Opinião: os problemas da educação no Brasil

Quando se pergunta à população brasileira, em uma pesquisa de opinião, qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação. Os entrevistados costumam apontar que o sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os jovens para a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritméticos de operações básicas, conhecimento elementar de física e química, e outros fornecidos pelas escolas fundamentais.
Esses conhecimentos são testados em pesquisas internacionais como o PISA (Programme for International Student Assessment) da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e coordenado no Brasil pelo INEP – Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
No PISA os países asiáticos estão apresentando os melhores resultados, possivelmente diante do valor atribuído à educação por influência de nomes como o filósofo Confúcio, que não se restringe ao conhecimento formal, enquanto o Brasil não apresenta resultados satisfatórios.
Certa vez, participava de uma reunião de pais e professores em uma escola privada brasileira de destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores, salas de aula com poucos alunos, mas não se sentiam responsáveis para participarem ativamente das atividades educacionais, inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não conseguiam entender que esta aritmética não fecha e que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece difícil que consigam transmitir aos seus filhos o mínimo de educação.
Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais.
Que esta educação seja prioritária e ajude a resolver os outros problemas de uma sociedade como a brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades. Ela começa com os próprios pais, que não podem simplesmente terceirizar esta responsabilidade.
Para que haja uma mudança neste quadro é preciso que a sociedade como um todo esteja convencida que todos precisam contribuir para tanto, inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais.
Sobre a educação formal, aquela que pode ser conseguida nos muitos cursos que estão se tornando disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se convencendo que eles ajudam na sua ascensão social, mesmo sendo precários. O número daqueles que trabalham para obter o seu sustento e ajudar a sua família, e ao mesmo tempo se dispõe a fazer um sacrifício adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar aumentando.
A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta. É tratada como prioridade tanto no governo como em instituições representativas das empresas. O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho.
Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua distribuição de renda. Mas, para que este processo de melhoria do bem estar da população seja sustentável, há que se conseguir um aumento da produtividade do trabalho, que permita também o aumento da parcela da renda destinada à poupança, que vai sustentar os investimentos indispensáveis.
A população que deseja melhores serviços das autoridades precisa ter a consciência de que uma boa educação, não necessariamente formal, é fundamental para atender melhor as suas aspirações.
Por Paulo Yokota
(Da Carta Capital)

Programa do DF seleciona alunos e servidores para intercâmbio

Um grupo de 140 servidores do Distrito Federal e de estudantes dos Centros Interescolares de Línguas, da Secretaria de Educação, passarão um mês em intercâmbio no exterior. Eles foram selecionados no Programa Brasília Sem Fronteiras. Os 40 estudantes embarcam no próximo sábado, dia 17, para os Estados Unidos. O restante do grupo irá para a Áustria e Holanda.
Um dos selecionados é o estudante Matheus Rocha, que tem aulas de inglês há cinco anos no centro do Guará. “Vou ver se eu estou falando bem mesmo. Também quero aprender o máximo possível com as palestras e aulas. E  conhecer vários lugares, vamos ao Grand Canyon e o Vale do Silício”.
O programa é custeado pelo governo do Distrito Federal. Os participantes precisam passar por um processo seletivo público, que inclui avaliação de língua estrangeira, português, matemática, história e conhecimentos gerais. Podem se inscrever estudantes de 16 a 19 anos dos centros Interescolares de Línguas, servidores distritais com nível superior completo, universitários e alunos com idades entre 14 e 17 anos do segundo ano do ensino médio de escolas públicas.
No domingo, 13 mil estudantes e servidores vão fazer prova para tentar vagas no Brasília Sem Fronteiras. No total, 950 devem ser selecionados.
(Do Terra)

Currículo da escola básica pode incluir cinema e teatro no ensino de artes

As artes visuais e audiovisuais, o cinema, especialmente, assim como as artes cênicas, podem ganhar apoio legal para uma atenção maior nas escolas brasileiras. Substitutivo da Câmara dos deputados a projeto do Senado (PLS 185/2008) aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), nesta terça-feira (13), inclui essas expressões artísticas entre as áreas que devem ser contempladas no ensino de artes na educação básica.
O projeto original, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas do ensino básico. A proposta indicava a exibição de pelo menos duas horas mensais de obras brasileiras para os estudantes. Com esse formato, o projeto foi aprovado em maio de 2010 pela CE, em decisão terminativa.
Na Câmara, no entanto, a proposta foi modificada e em razão das alterações voltou para reexame no Senado. Os deputados retiraram a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais, optando por indicar quais expressões artísticas devem ser incluídos nos conteúdos do ensino de arte.
Entre outras manifestações, a lista incluiu o ensino de música; das artes cênicas; das artes visuais e audiovisuais e do design; e do patrimônio artístico, arquitetônico e cultural. Para contemplar o espírito inicial do projeto, foi ainda inserido um parágrafo determinando que seja dada preferência — sem obrigatoriedade — à exibição e à análise de filmes nacionais quando ocorrer o estudo de audiovisual.
O relator, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), pediu a aprovação da matéria no formato adotado pela Câmara. Agora o texto seguirá a Plenário, para decisão final. Se aprovado, será remetido para sanção presidencial.
(Da Agência Senado)

Câmara Legislativa aprova projeto que cria a carreira socioeducativa do GDF

Os deputados distritais aprovaram nessa terça-feira (13), em primeiro e segundo turnos, o Projeto de Lei nº 1.851/2014, que cria a carreira socioeducativa no quadro de pessoal do GDF. A proposta, de autoria do Executivo, provocou ampla discussão na Câmara Legislativa, já que a nova categoria fazia parte da carreira de assistência social, em sua maioria contrária à separação.
Para tentar contemplar os interesses dos dois grupos, o GDF enviou à CLDF o PL nº 1.901/2014, também aprovado ontem, que modifica a carreira pública de assistência social e estabelece a criação de um comitê gestor de política de assistência social. Ambas as propostas seguem para a sanção do governador.
A carreira socioeducativa foi criada por meio de um substituto, apresentado pelos deputados Arlete Sampaio (PT), Celina Leão (PDT), Wasny de Roure (PT), Eliana Pedrosa (PPS) e Washington Mesquita (PTB) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
A carreira socioeducativa será dividida em quatro categorias: especialistas (500 vagas), atendentes de reintegração (1.500 vagas), técnicos (700 vagas) e auxiliares (145 vagas).
RESTRIÇÕES LEGAIS – O projeto da carreira de assistência social (PL 1.901/2014) não traz ganhos financeiros, devido às restrições legais do período eleitoral, mas traz a criação de um comitê gestor de política de assistência social, reivindicação antiga da categoria. De acordo com a líder do governo, há o compromisso do GDF de que haverá uma revisão do plano de carreira dos servidores após as eleições.
A secretária da Criança, Eliane Cruz, afirmou que o projeto é uma ação pioneira do governador e gera melhores condições de funcionamento do sistema socioeducativo do Distrito Federal.
(Da Agência Brasília)

BA: Federal prende políticos por desvios de R$ 30 milhões da educação

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (14) 18 pessoas, entre ex-prefeitos, vereadores, secretários municipais e funcionários públicos baianos, acusadas de participar de um esquema de desvio de recursos públicos destinados principalmente à educação. No total, a Justiça Federal determinou a prisão temporária de 29 pessoas. Entre elas estão os atuais prefeitos de Fátima, José Idelfonso Borges dos Santos, e de Sítio do Quinto, Cleigivaldo Carvalho Santarosa, que ainda não foram localizados.
Além de Fátima e Sítio do Quinto, foram constatadas irregularidades nos municípios de Heliópolis, Ipecaetá, Aramari, Banzaê, Ribeira do Pombal, Água Fria, Novo Triunfo, Itiruçu, Ourolândia, Santa Brígida, Paripiranga, Itanagra, Quijingue, Sátiro Dias, Coração de Maria, Cícero Dantas, Lamarão e São Francisco do Conde. A maioria dos mandados, contudo, devem ser cumpridos em Fátima, a cerca de 340 quilômetros da capital baiana, Salvador, onde funcionários da prefeitura confirmaram a prisão do secretário de Finanças, José Roberto Oliveira do Nascimento.
As investigações policiais indicam que, ao longo de pelo menos uma década, funcionários públicos e empresários desviaram pelo menos R$ 30 milhões das 20 cidades baianas. Os recursos eram desviados do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Edução (Fundeb), entre outros programas federais, estaduais e municipais. O grupo utilizava empresas de fachada e laranjas contratados para realizar serviços de engenharia, de transporte escolar e eventos sociais.
Deflagrada hoje, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e da Previdência Social, a Operação 13 de Maio ocorre simultaneamente em 26 municípios baianos, além de Aracaju e Brasília. Quatrocentos policiais federais, 45 servidores da CGU e 45 da Receita Federal participam da ação. Devem ser cumpridos 29 mandados de prisão temporária e 83 de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, que também determinou o afastamento cautelar de sete pessoas de qualquer função pública.

Os envolvidos responderão pelos crimes de responsabilidade, mau uso de recursos públicos, lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa, uso de documento falso e crimes previstos na Lei de Licitações.

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Fonte: Agência Brasil
 

Currículo da escola básica pode incluir cinema nacional no ensino de artes

As artes visuais, audiovisuais, especialmente o cinema, assim como o design, podem ganhar apoio legal para uma atenção maior nas escolas brasileiras. Substitutivo da Câmara dos deputados a projeto do Senado (PLS 185/2008) aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), nesta terça-feira (13), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para incluir essas expressões artísticas entre as áreas que devem ser contempladas no ensino de artes na educação básica.
O projeto original, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), obrigava a exibição de filmes de produção nacional nas escolas do ensino básico. A proposta indicava a exibição de pelo menos duas horas mensais de obras brasileiras aos estudantes. Com esse formato, o projeto foi aprovado em maio de 2010 pela CE, em decisão terminativa.
Na Câmara, no entanto, a proposta foi modificada e em razão das alterações voltou para reexame no Senado. Os deputados retiraram a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais, optando por indicar quais expressões artísticas devem ser incluídos nos conteúdos do ensino de arte. Entre outras manifestações, a lista incluiu o ensino de artes visuais, audiovisuais e design.
Para contemplar o espírito inicial do projeto, foi ainda inserido um artigo que indica a preferência — sem obrigatoriedade — à exibição e à análise de filmes nacionais quando ocorrer o estudo de audiovisual.
O relator, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), pediu a aprovação da matéria exatamente no formato adotado pela Câmara. Agora o texto seguirá a Plenário, para decisão final. Se aprovado, será remetido para sanção presidencial.
Fonte: Agência Senado

Artigo: méritos e contradições do PNE que vai a voto na Câmara

É imprescindível que na quarta-feira, dia 14 de maio, seja iniciada a votação final doPlano Nacional de Educação (PNE – Projeto de Lei 8035/2010) no plenário da Câmara dos Deputados. O texto que irá a voto foi apreciado pela Comissão Especial dedicada a analisar a matéria. Se os acordos forem cumpridos, o texto do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) será mantido na relatoria.
Na quarta-feira o PNE terá completado 1.241 dias de tramitação, contabilizado seu registro na Câmara dos Deputados, em 20 de dezembro de 2010. O plano foi encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional em 15 de dezembro daquele ano, nos últimos dias do segundo mandato do presidente Lula.
A proposta que será analisada pelos 513 deputados e deputadas federais é extensa e bem melhor do que o projeto inicial elaborado pelo Ministério da Educação. Contudo, possui problemas e contradições.
Em termos de acertos, ficou comprovada a necessidade de investimento equivalente a 10% do PIB em educação pública, a ser alcançado até o décimo ano do PNE. Há bons mecanismos de controle social estabelecidos. Além disso, o país terá que construir e implementar o Sinaeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), superando a incompleta política de avaliação educacional em vigor, exclusivamente centrada nos testes padronizados de aprendizagem.
Ademais, para evitar o histórico e absurdo movimento inercial de expansão de matrículas no Brasil, sempre dissociado de padrão de qualidade, o PNE exige a implementação do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial), referente a um padrão mínimo de qualidade do ensino, ainda tão distante de ser materializado em todo o território nacional. Para tanto, está prevista a participação da União (Governo Federal).
E se essas conquistas são importantes, a mais decisiva será a equiparação salarial da média de remuneração dos professores com a média dos demais profissionais do serviço público. O projeto original propunha, apenas, aproximar a média de remuneração, sem determinar em que medida isso se daria. A sociedade civil exigiu a equalização da média salarial, inclusive, como uma determinação de justiça. Saiu-se vencedora.
Se há muitos méritos no texto do PNE que vai a voto, graças à incidência da comunidade educacional que soube convencer os parlamentares até aqui, há alguns problemas graves a serem corrigidos em plenário.

Lista de problemas

O primeiro é a contabilização de parcerias público-privadas na meta dos 10% do PIB para a educação pública. O Estado brasileiro, por uma história de omissão, necessita hoje das matrículas ofertadas por creches e pré-escolas conveniadas, além das vagas em estabelecimentos de ensino técnico e superior privados. Contudo, é preciso deixar claro: todas essas matrículas não são públicas.
Embora alguns setores fiquem contrariados com o fato, público é sinônimo de estatal no Brasil por muitos motivos. O mais relevante é que as entidades privadas firmam parceria com o poder público, o que inclui a segurança do pagamento estatal, mas não aceitam se submeter ao controle social e às mesmas regras impostas aos equipamentos de educação infantil, ensino técnico e superior mantidos pelos governos. Aceitam os recursos, mas recusam as obrigações. Inexplicavelmente, isso tem sido aceito pelo poder público e pela sociedade brasileira.
Há ainda questões técnicas. O Fies é empréstimo, não pode ser contabilizado como custo equivalente a manutenção de matrículas, pois é esperado que o dinheiro emprestado retorne aos cofres públicos. O Prouni é renúncia fiscal, também não é correto que seja contabilizado, pois é um dinheiro que deixou de ser arrecadado, não investido.
Outra contradição foi a reinserção na Comissão Especial da estratégia 7.36, que estimula a remuneração de professores por resultados. Essa política salarial tem sido revogada ao redor do mundo. Os países anglo-saxões, idealizadores da medida, já perceberam que a razão mercantil é distinta da razão pedagógica, ou seja, aquilo que funciona para a produtividade empresarial não dá certo para o ensino e a aprendizagem em sala de aula.
Aos poucos, o mundo ocidental percebe que o segredo é seguir os escandinavos: o magistério exige uma boa política de carreira, iniciada por uma boa remuneração inicial e animada pela formação continuada, além das boas condições de trabalho aos profissionais da educação.
Por último, o fundamentalismo religioso não permitiu que o PNE se dedicasse, prioritariamente, ao combate às discriminações racial, de gênero e de orientação sexual, sem desconsiderar as demais. Andando pelo Brasil, percebo que a onda conservadora (no âmbito moral) está virando um tsunami. O texto do PNE é mais vítima desse fenômeno.
Há outros equívocos no PNE, mas os três que citei podem ser corrigidos no plenário, por meio de destaques. No caso dos demais, não há mais o que fazer no âmbito do Parlamento. É o caso, por exemplo, da equivocada redação da Meta 4, que trata da educação especial (primordialmente, para pessoas com deficiência), mas não na abordagem da educação inclusiva.
O PNE que irá para sanção não será perfeito, mas a sociedade civil e os parlamentares não podem abdicar de deixá-lo o melhor possível para a consagração do direito à educação. Em um ano eleitoral, aprimorar o PNE no plenário será uma operação difícil, mas insistir é necessário.
Por Daniel Cara.

Travestis e transexuais poderão usar nome social no Enem

O travesti ou transexual que se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 poderá ser identificado pelo nome social nos dias e locais de realização das provas. Para isso, é preciso fazer o pedido pelo telefone 0800-616161, até o final do período de inscrição. A informação está no site do Enem elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
No momento de fazer a inscrição, na internet, o nome a ser usado pelo travesti ou transexual é o que consta no documento de identidade, de acordo com a assessoria de imprensa do Inep. As inscrições começaram hoje (12) e se encerram no dia 23 deste mês, no site do Inep. O valor da taxa de inscrição é R$ 35 e pode ser pago até o dia 28 de maio. Estudantes da rede pública e pessoas com renda familiar até 1,5 salário mínimo ficam isentos do pagamento. As provas estão marcadas para os dias 8 e 9 de novembro.
edital do Enem com as informações completas sobre o exame está no site do Inep. O edital pode ser acessado em formato de leitura compatível com o Dosvox, sistema criado para pessoas com deficiência visual, e em vídeo na Língua Brasileira de Sinais (Libras), para quem tem limitação auditiva.
A expectativa do Ministério da Educação é que 8,2 milhões de pessoas se inscrevam. Nesta edição do Enem, detectores de metais estarão disponíveis nos locais de prova para reforçar a segurança.
A nota do Enem pode ser usada para concorrer à vagas em instituições públicas de ensino superior, em cursos técnicos e a bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. É também pré-requisito para firmar contratos por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e para a obter bolsas de intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras.
Os estudantes maiores de 18 anos que ainda não obtiveram a certificação do ensino médio podem fazer o Enem com essa finalidade. Eles devem pedir, no ato da inscrição, que o resultado do exame seja usado para obter a certificação.
Para se preparar para o Enem, o aluno pode acessar o aplicativo questoesenem.ebc.com.br. O banco de questões da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) reúne itens de 2009 a 2013 para o estudante treinar para exame. O acesso é gratuito.
(Da EBC)

Mulheres denunciam violência de gênero crescente em todo o país

A multiplicação dos atos de violência de todo tipo contra a mulher foi o eixo central das denúncias apresentadas em Recife/PE, nos dias 4 e 5 de maio, no 1º Encontro Nacional de Mulheres promovido pelo Movimento Olga Benário.
O Encontro, realizado na Escola Técnica Estadual Profº Agamenon Magalhães/ETEPAM,  reuniu cerca de 300 mulheres de todo o país, vindas do campo e da cidade, de 13 Estados. No final dos debates, foi divulgada a Carta de Recife, que segue abaixo na íntegra:
CARTA DE RECIFE
“Reunidas na cidade de Recife, mulheres representadas por 13 estados brasileiros nos dias 03 e 04 de maio de 2014, analisaram a situação de exploração e opressão em que vive as mulheres.
Identificamos que a crise do sistema capitalista aprofunda as desigualdades da sociedade de uma forma geral e das mulheres de forma particular. Constatamos o aumento da diferença salarial entre homens e mulheres, aumento dos casos de abuso, estupros e feminicídios.
Encaramos os tristes dados de que mais de meio milhão de mulheres são estupradas todos os anos. Uma mulher é agredida a cada 15 segundos e cada hora e meia uma mulher é assassinada em nosso país. Essa violência é fortalecida pelos grandes meios de comunicação que resume o corpo da mulher como uma mera mercadoria.
Neste ano, de forma especial, as mulheres serão submetidas à políticas de graves violações de direitos em decorrências da realização da Copa da Fifa. Nós somos as principais atingidas pelas truculentas remoções para construção de obras e seremos submetidas a um cenário propício ao aumento significativo da exploração sexual de mulheres e meninas. Os recursos destinados à realização dos megaeventos estão sendo desviados de áreas essenciais para a melhoria da situação de vida das mulheres como saúde, habitação e educação.
As mulheres negras, além do combate diuturno ao machismo e opressão de gênero, ainda enfrentam o racismo, que tem raízes profundas na sociedade capitalista brasileira. Debater e organizar as mulheres negras contra a violência racial será também uma de nossas bandeiras.
No marco dos 50 anos do golpe militar no Brasil, onde milhares de mulheres foram perseguidas, presas, torturadas e assassinadas e muitas ainda continuam desaparecidas, fortalecemos a importância da organização e do protagonismo das mulheres na luta pela transformação da sociedade.
Por isso, o 1º Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário reafirma seu compromisso com o combate a todas as formas de violência contra as mulheres, por salário igual para trabalho igual, por creches, restaurantes e lavanderias públicas, pelo fim da exploração sexual das mulheres, pela descriminalização e legalização do aborto, pelo fim da mercantilização das mulheres e também pelo fim do racismo.
Avaliamos que a sociedade capitalista, patriarcal, racista, homofóbica, lesbofóbica e machista nos impede de vivermos plenamente como mulher. Desta maneira, a luta contra esse sistema explorador e opressor é fundamental para conquistarmos a nossa verdadeira emancipação. Somente em uma sociedade nova seremos tratadas com igualdade e respeito. Essa sociedade tem nome, chama-se sociedade socialista e por ela lutamos!”

Fonte: Carta Maior

Depoimento: uma poeira entre problemas

“Em 2012 entrei pela primeira vez em uma escola para lecionar e foi bem desafiador, pois estudei nessa escola. Foi lá que conheci grandes amigos e alguns professores que me inspiraram a ser o que eu me tornei hoje. Mas também foi nessa escola que passei grandes crises em função da minha sexualidade. A adolescência é um período difícil para jovens, ainda mais jovem e gay.
O ano de 2012 foi um dos melhores da minha vida porque comecei a me identificar com a profissão. Estava saindo da faculdade e tinha receio de conhecer o espaço educacional. Mas mesmo as muitas opiniões desmotivadoras e o consenso em torno da desvalorização da profissão não me impediram de tentar: eu fui lá e estou tentando e descobrindo o que é ser um educador até o presente momento.
Minha primeira impressão acerca do contexto em que eu me encontrava era a de que tudo estava errado e de que eu era uma poeira em meio a tantos problemas sociais que convergem no ambiente escolar. As políticas públicas em torno da educação são mínimas: não existe resgate histórico, não existe diversidade social, não existem projetos relacionados ao plano de carreira do professor. Os recursos para a infraestrutura são escassos, muitas vezes os professores retiram dinheiro do próprio bolso para ajudar.
Eu posso contar nos meus dedos os professores que passam algo positivo, que te encorajam e que se disponibilizam para te ajudar. A escola não é apenas tecnicista e alienante para seus alunos, é para os professores também. O modelo que vem sendo adotado em relação à nossa carreira só gera um desconforto entre a própria classe. Somos divididos em categorias, precisamos de muitas aulas para receber um salário digno de nosso esforço – então não importa, o outro é meu colega até a hora de atribuir aulas. Recebemos aumento em função de uma prova para checar nossos conhecimentos, além de um bônus que todos esperam em março. Uns recebem, outros não, depende dos indicadores em relação à prova Saresp, e a escola nunca pode baixar se alcançar um determinado índice.
Muitas vezes não sou reconhecido pelo que faço, pelos meus dirigentes, pela minha família e por poucos educandos. Educação é sociedade, e sociedade é transformação, pluralidade, contradição, lutas de poder, portanto, não adianta querer que tudo mude de um dia para o outro. Às vezes não conseguimos nem dialogar quando nos reunimos. Seria bom se passássemos a ter mais união, a não cair nas pegadinhas dos políticos, de culpar aluno, família ou de nos culparmos, principalmente.
Na primeira escola onde eu lecionei criei um vínculo afetivo muito grande com as pessoas de lá. Sempre percebi muito empenho por parte do corpo de funcionários da escola e fizemos muito com o pouco que tínhamos.
No ano de 2013 recebemos um diretor muito motivador que modificou a escola completamente. Conseguimos, por meio de rifas, arrecadação para reformar uma sala de vídeo, compramos cadeiras estofadas, cortinas e um som com amplificadores da melhor qualidade para ver filmes e documentários. O grêmio estudantil se renovou, porque a direção e parte dos professores reconheciam o valor que o grupo representava para a escola – era o exercício da democracia e cidadania acontecendo ali. Esse diretor mudou minha vida também, renovou minha esperança no ensino.
Minha experiência com os alunos dessa escola foi a mais positiva até hoje. Era uma escola central e atendia alunos de todos os cantos da cidade. Da periferia ao centro, eram esses alunos que compunham minhas turmas de ensino médio. Demorei uns meses pra me acostumar com o pessoal, mas aos poucos fomos construindo uma história de compreensão, diálogo, brincadeiras e confiança. Creio que ser jovem contribuiu muito, pois me via como parte deles, com sonhos, medos e esperando um futuro muitas vezes incerto. Sentir-se parte de algo e se identificar é muito importante para que exista uma troca, no entanto, eu entendo perfeitamente aqueles professores que estão há tempos desgastados com o trabalho, e, dessa forma, não se encontram onde trabalham. Mas há outros também que procuram valorizar o dia a dia e o que se pode tirar desse contexto difícil. Esses são os meus heróis.
Um problema muito triste e que eu percebo ser ignorado é a questão do preconceito nas escolas. No cotidiano do ambiente escolar é difícil perceber por parte dos professores determinada atitude, mas nas reuniões que estão no calendário escolar é muito comum ouvir palavras pejorativas que depreciam a identidade de muitos educandos em relação à sua sexualidade e cor. Na condição de educadores, atitudes como essas deveriam ser levadas a sério e problematizadas. Nós temos de ter subsídios para desnaturalizar e superar essas ideias que estigmatizam e inferiorizam o outro.
Como professor, homossexual, de origem humilde, a minha vida é uma luta. Todo dia eu procuro não deixar que essas atitudes afetem o meu desempenho como profissional porque sei que é assim em todos os lugares. Mas a escola tem de acolher as diferenças e mostrar que todos somos cidadãos com direitos, independentemente de nossa origem, credo religioso ou orientação sexual. Somos seres humanos e nossa beleza está na diversidade de mundos.
Ainda há muito que mudar, ainda há chão pra superar todos esses problemas. Ainda quero viver para não ver uma cruz sempre reinando nas paredes das instituições públicas, ainda quero presenciar professores se importando com o bem-estar dos alunos, reconhecendo a etnia e a cultura do outro, percebendo que todos nós temos sangue negro, e isso é um orgulho.
Um dos grandes desafios de nossa carreira é abraçar essa diversidade que se apresenta na escola, é reinventar, dinamizar e perceber que lecionar é mais criativo que planejar, pois não nos moldamos a uma escola, e sim reinventamos nosso trabalho a cada contexto. É não deixar que os mecanismos de dominação e aparelhos do Estado recaiam sobre nossa perspectiva docente, de transformação e de respeito. É compreender que antes de pensarmos no sistema como um todo, temos de começar observando nossa própria realidade, nossas vivências, o outro que convive conosco, e assim aos poucos, veremos que não somos tão diferentes, que somos um grupo de professores que estão lutando, que transformam vidas, que fazem muito com pouco, que sofrem juntos. Somos uma classe e temos de ter consciência dela!”
João Vitor é professor de sociologia na rede estadual de São Paulo

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