Estatuto da Terra completa 59 anos e a concentração latifundiária no Brasil

Um dos principais desafios dos governos democráticos no Brasil é cumprir os artigos da Constituição Federal que determinam a função social da terra. Em 2023, 59 anos depois que a ditadura militar instituiu o Estatuto da Terra, o País ainda enfrenta o mesmo problema de concentração de terras de antes do golpe militar de 1964.

Neste 30 de novembro, o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) completa 59 anos e, embora a lei tenha sido promulgada pela ditadura militar para atender aos objetivos dos latifundiários da época e revogar o Estatuto do Trabalhador Rural (ETR), sancionado, em 1963, pelo governo democrático de João Goulart (PTB), ela está em vigor e é considerada a Certidão de Nascimento do Direito Agrário no Brasil.

Essa lei instituiu vários princípios da função social da terra contemplados na Constituição Federal. Até hoje o Estatuto da Terra é a principal Lei Federal que disciplina o uso, a ocupação e a relações fundiárias no País. O Observatório do Agronegócio no Brasil, cujo site se chama “De olho nos ruralistas”, explica que o estatuto foi uma das principais leis do golpe de 1964 e foi um golpe agrário e contra o campo.

Golpe de 1964 foi também um golpe agrário

“A derrubada do governo João Goulart contou com a colaboração de organizações ruralistas, como a Sociedade Rural Brasileira (SRB), e impactou diretamente a vida de indígenas e camponeses, justo num momento em que trabalhadores rurais vivenciavam um processo crescente de luta pela terra e por direitos sociais, escreve o site De olho nos ruralistas.

E continua: “Pouco tempo depois do golpe, em novembro de 1964, foi criado o Estatuto da Terra, que tirava direitos sociais estabelecidos no ETR, porém, criava a função social da propriedade. A seguir, os militares criaram órgãos públicos, incluindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O que se viu ao longo dos anos, contudo, foi a repressão aos movimentos do campo e o exílio de grandes apoiadores de suas causas, caso do médico Josué de Castro, autor do clássico ‘Geografia da Fome'”, informa o texto.

Em uma entrevista ao site Brasil de Fato, em 2019, Nicinha Porto, presidenta da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), explica o duplo caráter dessa lei e mostra que isso “gerava uma contradição na prática, que acabou beneficiando o lado do desenvolvimento agrícola pelo viés da colonização de novas áreas com base em grandes propriedades. O efeito foi o inverso da reforma agrária”.

No texto do jornal, ela diz que o estatuto foi ignorado em relação às regras para a reforma agrária. “Nós tivemos o desenvolvimento da modernização conservadora da agricultura do ponto de vista produtivo, que produziu os grandes latifúndios”, afirma.

 

Concentração de terras no Brasil em 2023

 

Uma matéria do site da Comissão Pastoral da Terra deste ano mostra que a concentração de terra na mão de poucos custa caro ao Brasil. Dados de 2023 do Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dão conta de que cerca de 3% do total das propriedades rurais do País, hoje, são latifúndios, ou seja, tem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. Trata-se de área ocupada equivalente aos Estados de São Paulo e do Paraná juntos que está nas mãos dos 300 maiores proprietários rurais.

Enquanto isso, 4,8 milhões de famílias estão à espera de chão para plantar. Um dos exemplos do grau de concentração de terras no Brasil é a área de 4,5 milhões de hectares, localizada na Terra do Meio, coração do Pará, que o grupo CR Almeida, do empresário Cecilio do Rego Almeida, reivindica para si. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) esse é o maior latifúndio do mundo.

Sinpro-DF e a Carta do MST

No ano passado, o Sinpro-DF divulgou uma matéria sobre o Estatuto da Terra na qual traz a Carta ao Povo Brasileiro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na qual denuncia o aumento das desigualdades, dos crimes ambientais e da fome e afirma que a “falta de perspectiva atinge mais de 70 milhões de trabalhadores”. <

Na matéria https://x.gd/KVEgA, o Sinpro também explica que o Estatuto da Terra é a lei que determina ao Estado a obrigação de garantir o direito ao acesso à terra para quem nela vive e trabalha e que foi uma forma de a ditadura militar segurar os movimentos campesinos que se multiplicavam durante o Governo João Goulart e tinham as Ligas Camponesas como sua expressão maior.

Na obra “História das Ligas Camponesas no Brasil”, o professor, jornalista e escritor Clodomir Morais, um dos intelectuais orgânicos da reforma agrária no Brasil, conta um pouco dessa história.  O MST afirma que o problema da fome do Brasil só será resolvido quando o País fizer a reforma agrária. Acesse o livro nos links a seguir:

< https://mst.org.br/2020/03/25/clodomir-morais-intelectual-organico-da-reforma-agraria/>

< https://issuu.com/paginadomst/docs/a_histo_ria_das_ligas_camponesas>

 

< https://mst.org.br/wp-content/uploads/2020/03/A-HISTO%CC%81RIA-DAS-LIGAS-CAMPONESAS.pdf>

O Estatuto da Terra é o primeiro ordenamento legal de conceitos importantes para o Campo Brasileiro:

Reforma agrária – é o conjunto de medidas que visem a promover melhor distribuição da terra, mediante modificações no regime de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios de justiça social e ao aumento de produtividade. (Art. 1º)

 

Módulo rural – é a menor unidade de terra que serve de sustento para uma família ou, como define a lei: lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico – e cujas dimensões, variáveis consoante diversos fatores (localização, tipo do solo, topografia, etc.), são determinadas por órgãos oficiais.

 

Minifúndio – Uma propriedade de terra cujas dimensões não perfazem o mínimo para configurar um módulo rural;

 

Latifúndio – propriedades que excedam a 600 módulos rurais ou, independentemente deste valor, que sejam destinadas a fins não produtivos (como a especulação).

 

As metas estabelecidas pelo Estatuto da Terra eram basicamente duas: a execução de uma reforma agrária e o desenvolvimento da agricultura.

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Remanejamento 2023/2024: resultado final liberado

O Sinpro informa que o resultado final geral do procedimento de remanejamento 2023/2024, assim como o comprovante de bloqueio, já estão disponíveis no SIGEP. Confira se sua solicitação foi contemplada.

E não se esqueça: de hoje, 29 de novembro até 8 de dezembro, é o período para homologar o procedimento: o servidor deverá apresentar comprovante de bloqueio no Procedimento de Remanejamento Interno/Externo 2023/2024, e entregar a documentação para validação da pontuação para o Procedimento de Distribuição de Turmas/Carga Horária/Atribuição de Atendimentos na UE/UEE/ENE de destino.  

Está previsto para o próximo dia 18 de dezembro o Procedimento de Distribuição de Turmas/Carga Horária/Atribuição de Atendimentos. O Sinpro destaca que, para participar do procedimento e acompanhar as fases constantes no processo, os(as) interessados(as) devem acessar o Sistema Integrado de Gestão de Pessoas (SIGEP).

Live explica como professores CT’s devem fazer cálculos dos acertos financeiros de 2023

O Sinpro-DF realizará no dia 6 de dezembro (quarta-feira) live que mostrará aos(às) professores(as) em regime de contratação temporária a metodologia dos cálculos realizados para os acertos financeiros de 2023. A transmissão será a partir das 19h, no Youtube do Sinpro-DF.

Participarão da live as diretoras do Sinpro-DF Ana Bonina e Letícia Montandon, além do diretor do Sindicato Cláudio Antunes.

Na atividade, valores referentes ao 13º salário, 1/3 de férias, férias indenizatórias e outros acertos, que neste ano serão impactados pelo reajuste salarial de 6% e a incorporação de 1/6 da Gaped, serão demonstrados de forma didática, considerando condições como jornada de trabalho, por exemplo.

Além dos acertos financeiros de 2023, a live também abordará direitos dos(as) professores(as) com regime de contratação temporária.

 

Em reunião com líderes, Sinpro luta contra vetos do GDF no Orçamento 2024

 

A comissão de negociação do Sinpro-DF se reuniu, na segunda-feira (27/11), com os deputados distritais integrantes do Colégio de Líderes, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), para apresentar sua preocupação e discordância da proposta orçamentária do governo Ibaneis Rocha (MDB) para o ano de 2024 encaminhada para a CLDF.

Na avaliação do Sinpro, a proposta do Governo do Distrito Federal (GDF) inviabiliza o cumprimento de acordos firmados, e chancelados pela CLDF, que suspenderam a greve de maio deste ano. Se esse orçamento for aprovado, poderá recolocar a categoria em greve novamente.

O presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), foi receptivo e sensível às preocupações do sindicato e se comprometeu a continuar esse debate e alertou os parlamentares que, de fato, todos os itens foram chancelados pela Casa Legislativa e que o debate sobre o orçamento deve considerar também esse acordo que suspendeu a greve.

A reunião foi presidida pelo presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), e contou com a presença dos parlamentares líderes dos blocos partidários. Inclusive, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024, enviado em setembro para a CLDF, foi alvo de críticas de diversos segmentos da sociedade durante uma audiência na Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da CLDF.

Acordo de greve: alertas e preocupações

A comissão de negociação citou, como exemplo que sinaliza a inviabilização do que foi acordo para o suspensão da greve, a previsão de nomeação de efetivos(as). Na proposta encaminhada pelo GDF, essa previsão é de 630 concursados(as). Porém, só o banco de reserva tem quase 3 mil profissionais do magistério esperando a nomeação. Além disso, o governo atual investe em trabalho precário, o que sucateia o serviço público e retira direitos trabalhistas. Hoje, dois terços dos(as) professores(as) da rede pública são formados por profissionais em contrato temporário. Por isso é importante o cumprimento do acordo de greve, com investimento financeiro previsto na LOA 2024 para nomeação dos(as) aprovados(as) nas vagas imediatas e do cadastro reserva e a realização de novo concurso.

Além disso, há o problema das diversas áreas que, mesmo chamando todo o banco de reserva, ainda assim continuarão com carência. Na ocasião da suspensão da greve, além da nomeação dos(as) concursados(as), um dos principais itens consensuados com o GDF que ensejaram essa suspensão foi o acordo para a realização de novo concurso público. Inclusive o próprio GDF reconhece que mesmo chamando totalmente o banco de reserva, ainda assim, a Secretaria de Estado da Educação (SEE-DF) permanecerá com carência em algumas áreas. Ou seja, ao reduzir recursos financeiros para viabilização desses acordos, a previsão de nomeação de concursados(as) se resume a um número pequeno de nomeações e, provavelmente, a nomeação de todo o banco reserva e a realização de novo concurso estarão inviabilizados.

A falta de recursos financeiros também compromete a ampliação do pessoal de 20h para 40h, que também é uma situação que precisa de orçamento para ser viabilizado. Outro problema constatado no Orçamento 2024 é que o GDF reduziu os recursos financeiros para construção de novas escolas, reformas de outras, construção de escola de primeira infância. Quando o GDF reduz esses recursos, ele sinaliza para o aumento do número de estudantes em sala de aula, uma vez que é natural e previsível o aumento desse número de estudantes na rede ano a ano. Isso significa mais salas de aula superlotadas.

Ao reduzir esse recurso financeiro para reformas de escolas, a rede terá mais escolas sucateadas. A falta desses recursos para esse tipo de organização, como reforma e adequação dos espaços de uma maneira melhor, o GDF gera novos problemas, aprofunda os que já existem na maioria das salas de aula, além de trazer uma série de outras consequências, desde a execução de uma aula com mais recursos pedagógicos que dialoguem com esta geração tão bem informada e automatizada até problemas de saúde em decorrência das acomodações inadequadas.

A comissão de negociação pontuou outros problemas, como a falta de previsão orçamentária para que a Mesa de Negociação Permanente, que é uma das reivindicações que constam da pauta que suspendeu a greve, não só continue, mas também, sobretudo, gere resultados concretos e enseje a continuidade do processo de negociação da reestruturação da nossa carreira. A comissão assegura que a falta de recursos financeiros suficientes para atender às possibilidades de avanço nas Mesas de Negociações também é um dos problemas que preocupam a entidade e não está na proposta encaminhada pelo GDF.

 

Carta do Sinpro ao presidente da CLDF

 

Nessa terça-feira (28), o sindicato enviou um ofício ao deputado Wellington Luiz, presidente da CLDF, solicitando o apoio dele e da Casa Legislativa para garantir recursos financeiros na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024 para várias demandas da educação pública do Distrito Federal.

 

Ato público em defesa de recursos para a educação na LOA 2024

 

Diante dessa situação, o Sinpro-DF está mobilizando a categoria a participar intensamente do ato público a ser realizado na CLDF em defesa de recursos para a educação na LOA 2024. Fique atento(a) para a convocação a qualquer momento! Confira a imagem no fim desta matéria.

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Escola é espaço fundamental para desconstruir a normalização da violência

Saber identificar o que é violência é questão-chave para eliminar a prática realizada contra as mulheres. A afirmação foi feita na palestra “A desconstrução da violência pela educação: como identificar, evitar e encerrar o ciclo de violência”, realizada no Centro de Ensino Fundamental do Bosque, em São Sebastião, no dia 25 de novembro, Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

“Analisar as várias características da violência, as origens da violência, como ela surge e se desenvolve dentro de todos os tipos de relacionamento é imprescindível. Muitas vezes, a vítima está dentro de uma relação de abuso, mas não consegue identificar isso. Isso porque a violência não é só física, não é só tomar um soco, um tapa, um tiro. Mas uma palavra, uma difamação, uma violência patrimonial ou sexual, além de várias outras questões, também são formas de violência”, disse a palestrante Inara Amorim.

Professora de formação e policial civil há 14 anos, Inara, que também já foi vítima de violência, afirma que “a educação ensina a identificar os sinais, o cenário e, a partir disso, saber identificar se está ou não em um relacionamento abusivo e o que fazer diante disso”. “Esse é um tema para ser tratado em todas as idades, em todas as etapas de ensino”, afirma.

A diretora do Sinpro Leilane Costa participou da palestra e lembrou que o ambiente escolar é composto majoritariamente por mulheres, sejam professoras, orientadoras educacionais, estudantes, mães/responsáveis, trabalhadoras da limpeza.

“Nós do Sinpro temos uma séria de políticas para as mulheres, desenvolvidas por uma secretaria específica, que têm como um dos principais eixos o combate da violência contra as mulheres. Essa é uma luta que deve ser nossa, não só pela configuração da nossa categoria e do ambiente escolar, mas por defendermos que a educação deve ser emancipadora. Por isso, o tem do combate à violência contra as mulheres deve, sim, ser falado, e muito, dentro das escolas”, disse.

Leilane Costa, diretora do Sinpro

 

A dirigente sindical lembrou que o número de feminicídios no DF aumentou 250%, comparado o primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2022. “Isso não pode ser normalizado. Aliás, nenhum tipo de violência pode ser normalizado. E as escolas são espaços importantes para desconstruirmos essa normalização”, afirma Leilane Costa.

A diretora do CEF do Bosque, Priscila Silva de Jesus Monteiro, conta que a palestra abriu a Semana Maria da Penha, inserida no inserida no Calendário Escolar. Entretanto, para ela, a atividade foi muito além de um evento alusivo à data. “Além de ser muito esclarecedora, a palestra encoraja. Esse tipo de atividade fortalece o debate de não à violência, independentemente do tipo”, avalia.

Organizador da atividade, o coordenador pedagógico do CEF do Bosque, Rogério Guimarães, lembra que a comunidade de São Sebastião tem como uma das características o volume aumentado de violência contra as mulheres. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, só neste ano, duas mães foram assassinadas pelo fato de serem mulheres.

“Percebemos como isso (a violência doméstica) tem afetado o desempenho escolar dos estudantes. É muito importante a parceria entre escola, família e toda a comunidade escolar para mudarmos este cenário”, afirma professor Rogério.

Segundo ele, o CEF do Bosque de São Sebastião planeja realizar mais duas palestras sobre violência de gênero: uma na primeira quinzena de janeiro e outra no ano letivo de 2024, após a Semana Pedagógica.


21 dias de ativismo

O dia 25 de novembro, Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, é uma das datas inseridas na campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, realizada desde 1991, mundialmente.

Internacionalmente, a campanha começa dia 25 de novembro e termina no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, totalizando 16 dias de ativismo. No Brasil, a campanha começa antes: no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para enfatizar a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras.

O Sinpro, a CUT e sindicatos vêm realizando uma série de atividades relacionadas à campanha. Acesse AQUI mais informações sobre o tema 

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Artigo de diretor do Sinpro sobre as consequências das eleições argentinas repercute na mídia

Em artigo publicado nos principais portais de esquerda, o coordenador da secretaria de políticas sociais do Sinpro-DF, Raimundo Kamir, analisa as consequências da guinada à direita da Argentina, com a eleição de Javier Milei.

Kamir demonstra que o pêndulo ideológico precisa de equilíbrio entre esquerda e direita. Enfraquecer artificialmente forças à esquerda, como vimos ocorrer com a “reforma” trabalhista que reduziu a participação dos sindicatos na sociedade, significa fortalecer as forças da direita. Uma sociedade com esquerda fragilizada vai pender para a extrema direita. Kamir também demonstra que os sindicatos, tão enfraquecidos na última década, são a principal força de resistência à ascensão do fascismo.

O artigo de Kamir foi publicado pela Revista Fórum e pelos jornais Brasil Popular, Brasil de Fato e GGN, e também pode ser lido na íntegra aqui no site do Sinpro.

Confira o artigo completo de Kamir a seguir

O que a guinada à direita da Argentina nos ensina?

Por Raimundo Kamir*

No dia 19 de novembro, o mundo viu a Argentina dar uma inquestionável guinada à extrema direita. Mais uma sociedade sucumbiu ao discurso fácil do “contra tudo isso que está aí, abaixo o sistema”, um discurso raso, irresponsável e inconsequente. E, acima de tudo, um discurso no qual se emprega, de maneira falsa e hipócrita, a ideia de “Liberdade”.

Do discurso para a prática, a distância é sempre muito grande. Fechar o Banco Central, romper relações com a China e com o Brasil são atos simplesmente suicidas para a Argentina. Não tem como dar certo. Se o discurso de campanha estava cheio de coragem e testosterona, o governo deverá ser de raciocínio, ponderação e contemporização. Estará o presidente eleito Javier Milei preparado para isso? Estará a Argentina a salvo dos arroubos inconsequentes de um ser que afirma, bizarramente, que recebe orientações do espírito de seu cachorro morto?

A América Latina assiste ao pêndulo ideológico se mover muito rapidamente para a direita. No Chile, após a eleição de Gabriel Boric, as forças de oposição enfraqueceram muito rapidamente o governo eleito. O resultado: uma nova constituição reprovada pelo voto popular, e segunda Assembleia Constituinte convocada. E a nova Carta Magna do país, reescrita por essa segunda Assembleia, amplamente de direita, vai a votação popular no dia 17 de dezembro, mas já é rechaçada pela população. Ao que tudo indica, o Chile não terá uma nova constituição, pois não será convocada nova Assembleia Constituinte caso esta nova Carta Magna seja rejeitada. Na Colômbia, o governo de Gustavo Petro também sofre com ataques da direita. No Equador, um liberal de direita acaba de tomar posse como presidente. Também está enfraquecido o governo do boliviano Luis Arce.

O governo eleito na Argentina não é “libertário”, tampouco “anarco-capitalista”. Quem prega revisionismo histórico, minimizando os crimes do Estado argentino durante o governo militar e negando a existência de 30 mil desaparecidos políticos da ditadura argentina, não é libertário. É fascista. É preciso dar os nomes certos às forças ora em ascensão na América Latina. E essa ascensão do fascismo na América Latina é resultado direto das políticas neoliberais de enfraquecimento do sindicalismo e das conquistas da classe trabalhadora.

Mas essa aparente vitória da direita na América Latina, ante o “fracasso” (entre aspas) da esquerda, representa uma derrota para a própria direita. Explico.

Quem ascende ao poder na América Latina não é a direita moderada, ponderada, racional, e sim a extrema direita radical. Essa ala mais extrema do espectro ideológico traz para onde quer que vá a autocracia, o descrédito de instituições como o Poder Judiciário, movimento civil organizado (como os sindicatos), eleições e imprensa livre, e instaura o fascismo. Eis aí como as democracias morrem: com altas doses de fascismo administradas pela extrema direita.

Sindicato e resistência

Além disso, tratar a esquerda moderada como pária social não é positivo para a sociedade. Historicamente, o processo de ascensão do fascismo (e do nazismo) deixa bem claro que o discurso fascista é permeável e absorvível por quase toda a sociedade. O quase dá brecha a uma exceção: o sindicalismo. Palavras do insuspeito filósofo norte-americano Jason Stanley, autor de “Como funciona o fascismo: a política do “nós” e “eles”.

Nesse livro, de 2018, ele explica que um dos obstáculos para o que ele chamou de política do “nós contra eles” (em que o nós representa os fascistas, superiores e o eles representa o resto da sociedade, seres inferiores) é justamente “a unidade e a empatia intraclasses, exemplificadas nos sindicatos. Nos sindicatos em funcionamento, os cidadãos brancos da classe trabalhadora [lembrando que o livro descreve a ascensão do fascismo na primeira metade do século XX na Europa] se identificam com os cidadãos negros da classe trabalhadora, em vez de se ressentirem deles. Os políticos fascistas entendem a eficácia que essa solidariedade tem em resistir às políticas de divisão e, portanto, procuram desarticular os sindicatos. Apesar de condenar as “elites”, a política fascista procura minimizar a importância da luta de classes.

Stanley prossegue, cirúrgico: “o sindicato é o principal mecanismo que as sociedades descobriram para vincular pessoas que diferem em vários outros aspectos. Os sindicatos são fontes de cooperação e de comunidade e de igualdade salarial, bem como mecanismos para fornecer proteções às vicissitudes do mercado global. De acordo com a política fascista, os sindicatos devem ser esmagados para que os trabalhadores individuais tenham que se virar sozinhos no mar do capitalismo global e passem a depender de um partido ou líder. A aversão pelos sindicatos é um tema tão importante na política fascista que o fascismo não pode ser totalmente compreendido sem um entendimento disso.”

Corta para o início do século XXI, onde o mundo viu o enfraquecimento dos sindicatos. Aqui, no Brasil, os sindicatos sofreram com a “reforma trabalhista”, travestida de modernização. Muitos sindicatos fecharam suas portas, e em 2022, pela primeira vez, o Brasil tem menos de 10% dos ocupados sindicalizados, e várias categorias sofrem com perdas salariais significativas e trabalho precarizado como consequência direta da perda de direitos trabalhistas.

Isso corresponde a um contingente de 9,1 milhões de empregados. https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/09/15/numero-de-trabalhadores-sindicalizados-no-pais-cai-ao-menor-nivel-em-uma-decada.ghtml

O pêndulo ideológico precisa de equilíbrio. Enfraquecer forças à esquerda significa fortalecer as forças da direita. Uma sociedade com esquerda fragilizada vai pender para a extrema direita – para quem qualquer um é “comunista”. Isso não é bom, isso não é positivo, isso não é saudável.

Em 2022, o Brasil não elegeu um governo de esquerda, tampouco um governo de coalizão. No ano passado, os eleitores elegeram Luiz Inácio Lula da Silva, o único capaz de ameaçar a hegemonia da direita. Palavras de Steve Bannon, o estrategista da direita mundial, aliado dos Bolsonaro aqui no Brasil. Enfraquecer Lula, portanto, nas palavras da própria direita, é fortalecer o fascismo no Brasil.

Enfraquecer e desrespeitar a esquerda, em nível continental e mundial, é abrir alas para a ascensão do fascismo em nível mundial. O mundo já vi a ascensão do fascismo, há exatos 100 anos. E não deu bom.

De volta à Argentina, as “ideias” do presidente eleito podem levar o país da crise séria ao caos absoluto e de difícil retorno. O Brasil pode sentir o refluxo dos problemas econômicos do vizinho que é o terceiro maior exportador e importador de produtos brasileiros.

A esquerda e o sindicalismo não são o problema. Pelo contrário, podem ser a solução. Inclusive para a direita moderada.

Raimundo Kamir é diretor do Sindicato dos Professores no Distrito Federal – Sinpro/DF

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Premiação do I Festival de Curtas do Sinpro será dia 13; confira cronograma atualizado

Vencedores(as) do I Festival de Curtas do Sinpro Adélia Sampaio serão premiados no próximo dia 13 de dezembro. O evento é exclusivo para estudantes da rede pública de ensino que participaram do festival e seus convidados(as). Local e horário serão divulgados em breve.

Hoje com 79 anos, Adélia Sampaio, cineasta homenageada, estará presente na premiação do I Festival de Curtas do Sinpro, que tem como tema : “Para ser libertadora, a educação precisa ser antirracista”. Ela é a primeira mulher negra a dirigir um longa metragem no Brasil, e fez história na arte, na cultura e na luta antirracista e antimachista.

A premiação dos curtas selecionados será em formato de sessão de cinema, com a exibição dos cinco filmes mais bem votados de cada categoria.

Serão premiados os melhores curtas nas categorias Ensino Fundamental; Ensino Médio; Educação de Jovens e Adultos (EJA); Educação do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional. Não houve inscrições para a categoria Educação Infantil. Também haverá premiação para o curta mais bem votado na categoria Júri Popular.

Como critérios de avaliação, serão considerados originalidade e a criatividade do roteiro; a coerência da trama e sua capacidade de envolver o espectador; a correlação da obra com o tema proposto, a fotografia da
obra; e o ritmo e fluidez da edição.

O primeiro lugar de cada categoria e o mais bem votado pelo Júri Popular receberão R$ 2 mil e troféu. Também serão premiados(as) os(as) professores(as) ou orientadores(as) educacionais que acompanharam a produção do curta vencedor. O prêmio será de R$ 1 mil. Ainda haverá menção honrosa para trabalhos que se destacaram, mas não ganharam o primeiro lugar.

O I Festival de Curtas do Sinpro – Adélia Sampaio nasce do reconhecimento de que a educação e o cinema são ferramentas essenciais para compreender e interpretar a sociedade e suas formas de opressão. Um dos objetivos centrais da atividade é contribuir para a formação crítico-reflexiva de estudantes, sobretudo quanto a questões de raça e gênero.

Cronograma atualizado

Para garantir a ampla participação dos(as) estudantes da rede pública no I Festival de Curtas do Sinpro-DF, o sindicato prorrogou as inscrições, encerradas nesse 26 de novembro. Com isso, houve alteração em todo cronograma do evento. Veja as datas atualizadas:

Seleção Comissão Julgadora: 27 a 2/12/2023

Divulgação dos curtas selecionados pela Comissão Julgadora: 4/12/2023

Entrega dos termos de autorização de uso de imagem e voz dos(as) menores e dos(as) maiores de idade: 5 e 6/12/2023

Votação de Júri Popular: 6 a 7/12/2023

Premiação: 13 de dezembro

Acesse AQUI o regulamento do I Festival de Curtas do Sinpro – Adélia Sampaio

 

 

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TV Sinpro destaca projeto do CEM 804 do Recanto das Emas

Um projeto desenvolvido pelo Centro de Ensino Médio 804 do Recanto das Emas tem inovado quando o quesito é incentivar os(as) estudantes a conhecerem o mundo das artes, contextualizando suas vivências em nome da luta contra qualquer tipo de preconceito. O trabalho tem colhido frutos positivos e o TV Sinpro de quarta-feira (29) mostra um pouco mais do projeto, que está entre as escolas públicas que participaram do 8° Festival Estudantil de Teatro Amador – FESTA.

 

 

No ano passado o grupo realizou o espetáculo Sabe por quê tu não deu bola?, a partir dos relatos em que os estudantes foram vítimas ou tiveram acesso. A temática central parte do racismo contra os diversos gêneros, como LGBTQIAPN+ e mulheres, além de retratar diversas formas em que colocam as pessoas pretas/negras em condição de subalternidade. Além de debater esta temática tão atual e necessária, o espetáculo traz um grande repertório musical dando visibilidade aos artistas pretos brasileiros. O método utilizado para a construção deste espetáculo foi o do teatrólogo Augusto Boal, a partir da técnica Cena Fórum do Teatro do Oprimido.

O programa será transmitido às 19h pela TV Comunitária e pelo Youtube e Facebook do Sinpro-DF. Confira!

 

Publicado originalmente no dia 24 de novembro. 

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Amplia já! 40 horas para quem precisa | Reunião com professores(as) e orientadores(as) educacionais hoje às 19h no Sinpro

Hoje, segunda-feira (27/11), às 19h, o auditório do Sinpro no SIG reunirá os e as profissionais da rede distrital que aguardam o cumprimento de suspensão de greve para ter a carga horária ampliada de 20 para 40 horas semanais.

Durante o encontro, dirigentes do Sinpro discutirão com os(as) presentes estratégias para potencializar a campanha Amplia já! 40 horas para quem precisa. Se você está nessa situação, sua participação é de extrema importância. Venha ao auditório do Sinpro hoje à noite.

 

Relembre

Algumas centenas de professores(as) e orientadores(as) educacionais estão desde 2020 na fila para terem sua carga horária dobrada de 20 para 40 horas semanais.

Ampliação (ou redução) de carga horária é processo previsto no plano de carreira da categoria. Solicitar essa movimentação não deve ser motivo de desabono nem de punição para quem o fizer.

Mas a realidade das pessoas que pedem movimentação de carga horária é outra: a resposta padrão da Secretaria de Educação para quem pede redução para 20 horas é de que a rede hoje é de 40 horas; e quem pede a ampliação para 40 horas ouve da SEE-DF que a secretaria não tem autorização para ampliar as cargas horárias, pois depende de orçamento, e pede para aguardar a liberação.

Nessa toada, a SEE-DF trabalha, a princípio, com uma lista de algumas centenas de servidores e servidoras que solicitaram ampliação. A grande maioria entrou com processo no SEI nos anos de 2021 e 2022, mas há três processos de 2019 e um processo de 2018 que estão parados.

 

A campanha continua

A campanha “Amplia Já!” continua firme nas redes sociais e no site do Sinpro-DF, bem como nas escolas da rede pública de ensino da capital do País.

Imprima o cartaz em PDF (clique no botão a seguir), tire uma foto sua com o cartaz e envie para a gente no e-mail imprensa@sinprodf.org.br ou no telefone 99323-8131.

Você também pode publicar a foto nas suas redes sociais. Só não se esqueça de marcar o Sinpro, o governador Ibaneis Rocha e a secretária Hélvia Paranaguá.

Baixe o PDF aqui

Não haverá expediente no Sinpro nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro

O Sinpro informa que a sede e as subsedes do sindicato estarão fechadas no dia 30 de novembro (Dia do Evangélico) e no dia 1º de dezembro. O atendimento voltará ao normal na segunda-feira (04).

Desejamos um bom feriado a todos e todas.

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