MEC afirma que modelo de escolas cívico-militares não é prioridade do governo

Uma das diretrizes tomadas pelo Ministério da Educação (MEC) após a troca de comando do governo federal foi a mudança de prioridades da pasta para com a educação no país. Diferente do que o (des)governo de Jair Bolsonaro tinha como primazia para o setor, o modelo de escolas cívico-militares não é mais uma prioridade na gestão do presidente Lula. Mesmo diante da decisão da pasta, o modelo continua em expansão por iniciativa de estados e municípios.

Segundo dados do próprio Ministério, 433 unidades da rede pública no país estão adotando o sistema de gestão compartilhada. Deste total, 208 foram implantadas em parceria com o Ministério da Educação na gestão de Bolsonaro e outras 225 pelos próprios estados. Após o MEC anunciar que o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), criado no governo passado, ficará em segundo plano, estados como o Paraná anunciaram que continuarão a investir no modelo. O Paraná concentra quase metade das unidades em atividade hoje no Brasil com 206 – 194 escolas do modelo estadual e 12 do programa federal.

A gestão militarizada da educação é ilegal ao romper com os princípios dos artigos 205 e 206 da Constituição Federal, que preveem condições de igualdade para o acesso e a permanência nas escolas, o pluralismo de ideias e a liberdade de aprender e ensinar. Apesar disso, o dinheiro público continua a ser investido em estruturas geridas pelas forças de segurança do país. “Esse modelo vai totalmente contra a ideia do educador Paulo Freire, de desenvolvimento dos estudantes em todas as suas potencialidades. Nele, impera o princípio de excluir quem não se enquadra. Não é esse o fundamento no qual se baseia a educação brasileira”, critica a secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Andrade.

O Sinpro expressou sua contrariedade desde o início da implantação do projeto no Distrito Federal, que se deu, como geralmente ocorre no governo Ibaneis, sem diálogo com os setores envolvidos e a comunidade escolar. Já sabíamos que a dita gestão compartilhada implicaria em um grave atropelo da gestão democrática, em prejuízos à área pedagógica, e na intervenção sobre o modo de os(as) estudantes se vestirem ou de cortarem os cabelos, por exemplo. Porém, os problemas foram ainda maiores.

A luta do Sinpro é para que o espaço escolar contribua para a formação de indivíduos conscientes, cidadãos atuantes e capazes de intervir na sociedade, melhorar a própria vida e a de seus pares. “Para atuar na escola, são necessários conhecimentos, experiências e competências das quais os policiais militares não dispõem. Além disso, a militarização desrespeita o livre pensar e a pluralidade de ideias, que são muito importantes para a formação do ou da estudante. Estamos ansiosos pelo fim desse projeto, em defesa da gestão democrática e da educação pública”, declara a diretora do Sinpro Berenice Darc.

 

Modelo antidemocrático

A lista de problemas identificados em escolas militarizadas em todo o país não é novidade. Na capital federal, o caso do Centro Educacional 01 da Estrutural ganhou repercussão nacional, quando em novembro de 2020 a vice-diretora acabou afastada do cargo depois de sair em defesa dos(as) estudantes e do trabalho realizado pelo professor de História, que resultou em murais sobre o racismo no Brasil. No trabalho os(as) adolescentes abordavam, entre outros temas, a violência policial contra negros e negras.

Mas esse não é o único caso de abuso de autoridade dentro de uma escola militarizada do DF. A comunidade do CEF 407 de Samambaia, embora tenha votado contra a militarização da escola, viu o governo aplicar o projeto mesmo contra sua vontade. No CED 03 de Sobradinho, alunas denunciaram assédio de policiais, registrado, inclusive, em abordagens pelo whatsapp. No CED 07 de Ceilândia, houve episódios de agressão de policiais a estudantes e de interrupção da aula de uma professora.

Em maio de 2022, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) derrubou a legalidade do projeto. Em nota técnica, o MPDFT apresentou como um dos embasamentos para tanto a garantia dos direitos constitucionais ao princípio da dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.

Em outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu pela inconstitucionalidade da militarização. No Rio Grande do Sul, em novembro, o TJ determinou a suspensão de novas adesões ao Pecim.

Integrante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Marcele Frossard acredita que a expansão do modelo entre as gestões estaduais e municipais é “reflexo do atual contexto político” e vem de uma associação errônea entre a presença de militares e o bom desempenho escolar. “O bom desempenho escolar está relacionado com investimentos em infraestrutura, formação de professores, garantia do piso e de uma educação que cumpra os preceitos democráticos, ou seja, de uma escola pública, gratuita, inclusiva, laica, e de qualidade”, enumerou Frossard.

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Votação da LDO será nesta terça (27); Sinpro convoca a categoria para a CLDF

A diretoria colegiada do Sinpro-DF reforça o chamado para que a categoria compareça à Câmara Legislativa na tarde desta terça-feira, 27, às 15h, com o objetivo de fazer pressão sobre os parlamentares para garantir recursos para a Educação na votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A assessoria da CLDF informa que está prevista sessão hoje (terça-feira, 27) e amanhã (quarta-feira, 28), com votação em primeiro turno da LDO hoje e, segundo turno, amanhã.

O governo não conseguiu finalizar a tempo os PLs (projetos de lei) da greve, inclusive o da incorporação da Gaped e da Gase. A Secretaria de Educação encaminhou a minuta à Secretaria de Planejamento com cálculos inconclusos na última sexta-feira, o que implicou no atraso na finalização e na apresentação dos projetos. Assim, os PLs serão enviados à CLDF no início do próximo semestre, com o compromisso de não comprometer o calendário acordado no fim da greve.

É importante que o governo mostre mais empenho para atender as necessidades da rede pública de ensino, muitas delas contempladas nos itens do acordo do fim da greve!

Por isso, e também porque a LDO será apreciada em plenário nesta terça-feira – e dela dependem todos os projetos que virão, já que as diretrizes orçamentárias aprovadas é que estabelecerão os parâmetros orçamentários que garantirão acordos firmados e futuros com o GDF -, é muito importante nos mantermos mobilizados e mobilizadas!

Compareça à CLDF e vamos pressionar!

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Carência de profissionais é barreira para educação que respeita as diversidades

O déficit de profissionais da educação pública impacta gravemente a qualidade do ensino oferecido à sociedade. Mas os prejuízos vão muito além. O rombo também repercute na impossibilidade de se fazer uma educação que acolhe e respeita as diferenças. A conclusão é da diretora do Sinpro-DF Élbia Pires, durante o IV Seminário LGBTQIA+ da Câmara Legislativa do Distrito Federal – “Escola de todas as cores: acolher as diversidades, respeitar as diferenças”. A atividade foi realizada nessa segunda-feira (26/6).

Segundo Élbia, a regional de Planaltina, por exemplo, responsável por 65 unidades escolares, tem apenas 14 psicólogos. Ela ainda destaca problemas na própria legislação, que traz portaria indicando apenas 1 orientador-educacional para cada 680 alunos. Além disso, Élbia aponta a contratação indiscriminada de professores(as) em regime de contratação temporária – submetidos a relações de trabalho precarizadas –, estratégia que tenta mascarar ausência grave de efetivos(as) em regência nas salas de aula.

“A ausência de profissionais na educação pública é uma imposição do Estado, que também impacta na falta de acolhimento e respeito às diversidades”, afirma Élbia Pires.

Durante o IV Seminário LGBTQIA+ da CLDF, ela destacou que o Sinpro-DF vem desenvolvendo uma série de parcerias e iniciativas para promover a cultura de reconhecimento e acolhimento das diversidades nas escolas. “Nós da comunidade LGBTQIA+ sofremos na sala de aula e também sofremos na sala dos professores”, disse a dirigente do Sinpro-DF, para mostrar que a sociedade do preconceito tem reflexos graves na educação, prejudicando estudantes, professores(as), orientadores(as) educacionais e demais profissionais.

Entre as iniciativas do Sinpro-DF, Élbia destacou o Coletivo LGBTQIA+ do Sindicato, lançado no último dia 25 de junho, em comemoração ao dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

>> Leia também: PIQUENIQUE LGBTQIA+: A CELEBRAÇÃO DO AFETO

Para a diretora do Sinpro-DF Márcia Gilda, professores(as) e orientadores(as) educacionais “não devem ter medo de colocar o tema das diversidades na centralidade dos temas tratados em sala de aula”. “A pauta LGBTQIA+ não deve ser um eixo transversal, porque trata-se de existência, e por isso deve estar no projeto político pedagógico da escola”, afirma, e continua: “Mandela já dizia que a educação é a arma mais poderosa que se tem para mudar a sociedade. É nas escolas que a gente vai fazer com que nossos alunos e as nossas alunas tenham a percepção das diversidades de existências”.

Elbia Pires, diretora do Sinpro-DF, no IV Seminário LGBTQIA+ da CLDF

 

Bancada do respeito
De iniciativa do deputado Fábio Felix (Psol), que preside a Comissão de Direitos Humanos da CLDF, o IV Seminário LGBTQIA+ contou com o apoio de parlamentares do PT e do PSB.

“Há apoio sim para nossa pauta. Para o armário a gente não volta mais. Vamos ocupar todos os espaços políticos dessa cidade”, disse o deputado Fábio Felix. Ele, que contou ter sofrido violência física e psicológica na escola por causa de sua orientação sexual, afirmou que “a intenção do debate não é tornar ninguém algo que não seja, mas refletir sobre a necessidade de mudar a política pública neste país e nesta cidade para garantir a promoção e a proteção das diversidades”.

O deputado Chico Vigilante, do PT, lembrou que o ódio contra a comunidade LGBTQIA+ também é um projeto. “Na legislação anterior, enfrentamos momentos terríveis quando tentavam impor o Escola sem Partido. Aquilo a gente sabe o que é: é para que não possa ser debatido nenhum tema a não ser na visão da extrema direita conservadora”, criticou.

Também do PT, o deputado Gabriel Magno disse ainda que a investida contra o acolhimento e o respeito à comunidade LGBTQIA+ vem também do Executivo. “Neste governo (Ibaneis Rocha), o PPP, Projeto Político Pedagógico, virou PP: Projeto Pedagógico. A Secretaria de Educação tirou um ‘P’. E quando se tira o ‘político’, se tira uma identidade política de achar que a escola não é espaço para diversidade, para liberdade, para democracia.”

Deputada Dayse Amarilio (PSB) afirmou que a “política é uma ferramenta de transformação e representação social”, e que é essencial para garantir respeito e dignidade à comunidade LGBTQIA+. “Nossos professores, nossos profissionais de saúde, cresceram em uma sociedade preconceituosa. Enquanto não trouxermos a discussão pra cá (CLDF), para as escolas, para todos os lugares, vamos continuar na invisibilidade, tirando das crianças o direito do amparo que o poder público tem que dar.”

O IV Seminário LGBTQIA+ – “Escola de todas as cores: acolher as diversidades, respeitar as diferenças”, teve ainda a apresentação de duas mesas de debate. A primeira teve como tema “Uma Educação cidadã e protetora para todas”; e a segunda, “A invenção da ‘ideologia de gênero’ e o cerceamento das identidades dissidentes”. Assista à íntegra no link https://youtu.be/G8wu1tShQJ8

 

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Piquenique LGBTQIA+: a celebração do afeto

Ontem (25/6) foi dia de todo mundo participar do piquenique em comemoração ao dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Ontem, foi dia de todas as pessoas celebrarem o amor em diversas formas, em diversas famílias.

O piquenique promovido pelo Coletivo LGBT da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro ontem pela manhã no Eixão Norte foi destaque na edição de hoje do Correio Braziliense, que apontou a importância dos profissionais da educação, que “têm um papel fundamental na construção de pontes para uma sociedade menos violenta e preconceituosa”.

Durante o piquenique, as famílias LGBTQIA+ conversaram sobre os problemas cotidianos da comunidade, com diálogos e reflexões sobre a luta das pessoas LGBTQIA+ no mundo do trabalho, em especial, na educação.

“O piquenique realizado pelo coletivo LGBT e pela secretaria de raça e sexualidade do Sinpro foi, de fato, um momento de troca não só de experiências e reflexões, mas um momento de troca de afeto. É muito lindo ver que onde tem amor, tem família, tem união, tem cuidado. E nós, como educadores e educadoras, temos a missão social de desmistificar e naturalizar para toda a sociedade a existência dessa comunidade. É amor. Precisamos urgentemente saber mostrar aos nossos alunos como identificar e respeitar o amor!”, comemora a coordenadora da secretaria de raça e sexualidade do Sinpro, Márcia Gilda.

“Foi um momento mágico, que superou todas as nossas expectativas!”, completou a diretora Elbia Pires, coordenadora da secretaria de saúde do trabalhador do Sinpro.

No Facebook do Sinpro, você encontra um álbum com todas as fotos  do evento.

E aqui, você vê o vídeo do piquenique

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Sinpro realiza formação para Marcha das Margaridas, neste domingo (2)

Estão abertas as inscrições para o Curso de Formação para a Marcha das Margaridas. O curso será neste domingo, dia 2 de julho, na Chácara do Sinpro. A inscrição é gratuita e pode ser realizada até 30 de junho, sexta-feira. As vagas são limitadas. Para participar, CLIQUE AQUI 

Poderão se inscrever na formação todas as professoras e orientadoras educacionais da rede pública de ensino do DF. Professores e orientadores educacionais também podem participar. Haverá certificado de participação.

“O objetivo da formação é dialogar, ponto a ponto, sobre os 13 eixos de luta da Marcha das Margaridas. Vamos nos preparar para marchar tendo plena consciência da nossa luta”, afirma a diretora do Sinpro-DF Mônica Caldeira.

O Curso de Formação para a Marcha das Margaridas é uma parceria do Sinpro-DF, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF).

A Marcha
Dias 15 e 16 de agosto, mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades de todo o Brasil estarão em Brasília na 7ª Marcha das Margaridas.

O evento, considerado a maior ação de mulheres da América Latina, terá como lema a reconstrução do Brasil e o Bem Viver, sustentado em 13 eixos de luta. Entre eles, estão: Educação pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo; Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade; Democracia participativa e soberania popular; e Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética.

 

FAÇA AQUI SUA INSCRIÇÃO

 

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Noite de Autógrafos reúne 35 autores e autoras da categoria

A Noite de Autógrafos do Sinpro de 2023, que aconteceu na última sexta-feira (23), foi um sucesso! Realizada na área externa do Sinpro, com direito a música ao vivo e coquetel com quitutes juninos, onde dezenas de autores e autoras da categoria apresentaram seus trabalhos ao público.

O evento contou com uma emocionante homenagem à professora Holanda, que nos deixou em junho, e também era autora. Sua filha, Jaqueline Lopes Carvalho, recebeu uma placa de homenagem e agradecimento, além do carinho que toda a categoria tinha por sua mãe. O público recebeu um poema impresso de Holanda, publicado em 1998 em seu livro O Grito.

Foram inúmeros livros apresentados em diversos gêneros, de contos e poesias a pesquisas e ensaios, passando, é claro, pela literatura infantil:

 

Deus me livros: a bibliofilia na história da UnB – Bruno de A. Borges

Desencantares para o esquecimento – Geraldo Ramiere

O livro Origens: um livro performance – Robson Castro

O menino que descobriu o Lago Paranoá– Regina Celia Melo e Antônio Fávero

Lições de um professor – Alice de Souza

Novos Territórios para a gestão educacional – Renata Callaça G. dos Santos

Ubuntu – Mariana Almada

Gestão Sustentável dos recursos hídricos – Nívia Paula

Um amor de miau / Gotinhas no mundo/ Quem é normal? – Clara Rosa Cruz Gomes

O dragão cinza e o amigo gafanhoto: um livro sobre o otimismo que transforma – Marina Costa

Semeando palavras, colhendo poesias – Suely Mota da Rocha

Contos de mendigos, putas e outros párias – Vicente de Melo

Tati e seus pensamentos – Débora Bianca

Franzino encontra um lar – Lair Franca

Uma História de medo – Francisco Assley Faos

Letras e pedagogia: Um necessário enlace – Celina Cassal

Portais da Alma – Claci Strieder  

Carminha: A pequena mediadora – Isla Castellar  

Um castelo sem pé nem cabeça – Marizete Sampaio 

Contos Mirins – Almerinda Garibaldi  

Oficina de artes cênicas em unidade de socioeducação/DF – José Nildo

Pesquisa com HQS como começar ? – Aline Antunes  

Teatro em bar – Elisete Teixeira  

 

 

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Pressão continua: texto do arcabouço fiscal volta para a Câmara

O texto do arcabouço fiscal aprovado pelo Senado retirou do projeto os itens referentes ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e ao Fundo Constitucional do DF, conforme reivindicação, respectivamente, dos movimentos ligados à Educação e da população, parlamentares, governo e entidades do Distrito Federal. Agora, o projeto volta à Câmara, onde o relator Cláudio Cajado (PP-BA) havia inserido tais modificações no texto do governo.

A previsão é que a Câmara dos Deputados volte a apreciar a matéria na próxima semana. É muito importante manter a mobilização e a pressão sobre deputados e deputadas federais, para que Fundeb e Fundo Constitucional continuem fora do arcabouço, conforme texto aprovado pelo Senado!

Sinpro convoca a categoria para acompanhar votação do PL da Gaped/Gase e LDO

O Sinpro alerta a categoria a estar atenta e pronta para acompanhar, presencialmente, a votação do PL da Gaped/Gase, que está previsto para entrar na pauta de votação do Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta terça-feira (27), a partir das 15h.

Segundo informações da assessoria de governo, o PL deve chegar à Casa Legislativa entre hoje (segunda-feira, 26) e amanhã (terça-feira, 27), e deve ser colocado em votação amanhã (terça). A diretoria colegiada do Sinpro informa que o PL está classificado como regime de urgência e, por isso, ele deverá entrar direto para votação em Plenário.  

Daí a importância da presença de todos(as) que puderem comparecer à CLDF. Essa urgência ocorre em razão de um pedido da Comissão de Negociação. Na quinta-feira (22/6), a Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu com o Colégio de Líderes da CLDF e pediu urgência na aprovação da PL da Gaped/Gase. (Clique aqui e confira )

Ainda segundo informações da assessoria de governo da CLDF, a expectativa é a de que esse PL seja votado, nesta terça (27), antes do recesso parlamentar, juntamente com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que já está prevista para ser votada nesta terça-feira (27).

Emendas à LDO

O Sinpro também convoca todos(as) que estiverem em condições de participar presencialmente da votação da LDO, nesta terça (27), que terá emendas do interesse e que beneficiam a categoria do Magistério Público interpostas pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT).

PL da Gaped/Gase

O PL da Gaped e da Gase visa a incorporar as duas gratificações ao vencimento básico dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. O PL foi encaminhado para a Casa Civil no dia 15 de junho.

A diretoria colegiada lembra que a incorporação das gratificações é uma luta cotidiana do sindicato, em conjunto com a categoria. O PL que define a incorporação da Gaped e da Gase contempla todos(as) os(as) educadores(as).

No documento final de greve, assinado pelo Sinpro e pela Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), a incorporação dessas gratificações deve começar a ser paga em outubro de 2023.

Confira, nos links a seguir, o PLDO e as emendas do deputado Gabriel Magno (PT)

https://sinpro25.sinprodf.org.br/wp-content/uploads/2023/06/PLDO-2024-para-Sinpro.pdf

https://sinpro25.sinprodf.org.br/wp-content/uploads/2023/06/PL-371_2023_EDUCACAO-Dep.-Gabriel-Magno.pdf

 

 

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Proem realiza ação para promover integridade e cidadania

O Proem, escola do Parque da Cidade, realizou na tarde de quinta-feira (22) uma ação junto à comunidade escolar para promoção de valores como integridade e cidadania. Trata-se de um projeto de parceria entre o Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A escola acolhe estudantes em situação de vulnerabilidade social e econômica em tempo integral, e trabalha com projetos e oficinas como uma forma de ajudá-los a lidar com as situações difíceis.

Os professores apresentaram à comunidade escolar a heroína Humorar, uma moça que está sempre pronta a levar o bom humor, aconselhar e acolher a todos, segundo explica a professora Luciane Queiroz de Freitas, uma das responsáveis por implementar o projeto resultado do curso Na Moral, oferecido em parceria entre a Eape e o MPDFT.

 

Na Moral

O projeto Na Moral se vale do princípio da gamificação para ensinar a ideia de que “esperto mesmo é ser honesto”. A iniciativa consiste em um “jogo da integridade”, em que as unidades de ensino implementam atividades internas e junto à comunidade com o intuito de promover a honestidade e a cidadania.

No Proem, a ideia dos professores foi apresentar a heroína Humorar. Conforme a professora Luciane, “a missão de Humorar é ajudar as pessoas a se sentirem melhor quando estão passando por momentos difíceis. Ela acredita que, mesmo em meio a adversidades, é possível encontrar alegria e esperança. Ela trabalha para espalhar essa mensagem por meio de suas ações e palavras, inspirando as pessoas a serem mais gentis e compassivas umas com as outras”.

 

Dia D do projeto Na Moral

Além da criação de uma heroína, também é tarefa do projeto Na Moral promover um dia de eventos na escola para apresentar a ideia da heroína. Os professores responsáveis pelo desenvolvimento do projeto na escola, Maradélia Adriano dos Santos, Tainá Neves, Tatiana Gusmão Barcellos, Cristiane Maria Henriques Guedes e Cármen Miranda, aproveitaram a ocasião para reunir as famílias: “promovemos um show de talentos dos alunos e apresentamos os projetos e oficinas já trabalhados na escola, como a oficina de arte floral”, conta Luciane.

 

Saúde e Educação Financeira

Aproveitando a reunião de pais e alunos na escola, a escola convidou o posto de saúde que atende a região para comparecer no Dia D para verificar se os esquemas vacinais estavam completos. E foi apresentado, também, o projeto do Banco Proem. A professora Luciane explica como funciona essa “instituição financeira”:

“Os Estudantes recebem ‘cheques’ dos professores durante o semestre, em pagamento por comportamento, cuidados com o patrimônio, linguajar etc. Os cheques são “depositados”, e ao final do semestre o valor depositado pode ser usado na “lojinha Proem”, que conta com produtos doados pelos professores: roupas, tênis e fones de ouvido, por exemplo.

A diretora do Sinpro Regina Célia participou do Dia D do projeto Na Moral: “Esse projeto dialoga com o dia a dia do trabalho dos professores e das professoras, orientadores(as) e toda a equipe do Proem, que busca cotidianamente oferecer aos estudantes a educação que vai transformar suas realidades e consequentemente o futuro dessas pessoas, na construção de uma sociedade mais igualitária, inclusiva e plural.”

As escolas que participam do projeto Na Moral também concorrem a uma premiação, que, se for vencida pelo Proem, os professores vão reverter em benefícios para a escola.

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Atualização do debate sobre o Novo Ensino Médio em meio à consulta pública do MEC

Sobre o acesso à escola, nenhuma política pode prescindir de mecanismos voltados para a superação das desigualdades. E o Brasil continua acumulando taxas indigentes de exclusão escolar: mais de 70 milhões de pessoas acima de 18 anos de idade não concluíram o ensino médio, segundo dados da Pnad-Contínua do IBGE, e mais de 25% dos jovens entre 15 e 17 anos não frequentam o ensino médio – estão no ensino fundamental ou fora da escola. Além disso, mais da metade da população infantil não tem acesso à creche.

Ainda sobre a exclusão escolar no Brasil, de acordo com o relatório do 4o Ciclo de Acompanhamento das Metas do Plano Nacional de Educação – 2022, houve queda nas taxas líquidas de matrículas em todas as etapas pesquisadas. Especificamente no corte etário de 5 anos, 97,2% das crianças nesta idade frequentavam a escola em 2019, contra 84,9% em 2021. Na população de 6 a 14 anos (ensino fundamental), o percentual caiu de 98,3% para 95,1%, entre 2018 e 2021, enquanto que entre os jovens de 15 a 17 anos (ensino médio) passou de 76,6% para 74,5% no período de 2020 e 2021. Também é ultrajante a informação contida no último relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, que apontou o percentual de 36% de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos que não estudam e nem trabalham. Entre as 45 nações pesquisadas pela OCDE, o Brasil só não ficou atrás da África do Sul, vítima do criminoso apartheid racial implementado no país entre 1948 e 1994.

O NEM, em parceria com a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, também induz uma espécie de apartheid socioeducacional na medida em que esvazia os conteúdos da formação geral básica nas escolas públicas, substituindo os componentes curriculares de história, geografia, sociologia, filosofia, artes, física, química, biologia – pilares do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM e de demais certames para acesso à educação superior –, por conteúdos desprovidos de base teórica e apartados dos objetivos da escolarização. E essa mudança tende a comprometer gravemente a aprendizagem das classes populares, diminuindo suas chances de acesso às universidades públicas e gratuitas.

Porém, esse não é o único complicador! Os itinerários formativos que não se encontram disponíveis para todos os estudantes e em todas as escolas, especialmente nos mais de 2.500 municípios com apenas uma única escola pública de nível médio, rompem com a unidade formativa no nível básico, uma vez que foram desvinculados da formação geral, dos projetos político-pedagógicos das escolas e da própria orientação docente. E a ampla terceirização privatista dos currículos, especialmente nos itinerários, junto com a desprofissionalização do magistério por meio do Notório Saber na formação técnica e profissional, ou mesmo a improvisação imposta aos docentes para lecionarem conteúdos estranhos à sua formação profissional (“O que rola por aí”, “RPG”, “Brigadeiro caseiro”, Mundo Pets S.A”, “Arte de morar”, entre outros) corroboram o esvaziamento da escola pública e o intenso processo de desvalorização de seus profissionais.

Pelas razões expostas, e pela total incompatibilidade com a organização curricular e pedagógica das escolas, o NEM nunca entregou e nem entregará as pseudo-oportunidades anunciadas para a formação inovadora e conectada aos interesses da juventude. Trata-se de projeto excludente e direcionado à exploração desenfreada do capital, que reduz as possibilidades de ascensão social das classes menos abastadas. Por outro lado, serve de estímulo à expansão das matrículas particulares – para as famílias que podem dispor de recursos para financiar mensalidades em escolas de referência –, já que essas não abriram e nem abrirão mão de ofertar uma sólida base de formação geral a seus estudantes. Os itinerários formativos, se adotados por essas instituições, certamentre estarão vinculados à base curricular geral, de maneira complementar e não acessória e desprovida de conteúdos curriculares embasadores da formação escolar.

Diante desta realidade fática, a CNTE e parte significativa da sociedade civil organizada, entre educadores, pesquisadores, estudantes, pais, mães e movimentos sociais engajados na defesa da escola pública e pelos direitos da juventude, têm denunciado as incoerências e gravidades impostas pelo Novo Ensino Médio no Brasil, que traz consigo, de forma mal adaptada, o importante mote da educação em tempo integral. Este tipo de oferta, bastante desejável para a melhoria da educação – e que precisa observar as condições mínimas da Meta 6 do PNE (Lei no 13.005/14), sobretudo seu caráter sistêmico em toda a educação básica (da creche ao ensino médio) –, carece de um período de transição que não comprometa a oferta escolar para o público que não poderá acessar o tempo integral, seja porque muitas das escolas ainda não estão preparadas para essa finalidade (em termos de infraestrutura, materiais didáticos, organização curricular e formação de seus profissionais), ou porque parte expressiva da juventude e dos adultos com ensino médio incompleto possui outras prioridades inadiáveis – o “ganha pão” para o próprio sustento e de suas famílais – e precisa dispor de atendimento em escolas regulares de tempo parcial, tanto diurnas como noturnas, ou na Educação de Jovens e Adultos – EJA.

A consulta do MEC sobre o NEM, conforme a CNTE já se manifestou anteriormente, possibilita reabrir o debate sobre essas e outras questões relacionadas ao modelo de ensino médio imposto ao país após a ruptura/golpe institucional de 2016, mas acreditamos que o novo PNE, a ser aprovado no próximo ano, terá papel importante na definição de metas e estratégias para o conjunto da educação brasileira, inclusive o ensino médio, devendo servir de bússola para a construção do tão almejado projeto de educação emancipadora, inclusiva, democrática e freiriana para o Brasil.

Por ora, a revogação da Lei no 13.415 – ou suas principais incongruências que vão além daquelas apontadas na consulta pública do MEC – exige a aprovação de outro instrumento legal pautado nas realidades e condições acima descritas, e que busque atender as expectativas da juventude e dos adultos com escolarização incompleta. Todos desejam um ensino médio mais dinâmico, criativo, voltado para as áreas de interesse dos estudantes, porém, é preciso assegurar plenas condições de acesso e qualidade para todos/as, sem deixar de tratar desigualmente os desiguais para promover a efetiva igualdade.

Nesta perspectiva de alteração legislativa, já existem dois projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados (PL no 1.299/23 PL no 2.601/23) que atendem parcialmente as expectativas do conjunto da sociedade que luta pela revogação do NEM. Por óbvio, e considerando a atual composição do Congresso Nacional, o ideal seria a construção de um projeto de consenso entre o MEC, os gestores estaduais e a sociedade. Mas os indicativos não apontam para essa realidade. E muito provavelmente caberá à sociedade progressista construir seu instrumento de luta – ou apresentar emendas aos projetos já protocolados –, de forma mais coletiva e agregadora possível, a fim de atrair os votos necessários para obter maioria nas duas Casas do parlamento.

Na visão inicial da CNTE, a qual pretendemos ampliar o debate em âmbito do Fórum Nacional de Educação – FNE e do Fórum Nacional Popular de Educação – FNPE, a substituição do NEM por outro ensino médio substancialmente includente e de qualidade requer a agragação ao menos dos seguintes compromissos, muitos deles dispostos na Resolução CNE/CEB no 2/2012, fruto de amplo debate com a sociedade:

  1. Garantir a duração mínima de 2.400 horas para o ensino médio regular (diurno e noturno), em no mínimo 3 anos, para atender a formação geral básica dos estudantes.
  2. O ensino médio regular diurno, quando adequado aos seus estudantes, poderá se organizar em regime de tempo integral com, no mínimo, 7 horas diárias.
  3. No regime de tempo integral, a formação geral básica deverá ter duração mínima e presencial de 2.400 horas ao longo do curso.
  4. A parte diversificada do currículo, na oferta em tempo integral, não pode constituir bloco distinto da formação geral e deve assegurar, no mínimo, 70% da carga horária em ambiente escolar e presencial, admitindo-se seu complemento através de atividades de pesquisa e extensão, desde que vinculadas aos projetos pedagógicos das escolas e sob supervisão docente.
  5. O estudo da Língua Espanhola deve ser optativo a partir do 6o ano do ensino fundamental e obrigatório no ensino médio, buscando atender aos pressupostos da integração regional e cultural da região latino-americana.
  6. A oferta da educação profissional técnica de nível médio deve atender aos preceitos dos artigos 36-A a 36-D e 39 a 42 da Lei 9.394/96, e se dar preferenciamente de forma articulada com o ensino médio regular ou com a EJA de nível médio.
  7. A BNCC e a formação de professores (BNC-Formação) deverão ser revistas para atender aos pressupostos da nova configuração do ensino médio, mantendo, também, maior sintonia com o ensino fundamental.
  8. À luz do Sistema Nacional de Educação e de incrementos no FUNDEB, especialmente com a implementação do Custo Aluno Qualidade, será necessário aperfeiçoar as políticas de cooperação e construir novos regimes de colaboração no sentido de assegurar a ampliação da oferta escolar em tempo integral para toda a educação básica. O PL no 2.617/23, do Executivo Federal, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados, embora atente para essa finalidade, ainda possui muitas limitações sobretudo porque não garante aspectos da infraestrutura necessários para a oferta escolar de 7 horas diárias.

A consulta pública do MEC sobre o NEM se encerra no próximo dia 6 de julho, quando será aberto o prazo de mais 30 dias para o Ministério apresentar os resultados da pesquisa e propor alternativas ao NEM. A CNTE reitera que não bastam mudanças pontuais na Lei no 13.415 e em suas normatizações, pois a estrutura concentual do NEM é altamente prejudicial à educação pública e à sociedade brasileira. Esperamos, assim, poder avançar na construção coletiva – quiçá com o próprio Governo Federal – de um outro projeto para o ensino médio, que deverá integrar os compromissos do próximo Plano Decenal de Educação.

Brasília, 23 de junho de 2023.

Diretoria da CNTE

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