC 11 de Taguatinga 6,4
EC 206 Sul 6,4
EC 21 de Ceilândia 6,4
3311°° CEF Santos Dumont 6,3
EC 17 de Ceilândia 6,3
EC 18 de Taguatinga 6,3
EC 19 de Ceilândia 6,3
EC 204 Sul 6,3
EC 304 Sul 6,3
EC 47 de Ceilândia 6,3
EC 614 de Samambaia 6,3
3399°° EC Colônia Agrícola Vicente Pires 6,2
EC do SMU 6,2
EC Granja do Torto 6,2
EC 01 de Sobradinho 6,2
EC 10 de Taguatinga 6,2
EC 102 Sul 6,2
EC 11 de Sobradinho 6,2
EC 12 do Gama 6,2
EC 304 Norte 6,2
EC 405 Norte 6,2
 
VEJA AS ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO FEDERAL MAIS BEM COLOCADAS NO IDEB DO 6º AO 9 ANO
 
Posição Instituição Nota
11°° Colégio Militar Dom Pedro II 6,4
22°° Colégio Militar de Brasília 6,2
33°° Centro de Ensino Fundamental Polivalente 5,5
44°° CEF 04 de Brasília 5,3
55°° CEF 01 de Brasília 5,2
66°° Centro Educacional 01 de Planaltina 5,1
CEF 03 de Brasília 5,1
CEF 08 de Taguatinga 5,1
99°° CED Vargem Bonita 5,0
1100°° CEF 01 do Núcleo Bandeirante 4,9
1111°° CEF Arapoanga 4,8
CEF Santos Dumont 4,8
CEF Sargento Lima 4,8
1144°° CEF Gesner Teixeira 4,7
CEF Ponte Alta Norte 4,7
1166°° CEF Telebrasília 4,6
1177°° CED Agrourbano Ipê Riacho Fundo 4,5
CEF Metropolitana 4,5
CEF 01 de Brazlândia 4,5
CEF 03 de Sobradinho 4,5
CEF 07 de Brasília 4,5
CEF 102 Norte 4,5
CEF 120 de Samambaia 4,5
CEF 15 de Taguatinga 4,5
CEF 410 Norte 4,5
CEF 412 de Samambaia 4,5
CEF 801 do Recanto das Emas 4,5
2288°° CED do Lago 4,4
CED 06 de Ceilândia 4,4
CEF 02 de Ceilândia 4,4
CEF 02 de Planaltina 4,4
CEF 31 de Ceilândia 4,4
3333°° CED Myriam Ervilha 4,3
CEF 03 do Gama 4,3
CEF 12 de Ceilândia 4,3
CEF 15 do Gama 4,3
CEM Julia Kubitschek 4,3
3388°° CED Osório Bacchin 4,2
CED 14 de Ceilândia 4,2
CEF Boa Esperança 4,2
CEF Gan 4,2
CEF Pipiripau II 4,2
CEF São José 4,2
CEF 10 de Taguatinga 4,2
CEF 115 do Recanto das Emas 4,2
CEF 13 de Ceilândia 4,2
CEF 14 de Taguatinga 4,2
CEF 26 de Ceilândia 4,2
CEF 405 do Recanto das Emas 4,2
CEF 504 de Samambaia 4,2
(Do Correio Braziliense)

270 pastores são candidatos nestas eleições e número cresce 40%

As eleições deste ano contarão com 270 candidatos que se declararam pastores, um crescimento de 40% com relação ao pleito de 2010 –quando 193 pessoas disseram ocupar o cargo. Além disso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou a candidatura de 32 bispos (25% a menos do que em 2010) e 23 padres (15% a mais).
O PSC lidera a indicação de sacerdotes: são 37 clérigos evangélicos –um deles é o pastor Everaldo, que disputa a presidência da República pelo partido. Nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, ele estava em quarto lugar com 3% das intenções de voto.
Os partidos de esquerda lideram as indicações de párocos católicos: o PT conta com cinco padres, e o PC do B, com três. Nenhum candidato adotou o termo rabino ou imã.
A população evangélica do país cresceu 61,5% em dez anos e atingiu a marca de 42,3 milhões de fiéis, cerca de 22,2% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2012.
O voto evangélico é cortejado tanto pelo partido da presidente Dilma Rousseff (PT), quanto por seu principal adversário na disputa, o tucano Aécio Neves. Atualmente a bancada evangélica na Câmara Federal tem 66 parlamentares.
Nesta semana quinta-feira (31), a presidente deve participar da inauguração do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus. O local tem 74 mil metros quadrados de área construída (3,2 vezes maior a Basílica de Aparecida), o equivalente a 18 andares de altura e capacidade para 10 mil pessoas.
Durante as eleições presidenciais de 2010 a questão do aborto entrou na pauta dos candidatos. José Serra (então candidato do PSDB à Presidência) e seu vice, Índio da Costa (DEM), insinuaram que Dilma seria defensora da prática.
Propaganda no templo
No último dia 18, o pastor Everaldo participou de um culto evangélico em Brasília e intercalou orações e promessas para o futuro do país. A lei eleitoral proíbe a realização de campanha dentro de templos religiosos.
Se configurado o descumprimento da regra, o candidato pode ser multado por propaganda irregular. Os valores vão de R$ 2.000 a R$ 8.000. O candidato negou que tenha feito campanha.
(Com Estadão Conteúdo)

Apesar da proibição da Igreja Católica, 23 padres disputam as eleições 2014

Ao menos 23 padres brasileiros, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), entraram na disputa eleitoral de 2014, buscando uma vaga de deputado estadual, federal ou mesmo de governador, como é o caso do Padre Ton, candidato ao governo de Rondônia pelo PT. A Igreja Católica, no entanto, é contrária ao envolvimento de religiosos em atividades políticas e partidárias, segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e de acordo com decretos de várias dioceses pelo país.
“É o que determina o próprio Código de Direito Canônico, que rege a Igreja Católica”, aponta Denilson Geraldo, professor da Faculdade de Teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que cita as determinações do cano 287, parágrafo 2º: “Os clérigos não podem ter parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais, a não ser que a juízo da competente autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum.”
O cano 285 também faz referência ao tema e determina que “os clérigos evitem aquilo que, mesmo não sendo indecoroso, é alheio ao estado clerical” e enfatiza que “os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil”. Mas, apesar das orientações, o direito canônico não prevê punição alguma aos religiosos que forem contra as determinações. “Os bispos locais é que devem tomar as medidas que julgarem mais coerentes”, enfatiza o professor Geraldo.
O arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, publicou uma norma que determinou a suspensão do uso da ordem de todos os padres ligados a ele que estivessem envolvidos na política partidária. Com a medida, cinco religiosos da região — Luiz Couto (PT), Padre Júnior (PT), Frei Anastácio (PT), Padre Cristiano Melo (PSOL) e Padre Gescione (PCdoB) — ficam impedidos de celebrar os sacramentos, sobretudo missas e confissões, pelo período da campanha política ou durante todo o período de mandato para o qual tenham sido eleitos.
Além da suspensão, o documento normativo pede aos políticos que não transformem a igreja em cabo eleitoral. “Há pessoas ligadas tanto às pastorais quanto a movimentos populares cuja tendência é agir como cabos eleitorais de alguns partidos políticos. Esses podem assumir projetos que, por vezes, são contrários aos valores e aos princípios defendidos pelo direito natural e pela ética e moral cristã, por exemplo, na questão do aborto, invasão de terra e casamento gay”, aponta o texto.
Caminho similar também foi percorrido em Apucarana, no norte do Paraná. O bispo local, dom Celso Antônio Marchiori, repetiu a medida adotada nas eleições de 2012, e emitiu um decreto contra o envolvimento de padres, diáconos e presbíteros na política. E os religiosos da região interessados em entrar para o mundo partidário tiveram que optar entre a batina e a candidatura. Aqueles que escolhessem a segunda opção seriam suspensos por quatro anos, independentemente se fossem eleitos ou não. E, ao final desse período, o retorno à vida pastoral não seria automático e dependeria da autorização do bispo.
Ainda assim o padre Antonio José Beffa (PHS) não desistiu de concorrer à prefeitura de Arapongas (PR) e a atender ao que ele classificou de “chamado de Deus”. “Repetidas vezes fui convidado a entrar na vida política, mas só me sensibilizei com esse convite quando ele veio por meio da própria comunidade, em julho de 2011”, contou ele, que foi eleito em sua primeira disputa eleitoral. “Já sabia da suspensão antes mesmo de me eleger”, acrescenta o religioso.
Beffa, que está no cargo desde janeiro de 2013, disse não ter tido nenhum conflito em fazer a sua escolha, até porque, segundo ele, mesmo com o direito de celebrar missas suspenso, ninguém pode cassar a sua vocação. “Tenho conseguido manter a minha atividade pastoral –com atendimentos diários aos mais carentes–, conciliando-a com as atividades da prefeitura”, relata. O padre não disfarça a saudade que sente principalmente de celebrar suas missas. “Não pretendo me reeleger em 2016”, diz ele, que conta nos dedos os dias que restam para voltar à sua antiga vida.
Já o padre Afonso Lobato (PV-SP), que está disputando o seu quarto mandato como deputado estadual, afirma ter por que sentir falta de suas atividades religiosas. Por decisão da diocese de Taubaté, no interior de São Paulo, ele pôde manter as duas funções nos últimos 12 anos. “A atribulada vida política não permite que faça a gestão de uma paróquia, mas continuo celebrando as minhas missas”, afirma ele, que diz acreditar que as duas atividades –política e religiosa– sejam complementares.
“O fim é a minha vocação religiosa e a política é o instrumento para que eu possa concretamente ajudar as pessoas a mudar de vida”, justifica ele, que diz não misturar as atividades. “Nunca usei o espaço litúrgico para fazer campanha, tampouco o Parlamento para fazer catequese.” Na opinião dele, a restrição imposta pela Igreja Católica é ruim. “A política é um espaço privilegiado da ação concreta. E se tivéssemos mais religiosos preparados com esse espírito ganharia a sociedade e, consequentemente a Igreja Católica.”
Em nota de orientação para as comunidades católicas, a Arquidiocese de São Paulo aconselha que membros do clero, em vista da sua missão religiosa, se abstenham de exercer cargos políticos ou de militar nos partidos. “A política partidária é espaço de atuação dos cristãos leigos, que neles podem exercer melhor seu direito e dever de cidadania, orientados pelos princípios da fé e da moral cristã, e contribuir para a edificação do bem comum”, justificou o texto, que não menciona punição alguma aos padres que não seguirem a recomendação.
A Arquidiocese de São Paulo, segundo sua assessoria de imprensa, não tem registros de padres de sua congregação que tenham virado políticos. Portanto, “as possíveis medidas seriam tomadas a partir da avaliação individual dos casos futuros”. Ainda assim a CNBB é a favor do afastamento temporário dos padres políticos, segundo dom Leonardo Ulrich Stiner, secretário-geral da entidade. “Para evitar uma mistura das atividades”, diz ele.

Banco Mundial diz que Cuba tem o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe

O Banco Mundial acaba de publicar um relatório revelador sobre a problemática da educação na América Latina e no Caribe. Intitulado Professores excelentes. Como melhorar a aprendizagem na América Latina e no Caribe, o estudo analisa os sistemas educativos públicos dos países do continente e os principais desafios que enfrentam.

Na América Latina, os professores de educação básica (pré-escolar, primária e secundária) constituem um capital humano de 7 milhões de pessoas, ou seja, 4% da população ativa da região, e mais de 20% dos trabalhadores técnicos e profissionais. Seus salários absorvem 4% do PIB do continente e suas condições de trabalho variam de uma região para outra, inclusive dentro das fronteiras nacionais. Os professores, mal remunerados, são, em sua maioria, mulheres — uma média de 75% — e pertencem às classes sociais modestas. Além disso, o corpo docente supera os 40 anos de idade e considera-se que esteja “envelhecido”.
O Banco Mundial lembra que todos os governos do planeta escrutinam com atenção “a qualidade e o desempenho dos professores” no momento em que os objetivos dos sistemas educativos se adaptam às novas realidades. Agora, o foco está na aquisição de competências e não apenas no simples acúmulo de conhecimentos.
As conclusões do relatório são implacáveis. O Banco Mundial enfatiza “a baixa qualidade média dos professores da América Latina e do Caribe”, o que constitui o principal obstáculo para o avanço da educação no continente. Os conteúdos acadêmicos são inadequados e as práticas ineficientes. Pouco e mal formados, os professores consagram apenas 65% do tempo de aula à instrução, “o que equivale a perder um dia completo de instrução por semana”. Por outro lado, o material didático disponível continua sendo pouco utilizado, particularmente as novas tecnologias de informação e comunicação. Além disso, os professores não conseguem impor sua autoridade, manter a atenção dos alunos e estimular a participação.
De acordo com a instituição financeira internacional, “nenhum corpo docente da região pode ser considerado de alta qualidade em comparação aos parâmetros mundiais”, com a notável exceção de Cuba. O Banco Mundial aponta que “na atualidade, nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba, está perto de mostrar os parâmetros elevados, o forte talento académico, as remunerações altas ou, ao menos, adequadas e a elevada autonomia profissional que caracteriza os sistemas educativos mais eficazes do mundo, como os da Finlândia, Singapura, Xangai (China), da República da Coreia, dos Países Baixos e do Canadá”.
De fato, apenas Cuba, onde a educação tem sido a principal prioridade desde 1959, dispõe de um sistema educativo eficiente e com professores de alto nível. O país antilhano não tem nada para invejar das nações mais desenvolvidas. A ilha do Caribe é, além disso, a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional (13%) para a educação. 
Não é a primeira vez que o Banco Mundial elogia o sistema educacional de Cuba. Em um relatório anterior, a organização lembrava a excelência do sistema social da ilha:
“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos nos campos da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em vias de desenvolvimento e em certos setores se compara ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução Cubana, em 1959, e do subsequente estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Esse modelo permitiu a Cuba alcançar a alfabetização universal, erradicar certas doenças, [prover] acesso geral à água potável e salubridade pública de base, [atingir] as taxas mais baixas da região de mortalidade infantil e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua de 1960 até 1980. Vários indicadores principais, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90 […]. Atualmente, os serviços sociais de Cuba são parte dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, além de outras agências da ONU e o Banco Mundial […]. Cuba supera amplamente a América Latina, o Caribe e outros países de renda média nos indicadores principais: educação, saúde e salubridade pública”. 6
O Banco Mundial lembra que a elaboração de bons sistemas educacionais é vital para o futuro da América Latina e do Caribe. Reforça, também, o exemplo de Cuba, que alcançou a excelência nesse setor e é o único país do continente que dispõe de um corpo docente de alta qualidade. Esses resultados são explicados pela vontade política do governo do país caribenho de colocar a juventude no centro do projeto de sociedade, dedicando os recursos necessários para a aquisição de saberes e competências. Apesar dos recursos limitados de uma nação do Terceiro Mundo e do estado de sítio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de meio século, Cuba, baseando-se no adágio de José Martí, seu apóstolo e herói nacional, “ser culto para ser livre”, demonstra que uma educação de qualidade está ao alcance de todas as nações.
(do Uol)
 

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