Educar para prevenir: crescente de casos de crimes sexuais contra menores e feminicídio alarmam a importância do debate

No ano de 2022, a cada 6 horas, uma mulher foi vítima de feminicídio. Das 3.930 mulheres assassinadas no ano, 1.410 foram registradas como feminicídio, (quando o crime é motivado pela vítima ser mulher). Esse foi o maior número desde que a lei de feminicídio entrou em vigor em 2015, segundo o levantamento feito pelo G1.

Índices preocupantes, revelados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apontam que crimes sexuais contra crianças e adolescentes saltaram de 45.076 em 2021 para 51.971 em 2022. Uma alta de 15,3%.

O  aumento na taxa desses crimes tem evidenciado uma situação alarmante vivida no Brasil, mas o que tem levado o país a ocupar a quinta posição entre as nações com maior número de feminicídio por ano e uma crescente alarmante nos casos de abuso de menores? 

Mesmo com anos de legislação em vigor contra esses crimes – como a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo -, volta e meia ainda surgem casos na mídia que chocam a todo o país e evidenciam o quanto esses temas têm sido pouco abordados na sociedade. 

Durante a madrugada do dia 30 de julho, uma jovem de 22 anos foi vítima de estupro em um bairro da região noroeste de Belo Horizonte, após voltar de um show na capital mineira desacordada. No evento, a jovem teria ingerido grande quantidade de bebida alcoólica e teve a ajuda de um amigo, que a embarcou em um carro de aplicativo na volta para a casa, compartilhando a corrida com o irmão dela.

No fim da corrida, ao chegar no endereço, por volta das 3h da madrugada, o motorista desembarcou a jovem, ainda desacordada, na calçada do prédio com ajuda de outro homem que passava na rua, e foi embora após não ser atendido pelo membro da família.

Minutos após o motorista sair do local, outro homem se aproximou de onde a vítima foi deixada e a carregou até um campo de futebol do bairro, onde ela foi abusada e encontrada 4h depois por moradores da região, que acionaram o Serviço de Atendimento Móvel (Samu) para o atendimento.

Além do agressor, atitudes dos envolvidos no caso em relação à vítima têm gerado comoção no país, em relação ao que poderia ter sido feito para impedir o crime.

Educar para prevenir

Notícias como a da jovem de BH e os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública têm revelado a importância de ampliar as discussões sobre os temas, para conscientizar e denunciar. 

Para a Secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Francisca Seixas, ao envolver toda a sociedade nesse necessário debate, é possível contribuir de maneira contundente para o enfrentamento à violência, aos abusos, em defesa das crianças, adolescentes e mulheres.

Francisca ainda cita que “a escola tem um papel fundamental para o Brasil avançar em seu processo civilizacional. A educação sexual tem o poder de ensinar as crianças e os adolescentes a identificar onde termina o carinho e começa o abuso, e questões de gênero na escola são essenciais para levar informação transparente e sem tabus às crianças e adolescentes, sobre como os seus corpos devem ser respeitados”, conta.

Guelda Andrade, Secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, destaca também sobre as diversas formas de abordar o assunto dentro das escolas sendo, um deles, usando a própria realidade, como em casos que caracterizam desrespeito a alunos em sala de aula, ou quando assuntos polêmicos surgem no ambiente escolar. Momentos como esses podem ser aproveitados para promover a discussão, com um debate saudável e respeitoso.

“Vai se criando uma cultura de respeito. No início é preciso ter um cuidado especial e saber como abordar o tema no espaço escolar, para que ninguém se sinta desrespeitado ou ofendido”, mencionou.

Ela ainda ressalta a importância de tratar assuntos como violência de gênero logo cedo, desde a pré-infância, auxiliando a formação de um futuro adulto com senso crítico de respeito e atenção, “a criança vai crescer com uma cultura de paz e respeito com os outros, não só com a mulher, mas com o ser humano. Independente do gênero, é preciso enxergar os outros como seres humanos”, afirma Guelda. 

Desafios

Atualmente, a legislação brasileira prevê, por meio do art. 26 da Lei nº 14.164 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a aplicação de conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas de violência contra crianças, adolescentes e mulheres, de modo adequado em cada nível de ensino. 

Também voltado para temáticas como prevenção de violências e acidentes, promoção da cultura de paz e direitos humanos, saúde sexual e reprodutiva, além de prevenção de HIV/IST nas escolas, em julho deste ano, o Governo Federal destinou mais de Mais de R$ 90 milhões aos municípios que aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE).

No entanto, lembra Francisca, ainda há de se enfrentar muitas barreiras até que conteúdos como educação sexual se tornem pauta comum no ambiente escolar, principalmente em relação à estrutura social e religiosa bastante forte no país e posicionada contra o assunto.“A inclusão desses temas no currículo escolar esbarra no preconceito, na ignorância, ou seja, na falta de informação confiável sobre sexualidade”, diz.

“O fundamentalismo religioso e o patriarcado tentam de todas as maneiras podar que as crianças e adolescentes recebam a informação adequada à sua faixa etária, sobretudo, no que envolve a sexualidade e os seus corpos, que devem ser invioláveis”, completou Francisca.

Para Guelda, as pautas sobre gênero vêm sendo negligenciadas há um tempo, tendo se acentuado ainda mais graças ao conservadorismo crescente no país, e às limitações impostas pelo governo anterior na educação básica, fazendo com que o tema se torne um assunto evitado.

“O tema faz parte da formação do aluno. Esses debates são momentos de levar orientação, de como as pessoas podem se defender e buscar ajuda”, finalizou.

FCDF deve sair do arcabouço fiscal; impasse continua quanto ao Fundeb

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que há consenso entre os líderes da Casa para retirar o Fundo Constitucional do DF do arcabouço fiscal. Dessa forma, o FCDF sairia do guarda-chuva de gastos orçamentários da União.

Caso isso seja concretizado, fica viabilizado o crescimento do FCDF para além de 2,5% mais a inflação. Se mantido na nova regra fiscal, a projeção é de que o Fundo tenha perda de R$ 87,7 bilhões em 10 anos.

Arthur Lira disse também que ainda não há consenso quanto outras alterações no texto do arcabouço fiscal promovidas pelo Senado, como a retirada do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) da nova regra fiscal.

O impasse embarreira o agendamento de uma data para a votação do texto do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados. Nos bastidores, diz-se que Arthur Lira segura a votação do projeto para garantir a participação do chamado Centrão em ministérios, o que é negado pelo presidente da Câmara.

Pressão

Em entrevista ao Sinpro-DF em julho deste ano, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, disse que “há possibilidade de a Câmara não aceitar as alterações do Senado e votar o arcabouço fiscal com o Fundeb”. Segundo ele, caso isso aconteça, “será realizada atuação para que o Executivo faça vetos parciais à proposta”.

Na defesa do Fundeb, a diretora do Sinpro-DF Luciana Custódio diz: “É importante lembrar que o Fundeb e o FCDF não estavam nem na Emenda Constitucional 95, de Michel Temer”.

A inclusão do Fundeb e do FCDF no arcabouço fiscal foi feita pelo relator do PLP nº 93/2023 na Câmara dos Deputados, Cláudio Cajado (PP-BA). Além do Fundeb, ele também encara como despesa os mínimos constitucionais da educação e da saúde.

A proposta seguiu para o Senado. A Casa revisora ouviu os setores da sociedade e alterou o texto da Câmara, voltando ao caráter original da proposta do Executivo, que não insere nem o Fundeb nem o FCDF na nova regra fiscal.

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De volta aos livros: Suécia recua na digitalização de escolas após resultado desastroso

Autoridades concluíram que digitalização da sala de aula pode transformar a próxima geração de estudantes suecos em analfabetos funcionais

 

Uma decisão recente do Ministério da Educação da Suécia demonstra os riscos à aprendizagem trazidos pela política de digitalização da sala de aula. O país suspendeu um plano ambicioso de digitalização do ensino após a nota do país despencar em exames que avaliam desempenho de leitura.

“Estamos em risco de criar uma geração de analfabetos funcionais”, advertiu a ministra da Educação, Lotta Edholm, após ver a nota do país despencar no Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS), exame internacional que avalia o desempenho em leitura de estudantes.

Segundo matéria publicada no Le Monde, a ministra concluiu que o mau desempenho é resultado da implementação de recursos digitais nas escolas de forma acrítica. E o processo não ocorreu às pressas: num processo que se iniciou há 15 anos, a Suécia vem substituindo os livros físicos didáticos por computadores, tablets, aplicativos e plataformas tecnológicas.

As consequências negativas foram observadas em toda a comunidade escolar. Alunos(as) perderam o hábito da leitura, professores(as) ficaram sem acesso a livros e as mães, pais e responsáveis não conseguem ajudar seus(as) filhos(as).

 

Evidências

Para reverter a situação, além de barrar a estratégia de digitalização, o ministério da educação da Suécia lançou um programa de reintrodução dos livros para recuperar a capacidade de leitura estudantil. Os livros têm “vantagens que nenhum tablet pode substituir”, argumenta.

O plano prevê o investimento de 150 milhões de euros até 2025. “O relatório do PIRLS é um sinal de que temos uma crise de leitura nas escolas suecas. No futuro, o governo quer ver mais livros didáticos e menos tempo de tela nas escolas”, diz a ministra.

A decisão do ministério sueco de abandonar o programa ambicioso de digitalização foi embasada em evidências científicas apresentadas por mais de 60 especialistas. “Todas as pesquisas sobre o cérebro em crianças mostram que elas não se beneficiam do ensino com base em telas”, explica a ministra.

Alerta da Unesco

Mesmo com 60 especialistas corroborando, sua decisão, a Suécia não está sozinha nessa guinada de volta ao impresso. Em relatório recente divulgado pela Unesco, com o título “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”, a agência também alerta sobre os impactos negativos da introdução de tecnologias na educação sem qualquer diálogo ou reflexão crítica.

O documento é mais um que põe em xeque o modelo educacional digital, e destaca que a tecnologia sozinha não garante bons resultados. No Peru, por exemplo, mais de um milhão de laptops foram distribuídos sem qualquer impacto na aprendizagem.

Com informações do SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PÚBLICA DO PARANÁ

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Lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social Pública na 57ª Legislatura

Três anos depois da reforma da previdência do governo Jair Bolsonaro (PL), que trouxe e tem trazido uma série de prejuízos para o Sistema de Seguridade Social do Brasil, e, igualmente, para os(as) trabalhadores(as) dos setores público e privado, parlamentares se mobilizam para o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social Pública.

O ato político de lançamento será realizado na terça-feira, 9 de agosto, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados: confira a programação no final deste texto. Sob a coordenação dos deputados André Figueiredo (PDT-CE), Bohn Gass (PT-RS) e senador Paulo Paim (PT-RS), a frente conta com a participação de vários(as) parlamentares das duas Casas Legislativas e tem como uma de suas propostas unificar a luta em defesa dos direitos previdenciários e da Previdência Social Pública para todos(as) os(as) brasileiros(as).

O evento é aberto ao público, mas, como a capacidade do auditório é de 270 lugares, para facilitar o acesso, os(as) interessados(as) em participar presencialmente devem preencher o formulário no seguinte endereço: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfF7LE-wJNwVUiwjBvJz0_nNNrUoi8LRU0sasGXfyKPEDU3ng/viewform

A frente atuará de forma articulada com associações, sindicatos, entidades nacionais, estaduais e distritais para defender os direitos constitucionais e infraconstitucionais relativos à previdência, especialmente os previstos nos artigos 6º, 7º, 8º, 37 e 39 a 41, associados aos artigos 170, 184, 186, 201 e 202, todos da Constituição Federal, da Consolidação das Leis do Trabalho, da Legislação da Seguridade Social, a Lei 8.112/1990, bem como a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Acesse o link da frente: https://linktr.ee/frenteprev. E no Facebook: https://www.facebook.com/FrentePrevidencia/

Visa também a acompanhar a tramitação de proposições legislativas de interesse para promover a qualificação dos debates por meio de audiência públicas, simpósios, seminários e eventos relacionados. Dentre outras atividades, vai atuar na promoção do intercâmbio com outros entes assemelhados de parlamentos em outros estados e países para aperfeiçoamento recíproco das políticas públicas destinadas à garantia de direitos e da resistência a retrocessos.

Confira a programa do Ato Político em Defesa da Previdência Social Pública

 

ATO POLÍTICO EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL PÚBLICA

8h – Acesso

9h – Abertura

12h – Intervalo para o almoço

 13h30 –  Seminário – As maldades da reforma previdenciária – como enfrentar e reverter

  1. A atual conjuntura da previdência social – Carlos Lupi, MPS
  2. Os impactos da reforma na aposentadoria dos trabalhadores: pensão por morte, aposentadoria especial e outros prejuízos – Diego Cherulli, IBDP
  3. A Reforma Tributária, a desoneração da folha e a previdência social – Mariel Lopes, DIEESE
  4. As mudanças para os servidores públicos, os principais prejudicados -Thais Riedel – UNICEUB
  5. O confisco sobre aposentadorias e pensões dos servidores, a luta pela PEC 555 e a possibilidade de contribuições extraordinárias nos RPPS – Vilson Romero, ANFIP

17h – Debate

18h – Encerramento

Inscreva a sua entidade como parceira da frente, acessando o seguinte formulário: https://bit.ly/Parcerias2023FrentePrev

Participe conosco! Vamos juntos!

Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social Pública: https://linktr.ee/frenteprev

 

#frenteprevidenciasocial #frenteservicopublico

 

 

 
 
 
 
 
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Sinpro alerta para o prazo final da prova de vida de aposentados e pensionistas nascidos em julho

O Sinpro-DF alerta os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as) e os(as) pensionistas que fazem aniversário no mês de julho para ficarem atentos ao prazo final da prova de vida, que termina nesta segunda-feira (31).

É importante cada aposentado(a) e pensionista fazer a prova de vida no mês do seu aniversário, uma vez que é uma comprovação anual obrigatória e necessária para o pagamento regular de aposentadorias e pensões.

O procedimento pode ser realizado de forma presencial, ou seja, o(a) beneficiário(a) pode ir pessoalmente a qualquer Agência do BRB ou pode fazer virtualmente, por meio do aplicativo disponível nas lojas da iOS e Android. Confira o procedimento virtual no final desta matéria.

 

Aplicativo Prova de Vida GDF

Criado durante a pandemia da Covid-19, o aplicativo Prova de Vida GDF oferece agilidade no atendimento e comodidade nessa tarefa anual. Para realizar a prova de vida por meio digital, os(as) aposentados(as) e pensionistas precisam baixar o aplicativo Prova de Vida GDF, inserir o CPF e confirmar alguns dados. Após essa etapa, serão solicitadas a captura do documento do(a) beneficiário(a) e uma foto selfie, com boa qualidade, tirada em ambiente bem iluminado.

Para finalizar, o(a) usuário(a) deve informar endereço, número do telefone celular e e-mail. Após preencher e enviar todas as informações, os(as) aposentados(as) receberão um e-mail com a confirmação do resultado da criação dessa conta (login) no aplicativo da prova de vida.

 

Outras formas de fazer a prova de vida

Aposentados(as) e pensionistas impedidos(as) de comparecer presencialmente em qualquer agência do BRB ou que não tenham acesso ao aplicativo, podem solicitar a visita domiciliar para fazer a prova de vida. O(a) mesmo(a) deverá anexar atestado médico comprovando a impossibilidade. Para beneficiário(a) com mais de 90 anos, também pode ser feita a solicitação pelo e-mail agendamento@iprev.df.gov.br. Brasileiros(as) que residem exterior, a prova de vida deve ser encaminhada por meio de consulado ou da representação diplomática do Brasil no país em que reside. Basta encaminhar ao Iprev correspondência com declaração de comparecimento emitida pela representação do País com cópia dos documentos autenticados. Se o país onde reside não tiver representação, a pessoa deve acessar o Formulário Específico de Atestado de Vida disponível no site do Iprev: https://www.iprev.df.gov.br/prova-de-vida/

 

 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O APLICATIVO PARA CELULARES ANDROID

https://play.google.com/store/search?q=prova+de+vida+gdf&c=apps&pli=1

 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O APLICATIVO PARA CELULARES iOS

https://apps.apple.com/br/app/prova-de-vida-gdf/id1614842989

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Sinpro encerra campanha do agasalho “Faça a diferença! Doar é um gesto de amor”

O Sinpro encerra, nesta segunda-feira (31), a sua anual e tradicional campanha do agasalho. Este ano, com o lema “Faça a diferença! Doar é um gesto de amor”, a campanha buscou estimular a categoria a praticar o desapego e a exercer a solidariedade em favor de quem nada tem. Doar agasalhos a quem precisa nesta época de frio é também uma forma de justiça social.

As doações ainda podem ser depositadas, somente até esta segunda-feira (31), nas caixas disponíveis na sede e nas subsedes do sindicato. A diretoria colegiada do sindicato agradece a toda a categoria e a todos e todas que retiraram dos seus armários roupas, cobertas e objetos que não os(as) serviam mais e que são essenciais para outras pessoas.

No dia 26 de junho, representantes do Movimento Nacional de População de Rua entregaram a primeira leva de agasalhos, cobertas, roupas e outras vestimentas coletadas desde o começo da Campanha de Agasalho do Sinpro, iniciada em maio. As doações foram entregues a pessoas em situação de rua na Superquadra 513 Norte, no Plano Piloto. 

 

Confira as matérias relacionadas à campanha

Sinpro realiza campanha do agasalho: “Faça a diferença! Doar é um gesto de amor”

https://sinpro25.sinprodf.org.br/sinpro-realiza-campanha-do-agasalho-juntos-fazemos-a-diferenca/

Sinpro entrega primeiras doações da campanha do agasalho

https://sinpro25.sinprodf.org.br/doacao/

 

Delegação do Sinpro volta do Encontro Regional da RED fortalecida pela troca de experiências

Mais de uma centena de professoras de todos os países da América Latina, e, dentre elas uma delegação do Sinpro-DF, participaram do “Encontro Regional de La Red de Trabajadoras de la Educación”, que começou na segunda-feira (24) e terminou na quarta-feira (26). O evento ocorreu em San José, Costa Rica, e foi uma realização da RED de Trabajadoras de la Educación em conjunto com a Internacional de la Educación América Latina (IEAL).

A atividade reuniu mulheres educadoras e sindicalistas latino-americanas. A delegação do Sinpro-DF contou com a participação da coordenadora da Secretaria de Finanças, Luciana Custódio; pelas diretoras da Secretaria de Mulheres: Mônica Caldeira (coordenadora), Silvana Fernandes e Regina Célia; além de Berenice Darc, diretora de Política Educacional do Sinpro e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e Rosilene Corrêa, dirigente da CNTE.

Marcada pela troca de experiências em vários setores, a edição deste ano mostrou que a educação pública, gratuita, de qualidade e o feminismo são lutas interdependentes. A defesa da educação pública, gratuita e de qualidade é inerente ao feminismo, que, por sua vez, não tem compatibilidade com os ideais neoliberais das empresas privadas, que assediam, diuturnamente, os países latino-americanos para transformar o direito social e humano à educação em mera mercadoria para lucro de poucos.

Na avaliação das seis dirigentes sindicais da categoria do magistério público do Distrito Federal que participaram do evento, a intercomunicação dessas duas lutas foi uma das grandes mensagens que o Encontro Regional da RED de Trabajadoras de la Educación transmitiu. Uma das metas do encontro foi proporcionar a troca experiências e, nessa troca, as participantes observaram uma profusão de semelhanças que marcam as opressões contra as mulheres, dilapidam o direito à educação e a atuação dos políticos de direita e extrema direita em todos os país da América Latina.

Troca de experiências similares e novas soluções

O “modus operandi” é quase o mesmo em todos os países, com algumas diferenças. “A gente percebe questões muito próximas, apresentadas por governos de direita; ou questões muito próximas de governos de centro-esqueda, das dificuldades que a América Latina vem sofrendo como um todo nos últimos anos. E observa as experiências de cada país na condução do processo educacional, de como conduzem os mesmos problemas que afetam o Brasil com uma diferença ou outra, ou com mais profundidade ou menos profundidade, os outros países”, observa Berenice Darc, diretora do Sinpro-DF e dirigente da CNTE.

Ela observa que esse encontro favorece a percepção de que a luta das mulheres na educação e pela América Latina é contra todo tipo de violência, como, por exemplo, a violência doméstica, bem como contra as opressões e em defesa de mais direitos. “O Encontro Regional da RED é uma experiência interessante em que a gente percebe que a dimensão dos problemas brasileiros é muito próxima da dimensão dos problemas dos demais países latino-americanos no que se refere às mulheres”.

A professora no centro do debate sobre educação

Rosilene Corrêa reafirma essa ideia e destaca que essas ocasiões de interação entre mulheres educadoras e dirigentes sindicais são importantes porque possibilita a reunião e o fortalecimento das mulheres educadoras da América Latina. “Em primeiro lugar, esses encontros muito nos fortalecem e, em segundo, é a oportunidade de trazer para o debate o quanto temos de desafios em comum e, aqui, apontando caminhos”.

“Também é importante tratarmos a pauta da classe trabalhadora com esse recorte de gênero e trazer a mulher para o centro desse debate exatamente porque sofremos as maiores consequências desse machismo e das políticas neoliberais na educação. Somos maioria, por isso, obrigatoriamente, precisamos nos colocar no centro do debate sobre os desafios da educação”, declara a dirigente da CNTE.

 O enfrentamento ao projeto mercantilista de educação

A coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro, Mônica Caldeira, considera que, participar desse encontro como integrante de uma organização de mulheres do Sinpro e da categoria do Magistério Público no Brasil é poder encaminhar e pensar uma política para o enfrentamento ao projeto mercantilista de educação via capital privado que se tem no Brasil e em vários países do continente.

“A gente volta mais forte para o nosso país com a sensação, a esperança, a expectativa, os planejamentos e os projetos para atuar nesse enfrentamento e garantir uma educação pública, gratuita, emancipatória para todos os nossos estudantes, independentemente da situação econômica, raça, cor, gênero e sexualidade”.

“Este foi um momento de uma responsabilidade muito grande em que reproduzimos, no Encontro Regional, as nossas lutas em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, que é o que as escolas do DF precisam fortalecer. Outro aspecto que preciso destacar deste encontro é a luta feminista pela educação pública que deve ser conduzida pelo Estado nacional e não pela iniciativa privada”.

A importância de defender a Convenção 190 da OIT

A diretora do Sinpro, Luciana Custódio, ressalta a importância da participação do Sinpro em eventos como este e do significado dessa ação para a categoria. “Participamos do Encontro Regional representando o Sinpro, que sempre esteve à frente das lutas no âmbito da resistência e do fortalecimento das nossas pautas da educação. É pedagógico defender os direitos das mulheres!”, escreveu ela nas redes digitais.

Ela destaca a relevância da ratificação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT): “A ratificação do convênio 190 da OIT é urgente para o Brasil porque precisamos nos unir em defesa de um mundo do trabalho livre de violência e assédio. Após os últimos anos tenebrosos, conseguimos aprovar no Brasil a Igualdade Salarial entre homens e mulheres!”, destacou.

A diretora também observa o fato de o Brasil carregar, em sua recente história, um golpe de Estado misógino contra a ex-presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), e outros crimes, como, por exemplo, “o assassinato misógino, político e perverso como foi o de Marielle Franco, um Parlamento que sempre oprimiu as mulheres e comete transfobia sem nenhum pudor”.

Luciana alerta ainda para o fato de o Brasil ser uma região “em que a violência contra as mulheres foi legitimada por anos por um criminoso que se disse presidente… Lutamos! Lutamos e vamos conseguir, progressivamente, reconquistar nosso Brasil Soberano!”, escreve.

“As mulheres da América Latina fortalecem sua resistência a partir das nossas lutas diárias em defesa das mulheres indígenas, mulheres trans, mulheres cisgênero, mulheres lésbicas, mulheres pretas, mulheres deficientes, mulheres trabalhadoras”. E finaliza: “A trabalhadora individual se perde, a trabalhadora coletiva se eterniza”.

Fomentar ações para as educadoras continuarem na luta

A diretora Silvana Fernandes disse que “o encontro nos traz um recorte de todos os países que participam, revelando-nos a realidade  vivida pelas educadoras de cada país”. Ela percebeu que o desmonte da educação foi feito pelos governos de direita de fora a fora na América Latina.

“Nas trocas de experiências, vimos que os governos de direita da América Latina não  priorizam a educação  pública de seus países e, como no Brasil, promovem a desvalorização  do magistério  público. O encontro vem fomentar as educadoras para continuar  a luta  por políticas  educacionais de qualidade”, declara a diretora do Sinpro.

Para uma educação emancipatória, é preciso um feminismo antirracista

Para a diretora Regina Célia Regina, reunir mulheres que discutem Educação é reunir mulheres que discutem o mundo, suas necessidades, suas diversidades socioculturais. “Existe uma força política viva nessa atividade e essa força feminista nos lembra, dentre outras coisas, a importância atemporal da frase de Ângela Davis :  ‘Para o feminismo ser relevante, ele precisa ser antirracista e incluir todas as mulheres das mais diversas esferas’. Essas são as mulheres educadoras que lutam por um processo de educação progressista, laico, acolhedor e qualitativo”, finaliza.

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Acordo de greve | Publicada no DODF a homologação do concurso de 2022 do Magistério Público

A homologação do concurso para o Magistério Público do Distrito Federal realizado em 2022 foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta quinta-feira (27). A homologação desse certame faz parte do acordo de greve, que prevê a nomeação de professores(as) e orientadores(as) educacionais do concurso de 2022, incluindo o cadastro reserva.

Ou seja, o acordo de fim de greve vai proporcionar uma nomeação de cerca de 2.800 pessoas. O Sinpro explica que, a partir da homologação, a SEE-DF inicia um processo interno solicitando autorização de nomeação para a Secretaria de Planejamento e a Secretaria de Fazenda. Esse processo, que pode ocorrer num período de 60 dias, será acompanhado de perto pelo sindicato para que as nomeações sejam realizadas conforme o acordo firmado no fim da greve e para que ainda este ano a SEE-DF tenha mais de 2.500 pessoas nomeadas.

Embora divulgado nessa quinta, a homologação foi realizada na quarta-feira (26/7) e está no Edital nº 40, a partir da página 70, referente ao concurso público para provimento de vagas e formação de cadastro de reserva, sob o regime estatutário, em cargos das carreiras Magistério Público e Assistência à Educação da SEE-DF, regido pelo Edital nº 31, de 30 de junho de 2022.

O Sinpro-DF parabeniza as pessoas listadas no Edital 40, todas elegíveis para serem nomeadas. A diretoria colegiada informa que irá trabalhar para materializar essas nomeações e declara que está ansiosa para receber a todas e todos como servidores e servidoras concursados da Secretaria de Educação. Confira a imagem do documento final do acordo de fim de greve a seguir.

 

 

Confira no link, a seguir, e acesse o DODF com a homologação do concurso no Edital 40: https://sinpro25.sinprodf.org.br/wp-content/uploads/2023/07/DODF-141-27-07-2023-INTEGRA.pdf

 

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Novo FDE toma posse para o próximo biênio; coordenador é do Sinpro

Tomaram posse na manhã desta sexta-feira (14/7) os 27 integrantes do Fórum Distrital de Educação (FDE) e seus respectivos suplentes, para assumirem o mandato para o próximo biênio. Representando o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), os dirigentes Júlio Barros (titular) e Carlos Augusto Fernandez (suplente). Júlio Barros foi eleito, por aclamação, coordenador do FDE.

O Fórum é composto por entidades sindicais, acadêmicas, estudantis e dos movimentos sociais ligadas à educação, além de representantes do governo (SEE-DF).

Este mandato terá importantes atribuições, uma vez que os Planos Nacional e Distrital de Educação estão chegando em sua fase final, o que demanda a análise dos últimos dez anos e o planejamento para os próximos 10 anos, para a elaboração dos próximos PNE e PDE.

“Será este mandato do FDE que terá a importante função de construir coletivamente com a sociedade Civil e com o Estado o próximo Plano Distrital de Educação”, lembra Júlio Barros. Também será este mandato o responsável pela organização, aqui no Distrito Federal, da próxima Conferência Nacional de Educação Extraordinária (Conaee), que dará subsídio para elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE).

Veja as fotos da posse dos membros do FDE aqui

Esta é a composição do Fórum Distrital de Educação, biênio 2023-2025:

 I – Secretaria de Estado de Educação (SEE):

a) Gabinete da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal:
titular JEAN FRANÇOIS DE FIGUEIREDO SIRINO e suplente BÁRBARA SILVA DINIZ.

b) Subsecretaria de Educação Básica (SUBEB):
titular MARTA ELIAS FERREIRA e suplente LUCIANA CAVALCANTE MARQUES.

c) Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral (SUBIN):
titular ÉRIKA BOTELHO GUIMARÃES e suplente DANIELA DE SOUZA SILVA.

d) Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (EAPE):
titular MARIA DAS GRAÇAS DE PAULA MACHADO e suplente FELIPE DA CRUZ DIAS.

e) Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP):
titular ANA PAULA DE OLIVEIRA AGUIAR e suplente LEONARDO DE OLIVEIRA DOURADO MARINHO.

II – Secretaria da Família e da Juventude (SEFJ):
titular RODRIGO GERMANO DELMASSO MARTINS e suplente RAFAEL MAZZARO.

III – Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF):
titular ERENICE NATÁLIA SOARES DE CARVALHO e suplente CÍNTIA CRISTINA FAULHABER.

IV – Sindicato dos Professores no Distrito Federal (SINPRO):
titular JÚLIO CEZAR BARROS DE FARIAS e suplente CARLOS AUGUSTO FERNANDEZ.

V – Sindicato dos Trabalhadores em Escolas Públicas no Distrito Federal (SAE/DF):
titular EDIRAM JOSÉ DE OLIVEIRA SILVA e suplente JOÃO MARTINS F. BATISTA.

VI – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB):
titular JUANA DE CARVALHO RAMOS OLIVEIRA e suplente WILSON CONCIANI.

VII – Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (SINEPE/DF):
titular MARCO ANDRÉ SCUSSEL e suplente ADRIANO ANTÔNIO BAZZO.

VIII – Grupo de Trabalho Pró alfabetização – Fórum EJA DF:
titular DORISDEI VALENTE RODRIGUES e suplente MARIA LUÍZA PINHO PEREIRA.

IX – Sindicato dos Professores dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal(SINPROEP/DF):
titular TRAJANO SILVA JARDIM e suplente MAURA ELIZABETH ROCHA.

X – Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar em Estabelecimentos Particulares de Ensinono Distrito Federal (SAEP/DF):
titular MARIA DE JESUS DA SILVA e suplente ADRIANO KARLIN LOPES DE SOUSA.

XI – Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de EnsinoSuperior e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (PROIFES/FEDERAÇÃO):
titular ROBERTO DOS SANTOS DA SILVA e suplente NORIVAN LUSTOSA LISBOA DUTRA.

XII – Fórum de Educação Infantil do Distrito Federal (FEI):
titular MARIA APARECIDA CAMARANO MARTINS e suplente CRISTINA MADEIRA MASSOT COELHO.

XIII – Universidade do Distrito Federal – Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF):
titular MICHELLE GUITTON COTTA e suplente DANIEL LOUZADA DA SILVA.

XIV – Fórum Permanente de Educação do Campo do Distrito Federal (FECAMPO):
titular SÉRGIO LUIZ TEIXEIRA e suplente VILMA GONÇALVES DO VALE.

XV – Associação dos Servidores do INEP (ASSINEP):
titular MARCIO ALEXANDRE BARBOSA LIMA e suplente ALEXANDRE RAMOS DE AZEVEDO.

XVI – Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC/CLDF):
titular MÔNICA DE SOUZA SANTOS e suplente LUCIANO DARTORA.

XVII – Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01):
titular CAMILA MOURA FÉ MAIA e suplente MICHELLE DE FARIA NUNES.

XVIII – Observatório de Educação Básica da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília(ObsEB/FE/UnB):
titular EDILEUZA FERNANDES DA SILVA e suplente MARIA ABÁDIA DA SILVA.

XIX – Universidade de Brasília (UNB):
titular ELOÍSA SILVA NASCIMENTO PILATI e suplente MARCELO PINHEIRO CIGALES.

XX – Associação Nacional de Política e Administração da Educação no Distrito Federal (ANPAE/DF):
titular SABRINA GOMES DOS SANTOS COSTA LEITE e suplente CLERTON OLIVEIRA EVARISTO.

XXI – Associação Mães da Resistência:
titular LEILA D’ARC DE SOUZA e suplente MARCIA SOUSA DE ABREU.

XXII – Campanha Nacional pelo Direito à Educação:
titular PATRÍCIA RAMIRO SILVA SOUZA e suplente DEISE RAMOS DA ROCHA.

XXIII – Associação Nacional de Formação dos Profissionais da Educação DF – ANFOPE-DF:
titular PEDRO OSMAR FLORES DE NORONHA FIGUEIREDO e suplente JUSSARA CORDEIRO LIMEIRA.

MATÉRIA EM LIBRAS

O Dia de Quem Cuida da Gente

Era dia de apresentação na Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente. Estudantes do 2º ano da educação básica, que têm entre 7 e 8 anos de idade, cantavam uma música sobre dedicação, cuidado, amor. Pendurado no pescoço de cada um, um crachá com a foto de quem cuidava deles. A hora do refrão era esperada por todos: os crachás seriam levantados com entusiasmo para mostrar para quem os assistia aquele ou aquela pessoa especial. Neste momento, uma das crianças, um menino pequeno, desatou em choro. Ele havia perdido alguém que amava.

A maioria dos estudantes da Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente entende o sentimento do coleguinha. Afinal, 70% dos mil alunos e alunas dessa unidade escolar, crianças de 4 a 11 anos, estão em vulnerabilidade social, e muitos deles moram em abrigos.

Dia de Quem Cuida da Gente realizado no dia 8 de julho de 2023

 

Mesmo diante de uma realidade dura – indimensionável para quem nunca passou por isso – as crianças da Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente aprendem desde cedo que sempre há alguém que está por perto. O trabalho é feito durante todo o ano, mas tem culminância em abril, quando é realizado O Dia de Quem Cuida da Gente, que substitui a festa da família, realizada em outras unidades escolares.

“O Dia de Quem Cuida da Gente é um dia em que o objetivo principal é a criança compartilhar com quem ama, quem cuida, ainda que seja o cuidador ou a cuidadora do abrigo, as atividades da escola. São desenvolvidas oficinas, pintura de rosto, confecção de pipa, massinha de modelar. As crianças fazem homenagens de cunho afetivo. É um momento de troca de afeto, onde todos participam de forma igual”, explica a diretora da unidade escolar, Marilda Rosa Coelho.

Há 33 anos na rede pública de ensino do DF, a professora chegou à Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente em 2020, ano de inauguração da unidade. Ela conta que ao ser convidada para assumir a diretoria da escola, abriu mão do cargo de assessora da regional de ensino que atuava, porque “queria muito” contribuir com a experiência adquirida nessas três décadas de carreira, além de querer o “desafio de aplicar as políticas públicas de educação à comunidade carente”.

Segundo a diretora Marilda Rosa, o carro-chefe do Projeto Político Pedagógico da EC JK são as histórias de vida dos estudantes, da comunidade escolar. “As histórias vão se fundindo, e essa rede vai se constituindo e fazendo todas essas maravilhas que só a educação consegue. Não tem nenhuma outra área que seja capaz de realizar o que a educação faz”, diz a diretora.

No contexto de vulnerabilidade social, as histórias levadas para dentro da EC JK são várias e, muitas vezes, tristes. São crianças que sofrem violência em casa, ou que a mãe é dependente de substâncias químicas, ou o pai está preso, ou ainda tudo isso junto. Mas para a diretora Marilda Rosa, se esse é o contexto, é preciso saber enfrentá-lo.

No projeto Dia de Quem Cuida da Gente, família tem várias formatações, e todas elas são muito bem vindas

 

“Nos dias de hoje, é muito difícil trabalhar a tristeza, a perda. Mas a gente precisa trabalhar isso nas crianças. A gente percebe que há diversos problemas gerados pela ausência de abordagem desses sentimentos. Trabalhar isso é importante para que as crianças se tornem adultos seguros, e saibam seguir em frente com suas próprias dores”, reflete.

A diretora do Sinpro-DF Mônica Caldeira participou do mais recente Dia de Quem Cuida da Gente, realizado em 8 de julho. Assim como muitas daquelas crianças, ela também pertenceu a um arranjo familiar sem pai nem mãe. Mônica foi criada pela avó materna, que faleceu quando a hoje professora e sindicalista tinha apenas 15 anos.

“Era muito difícil para mim. Eu sempre gostei muito de dançar, de interpretar. E eu me apresentava para ninguém. Não tinha o Dia da Avó. E isso influenciou muito na minha personalidade e na minha aprendizagem. Na aprendizagem porque eu não me sentia pertencente à escola, não me identificava com os livros didáticos, que sempre traziam esse arranjo familiar composto por pai, mãe e filhos. Na minha personalidade, porque as apresentações que eu fazia reforçavam a ausência. Cresci com reflexos na autoestima, na coragem, no reconhecimento, questões que influenciam, inclusive, na aprendizagem”, relata.

Durante a festa do Dia de Quem Cuida da Gente, Mônica se emocionou não apenas por reviver a infância, mas por ver que aquelas crianças têm a oportunidade de crescer com inclusão, direito de todos e de todas. “É uma felicidade ter uma escola com esse pedagógico cuidadoso. Gera esperança”, afirma.

Monica Caldeira, diretora do Sinpro (esquerda), e Marilda Rosa, diretora da EC jJuscelino Kubitschek

 

Ferramenta pedagógica
O Dia de Quem Cuida da Gente também se configura como uma ferramenta pedagógica. A essência do projeto é trabalhada de forma transversal durante todo o ano, e os resultados são surpreendentes.

“Quando a gente fala de alguém da família, de alguém que cuida, a criança já vai construindo as suas atividades de desenho, pintura, trabalhando os eixos transversais que estão no currículo. O coral que as crianças participam, por exemplo, serve para a produção de texto. São coisas que instigam, que provocam, que trazem prazer; e isso favorece as aprendizagens”, explica a diretora da EC JK, Marilda Rosa.

“Trabalhamos muito a desconstrução da ideia de que a criança não aprende porque tem uma família desestruturada, que não a acompanha. A gente aproveita todo o tempo dela na escola para favorecer as aprendizagens”, diz.

Barreiras
A diretora da Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente conta que a preparação para o Dia de Quem Cuida da Gente é longa. “Há todo um envolvimento, contato com a família, convencimento das famílias irem para dentro da escola”, diz.

Embora toda a disposição da equipe e a grandiosidade do projeto, são impostas barreiras à realização da ação.

“Nossa escola é nova, mas o espaço não é adequado. Todas as nossas atividades, por exemplo, são feitas em uma quadra esportiva. Mas a falta de recursos humanos é o nosso principal problema. Nossa escola não tem pessoas suficientes para dar conta de um trabalho desse âmbito. Então, a gente se desdobra, a gente faz coisa que nem é da nossa função”, diz a diretora da EC JK.

Oficina de pipa é uma das atividades realizadas no Dia de Quem Cuida da Gente

 

Atualmente, a unidade escolar que tem a demanda de mil estudantes – e mil famílias – conta apenas com cinco pessoas na equipe gestora, três coordenadoras, um pedagogo, uma orientadora educacional e 42 professores regentes. “Do grupo de professores, apenas nove são efetivos”, relata a Marilda Rosa.

Exemplo
A Escola Classe Juscelino Kubitschek Sol Nascente é uma referência para a comunidade do Sol Nascente. É neste espaço que as famílias – em todos os seus arranjos – se encontram, se divertem, são acolhidas.

“A comunidade é grata à escola. Aqui é baixíssimo o número de abandono. A escola é um espaço de referência”, conta com alegria a diretora da EC JK, Marilda Rosa.

Mas não são só os estudantes e suas famílias/cuidadores que têm a escola como espaço de aprendizado e afeto. A diretora da unidade, por exemplo, diz que a EC JK é uma “escola mágica”. “Eu tenho gratidão pela oportunidade. Estou quase finalizando meu ciclo, pois estou perto de aposentar, e com o coração cheio de alegria por ter contribuído com meu trabalho e com meu amor pela educação”, relata.

A EC JK está muito além de salas de aula, quadros, calendários, cronogramas. A maior lição da escola é saber viver a vida, e a construção desse aprendizado é mútuo, sem hierarquização. É a educação que liberta.

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