Sinpro realiza debate sobre PNE na 25ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública
Jornalista: Vanessa Galassi
No próximo dia 26 de abril, sexta-feira, o Sinpro-DF realizará debate sobre o novo Plano Nacional de Educação 2024-2034, aprovado na Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada em janeiro deste ano. A atividade será às 19h, no auditório do Sinpro e com transmissão ao vivo pelo canal do sindicato no Youtube. Não é necessário fazer inscrição para o evento, e todos(as) os(as) participantes receberão certificado.
A atividade será conduzida pela Secretaria de Políticas Educacionais do Sinpro, composta pelos diretores Cláudio Antunes, Alberto Ribeiro e Carlos Maciel. O convidado para o debate é Júlio Barros, diretor do Sinpro e coordenador do Fórum Distrital de Educação. A mesa ainda terá participação de representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O evento do Sinpro sobre o novo PNE compõe a 25ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, proposta pela CNTE, de 22 a 26 de abril. Este ano, o tema é: “O PNE como Política de Estado e as Urgências da Educação Brasileira”. O objetivo é ampliar a conscientização sobre o novo Plano Nacional de Educação, que entrará na pauta do Congresso Nacional.
A proposta da 25ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública é que as organizações filiadas à CNTE em todo o Brasil realizem, de acordo com suas realidades, os debates. A Confederação disponibilizou um livreto que apresenta sugestões de temas para debate e atividades que podem ser desenvolvidas durante a semana.
Na apresentação do material-guia da 25ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, a CNTE destaca que também faz parte da atividade “a luta pelo piso e por planos de carreira dignos para todos/as os/as profissionais da educação, a gestão democrática nas escolas e nos sistemas de ensino, a segurança nas escolas e demais pautas”.
No documento, a CNTE destaca que ela e seus sindicatos filiados integrarão a Marcha da Classe Trabalhadora, organizada pela CUT e demais centrais sindicais, para o dia 22 de maio. “A pauta da educação será um dos temas centrais dessa importante mobilização”, traz o texto de apresentação do livreto.
Sinpro recepciona profissionais do magistério que conquistaram 40 horas; luta continua
Jornalista: Vanessa Galassi
O Sinpro recepcionou nesta quinta-feira (18), na Eape, mais de 200 professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino que assinaram o termo de ampliação de carga horária para 40 horas semanais. A conquista é resultado da Greve da Educação, realizada no ano passado.
“A gente fez questão de estar aqui hoje para compartilhar a alegria de vocês. E a luta continua por mais vitórias! Foi uma greve de 22 dias, uma greve difícil, mas que vem resultando em avanços. Entre eles, a ampliação da carga horária para pessoas que esperavam há mais de dois anos por isso”, disse a diretora do Sinpro Márcia Gilda.
A orientadora educacional Edilsa Nogueira Venâncio foi uma das que conquistaram a ampliação da carga horária para 40 horas. Emocionada, ela conta que a vitória foi determinante para sua vida. “Eu passei por uma situação que eu perdi a minha casa. Agora, estou comprando a minha casa de uma outra pessoa, que comprou a casa em um leilão. Então, para mim, (a ampliação da carga para 40 horas) é indispensável para aumentar a renda no banco”, diz.
Além do impacto financeiro, a orientadora educacional afirma que abriu o processo para ampliação da carga horária em maio de 2023 também por questões profissionais. “Eu amo trabalhar na educação. Eu gosto de fazer a diferença para as pessoas. A gente que trabalha na rede pública de ensino tem que ter essa noção da importância de dar toda atenção e instrução para nossos estudantes”, conta.
Filiada ao Sinpro desde 1999, ano que entrou na Secretaria de Educação do DF, Edilsa faz questão de ressaltar o papel no Sinpro na garantia da ampliação da carga horária para 40 horas semanais. “Se não fosse o Sinpro, a gente não conseguiria nada. A gente pede muito e, muitas vezes, a gente esquece de agradecer. Então eu quero agradecer ao Sinpro, a toda a diretoria, que lutou pela gente”, declara a orientadora.
No papel
A ampliação da carga horária para 40 horas semanais consta na Portaria 412, de 15 de abril. Entre outras determinações, o documento aponta que o(a) servidor(a) contemplado(a) deverá permanecer um ano na carência para qual for encaminhado(a) ou até o próximo Procedimento de Distribuição de Turmas/Carga Horária e Atribuição de Atendimento/Atuação.
A Portaria ainda deixa claro que, caso haja inexistência de carência em unidades da regional de ensino (CRE), o(a) servidor(a) poderá ter a ampliação efetivada em carência(s) definitiva(s) no âmbito de outra CRE.
“A nossa greve foi fundamental para esta conquista. Essa pauta fez parte do nosso acordo de greve, assim como a nomeação de todos e todas aprovados no concurso público, inclusive em cadastro reserva, e a realização de um novo certame. Caso contrário, a rede vai chegar em um estágio que tem mais professores em regime de contratação temporária que efetivos”, disse o diretor do Sinpro Samuel Fernandes, durante a recepção dos(as) servidores(as) que conquistaram a ampliação da carga horária para 40 horas semanais.
Sinpro integra comitiva da CNTE no Senado para alterar lei do Ensino Médio
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Representantes sindicais vêm se reunindo com Senadores e Senadoras para pedir alterações no PL do Ensino Médio, que veio da Câmara e tramita na Casa
Sindicalistas liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estiveram esta semana em visita a gabinetes de Senadores(as). O objetivo é dialogar com os e as parlamentares pedindo mudanças no PL do Ensino Médio no Senado, sempre em busca de avanços. As visitas ocorrem semanalmente, em grupos compostos por representantes de entidades sindicais de todas as unidades da federação.
Na tarde desta quarta-feira (17/4), representaram a CNTE Rosilene Corrêa e Raimundo Nonato Oliveira; pelo Sinpro, acompanharam o grupo a diretora Luciana Custódio e os diretores Fernando Reis, João Braga e Anderson Correa. Estiveram em alguns gabinetes, como o do senador Petecão (PSD/AC) e das senadoras Leila Barros (PDT/DF) e da senadora Teresa Leitão (PT/PE), orientadora educacional e pedagoga, egressa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).
Na terça-feira (16/4), as visitas foram feitas pelas diretoras do Sinpro Letícia Montandon, Fatinha de Almeida e Élbia Pires, pelos diretores Rodrigo Teixeira, Raimundo Kamir, Ricardo Gama e Alberto Ribeiro, mais Nonato da CNTE e uma dirigente do Sindicato Estadual dos profissionais de educação do Rio de Janeiro (SEPE). Também estiveram presentes, nas duas visitas, assessores do Sinpro.
A CNTE defende a inserção de cinco pontos no PL5230/23, para garantir avanços na oferta do ensino Médio no Brasil:
1) Equiparação da carga horária da formação geral básica em 2.400 h para os/as estudantes que optarem por itinerários da EPT, priorizando a oferta articulada e integrada da Educação Profissional Técnica de Nível Médio;
2) Definição de carga horária mínima para a FGB em cursos de tempo integral (4.200 h), com jornada escolar de pelo menos 7 horas diárias;
3) Oferta obrigatória da língua espanhola no ensino médio, podendo ser estendida aos estudantes do 2º ciclo do ensino fundamental em havendo condições estruturais nas redes de ensino;
4) Revogação do Notório Saber previsto no art. 61, IV da LDB ou ao menos, em caráter transitório, estabelecer critérios em âmbito nacional para essas contratações, mediante processo seletivo simplificado e com complemento pedagógico nas formações dos profissionais;
5) Exclusão do inciso I, § 4º do art. 35-B do substitutivo da Câmara, pois a redação resgata em grande parte o que foi consensualmente revogado no § 11 do ar. 36 da LDB, conflitando, ainda, com o caráter presencial e articulado entre a FGB e os itinerários formativos.
“É importante o diálogo constante e assertivo com senadores e senadoras, pois o PL 5230 sofreu muitas alterações para pior na Câmara. Precisamos reverter esse cenário para que os filhos e as filhas da classe trabalhadora tenham iguais chances de chegar ao ensino superior”, aponta Luciana Custódio.
Dia Nacional de Luta pelo Piso Salarial, Carreira e em Defesa do Ensino Médio
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Hoje (18/4) é dia de mobilizações em todo o Brasil em defesa do Piso Salarial Profissional do Magistério, Carreira e do Ensino Médio. Os atos são convocados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Aqui no Distrito Federal, a categoria aprovou em assembleia no último dia 20 de março a luta pelo reajuste salarial de 19,8%, sem abrir mão do cumprimento da meta 17 do Plano Distrital de Educação. E no próximo sábado, 20 de abril, o auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal recebe a assembleia geral da categoria às 9h, para discutir e aprovar a nova pauta de reivindicações da categoria.
Assim como a categoria de todo o país neste 18 de abril, o magistério do Distrito Federal luta pela valorização da profissão. Na capital do país, a rede pública conta com turmas superlotadas, déficit de 9 mil profissionais e 70% de regência de classe com professores(as) em regime de contrato temporário. São profissionais que, efetivos(as) ou de contrato temporário, formam um dos contingentes com uma das melhores formações acadêmicas do Brasil. Seu vencimento básico, pela meta 17 do Plano Distrital de Educação, deveria estar equiparado à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF de escolaridade equivalente neste ano de 2024, mas essa meta (também) não foi alcançada.
Outro ponto da luta nacional da CNTE é em defesa de um plano de carreira para a categoria do Magistério. Atrelar salários a um plano de carreira é um dos pioneirismos no Sinpro no movimento sindical da educação.
Assim como a CNTE, o Sinpro defende o PL do Ensino Médio enviado pelo governo federal, sem substitutivos. Esse PL é resultado da consulta pública realizada com estudantes, profissionais e estudiosos(as) da educação, e foi composto coletivamente, com a plena participação da sociedade civil organizada.
Nossa luta se soma à luta de todos(as) os(as) companheiros(as) do magistério do Brasil, por um piso nacional que seja justo e não seja tratado como teto de vencimentos da categoria. E, para além da remuneração da categoria, também lutamos por uma educação de qualidade, laica e socialmente referenciada, que não comporta um projeto de ensino médio cujo objetivo é deteriorar a qualidade da educação pública.
Superlotação em turmas de alfabetização: negligência de Ibaneis que, em 10 anos, vai gerar demandas por readequação etária (e custos)
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Em cada tipo de escola, o prejuízo pedagógico e as consequências da superlotação se revelam de forma diferente. As Escolas Classe e Centros de Ensino Infantil, por exemplo, recebem crianças que ainda pedem colo e precisam aprender, dentre outras coisas, a manipular e controlar adequadamente o material escolar. Demandam muita atenção das professoras. Mas a contrapartida do governo ocorre em forma de negligência, descaso e muito improviso. E a negligência de agora vai sair caro na próxima década.
O Sinpro intensifica a luta contra a superlotação nas salas de aula. Convidamos professores e professoras (efetivos(as) e do contrato temporário), além de orientadores(as) educacionais a, juntos, denunciarmos o descaso de Ibaneis e Hélvia com a educação, em mais uma etapa de sua campanha.
Foram confeccionadas placas para denunciar a superlotação nas salas de aula. Solicite à diretora ou ao diretor do Sinpro que atende a sua escola uma placa, escreva com pincel de lousa o número ideal de alunos da sua turma e quantos existem de fato. Tire uma foto da placa presa perto da porta da sua sala de aula e envie a imagem (com o nome da escola, regional, e a turma em que você leciona) para imprensa@sinprodf.org.br
“Deveria haver 28 crianças matriculadas na minha turma de primeiro ano, mas eu estou com 31 alunos. São crianças de 6 anos, em fase de transição, acabaram de chegar da educação infantil. O processo de adaptação delas é mais demorado. Não é possível abarrotar uma turma de primeiro ano Fundamental”, reclama a professora Ana Paula Aguiar, da EC 01 do Lago Sul.
“Nas turmas de alfabetização, a falta de um olhar para as individualidades, diferentes contextos, ritmos e estilos de aprendizagem gera prejuízos incalculáveis que podem se estender por todo o processo de escolarização, gerando a necessidade de maiores investimentos para a recomposição das aprendizagens que não foram construídas no período próprio. A alfabetização malfeita hoje vai se tornar, daqui a cinco ou dez anos, uma demanda por turma de readequação etária, e isso tem um custo – financeiro e humano”, lembra Olga Freitas, que é Pedagoga, Doutora em Educação e Mestra em Neurociência do Comportamento, dentre outras qualificações.
A Escola Classe Sonhém de Cima fica 13 quilômetros da Fercal, em Sobradinho, no Assentamento Contagem. A unidade escolar é fruto da luta camponesa organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Após anos acampadas, as famílias conquistaram o direito à terra e também à educação pública.
Hoje, 170 estudantes do 1º ao 5º ano frequentam a EC Sonhém de Cima. Eles moram no próprio Assentamento Contagem, em fazendas da redondeza e em áreas urbanas da Fercal. São filhos e filhas de agricultores camponeses, trabalhadores rurais, diaristas, trabalhadores das fábricas de cimento situadas na região. São, acima de tudo, “sujeitos de direito”, como faz questão de lembrar o professor Sérgio Luiz, que atua há 12 anos com Educação do Campo, seis deles na EC Sonhém de Cima.
Sertanejo do Morro D’água, povoado de Barro Alto, na Bahia, o professor luta há anos para que os saberes e fazeres das populações camponesas, bem como suas matrizes formativas (trabalho, terra, cultura, história, vivências de opressão, conhecimento popular, organização coletiva e luta social), sejam pilares dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas do campo. Isso aliado ao Inventário da Realidade, instrumento de pesquisa-ação que identifica os aspectos sociais, históricos, geográficos, culturais e ambientais das comunidades camponesas.
Quando criança, Sérgio Luiz estudou em escola rural. E é da própria vivência que traz os argumentos consolidados da importância de uma Educação do Campo que reflita e valorize a realidade e a ciência da comunidade que atende.
“A educação rural não trazia os saberes e fazeres do campo para a sala de aula. Quem era do campo, era atrasado, era ‘da roça’. Os direitos não eram respeitados. Não tinha livro didático que refletisse nossa realidade, não tinha transporte. A Educação do Campo é diferente. Ela é uma política pública que acabou de completar 25 anos. Aliás, chamamos de Educação do Campo, das Águas e das Florestas. Aos poucos, vamos mostrando que quem estuda na escola do campo não é tabaréu (incompetente). O campo é um território repleto de partilhar de saberes, fazeres e valores que, além de produzir alimentos e vida, produz conhecimento científico, ao mesmo tempo que escreve a história de labuta e luta”, afirma.
Professor Sérgio Luiz, em atividade com estudantes da EC Sonhém de Cima
Professor Sérgio Luiz se especializou na área. Tem orgulho de dizer que tem mestrado em Educação do Campo pela Universidade de Brasília. O mesmo orgulho que brota quando fala que sua “essência é o sertão”.
“A luta pela valorização da Educação do Campo é uma luta diária. Garantimos hoje um direito e, às vezes, perdemos lá na frente. Temos que, a cada dia, sensibilizar mais e mais os educadores e as educadoras para que, quando chegarem à escola do campo, entendam que ali estão sujeitos de direitos, que devem ser valorizados e respeitados”, diz o professor.
A consolidação da importância da Educação do Campo, entretanto, é um desafio em território nacional. Segundo dados do Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec), de 2002 a 2022, foram fechadas 155.383 escolas em todo Brasil. Dessas, 106.410 nas áreas rurais.
No DF, a problemática não está especificamente no fechamento das escolas do campo, mas no quantitativo dessas unidades. Em todo o Distrito Federal, são 82 escolas do campo, sendo duas da Educação Infantil e apenas 13 do Ensino Médio.
“Hoje, a política implementada no DF empurra os jovens para a evasão escolar. Muitos desistem dos estudos porque não conseguem ir às escolas na cidade. Ou quando vão, não veem sua realidade lá”, explica o diretor do Sinpro-DF Raimundo Kamir.
Segundo ele, “historicamente a Educação do Campo, especialmente no Ensino Médio, sofreu com a falta de investimento e políticas públicas direcionadas, perpetuando desigualdades”. “O impacto é grande. A falta de acesso à educação de qualidade no campo limita as oportunidades dos jovens rurais de ingressarem em universidades, de construírem seu futuro profissional e até mesmo de consolidarem o pensamento crítico”, avalia Kamir.
O dirigente sindical faz questão de lembrar que “o conceito de Educação do Campo surge do processo de luta pela Reforma Agrária”. “Neste 17 de abril, completam-se 24 anos do massacre do Eldorado dos Carajás. Nesse episódio, 19 trabalhadores e trabalhadoras rurais foram mortos, quase 70 mutilados e centenas de feridos. O motivo foi lutar pelo direito constitucional à terra e os direitos que pavimentam a Reforma Agrária. Entre um dos principais, o direito à educação pública. As pessoas do campo, historicamente, são marginalizadas, alijadas de direitos. Nesse contexto, se torna ainda mais urgente não só nos somarmos à luta pela valorização da Educação do Campo, mas entendermos a importância e a valentia desses educadores e dessas educadoras que dedicam suas vidas a esta causa”, reflete.
Diante da falta de investimento em Educação do Campo, realidade prejudicial à democracia brasileira, os movimentos organizados garantiram que o Plano Nacional da Educação para o próximo decênio trouxesse como diretriz a implementação do fortalecimento dessa modalidade de ensino.
A realidade mostra que a jornada para a efetivação dessa demanda é longa e tortuosa. Se os empecilhos são grandes para estudantes do campo sem deficiência, quando se fala de crianças e jovens com deficiência, a equação fica ainda mais complicada de ser resolvida.
Professora Vilma Gonçalves do Vale atua há quatro anos no CEF Boa Esperança, no núcleo rural de Ceilândia, com estudantes com deficiência. Ela, que entende a escola do campo como “um espaço de luta”, conta com tristeza a história de um de seus alunos que está sem estudar “porque a modalidade pretendida não existe no CEF Boa Esperança, e onde tem é distante”.
“Ano passado, o aluno que eu era professora, infelizmente, evadiu. Isso porque, no estudo de caso, a gente viu que o melhor encaminhamento não era ele estar na escola do campo. Ele teria que ser matriculado em uma escola da cidade. E a mãe, por uma série de fatores, acabou não podendo matriculá-lo na escola que tinha a modalidade que o estudo de caso solicitou. Ele está sem estudar”, diz professora Vilma.
Professora Vilma Gonçalves, com estudante do CEF Boa Esperança
A docente ainda destaca uma série de outras fragilidades para a Educação do Campo voltada a estudantes com deficiência. “Quando você pega uma estratégia de matrícula, não há o respeito ao diferencial de ser Educação do Campo. A nossa escola tem um bom tempo que não tem sala de recursos. De modo geral, a educação especial das escolas do campo tem esse complicador. Se não tem um número mínimo de ENEE (Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais) matriculado, não autorizam a ida de um colega da Sala de Recursos, por exemplo. Além disso, temos sofrido muito com a redução de turmas para atender a educação especial. No 7º ano da nossa escola, temos cinco estudantes com deficiência em uma única turma”, conta professora Vilma, que é convicta ao afirmar: “vivemos uma inclusão de fachada”.
Os problemas da falta de investimento na Educação do Campo não recaem apenas sobre os estudantes, mas também sobre professores e professoras da rede. Há 27 anos na Secretaria de Educação do DF, professora Vilma, que integra o Fórum de Educação do Campo-DF (Fecampo), afirma que “a alternativa de itinerância que a SEEDF oferece para que um profissional do Atendimento Educacional Especializado trabalhe na escola é fragilizado pela distância”. “É uma situação desafiadora para todas as escolas campesinas”, diz.
Com seus desafios e sonhos, a Educação do Campo segue sendo uma das ferramentas mais poderosas por justiça e igualdade social. Os exemplos do professor Sérgio Luiz e da professora Vilma Gonçalves são fragmentos de uma história de luta de todos os educadores e todas as educadoras que dedicam suas vidas à garantia da Educação do Campo com padrão de qualidade que contemple transporte, equipamentos tecnológicos de informação, acervo bibliográfico, espaços de lazer, material didático, formação continuada; olhar humanizado. Uma luta por direito.
Mais uma vitória da greve: Sinpro garante autorização em LOA para convocação do cadastro reserva
Jornalista: Maria Carla
Foi publicada na Edição Extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), dessa segunda-feira (15/4), a autorização da equipe econômica do Governo do Distrito Federal (GDF) para a convocação do cadastro reserva dos(as) aprovados(as) em concurso público da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF).
Essa autorização em Lei Orçamentária Anual (LOA) é resultado da pressão da categoria em uma ação coordenada pela diretoria colegiada do Sinpro-DF e é o instrumento legal para a materialização do cumprimento de mais um dos itens do acordo de suspensão da greve de 2023, dentre vários outros itens já cumpridos. Confira a imagem da autorização no DODF no final desta matéria e o link para acessar a edição extra.
Trata-se de uma importante vitória da luta da categoria pela convocação de professores(as) e orientadores(as) educacionais aprovados(as) em concurso público e em cadastro reserva. Na avaliação da diretoria do sindicato, a categoria foi valente ao fazer a pressão e ter a coragem de fazer uma greve durante um governo que não tem o costume de avançar nas negociações. Além disso, a mobilização garantiu a existência e continuidade da Mesa de Negociação Permanente, que ainda continua. Vale lembrar que essa permanência da própria Mesa de Negociação é outro item do acordo de suspensão da greve.
A diretoria do sindicato entende que essa é mais uma demonstração de que quando a categoria constrói uma unidade para lutar por um objetivo, consegue avançar. É esse tipo de mobilização que irá construir mais avanços não só em relação aos itens aprovados no acordo de suspensão de greve de 2023, mas também em novas conquistas que a categoria necessita.
Histórico da luta
Desde antes da greve de 2023, o Sinpro está na luta pela convocação dos aprovados no concurso realizado pela SEE-DF e a realização de novo concurso. Durante a greve, o governo Ibaneis firmou um acordo de suspensão da greve com uma série de itens aceitos pela categoria e, dentre eles, estava a convocação do cadastro reserva além da convocação dos aprovados dentro dos limites de vagas.
Em dezembro de 2023, após várias reuniões com o Sinpro para cumprimento do que foi aprovado no acordo, o governo Ibaneis decidiu convocar todos os aprovados dentro do número de vagas, o que corresponde a 776 professores(as). No entanto, faltava convocar também os(as) que passaram dentro do cadastro reserva, que é exatamente um dos itens da pauta.
No entanto, por causa da morosidade do governo Ibaneis em convocar os(as) professores(as) aprovados(as) dentro do cadastro reserva, o Sinpro-DF construiu uma série de reuniões com a Procuradoria de Educação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) quanto com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF). O resultado foi uma pressão sobre o Governo do Distrito Federal (GDF) para que a convocação do cadastro reserva fosse materializada.
Em fevereiro deste ano, a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, foi várias vezes à imprensa do DF declarar que iria convocar os(as) professores(as) aprovados(as) em concurso da SEE-DF que estão no cadastro reserva, reconhecendo o compromisso que havia assumido, durante a greve, com o sindicato e perante também o MPDFT e TC-DF.
O processo de convocação dos(as) professores(as) do cadastro reserva saiu da SEE-DF há algumas semanas e estava aguardando a área de economia do GDF aprová-lo. Com essa autorização, finalmente, esse item do acordo de greve deu um passo importante para sua materialização. O Sinpro espera que a convocação do cadastro reserva seja realizada em seguida porque todos(as) ganham com ela, principalmente a educação pública, gratuita e de qualidade. A diretoria informa que luta continua em defesa das necessidades da categoria e da educação pública.
Nesta terça-feira (16), o mundo e o Brasil comemoram o Dia Mundial e Nacional da Voz. Criada em 2003 para chamar a atenção da população sobre os cuidados e a preservação da voz, a data tem servido como um marco anual para alertar os(as) profissionais que trabalham com a voz sobre os sinais de doenças.
Todos e todas precisam estar atentos(as) e alertas às alterações da voz, que podem ser um sinal de vários tipos de doenças. O Sinpro-DF está engajado nessa campanha desde o início e alerta à categoria que o câncer de laringe é um exemplo de doença que pode ser resultado da negligência com a saúde da voz, com a falta de importância com a voz.
Profissionais que utilizam a voz diariamente, como professores(as), jornalistas, cantores(as), atores e atrizes, radialistas, etc., devem estar mais atentos(as) aos cuidados básicos com a saúde vocal. No entanto, toda a população costuma negligenciar e, muitas vezes, desconhecer a dimensão dos efeitos negativos que os excessos com a voz podem causar para a sua qualidade de vida.
No magistério, a voz é instrumento de trabalho
“A voz é o primeiro e principal instrumento de trabalho da nossa categoria. É extremamente necessário um cuidado especial, uma atenção diferenciada à voz dos e das profissionais de educação. O Estado precisa garantir políticas e programas que contribuam para a preservação da saúde, em especial o cuidado com a voz para que os e as profissionais de educação possam manter as condições laborativas e cumprir com o nosso objetivo no processo de formação dos nossos educandos”, afirma Élbia Pires, coordenadora da Secretaria para Assuntos de Saúde do Trabalhador do Sinpro-DF.
O problema é sério e, segundo Luciane Kozicz, pesquisadora do Núcleo de Trabalho e Linguagem da Universidade de Brasília (UnB) e psicóloga do Sinpro-DF, a Secretaria de Estado de Economia, por meio da SubSaúde, apresenta, nos Programas de Prevenção, o Programa de Saúde Vocal (PSV), com o qual se busca promover e prevenir diversos distúrbios vocais entre os(as) servidores(as) do Governo do Distrito Federal (GDF), especificamente entre os(as) professores(as) da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF). < https://www.educacao.df.gov.br/professor-e-hora-de-cuidar-da-voz/>
Ela diz que, “dentre as atividades desenvolvidas no programa, estão as triagens de avaliação perceptivo-auditiva, o exame de videolaringoscopia e o grupo de suporte vocal, bem como oficinas e palestras sobre hábitos, cuidados e prática de aquecimento e desaquecimento vocal para professores da SEE-DF. As datas e horários serão agendados de acordo com disponibilidade da equipe da SubSaúde”, informa.
No entanto, o último agendamento foi registrado há 4 anos. “Parece que o último agendamento ocorreu em 2020. Não tenho certeza. Creio que para o programa ter eficácia seria interessante ser ofertado nos locais de trabalho, uma equipe itinerante. O professor e a professora só têm direito a 12 atestados de comparecimento por ano com profissionais de saúde. Mas, muitas vezes precisa utilizar esses atestados com psicólogos (maiores índices de afastamento são por transtornos mentais e comportamentais), fisioterapeutas, doenças que impedem sua locomoção. A prevalência de sintomas e sinais clínicos de distúrbios na voz autorrelatados é cerca de duas, três vezes mais frequentes em professores(as) se comparado com não professores(as)”, afirma Kozicz.
A psicóloga informa ainda que os cuidados básicos indicados são microfones em sala de aula, disponibilização de videoaulas de higiene de voz com exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal. O Estado negligencia o cuidado com a voz, com o corpo e com a mente dos professores quando mantém salas de aula superlotadas, falta de microfones, não bloqueia o som ou outros ruídos entre diferentes ambientes de uma escola, mantém salas de aula fora do tamanho adequado, falta de material didático específico para os diversos tipos de deficiências dos(as) estudantes, dentre outros problemas.
“A voz é importante, pois apresenta um modo de percepção do mundo. No magistério é uma janela para alma que ultrapassa limites individuais, rompe barreiras, questiona os saberes únicos. A voz no exercício do ensino nunca é individual, é sempre partilhada. Ela possibilita um canal de abertura para diferentes sonoridades. Ela singulariza o sujeito, diferente de vociferações que nos impedem de ser únicos, que oferecem mensagens e fórmulas que despoja o sujeito da sua própria vontade, um autômato”, afirma Kozicz.
Origem do Dia Mundial da Voz
O Dia Nacional da Voz foi instituído pela Lei nº 11.704, de 18 de junho de 2008. A primeira celebração em homenagem à voz, no entanto, surgiu anos antes no Brasil, em 1999. O destaque mundial, por sua vez, só chegou anos depois, a partir de 2003, quando passou a ser comemorada nos Estados Unidos da América (EUA), Europa e Ásia.
Confira os principais cuidados com a voz
Fazer uma alimentação equilibrada, rica em fibras e proteínas
Beber bastante água e praticar exercícios físicos
Não gritar em excesso nem em tom agudo
Falar pausadamente
Não fumar nem abusar de bebidas gasosas
Dormir bem
Comer maça faz muito bem para a “limpeza” das cordas vocais
Sintomas de doenças da voz
Entre os principais sinais de alerta de prováveis problemas vocais:
Alterações na voz;
Tosse frequente;
Alterações no timbre da voz ou dificuldade em colocar a voz;
Educação do campo é tema do TV Sinpro desta quarta, 17
Jornalista: Vanessa Galassi
O TV Sinpro desta quarta-feira, 17 de abril, Dia do Campo, terá como tema a educação do campo. O programa vai ao ar às 19h, na TV Comunitária de Brasília (Canal 12 da NET) e nas redes sociais do Sinpro (Facebook e Youtube).
Nesta edição, o TV Sinpro traz Maria da Solidade Vicente da Silva, Sérgio Luiz Teixeira e Berenice Darc. Eles debaterão sobre as políticas necessárias para a educação do campo, a importância da modalidade de ensino e o dia a dia da prática que dialoga com aspectos culturais, econômicos, ciclos de produção, condições climáticas e tradições da comunidade camponesa.
Solidade é mestranda no Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader) pela Universidade de Brasília (UnB) e já atuou como professora da rede pública no Centro de Ensino Fundamental 04 de Sobradinho e no Centro de Ensino Fundamental Rio Preto, em Planaltina.
Sérgio Luiz Teixeira é educador camponês da Secretaria de Educação do DF e atua na Escola Classe Sonhém de Cima, no Assentamento Contagem. Ele é mestre em Educação do Campo, integrante do Fórum Permanente de Educação do Campo do Distrito Federal (Fecampo) e do Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec).
Berenice Darc é diretora do Sinpro e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e professora de rede pública do DF.
Confira o resultado, fotos e live da IX Corrida do Sinpro
Jornalista: Maria Carla
Confira nesta matéria os resultados, as fotos e a live da IX Corrida do Sinpro, realizada na manhã desse domingo (14), no Estacionamento 9 (Praça das Fontes), do Parque da Cidade.
A categoria compareceu em peso e os links com a relação de vencedores(as) por categorias, bem como as fotos e a live estão no final desta nota. Para quem assistiu ao vivo, veja novamente e relembre esse momento de fortalecimento da categoria.
IX Corrida do Sinpro
Com três modalidades (corrida, caminhada e passeio ciclístico), o evento foi transmitido ao vivo pelo canal do sindicato no YouTube. O sindicato informa que todos(as) os(as) participantes ganharam medalhas e lembra que não há resultado (aferição de tempo) para os participantes da caminhada.
Este ano, a corrida foi realizada no Parque da Cidade com a mesma infraestrutura necessária para receber os(as) atletas e suas famílias. O sindicato disponibilizou todo o apoio necessário, incluindo aí médico com ambulâncias, tendas de massagem muscular, área kids (com diversos brinquedos para a criançada se divertir), guarda volumes e muita música.
Confira a seguir a relação dos(as) vencedores(as) por categorias: