Jogos melhoram comportamento e assimilação do conteúdo

Ensinar habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, cooperação e autocontrole, pode ser mais fácil com a ajuda de jogos. Professores ouvidos pelo UOL afirmaram que essa prática melhora o comportamento dos alunos e a assimilação do conteúdo.
“Os que estimulam a violência e a agressividade para resolver problemas não são adequados. Mas aqueles que ajudam a seguir regras, comunicar-se, negociar e resolver problemas são muito bons”, diz Alessandra Turini Bolsoni Silva, professora de psicologia clínica e do desenvolvimento da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), de Bauru.
As escolas Cruz de Malta e Padre Moye, em São Paulo, contam com a metodologia da Mind Lab, empresa israelense que utiliza jogos de raciocínio para o desenvolvimento dessas habilidades.
Os professores têm encontros de 45 minutos por semana com os alunos nas chamadas aulas de “Mente Inovadora”, onde introduzem os conceitos de jogos de tabuleiro como bloqueio, damas, octi e abalone.
Leila Romero, docente de matemática na Cruz de Malta, afirma que houve um estranhamento quando sua escola aderiu ao programa. “Tudo que é novo assusta um pouco. Os pais perguntavam o que era isso, se seus filhos teriam aula de jogo”, diz. “Mas sempre quis implementar jogos em sala porque tem tudo a ver com o desenvolvimento de raciocínio.”
Elizabete Márcia, professora de matemática e ciências na escola Padre Moye, ensinou a metodologia com jogos de tabuleiro para seus alunos no 2º ano do ensino fundamental e conseguiu acompanhar o desenvolvimento deles ao longo de sete anos.
“Pude perceber um crescimento emocional e social. Além da melhor assimilação dos conteúdos, eles estão aprendendo a ter atenção antes de tomar qualquer atitude”, avalia.
As escolas parceiras do projeto participam de uma Olimpíada Internacional, onde alunos de vários países que utilizam a metodologia com os jogos se reúnem para reforçar os conceitos aprendidos em sala de aula. As duas equipes brasileiras que disputaram a competição foram premiadas.

Conheça alguns métodos de habilidades socioemocionais
  • Método do semáforo

    Ajuda a organizar os pensamentos e agir de forma consciente e com responsabilidade, assim como o semáforo orienta o trânsito. Habilidades envolvidas: Prestar atenção no entorno; distinguir características relevantes das irrelevantes; fazer escolhas a partir dos dados; elaborar um novo plano diante de mudanças no contexto; parar antes de agir (controlar a impulsividade) e atuar de maneira crítica

  • Método do detetive

    Contribui na investigação de uma situação-problema para produzir pistas que possibilitam criar soluções. Habilidades envolvidas: Localizar a situação-problema; compreender que uma situação-problema pode ser decomposta em desafios menores; elaborar questionamentos como recurso para construir hipóteses e estabelecer conexões entre as pistas para encontrar soluções

  • Método da escada

    Permite progredir passo a passo para atingir um objetivo. Cada etapa concluída auxilia a chegar a outra etapa, mais próxima do objetivo final. Habilidades envolvidas: Ter clareza do objetivo a ser alcançado; reconhecer a necessidade de um plano seriado de ações e resolver problemas passo a passo, através de uma sequência correta de ações

  • Método das aves migratórias

    Contribui para atingir os objetivos grupais e individuais por meio do trabalho em equipe, em um clima de cooperação. Habilidades envolvidas: Refletir sobre o trabalho em grupo e o valor de cada membro em uma equipe; construir estratégias que desenvolvam a cooperação e a harmonia entre os componentes de uma equipe e conciliar os objetivos do grupo

  • Método do espelho

    Implica na disponibilidade interna para se olhar e admitir fracassos e êxitos, colaborando para romper esquemas de pensamentos e superar barreiras emocionais para a construção de um esforço consciente que promova mudanças estruturais internas. Habilidades envolvidas: Reconhecer o fracasso, lidar com a frustração, não ter medo de errar; superar barreiras emocionais e reconhecer o êxito
    Fonte: UOL Educação

Ministro destaca o papel da leitura e do professor na educação

A importância do professor e do livro para o avanço educacional foi lembrada pelo ministro da Educação, Henrique Paim, na manhã desta sexta-feira, 22, durante a abertura da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista.
Na cerimônia, Paim e a ministra da Cultura, Marta Suplicy, assinaram uma portaria com a designação de membros que integrarão o conselho diretivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que tem por objetivo promover o acesso ao livro à população.
O ministro ressaltou o despertar tardio para a educação no Brasil, comprovado por meio de números. Em 1980, a população com mais de 25 anos estudava em média 2,6 anos, conforme o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 2012, esta média já havia chegado a 7,6 anos de estudos. “O avanço educacional tem que se refletir na política do livro e da leitura, a exemplo de iniciativas como o Programa Nacional Biblioteca da Escola”, afirmou o ministro, lembrando também da Biblioteca do Professor, programa que oferece material de apoio teórico e metodológico aos docentes.
Conforme Paim, ao estimular nos alunos o hábito pela leitura o professor exerce um importante papel, que deve ser reconhecido. “E o Plano Nacional de Educação aponta para a valorização do professor por meio do tripé remuneração, carreira e formação”, completou.
A 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo começou nesta sexta-feira, 22, e vai até 31 deste mês, com a participação de 480 expositores. Durante o evento, os promotores esperam 800 mil visitantes interessados em literatura, cultura, diversão, gastronomia e negócios.
Unifesp – À tarde, o ministro da Educação visitou as novas instalações do Instituto de Ciência e Tecnologia do campus de São José dos Campos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na ocasião, Henrique Paim afirmou que a política de expansão das universidades federais demonstra que é possível crescer com qualidade e inclusão social. Segundo ele, a lei estabelece que 50% das matrículas devem ser oriundas de escolas públicas até 2016. Hoje, o percentual já é de 37%, enquanto a lei determinava para este ano que 25% das matrículas fossem de alunos de escolas públicas, o que mostra uma antecipação da meta.
(Do MEC)

Alunos exploram cultura e aperfeiçoam idioma em viagem para os EUA

Nascidas com apenas oito minutos de diferença, as irmãs gêmeas Jéssica e Jennifer Gomes, de 19 anos, embarcaram juntas para viver uma nova experiência em Washington, nos Estados Unidos, pelo programa Brasília Sem Fronteiras. Ambas – que sonhavam em sair do país para treinar a língua inglesa – também conheceram uma cultura diferente.
“Ir para a Universidade de George Washington para estudar foi uma surpresa. Não teríamos condições de fazer um curso como esse, que deve ser muito caro”, contou Jennifer , ao lembrar da viagem de quatro semanas com um grupo de 385 pessoas, entre 12 de julho a 9 de agosto.
As irmãs, ambas estudantes do Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia (CILC), disseram que já tinham certa fluência no idioma, mas a experiência foi inestimável. “Tivemos que pensar mais para nos expressar melhor e desenvolver nossas ideias, até por que estávamos discutindo temas diferentes”, relatou Jéssica.
“Além disso, tivemos que prestar mais atenção no contexto das conversas, porque tinham algumas palavras que nós desconhecíamos”, complementou Jennifer. Elas fizeram o curso Liderança Global com Ênfase em Inovação, que debate temas como governança e desenvolvimento.
A partir do que elas aprenderam, criaram um projeto final que é uma solução para aumentar a confiança das pessoas na polícia. O projeto previa uma participação mais ativa da comunidade, a qual atuaria de forma mais intensa para repassar às forças de Segurança os possíveis crimes e locais mais perigosos de cada local.
 
CULTURA
Quanto aos lugares visitados as irmãs concordaram em eleger como os mais emocionantes o Museu Memorial do Holocausto e o Monumento dos Veteranos do Vietnã, onde estão inscritos os nomes de todos os soldados estadunidenses mortos na guerra.
“Ao entrar nesses locais fiquei imaginando como foi que essas histórias aconteceram e como as famílias superaram”, descreveu Jéssica. “Além dessa experiência de imersão na cultura, essas visitas e experiências foram muito importantes para mim, que sou também universitária de língua inglesa e posso falar para os meus futuros alunos sobre isso”, observou Jennifer.
Outra estudante que também viajou para os Estados Unidos foi Daniela Costa, 18 anos, matriculada no CIL de Brasília e também universitária de Relações Interacionais na Universidade de Brasília. A aluna foi a primeira colocada na prova para entrar no programa de intercâmbio.
“Fiz 84 pontos e fiquei surpreendida quando fui convocada. Não esperava conseguir”, afirmou. Segundo ela, o aprendizado conquistado será muito bem aplicado. “Como profissionais, podemos aperfeiçoar nossos conhecimentos para atuar em Brasília”, relatou à Agência Brasília.
CENTROS DE LÍNGUA
Atualmente, o Distrito Federal possui oito CILs, que oferecem cursos em seis línguas: inglês, francês, espanhol, alemão, japonês e português, para estrangeiros. As escolas possuem cerca de 33 mil alunos oriundos da rede pública de ensino.
Segundo o chefe do Núcleo dos CILs, Ivo Marçal, com o fortalecimento da língua estrangeira, Brasília terá uma tendência natural para receber turistas e para incentivar os alunos a se tornarem profissionais mais qualificados.
“Por isso, esse programa é muito importante. Ele veio para confirmar a utilidade e a importância dos Centros Interescolares, que precisavam desse apoio”, finalizou.
(Da Agência Brasília)

Projeto exige graduação em pedagogia para exercício de cargos de direção e supervisão escolar

A Câmara dos Deputados analisa projeto que exige graduação no curso de pedagogia para quem exercer os cargos de profissionais da educação. A proposta (PL 7014/13), do deputado Ademir Camilo (MG), estabelece que os cargos de administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional em educação básica deverão ser necessariamente ocupados por pedagogo.
Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei 9.394/96) permite o exercício de cargos de direção e supervisão escolar também por profissionais com pós-graduação em educação, mesmo que tenham graduação em outra área.
Para Camilo, um profissional com formação em qualquer outra área de graduação superior, apenas com um título de especialista em educação, não tem uma base integral e humana suficiente para atender os alunos. De acordo com o deputado, “o exercício de determinadas funções requer uma formação consistente, robusta e embasada”.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
(Da Agência Câmara)

Professor: conheça nova plataforma para planejar aulas de matemática

Os professores de matemática acabam de ganhar um novo recurso para ajudar no planejamento de suas aulas: a plataforma OpenCurriculum. Produzido de maneira colaborativa, o site disponibiliza mais de 4 mil planos de aula e exercícios criados por mestres de todo o mundo.
Os estudos são compartilhados gratuitamente na internet. Tudo o que o usuário precisa fazer é se cadastrar. A partir daí, ele já pode explorar o site, inclusive colaborando com o que for postado por outros professores. Os documentos também permitem a inserção de diferentes recursos, além de o site armazenar seu conteúdo de maneira ilimitada. No que se refere à interação, é possível também comentar as postagens.
Outra boa notícia é que em breve os professores de ciências e inglês (idioma oficial do OpenCurriculum) também serão beneficiados, já que a plataforma prevê expansões para essas áreas.
(Da Universia Brasil)
 

Projeto prevê suspensão de alunos que desrespeitarem integridade de professores

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7307/14, que estabelece punições à criança e ao adolescente que não cumprirem regras de conduta estabelecidas pelas instituições de ensino na qual estiverem matriculados, e não respeitarem a integridade física e moral de professores e demais membros da escola.A proposta, do deputado Rogério Peninha Mendonça (SC), prevê a suspensão da frequência do aluno às atividades escolares e, em caso de falta mais grave, o encaminhamento dele à autoridade judiciária competente para outras sanções cabíveis. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90) não prevê a adoção desse tipo de penalidade.
Mendonça ressalta que são cada vez mais frequentes os casos de violência escolar, especialmente em relação aos professores da educação básica. “A violência é um problema enfrentado diariamente por milhares de docentes das redes pública e privada de ensino, que são alvos de ameaças de estudantes quase sempre devido ao baixo rendimento escolar”, afirma. Depredações e arrombamentos de salas de aula, acrescenta o parlamentar, também integram a ampla lista de atitudes condenáveis no ambiente escolar.
Segundo o parlamentar, o ECA deve obrigar os estudantes a respeitarem as normas de conduta dos colégios e preservar o bom convívio com a comunidade estudantil. “O estatuto estabelece uma série de obrigações do Estado, da família e das instituições de ensino com o intuito de garantir o direito à educação de crianças e adolescentes. A lei, no entanto, não prevê uma contrapartida aos estudantes”, argumentou.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

(Da Agência Câmara)

Brasil conquista quatro medalhas em olimpíada internacional de matemática

Estudantes brasileiros conquistaram duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze na 25ª Olimpíada de Matemática do Cone Sul, que terminou hoje (21) na cidade de Atlántida, a 47 quilômetros de Montevidéu, Uruguai. A delegação também obteve as primeiras posições na classificação individual.
“O resultado mostra o sólido treinamento que estamos tendo nos último anos. Mesmo nas competições que temos alunos mais novos, estamos tendo um desempenho diferenciado”, diz o líder da equipe, professor Régis Prado Barbosa. “O Brasil cada vez mais vai tendo o trabalho reconhecido”.
Essa foi a estreia de Barbosa como professor líder. Ele tem 24 anos e desde pequeno participa das competições. Em 2006, conquistou a medalha de prata. Foram as competições que fizeram com que tomasse gosto pelo ensino e passasse a preparar os próximos competidores.
A Olimpíada do Cone Sul é uma competição que ocorre anualmente desde 1988. A edição deste ano teve a participação de 32 estudantes de oito países. Para participar da competição internacional, o estudante precisa se classificar na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), competição que ocorre anualmente em escolas públicas e privadas de todo o país.
Os estudantes premiados passam por um intenso processo de seleção, que considera a colocação conquistada na disputa nacional, além dos resultados obtidos em provas seletivas e de listas de exercícios que são resolvidas ao longo de seis meses. Os quatro estudantes com as melhores colocações, e que satisfazem as exigências do regulamento da olimpíada, conquistam as vagas.
As medalhas de ouro foram trazidas ao país pelos estudantes Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, de 15 anos, de Vinhedo (SP) e Gabriel Toneatti Vercelli, de 16 anos, de Osasco (SP), enquanto João César Campos Vargas, de 16 anos, de Passa Tempo (MG) e Andrey Jhen Shan Chen, de 14 anos, de Campinas (SP), receberam as medalhas de prata e bronze, respectivamente.
Gabriel é um veterano em olimpíadas. Internacionalmente conquistou o ouro também na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Moçambique. Participa de competições desde a 5ª série. “Comecei a participar pela matemática, sempre gostei muito da matemática, achava as aulas da escola muito fáceis, queria saber um pouco mais”, diz.
Hoje, ele transmite o que aprende também para outros estudantes, por meio do Projeto Voa! – Vontade Olímpica de Aprender, dá aulas para estudantes de escolas públicas. Recém-chegado do Uruguai, o estudante diz que a experiência foi inesquecível. “Além da matemática, conhecemos cidades novas, pessoas novas. Nosso hotel era em frente do mar. Íamos para a praia todos os dias”.
(Da Agência Brasil)

Falta de intérpretes de sinais no Iesb prejudica aprendizado de alunos surdos

O procurador do trabalho do Ministério Público da 10ª Região, Carlos Eduardo Brizola, exigiu que o Instituto de Educação Superior de Brasília – Iesb verifique a habilitação dos intérpretes de sinais para exercício profissional e comprove que a quantidade de trabalhadores é suficiente para o número de alunos surdos matriculados. O encaminhamento foi feito na primeira audiência de conciliação entre o Sinprols, sindicato que representa a categoria, e a direção do Iesb, com o objetivo de tentar solucionar a demissão de todos os 11 intérpretes de sinais do Centro Universitário, no início do semestre. A audiência foi realizada nessa quinta-feira (7), e contou com a participação de vários alunos com surdez do Iesb e do presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Durante a reunião, a diretoria do Iesb alegou que já havia contratado cinco novos intérpretes de sinais. Entretanto, de acordo com a documentação apresentada, apenas um deles tinha os requisitos técnicos básicos para exercer a profissão, o que reflete no questionamento dos alunos sobre a qualidade técnica dos novos intérpretes e a insuficiência de profissionais para o número de alunos.
De acordo com a aluna do Iesb, Daniele, que tem surdez, o Centro Universitário trocou intérpretes, mas contratou profissionais sem qualificação técnica. “Eu quero ter orgulho de estar formada com qualidade, mas o Iesb não vê isso. Eles estão atrapalhando meu sonho. Eu tenho direito de ter intérprete de qualidade em sala de aula”, diz a aluna.
A aluna Vanessa Alves, que também tem surdez, pediu a palavra durante a audiência de conciliação e disse que “está sem intérprete há três semanas”. “Ainda não consegui participar das aulas, das palestras, de nada”, disse. “Já que falaram que contrataram cinco intérpretes, amanhã, quando chegar em sala de aula, quero que tenha um intérprete lá me esperando”, exigiu a aluna.
Questão social
Os intérpretes demitidos e seus ex-alunos afirmam que a contratação dos profissionais vai além da questão técnica. “Na comunicação de sinais, não há um sinal específico para cada palavra. Cabe ao aluno e ao intérprete fazerem uma combinação. Quando entra um intérprete novo, toda essa combinação fica praticamente perdida, e o aluno tem prejuízo de aprendizagem”, explica a intérprete de sinais Cassia Souza, uma das trabalhadoras demitidas pelo Iesb.
A alegação do Iesb para a demissão do quadro de trabalhadores intérpretes de sinais é a adequação do número de profissionais ao número de alunos para ajuste orçamentário. Segundo a deputada Érika Kokay, que participou da audiência de conciliação, o que a direção do Iesb vem fazendo é “economia de tostões em detrimento de direitos e qualidade de ensino”.
“Nós da CUT Brasília damos todo o apoio ao Sinprols, aos trabalhadores demitidos e aos alunos prejudicados. Estamos prontos para darmos continuidade à luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e, acima de tudo, dos direitos humanos”, afirmou o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, após a audiência de conciliação.
Um novo encontro no Ministério Público do Trabalho para dar continuidade às negociações a respeito da demissão dos trabalhadores intérpretes de sinais do Iesb ficou agendado para o dia 3 de setembro, às 15h.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Três líderes sindicais rurais são assassinados em Mato Grosso

Em menos de uma semana do mês de agosto, três líderes sindicais foram assassinados em Mato Grosso, vítimas de conflito agrário com latifundiários. Antes de morrer, Maria Lucia, Josias Paulino de Castro e Ireni da Silva Castro chegaram a avisar às autoridades competentes que estavam sendo ameaçados, mas foram silenciados por tiros sem que fosse tomada qualquer providência. Diante do crescente índice de barbaridades que atingem o campo matogrossense, o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais solicitou uma série de providências imediatas e efetivas para cessar o problema.
No dia 19 de agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag encaminhou ao Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA documento que solicita, entre outros pontos, a realização dos “inquéritos com rapidez e qualidade, para identificar todos os culpados, sejam eles mandantes ou executores, inclusive designando Delegados Especiais se for o caso, assegurando a conclusão dos processos com a efetiva e ágil punição dos culpados”. A Confederação também exige “imediata proteção à vida das lideranças sindicais e dos trabalhadores e trabalhadoras ameaçados por se manterem na luta pelo direito às terras”.
A Contag ainda quer realizar uma reunião com diversos ministérios, o Governo de Mato Grosso, e as entidades sindicais que representam os trabalhadores rurais em nível nacional. “Reafirmamos que a solução definitiva dos conflitos pela posse da terra é a realização de uma reforma agrária, ampla e massiva e capaz de democratizar a propriedade da terra e criar bases para a construção da mudança do atual modelo de desenvolvimento que é excludente, predatório, concentrador da terra, da renda e do poder por um modelo sustentável e solidário”, afirma nota da Contag em repúdio aos assassinatos em Mato Grosso.
Mortes anunciadas
Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa Ireni da Silva Castro, de 35, foram encontrados no dia 16 de agosto, crivados de tiros de arma de fogo calibre 9mm, usada exclusivamente pelas Forças Armadas. Josias era presidente da associação Aspronu – Projeto Filinto Müller e lutava pela legalização das terras do distrito de Guariba, Município de Colniza.
Ele, por diversas vezes, denunciou as emissões irregulares de títulos definitivos da área em nome de fazendeiros e empresários, além da extração ilegal de madeiras. De acordo com Josias, em documento feito pela Contag, as denúncias envolviam também políticos, servidores do estado e a polícia que, segundo ele, estariam envolvidos ou coniventes com as ações de grilagem de terras públicas e em crimes ambientais nas mesmas áreas.
“Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo do Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias na última vez que denunciou os crimes, no dia 5 de agosto, durante reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, realizada em Cuiabá, com a presença do Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva, dentre outros agentes públicos.
No dia 13 de agosto, Maria Lúcia foi assassinada com três tiros fatais, no Município de União do Sul. Ela era assentada na Gleba Macaco, no Assentamento Nova Conquista 2, área reconhecida legalmente como terra pública da União, onde coordenava a luta pela regularização do Assentamento que conta com 25 famílias de trabalhadores rurais.
Em razão de sua liderança e lutas, Maria Lúcia recebeu diversas ameaças de morte, inclusive feitas publicamente pelo fazendeiro Gilberto de Miranda e seus capangas. Segundo a Contag, as ameaças foram presenciadas por oficiais de justiça quando cumpriam uma liminar de manutenção de posse contra o fazendeiro.
“Dessas terras só saio morto e estou pronto para uma batalha, tanto pra morrer quanto pra matar. Todos que entrarem nessas terras sem prévia comunicação ou sem a sua autorização estão correndo risco, já que as terras estão bem protegidas por homens fortemente armados”, disse em uma das ameaças o fazendeiro Gilberto de Miranda, enquanto expulsava da área os servidores judiciais.
De acordo com o documento da Contag enviado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, no dia do crime, ocorreu um incêndio no lote ocupado por Maria Lucia. Quando ela se dirigiu ao local para afastar o gado do fogo, se deparou com um funcionário de Gilberto Miranda que, segundo testemunhas, vinha rondando a região com uma arma de fogo à mostra, intimidando as famílias. Após proferir ameaças, o capanga iniciou uma discussão e disparou os tiros, assassinando Lúcia. Tanto o capanga quanto o fazendeiro foram presos, mas como o funcionário assumiu a culpa pelo assassinato, o delegado local liberou Gilberto da prisão, alegando falta de provas para mantê-lo na cadeia.
Por um fio
Um dia após a morte de Maria Lúcia, o ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União do Sul, Cleirton Alves Braga, por pouco também não perdeu a vida, vítima de tentativa assassinato. Ele conta que quando voltava para o assentamento Gleba Macaco, no Projeto de Assentamento Nova Conquista 2, foi seguido por dois carros com pessoas desconhecidas. Para fugir dos perseguidores, correu pelo mato e se escondeu próximo à sua casa, de onde viu uma camionete atropelar propositalmente a cadela da família enquanto os homens que nela estavam davam tiros para o alto.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Ensino médio no Estado de São Paulo tem pior nível em 6 anos

Matéria publicada no site do jornal O Estado de S. Paulo nessa quarta-feira (20)
Assinada por Paulo SaldañaDesempenho nas avaliações de Português e de Matemática do Saresp foi o mais baixo desde 2008, segundo os últimos resultados 

O desempenho em Português e Matemática dos alunos do ensino médio da rede estadual de São Paulo piorou em 2013 e é o mais baixo desde 2008, conforme avaliação do governo do Estado. No fim do ensino fundamental (9.º ano), a nota média da rede caiu em Língua Portuguesa e teve leve aumento em Matemática – mas mostrou estagnação nos últimos seis resultados. O 5.º ano do ensino fundamental, fim do primeiro ciclo, manteve a melhora.
Os resultados são da última edição do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), que ocorre anualmente em toda a rede. Eles mostram problemas no ciclo final do ensino fundamental e no ensino médio, apontados como gargalos da educação. Ambas as etapas estão desde 2008 no patamar baixo de proficiência – a escala ainda demarca o abaixo do básico, adequado e avançado.
No ensino médio, a nota média caiu nas duas disciplinas. Passou de 268,4 para 262,7 em Língua Portuguesa – quando o adequado é acima de 300. A nota significa que os alunos não percebem, por exemplo, que personagens emitem opiniões diferentes sobre um mesmo tema em uma tira de quadrinhos.
Em Matemática, a nota média da rede passou de 270,4 para 268,7 – considera-se 350 adequado. Nesse caso, não se consegue interpretar os dados de uma tabela simples. A distância entre a nota obtida e o considerado adequado nesta disciplina representa mais de três anos de estudo, aproximadamente.
No site. Em março deste ano, quando o Estado revelou que o ensino médio havia apresentado queda no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado (Idesp) entre 2012 e 2013, não era possível indicar se o aprendizado tinha piorado.
O Idesp também leva em consideração dados como aprovação e adequação entre a série e idade. A Secretaria de Estado da Educação não divulgou em março os dados do Saresp – até mesmo agora não houve, a exemplo do Idesp, divulgação oficial dos resultados. A pasta atualizou as planilhas no site oficial da secretaria estadual.
Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, especialista em avaliação, o que mais preocupa é que os indicadores estejam há anos em níveis tão baixos. Para ele, os índices reforçam a avaliação de que as iniciativas do governador Geraldo Alckmin (PSDB) não têm surtido efeito, além de indicar que o modelo educacional implementado há anos também precisa ser repensado.
“Esses números colocam a necessidade de rediscussão dessa política, que foi estabelecida com bonificação a professores vinculada aos dados”, disse ele. “Outros fatores pesam, como a complexidade da rede e o grande número de professores eventuais. Mas alguma coisa no modelo precisa ser revista.”
Na avaliação do 9.º ano, os estudantes da escola do Estado tiraram 226,3 em Português e 242,6 em Matemática. Para o professor Mozart Ramos Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, os resultados mostram uma crise do modelo de escola para os jovens. “O resultado é claramente o efeito do distanciamento entre a escola e o jovem, que se manifesta e se perpetua de forma intensa no ensino médio”, diz ele. “Temos um currículo que não dialoga com o jovem e ao mesmo tempo professores de Geografia dando aula de Química, ou o contrário.”
Boa notícia. Apesar da estagnação dos anos finais, a rede estadual de São Paulo conseguiu bons resultados no primeiro ciclo do ensino fundamental. Tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática.
Os dados do Saresp apresentam uma tendência de melhoria desde 2008. Em Português, a média alcançou 199,4 em 2016, ficando a 0,6 ponto do nível de aprendizado considerado adequado. Em Matemática, houve melhora, mas a etapa não saiu do básico.
Rede complexa. A Secretaria de Estado da Educação ressaltou que a interpretação do Saresp não pode ignorar a complexidade da rede. “São Paulo foi o primeiro Estado a universalizar o ensino médio. É uma rede complexa, com 5 mil escolas, que nos anos finais recebem 82% de alunos de outras redes”, explicou Ione Assumpção, da coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação da secretaria. “Há políticas como o currículo, formação de professores, que são de longo prazo. Há regiões com melhora.”
Segundo Ione, as ações da pasta são permanentemente reavaliadas em busca de melhorias. “Não podemos ignorar o sucesso no ciclo 1, estamos conseguindo alfabetizar aos 7 anos.”

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