Problemas com a leitura e com a matemática

Um estudo divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) mostra que são poucas as crianças brasileiras que têm domínio da língua escrita e conseguem realizar cálculos matemáticos que envolvem gráficos e tabelas. A segunda parte do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce) avaliou o desempenho de 134 mil jovens da 3º ao 6º ano do ensino fundamental em 16 países da América Latina. No Brasil, o estudo avaliou crianças que estão do 4º ao 7º ano. Foi avaliada a performance dos estudantes em matemática, linguagem (escrita e falada) e ciências naturais.
O estudo dividiu os jovens em quatro níveis de aprendizado. A maior concentração de alunos brasileiros no grau mais alto de desempenho ocorreu em leitura no 7º ano, quando 16,6% demonstraram ter plena compreensão ao interpretar e inferir o significado de palavras em textos escritos. A maior parte dos estudantes, no entanto, está nos níveis mais baixos de desempenho. Mais de 60% dos alunos do quarto ano do ensino fundamental têm desempenho entre muito ruim e regular em leitura e matemática.
Apesar disso, o estudo mostrou que houve uma melhora de toda a região da América Latina em relação à avaliação anterior. O desempenho das crianças brasileiras é igual à média dos alunos dos outros 15 países estudados em escrita e em ciências naturais nos quatro níveis. Além disso, as notas alcançadas são as mesmas em leitura no 4º ano e em matemática no 7º ano. O Brasil está acima da média da região em matemática no 4º ano e em leitura no 7º ano.
O pior desempenho dos jovens brasileiros foi na prova de ciências naturais, aplicada pela primeira vez no Brasil aos alunos do 7º ano. Apenas 4,6% estão no nível mais alto, enquanto 80,1% encontram-se nos mais baixos. Isso quer dizer que os estudantes não são capazes de aplicar os conhecimentos científicos para explicar fenômenos do mundo. Apenas três países estão acima da média regional em todos os testes e anos avaliados: Chile, Costa Rica e México. Além dessas três nações, o Terce fez o levantamento em Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e no estado de Nuevo León (México).
Fatores
Os primeiros resultados do Terce foram divulgados em dezembro do ano passado e, em 2015, o estudo incluiu fatores associados à aprendizagem em cada país. Segundo a Unesco, o envolvimento dos pais e o nível socioeconômico das famílias influencia mais no desempenho das crianças brasileiras no ensino fundamental do que a infraestrutura das escolas, independentemente se estão localizadas no meio urbano ou rural.
O estudo traz um dado interessante em relação ao Brasil. O desempenho dos estudantes melhora quando os pais acompanham os resultados obtidos na escola, apoiam e chamam atenção dos filhos. No entanto, as notas pioram quando os pais supervisionam e ajudam sempre nas tarefas escolares, tirando a autonomia das crianças. Os pais também são importantes na hora de incentivar, independentemente das condições sociais e econômicas.
De acordo com o estudo, os estudantes que vivem em regiões mais carentes têm desempenho pior. Contudo, se os pais têm expectativas altas e incentivam os filhos quanto ao que serão capazes de alcançar no futuro, as crianças obtêm melhores resultados. Outro ponto que a Unesco chama a atenção é para o início da vida escolar da criança. No levantamento, jovens que frequentaram a pré-escola desde os quatro anos tiveram um desempenho melhor. Por outro lado, faltar à escola é mais um aspecto que diminui o rendimento do estudante.
O uso de ferramentas tecnológicas fora do ambiente escolar também auxilia as crianças. No Brasil, os estudantes que utilizam o computador fora das salas de aula tendem a ter melhores resultados em todas as provas. Já a combinação com trabalho é lesiva aos jovens. Segundo o estudo, as crianças brasileiras do quarto ano do ensino fundamental que estão sujeitas a trabalho infantil têm nota mais baixa tanto em leitura quanto em matemática.

O desempenho


Em uma avaliação de 1.000 pontos, os estudantes foram divididos em quatro níveis. Confira cada faixa e as notas tiradas por área de conhecimento
Nível I – Até 675 pontos
Nível II – Entre 676 até 728 pontos
Nível III – Entre 729 até 812 pontos
Nível IV – A partir de 813 pontos
As notas
Estudantes, segundo o nível de desempenho (%)
Área de conhecimento    Série    I         II       III        IV
Linguagem                         3º    39,5    21,7    26,2    12,7
Linguagem                        6º    18,4    51,5    16,5    13,7
Matemática                       3º    47,2    23,3    22,1    7,4
Matemática                      6º    46,9    35,9    12,1    5,1
Ciências Naturais           6º    40       39,1    15,2    5,7

Fonte: Correio Braziliense

Revolução cotidiana das mulheres será contada em documentário

“Formigueiro: A Revolução Cotidiana das Mulheres” é o nome do documentário independente, que está sendo produzido por uma equipe 100% feminina, que registra em formato audiovisual a mobilização de mulheres em todo o país em defesa de autonomia total sobre suas escolhas e contra a violência.
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“A ideia surgiu do nosso envolvimento pessoal com a militância feminista de base, com a Marcha Mundial das Mulheres, que leva o feminismo para além dos grandes centros e une, em torno de um cotidiano de luta por garantia de direitos, as mulheres urbanas e rurais, como as agricultoras, as ribeirinhas, as de comunidades indígenas e quilombolas”, comenta Bruna Provazi, diretora do documentário.
O nome Formigueiro vem do que a equipe entende ser o trabalho de formação feminista hoje. “O país avançou em muitos aspectos, mas entendemos que estas mudanças poderiam ser ainda mais relevantes para as mulheres, não fosse o machismo tão enraizado em nossa cultura, que ainda estabelece alguns papeis a elas, dentro e fora de casa. A percepção disso, por mulheres e homens, no entanto, depende de uma mudança mais profunda. É um trabalho de formiguinha mesmo, que precisa mudar séculos de uma organização social que não dá o devido protagonismo às mulheres”, diz Ana Paula Farias, também produtora do longa.
A diretora de fotografia, Yasmin Thomaz, reforça a importância do registro audiovisual para o fortalecimento do feminismo. “O cinema tem o poder de revelar as intersecções entre quem filma, quem é filmado e quem assiste. Funciona como uma ponte conectando pessoas que, aparentemente, não têm elos porque vivem em realidades diferentes, mas que, no final das contas, estão submetidas à mesma dinâmica”, comenta. “Este documentário vai contar não apenas a história das mulheres retratadas nele. Mas a sua, a minha, a história de todas as mulheres”, completa Li Fernandes, que divide com Yasmin os créditos pela fotografia.
Após finalizado, o filme viajará o país em um circuito de exibição popular itinerante, especialmente onde o acesso a salas de cinema ainda é limitado. Posteriormente, o longa será disponibilizado também na internet. “Um filme em que as mulheres se veem representadas é uma forte ferramenta de empoderamento. Queremos levar esta problematização para diferentes audiências e contamos muito com o apoio dessa rede que tem se fortalecido na internet para concluir este projeto”, explica Tica Moreno, uma das produtoras do filme.
O filme está na reta final de produção, mas para ser concluído a equipe conta agora com o financiamento colaborativo de indivíduo e empresas no site Benfeitoria
O apoio ao Formigueiro – A Revolução Cotidiana das Mulheres começa com valores a partir de R$20. Para conhecer mais sobre a produção acesse o site oficial do filme ou siga a página do filme no Facebook.
Fonte: CUT Nacional

Igualdade de gênero nos planos pretende diminuir inferiorização de mulheres

“O que se pretende com a inclusão do tema da igualdade de gênero nos Planos de Educação é diminuir as desigualdades entre os gêneros, o machismo e a inferiorização das meninas e mulheres”, destaca o integrante do Fórum Nacional de Educação (FNE) e doutor em educação, Toni Reis. A inclusão de metas relacionadas ao combate à discriminação e desigualdade de gênero nos Planos tem provocado debates em cidades e estados de todo o país.
De acordo com Toni, que também é secretário de educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), além da atuação de religiosos fundamentalistas e setores ultraconservadores, “a investida de última hora por parte de determinados bispos católicos contribuiu para que se excluísse o termo gênero de alguns Planos Municipais e Estaduais de Educação, chegando inclusive ao extremo absurdo de excluir ‘gênero alimentício’ e ‘gênero literário’, entre outros”.
Há cerca de um mês, todos os estados e municípios do Brasil deveriam ter aprovado de maneira participativa seus Planos de Educação, com metas e estratégias para a área nos próximos dez anos. Até esta segunda-feira (27/07), 4937 municípios (88,6%) e 14 estados (51,8) haviam sancionado seus Planos.
Segundo Toni, a “pesquisa nacional Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar (Fipe, MEC, Inep, 2009), revelou que as atitudes discriminatórias mais elevadas se relacionam a gênero (38,2%) e orientação sexual (26,1%)”. E avaliou: “esses dados revelam violências e discriminação relacionadas ao gênero. Eis a importância de educar para o respeito à igualdade de gênero, visando modificar para melhor esses quadros na sociedade como um todo e também nos estabelecimentos educacionais”.
Leia abaixo a entrevista completa com Toni Reis:
De Olho nos Planos (De Olho) – É possível abordar as temáticas relacionadas à igualdade de gênero nas escolas e nas políticas educacionais mesmo que não tenham sido explicitadas nos Planos de Educação aprovados?
Toni Reis (Toni) – As diretrizes maiores da educação no Brasil são a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, cujos princípios incluem a igualdade de condições para acesso e permanência na escola, o respeito à liberdade, o apreço à tolerância e o conhecimento e exercício da cidadania. Além disso, o Brasil é signatário e ratificou várias convenções e tratados internacionais que tratam da igualdade de gênero, como a Plataforma de Cairo, por exemplo.
Desta forma, mesmo que o Plano de Educação de determinado município ou estado seja omisso sobre a igualdade de gênero nas escolas e nas políticas educacionais, há amplo respaldo para a abordagem do tema, inclusive nos Parâmetros Curriculares Nacionais. A omissão da lei não significa ausência de direitos.
(De Olho) – E em que essa abordagem pode contribuir com a garantia do direito à educação?
(Toni) – Estatísticas oficiais mostram inquestionavelmente que o ensino atual não está preparando adequadamente para uma convivência marcada por respeito, pluralidade, não violência, dignidade humana e paz. Por exemplo, entre 2000 e 2010, 43,7 mil mulheres foram assassinadas no país e apenas no ano de 2011 houve 70.270 registros de violências contra pessoas do sexo feminino. Em 2012, houve 9.982 denúncias de violações dos direitos humanos de pessoas LGBT, bem como pelo menos 310 homicídios de LGBT no país.
A pesquisa nacional Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar (Fipe, MEC, Inep, 2009), revelou que as atitudes discriminatórias mais elevadas se relacionam a gênero (38,2%); orientação sexual (26,1%). Esses dados revelam violências e discriminação relacionadas ao gênero. Eis a importância de educar para o respeito à igualdade de gênero, visando modificar para melhorar esses quadros na sociedade como um todo e também nos estabelecimentos educacionais.
(De Olho) – A discussão em torno da igualdade de gênero na educação já foi tema de debates acirrados como o que ocorreu, em 2011, a respeito do que ficou conhecido como o “Kit contra homofobia”. Como você avalia a importância do debate dos Planos na discussão sobre a relação entre gênero e educação?
(Toni) – Vejo que da mesma forma que aconteceu com os materiais do projeto Escola Sem Homofobia, Houve uma distorção intencional por parte de setores reacionários sobre o propósito da iniciativa, mobilizando assim seus seguidores contra os temas e com base em informações inverídicas. O debate é importante, e sempre haverá divergência de opiniões, mas o debate deve se dar com base em fatos e não em mitos e deturpações.
(De Olho) – E por que esta agenda tomou tanto destaque na discussão dos Planos, sendo que o documento aborda várias outras questões também fundamentais?
(Toni) – O destaque dado à questão da igualdade de gênero é um reflexo da polêmica provocada pelas deturpações acima mencionadas. Há um movimento, inclusive internacional, que alega que a abordagem de “igualdade de gênero” nos estabelecimentos educacionais significa que se quer “perverter” as crianças, ensinando-as a ser gays ou lésbicas, e que se quer destruir a família tradicional.
Na verdade, o que se pretende com a inclusão do tema da igualdade de gênero nos Planos de Educação é diminuir as desigualdades entre os gêneros, o machismo e a inferiorização das meninas e mulheres.  Por outro lado, infelizmente, ainda há quem quer manter a mulher subserviente dentro de um sistema patriarcal que coloca o homem em primeiro lugar.
(De Olho) – Setores mais conservadores têm atuado agressivamente para que os Planos de Educação não mencionem questões relacionadas à igualdade de gênero. Como você observa a ação destes grupos e a reação dos grupos que reivindicam pelo direito à educação?
(Toni) – Percebo uma triste realidade: por um lado há líderes que manipulam propositadamente seus seguidores, alimentando-os com distorções e intolerância em relação ao tema e, por outro lado, as pessoas que acreditam nessas inverdades não têm, ou não querem exercer, a visão crítica necessária para perceber que estão sendo manipuladas e recebendo informações sem fundamento.
Além da atuação de religiosos fundamentalistas e setores ultraconservadores, a investida de última hora por parte de determinados bispos católicos contribuiu para que se excluísse o termo gênero de alguns Planos Municipais e Estaduais de Educação, chegando inclusive ao extremo absurdo de excluir “gênero alimentício” e “gênero literário”, entre outros.
Infelizmente, avalio que os movimentos e organizações da sociedade civil não estavam preparados para responder à altura e foram pegos de surpresa pelo vulto da mobilização desencadeada pelas forças contrárias. Vejo como alarmante e uma ameaça à democracia essa onda reacionária e até fascista que se espalha pelo país e se instala no Legislativo.

Governo muda benefícios sem dialogar com trabalhadores(as)

Sob o argumento de ajustar despesas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Previdência Social, o governo federal baixou uma série de medidas no dia 29 de dezembro passado.
Entre as medidas anunciadas, que na prática expressam uma mini-reforma previdenciária e trabalhista, constam mudanças nas regras de acesso a cinco benefícios trabalhistas e previdenciários: seguro-desemprego, seguro-defeso, abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença.
O grande problema é que as novas regras, que envolvem diretamente os trabalhadores, deveriam ter passado por um processo de negociação que permitisse oferecer propostas alternativas a quaisquer iniciativas. Em outras palavras, o anúncio das medidas se deu de forma unilateral, sem diálogo, o que compromete direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.
As medidas estimulam, também, a falsa visão de que o principal problema das contas do país são os gastos governamentais nas áreas social, trabalhista e previdenciária, quando a principal vilã é a alta taxa de juros praticada no Brasil – uma das maiores do mundo – que inibe a produção interna e a possibilidade de diminuição da dívida pública.
Em nota, a Central Única dos Trabalhadores diz não concordar com as medidas adotadas no âmbito do Seguro-Desemprego, tendo em vista que elas penalizam os trabalhadores e trabalhadoras jovens que estão ingressando no mercado de trabalho e também aqueles empregados nos setores com menor especialização, em que a rotatividade de mão de obra é uma prática recorrente do setor patronal.
A CUT considera que as medidas tomadas penalizam exclusivamente os trabalhadores e não impõem nenhuma regra ou sanção para inibir a rotatividade de mão de obra praticada pelas empresas com o único e exclusivo objetivo de reduzir os salários.
“A CUT não concorda com o argumento de que os trabalhadores são responsáveis pela rotatividade de mão de obra existente hoje no país. Os exemplos utilizados não se constituem regra e não são a causa do aumento de gastos com o seguro desemprego. Os trabalhadores e trabalhadoras querem manter o seus empregos, terem seus salários valorizados e não fraudar um dispositivo que minimiza os prejuízos causados pela ganância empresarial. Essa medida representa um sério retrocesso aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, enfatiza a nota.
A Central também manifesta a sua preocupação com as medidas tomadas no âmbito da Previdência Social de forma pontual. Segundo a CUT, “somos os maiores interessados na manutenção do equilíbrio das contas da Previdência, no entanto, esse equilíbrio não pode ser feito a custa dos direitos. Por isso queremos que a discussão seja mais abrangente, que possa inclusive criar uma solução para o Fator Previdenciário que tanto penaliza os trabalhadores, para que esses direitos não sejam comprometidos”.
De acordo com a presidente em exercício da CUT Nacional, Carmen Helena Foro, “é importante deixar claro que tudo o que se refere à transparência, aperfeiçoamento e maior controle social não trazem problemas para nós, desde que não retire direitos dos trabalhadores”. Também segundo ela, “é preciso reafirmar o compromisso de que toda a pauta dos trabalhadores e trabalhadoras seja previamente discutida e acordada com a CUT e as Centrais Sindicais”, como foi o compromisso assumido com a presidenta Dilma.
O que muda:
ABONO SALARIAL (PIS)
Como é hoje: o benefício, correspondente a um salário mínimo, é pago aos trabalhadores com renda de até dois salários mínimos e que tenham trabalhado por pelo menos um mês com carteira assinada no ano anterior.
Como vai ficar: o valor do benefício passa a ser proporcional ao período trabalhado e, além disso, só receberá o benefício quem tiver trabalhado por pelo menos seis ininterruptos com carteira assinada, no ano anterior.
A novidade entra em agosto de 2015, quando se inicia o calendário de pagamento do abono, e vai até o final de junho de 2016.
SEGURO-DESEMPREGO
Como é hoje: o trabalhador demitido sem justa causa, após seis meses ou mais na mesma empresa, tem direito ao benefício.
Como vai ficar: o acesso ao benefício ficará mais difícil. Na primeira solicitação, será preciso ter pelo menos 18 meses no emprego; na segunda, 12 meses e, na terceira, seis meses.
AUXÍLIO-DOENÇA
Como é hoje: os patrões arcam com os primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador e o restante é custeado pelo INSS. O benefício é calculado com base na média dos 80 melhores salários-contribuição.
Como vai ficar: o custo dos trabalhadores afastados para os empregadores subirá para 30 dias. Será fixado um teto para o valor do auxílio-doença, equivalente à média das últimos 12 salários-contribuição à Previdência.
As perícias médicas poderão ser feitas nas empresas que dispõem de serviço médico, desde que fechem convênio com o INSS. O decreto com as regras sairá dentro de 30 dias.
A nova regra entra em vigor em 60 dias.
PENSÕES
Como é hoje: o benefício pago aos viúvos é integral, vitalício e independente do número de dependentes (filhos). Não existe prazo de carência, bastando uma única contribuição à Previdência.
Como vai ficar: acabará o benefício vitalício para cônjuges jovens, com menos de 44 anos de idade e até 35 anos de expectativa de vida. A partir desta idade, o benefício passa a ser temporário e dependerá da sobrevida do pensionista. Entre 39 anos e 43 anos, por exemplo, o prazo é de 15 anos; entre 22 e 32 anos, de seis anos; e abaixo de 21 anos, de três anos. Cálculo do benefício: o valor da pensão cai para 50%, mais 10% por dependente, até o limite de 100%.
Para ter acesso à pensão, é preciso que o segurado tenha contribuído para a Previdência Social por dois anos, pelo menos, com exceção dos casos de acidente no trabalho e doença profissional. Será exigido tempo mínimo de casamento ou união estável de dois anos. O valor mínimo da pensão continua sendo de um salário-mínimo.
As mudanças valerão também para os servidores públicos, que já têm pensão limitada a 70% do valor do benefício (que excede ao teto do INSS, de R$ 4.390).
A nova regra entra em vigor em 60 dias.
SEGURO-DEFESO (seguro-desemprego do pescador artesanal)
Como é hoje: o benefício, correspondente a um salário mínimo, é pago aos pescadores durante o período em que a pesca é proibida. É preciso ter feito pelo menos uma contribuição à Previdência e ter registro de pescador há um ano, no mínimo. Não é vedado o acúmulo de outros benefícios (assistencial ou previdenciário).
Como vai ficar: será proibido o pagamento do benefício a quem já recebe aposentadoria, por exemplo. Além disso, será preciso comprovar três anos na profissão, um ano de contribuição à Previdência ou venda do pescado.
O local onde requerer o benefício vai mudar: antes, era preciso procurar as Superintendências do Trabalho ou postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Com a mudança, será preciso procurar as agências do INSS.
A medida entra em vigor dentro de 90 dias para ajustes de sistemas.

Confira resultado preliminar da prova para Pedagogo – Orientador Educacional

A Secretaria de Administração Pública do GDF divulgou na tarde de ontem (7) o resultado preliminar das provas objetivas do concurso para Pedagogo e Orientador Educacional.
Fruto de um intenso trabalho do Sinpro junto ao governo local, o concurso público – realizado ano passado – destina-se a selecionar candidatos para provimento de 50 vagas e formação de cadastro de reserva para o cargo na carreira do Magistério Público do DF.
Clique aqui e confira, no site da Quadrix – organizadora do concurso -, a relação completa com a nota dos candidatos. O formulário de recurso, solicitando revisão do resultado à Banca Examinadora, pode ser baixado clicando aqui.
O Sinpro está acompanhando todo o processo e manterá a categoria informada conforme cronograma abaixo.
Cronograma de fases do concurso de orientador educacional

Piso salarial dos professores terá 13,01% de reajuste e passará a valer R$ 1.917,78

O piso salarial do magistério será reajustado em 13,01%, conforme determina o artigo 5º da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. O novo valor será de R$ 1.917,78 – salário inicial dos professores de escola pública, com formação de nível médio e jornada de trabalho de 40 horas semanais – e passa a valer a partir deste mês. Nos últimos dias, o ministro da Educação, Cid Gomes, reuniu-se com representantes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Para o diretor de Assuntos Educacionais da CNTE, Heleno Araújo, o reajuste é necessário para que se cumpra o Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê equiparar o rendimento médio dos professores aos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência do plano.
“Esse reajuste é importante para alcançar a meta do PNE. Tem que valorizar a educação e os profissionais”, diz, enfatizando que muitos governadores, nas cerimônias de posse, afirmaram que o compromisso com a educação é forte.
Se por um lado existe a demanda de um piso cada vez maior, que garanta atratividade à carreira e valorização do profissional, por outro, há a dificuldade, principalmente dos municípios, na manutenção dos salários.
De acordo com o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, o novo piso significará, no total, um aumento de cerca de R$ 7 bilhões nos gastos dos municípios. “Ninguém é contra o piso”, justifica, “mas o problema vem se acumulando, está tirando muito qualidade da educação, não tem dinheiro para reformar as escolas, dar infraestrutura”, diz.
Segundo levantamento da CNTE, feito em maio do ano passado, 17 estados não respeitam o piso nacional ao definir o vencimento de carreira dos professores. Na lista, apenas sete unidades da Federação, entre elas o Distrito Federal, cumprem integralmente a lei, que prevê outras obrigações para os estados, como a reserva de um terço da jornada do professor para atividades extraclasse.
Evolução
O piso salarial passou de R$ 950, em 2009, para R$ 1.024,67, em 2010, e R$ 1.187,14, em 2011, conforme valores informados no site do MEC. Em 2012, o valor vigente era R$ 1.451; em 2013 passou para R$ 1.567; e, em 2014 foi reajustado para R$ 1.697,39. O maior reajuste foi 22,22%, em 2012.

Nota de Falecimento

A Diretoria do Sinpro/DF comunica, com pesar, o falecimento da professora aposentada Judite Viana de Oliveira, aos 70 anos.
Judite foi professora em Taguatinga, atuando em diversas escolas, como o Centro de Ensino 11 e a Escola Classe 18.
A professora faleceu neste domingo (4), de causas ainda desconhecidas.
O velório acontece nesta quarta-feira (7), no Cemitério São Francisco de Assis, em Taguatinga, a partir do meio dia, na capela 4. O sepultamento está marcado para as 16h.
A Diretoria do Sinpro/DF junta-se à família de Judite Viana de Oliveira neste momento de dor, expressando seus sinceros pêsames.

CUT solicita reunião com novo governador do DF

A Central Única dos Trabalhadores – CUT solicitou, em caráter de urgência, audiência com o novo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, eleito nas últimas eleições, para tentar solucionar as pendências salariais dos servidores públicos do GDF. O pedido foi protocolado no anexo do Palácio do Buriti, nesta segunda-feira (5).
Desde o fim do ano passado, servidores da saúde e da educação aguardam o pagamento do 13º salário dos aniversariantes do mês de dezembro. As férias das categorias, que deveria ter sido paga no dia 2 de janeiro, também não foi creditada nos contracheques dos trabalhadores.
O salário dos servidores referente ao mês de dezembro também corre o risco de não ser pago em dia. Em pronunciamento público, a Agência Brasília, órgão oficial de comunicação do GDF, afirmou que “errou ao informar que o pagamento dos salários dos servidores do Governo do Distrito Federal está garantido para 8 de janeiro, uma vez que isso depende das condições orçamentárias e financeiras”.
“A CUT, apostando no diálogo com o novo governo, acredita que, nas próximas horas, será agendada reunião para solucionar a demanda dos servidores da educação e da saúde. Esperamos que o GDF valorize a prática da boa negociação ao invés do conflito com a classe trabalhadora”, afirma o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Trabalhadores terceirizados
Além dos servidores da educação e da saúde, trabalhadores terceirizados de quatro empresas que prestam serviço nessas áreas também estão com verbas remuneratórias atrasadas. A falta de pagamento vai desde vale-transporte e vale-alimentação até 13º salário e férias.
A CUT também pretende discutir o assunto junto ao GDF para conseguir solucionar efetivamente o problema que se estende desde o ano passado. Devido a falta de pagamento, trabalhadores terceirizados de diversos setores paralisaram as atividades.
A categoria realizará assembleia geral na próxima quarta-feira (7), no estacionamento do Teatro Nacional, para debater esses problemas e discutir os desdobramentos da Campanha Salarial 2015.
Fonte: CUT Brasília

Professores reclamam de falta de tecnologia nas escolas do país

Pesquisa internacional mostra que 48,8% dos docentes brasileiros têm acesso ruim à internet

Acesso à internet e ferramentas digitais parecem intrínsecos à rotina moderna. Mas em salas de aula no Brasil, essa não é uma realidade.
Pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 34 países revelou índice elevado de insatisfação de professores e de docentes com o uso de ferramentas tecnológicas na aprendizagem.
As perguntas da Talis (sigla em inglês para Pesquisa Internacional Sobre Ensino e Aprendizagem) foram feitas entre 2012 e 2013 e se aplicam à rotina de escolas públicas e privadas dos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano).
De acordo com o Inep (órgão responsável por aplicar o teste no Brasil e subordinado ao Ministério da Educação), as respostas da amostra de 14,2 mil professores e de cerca de mil diretores refletem a realidade nacional.
Os dados mostram que quase metade dos professores (48,8%) dessa etapa do ensino afirmam ter “acesso à internet insuficiente”. Esses docentes atuam em escolas onde, segundo os diretores, o fator prejudica “até certo ponto” ou “muito” a oferta de ensino de qualidade.
Outros 45% apontam “escassez ou inadequação” de computadores. Entre os Estados brasileiros, há variações.
No caso do Maranhão, a ausência de equipamentos ultrapassa 75% dos casos.
O índice capta exclusivamente a realidade de escolas municipais e estaduais.
Presidente da Undime (entidade que representa os secretários municipais de Educação), Cleuza Repulho afirma que houve melhorias nos últimos anos, mas o acesso à internet de qualidade ainda é precário em muitas escolas.
O programa do governo federal para levar conexão às escolas públicas, chamado “Banda Larga nas Escolas”, foi lançado em 2008, mas não há prazo para sua conclusão.
Dados do Ministério das Comunicações mostram que o projeto conseguiu conectar 92,24% do colégios.
Os entraves agora, segundo a pasta, estão concentrados em problemas de infraestrutura das escolas (que impede a instalação da rede) ou no descumprimento de prestadoras de telefonia, que mesmo notificadas sobre as escolas desconectadas não completaram as instalações.
Repulho aponta ainda certa dificuldade dos professores em adotar esse recurso como rotina em sala de aula.
“Ainda tem muito de ‘vamos para o laboratório de informática’. Poucas são as redes onde a internet faz parte do cotidiano. Não é fácil fazer a transposição.”
Diretora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Lívia Borges pondera que o ambiente escolar “leva tempo maior para assimilar as tecnologias que chegam à sociedade”.
Para ela, as limitações do uso das tecnologias se devem principalmente à carência de apoio técnico nas escolas e de tempo limitado dos docentes para se aprimorarem.
Fonte: Folha de São Paulo

Professores/as de SP decidem suspender greve e manter estado de alerta e mobilização

Com a presença de cerca de três mil professores, a assem­bleia estadual da APEOESP realizada nesta sexta-feira, 10 de maio, no Vão Livre do MASP aprovou a suspensão da greve da categoria, que ocorre desde o dia 19 de abril e a manu­tenção de estado de alerta e mobilização para cobrar a efetivação dos compromissos firmados pelo Secretário da Educação em reunião de negociação ocorrida na parte da manhã.
Desde o início da greve a APEOESP buscou incessante­mente canais de negociação com o Secretário Estadual da Educação em torno da pauta de reivindicações.
Finalmente a reunião ocorreu e houve compromisso do Secretário com o atendimento de alguns pontos da pauta, como:
>   Fim da prova anual aplicada aos professores da chamada “categoria F”;
>   Fim da prova exigida dos professores da chamada “cate­goria O”
que já pertencem à rede estadual;

>   Direito de atendimento médico pelo IAMSPE aos profes­sores da
“categoria O”;

>   Concurso público no segundo semestre para professores PEB II;
>   Não privatização do Hospital do Servidor Público e do IAMSPE;
>   Convocação da comissão paritária prevista no artigo 5º da lei
complementar nº 1143/11 para discussão da pos­sibilidade de novo
reajuste e discussão da implantação paulatina da jornada do piso
(no mínimo 1/3 da jornada para preparação de aulas e formação,
entre outras ativi­dades extraclasse);

>   Convênio em torno de projeto a ser elaborado pela APEOESP para
prevenção e combate à violência nas escolas;

>   Discussão do pagamento dos dias parados e retirada das faltas da
greve mediante reposição de aulas.

A APEOESP solicitará reunião com o Secretário de Ges­tão Pública para tratar do não desconto das licenças e faltas médicas para fins de aposentadoria especial e, junto com as demais entidades do funcionalismo, para que seja extinta a comissão que trata da Parceria Público-Privada que encami­nharia a privatização do Hospital do Servidor/IAMSPE, tendo em vista que o governo anunciou que isto não ocorrerá.
Ainda que esses resultados não representem o aten­dimento de todas as nossas reivindicações, o Conselho Estadual de Representantes realizado após a reunião com o Secretário considerou que houve avanços e conquistas e decidiu encaminhar à assembleia a proposta de suspensão da greve. Cabe ressaltar também que nos últimos dias a greve vinha perdendo força. Dos 15 oradores, apenas 4 defenderam a continuidade da greve. Proclamado o resulta­do, grupos minoritários (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU e Partido da Causa Operária – PCO), que arregimentaram estudantes e pessoas que pertencem a outras categorias para comparecer à assembleia dos profes­sores, passaram a realizar um grande tumulto, arremessando objetos e agredindo pessoas.
Entre os que provocaram o tumulto estavam pessoas visivelmente embriagadas e alteradas, comportamento que não condiz com o que se espera de professores. Muitos eram professores da rede municipal de ensino, que estão em greve e queriam forçar a continuidade da greve dos professores estaduais como forma de angariar apoio a seu próprio movimento.
São estes os fatos ocorridos na Avenida Paulista nesta sexta-feira, que serão discutidos pelo Sindicato no sentido de que sejam tomadas providências para estes lamentáveis acontecimentos não mais voltem a ocorrer.
Secretaria de Comunicações

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