8 de janeiro: de tentativa de golpe à defesa da democracia

Presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, durante o ato em defesa da democracia, nesse domingo (7/1/24). Foto: CUT-DF/Divulgação

 

 

Desde domingo (7), o Brasil se mobiliza para relembrar um dos momentos trágicos da sua história para não repetir: o 8 de janeiro de 2023, data em que os Poderes da República foram atacados por terroristas apoiadores(as) do governo Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas em 2022, com a conivência das polícias do Distrito Federal. O ataque tinha a pretensão de instalar nova ditadura militar no País.

Um ano depois, mais de duzentas pessoas participaram do “Ato em defesa da democracia – sem anistia para golpistas”, convocado pela Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF) e realizado na manhã desse domingo (7), no Eixo Norte, na altura da Superquadra 208, em Brasília.

A manifestação ocorreu na véspera porque, nesta segunda-feira (8), o governo federal realiza, durante todo o dia, uma série de eventos para marcar o 1 ano do ataque aos Três Poderes. O ato público desse domingo foi uma iniciativa do conjunto de partidos de esquerda formado, sobretudo, pelo PT, PC do B, PDT, Psol, CUT-DF e também pelo Fórum de Oposição Permanente ao governo de Ibaneis Rocha (MDB).

Nos demais estados do País, as entidades sindicais, partidos políticos e movimentos sociais realizarão, nesta segunda (8), seus próprios atos públicos. Importante destacar que recentes revelações da Polícia Federal mostraram que, além de depor o presidente Lula, eleito democraticamente em 2022; fechar o Congresso Nacional  e o Supremo Tribunal Federal (STF), os(as) terroristas tinham planos de enforcar o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, na Praça dos Três Poderes.

Em entrevista à imprensa, o ministro do STF, Gilmar Mendes, atribuiu a Jair Bolsonaro a responsabilidade pelos ataques: “a responsabilidade política [de Bolsonaro] é inequívoca”, disse Mendes à AFP, durante uma entrevista.

O Sinpro se alinha aos(às) defensores(as) da democracia e dos direitos humanos e ressalta que minimizar a gravidade dos ataques do 8 de janeiro de 2023 é ser conivente com todo tipo de atrocidade, como os crimes praticados pela ditadura militar; o holocausto na Segunda Guerra Mundial; o genocídio dos palestinos na Faixa de Gaza, dentre muitas outras tragédias.

Como bem lembrou a biomédica Alexandra Yamaguchi em suas redes sociais: a cegueira é contagiosa. “Nos revoltamos ao pensar em como foi capaz aquela geração ter aceitado a escravidão, o holocausto, a caça às bruxas, mas quando as atrocidades e injustiças acontecem bem na nossa cara, fingimos, ainda hoje, que não é da nossa conta e aceitamos orgulhosos o mal que se escancara aos nossos corações. A cegueira é contagiosa”.

 

Ato público em Brasília

 

Rosilene Corrêa, dirigente sindical da CNTE, durante ato público em defesa da democracia nesse domingo (7/1/24). Foto: Poder 360

 

 

No ato público realizado em Brasília, dirigentes sindicais destacaram a importância da democracia e da soberania do País. O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, declarou que o principal objetivo do ato é relembrar o que aconteceu na Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, para, a partir da reflexão, “fortalecer a democracia” e tentar impedir que eventos semelhantes voltem a ocorrer.

 

Segundo apuração da Agência Brasil, Rodrigues disse que “houve uma tentativa de golpe de Estado por meio da desestabilização dos poderes da República, com o objetivo de inviabilizar o governo democraticamente eleito [em 2022]”. Ele lembrou também que o episódio no início do ano passado foi precedido por uma série de atos criminosos e antidemocráticos.

 

“Houve atentados no centro da capital federal, como o ataque ao prédio da Polícia Federal [em dezembro] e a tentativa de explodir uma bomba próximo ao aeroporto de Brasília. Tudo para impedir a posse do futuro presidente [Luiz Inácio Lula da Silva], eleito democraticamente, por maioria dos brasileiros. Então, acreditamos que as pessoas responsáveis, sobretudo aquelas que arquitetaram ou favoreceram este golpismo, incluindo militares, precisam ser punidos”.

 

Ex-presidente João Goulart

 

Apuração do site Poder 360 traz também o discurso, durante o ato, do filho do ex-presidente João Goulart e presidente do PCdoB no DF, João Goulart Filho, que criticou o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF). Segundo o site, Goulart afirmou que os órgãos foram “coniventes” com os atos extremistas no 8 de janeiro em 2023.

“Aquilo que aconteceu em Brasília em 8 de janeiro do ano passado foi conivência deste governador [Ibaneis Rocha, do MDB] e destas polícias militares que não foram presas em 1964 e foram anistiadas”, afirmou. Goulart Filho também disse que a “esquerda quer a estabilidade e avanços nas lutas democráticas”: “ — Democracia sem justiça social, não é democracia”.

Vale lembrar a história e mostrar que o golpe civil-militar de 1964, que depôs o ex-presidente João Goulart do poder e durou 21 anos, foi resultado de uma conspiração realizada pelas Forças Armadas e policiais e por grupos empresariais, conservadores e fascistas da sociedade brasileira com ajuda intelectual e financeira dos Estados Unidos da América (EUA).

O golpe, aplicado entre 31 de março e 9 de abril de 1964, deu início à chamada ditadura militar, um dos períodos mais nefastos da história do País, caracterizado por censura, sequestros e execuções cometidas por agentes do governo brasileiro. Período em que as liberdades políticas foram cassadas; a democracia; eliminada; e, a soberania do País, vendida a estrangeiros.

 

Resistência e democracia

Em 2024, centenas de pessoas foram às ruas do Distrito Federal para participar do ato público não somente em memória da tragédia de 8/1/23, mas também para fortalecer a resistência a esse tipo de ataque aos Poderes constituídos. Nesse domingo (7), a defesa da democracia movimentou o Eixão do Lazer, uma atividade recreativa que ocorre, há 33 anos, nos Eixos Rodoviários Norte e Sul. Na altura da SQN 208, as várias tendas atraíram o público com vendas de camisetas, bonés, bottons e comida. O evento começou às 10h30 e se estendeu numa tenda até às 12h30, seguido de eventos culturais com músicos da cidade.

O Sinpro-DF aproveita a oportunidade para reforçar sua histórica trajetória na defesa intransigente da democracia e das liberdades individuais, de opinião e democráticas. A entidade é uma das pioneiras do País no combate a todo tipo de autoritarismo, ditaduras, fascismo e outros golpes contra o Estado e a soberania nacionais.  Forjado na luta contra a ditadura militar (1964-1985), o Sinpro combateu, desde o primeiro momento, o governo golpista de Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018; e esteve à frente de todas as lutas contra o governo fascista de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022.

O Sinpro lembra que ambos os governos trabalharam com todas as forças para enfraquecer e privatizar a educação pública brasileira, basta ver, dentre outros ataques, o que fizeram na reforma educação pública com o chamado Novo Ensino Médio. Os eventos do 8 de janeiro de 2023 devem entrar na agenda acadêmica como mais uma data trágica da história do Brasil em que o fascismo neoliberal tentou engolir a democracia e submeter o povo a nova ditadura.

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Sinpro disponibiliza vídeo do projeto Crespas e Cacheadas do CEM 02 de Ceilândia

Está no YouTube do Sinpro-DF e nas suas redes digitais o vídeo com a cobertura da edição de 2023 do projeto Cresp@s e Cachead@s, do Centro de Ensino Médio nº 02 de Ceilândia (CEM 02 de Ceilândia). A edição do ano passado foi divulgada no site e redes do sindicato, no dia 3 de novembro do ano passado, com o título “CEM 02 de Ceilândia realiza projeto que exalta negritude“. Na matéria, a entidade conta como tudo começou e traz um álbum de fotografias. Clique no título da matéria anterior para ver o álbum.

Segundo Gildenor Araújo, professor de história e coordenador do projeto, tudo começou quando os(as) professores(as) observaram que as estudantes negras escondiam os próprios cabelos sob toucas e lenços, usavam procedimentos químicos para alisar o cabelo ou deixavam os cabelos presos porque tinham vergonha de mostrá-los. Deflagraram um projeto de reconhecimento, promoção e valorização da diversidade, da identidade, da subjetividade e de elevação da autoestima, apontando a beleza das estudantes e de seus traços raciais, bem como mostrando que o padrão social de beleza existente é fruto do racismo inerente à sociedade capitalista.

Estava dado o primeiro passo para a construção ou o resgate coletivo da autoestima das meninas e dos meninos pretos. “Muitos estudantes e, principalmente, as meninas, vêm do Ensino Fundamental com muitos traumas e sequelas de bullying por causa da cor da pele e do tipo de cabelo. Quando entram na nossa escola, sabendo que há um projeto que valoriza o cabelo crespo ou cacheado, que há uma afirmação da beleza negra, elas se sentem fortalecidas e começam a se soltar. Isso tudo coincide com várias mudanças de comportamento e de afirmação”, afirma Gildenor Araújo, professor de história e coordenador do projeto.

Inicialmente, o projeto foi nomeado de “Crespas e Cacheadas”. Surgiu em 2015 já como um ensaio fotográfico que convidava os(as) estudantes do Ensino Médio a participarem de sessões de fotografia, com toda a produção, maquiagem, para valorização do perfil, que, antes, eles(as) julgavam não ter valor. O projeto cresceu e, desde 2022, os meninos passaram a participar. Com isso, a escola renomeou para Cresp@s e Cachead@s. Neste ano, 15 fotógrafos participaram do projeto com cerca de 60 estudantes.

Valorização das identidades como projeto acadêmico

Um dos propósitos do projeto é a valorização das culturas afro-brasileira e africana, a busca da ancestralidade, pois promove uma mudança de comportamento, aumenta a qualidade de vida, combate a baixa autoestima, quando o(a) jovem percebe o valor da sua identidade.

“Eu comecei a participar do projeto em 2022 como um dos fotógrafos. Começou como uma iniciativa de sala de aula para tratar de autoestima e posteriormente a atividade se ampliou, com apoio do professor Gildenor Araújo que fez uma proposta para que fosse construído um mural na escola para as fotos ficassem expostas o ano todo. Então me chamou muita atenção os alunos que estavam retratados nas fotos passarem ali quase que diariamente e ficarem ali admirando suas próprias fotos e chamarem os colegas para olharem também, era uma situação constante. Isso foi um ganho impressionante. Dar visibilidade para eles e eles também se sentirem visibilizados dentro do projeto”, diz Roberto Schiavini, coordenador pedagógico e professor de sociologia.

De acordo com Roberto, “a exposição faz com que a visibilidade se dê uma forma positiva (tem o maquiador, eles vêm paramentados, os fotógrafos têm todo o cuidado no tratamento das fotos), então isso gera um ótimo efeito. Um dos resultados mais diretos é o combate ao bullying, a retratação deles se dá de uma forma positivada”.

Cerca de 75 a 80 fotos vão para o mural, mas muitas outras são tiradas e os(as) alunos(as) recebem links para baixarem as próprias fotos, após autorização dos pais ou responsáveis para participarem do projeto. E o resultado, vai aos poucos também mudando esta relação dos estudantes com seus familiares.

“A juventude está muito carente de apoio familiar em decorrência das demandas de cada família com a correria pela sobrevivência. Muitas vezes, elas e eles não têm o apoio, a atenção. Isso é um comportamento que está alheio a classe social. Mas eu já recebi alguns feedbacks por parte das alunas e alunos que houve uma melhora nessa questão, porque muitos traziam essas negativas do seio da família”, diz Gildenor.

 

Para ver as fotos do álbum do Facebook do Sinpro clique aqui.

 

Fotos: Roberto Schiavini

 

Com reescrituras da matéria anterior do jornalista Tomaz Campos.

Confira o vídeo

 

 

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Mostra Literária da EC 403 Norte leva público a voar na imaginação

Mostra Literária da EC 403 Norte. Da esquerda para a direita: Shirley Santana (diretora da escola); Regina Célia (diretora do Sinpro); Mirian de Oliveira (pedagoga EEAA); Andreia Nunes (vice-diretora da escola)

 

 

“Voe com a sua imaginação e participe”. Nada mais lúdico do que esse título da Mostra Literária que a Escola Classe 403 Norte (EC 403 Norte), da rede pública de ensino do Distrito Federal, realizou em 18 de novembro de 2023, para efetivar a culminância das atividades pedagógicas desenvolvidas durante o ano e que integram o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola.

O resultado desse esforço não poderia ser outro a não ser este de voar com a imaginação e apresentar ao mundo um acervo abundante de trabalhos literários com vários vieses que vão da política, do social, do cultural à música e à literatura: tudo desenvolvido durante o ano letivo na escola.

“Todo o trabalho e todas as pessoas que estiveram na escola puderam voar com a imaginação. Aqui encontramos um mundo literário, político, social, cultural, música e apresentações fantásticas dos trabalhos dos alunos, mostrando, assim, o trabalho de excelência da escola pública do Distrito Federal”, afirma Regina Célia Pinheiro, diretora do Sinpro-DF.

Shirley Santana, diretora da escola, considerou a Mostra Literária de 2023 sensacional porque a emoção é vibrante em cada estante de livros, em cada sala de aula em razão da participação dos(as) estudantes. “Essa mostra foi maravilhosa porque em cada estante e em cada sala de aula que você entra, você se emociona porque nós sabemos que foi algo construído com as crianças e elas se envolveram completamente nos nossos projetos”.

Mais uma vez a EC 403 Norte demonstra, na culminância de fim de ano, sua atuação de excelência na ação pedagógica. O trabalho é tão envolvente que toda a comunidade escolar, com destaque para as famílias dos(as) estudantes, se envolveram. “Da direção à equipe de limpeza, todos se envolveram na realização da Mostra Literária e é algo que precisa ser mostrado não apenas para o Distrito Federal, mas sim para o mundo”, afirma Shirley.

Andreia Nunes, vice-diretora da EC 403 Norte, explica que um dos ideais desta gestão era trazer as famílias para participar da ação pedagógica e envolvê-las. “A gente traz as famílias para opinarem, com sugestões de como a gente vai trabalhar”.

Mirian de Oliveira, pedagoga EEAA, admite que o trabalho é difícil e afirma que as superações das dificuldades se devem muito à união da equipe de professores(as) e à receptividade da direção. “A nossa equipe é unida. Os professores estão sempre juntos com a gente e a direção sempre está aberta a conversas”.

Confira o vídeo da Mostra Literária a seguir e “preparem-se para voar com sua imaginação através da literatura, da ciência, de temas políticos, da pedagogia da autonomia, dentre outras ferramentas de sonhos e construções!”, convida Regina Célia.

 

Resistência antirracista | Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra se torna feriado nacional

Uma das grandes vitórias da resistência antirracista brasileira, em 2023, foi a instituição do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional pela Lei nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023. Depois de 4 anos de um governo que estimulou a discriminação racial, classificou de “lengalenga” a luta contra o racismo, transformou em “mimimi” as políticas públicas afirmativas do Estado nacional e desmantelou a Fundação Palmares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma resposta a esses ataques e sancionou, em 21 de dezembro, a nova lei que está em vigor desde o dia seguinte, 22/12, data em que foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

 

Com a lei, o dia 20 de novembro será feriado nacional. Essa é uma das formas de reparação histórica e justiça por uma luta de quase 500 anos por liberdade e direitos humanos e contra a escravidão. Ao declarar esse dia como feriado nacional, o governo reconhece a luta antirracista e transforma a data em mais uma ocasião especial para reforçar, em todo o País, a necessidade de reflexão sobre a memória e a resistência do povo preto. Segundo apuração da Agência Senado, atualmente, o dia já é feriado em seis estados e cerca de 1,2 mil cidades. Vale lembrar que a data remete ao dia do assassinato de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, o maior da história.

 

Tramitação

 

Desde 2017, essa proposta tramita no Congresso Nacional. Aprovado pela Câmara dos Deputados (CD) em novembro de 2023, o Projeto de Lei (PL) 3.268/2021 teve origem no Projeto de Lei do Senado (PLS) 482/2017, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Sob a relatoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o texto foi aprovado em caráter terminativo na Comissão de Educação (CE), em agosto de 2021, e foi para apreciação da CD, em que a deputada Reginete Bispo (PT-RS) foi relatora. Na época, a Agência Senado produziu um especial sobre o tema. Clique aqui ou no link no final deste texto para ver o especial.

 

 

Resistência

 

No entendimento da diretoria colegiada do Sinpro, a instituição do dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra, que ocorre justamente 328 anos depois do assassinato de Zumbi, foi um importante passo do governo Lula para a retomada de políticas afirmativas boicotadas ou eliminadas pelos dois governos extremistas de direita que prevaleceram no Brasil entre os anos de 2016 e 2022. O dia 20 de novembro não é uma data qualquer e, ao mesmo tempo, não é um dia de lamento, e sim um dia de relembrar a luta contra a escravidão travada pelos povos escravizados e por seus descendentes.

 

O novo feriado também reforça as atividades pedagógicas nas escolas e já está impresso na vida acadêmica da capital do País. O Calendário Escolar da rede pública de ensino do Distrito Federal de 2024 reconhece a data e traz o 20 de novembro como feriado. “Esse é um dia de celebrar a força da nossa resistência e uma oportunidade de provocar e desenvolver a consciência antirracista em todo o povo brasileiro, que ainda vive no País do Mito da Democracia Racial”, afirma Márcia Gilda Moreira Cosme, coordenadora da Secretaria para Assuntos de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF.

 

Consciência

 

Ela ressalta que esse dia é importantíssimo para a retomada da consciência da luta antirracista porque essa luta é de todos os povos. “Essa luta foi travada pelos povos escravizados e nossos descendentes, afrodescendentes; é travada por nós hoje; mas ela precisa ser travada por toda a sociedade brasileira pelo reconhecimento da contribuição do povo negro na construção de nosso País e de que esse povo precisa estar representado em todos os espaços de poder e de influência e precisa ser respeitado como um povo que contribuiu sobremaneira para a construção do nosso País”.

A diretora também destaca que a nova lei é uma resposta ao governo anterior. “Depois de 4 anos de ataque à pauta antirracista essa política que foi de forma simbólica instituída pelo governo anterior tirou os racistas do armário. Essas pessoas se sentiram empoderadas pelo seu líder maior que estava representando na maior cadeira do País, que é a Presidência da República, e esse povo começou a se sentir à vontade para reduzir a luta antirracista a ‘mimimi’, por isso também essa instituição da data, agora, com essa nova lei que institui um dia nacional é importante porque dá uma resposta a isso e mostra que não é possível avançar com racismo escancarado que foi autorizado pelo governo anterior a ser retomado no País. A lei dá um basta nisso e diz ‘racismo se cale, racismo nunca mais’”, finaliza.

 

Acesse a lei e o documentário da Agência Senado nos links a seguir:

https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2021/11/dia-da-consciencia-negra-50-anos-liberdade-conquistada-nao-concedida

 

https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2023-12-21;14759

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Inscrições para professor substituto na UnB terminam nesta sexta (5/1)

Terminam, nesta sexta-feira (5/1), as inscrições para a seleção pública simplificada para contratação de professor(a) substituto(a) para a Universidade de Brasília (UnB). Remuneração total R$ 6.356,02.

 

Está disponível, desde dezembro, no site da UnB, o Edital de Abertura nº 514/2023 do Departamento de Métodos e Técnicas. A área de concentração é Educação e a categoria é “professor substituto”. As inscrições estão abertas desde o dia 18 de dezembro de 2023.

 

Segundo o edital, o processo seletivo se destina a recrutamento de professo substituto. Para isso, é preciso alguns requisitos básicos, tal como ser portador de título de Graduação em Pedagogia e doutorado em Educação.

 

Confira o edital no link a seguir e faça a sua inscrição: http://concursos.unb.br/index.php/editais-temporario/temporario-2023/2106-edital-de-abertura-n-514-2023

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Um feliz 2024 para nós

O novo ano nasce. Que com ele cresça em cada um de nós a valentia de nos mantermos juntos e a certeza de que é possível construir um mundo onde a dignidade humana seja o bem mais precioso.

Que possamos sonhar sem limites, pois só assim se cria. Mas que possamos também ter oportunidades concretas de tornar esses sonhos reais.

Que possamos comemorar nossas vitórias, mas que tenhamos a persistência de recomeçar, lado a lado, como a grande lição da vida. Sozinhos não somos nada!

Que haja amor, e não guerra!

Que tenhamos um feliz 2024!

Cepafre e o ato revolucionário de alfabetizar

Até o primeiro semestre deste ano, dona Ana Garcia de Araújo fazia parte do grupo de 78 mil pessoas do DF sem escolaridade, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), de 2021. Mas neste mês de dezembro, aos 81 anos de vida, dona Ana recebeu seu primeiro diploma, no auditório do Centro de Ensino Médio 4 da Guariroba, em Ceilândia. Ela está alfabetizada e pronta para ler o que der e vier.

Dona Ana Garcia de Araújo faz parte de uma turma de 100 pessoas que também tiveram a oportunidade de, neste ano, aprender a ler e escrever a partir da atuação do Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia, de educação popular.

Da esquerda para a direita, Mônica Santos, professora; Dona Ana Garcia, estudante; Waldek Batista dos Santos, presidente do Cepafre; Luciano Matos, diretor do Sinpro-DF

O grupo, hoje composto por cinco diretores, três conselheiros fiscais, alfabetizadores, associados e alguns voluntários, já alfabetizou muitas outras Anas. Fundado há 34 anos, o Ceprafre nasceu da iniciativa de um grupo de estudantes da extinta Escola Normal de Ceilândia, com alunos do mestrado em Educação da Universidade de Brasília (UnB). Em 1985, eles iniciaram uma experiência de alfabetização de adultos, baseada na metodologia do educador Paulo Freire.

“É um trabalho realmente revolucionário. É emocionante ver o poder transformador da educação. Ter a oportunidade de ser alfabetizado é ter a oportunidade de desbravar o mundo, e todo mundo tem que ter direito a isso”, afirma o diretor do Sinpro Luciano Matos, que participou da cerimônia de entrega do diploma de dona Ana Garcia e demais formandos.

A professora aposentada Maria Madalena Tôrres, sócia-fundadora do Cepafre, lembra que o grupo se originou e continua existindo pela falta de preocupação do governo com o direito constitucional à educação. “Todas as vezes que um trabalho popular se inicia, é porque faltou ao público. No Caso de Ceilândia, são 18 escolas de EJA (educação de jovens e adultos). Com esse complicador, como fazer para atender mais de 20 mil pessoas não alfabetizadas?”, explica.

Mestre em Tecnologia da Educação e apaixonada pela educação de jovens e adultos, professora Madalena Tôrres é atualmente a secretária do Cepafre, onde passou a maior parte da vida.

Ela conta que começou a alfabetizar quando ainda era estudantes do Ensino Médio, a partir do convite de amigos e amigas do grupo Jovens em Busca de Algo Mais, do qual era integrante. “Eles diziam: ‘na Escola Normal está tendo alfabetização com Paulo Freire’.” Ela atendeu ao pedido dos colegas e, logo em seguida, se deparou com um projeto grandioso que acabou perdendo o apoio logístico e financeiro.

“Todo o material do curso foi levado para a paróquia Nossa Senhora da Glória. Chegando lá, os padres também não queriam o trabalho, porque diziam que Paulo Freire era comunista. Nossos cartazes das palavras geradoras foram todas para a casa de uma amiga do grupo de jovens, a Vânia Rego. Aí ficavam os cartazes debaixo do colchão, giz e apagador nas caixas, embaixo da cama. E foi assim que a gente foi vivendo”, conta a professora Maria Madalena.

No centro, professora Madalena Tôrres; de azul, Luciano Matos, diretor do Sinpro-DF

Quase 40 anos depois, a professora sequer cogita se afastar do Cepafre onde, segundo ela, aprende todos os dias. “Eu aprendo todos os dias com eles. Tanto aprendo na formação, com os alfabetizadores, como na alfabetização com os alfabetizandos. É importante a gente ter essa clareza de que ninguém sabe tudo, mas também não existe ninguém que não saiba nada. As experiências de vida estão todas ali para a gente se aprofundar a cada dia. Aprendo a persistência”, ensina a professora.

Madalena Tôrres mostra que, embora haja alfabetizadores e alfabetizandos, a vivência no Cepafre é horizontal e coletiva, assim como a metodologia empregada para alfabetizar. Ali, tudo nasce da vivência do povo daquela comunidade.

“No caso de Ceilândia, de um universo de 19 palavras geradoras (palavra base para as lições de alfabetização), a mais falada é ‘lote’. Não é uma coisa pessoal, é algo que vem do coletivo. É feito uma pesquisa do universo vocabular”, explica Madalena Tôrres.

A partir da vivência, do coletivo e da solidariedade, em um espaço de tempo de aproximadamente nove meses, os jovens e adultos se alfabetizam. E de acordo com a professora Madalena Tôrres, ganham, sobretudo, autonomia. Ou seja, é a partir daí que os alfabetizados dão um passo à frente na tomada de decisões sobre a própria vida. “Aqui (no Cepafre), a gente não trabalha só aprender a ler a escrever. A gente leva a discussão sobre a comunidade que a gente vive, sobre a importância de integrar associações de moradores, de ter posicionamento político”, esclarece professora Madalena Tôrres.

Ferramenta de transformação social, o Cepafre tem parcos recursos, e sobrevive de parcerias com a UnB por meio do uso de uma pequena sala no Polo de Extensão de Ceilândia e do Projeto de Extensão “Formação de Alfabetizadores de Jovens, Adultos, Idosos e Defesa da Democracia”, coordenado pelo professor Erlando da Silva Reses (FE/UnB), além de parceria com o Instituto Unibanco e com o Sinpro.

As dificuldade são muitas, mas mesmo assim o Cepafre traz à população do DF um trabalho revolucionário: o da emancipação

>>Clique aqui e saiba mais sobre o Cepafre

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Um Natal para refletir

Natal é época de reflexão. Aproveitemos, então, para refletirmos sobre o papel da educação pública como ferramenta de emancipação e transformação social.

Lembremos que é, sobretudo, através da educação pública que todas as pessoas poderão ter consciência de que um Natal de mesa farta para alguns e de miséria para muitos é fruto de um sistema que oprime e explora.

Façamos também a reflexão de que é com educação pública de qualidade que as pessoas poderão ser protagonistas do próprio destino, podendo não só sonhar, mas construir esses sonhos.

Reflitamos que a educação pública, quando ferramenta de transformação social, fará com que todos e todas saibam que morar não pode ser um privilégio. Ter um teto para si e para nossa família é um direito constitucional.

Além disso, é com o amparo da educação que todas as crianças e adolescentes crescerão sabendo que o direito à propriedade privada não é absoluto, e que, no Brasil, há mais imóveis vazios do que famílias sem moradia. E mesmo assim, milhares de pessoas ainda precisam se abrigar embaixo de marquises e sob lonas na beira das estradas.

Que neste Natal lembremos que milhares de crianças têm na escola o único espaço seguro para conviver, brincar, se expressar.

Reflitamos ainda sobre a importância de, como educadores(as) e seres humanos, respeitarmos as diversas crenças e religiões – bem como a opção de não seguir nenhuma delas –, além das diferentes orientações sexuais.

Que tenhamos também a sensatez de reconhecer que vivemos em um país de estrutura racista, e que é a educação pública uma das maiores potências para colocar isso abaixo.

Que Neste Natal lembremos que a horizontalidade da solidariedade é muito mais frutífera que a verticalidade da caridade, como ensinou Eduardo Galeado.

Que ainda façamos a reflexão sobre qual DF queremos e o que precisa ser feito para que isso se concretize.

Lutemos. Não abramos mão nunca da esperança, mas tenhamos sempre a disposição da luta, pois é com ela que podemos transformar.

O Sinpro deseja a todas as professoras e orientadoras educacionais e a todos os professores e orientadores educacionais um Natal de festas, mas, sobretudo, de muitas reflexões.

Mensagem de fim de ano do Sinpro nas telas de cinema

Esperança, democracia, unidade, luta, resistência. Essas são algumas palavras-chave do vídeo-mensagem de Ano Novo do Sinpro-DF, que vem sendo exibido nas salas de cinema do Cine Cultura (Liberty Mall).

No material, o Sindicato afirma que valentia e resistência são características dessa categoria, que não abre mão de lutar por um futuro de justiça para si e para toda a sociedade do DF.

“Temos a consciência de que a luta continua sendo necessária para que a vida seja melhor. E será!”, traz trecho do material.

Assista ao vídeo!

 

Sinpro garante suspensão de descontos de gratificações durante pandemia

Atendendo a ação jurídica do Sinpro, a Juíza Sandra Cristina Candeira de Lira, da 6ª Vara de Fazenda Pública do DF, deferiu liminar favorável aos e às profissionais da categoria do magistério, para que não sejam descontadas gratificações de atividades e/ou adicionais de insalubridade com relação ao período da pandemia.

A ação do Sinpro veio imediatamente após a denúncia de diversos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais , de que vinham sendo instados pelo GDF a ressarcir ao erário os valores referentes a Gratificações como a Gratificação de Atividade em Zona Rural (GAZR), Gratificação de Atividade de Docência em Estabelecimento de Restrição e Privação de Liberdade (GADERL), Gratificação de Atividade de Docência em Estabelecimento de Ensino Diferenciado (GADEED) e adicionais de insalubridade, pagos durante o período da pandemia de COVID-19, quando todo mundo estava em teletrabalho.

Em despacho assinado em 15 de dezembro, a juíza Sandra de Lira determinou que o Distrito Federal “se abstenha de efetuar descontos, a título de reposição ao erário, de gratificações de atividade (GAZR, GADERL, GADEED e outras) e/ou adicional de insalubridade, no contracheque dos servidores da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, que, durante a pandemia, se encontravam em regime de teletrabalho, impossibilitando, ainda, a inclusão de nomes em dívida ativa, até julgamento final desta demanda.”

“O Sinpro mantém seu compromisso na luta pelos direitos dos educadores, assegurando que a justiça prevaleça e que o trabalho árduo dos professores(as) e orientadores(as) educacionais seja devidamente valorizado”, afirma o diretor da secretaria de assuntos jurídicos do Sinpro, Dimas Rocha.

A decisão da juíza Sandra de Lira veio em resposta à ação coletiva do jurídico do Sindicato, que alegava, além de tudo, que os e as profissionais descontados(as) não tiveram amplo direito à ponderação a respeito da legalidade dos valores recebidos, tampouco a boa-fé dos recebimentos.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal havia concluído pela impossibilidade de pagamento das rubricas durante a suspensão das atividades presenciais nas escolas da Rede Distrital de ensino, bem como para os servidores em regime exclusivo de teletrabalho ou com atividades reputadas como incompatíveis com o trabalho remoto, e determinou que a SEE/DF adotasse as providências cabíveis em relação ao pagamento indevido. A secretaria, por sua vez, seguia notificando professores e professoras a devolver os valores recebidos, num total de R$ 17 milhões.

“A decisão da juíza Sandra de Lira, atendendo à demanda de nosso departamento jurídico, representa um marco importante, pois reconhece os direitos de professores(as) e orientadores(as) educacionais que continuaram a dedicar-se ao ensino, mesmo diante das desafiadoras circunstâncias impostas pela pandemia”, afirma Dimas Rocha.

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