Não haverá expediente no Sinpro nesta sexta-feira (08)

Em virtude de uma reunião interna entre funcionários(as) e diretores(as) do Sinpro, a diretoria colegiada informa que não haverá expediente na sede e nas subsedes nesta sexta-feira (08).

O funcionamento do sindicato voltará ao normal nesta segunda-feira (11).

Amplia Já! 40 horas para quem precisa

O Sinpro continua com a campanha Amplia já! Para que o GDF cumpra com acordo de suspensão de greve e amplie a carga horária de algumas centenas de professores(as) e orientadores(as) educacionais que estão desde 2020 na fila para terem sua carga horária dobrada de 20 para 40 horas semanais. O cartaz em PDF está disponível no link abaixo.

Baixe o PDF aqui

Ampliação (ou redução) de carga horária é processo previsto no plano de carreira da categoria. Solicitar essa movimentação não deve ser motivo de desabono nem de punição para o(a) servidor(a) que o fizer.

Mas a realidade dos(as) servidores(as) que pedem movimentação de carga horária é outra: a  resposta padrão da Secretaria de Educação para quem pede redução para 20 horas é de que a rede hoje é de 40 horas; e quem pede a ampliação para 40 horas ouve da SEE-DF que a secretaria não tem autorização para ampliar as cargas horárias, pois depende de orçamento, e pede para aguardar a liberação.

Nessa toada, a SEE-DF trabalha, a princípio, com uma lista de algumas centenas de servidores e servidoras que solicitaram ampliação. A grande maioria entrou com processo no SEI nos anos de 2021 e 2022, mas há três processos de 2019 e um processo de 2018 que estão parados. Daniela Laender Caldeira é uma das quase 10 orientadoras educacionais que solicita ampliação, e está desde o início de 2021 aguardando alguma resposta da SEE-DF. “Entrei com o processo em fevereiro de 2021. Até agora espero alguma resposta”, conta.

Os motivos para um(a) profissional solicitar ampliação são variados, mas um é recorrente: aumento de rendimentos. O índice de endividamento de servidores(as) distritais é muito alto, resultado de uma combinação de 8 anos de salários congelados com taxas de juros exorbitantes praticadas pelo BRB.

Outra razão para solicitação de ampliação de carga horária tem a ver com a carência de profissionais na rede pública do DF. Edilsa Venâncio, por exemplo, é orientadora educacional do CIL, no turno noturno, e servidora readaptada. A diretora da escola lhe pediu que trabalhasse também no turno da tarde, pois há falta de profissionais na escola.

 

Redução por questões pessoais

Há também servidoras que, ao ingressarem na carreira, o fizeram em 40h, e solicitaram redução posteriormente por questões pessoais. Ao resolverem as questões pessoais, solicitaram a volta ao regime original, e até agora nada.

Uma dessas servidoras é Valéria Mazzaro, professora de biologia do Gisno, no Plano Piloto. “Tenho 30 anos de serviço, dos quais 21 trabalhados com 40h semanais. Solicitei redução de carga horária por questões pessoais, que já se resolveram. Solicitei ampliação em 2021, pois gostaria de voltar à carga horária original.”

A professora de inglês do Caseb Márcia Bin está em situação similar: “durante cerca de 20 anos tive carga de 40 horas e, em 2019, pedi redução por conta de razões pessoais. Não existe mais a situação que me levou àquele pedido e, assim, gostaria de voltar a exercer a função de professora nos termos anteriores.” Márcia estranha a demora em atender à solicitação, pois antes de 2018 não havia problemas: “quando pedi redução de carga, imaginava que o retorno para o regime de 40 horas seria mais fácil, como costumava ser em anos anteriores.”

Genildo Alves Marinho, professor de Matemática no CEM 3 de Ceilândia, há 3 décadas na SEE-DF e vasta experiência na rede privada, solicitou ampliação de carga horária por três anos seguidos. “O último foi feito quando trabalhei na sede, tinha muita necessidade de profissionais com conhecimento técnico em razão da implantação do Novo Ensino Médio Noturno. São 3 anos seguidos de solicitações não atendidas, com total condição de colaborar com qualidade na Secretaria de Educação com mais tempo, como já o faço à noite.”

Mas qual o impacto de algumas centenas de ampliações de carga horária no orçamento da SEE-DF? Não há resposta. “A secretaria diz que fez essa estimativa, mas nunca nos mostrou a planilha”, explica Cleber Soares, diretor do Sinpro e um dos integrantes da Comissão de negociação do sindicato junto à secretaria. Mas verba para essas ampliações existe, tanto na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 quanto na de 2024. “Basta a SEE-DF querer”, completa Cleber.

 

Amplia Já! 40 horas para quem precisa

Para pressionar a SEE-DF a cumprir o acordo de suspensão de greve, o Sinpro continua com a campanha Amplia já! 40 horas para quem precisa. Esse acordo prevê que a secretaria não só amplie as cargas horárias dessas centenas de servidores como também convoque todos os aprovados de vagas imediatas e cadastro reserva do Concurso de 2022, com vistas à ótima organização do ano letivo de 2024.

Imprima o cartaz em PDF (clique no botão abaixo), tire uma foto sua com o cartaz e envie para a gente no e-mail imprensa@sinprodf.org.br ou no telefone 99323-8131.

Você também pode publicar a foto nas suas redes sociais. Só não se esqueça de marcar o Sinpro, o governador Ibaneis Rocha e a secretária Hélvia Paranaguá.

Baixe o PDF aqui

MATÉRIA EM LIBRAS

Publicado originalmente em 9 de outubro de 2023

TV Sinpro Especial aborda o desrespeito com a comunidade do Olhos D’Água

A comunidade de Olhos D’Água, localizada na região de Alexânia, tem se revoltado após o prefeito da cidade proibir a realização da Feira do Troca na Praça Santo Antônio. A revolta da população começou depois do padre da paróquia local solicitar à prefeitura que a feira seja impedida de acontecer em seu local tradicional, e o TV Sinpro Especial desta terça-feira (05) fala mais sobre esta situação que tem revoltado a cidade e todos que conhecem a história de Olhos D’Água.

O programa terá a participação de moradores, líderes comunitários, artesãos e artistas, que falarão sobre a situação de Olhos D’Água. A grande maioria da comunidade defende a tradição da Feira do Troca, que movimenta o comércio e o artesanato local a cada seis meses, sempre no primeiro fim de semana de junho e dezembro. O debate é importante também para mostrar a importância da cultura de Olhos D’Água e pelo fato de muitos(as) moradores(as) do Distrito Federal se territorializarem à região, inclusive com grande frequência de professores(as) e orientadores(as) educacionais da capital federal no local.

O programa será transmitido às 19h com transmissão pelo Youtube e Facebook do Sinpro-DF. Confira!

Reunião Amplia Já | Sinpro intensifica campanha

No último dia 27 de novembro, O Sinpro realizou reunião com os e as profissionais da rede distrital que aguardam o cumprimento de suspensão de greve para ter a carga horária ampliada de 20 para 40 horas semanais. A reunião ocorreu na sede do sindicato.

A ideia do encontro era discutir as estratégias para potencializar a campanha Amplia já! 40 horas para quem precisa. A reunião foi proveitosa para passar informes e organizar as estratégias de luta para o cumprimento de um dos pontos do acordo de greve.

Uma das resoluções tiradas foi a de intensificar a campanha Amplia Já! 40 horas para quem precisa: “a ideia é que todas as pouco mais de 200 pessoas que solicitaram ampliação de horário estejam com a carga horária ajustada já no início do ano letivo de 2024”, conta a dirigente do Sinpro, Elbia Pires, presente à reunião. Ademais, toda a categoria está mobilizada para o ato em defesa de recursos para a Educação na LOA 2024, a ser agendado a qualquer momento na CLDF.

Ampliação (ou redução) de carga horária é processo previsto no plano de carreira da categoria. Solicitar essa movimentação não deve ser motivo de desabono nem de punição para o(a) servidor(a) que o fizer.

Mas a realidade dos(as) servidores(as) que pedem movimentação de carga horária é outra: a  resposta padrão da Secretaria de Educação para quem pede redução para 20 horas é de que a rede hoje é de 40 horas; e quem pede a ampliação para 40 horas ouve da SEE-DF que a secretaria não tem autorização para ampliar as cargas horárias, pois depende de orçamento, e pede para aguardar a liberação.

Mas qual o impacto de algumas centenas de ampliações de carga horária no orçamento da SEE-DF? Não há resposta. “A secretaria diz que fez essa estimativa, mas nunca nos mostrou a planilha”, explica Cleber Soares, diretor do Sinpro e um dos integrantes da Comissão de negociação do sindicato junto à secretaria. Verba para essas ampliações existe, tanto na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 quanto na de 2024. “Basta a SEE-DF querer”, completa Cleber.

 

Ato público em defesa de recursos para a educação na LOA 2024

O Sinpro-DF mobiliza a categoria a participar intensamente do ato público a ser realizado na CLDF em defesa de recursos para a educação na LOA 2024. Fique atento(a) para a convocação, que será feita a qualquer momento.

VEJA O ÁLBUM

Ministério da saúde inclui burnout e Covid na lista de doenças relacionadas ao trabalho

Na última semana o Ministério da Saúde trouxe algumas atualizações na lista de doenças relacionadas ao trabalho, incluindo 165 novas patologias apontadas como responsáveis por danos à integridade física ou mental do(a) trabalhador(a). Entre as patologias estão a Covid-19, distúrbios músculos esqueléticos e alguns tipos de cânceres.

Transtornos mentais como Burnout, ansiedade, depressão e tentativa de suicídio também foram acrescentados à lista. Foi ainda reconhecido que o uso de determinadas drogas pode ser consequência de jornadas exaustivas e assédio moral. Os ajustes receberam parecer favorável dos ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social e passam a valer em 30 dias.

Confira abaixo matéria publicada no dia 30 de novembro, pelo site Carta Capital.

 

 

O Ministério da saúde incluiu Burnout e Covid-19 na lista de doenças que causam danos à integridade física ou mental do trabalhador. A lista, que não era atualizada há 24 anos, também agrega outras 165 patologias, como distúrbios musculares, esqueléticos e alguns tipos de câncer. A adequação de novos protocolos na saúde do trabalho faz parte do compromisso do governo em ‘retomar o protagonismo’ na coordenação nacional de saúde do trabalhador.

O documento cita tanto riscos para o desenvolvimento de doenças quanto uma lista de doenças para identificação, diagnóstico e tratamento. Com a atualização, o número de diagnósticos possíveis salta de 182 para 347.

As mudanças propostas têm o intuito de contribuir também para a estruturação de novas medidas de assistência e vigilância que possibilitem locais de trabalhos mais seguros e saudáveis. O documento servirá tanto para o trabalho formal quanto o informal.

A nova portaria já foi aceita pelos ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social. O texto passa a valer após 30 dias da publicação no Diário Oficial da União.

MATÉRIA EM LIBRAS

Diga não ao homeschooling

Estão ocorrendo audiências públicas na Comissão de Educação e Cultura do Senado para debater o homeschooling. Este projeto é um grande retrocesso para a educação brasileira, pois priva os(as) alunos(as) do convívio e a socialização com os colegas (primordial na formação), além de afastar a escola do papel de proteger o(a) estudante de diversos episódios de violência que ele(a) possa vir a sofrer. E na questão educacional, dificulta a fiscalização do Poder Público sobre esta forma de lecionar e certamente aprofundará os problemas educacionais que o Brasil já enfrenta.

O Sinpro reforça a importância de a categoria estar atenta. Enviem mensagens para a Comissão de Educação e para a relatora: ce@senado.leg.br e sen.professoradorinhaseabra@senado.leg.br

Segue abaixo a carta do Fórum Nacional de Educação:

Na hora das audiências públicas, entre nas redes sociais do Senado e faça comentários contra a educação domiciliar, que é uma forma de tirar o dever do Estado, esvaziar as escolas e destruir a socialização entre as crianças e jovens. Sigamos firmes na luta em defesa da Educação Escolar Pública!

Fórum Nacional de Educação – Contra a Regulamentação da Educação Domiciliar (Homeschooling)

Carta Aberta contra o Projeto de Lei n° 1338, de 2022: riscos contra nossas crianças e adolescentes

Brasília, 27 de novembro de 2023

O Fórum Nacional de Educação (FNE) é um espaço de interlocução entre a sociedade civil e o governo, composto por 61 entidades, articulador das conferências nacionais de educação e uma das esferas legais de monitoramento e avaliação do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (PNE).

O FNE é uma instância de participação social e representa milhões de estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, pais, mães e responsáveis, gestores, conselheiros e defensores do direito à educação presentes em todo território nacional.

Alicerçado em sua legitimidade institucional, o FNE dirige-se às instituições republicanas, à sociedade brasileira e, especialmente, aos/às parlamentares de todas as esferas, para reiterar sua contrariedade com as tentativas de regulamentação da chamada educação domiciliar (homeschooling) no Brasil, em discussão atualmente na Comissão de Educação do Senado Federal.

Para o FNE se faz urgente a contraposição efetiva do Estado às políticas e propostas ultraconservadoras, nas suas diversas esferas federativas, garantindo a desmilitarização das escolas, um freio às intervenções do movimento Escola Sem Partido e dos diversos grupos que desejam promover silenciamento e perseguição nas instituições educativas, ataques à liberdade de cátedra e ao livre pensamento e, neste contexto, de igual modo, é coerente objetar as tentativas de regulamentação da educação domiciliar (homeschooling).

Uma proposição como esta é absolutamente inoportuna e, em um país marcado por enormes desigualdades e grandes desafios educacionais não vencidos, tende a aprofundar a exclusão educacional e social, especialmente de meninas, formando cidadãos alienados, com baixa capacidade de empatia e de convivência no mundo real, complexo, plural e diverso.

De igual modo, tende a promover profissionais que atuarão junto às famílias ao arrepio da LDB e dos requisitos de formação, sem que o poder público (que estará ainda mais onerado caso o PL prospere) tenha condições objetivas de fiscalizar e efetivamente avaliar esta forma de oferta em todo o território nacional. O PL, ademais, retira das crianças e adolescentes a possibilidade de contarem com a escola na rede de proteção e no sistema de garantia de direitos, grande retrocesso no que tange à identificação e encaminhamento de casos, frequentes no núcleo familiar, de abusos de todas as espécies, de violências e de identificação de doenças psicossociais.

Desta forma, o Pleno do FNE se manifesta contrariamente ao Projeto de Lei n° 1.338, de 2022, que Altera a LDB e o ECA, para dispor sobre a possibilidade de oferta domiciliar da educação básica, tramitando na Comissão de Educação do Senado Federal, nos termos do Parecer FNE nº 003, de 2023.

De igual modo, convoca ampla mobilização social, inclusive nas redes do Senado Federal, com determinado posicionamento contrário à matéria.

FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO

MATÉRIA EM LIBRAS

Sinpro disponibiliza agendas 2024 e realiza atualização cadastral

A partir desta segunda-feira (4/12), os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados(as) podem buscar sua agenda 2024. O Sinpro informa que, em razão da atualização cadastral, a entrega da agenda será feita no ato do recadastramento diretamente ao(à) professor(a) e ao(à) orientador(a) educacional. Os(as) sindicalizados(as) também podem acessar o link a seguir e fazer sua atualização cadastral pelo site: https://sinpro25.sinprodf.org.br/atualize-seus-dados-cadastrais/

Tanto a entrega das agendas como a atualização cadastral serão feitos na sede e nas subsedes do Plano Piloto, Taguatinga, Planaltina e Gama no horário comercial, das 8h às 17h,  até o dia 22/12/2023. A entrega será suspensa durante o recesso de Natal e Ano Novo e retomada a partir do dia 02/01/2024.

“Escola é lugar de ser feliz”

A agenda traz uma nova temática, mas mantém o formato de planejador. Ou seja, em vez de uma simples e tradicional agenda, o Sinpro-DF oferece um planejador para ajudar a todos e todas a organizarem melhor todas as áreas de sua vida, tanto na escola como fora dela, num mesmo caderno. Disponibiliza espaços para anotações e planejamentos, além de outras informações, como calendários, telefones úteis da entidade e um histórico de lutas da categoria.

Com o tema “Escola é lugar de ser feliz”, a Agenda 2024 traz a defesa, intransigente, da paz na escola. “Recuperamos o conceito de uma campanha antiga e permanente do Sinpro intitulada ‘Quem bate na escola maltrata muita gente’, com a qual o sindicato combate todo tipo de violência que afeta a escola, mostrando que, para além de ser um lugar de construção do conhecimento acadêmico, é o locus da formação cidadã e de interação social”, afirma Letícia Montandon, coordenadora da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

No texto de apresentação da agenda, o sindicato afirma que a “Escola é lugar de afeto […]. Escola é lugar de fazer amigos, de construir caminhos de compartilhar desafios; de sonhar. Escola é lugar de ser feliz! E é direito de todas as crianças, adolescentes e adultos que não se escolarizaram na idade ideal, com ou sem deficiência, ter acesso à educação pública, gratuita e de qualidade”. Com essa proposta, o Sinpro entende e expressa no texto introdutório da agenda que, para o mundo ser feliz, “a escola também deve se manter, para sempre, um lugar de ser feliz”.

 

Venha buscar a sua agenda e faça a sua atualização cadastral!

 

Clique no link a seguir e acesse a matéria “Atualize seus dados cadastrais!”

Atualize seus dados cadastrais!

MATÉRIA EM LIBRAS

Campanha do Laço Branco: homens combatem a violência contra as mulheres

Dia 6 de dezembro é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A Campanha do Laço Branco vem fortalecer essa mobilização com o objetivo de sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no combate à violência contra a mulher.

Com o mote “estenda sua mão às mulheres vítimas de violência”, a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) tem mobilizado professores e orientadores educacionais a participarem da campanha, postando vídeos ou fotos manifestando seu apoio. Os diretores do Sinpro-DF estão participando!

A campanha acontece em meio aos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres (veja abaixo). Essa mobilização é mais importante do que nunca, em especial, diante dos números assustadores da violência contra a mulher no DF: os feminicídios aumentaram 250% em relação ao ano passado. Dados da secretaria de Segurança Pública atestam que a ampla maioria dos casos acontecem dentro de casa.

21 dias de ativismo

A campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é realizada desde 1991, mundialmente. Internacionalmente, a campanha começa dia 25 de novembro, Dia Internacional da Eliminação
da Violência contra as Mulheres, e termina no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, totalizando 16 dias de ativismo.

No Brasil, a campanha começa antes: no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para enfatizar a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras.

>>> Leia mais: 21 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES: CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

MATÉRIA EM LIBRAS

Comunidade de Olhos D’Água lamenta derrubada de árvores e retirada da Feira do Troca da praça; veja poema

A Feira do Troca, que colore a Praça Santo Antônio Olhos D’Água há quase 50 anos, está sendo impedida pelo padre da paróquia local de ser realizada em seu lar tradicional. Junto com isso, árvores da praça foram derrubadas também a pedido do padre, que alega ter decidido construir estações da Via Sacra no espaço, e do prefeito de Alexânia.

A grande maioria da comunidade de Olhos d’Água defende a tradição da Feira do Troca, que movimenta o comércio e o artesanato local a cada seis meses, sempre no primeiro fim de semana de junho e dezembro.

Para a educadora e socioambientalista Iolanda Rocha, o sentido da praça reside justamente na presença do povo, seja aproveitando as sombras das árvores na companhia de família e amigos, seja vendendo obras de artesanato e produtos da agricultura familiar.

“Será que faz sentido esta área pertencer a apenas um grupo de pessoas, uma vez que a praça é mantida com recursos públicos, iluminação pública, segurança pública?”, escreveu Iolanda em artigo na Revista Xapuri.

Leia abaixo o poema de Iolanda Rocha sobre a derrubada das árvores da Praça Santo Antônio.

Foto: BSB Capital

 

 

HORA DA PARTIDA

O VILAREJO DORME.
ENTRE LÁGRIMAS E MÁGOAS
PASSARINHOS NOTURNOS
ENTERRAM SIMBOLICAMENTE MARIA PRETA.
OS OLHOS SE ENCHEM D’ÁGUA…
O CORAÇÃO PARTIDO.
NO SILÊNCIO, UM GEMIDO.
UM ADEUS ÀS IRMÃS ÁRVORES
QUE TOMBARAM, PELA INSENSIBILIDADE
E GANÂNCIA DE DEMÔNIOS, QUE NÃO SENTEM DOR,
QUE PREFEREM IGNORAR, E SEM AMOR
IGNORAM QUE NA MORTE DE UM
MORRE UM POUCO DE NÓS, NO CADA UM.
A PRAÇA, AI COMO DÓI, A PRAÇA DE OLHOS D’ÁGUA,
TEM CHEIRO DE CHUVA, E ORVALHO DE DOR.
JATOBÁ, MARIA PRETA…
QUE O NOSSO ADEUS, TE DEIXEM EM PAZ
MAS QUE FIQUE CONOSCO, A INDIGNAÇÃO,
DE FAZER DAS LÁGRIMAS
UM SÍMBOLO DE LUTO, LUTA/AÇÃO
E QUE NÃO DESCANSE
O NOSSO CORAÇÃO
PELA PRAÇA, PELA FEIRA, PELAS ÁRVORES, PELOS PASSARINHOS,
PELO ACONCHEGO DOS QUE CHORAM E LUTAM
POR UMA VIDA QUE TENHA VIDA.
ADEUS, ADEUS
CHEGOU A HORA DA PARTIDA.

Poema de despedida das árvores de Olhos D’Agua, vítimas de um crime ambiental e social cometido pelas autoridades civis e religiosas do estado de Goiás.

Iolanda Rocha. Dez 2023.

MATÉRIA EM LIBRAS

Nota de pesar: Morre Nêgo Bispo, intelectual quilombola criador do “contracolonialismo”

 

 

Fogo!… Queimaram Palmares, Nasceu Canudos

Fogo!… Queimaram Palmares,

Nasceu Canudos.

Fogo!… Queimaram Canudos,

Nasceu Caldeirões.

Fogo!… Queimaram Caldeirões,

Nasceu Pau de Colher.

Fogo!… Queimaram Pau de Colher…

E nasceram, e nasceram tantas outras comunidades que os vão cansar se continuarem queimando.  

Porque mesmo que queimam a escrita,

Não queimarão a oralidade.

Mesmo que queimem os símbolos,

Não queimarão os significados.

Mesmo queimando o nosso povo

Não queimarão a ancestralidade.

(Antônio Bispo dos Santos. Este é um dos poemas de Nêgo Bispo para repensar a colonização)

 

 

O Sinpro-DF lamenta a falecimento de Antônio Bispo dos Santos, ocorrido nesse domingo (3/12),  no Quilombo Saco-Curtume, em São João do Piauí (PI), aos 63 anos, vítima de uma parada cardíaca. O velório acontece nesta segunda-feira (4) e o sepultamento está previsto para as 17h, no quilombo onde ele viveu, no Piauí.

Mais do que um símbolo da resistência negra, o Brasil perdeu um de seus maiores intelectuais quilombolas. Conhecido também como Nêgo Bispo, ele passou mal durante à tarde e foi levado ao Hospital Estadual Teresinha Nunes de Barros, localizado na cidade de São João do Piauí — a 450 km da capital Teresina. Lá, teve duas paradas cardíacas e não resistiu. A causa ainda não foi revelada.

O Sinpro lembra que Bispo deixa um legado imenso no campo do conhecimento e da sabedoria. Ele que semeou a contracolonização e sempre se posicionou como um mensageiro e embaixador do povo quilombola. Intelectual nordestino e quilombola, Bispo se alfabetizou para defender a sua comunidade e cultivou semeou em todo o País a semente do anticolonialismo e da soberania nacional.

Bispo se autodenominava “lavrador de palavras” e traduzia, em sua obra, o olhar de quem nasceu em um quilombo sobre os modos de habitar e de se relacionar com a terra. Filósofo, poeta, escritor, pensador, professor e ativista social e político. Ele ganhou notoriedade em movimentos sociais, na década de 1990, quando chegou a se filiar a partidos políticos, que abandonou anos depois. Desde então, se voltou para a defesa dos povos quilombolas.

Escreveu com uma profunda produção em todos os campos das letras, ele escreveu poesias, artigos e livros sobre a história de luta do povo negro e propôs o conceito de contracolonialismo, uma atitude de reforçar a cultura, práticas, organização social, todas as manifestações coletivas de povos colonizados contra os esforços de imposição dos colonizadores. Segundo o conceito criado por ele, a contracolonização seria o “antídoto” contra a colonização, que definia como “veneno”.

ele atuou em organizações como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e em movimentos sociais do Piauí e, em seu pensamento, fazia uma comparação entre o modo de vida dos quilombos e o da sociedade nacional em seu último livro “A Terra Dá, A Terra Quer” (Ubu, 2023). Nessa obra, ele também propôs um novo modo de viver, a contracolonização, em resposta a problemas atuais ligados à ecologia, ao clima, ao trabalho e à alimentação.

“Colonizar um povo é como adestrar um boi. Ambas ações consistem na remoção da identidade, mudança de território e condenação do modo de vida alheio”: essa é a associação que o pensador fez em seu livro. O contracolonialismo, segundo ele, seria a recusa de um povo à colonização, o que seria praticado há séculos por africanos, indígenas e quilombolas.

Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, o pensador chegou a dizer que não via diferença entre a esquerda e a direita na relação com os quilombolas. “A direita e a esquerda são maquinistas que dirigem o mesmo trem colonialista. Escolher o vagão permite decidir os passageiros com quem você vai viajar. Mas a viagem é a mesma, vai para o mesmo caminho”, disse.

Segundo informações o jornal, a editora Companhia das Letras prepara um novo livro que reúne o pensamento do líder quilombola. “Colonização e Quilombo, Milagres e Feitiços”, trabalhado com a editora há 2 anos e meio e deverá sair em 2024. O Sinpro lamenta e se solidariza com a família, amigos, todos(as) os(as) quilombolas e toda a população negra e todos(as) os(as) brasileiros(as) que tem em Nêgo Bispo uma referência.

 

Nêgo Bispo, presente!

 

Com informações Folha de S. Paulo, G1 e USP.

 


Vida e obra de Nêgo Bispo

 

A Enciclopédia de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) apresenta um breve currículo de Antonio Bispo dos Santos. Confira e conheça a importância deste nordestino quilombola para o Brasil e o mundo.

 

AUTOR | Antonio Bispo dos Santos

 

Antonio Bispo dos Santos nasceu em 1959, no Vale do Rio Berlengas, Piauí. Formou-se pelos ensinamentos de mestras e mestres de ofício do quilombo Saco-Curtume, município de São João do Piauí; completou o ensino fundamental, tornando-se o primeiro de sua família a ter acesso à alfabetização. Nego Bispo, como também é conhecido, é autor de artigos, poemas e dos livros Quilombos, modos e significados (2007) e Colonização, Quilombos: modos e significados (2015). Como liderança quilombola, atuou na Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ/PI) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Destaca-se por sua atuação política e militância, que estão fortemente relacionadas à sua formação quilombola, evidenciada por uma cosmovisão a partir da qual os povos constroem, em defesa de seus territórios tradicionais, símbolos, significações e modos de vida.

O pensamento de Bispo constrói-se a partir da experiência e concepções das comunidades quilombolas e dos movimentos sociais de luta pela terra. Dessa perspectiva, desenvolveu algumas proposições epistemológicas a partir dos saberes tradicionais dos povos “afro-pindorâmicos”, segundo a sua expressão para referir-se aos descendentes africanos e indígenas/pindorâmicos em substituição às designações empregadas pelo colonizador. Seu pensamento vem despertando debates dentro e fora da academia, sobretudo a partir do conceito de “contracolonização”, que postula uma relação entre regimes sociopolíticos e cosmológicos. O autor compreende a colonização como um processo etnocêntrico que busca substituir uma cultura pela outra, por meio de práticas de invasão, expropriação e etnocídio. Como sugere o pensador quilombola, o conceito de “contracolonização” inscreve no processo colonial a ressignificação da matriz cultural dos povos e de suas práticas tradicionais, de modo a ancorar a enunciação e as formas de resistência à colonização.

Colonização, quilombos: modos e significações (2015) propõe um novo ponto de vista acerca dos estudos decoloniais, ainda que não dialogue diretamente com essa literatura. A obra, que traz ensaios e poemas, elabora uma perspectiva própria sobre as formações “orgânicas” – como Bispo nomeia esse regime de subjetivação – das comunidades tradicionais, retomando a história da resistência de Palmares, Canudos, Caldeirões e Pau de Colher. A crítica epistemológica que o livro apresenta é engendrada pela cosmovisão dos povos contracolonizadores, indissociável de suas práticas. A contracolonização localiza-se, portanto, no âmbito de um debate teórico e prático, oferecendo instrumentos para examinar os modos de resistência de povos negros e indígenas que não se permitiram colonizar. A perspectiva crítica do autor repousa na experiência “orgânica” e política do povo quilombola, de forma que o pensamento contracolonialista mostra-se uma prática que se dá por meio da cosmovisão afro-pindorâmica.

Outro pilar que constitui o conceito de contracolonização é a relação entre discurso e prática, permitindo o que o autor chama de “confluência”, isto é a convivência entre elementos diferentes entre si e que, ainda assim, se aproximam em suas cosmovisões. Segundo ele, a confluência é o que tem mobilizado o pensamento dos povos tradicionais, oriundo da cosmovisão pluralista dos povos politeístas. A “transfluência”, em contrapartida, rege as “relações de transformação dos elementos da natureza”, estando associada a processos, discursos e práticas derivados da concepção monista, vinculados a um pensamento eurocêntrico e monoteísta. Esses dois pontos são importantes para a compreensão do que o autor denomina “pensamento orgânico” e “pensamento sintético”: o orgânico se refere ao saber constitutivo do desenvolvimento do ser, à organicidade advinda do processo de subjetivação e potência empírica da trajetória dos povos afro-pindorâmicos; o sintético seria o saber canonizado na academia, caracterizado por uma prática colonialista, constituindo-se pela ênfase no “ter.” Enquanto o orgânico é o saber da confluência, o sintético seria o da transfluência.

O pensamento de Nego Bispo busca oferecer contribuições políticas e acadêmicas aos movimentos de luta pela terra, com destaque para as organizações político-sociais dos povos indígenas e quilombolas. Ao reforçar as manifestações coletivas e ao colocar o acento político na oralidade, vem ocupando um lugar na reestruturação conceitual dos estudos decoloniais. Impulsionando o debate acadêmico, Bispo realiza palestras, conferências e cursos, tendo participado como professor e mestre convidado do projeto Encontro de Saberes (UNB/INCT). Ministrou aulas no Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Como citar este verbete: PORFÍRIO, Iago & OLIVEIRA, Lucas Timoteo de. 2021. “Antonio Bispo dos Santos”. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia. Disponível em: https://ea.fflch.usp.br/autor/antonio-bispo-dos-santos ISSN: 2676-038X (online). Ficha catalográfica de Antônio Bispo dos Santos. FFLCH. Acesse: https://ea.fflch.usp.br/autor/antonio-bispo-dos-santos

 

No card de divulgação da nota de pesar, o Sinpro traz um trecho do poema a seguir:


Não fomos colonizados


“Quando nós falamos tagarelando

E escrevemos mal ortografado

Quando nós cantamos desafinando

E dançamos descompassado

Quando nós pintamos borrando

E desenhamos enviesado

Não é por que estamos errando

É porque não fomos colonizados”.

Clique no link a seguir e acesse algumas obras de Antônio Bispo dos Santos:  < https://livroecafe.com/2023/07/3-poesias-de-antonio-bispo-dos-santos-para-repensar-a-colonizacao/>

MATÉRIA EM LIBRAS

Acessar o conteúdo