PNE: relator recua e retoma texto da Câmara sobre discriminação na escola
Jornalista: sindicato
O relator do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), decidiu, nesta quarta-feira (2), retomar o texto do inciso que havia sido aprovado na Câmara, segundo o qual uma das diretrizes do PNE é a “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”.
O texto apresentado no relatório anterior, criticado por alguns parlamentares, destacava como uma das metas do plano a “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual e na erradicação de todas as formas de discriminação”.
O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) defendeu o texto do substitutivo do relator. Ele destacou que todas as pessoas têm de ser contempladas no texto do PNE. “Está claro na Constituição que existem discriminações de raça e sexo. É fundamental que o relatório desconstrua essa realidade.”
Ao fazer referência à discriminação de gênero e destacando que o Brasil é um país laico, Wyllys disse ser “curiosa essa preocupação de fundamentalistas das religiões cristãs”. “Existem pessoas fundamentalistas que querem influenciar a votação, retirando a identidade de gênero no PNE, mas essas mesmas pessoas não atacam o abuso sexual praticados por religiosos”, afirmou. “Esses indíviduos levantaram faixas ofensivas à dignidade humana. No estado laico e democrático de direito, dogmas não devem afetar políticas públicas”, declarou.
Fonte: Agência Câmara
Candidato já pode ver correção de redação do Enem 2013
Jornalista: sindicato
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) colocou à disposição nesta quarta-feira (2) os espelhos com as correções das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Para acessar o resultado, o candidato precisa entrar na página do Inep e inserir a senha e o número do CPF. O acesso tem apenas caráter pedagógico, pois os alunos não podem mais recorrer para alterar a nota da prova. A redação do ano passado teve como tema “Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”.
Ao todo, foram corrigidos 5.049.248 textos. Desses, 481 obtiveram nota mil, a pontuação máxima. Outras 32.991 redações foram deixadas em branco e 73.751, anuladas, totalizando 106.742 com nota zero.
Segundo o Inep, 48,9% dos textos tiveram com nota igual ou abaixo de 500 pontos, considerada a pontuação média. A maior concentração (27,9%) ficou na faixa de 501 a 600 pontos. Menos de 1% conseguiu mais de 900 pontos.
A principal novidade no Enem 2013 é exatamente sobre os critérios de correção da redação. Desvios gramaticais ou de convenções de escrita só foram aceitos como exceção quando não apresentaram reincidência. Além disso, receberam nota zero 1.398 redações (0,028% do total) que apresentaram parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto. Em 2012, candidatos conseguiram nota mesmo quando inseriram no meio do texto uma receita de miojo ou o hino do Palmeiras.
No espelho da correção, o candidato pode saber qual foi o resultado em cada uma das cinco competências avaliadas e comparar seu desempenho com o dos demais. A prova exige a produção de um texto do tipo dissertativo-argumentativo. Isso significa defender uma ideia, expor a opinião e argumentar.
As competências exigidas na redação do Enem são:
1) Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
2) Compreender a proposta da redação e aplicar conceitos das varias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
3) Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
4) Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
5) Elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Para essa edição, o Enem contou com 7.121 avaliadores. As redações foram avaliadas por dois corretores independentes, que atribuíram nota de zero a 200 pontos para cada competência. Uma terceira correção foi feita em caso de discrepância maior que 100 pontos na soma total (em 2012, a diferença deveria ser de 200 pontos) ou maior que 80 pontos em uma ou mais competências. Se a discrepância persistisse, a redação deveria ser encaminhada a uma banca especial, formada por três membros e responsável por atribuir a nota final.
Ao todo, foram encaminhadas 2.496.754 redações (50%) para um terceiro corretor. Já a banca de especialistas analisou 306.821 textos, correspondentes a 6% do total.
Fonte: G1
Mostra Nacional de Conselhos Escolares: inscrições prorrogadas
Jornalista: sindicato
Dia 15 de agosto é o novo prazo para participação na Mostra Nacional de Conselhos Escolares: queremos um bom conselho. A experiência deve ser relatada em texto que conte histórias verdadeiras vivenciadas pelo conselho escolar, em formato prosa. Qualquer conselho escolar das redes públicas de Educação Básica pode participar.
Para dar mais força à história, o conselho pode enviar também documentos que comprovem a realização do trabalho, tornando evidente a sua qualidade e os seus resultados. Entre os documentos que podem ser enviados estão artigos e matérias publicados em jornais, revistas e na Internet, estatísticas que demonstrem melhoras nos indicadores educacionais de acesso, de permanência e de rendimento dos alunos envolvidos ou registro fotográfico ou em vídeo.
Saiba mais em http://conselhoescolar.mec.gov.br.
Durante uma semana, uma sala de aula foi reservada para outra função. O local abriga a exposição “O grito silencioso da mata”, do artista plástico e escritor Luiz Otávio. Esculturas e quadros, feitos com cascas e pedaços de madeira, e poemas retratam um pedido de socorro da natureza ante a devastação do ambiente. Como não é sempre que o colégio recebe uma exposição, a curiosidade dos alunos que ainda não tiveram a chance de apreciar o espaço só aumenta. Logo na porta, há um aviso de que é proibido fotografar. “Se não fosse assim, os estudantes colocariam fotos nas redes sociais ou mostrariam para os outros colegas. Queremos manter o mistério e a surpresa até a hora da visita”, explica a supervisora Alba Correa, 44 anos.
Ter uma mostra dentro da escola torna tudo especial. “Mesmo quando você leva alunos para um passeio, nem todos podem ir e é preciso pagar ônibus. Ter a exposição na escola é melhor: aproxima os alunos da arte e os faz se sentir valorizados. Todos estão eufóricos. Está sendo uma experiência fantástica”, comemora Alba. Para alguns dos 609 estudantes, da educação infantil ao 5° ano, esta é a primeira oportunidade de conhecer uma exposição. A atividade envolveu os 42 professores, os 38 funcionários, além de pais e familiares dos alunos. De segunda a quinta-feira, as turmas do colégio visitam a exposição. Amanhã, às 11h, a equipe da Embaixada da Alemanha ministrará uma palestra para os estudantes. A embaixada do pais germânico é parceira do projeto “O grito silencioso da mata”. Na próxima sexta-feira, pais e comunidade são convidados a voltar ao colégio para conferir.
Quando entram na sala de exposição, os alunos sentam para ouvir uma história. Com a ajuda de efeitos sonoros, como gravações do canto dos pássaros, o artista plástico Luiz Otávio relembra uma conversa marcante entre um lenhador e uma árvore. A planta dialoga com seu “assassino” e deixa uma mensagem por meio de um poema. A interação com as turmas é surpreendente: convidados a participar da produção das onomatopeias que representam o serrar ou o cair da árvore, os alunos não desgrudam os olhos e ficam encantados com o que veem e escutam. É assim que meninos e meninas absorvem mensagens sobre sustentabilidade social, que envolve amar, perdoar, agradecer, compreender, ter educação e ser feliz. “O cuidado com o meio ambiente começa em nós. O mundo precisa de pessoas felizes”, explica Luiz Otávio.
Alunos do 4° ano, Luize Isabelli do Nascimento, Thainá Moreira, Marcos Paulo Carreiro e Pedro Henrique Santiago, todos com 9 anos, viraram fãs de Luiz Otávio. “Eu gostei muito da exposição e dos poemas. Meu preferido foi o da árvore, o “Generosidade””, conta Luíze. Pedro Henrique animou toda a família para cuidar da natureza. “Minha avó e minha irmã vieram para a palestra na sexta-feira e gostaram muito. Aprendi que “O grito silencioso da mata” é uma história que ajuda a entender a importância de cuidar da natureza. Nós dependemos dela também”, diz.
Uma escola verde
Os 30 minutos de contemplação da mostra “O grito silencioso da mata” fazem parte de algo maior: o projeto pedagógico da escola. Para 2014, o tema é “Escola Classe 3, pelo planeta e pela vida”. O 10 bimestre tem o lema “Meio ambiente, meu ambiente, eu cuido”. O assunto é abordado em sala de aula por meio de filmes e do próprio conteúdo. As paredes do colégio são reflexo disso, pois estão adornadas com trabalhos dos estudantes sobre sustentabilidade. “A gente lançou essa ideia e todo mundo abraçou, desde o porteiro até a direção. É por isso que funciona”, conta a supervisora Alba. A diretora da instituição, Maria do Socorro Raposo, Socorro Raposo, 50 anos, percebe que a postura dos alunos mudou até nos detalhes. “Antes, víamos muito papel de balinha no chão, copos plásticos, restos de lanche… Agora, não temos mais isso. O projeto está surtindo efeito nas pequenas coisas, toda a comunidade se envolveu e esperamos que a sustentabilidade ultrapasse os muros da escola. A exposição veio para enriquecer esse trabalho”, constata. Os planos da escola não param por aí. Em abril, o aniversário de 54 anos de Brasília vai inspirar a reflexão sobre a sustentabilidade da cidade.
Não é de hoje que a Escola Classe 3 demonstra preocupação com o meio ambiente. Há 3 anos, o projeto “Eu catado?’ estimula uma gincana entre os alunos. Ganha a turma que mais catar garrafas Pet na rua. “Temos uma parceria com uma usina de o reciclagem que compra as garrafas. O dinheiro é revertido em o brinquedos para a turma ganhadora”, conta a diretora Maria do Socorro. O colégio também mantém uma horta que é cuidada pelos alunos durante todo ano.
(Do Correio Braziliense)
Mais dois colégios querem trocar nomes de presidentes militares na Bahia
Jornalista: sindicato
Pouco mais de um mês após o nome do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médicimudar para Carlos Marighella, mais duas instituições de ensino da rede estadual, em Salvador, iniciam procedimentos para a também substituição das denominações referentes a presidentes do regime militar no Brasil.
No bairro de Periperi, no subúrbio ferroviário, um projeto elaborado pelos professores de Ciências Humanas do Colégio Estadual Humberto Alencar Castelo Branco propõe que a unidade passe a ser chamada de “Madiba Nelson Mandela”. O plebiscito que pode definir a mudança será realizado no dia 30 de abril, a partir da votação de alunos, ex-alunos, professores, funcionários e moradores da comunidade.
Já no bairro da Ribeira, na região da Cidade Baixa, a direção do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva planeja esquematizar um projeto solicitando ao Estado a mudança da atual nome da escola. Dentre as opções levantadas pela direção, estão Santa Bernadette, como era chamado um covento que existia no local antes da criação da escola, além da beata Irmã Dulce e do pedagogo Paulo Freire. Castelo Branco
De acordo com Olívia Costa, diretora da unidade atualmente chamada de Colégio Estadual Humberto Alencar Castelo Branco, a ideia de mudança é antiga. Desde 28 de abril de 2011, quando foi convidada a assumir a direção da escola, ela conta que foi desafiada a mudar a imagem da instituição, “até então conhecida nas páginas policiais como o espaço da violência, do sexo explícito e do consumo de drogas”, diz.
Olívia conta que logo sugeriu uma mudança completa na unidade – desde a aparência estrutural até o nome da escola. Devido à ausência de um projeto definido e de maior consistência, a diretora conta que a ideia foi rejeitada pelos demais professores. No ano passado, entretanto, a diretora destaca que a unidade abraçou a questão.
Durante um evento de homenagem ao Dia do Samba, comemorado no dia 2 de dezembro, mas celebrado pela unidade, na ocasião, em 6 de dezembro, Olívia detalha que os alunos sinalizaram o desejo pela troca do nome. Em meio às comemorações, diz que os professores pediram um minuto de silêncio aos estudantes em saudação ao líder sul-africano Nelson Mandela, que havia morrido no dia anterior.
“Eles, realmente, atenderam ao minuto de silêncio. Ninguém precisou pedir que ficassem quietos, que parassem de conversar. Nada disso. Foi muito lindo. Depois, aproveitei o momento e sugeri aos alunos que adotássemos o nome dele [Mandela] na instituição. Os alunos enlouqueceram. Me arrepio só de lembrar”, ressalta.
Três dias depois, Olívia disse que apresentou a proposta ao colegiado e, em seguida, procurou a Secretaria de Educação de Estado (SEC), que disse que a unidade tinha autonomia para sugerir e realizar um plebiscito solicitando a mudança de denominação.
Deste modo, um debate geral, que deve contar para os alunos a história do presidente do regime militar no Brasil, Castelo Branco, como também a do líder sul-africano Nelson Mandela, está marcado para o dia 15 de abril. Quinze dias depois, a comunidade escolar e moradores do bairro irão opinar, por meio de votação, se concordam com a mudança.
A professora de história da instituição, Luci Vieira, disse que, até o momento, nenhuma outra opção foi proposta. Deste modo, o nome de Nelson Mandela segue sozinho para votação que deve decidir a aprovação ou desaprovação da possível alteração.
“Os alunos vibraram com o nome de Mandela. No dia em que a proposta foi feita, eles aplaudiram de pé. Durante um trabalho sobre lideranças negras, os estudantes destacaram um título marcante: Mandela – Um Heroi, Um Mito. De fato, ele foi mais do que um líder sul-africano. É um ser humano que promoveu a paz por meio do diálogo”, ressaltou.
O professor de geografia, Marcos Leal, concorda com a mudança. “Os alunos se reconheceram, se identificaram com a proposta”, avaliou o docente ao destacar que a maioria dos estudantes da unidade mora na periferia e é afrodescendente.
O Colégio Estadual Humberto Alencar Castelo Branco tem cerca de 1.740 alunos entre a quinta série e o terceiro ano. Caso a votação do plebiscito decida pela troca do nome, a decisão deve ser publicada no Diário Oficial em até dois meses, diz a direção. Ribeira
Já Jener Freire, diretor do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, na Ribeira, Jener Freire, disse que aguarda o término da reforma da escola para começar a ouvir a opinião de alunos e professores sobre a possível mudança. “Até o final do mês a gente deve fazer uma consulta das sugestões da comunidade. Ainda estamos em fase de colocar a proposta. Queremos algum nome que contemple a comunidade”, relatou.
Santa Bernadette, Irmã Dulce e Paulo Freire estão na disputa. “É claro que a gente não pode dizer que vai tirar o nome. Vamos saber quais os opções sugeridas. O próprio nome de Costa e Silva pode permanecer, se for desejo da comunidade”, considerou. Independentemente da escolha, o diretor afirma que este é um momento oportuno para se pensar na mudança.
“O golpe militar, aos poucos, precisa ser, se não apagado, amenizado na história. Eu acho que esse um bom momento, embora a escola tenha pensado nisso há muito tempo. É um processo muito mais complexo, mas a partir da mudança que houve no [colégio] Garrastazu Médici, percebeu-se que é possível. Também vamos aproveitar essa data, que marca os 50 anos do golpe militar”, comenta.
(Do G1)
Ministro defende educação em lugar de redução da maioridade
Jornalista: sindicato
Aplicação de penas alternativas para tornar o Judiciário efetivo e a manutenção da maioridade penal em 18 anos foram defendidas nesta terça-feira (1º) pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Sebastião Reis Júnior.
Em audiência pública nessa manhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, convocada para discutir mudanças no Código Penal, o ministro ressaltou que a falta de estrutura investigatória, acusatória e ressocializadora do sistema penal brasileiro resulta na “pouca efetividade das normas brasileiras”.
Para Sebastião Reis Júnior, o receio é que a reforma do Código Penal que tramita no Senado tenha um excesso de criminalização e crie normas que não sejam viáveis na prática, o que para ele acaba gerando um descrédito da lei.“Acho que nós temos que achar um meio termo para que Código [Penal] atenda aos reclamos da sociedade e, ao mesmo tempo, para evitar um excesso que o torne inaplicável”, ponderou.
Ele também disse que é importante o Congresso ouvir a sociedade civil, mas alertou temer que tanto o legislador como o aplicador da lei ajam motivados por atos pontuais.
Diferentemente do que entende o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a maioria dos juristas, para Sebastião Reis Júnior a redução da maioridade penal não é inconstitucional.
Apesar disso, o magistrado não acredita que essa seja a melhor alternativa. “Reduzir a maioridade não vai resolver problema nenhum. O grande problema é a falta de preparo do Estado em dar educação e uma perspectiva de vida aos menores carentes. O Estado se omite e o crime é o caminho que acaba sendo escolhido”, avaliou, lembrando que o sistema prisional não tem condições de atender a essa demanda. Reis Júnior disse ainda que reduzir a maioridade penal é dar é voz a um desejo de vingança da sociedade.
Ainda sobre essa questão, o ministro admitiu a possibilidade de que, em situações excepcionais, adolescentes em confronto com a lei sejam tratados de forma diferenciada pela lei.
A mesma ideia é tema da proposta de emenda à Constituição de iniciativa do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que abre a possibilidade de adolescentes em conflito com a lei entre 16 e 18 anos sofrerem uma punição diferenciada por participação em crimes hediondos (PEC 33/2012). A PEC foi rejeitada pela CCJ, mas o plenário do Senado tem que se manifestar sobre o assunto, devido à apresentação de recurso por Aloysio Nunes.
Segundo o presidente da CCJ, Vital do Rêgo (PMDB-PB), o esforço é para que, ainda este semestre, a proposta de reforma do Código Penal Brasileiro seja votada no plenário do Senado. Depois disso, a matéria segue para apreciação da Câmara dos Deputados.
(Da Agência Brasil)
Mudança de atitude de alunos melhora notas em português e matemática
Jornalista: sindicato
Curiosidade, persistência, responsabilidade e espírito colaborativo são características que melhoram o desempenho dos alunos em português e matemática. Um estudo realizado pelo Instituto Ayrton Senna mostra que o desenvolvimento dessas características ao longo da vida escolar impacta diretamente no aprendizado dessas disciplinas.
Chegar a essa conclusão foi possível após um questionário piloto ser aplicado a 25 mil alunos do 5° ano do ensino fundamental, 1° e 3° do médio, da rede estadual do Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. As perguntas não tinham resposta certa ou errada, mas múltiplas alternativas que representavam, a partir de uma escala de pontos, determinadas dimensões de comportamento. Entre as questões estavam indagações como: “Quanto você consegue prestar atenção nas aulas?”, “Consegue estudar mesmo tendo outras coisas interessantes para fazer?” e “Quanto você é esforçado?”.
O questionário foi batizado de Senna, abreviação invertida de Avaliação Nacional das Não Cognitivas e Socioemocionais, e levou em conta, primeiro, cinco grandes domínios da personalidade: abertura a novas experiências, conscienciosidade, extroversão, neuroticismo e amabilidade. E acrescentou um sexto: motivação e crenças (veja a explicação de cada um no infográfico abaixo).
Para poderem relacionar os dados levantados pelo Senna com o desempenho dos alunos nas disciplinas regulares, foi usado o resultado do sistema de avaliação de português e matemática da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Assim, foi possível cruzar os resultados e entender, dentro dessa amostragem, quais as habilidades socioemocionais mais presentes nos resultados dos alunos com melhor desempenho nessas disciplinas.
Com base nesses dados, o relatório aponta que, se um estudante que tenha nota de conscienciosidade no pior quartil de resultado – aquele que desiste fácil de seus objetivos, sem foco e pouco organizado – for estimulado e chegar ao maior nível dessa habilidade, ele melhora seu desempenho em matemática o equivalente a 4,5 meses de aprendizado.
Abertura a novas experiências melhora português
Em português, as habilidades socioemocionais que trouxeram mais benefícios para o aprendizado da disciplina foram a abertura a novas experiências, que engloba a criatividade e imaginação, por exemplo, e motivação, precisamente sobre o quanto o indivíduo relaciona suas decisões pessoais com acontecimentos externos.
Ainda em português, a pesquisa também relata que, levando em conta apenas os alunos do 5° ano do fundamental, a conscienciosidade também tem um papel importante. Já a extroversão tem efeito negativo para estudantes do 1° e 3° ano do ensino médio. Segundo a literatura internacional sobre o tema, é difícil de se identificar o efeito da extroversão sobre resultados educacionais.
Com essa primeira amostragem, foi feito um trabalho de aprender como fazer a medição dessas habilidades, segundo Daniel Santos, economista especialista em impacto de políticas voltadas à primeira infância, autor do estudo junto com Primi. “O que existia até então era uma evidência grande da importância dessas competências para o futuro e que a escola é capaz de modificá-las, isso já justifica medi-las e repassar a informação. Agora o como essas informações vão ser usadas ainda precisa de amadurecimento.”
(Do Uol)
Adolescentes populares também são vítimas de bullying, mostra pesquisa
Jornalista: sindicato
O perfil das vítimas de bullying nas escolas pode não ser tão homogêneo quanto se pensava. É comum presumir que as principais vítimas desse tipo de agressão sejam jovens com poucos amigos e características físicas ou psicológicas diferentes das valorizadas por seu grupo social. Mas um estudo publicado nesta terça-feira (1°) pela revista “American Sociological Review” revela que, quanto maior a popularidade do adolescente, maior o risco de ele se tornar alvo desse tipo comportamento. O risco de assédio e perseguições diminui somente entre aqueles que estão bem no topo da “pirâmide de popularidade” desenhada pelos pesquisadores: entre os 5% mais “pop”.
Com o objetivo de determinar o perfil das vítimas de bullying, pesquisadores das universidades da Califórnia em Davis e do Estado da Pensilvânia levaram em conta informações fornecidas por mais de 4.200 estudantes dos 8°, 9° e 10° anos do estado da Carolina do Norte. Os dados são provenientes do levantamento “Contexto do uso de substâncias por adolescentes”, que entrevistou adolescentes de 19 escolas públicas de três distritos diferentes do estado.
Para medir a popularidade dos jovens, cada participante informou o nome de seus cinco melhores amigos. Levando em conta o número de vezes que cada jovem foi citado por um de seus colegas, foi possível chegar a uma “escala de popularidade” de cada colégio.
Já para identificar quais dos jovens eram as vítimas mais frequentes de bullying, os pesquisadores pediram para cada estudante que citasse cinco colegas que implicavam com ele e cinco com quem eles implicassem. Em busca da popularidade
A conclusão do estudo leva em conta toda a dinâmica da busca pela popularidade dentro das instituições de ensino. Segundo os autores, pesquisas anteriores revelaram que a prática de agredir colegas é usada como instrumento de ascensão social e aumento de status.
Os jovens mais vulneráveis são alvos fáceis para os colegas, pois oferecem poucos riscos aos que praticam bullying. Mas, na medida em que a agressão tem o objetivo de promover um aumento do status, mirar esses alvos fáceis não resultaria em grandes benefícios aos algozes. Nessa lógica, para ascender socialmente, seria preciso mirar alvos mais populares.
Comprovando essa hipótese, os resultados da pesquisa mostram que garotos e garotas que estão na metade (50%) da hierarquia social da escola e sobem essa escada para 95% veem seu risco de ser vitimizados por seus colegas aumentar mais de 25%.
Já aqueles que ficam no topo da hierarquia, acima dos 95%, têm menor risco de sofrer bullying. “Eles não precisam atormentar seus colegas em um esforço para subir na escada social – tática comumente usada entre aqueles que lutam por uma posição –, porque já estão no topo. Eles não são vitimizados porque estão fora de alcance e não têm rivais”, diz o principal autor do estudo, Robert Faris, professor da Universidade da Califórnia em Davis.
Mas, nas raras ocasiões em que os alunos superpopulares são vítimas de bullying, eles apresentam reações mais graves, como quadros acentuados de depressão, ansiedade e raiva. “Isso deve ser porque estudantes populares sentem que têm mais a perder, já que podem ter trabalhado duro para atingir sua posição social”, explica Faris.
Outra possibilidade, segundo o autor, é que os alunos mais populares ficariam mais surpresos com o bullying que os demais, por isso reagiriam de forma mais intensa.
“Para reduzir o bullying, pode ser útil que as escolas dediquem mais atenção e recursos para minimizar as hierarquias de status social, talvez pela promoção de atividades que promovam uma variedade entre os grupos de amizade, e não praticando uma única – como basquete ou futebol – sobre qualquer outra”, afirma o pesquisador.
(Do G1)
Corpo de professora de escola particular do DF é encontrado
Jornalista: sindicato
A Polícia Civil do Distrito Federal encontrou no final da noite de segunda-feira (31) o corpo da professora Márcia Regina Lopes Cardoso, de 56 anos, desaparecida há mais de três semanas. Suspeito do crime, o namorado dela está preso desde sexta-feira (28) e participoudas buscas em um matagal entre Formosa e Brasilinha, no Entorno do DF.
Agentes informaram que o crânio da mulher estava fraturado, provavelmente após uma pancada com o extintor de incêndio do carro dela – um Ford Ka preto. As motivações para o crime não foram reveladas. O suspeito foi indiciado por homicídio e ocultação de cadáver, e já tinha antecedentes criminais por agressão a mulheres e crime contra a honra de terceiros.
Em depoimento à polícia, o namorado declarou que Márcia sumiu depois de deixá-lo no Parque da Cidade. A versão dele, no entanto, foi desmontada pela investigação. A polícia informou que vestígios de sangue da professora, encontrados no carro dela dias após o sumiço, serão usados como prova, mas não há mais detalhes sobre como isso será feito.
Irmão caçula de Márcia, Ézio Tadeu Lopes disse ao G1 poucos dias após o sumiço da professora que o casal já havia namorado antes e reatou havia poucos meses. Segundo o engenheiro florestal, a família não conhecia o suspeito, mas não era a favor do relacionamento.
“Por ocasião do primeiro rompimento, [a volta] gerou um certo desconforto. Mas ela é uma pessoa adulta, faz as próprias escolhas. Nos incomodou muito que eles reataram, mas nada contra ele, nunca nos posicionamos contra ele. É que términos são sempre difíceis. Mas essas são escolhas que cada um faz”, afirmou Lopes na época.
Márcia foi vista com vida pela última vez no dia 9 de março. Ela trabalhava em um colégio particular do Sudoeste e morava com o namorado em Águas Claras. No dia 21, o carro dela foi encontrado intacto, em uma quadra comercial de Sobradinho.
(Do G1)
O golpe militar foi um choque muito maior do que o esperado, mesmo pelos que anunciavam que o governo do Jango seria interrompido por uma ação golpista dos militares. Era uma geração que não conhecia praticamente ditadura, salvo alguns comunistas remanescentes do período getulista, que mesmo assim teve um caráter diferente.
Afora algumas ilusões, rapidamente desfeitas, de que haveria um esquema militar nacionalista que resistiria dentro das FFAA ao golpe, ou da expectativa de que os Grupos dos Onze, organizados pelo Brizola e por alguns grupos de esquerda pudesse retomar a resistência de 1961 ao golpe, os militares se impuseram rapidamente. A ação rápida de ocupação dos centros fundamentais de poder e a colocação do Jango fora de qualquer espaço possível de busca de resistência, consolidou rapidamente o golpe militar.
A esquerda predominante até ali – comunistas e nacionalistas – foi quem foi mais ficou surpreendida. Luis Carlos Prestes havia declarado em Recife, poucos dias antes, que eles “estavam no governo, lhes faltava o poder”.
Não houve praticamente resistência, até porque quase não havia setores da esquerda com organização militar e a maioria nem estava politicamente preparada para o golpe. A ocupação dos sindicatos, das sedes das entidades estudantis, dos rádios, foi fulminante, deixando a esquerda sem ação e sem voz. As expectativas de que o Brizola repetisse algo similar a 1961 se desvaneceram logo.
O PCB foi o lugar dos maiores debates, porque era a linha oficial do partido que estava em questão, com a ruptura do processo democrático. Porque não era apenas o desvanecimento da ideia de que haveria um esquema militar nacionalista que garantiria o poder do Jango, mas também o de que uma “burguesia progressista” apoiava o governo.
As FFAA apareceram rapidamente unificadas, reprimindo os setores dissidentes e o grande empresariado apareceu apoiando em massa o golpe e a ditadura. Os supostos básicos da linha do PCB se esfumaram rapidamente.
A discussão era sobre o balanço da linha politica e os equívocos que tinham levado ao golpe e sobre como atuar no novo período. A direção apontava para a resistência democrática nos espaços legais, juntando-se aos políticos tradicionais que se articulavam na oposição legal – JK, Adhemar de Barros, Carlos Lacerda, enquanto surgia uma forte oposição a essa orientação, que pregava a luta armada.
Os setores de oposição tinham duas alas principais, ambas dirigidas por dirigentes do PCB. Uma, que pregava a resistência armada vinculada à construção de um partido revolucionário – conduzida por Mario Alves, Jacob Gorender e Apolonio de Carvalho, que desembocaria na fundação do PCBR. A outra, liderada por Carlos Marighella, que propunha diretamente o foco guerrilheiro, conforme a interpretação que Regis Debray tinha dado da experiência cubana no seu livro “Revolução na revolução?”, amplamente divulgado no Brasil naquele momento.
Enquanto o PCB sobrevivia, mas mortalmente ferido pela perda das suas bases fundamentais de apoio, a começar pela estrutura sindical, mas também ferido pela derrota da linha que tinha orientado o partido durante todo o período.
Nos outros setores da esquerda, a discussão era pautada pela alternativa do foco guerrilheiro, que tinha detrás de si a vitória da Revolução Cubana – e sua versão dada por Debray – e a extensão das guerrilhas em outros países do continente – Venezuela, Peru, Guatemala, principalmente. Os que buscavam combinar as teses leninistas da construção do partido com a resistência armada – como o PCBR, a Polop – tinham muita dificuldade, diante da atração que a proposta do foco – protagonizada pela ALN e pela VPR – representava.
Esta linha triunfou no conjunto da esquerda e favoreceu um acirramento dos enfrentamentos, em condições de que a esquerda não tinha apoio de massas para enfrentá-lo. Em pouco tempo a ditadura conseguiu derrotar militarmente a oposição clandestina e se abriu o período, em 1970/71, da hegemonia das correntes liberais na oposição à ditadura – que viriam triunfar e impor suas características à transição democrática.
Por Emir Sader
(Da Carta Maior)