Ausência de creches aumenta desigualdade social, afirmam especialistas

Os números do programa federal que financia a construção de creches em todo o País revelam mais do que a lentidão de um processo que prometia se concretizar em quatro anos. Eles apontam a continuidade de um futuro perverso para as crianças que não podem usufruir da educação infantil. Especialistas ouvidos pelo iG garantem: a ausência de creches aumenta a desigualdade social no Brasil.

Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, lembra que os filhos das famílias mais ricas têm acesso à educação infantil, ao contrário das famílias mais pobres. “Quem está na fila são pessoas que não tem condição de pagar por isso”, comenta. Para ele, a avaliação de que essa etapa escolar combate a desigualdade é correta. “Em última instância, a falta de vagas em creches reproduz e acentua essa desigualdade social, levada por gerações.”
Para a coordenadora do Núcleo de Trabalhos Comunitários da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Maria Estela Graciani, a desigualdade promovida e mantida pela ausência da oferta de educação infantil “é a pior face do problema”. “Essa ausência é profundamente prejudicial para o desenvolvimento de habilidades futuras”, afirma. Ela considera os atrasos nas construções das creches um “absurdo” e diz que elas deveriam “ser prioridade absoluta”.
A presidente Dilma Rousseff prometeu priorizar a primeira etapa educacional durante a campanha presidencial e construir 6 mil novas creches. De fato, desde que assumiu o cargo, passou a investir mais recursos que os dirigentes anteriores no setor e construiu mais unidades. Porém, o número de obras prontas – que já seriam insuficientes mesmo que todas estivessem recebendo alunos – mostra que a promessa está longe de ser cumprida.
Das 6 mil unidades prometidas por Dilma ao assumir o cargo em 2011, apenas 417 já podem receber crianças. Outras 1.649 unidades de educação infantil foram concluídas desde então, mas 1.232 delas foram autorizadas ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 2007 e 2010, ele autorizou 2.285 creches, mas só concluiu 22 antes de sua saída. Os dados foram obtidos pelo iG com exclusividade.
“Essa gestão priorizou a educação infantil mais do que as anteriores, mas não atacou a raiz do problema. O número reduzido de creches construídas e os atrasos começam na manutenção das creches. O governo federal deveria, mas não quer, transferir recursos para ajudar os municípios a manter as creches funcionando”, critica Daniel Cara. Ele ressalta que os valores transferidos hoje pelo governo federal para isso são insuficientes.
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) garante recursos para os municípios que atendem crianças em creches. O valor por aluno (quase R$ 1,5 mil para quem estuda meio período) cresce 50% quando a criança é beneficiária do programa Bolsa Família. Mas esse valor, para um ensino de qualidade, é insuficiente na opinião de especialistas e dirigentes.
Planos e financiamento
A partir de 2016, a oferta de vagas na pré-escola para crianças de 4 e 5 anos será obrigatória. A estimativa da organização Todos pela Educação, que monitora esse atendimento, é de mais de 80% dessas crianças já estejam atendidas. Porém, um contingente de quase 1,4 milhão ainda está fora da escola. Para atendê-los com os padrões de qualidade definidos no Plano Nacional de Educação (ainda em análise no Congresso), seria preciso investir R$ 15 bilhões.
O atendimento das crianças em creches ainda não é obrigatório. A sociedade passou a exigir mais vagas nos estabelecimentos de educação infantil. Muitas vezes, por “necessidade assistencial”, para que as mães trabalhem. Mas inúmeras famílias já compreendem a importância da etapa no desenvolvimento escolar da criança como um todo. No plano decenal de educação, há uma meta de atender 50% das crianças de zero a 3 anos em creches.
Isso exigiria construir 24 mil unidades para atendimento integral, segundo Cara. Custaria só em construção R$ 48 bilhões. “Manter isso tudo exige ainda mais”, destaca ele. “É preciso enfrentar essa questão histórica da ausência federal nas políticas sociais. Os programas não resolvem a política e o financiamento da educação é desequilibrado se considerarmos a capacidade arrecadatória da União e dos municípios”, afirma Cara.
Desde que o Proinfância foi criado, o programa autorizou a construção de 8.348 creches e pré-escolas. Em quase sete anos, apenas 1.671 ficaram prontas. Alejandra Meraz Velasco, gerente da área técnica do Todos Pela Educação, lembra que o plano educacional que terminou em 2010 já previa a mesma meta de atendimento das crianças em creches. “O Brasil tem avançado. Há 20 anos, apenas 7% das crianças estavam matriculadas nessa etapa. Agora são 23%. Mas a gente mantém a mesma meta de atendimento, 14 anos depois”, diz.
Para ela, isso demonstra as dificuldades enfrentadas pelos governos para tirar as propostas da área do papel. Ela lembra que as prefeituras enfrentam problemas de assistência técnica para definir e executar projetos, construir os prédios. Além dos entraves de manter as escolas em funcionamento, pagar professores e oferecer ensino de qualidade. Identificar o tamanho real da própria demanda por vagas é outro complicador, na opinião dela.
Soluções em longo prazo
Eliana Bhering, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e professora do curso de pedagogia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que as dificuldades para concretizar a oferta da educação infantil no país vão além. A complexidade do atendimento, a seleção de profissionais preparados para a função e o projeto pedagógico das escolas, por exemplo, não estão claros para todos. “Não há soluções simples, mas estamos avançando”, diz.
Os municípios mantêm listas de pedidos de vagas que demandam anos de espera. O prefeito de Canoas (RS), Jairo Jorge, reconhece que não há como esperar quatro ou cinco anos para terminar uma creche – como ocorreu na primeira fase do Proinfância. “Quanto mais cedo a criança chega à escola, mais oportunidades ela terá”, afirma. Para ele, as prefeituras têm procurado se adequar às exigências do programa federal para cumprir as metas.
“A construção da obra é muito importante, mas a preocupação de todo prefeito é com custeio. Gasta-se muito mais pessoal e manutenção do que com a obra”, garante. A professora do curso de pedagogia da PUC Maria Estela Graciani lamenta os atrasos ainda existentes na oferta de educação infantil. Ela defende que a sociedade continue pressionando por unidades mais rápidas e por investimentos no professor. “O futuro das outras etapas depende disso.”
(Do IG)

No Brasil, 8,5 milhões de alunos estão atrasados duas séries na escola

Mais 8,5 milhões de alunos brasileiros estão atrasados pelo menos dois anos na escola. Os dados são do Censo da Educação Básica 2013 e mostram que 6,1 milhões de estudantes do ensino fundamental e 2,4 milhões do ensino médio não estão na série ideal.
Nessas duas etapas de ensino o país tinha 37,3 milhões de matrículas em 2013. São crianças e adolescentes que reprovaram, abandonaram a escola ou já foram alfabetizados com atraso.
“Nós temos esse descompasso, que é a falta de correspondência entre e a idade e o ano escolar. A responsabilidade de solucionar esse problema é do governo federal e dos governos estaduais e municipais, junto com a sociedade. Não é só um problema de gestão do setor público, é uma questão das prioridades que a sociedade estabelece”, afirma Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação).
O ideal é que o aluno tenha 6 anos no 1º ano do ensino fundamental e complete 14 anos no 9ª ano. Já as três séries do ensino médio devem ser feitas entre os 15 e os 17 anos. A realidade, porém, é que 21% dos estudantes do fundamental e 29,5% do ensino médio não estão na sala correta.
Para especialistas, as principais causas desse atraso são a repetência e a evasão escolar, que refletem problemas estruturais e pedagógicos das escolas. “O fluxo escolar melhora quando há acompanhamento mais perto dos alunos, escolas menores e próximas às casas dos alunos, equipe escolar estável e programas de recuperação ao longo do período letivo”, afirma José Marcelino Rezende Pinto, professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto.
O pico de defasagem ocorre no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio, fases importantes de transição na vida escolar. No primeiro caso, os alunos deixam salas menores e com apenas um professor para entrar em uma etapa de maior exigência, muitas vezes acompanhada da troca de escola.
“Na primeira fase do ensino fundamental [do 1º ao 5º ano] o aluno tem uma rotina, menos professores, menos disciplinas e está acostumado com um ritmo na escola. No 6º ano pode acontecer de mudar de escola, então há uma adaptação, mais disciplinas e mais professores”, afirma Adriana Aguiar, secretária de Educação do Tocantins e vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

O gargalo do ensino médio

Outro ponto de atenção é o início do ensino médio, que já recebe com atraso os alunos repetentes do ensino fundamental. Alguns jovens interrompem os estudos para trabalhar ou, no caso das meninas, para se dedicar a uma gravidez precoce. Para agravar o problema, o ensino médio brasileiro apresenta índices considerados insuficientes nas avaliações educacionais.
“Historicamente, nosso ensino médio foi direcionado à elite e voltado à preparação para os exames de seleção do nível superior. Ao contrário dos países com boas escolas no mundo, que preparam para a vida, com formação básica para o trabalho”, afirma Rezende Pinto, especialista em política e gestão escolar. “É uma escola muito ruim do ponto de vista de atrair os meninos para o estudo. Física, química e biologia sem laboratório, por exemplo, são um tédio e nada contribuem para a formação científica”.
Além do currículo que não estimula os alunos, um terço das vagas do ensino médio é noturno e os jovens ficam expostos a outros tipos de problemas. “No 1º ano do ensino médio, o desafio se agrava: o jovem já chega atrasado e fica mais vulnerável aos problemas sociais e à violência”, diz a secretária de Educação Básica.
O MEC defende que uma das soluções é o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, programa de formação de professores que funciona em parceria com as secretarias estaduais. O objetivo, diz Maria Beatriz Luce, é desenvolver um currículo mais interdisciplinar para o ensino médio.
(Do Uol)

Estudantes que vão fazer o Enem têm até sexta-feira (23) para fazer a inscrição

Estudantes que vão fazer a edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem até as 23h59 de sexta-feira (23) para fazer a inscrição no sitehttp://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem/. O exame será realizado nos dias 8 e 9 de novembro.
A taxa de inscrição custa R$ 35 e o pagamento do boleto deve ser feito até o dia 28 de maio. Ficam isentos da cobrança todos os alunos de escola pública ou que comprovarem renda familiar mensal inferior a R$ 1.086.
Os candidatos podem tirar dúvidas sobre a inscrição em um passo a passo da inscrição no siteenem.inep.gov.br. O Enem deverá ser usado pelas 115 universidades federais para o acesso a cursos de graduação.
Segundo o último balanço do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o ritmo de inscrições aponta um aumento de 11% em relação a edição de 2013. Até sábado, mais de 3,5 milhões de pessoas já tinham feito a inscrição.
A expectativa é que até 8,2 milhões de estudantes se inscrevam este ano –em 2013, o número total foi de 7,1 milhões de candidatos, e mais de 5 milhões fizeram os dois dias de prova.
Com base no volume de visitantes no site, o Inep afirma  que os melhores horários para se inscrever na prova do MEC são até as 9h, entre as 14h e as 17h, e após as 21h.
Assim como nos anos anteriores, o Enemocorrerá em dois dias seguidos. No sábado, dia 8, os participantes farão as provas de ciências humanas e ciências da natureza, entre as 13h e as 17h30 (horário de Brasília). No domingo, dia 9, serão aplicadas as provas de linguagens e códigos, matemática e redação. Nesse dia, o tempo de exame será mais longo, entre as 13h e as 18h30 (horário de Brasília).
Segundo o MEC, serão impressas 18,3 milhões de provas (incluindo normal, ampliada, ledor e braile – estas três últimas, para quem tem diferentes graus de deficiência visual) em 1.699 municípios do país. Este ano, 785 mil funcionários vão ajudar na realização do Enem, entre coordenadores de locais de aplicação, assistentes de coordenação, chefes de sala, fiscais e apoio. Em todo o Brasil, haverá 16,6 mil locais de prova.
Transexuais podem usar nome social
Candidatos travestis ou transexuais poderão usar o nome social para prestar o Enem. Para isso, precisarão fazer a solicitação ao Inep, por telefone, durante o prazo de inscrição.
Segundo o site, “o participante travesti ou transexual que desejar ser identificado por nome social nos dias e locais de realização do exame deve fazer essa solicitação pelo telefone 0800 616161, até o final do período de inscrição”. O edital do Enem 2014, no entanto, não faz nenhuma referência ao uso do nome social pelos  candidatos.
Detectores de metal
Na última quinta-feira (8), o MEC anunciou que nesta edição serão aperfeiçoados os procedimentos de segurança contra fraude na aplicação das provas. Os fiscais poderão, inclusive, usar detectores de metais portáteis para comprovar que candidatos não estão usando equipamentos eletrônicos durante a realização do exame.
O detector poderá ser utilizado em qualquer estudante inscrito, a não ser que a pessoa apresente uma justificativa para que não possa passar por esse tipo de monitoramento. O aparelho também poderá comprovar o uso indevido de celulares para postar fotos do Enem nas redes sociais – infração que acabou eliminando dezenas de jovens nas últimas duas edições.
Segundo o MEC, este ano o edital foi traduzido para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), e o site do Enem terá uma versão do edital incorporada a um sistema de computação acessível a cegos, chamado Dosvox.
Sabatistas
Este ano, os alunos sabatistas (que guardam o sábado por motivos religiosos) poderão fazer a prova de 8 de novembro às 19h (horário de Brasília) desse dia, exceto nos estados do Acre, Amazonas, de Roraima e Rondônia. Nesses quatro estados, os candidatos sabatistas poderão realizar o primeiro dia de provas às 19h de sua hora local, em função do horário de verão.
Correção da redação
Segundo o ministro da Educação, Henrique Paim, os atuais filtros de correção da redação do Enem serão mantidos e ampliados. De acordo com ele, o MEC tem investido no aprimoramento dos itens de correção e na capacitação dos corretores. O presidente do Inep, Francisco Soares, também disse a jornalistas na quinta-feira que cada prova será avaliada por dois corretores.
“Se as notas dadas por cada corretor tiverem diferença de 100 pontos, um terceiro corretor irá avaliar a redação. Cada um avalia cinco quesitos. No caso de diferença de 80 pontos em cada quesito, também será chamado um terceiro avaliador”, explicou Soares.
“Estamos com um grande processo de monitoramento e capacitação constante. Quando a redação é enviada ao corretor, assim como todo o sistema de acompanhamento, a redação é acompanhada de várias maneiras. A cada ano, acrescentamos detalhes, dada a experiência. Existirão novos filtros e sinalizações, e isso é um processo contínuo”, afirmou o presidente do Inep.
Combatendo a abstenção
Segundo informou o MEC na quinta, os candidatos que não compareceram às provas do ano passado e se inscreverem novamente em 2014 receberão uma mensagem do governo alertando sobre o problema de faltar ao Enem mais uma vez.
De acordo com os dados levantados pelo governo, a maioria dos ausentes no exame são pessoas que não precisam pagar a taxa de inscrição – como treineiros, que ainda não terminaram o ensino médio, e adultos que já acabaram o ensino médio e trabalham.
Em 2013, o governo estima que cerca de 30% dos candidatos inscritos no Enem não chegaram a fazer os dois dias de prova. O prejuízo com os ausentes, no ano passado, foi de R$ 58 milhões, segundo o MEC.
(Do G1)

Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação’

As expectativas das famílias em relação às escolas e o que elas oferecem – ou são, de fato, capazes de ofertar – está em descompasso. De um lado, há adultos cada vez menos presentes, seja pelo excesso de trabalho, pelos longos deslocamentos nas megalópoles ou até pela falta de paciência, que esperam que a escola ensine o conteúdo obrigatório e eduque os seus filhos. Do outro, as instituições se desdobram para dar conta de uma infinidade de disciplinas regulares e ainda são cobradas a disciplinar os alunos e abordar temas considerados pertinentes. Tudo em quatro horas diárias.
As críticas são feitas pelo professor, educador e filósofo Mario Sergio Cortella, que lança nesta semana o livro Educação, Escola e Docência – Novos Tempos, Novas Atitudes. “As famílias estão confundindo escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família. Muitas vezes, o casal não consegue, com o tempo que dispõe, formar seus filhos e passa a tarefa ao professor, responsável por 35, 40 alunos.”
Cortella, que há 16 anos não escreve livros na área educacional, fará dois lançamentos deEducação, Escola e Docência, ambos seguidos de palestras. O primeiro será para docentes, no dia 22, na feira Educar/Educador 2014, no Centro de Exposições Imigrantes. O segundo, para o público em geral, ocorrerá em 10 de junho, no Teatro Tuca, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
A seguir, Cortella fala sobre a necessidade de uma parceria entre escolas e famílias, o impacto da tecnologia e como tornar as aulas mais atraentes.
O senhor fala em métodos de ensino do século 19, docentes do século 20 e alunos do século 21. É possível resolver o descompasso?
A escola tem de ficar em estado de prontidão para acompanhar uma parcela das mudanças, que acontecem de forma extremamente veloz. Isso porque nem tudo o que vem do passado tem de ser levado adiante. A escola precisa distinguir o que vem do passado e deve ser protegido, ou seja, o que é tradicional, daquilo que precisa ser deixado para trás porque é arcaico. Autoridade docente, atenção ao conteúdo e formação de personalidade ética são valores tradicionais. A escola tem de estar atenta às mudanças tecnológicas, mas não se submeter a elas. Vou dar um exemplo. Imagine se em 2004, quando foi criado o Orkut, uma escola criasse um projeto pedagógico baseado nessa rede social. Como um projeto pedagógico demora 10, 12 anos para ser aplicado na sequência de seriação, hoje ele já estaria obsoleto. Já pensou se quando o pen drive foi lançado outra escola tivesse decidido que todos os alunos deveriam organizar seus materiais nesse formato, que, chegou-se a dizer, substituiria a mochila? Hoje, nenhum jovem usa pen drive: eles guardam tudo em nuvens. Portanto, o que digo é que a escola tem de ficar atenta ao novo, mas não ser refém.
Cada vez mais a aprendizagem ocorre fora do espaço escolar. O que é preciso fazer para conquistar o aluno quando tudo fora da escola parece mais interessante?
Vou te dizer uma coisa que parece óbvia: Ninguém deixa de se interessar por aquilo que interessa. Nós temos de saber o que interessa ao aluno para, a partir daí, chegar ao que é necessário. É preciso conhecer o universo circunstancial dos alunos: as músicas que eles estão ouvindo, o que estão assistindo de programas e vendo de desenho animado, para chegar à seleção do conteúdo científico necessário. Temos de partir do universo vivencial que o aluno carrega para chegar até aquilo que de fato é necessário acumular como cultura produzida pela humanidade. Hoje, a escola não pode ser extremamente abstrata, como no meu tempo. O conteúdo tem de ser conectado com o dia a dia.
O que as escolas precisam fazer para encantar as crianças?
É preciso incorporar o que elas já fazem. A geração anterior, de quem já tem mais de 30 anos, só se comunicava pelo telefone. Esta geração de crianças e jovens voltou a escrever – no Facebook, no Twitter, no WhatsApp, em blogs. A escola tem de aproveitar essa produção. Alguns até dirão que eles escrevem errado. Claro, todo mundo escreve errado antes de escrever certo. Podemos partir de uma escrita que não está no padrão para chegar à norma culta.
Conversando com pais e professores, a impressão é de que estão insatisfeitos. As famílias se queixam das escolas e as escolas, dos pais. O que acontece?
Antes de mais nada, não estamos diante do crime perfeito, em que só há vítimas. Temos autor também. E essa autoria é multifacetada. A escola foi soterrada nos últimos 30 anos com uma série de ocupações que ela não dá conta – e não dará. Em uma sociedade em que os adultos passaram a se ausentar da convivência com as crianças, seja por conta do excesso de trabalho, da distância nas megalópoles ou da falta de paciência para conviver com aqueles que têm menos idade, a escola ficou soterrada de tarefas. As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família. Muitas vezes, o casal não consegue, com o tempo de que dispõe, formar seus filhos e passa a tarefa ao professor, responsável por uma classe de 35 ou 40 alunos, tendo de lidar com educação artística, religiosa, ecológica, sexual, para o trânsito, contra a droga, português, matemática, história, biologia, língua estrangeira moderna, etc, etc, etc. A escola passou a ser vista como um espaço de salvação.
E como resolver a questão?
A família precisa retomar o seu papel, porque ter filho dá trabalho. Ou será que as pessoas não sabiam? Existe tempo, aplicação, reordenamento, partilha das tarefas. A escola não tem como dar conta de tudo o que dela hoje se requisita. Quando há um linchamento, querem que a escola fale sobre linchamento. O mesmo ocorre com briga em estádios, corrupção, etc. E nem adianta o pai ou a mãe dizer: “A gente paga, a gente quer o serviço”. É preciso uma parceria entre a escola e as famílias. Uma ideia é manter, como algumas instituições fazem, uma escola de pais, com reuniões periódicas para ajudar as famílias na reflexão.
De que maneira a convivência reduzida das famílias com os filhos afeta a escola?
Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra os docentes. Parte das crianças fica sozinha, come se quiser, vai de perua para a escola e quase não encontra adultos. Se é de classe média, o único adulto que ela encontra é a empregada, para quem ela dá ordem. Não há uma estrutura da disciplina. O primeiro adulto que ela encontra no dia é o professor, que pergunta cadê o uniforme, você fez a tarefa, guarde o celular. Claro que nessa hora a criança vem para cima. É uma geração que confunde desejos com direitos. É preciso uma educação que seja mais firme, mas isso exige tempo, e tempo é questão de prioridade.
(Do O Estado de S. Paulo)

Professor cria poema para criticar o valor do acréscimo do auxílio-refeição

O Sinpro condenou de forma veemente o novo valor do auxílio-alimentação, qual nem alcançou o índice inflacionário do período. Com a medida, o auxílio aumentou R$ 21,50 e agora é de R$ 394,50.
Motivado por esta decisão, o professor Lécio Braz Faria, do CED Casa Grande (Gama) escreveu um poema, que reproduzimos abaixo.
 
VINTE E UM REAIS
“Tudo que vem a favor
Que vem para somar
Se for pouco será um favor
Será motivo para protestar
Não angustie com a circunstância
Quem sabe um dia melhora
Não sabemos mensurar a distância
Porque prevalece desde outrora.
Vinte e um reais
Adicionado ao auxílio alimentação
É um quantitativo a mais
Se for insuficiente haverá contestação
Registre-se então nos anais
mobilize para uma solução “

Creches do GDF ainda têm vagas para crianças de 4 e 5 anos de idade

Os pais de crianças entre 4 e 5 anos de idade ainda têm chance de colocar seus filhos em um dos Centros de Educação da Primeira Infância (Cepi). Das 2.016 vagas ofertadas nas cidades de Santa Maria, Samambaia, Recanto das Emas, Planaltina e Ceilândia, 350 não foram preenchidas para os 1º e 2º períodos.
“Nossa orientação é que os pais que estão na lista de espera de outras opções façam a troca para essas creches onde estão restando vagas. Esse processo deve ser requisitado na regional de ensino”, afirmou a coordenadora da Coordenação de Acompanhamento da Oferta Educacional da Secretaria de Educação, Raphaella Cantarino.
Ainda restam 60 vagas em Santa Maria, 194 em Samambaia, 44 no Recanto das Emas e 52 em Planaltina. Em Ceilândia, todas já foram preenchidas. Mais oportunidades surgirão até o fim do ano com a inauguração de 94 unidades. A previsão é que, ainda em junho, outras 22 sejam abertas ao público.
Para fazer a inscrição, os responsáveis devem procurar as Coordenações Regionais de Ensino de sua localidade. Os documentos exigidos são CPF, RG, comprovante de residência e de renda, Certidão de Nascimento da criança, laudo médico, risco nutricional e medida protetiva, se necessário, e informar se a mãe é trabalhadora.
A lista com os nomes das crianças já selecionadas para serem atendidas em um dos 18 Cepis está disponível nos links abaixo ou nos locais em que foram feitas as inscrições. A pré-matrícula deve ser efetuada nas regionais de ensino, que informarão as pendências de documentos e a data provável de início das atividades.
“O resultado foi o esperado. Agora, basta os selecionados confirmarem o interesse na vaga e aguardar a regional entrar em contato com cada família para dar mais informações sobre o começo das aulas. Vamos começar a inaugurar a partir da próxima semana as unidades”, informou o subsecretário de Planejamento de Avaliação Educacional, Fábio Pereira de Souza.
Cada uma das unidades terá capacidade para atender até 112 crianças na faixa etária de 0 a 5 anos, durante 10 horas diariamente. Nesse período, elas terão cinco refeições. Todas contam com oito salas de aula, anfiteatro com arquibancada, pátio coberto, laboratório de informática, acessibilidade, além de recepção, secretaria e salas de orientação pedagógica.
A lista pode ser econtrada no site do GDF.
(Do Jornal de Brasília)

Escolas do DF cancelam aulas por causa de lixo acumulado

Alunos da Escola Classe 1 e do Centro de Ensino Fundamental 3 do Paranoá, no Distrito Federal, foram dispensados das aulas nesta quinta-feira (15) por conta da sujeira acumulada nos locais. Os funcionários da limpeza não comparecem às escolas desde a última terça (13).
Os funcionários da empresa Juiz de Fora, contratada pela Secretaria de Educação, decidiram parar com o trabalho por atraso no pagamento de sálarios e do vale-alimentação.
Com a situação, professores e alunos têm tentado manter os centros de ensino limpos. “Por mais que a gente peça, tentar manter limpo, com a quantidade de alunos, tem sido complicado”, disse a professora Alessandra Vieira.
A Secretaria de Educação informou que o repasse de verbas para a empresa está em dia. A empresa Juiz de Fora não quis comentar o assunto.
(Do G1)

Festival Interescolar de xadrez mobiliza estudantes do DF

A Secretaria de Educação (SEDF) promove, neste sábado, a partir das 8h30, o Festival Interescolar de Xadrez 2014, em parceria com a Mearas – Escola de Xadrez, no Colégio Leonardo da Vinci, localizado na Asa Norte. O evento foi planejado para ampliar o interesse pela modalidade entre os estudantes da Educação Básica das escolas públicas e particulares do DF.
O objetivo é promover um campeonato que seja ponto de encontro entre os praticantes de xadrez, como também um espaço de socialização, no qual o respeito ao próximo é a regra principal. O número de inscritos superou a expectativa, que alcançou a marca de 950 participantes. Todos os alunos receberão troféu de participação, e os vencedores por categoria ganharão mais um troféu diferenciado.
O Festival Interescolar faz parte das ações do Projeto Xadrez nas Escolas, lançado em fevereiro de 2013 pelo governador Agnelo Queiroz e a Secretaria de Educação. O projeto foi implantado nos ensinos Infantil, Fundamental, Médio e Integral. Para inserir a iniciativa nas escolas, a SEDF adquiriu 12 mil kits de xadrez. Além disso, 200 professores receberam formação para ensinar os alunos.
Segundo o secretário de Educação, Marcelo Aguiar, o xadrez é uma atividade lúdica e instrumento pedagógico. “Estudos comprovam que essa prática traz melhores rendimentos e concentração dos estudantes, desenvolve o raciocínio lógico e contribui para o desenvolvimento educacional e intelectual”.
O coordenador do Projeto Xadrez nas Escolas, Solon Pereira, ressaltou que esse jogo de tabuleiro pode despertar nos alunos valores educacionais e senso cognitivo. “Essa prática colabora com a construção dos quatro saberes necessários para o desenvolvimento: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”, afirmou.
SERVIÇO:
Dia: Sábado (17)
Local: Colégio Leonardo da Vinci
Endereço: SGAN 914 – Conjunto I – Asa Norte – Brasília/DF
Horário do evento: das 8h30 às 18h
Horário das categorias:
– Sub 7; sub 9 e sub 18 – das 8h30 às 12h30;
– Sub 11, sub 14 – das 14h às 18h
Informações no site: bit.ly/fix2014
Contato: 3901-6740 / 8168-4530
(Da Agência Brasília)

Um em cada quatro professores de escolas públicas brasileiras é temporário, diz Ipea

Um quarto dos docentes que dão aulas em escolas de educação básica mantém contratos temporários com o poder público ou são terceirizados. São mais de 450 mil professores de um total de 1,8 milhão de profissionais que lecionam em unidades públicas. Quando analisado apenas o ensino médio das redes estaduais brasileiras, os temporários representam 30% do total de professores. Em algumas disciplinas, como química e física, eles preenchem 40% das funções docentes.
Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou agora em maio um estudo sobre os desafios do magistério da educação básica no Brasil. Para o Ipea, a precarização dos contratos de trabalho na rede pública é considerado o “problema mais proeminente” do sistema educacional brasileiro. Os professores que não são efetivos chegam a receber menos, possuem pouca segurança jurídica como empregado, devem se desvincular das redes em determinado momento e não têm direitos, como por exemplo, à assistência médica, concedida aos servidores efetivos.
“Vínculos dessa natureza são admitidos para suprir carências pontuais decorrentes de afastamentos temporários de docentes efetivos. As redes públicas os têm utilizado, contudo, como maneira de postergar a contratação de professores efetivos”, afirmam os autores do estudo, liderado por Paulo Nascimento, técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea.
De acordo com José Fernandes de Lima, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) – órgão consultor do Ministério da Educação (MEC), a recomendação repassada para as secretarias é que o porcentual de professores temporários não ultrapasse 10% do número total de docentes das redes de ensino. “Não tenha dúvida que é muito ruim e preocupante porcentuais superiores a esse. Ultrapassar esse nível tem reflexos direitos no nível de
qualidade da educação que é oferecida aos alunos”, afirma Lima.
Recentemente, o país figurou na posição 38 de um total de 40 países em um ranking internacional de educação, o The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês). O estudo, publicado semana passada, foi realizado pela The Economist Intelligence Unit e Pearson Internacional. O levantamento se baseou no cruzamento de dados de uma série de outros indicadores produzidos por instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse, existem duas principais razões para as redes de ensino terem tantos professores temporários. “Uma delas é a baixa atratividade da carreira docente: falta professores interessados em ir para as salas de aula. Além disso, esses números são resultado de uma falha administrativa grave dos governos que não planejam adequadamente a realização de concursos públicos”, diz Alavarse.
Ainda segundo o especialista, a situação ainda tem reflexos diretos na educação do país. “A própria imagem da profissão fica prejudicada, parece que os profissionais fazem bico. Os temporários também prejudicam o planejamento dos gestores e, claro, deixam de criar vínculos com os alunos que estão em processo de aprendizagem”, fala o professor da USP.
Tamanho do desafio
Todo esse panorama se torna ainda mais preocupante quando observada a dimensão da rede pública de ensino no país. Ela concentra mais de 80% do total de matrículas em educação básica do Brasil. São mais de 50 milhões de estudantes de escolas municipais, estaduais e federais, de acordo com informações do Censo da Educação Básica de 2013 publicadas pelo MEC no início deste ano. As particulares detém apenas 17% das matrículas nesse nível de ensino.
“Além dos professores efetivos já conviveram com uma realidade de baixos salários e violência escolar, a situação do temporário é ainda pior. Ele não tem segurança nenhuma”, diz Silvio Martins, vice-presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) – um dos sindicatos de docentes do Estado de São Paulo, que tem a maior rede de ensino do país. Segundo ele, tal situação torna a profissão ainda menos atrativa para o bom professor.
“O contrato é anual. E depois ele tem que ficar em quarentena antes de assumir novamente a função para não criar vínculos empregatícios. Não tem como atrair os melhores profissionais com um regime de trabalho como esse”, afirma Martins.
Consultado sobre a postura que deveria assumir junto às redes de ensino diante desse quadro, o MEC informou que o assunto compete às próprias secretarias municipais e estaduais de ensino.
(Do IG)

Sindicalistas defendem incorporação do vale-cultura nos acordos coletivos

Centrais sindicais defenderam a incorporação do vale-cultura nos acordos coletivos de trabalho, em seminário da Comissão de Cultura que ocorre neste momento. Criado pela Lei 12.761/12, o vale-cultura é um benefício no valor mensal de R$ 50 que pode ser oferecido pelas empresas aos trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos. Ele pode ser usado para pagar entradas e ingressos de teatro, cinema, museus, shows de música, e para comprar livros e revistas.
O dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Benedito Augusto de Oliveira, disse que a central apoia o vale-cultura. Segundo ele, os bancários já incorporaram o benefício no acordo coletivo de trabalho, e a CUT estimula a medida em outros acordos. Ele acredita que o vale-cultura pode interiorizar o consumo dos bens culturais, que hoje estão mais acessíveis nas capitais e em grandes cidades.
O presidente da União Geral dos Trabalhadores e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, também defendeu que todos os trabalhadores tenham acesso à cultura e disse que pessoalmente defende a incorporação do vale-cultura na convenção coletiva. Porém, segundo ele, este ano o sindicato dos comerciários, que tem 600 funcionários filiados, não aprovou esta incorporação.
Já o representante da Confederação Nacional de Serviço (CNS), João Adilberto Xavier, disse que a confederação vai estimular os sindicatos patronais a incorporarem o vale-cultura. Porém, ressaltou que isso não é uma decisão da confederação, e sim uma negociação entre os empresários e os trabalhadores.
A presidente da Comissão de Cultura, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), salientou que a CNS foi a única confederação patronal que aceitou o convite para participar do seminário, proposto por ela. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação Nacional do Comércio foram convidadas, mas não compareceram.
Segundo Alice Portugal, um dos objetivos do debate é justamente a popularização do vale-cultura. Para ela, ter acesso aos bens culturais é um dos principais fatores de desenvolvimento do País. “O vale-cultura é o primeiro passo para promover a cultura como manifestação social e para garantir o acesso a essas manifestações pelo brasileiro”, disse.
Fonte: Agência Câmara

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