Evasão e ausência de programas de governo alimentam crise da alfabetização de adultos no DF

Uma série de problemas resultantes da negligência do Governo do Distrito Federal (GDF) com a Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores (EJAIT) alimenta a crise da alfabetização de adultos no Distrito Federal. A evasão e o desaparecimento de pessoas interessadas em se alfabetizar são apenas alguns dos sintomas da falta de investimento nesse segmento da educação pública.

Nesta terceira matéria da campanha 2024 em defesa da EJAIT, o Sinpro-DF prossegue com a análise da professora Maria Madalena Tôrres, que, em entrevista especial para o sindicato, analisa a situação atual e mostra problemas fáceis de resolver quando o governo se interessa em ver a população da cidade alfabetizada.

Evasão e covid-19

Um dos principais problemas é o alto índice de desaparecimento das pessoas na alfabetização e a elevada evasão de quem já passou pela escola. “Posso falar sobre educação popular: a viabilização das turmas de alfabetização após a pandemia da covid-19 está sendo um trabalho muito duro mesmo para o educador popular, mesmo com a gente indo de casa em casa, formando laços com a comunidade, se organizando com ela, dando valor maior ao estudante, mas, ainda assim, a gente enfrenta o problema de evasão”, afirma Madalena.

Segundo ela, depois da pandemia da covid-19, o desaparecimento dos(as) alfabetizandos(as) se tornou ainda mais forte. “As pessoas ainda têm medo da covid-19 e, muitas vezes, elas vão para a sala de aula, mas, mesmo a gente seguindo todos os protocolos de segurança, utilizando o recurso do álcool em gel, o uso de máscara em sala de aula, etc., a gente percebe que se alguém espirrar dentro da sala, no outro dia vários(as) estudantes não comparecem e desaparecem”.

Ela diz que, antes da pandemia, a evasão era quase nula. “No entanto, mesmo considerando o medo da covid-19, nem tudo que aprofunda a crise da alfabetização de adultos tem que ver com o medo de doenças. Até porque, mesmo com esse medo, a gente tem mais pessoas nas turmas do que a nossa própria escola pública. O trabalho realizamos é justamente para fortalecer a escola pública e o público, é fazer a alfabetização para ver se tem um Primeiro Segmento mais forte na escola pública. Mas, infelizmente, a gente termina de alfabetizar, mas o Primeiro Segmento não está perto, localiza-se muito distante, em outro setor da cidade, em local de difícil acesso para o nosso povo trabalhador, que chega cansado em casa e não se anima em ir para uma escola localizada em regiões muito distantes”, afirma.

Mopocem e Cepafre mobilizam Ceilândia contra o analfabetismo

A professora Madalena informa que o lema dos movimentos populares de alfabetização de adultos é alfabetizar próximo à casa das pessoas. “Tanto é que somos nós que nos deslocamos atrás deles e não eles que se deslocam atrás da gente”. Na Ceilândia, existem dois movimentos importantes que fortalecem a EJAIT na rede pública de ensino do Distrito Federal: o Mopocem e o Cepafre.

O Mopocem é o Movimento Popular por Uma Ceilândia Melhor. Muitas vezes, quando o Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre) vai a campo para a busca ativa, muitos integrantes do movimento social se juntam ao grupo para ajudar a fazer na busca ativa. O Cepafre alfabetiza adultos desde 1989, quando foi fundado. Contudo, muita gente que atua nele já se dedicava à educação de adultos desde 1986, no Núcleo Paulo Freire de Alfabetização de Adultos. Madalena é uma dessas pessoas.

O Cepafre também atua em parceira com o Pólo de Extensão da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de Brasília (UnB). Trata-se de um projeto de extensão coordenado pelo professor dr. Erlando da Silva Reses, que é responsável pelo programa de formação inicial, bem como pelos conceitos da educação de jovens e adultos para que os(as) alfabetizandos(as) atendidos(as) no Cepafre, ao concluírem a alfabetização, possam dar continuidade à EJAIT na rede pública de ensino do DF.

“Mas o que ocorre é que, muitas vezes, a gente faz tudo isso, e, no fim, não tem para onde conduzir boa parte de nossas turmas de alfabetização. Por isso que a solução para os problemas da EJA passa, primeiramente, pela disponibilidade de escolas para todos(as). Tem de ter escolas para todos e todas. O que está lá nas diretrizes é resultado de uma grande luta nossa de matrícula qualquer tempo. Isso é resultado da luta dos professores da EJA, dos movimentos sociais. Matrícula a qualquer tempo. Mas, matricular aonde? Tem de ter escolas para matricular as pessoas”, afirma Madalena.

Bairros populosos do DF não têm escola e nem incentivos para a alfabetização

Um dos problemas que a alfabetização de adultos no DF enfrenta é a negligência do GDF, que não tem um sistema adequado, eficiente e sistemático de realização de busca ativa e nem a iniciativa de construir escolas novas nos bairros populosos e nas regiões que estão crescendo. Na avaliação do Sinpro, a falta de unidades escolares na capital do País é um projeto do atual governo para privatizar o sistema público de educação, manter a população analfabeta, carente, sem chances de melhorar de vida e sem condições de criticar os governos de plantão.

Muitos bairros das mais de trinta Regiões Administrativas não têm escolas, como, por exemplo, a Expansão do Setor O, o Condomínio Privê e o Pôr do Sol, só para citar os bairros ligados à Região Administrativa de Ceilândia. Outra RA com problemas de abandono por parte do GDF é o Sol Nascente, uma cidade gigante que tem apenas uma única escola pública de alfabetização de adultos.  Além de novas escolas, é preciso ter uma metodologia conectada com a realidade do(a) trabalhador(a).

Madalena alerta para o fato de que é preciso o GDF adotar e atuar com a metodologia do afeto porque as pessoas precisam de afeto e atenção. Segundo ela, muitos alfabetizandos não têm diálogos nos locais de trabalho e, em casa, os filhos não gostam e nem têm paciência de ouvi-los. “Quando a gente os ouve, cria laços. É um gesto de amor profundo e é uma coisa que deve ser muito pensada na relação educador–educando”.

Ela também diz que é fundamental ter transporte coletivo público disponível em todos os horários, iluminação nas ruas e atendimento médico do Estado para atender a estudantes com problemas de saúde, como, por exemplo, programas que detectem problemas de visão porque, muitas vezes, as pessoas desistem de estudar por não conseguirem enxergar. “No movimento popular, a gente faz o teste de acuidade visual. Quando percebemos que a pessoa está com 80% da visão comprometida e, praticamente, sem enxergar, entramos com os óculos, mas, principalmente após os governos Temer e Bolsonaro, esse atendimento, que é obrigação do Estado, desapareceu. E, assim, muitas vezes, a gente não tem como ajudar. A EJA não vai funcionar por osmose: ela vai funcionar se tiverem todas as condições”, assegura.

Nos governos anteriores de Lula e nos governos Dilma Rousseff (PT), havia o programa Brasil Alfabetizado, que atuava em conjunto com o denominado Olhar Brasil, que atendia toda a EJA do País. “Esses programas foram importantes demais. Foram muito bons e muita gente foi alfabetizada”, conta.

DF já ganhou prêmio pelo desempenho no Brasil Alfabetizado

No governo Agnelo Queiroz (PT), quando os governos Lula e Dilma implantaram o programa Brasil Alfabetizado, o GDF instalou, nas Coordenações Regionais de Ensino (CRE) de várias Regiões Administrativas, turmas de alfabetização e EJA. Inclusive o programa Brasil alfabetizado foi uma forma de trazer estudantes para a EJA no Primeiro Segmento. Madalena conta que essa foi uma época produtiva da Secretaria de Estado da Educação (SEE-DF) na alfabetização de adultos. “Realmente, teve uma grande diferença. A gente conseguiu alfabetizar muita gente. O Cepafre era um grupo muito atuante, principalmente no processo de formação do Método Paulo Freire. O tempo dos programas Brasil Alfabetizado e DF Alfabetizado foi um tempo promissor”, lembra.

A professora diz que foi uma experiência muito interessante porque tinha tudo que a pessoa precisava para se alfabetizar: os óculos, o transporte, a metodologia adequada, o lanche condizente, a escola perto das pessoas, dentre outras necessidades básicas para o funcionamento da EJA e da alfabetização. “No P Norte de Ceilândia, por exemplo, foram alfabetizadas oito turmas na época e a escola passou a ter EJA. Contudo, logo depois vieram o governo Temer, do MDB, que fechou a EJA lá”, denuncia.

Atualmente, o GDF oferece a opção de a pessoa ir no balcão e se matricular a qualquer tempo e isso é uma vantagem conquistada pelos movimentos de defesa da alfabetização e da EJA. O governo Ibaneis Rocha (MDB) realizou uma busca ativa oferecendo o número 156, Opção 2. “Isso não resolve. Não atrai a pessoa. Esse acesso deve estar sempre disponível sim, mas não basta. Tem de divulgar insistentemente na mídia a existência desse número e informar às pessoas que elas podem procurar determinadas escolas e se matricularem. Além disso, precisa ter carro de som, bicicleta de som, chamar as pessoas todo dia. Colocar um grupo grande de pessoas nas ruas fazendo levantamento e busca ativa”, orienta.

No entendimento do Sinpro, o atual governo do DF não faz isso e parece esconder do povo que existe a escola pública e um programa público de alfabetização de adultos, denotando haver um projeto de demolição da EJA. “O governo Ibaneis tem uma resistência profunda a fazer o que tem de ser feito. A gente vê, muitas vezes, que a busca ativa só vai aparecer quando não tiver matrículas suficientes e a escola está prestes a fechar. Só aí que a escola se mobiliza. Isso deveria ser uma mobilização permanente para a gente ter um retrato diferente da EJA no DF e no Brasil”, finaliza a professora Madalena.

 

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Veja o ponto a ponto da pauta de reivindicações atualizada

A pauta de reivindicações Campanha Salarial 2024 do magistério público do DF contém 183 itens, com inserções de propostas em três dos quatro eixos estabelecidos no documento. O texto foi aprovado pela categoria em assembleia realizada no último dia 20 de abril (Leia AQUI).

No Eixo I – Salários e benefícios, entre outras alterações, foram inseridas as pautas do achatamento dos padrões de 25 para 15; a garantia de aposentadoria especial para os(as) pedagogos(as) que atuam na Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem (EEAA), SEE, Sala de Recursos e pedagogo/a orientador/a educacional; além da implementação de programas e taxas de juros do BRB diferenciados, justos e não exorbitantes para a categoria (ativos(as) e aposentados(as)).

Já no eixo II – Qualidade social/gestão democrática da educação, foram inseridas as lutas pelo fim da militarização das escolas públicas e desmilitarização das escolas militarizadas; e a realização de concurso público e garantia da nomeação de orientadores(as) educacionais e professores(as), com oferta de vagas correspondentes à totalidade das carências da rede pública de ensino (cadastro reserva/excedentes).

No mesmo eixo, ainda entrou a garantia de que as turmas (classes) inclusivas e de integração inversa tenham, obrigatoriamente, monitor e/ou bidocência no período integral de regência e também atendimentos os turnos integrais.

Ainda no eixo II, a categoria aprovou a inclusão da ampliação do atendimento da EJA/EJAIT nos turnos diurno e noturno, nos três segmentos e em todas as cidades do DF, bem como ampliação do ensino médio regular noturno como estratégia para redução da evasão escolar. Também foi inserida a garantia do direito ao ensino médio em território para a modalidade Educação do Campo.

No subitem “Professores/as em regime de contratação temporária” do Eixo II, está a luta pela garantia da participação desse grupo na Semana Pedagógica.

O lançamento de edital para processo seletivo para pessoas 60+ na UniDF é outra novidade na pauta de reivindicações atualizada da categoria do magistério público no DF, no subitem “Aposentados e Pensionistas”, do Eixo II do documento. O conjunto de proposições aprovado na 1ª Conferência dos Aposentados e das Aposentadas, realizada no último mês de março, foi absorvido pela pauta de reivindicações Campanha Salarial 2024.

Diante do crescimento dos casos de violência contra a categoria, no subitem “Segurança nas escolas” do Eixo II, a categoria reivindica a garantia de uma política com protocolo de ações de combate a todos os tipos de violências contra professores(as), bem como, orientadores(as) educacionais e estudantes, garantindo a integridade da pessoa humana.

Uma das inclusões feitas no Eixo III – Formação, foi a garantia da inserção do módulo de estudo sobre Direitos Humanos e Diversidade em todos os cursos de caráter obrigatório de entrada na rede e da gestão democrática, por meio do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE).

Além dos 38 novos itens inseridos na pauta de reivindicações, há também os que foram excluídos, por já terem sido contemplados.

Clique AQUI e acesse a Pauta de Reivindicações Campanha Salarial 2024

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Superlotação de salas de aula se agrava ano após ano no DF

Além da dengue, a superlotação das salas de aula é uma situação endêmica em todo o distrito Federal. Não há uma regional de ensino que não esteja enfrentando excesso de estudantes em suas salas de aula. A superlotação das salas de aula é um problema que vem aumentando ano após ano. Neste ano letivo de 2024, tampouco se vislumbra, por parte do governador Ibaneis Rocha, alguma iniciativa para resolver o problema da superlotação das escolas da rede distrital. Continuamos com aumento no número de alunos por sala de aula em até 60% do recomendado pelo PDE, com crianças e jovens amontoados em espaços mal ventilados.

O Sinpro intensifica a luta contra a superlotação nas salas de aula. Convidamos professores e professoras (efetivos(as) e do contrato temporário), além de orientadores(as) educacionais a, juntos, denunciarmos o descaso de Ibaneis e Hélvia com a educação, em mais uma etapa de sua campanha.

Foram confeccionadas placas para denunciar a superlotação nas salas de aula. Solicite à diretora ou ao diretor do Sinpro que atende a sua escola uma placa, escreva com pincel de lousa o número ideal de alunos da sua turma e quantos existem de fato. Tire uma foto da placa presa perto da porta da sua sala de aula e envie a imagem (com o nome da escola, regional, e a turma em que você leciona) para imprensa@sinprodf.org.br

Se preferir, você pode baixar o PDF desse cartaz no link abaixo:

Baixe o PDF aqui

“Deveria haver 28 crianças matriculadas na minha turma de primeiro ano, mas eu estou com 31 alunos. São crianças de 6 anos, em fase de transição, acabaram de chegar da educação infantil. O processo de adaptação delas é mais demorado. Não é possível abarrotar uma turma de primeiro ano Fundamental”, reclama a professora Ana Paula Aguiar, da EC 01 do Lago Sul.

Basta de descaso! Reduzir o número de estudantes por turma e encaminhar com urgência as nomeações do concurso de 2022 é fundamental para fortalecer a escola pública! A qualidade do ensino para investir no futuro das nossas crianças e adolescentes depende disso!

Veja aqui a série de reportagens sobre a superlotação das salas de aula da rede distrital de educação

1- QUANTOS ALUNOS TEM NA SUA SALA? BASTA DE SUPERLOTAÇÃO!

2- FALTA DE PLANEJAMENTO GERA CUSTOS FUTUROS

3- A PERIFERIA DE BRASÍLIA É A QUE MAIS SOFRE COM O DESCASO DE IBANEIS

 

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Agressões à categoria do magistério público são ataque frontal à democracia

Em menos de dez dias, foram registrados casos de agressão contra duas professoras e um monitor da rede pública de ensino. O cenário escancara a negligência do governo Ibaneis com a educação e com a sociedade.

O primeiro caso de agressão dos últimos dez dias data de 17 de abril, no Centro de Ensino Médio 01 do Gama. A mãe de uma estudante ameaçou uma professora da unidade por ela ter explicado à aluna que, pela Constituição brasileira, em regra, não cabe ao Poder Judiciário a elaboração e revogação de leis. Essa é uma prerrogativa do Poder Legislativo. (Leia mais AQUI)

Nessa terça-feira (23/4), a mãe de um estudante da Escola Classe 803 do Recanto das Emas invadiu a sala de aula e agrediu uma professora com puxões de cabelo e soco no rosto. O monitor que tentou apartar a briga também foi agredido. A mulher, que segundo a polícia parecia estar sob efeito de álcool e/ou drogas, chegou a ir para a delegacia, mas fez pronunciamentos desconexos sobre o motivo da agressão.

Nenhuma agressão é justificável. Professores(as), orientadores(as) educacionais e qualquer outro trabalhador ou trabalhadora precisam ser respeitados em seus locais de trabalho, que devem ser ambientes que assegurem a integridade física e psicológica.

No caso dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, o crescimento do estímulo à violência contra a categoria pode ser registrado a partir de 2018, quando foram adotadas – inclusive com respaldo do governo federal à época – práticas hostis. Entre elas, a perseguição à liberdade de cátedra e a criminalização da categoria, acusada injustamente de ser “doutrinadora” e de estimular a “sexualização” das crianças e adolescentes.

O Sinpro e organizações parceiras que defendem a educação pública resistiram e se contrapuseram à avalanche reacionária. Foram realizados protestos, presença em audiências públicas, discussões com parlamentares e com a sociedade.

Por outro lado, o governo Ibaneis Rocha, que iniciou a gestão em 2018, se omitiu de promover qualquer tipo de política ou ação que assegurasse aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais um ambiente de trabalho seguro. A inação se mostra uma verdadeira banalização da violência contra a categoria do magistério.

O desrespeito e o descaso com a educação pública são evidentes. Mas é importante lembrar que escola é também espaço de formação de pensamento crítico, e isso não importa a governos indispostos com a pluralidade, diversidade, liberdade, justiça.

O Sinpro-DF avalia o cenário como um ataque frontal à democracia, com sérios prejuízos à sociedade. Agressões físicas, verbais ou psicológicas a professores(as), orientadores(as) educacionais e demais profissionais das escolas normalizam a violência e geram clima de medo, inviabilizando o debate de ideias e a liberdade de expressão, pilares essenciais para uma sociedade promotora da cidadania.

Alinhado a valores democráticos de diálogo, respeito e tolerância, o Sinpro, com o aval da categoria, inseriu na pauta de reivindicações a garantia da segurança aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

Repudiamos todo tipo de agressão à nossa categoria, bem como a negligência do GDF em solucionar a situação que se torna mais grave a cada dia.

 

Diretoria colegiada do Sinpro-DF

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Últimos dias para submissão de trabalhos e inscrição no IX CONCOCE

O IX Congresso Centro-Oeste de Ciências do Esporte convida professores(as) da rede pública do Distrito Federal (DF) a submeterem seus trabalhos e a inscreverem-se. O prazo final para submissão de trabalhos é dia 30 de abril.

Os(as) professores(as) interessados em submeter seus trabalhos devem acessar o link a seguir. Submeta aqui: https://cbce.org.br/evento/concoce/submissoes. Confira no final desta matéria os procedimentos para apresentação dos trabalhos.

Para as inscrições, acesse o link no site do cbce: https://www.cbce.org.br/evento/concoce/inscricoes

Este ano, o IX Congresso Centro-Oeste de Ciências do Esporte (CONCOCE) terá como temática a “Formação humana e intervenção em Educação Física” com o intuito de contribuir com muitas reflexões na área.

O congresso será realizado entre os dias 29 de maio de 2024 e 1º de junho de 2024 na Universidade Estadual de Goiás UnU Goiânia ESEFFEGO.

O evento é organizado pelo Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), mas, na edição deste ano, tem sido organizado coletivamente pelas Secretarias Estaduais de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

 

PROCEDIMENTOS PARA SUBMISSÃO DOS TRABALHOS

 

💠 Formatos de Submissão:

  1. a) Trabalhos Completos – Comunicação Oral
  2. b) Resumo Expandido – Apresentação em Pôster

 

SERVIÇO

🗓️ Evento: 29/05 a 01/06/2024
📍 Local: UEG/ESEFFEGO, Goiânia, Goiás

 

“Querem nos calar”, diz diretor do CEM 01 do Gama após episódio de assédio

A criminalização de professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública tornou-se uma constante. No último dia 17 de abril, o alvo foi uma professora do Centro de Ensino Médio 01 do Gama. Após ameaças físicas e violência verbal da mãe de uma estudante do 2º ano, a docente recebeu indicação médica de afastamento das atividades laborais por 30 dias, devido ao abalo psicológico.

As agressões vieram à tona após a professora explicar à estudante que, pela Constituição brasileira, em regra, não cabe ao Poder Judiciário a elaboração e revogação de leis. Essa é uma prerrogativa do Poder Legislativo.

A explicação, feita com embasamento teórico, foi feita após a estudante ter escrito em uma redação que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes havia acabado com as leis do Brasil.

“A aluna ligou para a mãe contado o que a professora tinha falado. A mãe, imediatamente, mandou áudio para a supervisora da escola dizendo que não aceita, de modo algum, que a filha seja doutrinada”, conta o diretor do CEM 01 do Gama, Macário dos Santos Neto.

Segundo o gestor, a mãe ainda afirmou que “é amiga do deputado Nikolas Ferreira, do deputado Gustavo Gayer e do senador Cleitinho”, e que “se a escola não desse um jeito, ela ia esfregar o celular na cara da professora para mostrar que as leis foram mudadas, sim”. As falas estão gravadas.

Não contente com as ameaças feitas pelo telefone, a mãe da estudante chegou a ir à escola. Lá, ela repetiu todo o repertório e disse que “ia atrás dos seus direitos”.

Chocado com a situação, professor Macário Neto ainda diz que a categoria do magistério público não tem o apoio devido do governo do DF. “Vivemos diante de uma Secretaria de Educação que não nos dá apoio nenhum diante de situações como essa. Os professores da rede estão jogados à própria sorte.”

Diretores do Sinpro, assim que souberam do caso, foram à escola para averiguar a situação e dar total apoio à professora. “Não há dúvidas de que isso é um claro ataque à liberdade de cátedra. Escola é lugar de conhecimento, de diálogo, de tolerância, de respeito à diversidade”, disse o diretor do sindicato Raimundo Kamir.

Como forma de apoio, servidores(as) do CEM 01 do Gama lançaram nota de repúdio contra o caso de assédio. “Qualquer prática infundada (seja por atos verbais ou físicos) que desqualifique o nosso trabalho em sala de aula deve ser rechaçado o mais rápido possível, para a garantia de um ambiente de trabalho saudável que se desdobre em respeito e na garantia de direitos inalienáveis”, diz trecho do documento. No texto, os(as) servidores(as) afirmam também que os(as) professores(as) do CEM 01 do Gama “possuem alto nível de conhecimento acadêmico e técnico”, e que “primam pela busca incessante de profissionalismo e ética, dentro e fora da sala de aula”.

A afirmação exposta na nota de repúdio é embasada pelo rendimento dos(as) estudantes do CEM 01 do Gama. De acordo com informações da equipe gestora, todos os anos, mais de 100 estudantes são aprovados no vestibular da Universidade de Brasília (UnB).

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Aposentados(as) e professores(as) do contrato temporário contam com novo Sistema Peticionamento Eletrônico

O Sinpro-DF informa aos(às) professores(as) do contrato temporário (CT’s) e aos(às) aposentados(as) que a Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF) disponibilizou nova forma de pedir documentação via Internet. O novo sistema facilita a vida de quem não têm acesso ao SEI e garante mais autonomia e independência para a petição de alguns documentos na secretaria.

Basta clicar no link do Sistema de Peticionamento Eletrônico (Sispe), acessá-lo pelo gov.br < https://sistemas.df.gov.br/sispe/login>, fazer o login, entrar na SEEDF e buscar o documento de que necessita. Confira o passo a passo no final da matéria.

O novo Sispe (as) oferece a rapidez da Internet e o acesso on-line com navegação fácil e intuitiva. Inclusive os(as) novos(as) professores(as) nomeados(as), que ainda não têm acesso ao SEI, podem usar o sistema para acessar, por exemplo, o link da “Posse eletrônica para servidores nomeados para cargos efetivos”.

Já os(as) professores(as) do contrato temporário e aposentados(as) conseguem fazer diversas ações pelo novo sistema, incluindo pedidos de revisão de pagamento, declaração de despesa de exercício anterior, fichas financeiras, revisão de aposentadoria/pensão e gratificações, entre outras.

Acesse! Clique no link do peticionamento, navegue, conheça, confira e utilize: https://sistemas.df.gov.br/sispe/login

Confira a seguir o passo a passo para acessar os peticionamentos disponíveis da SEEDF:

1 – Acesse o link do peticionamento: https://sistemas.df.gov.br/sispe/login

2 – No topo, selecione o “Novo Peticionamento”

3 – Pesquise pela SEE-DF e selecione o órgão à esquerda

4 – Ao abrir a página da SEE-DF, pesquise o que precisa nos espaços destinados à pesquisa ou abaixo confira os peticionamentos disponíveis.

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Festa e luta no 1º de maio; confira a programação

Música, atrações infantis, gastronomia e luta estão na agenda do 1º de maio da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF). No Dia da Classe Trabalhadora, ato político-cultural ocupará o Eixão do Lazer (altura da 106 Sul), a partir das 9h.

Nei Casemiro e trio, Sambarrumadin e Claudinha Costa e trio levam samba e MPB para a festa. Para a criançada, brinquedos infláveis. No espaço também haverá food trucks, com comida boa. E quem quiser, pode levar seu isoporzinho.

Com o entendimento de que a classe trabalhadora é uma só, a diretoria do Sinpro convida todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para o 1º de maio da CUT-DF. Para o sindicato, a construção de uma sociedade justa e igualitária passa necessariamente pela unidade de todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras.

>> Leia também: CATEGORIA DO MAGISTÉRIO PÚBLICO SE SOMA AO 1º DE MAIO DA CUT

Vem aí a 17ª Jornada Literária do Distrito Federal | São Sebastião e Paranoá

A Associação Cultural da Jornada Literária do Distrito Federal realiza a 17ª edição da Jornada Literária na rede pública de ensino do Distrito Federal e pretende envolver, nas oficinas de mediação de leitura com encontros com 21 autores brasileiros contemporâneos, mais de 200 professores(as) e cerca de 5 mil estudantes da rede.

A jornada vai acontecer nos dias 3 a 7 de junho, na sede da Jornada, no Paranoá, e de 10 a 13 de junho, no Instituto Federal de Brasília (IFB) de São Sebastião. Em razão de ser realizada nessas duas Regiões Administrativas, a edição deste ano recebe o nome de “Jornada Literária – Edição São Sebastião e Paranoá”. Não percam!

“A novidade desta edição é que há participação de mais Escolas do Campo. São escolas que ficam situadas foram das áreas urbanas e, por isso, o acesso a bens culturais é menor ainda”, afirma Marilda Bezerra, uma das idealizadoras da Jornada. Ela é jornalista e trabalhou por mais de duas décadas com assessoria de imprensa. No entanto, em 2016, ela e o escritor João Bosco Bezerra Bonfim criaram a Jornada Literária do DF, programa de formação de leitores(as), que leva literatura, livros e escritores para estudantes e professores(as) das escolas públicas situadas fora do Eixo do Plano Piloto.

Com isso, desde então, Marilda vem atuando como produtora-executiva de projetos culturais e é uma das curadoras da Jornada Literária do DF. Ela conta que, desde o começo, no meio desses 17 anos, e agora, o que estimula a produção da jornada é a vontade de criar ambientes leitores. “Isso porque cada leitor e cada leitora se forma por si próprio. Lê. Gosta. Cria gosto. Faz disso uma diversão. Mas ninguém aprende a ser um leitor sem umas companheiras e umas companhias de jornada”, diz.

“Desde a primeira, em 2106, realizada no Paranoá, tem sido essa a toada: formar as professoras e professores como mediadoras e mediadores de leitura; distribuir por intermédio deles os livros; e promover o encanto dos encontros entre autoras, autores e leitores. Não vamos falar das dificuldades, que estas existem para a gente superar. Mas temos tido muitas – e boas colaborações. O Fundo de Apoio à Cultura (FAC), mesmo com as limitações, tem sido uma fonte de recursos considerável. Outros patrocinadores e parceiros, incluindo o SESCDF têm sido de grande valia. Mas nada estaria sendo feito sem essa maravilhosa parceria com professoras e professores, gestores e escolas públicas do DF. Estivemos, além do Paranoá e Itapoã, em Ceilândia, Gama, Brazlândia, Sobradinho, São Sebastião, nesses oito anos de trabalho. Até agora, mais de 150 mil leitores estiveram conosco. E esse trabalho tem nos proporcionado alegria”, conta Marilda.

O evento é realizado com recursos financeiros do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e tem o objetivo de formar leitores(as) de literatura. A ideia é promover 8 dias de imersão no universo literário com cinco mil estudantes de escolas públicas do Paranoá, Sobradinho, Itapoã e São Sebastião e levá-los(as) a conhecer livros literários, bem como participar de debates sobre literatura com 21 autores brasileiros contemporâneos.

A equipe do projeto informa que, para acompanhá-lo, basta acessar @‌jornadaliterariadf (ou https://www.instagram.com/jornadaliterariadf.) E avisa que, para esta edição, a convocatória já está fechada e as oficinas já começaram. No entanto, os(as) professores(as) que quiserem participar, devem pedir à direção para inscrever a escola no projeto. Informa ainda que, para as próximas edições, é importante que professores(as) e diretores(as) de escolas entrem em contato com a organização do projeto para saber quando começam as inscrições pelo endereço @‌jornadaliterariadf.

Preparação

Atualmente, a Associação está envolvida na etapa de preparação. Os(as) professores(as) das escolas que se inscreveram para participar da Jornada passam por oficinas de formação de mediadores de leitura. Participam das oficinas, que têm três horas de duração, mais de 200 professores da rede pública de ensino. Durante as oficinas, são abordadas algumas ferramentas de mediação de leitura em sala de aula com os alunos e apresentados os livros que serão doados para as atividades de mediação de leitura com os estudantes. As oficinas começaram em abril e seguem em maio e acontecem na sede da Jornada, no Paranoá, e no auditório do IFB, em São Sebastião.

Como parte do processo de formação de leitores de literatura entre os alunos participantes, serão doadas 1.400 obras literárias para cerca de 20 escolas públicas que participam desta edição da Jornada. Em junho, os alunos que participaram das atividades de mediação de leitura irão se encontrar com os autores dos livros recebidos e lidos previamente. O objetivo é estimular os jovens a lerem literatura e construir o gosto pela leitura literária.

Convidados

Desta edição da Jornada Literária do Distrito Federal participam as escritoras e os escritores Adriana Nunes, Ádyla Maciel, Alessandra Roscoe, Alexandre Brito, Caio Riter, Conceição Freitas, Cristiane Sobral, Elaine Maritza, Flávia Ribas, Felipe Cavalcante, Nahira Salgado, Ivan Zigg, João Bosco Bezerra Bonfim, Marcello Linhos, Marco Miranda, Marilia Pirillo, Nanda Fer Pimenta, Renato Moriconi, Roger Mello, Rogério Andrade e Tino Freitas.

Sobre a Jornada Literária do Distrito Federal

Em 2016, o escritor João Bosco Bezerra Bonfim e a jornalista Marilda Bezerra criaram a Jornada Literária do DF, programa de formação de leitores que desenvolve ações para promover o gosto pela leitura literária por meio do encontro de leitores com autores. A Jornada leva as artes verbais – poesia, histórias, álbuns ilustrados, espetáculos literários, debates, palestras conferências – para pessoas, comunidades e grupos que, usualmente, não têm acesso a esse bem cultural; por isso, no Distrito Federal, a opção por atuar junto a escolas e professores da rede pública de ensino. Mais de 150 mil estudantes e professores já foram beneficiados pelas atividades literárias oferecidas pela Jornada Literária. Em 2021, foi inaugurada a Sala de Leitura da Jornada Literária na sede da Associação Cultural Jornada Literária do Distrito Federal localizada no Paranoá. O local é aberto à comunidade de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h, com sessões de leitura e programação especial divulgadas pelas redes sociais da associação.

Sobre os realizadores

João Bosco Bezerra Bonfim é poeta, com 30 livros publicados, incluindo os infanto-juvenis e cordéis, sendo os mais recentes “A botija encantada” (Ed. DCL, 2017); “Era uma vez uma Maria Farinha” e “Lobo-Guará de Hotel” (Ed. Jornada Literária. Seu livro “Romance do Vaqueiro Voador” (LGE, 2004; Callis, 2009) foi transformado em filme homônimo, por Manfredo Caldas. João Bosco é graduado em Letras, Mestre e Doutor em Linguística e pesquisador na área de Análise do Discurso com estudos em narrativas e poesia. É um dos criadores da Jornada Literária do DF, programa de formação de leitores que já beneficiou mais de 150 mil estudantes e professores das escolas públicas do DF; tendo ministrado cerca de 150 oficinas de mediação de leitura, atividade fundamental para os encontros dos leitores com os autores realizados na Jornada.

Serviço:

17ª edição da Jornada Literária do Distrito Federal | São Sebastião e Paranoá

Quando | De 3 a 7 de junho

Participação | 5 mil alunos da rede pública de ensino

200 professores

Escolas do Paranoá, Sobradinho, Itapoã e São Sebastião

Livros distribuídos | 1,4 mil

Escritores | 21 autores contemporâneos de literatura

Informações sobre o projeto

 

Com informações do release da Associação Cultural da Jornada Literária do Distrito Federal

Assembleia define pauta de reivindicações da categoria

Professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais da rede pública de educação do DF aprovaram a pauta de reivindicações da categoria em assembleia realizada neste sábado, 20 de abril, no auditório da Câmara Legislativa.

A última atualização do documento havia sido feita em 2018. A pauta de reivindicações do magistério público é o documento que orienta a atuação da comissão de negociação do Sinpro junto ao GDF, e contém tanto pontos econômicos quanto pedagógicos.

O primeiro ponto da pauta de reivindicações destaca e reforça a luta pelo cumprimento da meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), equipara o vencimento básico de professores e professoras à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF de escolaridade equivalente. Essa tem sido uma luta prioritária do Sinpro desde a aprovação do Plano, em 2015.

Para Berenice Darc, diretora do Sinpro que compôs a mesa de organização dos trabalhos, a assembleia foi vitoriosa: “Nossa categoria se debruçou sobre sua pauta de reivindicações e deliberou de forma unitária, mostrando que é o processo democrático que nos fortalece”, destacou Berenice. “A assembleia mostrou que a categoria está unida em torno de suas reivindicações, com toda disposição para construir uma campanha salarial potente e conquistar vitórias”, afirmou a diretora do Sinpro Márcia Gilda.

A íntegra da pauta de reivindicações aprovada em assembleia será disponibilizada pelo Sinpro nesta segunda-feira (22).

 

19,8% já!

Na primeira assembleia geral do ano, realizada dia 20 de março, professores(as) e orientadores(as) educacionais aprovaram para a campanha salarial 2024 o índice de reajuste salarial de 19,8%. O índice repõe as perdas inflacionárias geradas de janeiro de 2019 a dezembro de 2023.

Além desse item, também são pontos centrais da campanha salarial a luta permanente pelo cumprimento da meta 17 do PDE; o cumprimento integral do acordo de greve firmado em 2023; e investimento na educação pública.

>>> Saiba mais: CAMPANHA SALARIAL 2024: 19,8% JÁ! RUMO À META 17

 

Próxima assembleia

A próxima assembleia geral do magistério público do DF será dia 22 de maio, quarta-feira, com paralisação. Nessa data, acontecerá a Marcha da Classe Trabalhadora a Brasília, e nossa assembleia se unirá a ela.

Entre abril e maio, haverá atos regionalizados, direcionados a demandas locais de cada regional de ensino.

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