Educação não é mercadoria. Diga não ao Novo Ensino Médio

Sabe aquela promessa que você sabe que nada mais é que uma grande mentira, um engodo? Nos últimos anos, mais especificamente durante o governo Bolsonaro, a educação do Brasil, os(as) professores(as), orientadores(as) educacionais e os(as) estudantes da rede pública de ensino se depararam com mais um exemplo: a criação de um Novo Ensino Médio (NEM).

Para alguns, o projeto, aprovado em 2017 durante o governo do golpista Michel Temer, era a possibilidade real de escolha da área do conhecimento que poderiam se aprofundar, além de ter o direito de escolher fazer uma formação profissional e tecnológica. A teoria era essa, mas, na prática, o NEM mostrou que o objetivo nunca foi buscar a melhoria e o fortalecimento da universalidade e da escola pública, de elevar a qualidade do ensino para os(as) alunos(as) mais pobres, que mais precisam de investimentos. Ao contrário, se tornou a realidade de um ensino ainda mais precarizado, mais perverso.

Entre as principais críticas ao NEM estão a sua aprovação sem discussão com a sociedade e o detrimento de disciplinas das ciências básicas em favor de uma profissionalização empreendedora de baixa complexidade, pontos que vão aumentar a desigualdade na educação brasileira. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) ressalta que o modelo esvazia e aligeira a abordagem curricular do ensino médio na medida em que retira ou diminui disciplinas de um conteúdo mais amplo, de um conteúdo com capacidade de atuar de uma melhor forma no senso crítico do estudante, na formação para a cidadania, no preparo para o ensino superior. “Por conta disso, o novo ensino interfere na formação dos professores, visando, em médio prazo, uma substituição da atividade docente por plataformas. No Paraná, já estão em curso plataformas de substituição. O professor tem um plano de aula encaixotado, fechado, completo. E caberá aos alunos preencherem as fichas através de plataformas e aplicativos”.

 

Revogação do NEM, já!

Uma onda de protestos e pedidos para que o Ministério da Educação revogue o Novo Ensino Médio cresce a cada dia, e os(as) estudantes têm engrossado este coro. Criado por meio de Medida Provisória durante o (des)governo Temer, o Novo Ensino Médio está sendo implantado gradualmente nas escolas do país desde o ano passado. O pedido pela revogação imediata do novo modelo está sendo reivindicada pelo movimento estudantil, por entidades sindicais, dentre elas o Sinpro-DF, e por pesquisadores, ganhando força no dia 15 de março, quando manifestações convocadas por secundaristas aconteceram em 51 cidades. 

Lucas Souza Cruz, vice-presidente da União dos Estudantes Secundaristas do DF (UES) e militante do movimento Kizomba, afirma que o projeto é um atraso para a educação, sobretudo a educação pública. Dentre os pontos negativos, Lucas destaca a exclusão de matérias como obrigatórias e a coachzação do ensino; a dificuldade de acesso aos itinerários e o aumento da desigualdade entre os(as) educandos(as) de escolas privadas para as públicas. “Os estudantes tiveram uma conquista grandiosa nas eleições de 2022 com a eleição do Lula. No entanto, é necessário tensionar o governo pela revogação do Novo Ensino Médio. É preciso mostrar ao MEC os malefícios deste projeto, que prejudica diretamente o futuro dos educandos brasileiros”.

O aumento da evasão escolar é outro ponto preocupante. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de abandono escolar no ensino médio mais que dobrou entre 2020 e 2021. Os índices mostram que o percentual passou de 2,3% para 5,6%. Na região Norte do país, a taxa chegou a 10,1%.  Em setembro de 2022, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) divulgou uma pesquisa constatando que duas milhões de crianças e adolescentes entre 11 e 19 anos estão longe das salas de aula no Brasil. 

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, a ampliação da carga horária imposta pelo NEM amplia a evasão, já em crescimento acelerado por conta da pandemia de Covid-19. “Boa parte dos jovens, em especial os mais pobres, não podem ficar na escola o dia todo porque têm que trabalhar, ajudar a família a se sustentar”, aponta.

O Sinpro sempre afirmou que o Novo Ensino Médio não propicia ao estudante uma educação que faça sentido. É justamente o contrário. O que o NEM propõe não é aplicável à vida do aluno. Apenas o transforma em mão de obra barata para um mercado de trabalho cada vez mais concentrador de renda e escravocrata. “A reforma do Ensino Médio e a nova Base Nacional Comum Curricular são parte do projeto privatista que assaltou o Estado brasileiro com o golpe de 2016 e se aprofundou com a ascensão de Bolsonaro em 2019. Nós queremos um currículo transversal, queremos todas as áreas do conhecimento à disposição dos estudantes. Não podemos admitir o retrocesso na BNCC, quando colocam as competências acima das aprendizagens. Não queremos o empreendedorismo na educação. Queremos estudantes na educação pública ocupando as universidades públicas. Precisamos retomar um currículo com a nossa cara, com a nossa defesa, porque currículo também é território”, finaliza a diretora do Sinpro, Luciana Custódio.

Todos os estados e municípios estão se organizando para ampliar as mobilizações contra o Novo Ensino Médio, e a bandeira é de revogação do NEM. O que está sendo criado são comitês nas cidades e no DF será criado um comitê pela revogação.

 

Consulta pública sobre o NEM

Como resposta às demandas de estudantes, professores(as), orientadores(as) educacionais e da população pela revogação da Reforma do Ensino Médio, aprovada por meio de Medida Provisória pelo Governo Temer, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou uma consulta pública sobre o NEM por meio da plataforma Participa+. A nova organização da última etapa da educação básica vem recebendo críticas por retirar disciplinas básicas do currículo e não garantir a liberdade de escolha para os(as) estudantes. A consulta segue disponível até o dia 6 de julho.

Para participar da consulta, veja abaixo o passo a passo e vote não a este retrocesso:

 

PASSO 1

O primeiro passo é o cadastro na plataforma de autenticação do governo federal, a Acesso GovBR (clique aqui para se cadastrar). Se você já é cadastrado no GOV, siga direto para o PASSO 2.

 

PASSO 2

Acesse a pesquisa clicando na plataforma PARTICIPA+BRASIL

 

PASSO 3

No canto superior direito, clique em “Entrar”. Insira seus dados de identificação com CPF e senha cadastrados no GOV.

 

PASSO 4

Leia as orientações da pesquisa, descendo o cursor para baixo: as perguntas estarão disponíveis a partir da metade da página, após as orientações iniciais do texto do MEC intitulado “Avaliação e Reestruturação da Política Nacional de Ensino Médio”.

 

PASSO 5

Para cada pergunta, você tem que marcar “concordo com a proposição” ou “discordo da proposição” e também inserir um comentário. O Sinpro orienta responder “discordo da proposição” em todas as questões, além de incluir um comentário para cada uma das perguntas.

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Relançamento da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público nesta terça (13)

O Sinpro convida os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para o relançamento da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público. O evento será realizado nesta terça-feira (13), às 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, e contará com ato político, lançamento de livro e leitura de manifesto, e seminário com diversas palestras. O Sinpro vai fazer a retransmissão do evento pelo Facebook do sindicato.

A Frente Parlamentar Mista do Serviço Público atua desde 2007 na defesa dos(as) servidores(as) públicos(as) das esferas federal, estadual e municipal, bem como dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A Frente é um instrumento importante de atuação em prol do serviço público brasileiro e de seus(as) servidores(as), participando ativamente da tramitação de propostas relacionadas ao funcionalismo.

Para facilitar o seu acesso no dia do evento, preencha o formulário disponível no link https://bit.ly/13jun2023

 

Programação:

8h – Acesso

9h – Abertura

Ato Político pela Valorização do Serviço Público.

Com a presença dos Coordenadores, Parlamentares, Lideranças, Autoridades e Entidades Parceiras da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público.

 

10h30 – Lançamento de Livro e Cartilha sobre o Mundo do Trabalho, organizado pelo Fazendo Escola do SINJUSC e UFSC.

11h – Leitura de Manifesto em defesa dos Servidores e do Serviço Público.

12h – Encerramento do Ato Político

Seminário de Valorização do Serviço Público

Palestras

 

14h – Mitos e Verdades sobre o Funcionalismo Público

Erivelton Guedes

15h – Os Servidores Públicos diante do novo Regime Fiscal Fausto Augusto Jr.

16h – Expectativas do Serviço Público no Governo atual

Vladimir Nepomuceno

17h – Debate

18h – Encerramento

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Oficina preparatória para plenária distrital do PPA Participativo

A Comissão Organizadora da Plenária “PPA Participativo DF”, em parceria com a CEA – Centro de Estudo e Assessoria realiza o ciclo de formação PPA Participativo, com a oficina “Como se organiza o ciclo do Plano Plurianual 2024-2027”. A oficina acontece daqui a pouco, às 19:30, on-line neste endereço aqui . Haverá emissão de certificado para quem efetuar inscrição.

O objetivo da oficina é orientar as organizações, lideranças e comunidade em geral a participarem do processo do PPA participativo, assim como a apresentação estrutural do plano, suas metas e cronograma até a aprovação da Lei do PPA.

 

Plenária distrital dia 27 no Sindicato dos Bancários

O Governo Federal iniciou, em abril de 2023, o processo de participação social na elaboração do Plano Plurianual – PPA Participativo 2024-2027 que traça, a partir do programa de governo consagrado nas urnas, a visão de futuro, as diretrizes, os programas e as metas para os três anos seguintes e o primeiro ano do próximo governo.

As plenárias estaduais são uma das etapas do PPA Participativo em que a sociedade fará a sua colaboração nas decisões sobre como o Governo Federal deverá aplicar os recursos públicos. Ocorrem até julho deste ano nas capitais dos 26 estados. Aqui no Distrito Federal, a plenária distrital foi marcada para o dia 27 de junho às 18h no Sindicato dos Bancários (CLS 314, na Asa Sul). Aqui você encontra o calendário com a programação e o formulário de inscrição para participar das plenárias

Com o credenciamento você poderá apresentar novas propostas e priorizar os programas elaborados pelo Governo Federal.

O PPA deve ser entregue no dia 31 de agosto ao Congresso Nacional. É o plano de médio prazo que orienta, juntamente com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a elaboração da Lei de Orçamento Anual (LOA).

A participação da cidadã/do cidadão na construção do PPA é fundamental para a garantia e a conquista de direitos. O PPA 2024-2027 tem o desafio de ter maior participação e diversidade de públicos na priorização de programas e objetivos.

É importante lembrar que cada cidadã/cidadão tem suas prioridades e interesses legítimos. Elaborar um planejamento também é um momento de diálogo, pois quem participa tem a chance de apresentar as próprias demandas e ouvir outros participantes, identificando o que têm em comum. É oportunidade para perceber que muitas necessidades são mais que individuais, são coletivas e devem estar no orçamento público.

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Memória Viva do curso A Arte de Contar Histórias é o tema do TV Sinpro do dia 14 de junho

O TV Sinpro do dia 14 de junho dá destaque para o lançamento do documentário Memória Viva do curso A Arte de Contar Historias, de autoria da professora de Português da rede pública de ensino, Cristina Aparecida Leite. O filme faz parte da pesquisa de doutoramento da professora Cristina sobre o curso “A Arte de Contar Histórias”, ministrado pelos Centros de Vivências Lúdicas Oficinas Pedagógicas da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF).

O evento, que ocorreu no dia 31 de maio, no auditório da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante, contou com a participação das anfitriãs da Oficina, professoras Simone Moura e Karla Machado. Também estiveram presentes Maria das Graças, subsecretaria da EAPE; Luciana Ribeiro, diretora da DIOP; Luana Mendes (EAPE), gerente da GDOL; e Lucas Baeta, coordenador das Oficinas Pedagógicas.

Segundo Cristina Aparecida, a pesquisa já permitiu evidenciar que o curso contribui para enriquecimento da prática pedagógica de professores(as) de diferentes etapas (desde a educação infantil até o ensino médio), diferentes modalidades (EJA, educação profissional, ensino especial) e diferentes disciplinas, incluindo educadores(as) das áreas das exatas, como matemática, biologia e física.

Não perca o TV Sinpro, que vai ao ar às 19h de quarta-feira, dia 14 de junho, na TV Comunitária, no Youtube e no Facebook do sindicato.

Inscrições abertas para o XIII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro

“Educar para um mundo socialmente sustentável” é tema do XIII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF. A atividade, lançada na terça-feira (6/6), é gratuita e direcionada a estudantes da rede pública de ensino. As inscrições para o concurso começaram também na terça (6/5) e vão até 11 de agosto. Faça AQUI sua inscrição.

>> ACESSE AQUI O REGULAMENTO DO XIII CONCURSO DE REDAÇÃO E DESENHO DO SINPRO-DF

Nesta edição, é feita a reflexão de que um mundo sustentável vai muito além da coleta seletiva ou da reciclagem de materiais: engloba as pessoas e suas condições de vida, os recursos naturais do planeta, a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços.

“Dessa forma, a educação pública é peça-chave para que formemos pessoas que compreendam um mundo sustentável como um mundo com justiça e esperança. O espaço da escola é determinante para que essa formação ampla e crítica seja feita”, analisa a coordenadora de Imprensa e Divulgação do Sinpro-DF, Letícia Montandon.

O Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF integra a campanha “Quem bate na escola maltrata muita gente”, idealizada pelo Sinpro-DF em 2008, com o objetivo de tornar o espaço escolar um espaço de paz e construção para uma sociedade equânime.

Inscrições

Podem participar do XIII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF “Educar para um mundo socialmente sustentável” os estudantes de escolas públicas do ensino regular, ensino especial, Altas Habilidades e EJA (Educação de Jovens e Adultos), incluindo estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional.

Nesta edição, foram criadas duas novas categorias na modalidade redação, específicas para estudantes do Sistema Socioeducativo e do Sistema Prisional. A demanda, feita pelos profissionais que atuam no setor, tem como objetivo é proporcionar que esses estudantes, que, majoritariamente, enfrentam um abismo educacional, possam participar do XIII Concurso de Desenho e Redação do Sinpro em condições de igualdade com os demais estudantes da rede pública de ensino. Na categoria desenho, os estudantes do Sistema Socioeducativo e do Sistema Prisional participarão juntamente com os demais estudantes inscritos(as), de acordo com a etapa/modalidade de ensino.

As inscrições, que começaram dia 6 de junho, podem ser realizadas até 11 de agosto. O(a) participante poderá fazer a inscrição e entregar o trabalho posteriormente, desde que não extrapole o prazo de 11 de agosto. Para fazer o upload do trabalho, basta clicar em “anexar documentos”. Embora as inscrições possam ser feitas apenas pela internet, a entrega do trabalho poderá ser feita digital ou presencialmente, na sede ou em uma das subsedes do Sinpro-DF.

O trabalho deve ser entregue em folha específica disponível para download no link da inscrição, junto com autorização para utilização do trabalho concorrente em qualquer peça de comunicação do Sinpro-DF. O modelo de autorização também está disponível no link da inscrição.

O regulamento do concurso divide a apresentação de trabalhos em 12 categorias, nas modalidades redação e desenho. Para cada faixa etária/segmento há regras específicas, como, por exemplo, quantidade mínima e máxima de linhas para a redação.

Premiação
Serão premiados os três primeiros lugares de cada categoria. Em todas elas, o 1º lugar receberá um tablet Samsung Galaxy Tab S6 Lite; o 2º será premiado com um aparelho Tablet Galaxy Tab A8; e o 3º lugar ganhará um Tablet Samsung Galaxy Tab A7 Lite. Estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional poderão optar pela conversão do prêmio em dinheiro.

Também serão contemplados professores(as) ou orientadores(as) indicados(as) pelos(as) estudantes vencedores(as) de cada categoria, com premiações de R$ 1.200 para o 1º lugar, R$ 700 para o 2º lugar e R$ 500 para o 3º lugar.

FAÇA AQUI SUA INSCRIÇÃO PARA O XIII CONCURSO DE DESENHO E REDAÇÃO DO SINPRO “EDUCAR PARA UM MUNDO SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL”.

Nota de profundo Pesar: Maria Holanda Lopes Carvalho

Ela sempre entendeu que, como profissional, fazia parte de uma categoria de trabalhadores. E, enquanto categoria, era representada por um sindicato. Por isso, sempre se fez presente, na ativa ou aposentada, em todas as atividades do Sinpro.

Holanda sabia como ninguém se reconhecer em sua categoria e, sobretudo, lutar por ela. Em cima do carro de som ou na multidão, segurando cartazes e recitando versos, ela instigava quem quer que fosse a perceber criticamente o sistema que vivemos e a ter a coragem e a consciência necessárias para enfrentá-lo. Se nós, professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais das escolas públicas do DF, persistimos na luta hoje, devemos também à professora Holanda.

Na noite deste domingo, 11 de junho, nossa guerreira Maria Holanda Lopes Carvalho descansou. Ela tinha 84 anos, e estava bem debilitada por uma sequência de infecções que contraiu em mais de 4 meses de UTI.

O Velório da professora Holanda será a partir das 8h desta terça-feira (13/6), na Paróquia Imaculada Conceição (QNM 38/40, setor M Norte), em Taguatinga. Às 10h haverá celebração de missa de corpo presente.
O corpo segue para o Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, onde será velado das 13:30 às 15:30, quando será sepultado.

Na diretoria do Sinpro, a sensação de perda e tristeza se confunde com a sensação de que ela não sofre mais, em meio a várias recordações queridas.

“Professora Holanda é um exemplo para o movimento sindical como um todo. A imagem daquela senhorinha entrando nas escolas, fazendo piquete e falando altiva com vários professores que se recusavam a parar é inesquecível”, lembra a ex-dirigente do Sinpro Rosilene Correa, atualmente diretora da CNTE, que conclui: “A relação da professora Holanda era com o Sindicato. Ela fez do Sinpro seu segundo lar. Várias diretorias passaram, todos os e as dirigentes conheceram a altivez e a resistência da professora Holanda”.

“A gente ia pros piquetes em Taguatinga, Holanda ia junto. Ela fazia questão de ir a todas as escolas, e falar em todas as escolas. E não bastava visitar o máximo de escolas possíveis, pra Holanda isso não era suficiente: a gente deveria ir a todas as escolas da região”, lembra a ex-diretora da secretaria de aposentados do Sinpro, Silvia Canabrava.

“Holanda tinha diabetes. Teve uma vez que eu sabia que ela estava com o pé machucado. Achei por bem poupá-la do sacrifício de ir à Câmara dos Deputados para uma manifestação que iríamos fazer. Uma amiga em comum me contou que ela ficou magoada comigo, pois teve ato e ela não foi chamada. Desde esse dia, passei a avisar à filha dela, a Jaqueline, de todos os eventos que haveria, pra que ela falasse com a mãe se seria possível ir”, relembra Silvia.

“Eu iniciei minha carreira no magistério em 1994. Mesmo antes de ingressar no movimento sindical, lembro de ver a professora Holanda lá no alto do carro de som cantando a música do Peleguinho”, lembra Luciana Custódio.

Veja abaixo a professora Holanda cantando a música Peleguinho:

Altivez e segurança são, deveras, marcas registradas da querida professora: “Eu tinha acabado de chegar à diretoria do Sinpro, e estávamos organizando uma assembleia”, lembra Rodrigo Rodrigues, atual presidente da CUT-DF e ex-dirigente do Sinpro. “Recebi o aviso de que não deveria deixar nenhum estranho falar. Professora Holanda subiu no carro de som e disse: eu vou falar! Disse a ela que ninguém mais falaria, e recebi como resposta: ‘Pois eu vou falar sim, e vou falar agora’. Foi quando a companheira Isabel Portuguez viu o que estava acontecendo, tirou o microfone da minha mão e disse: ‘Professora Holanda vai falar sempre! Me dá aqui esse microfone!’”.

Rodrigo também se lembra com carinho de um presente de aniversário que ele deu à professora: “Sabia que ela participava das novenas da Isabel. Vi um anel com a imagem de Nossa Senhora, achei que fosse o presente ideal para ela. Depois desse dia, toda vez que nos encontrávamos, a professora Holanda vinha me mostrar com carinho e orgulho que estava usando o anel que ganhou de mim.”

Católica fervorosa, Holanda entendia que terço e imagem de santo não se compra, se ganha. Por isso a alegria com o anel de Rodrigo. “Ela tem uma casa em Caldas Novas, e construiu uma gruta para colocar lá imagens de Nossa Senhora. As amigas souberam, e a encheram de imagens. Ela sempre tirava fotos da gruta e mandava pra quem a havia presenteado”, conta Silvia Canabrava.

Uma mulher à frente de seu tempo. É assim que a atual coordenadora da secretaria de aposentados do sindicato se refere à professora Holanda. “Me lembro dela desde sempre, participando das Assembleias. Há vinte anos ela já pintava as unhas cada uma de uma cor. Estava sempre vestida com cores alegres e fortes”, conta Elineide Rodrigues.

O diretor da secretaria de imprensa do sindicato, Samuel Fernandes, também se emociona ao falar de Holanda: “A professora Holanda merece todas as nossas homenagens! Sempre presente nas lutas da nossa categoria! Foi uma das professoras que foi exonerada da SEE por participar da primeira greve!”

A professora Holanda marcou o ex-dirigente do Sinpro e atual membro da OIT Antônio Lisboa por sua cultura: “O ano era 1991. Eu estava em João Pessoa, e fui de carro para o congresso da CNTE em Olinda, em janeiro. Holanda estava na cidade, e me pediu carona. Fomos conversando sobre cultura, música, artes… tive a oportunidade de conhecer a Maria Holanda fora do ambiente de sindicato e de assembleia, e sua cultura era realmente admirável!”

Nascida no Ceará e criada na Paraíba, Maria Holanda chegou ao Distrito Federal em 1975, em busca de melhores condições de vida, como muitos dos seus conterrâneos. Chegou à capital desempregada, mas não recuou. Construiu a vida como professora. Não qualquer professora. Holanda é daquelas que os ex-alunos param na rua para trocar de novo os abraços e as ideias compartilhadas em sala de aula. Lecionava artes sempre no setor M Norte, em Taguatinga. Conhecida e merecidamente prestigiada pela comunidade, recebeu o título de Cidadã Honorária de Taguatinga, em 2011, e de Brasília, em 2013.

“Se eu nascesse outra vez, seria professora”, disse Holanda ao Sinpro. Ela amava a profissão; não há outro verbo que possa traduzir a relação entre Holanda e a educação. Foi o que a motivou a integrar o movimento sindical e a se consolidar, como pouquíssimos(as), como uma verdadeira líder.

A campanha salarial de 2023 foi a primeira de que Maria Holanda não participou. Porque não podia, mesmo. Sua filha Jaqueline conta que, em fevereiro deste ano, com a mãe em coma na UTI, viu a campanha do Sinpro na TV. Mais tarde, na UTI, conversando e estimulando a mãe, ela comentou: “Puxa, mãe, vai ter assembleia do Sinpro, vai ter greve, vamos lá atrás dos pelegos!”. Nesse momento, a professora mexeu os olhos.

A homenagem abaixo foi exibida no telão em uma das assembleias da greve de 2023:

Maria Holanda Lopes Carvalho teve quatro filhos. Josceline Lopes Carvalho faleceu aos 35 anos, no parto do seu único filho, e Joselito Lopes Carvalho faleceu em 2022, por complicações da Covid. Ficam Jaqueline Lopes Carvalho e Jodelmá Lopes Carvalho, e nove netos.

Mais do que nunca, com muita dor, muita tristeza, mas também muita gratidão e cheios de boas e inesquecíveis recordações, a diretoria do Sinpro diz, a plenos pulmões:

Professora Holanda, PRESENTE!

 

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12 de junho – dia de combate ao trabalho infantil

O dia 12 de junho é o dia nacional e internacional de combate ao trabalho infantil. Essa data é uma oportunidade para sensibilizar, informar, debater e dar destaque ao combate a essa violação de direitos de crianças e adolescentes. Assim, precisamos potencializar nossos esforços para acelerar a erradicação do trabalho infantil no Brasil.

Dados do Painel de Informações Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil dão conta de que em todo o ano de 2022, 2.324 crianças e adolescentes foram encontrados em situação de trabalho infantil no Brasil, ou seja>  o trabalho realizado por indivíduos menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir de 14 anos, ou o trabalho realizado por indivíduos de 16 e 17 anos em atividades ou condições proibidas pela legislação.

Desse total de 2.324 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 1.174 foram flagradas nas piores formas: carregando peso, usando ferramentas perfurocortantes, operando máquinas perigosas, dentre outros. A maioria dos flagrantes de trabalho infantil ocorreu nos setores de comércio e reparação de veículos (oficinas automotivas) e no comércio varejista.

A secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fnpeti), Katerina Volcov, afirma que os números alarmantes refletem a desigualdade social. “Aquela criança ou adolescente já sofreu uma série de violações”, descreve.

 

Criança trabalhando está fora da escola

No ano de 2022, cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes ficaram fora das salas de aula. O trabalho infantil é uma das causas dessa evasão escolar. O estudo Educação brasileira em 2022 – a voz de adolescentes, realizado pelo Ipec para o UNICEF, apontou que dos entrevistados ausentes da escola, 48% afirmam ter deixado de estudar “porque tinham de trabalhar fora”.

O trabalho infantil tem relação direta com a evasão escolar. Muitas crianças em condição de pobreza e miséria deixam de ir à escola para, com seu trabalho, colaborarem com o sustento da família – realidade que vinha sendo superada com o projeto do Bolsa Família, que foi abandonado com o golpe de 2016, mas que vem sendo retomado no terceiro governo Lula.

O curta animado Vida Maria (abaixo) aborda o tema

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9 de junho – Dia Nacional da Imunização

Em épocas de pandemia da Covid-19, que levou à morte milhões de pessoas ao redor do mundo, a imunização nunca foi tão importante e necessária. O ditado popular “Prevenir é melhor que remediar” é, de fato, uma verdade, mas a intolerância política no Brasil nos últimos anos levou um mecanismo crucial para reduzir a mortalidade e as internações causadas por inúmeras doenças para o descrédito por milhões de brasileiros. Diante de um período tão conturbado, nada melhor que ressaltar o 9 de junho – Dia Nacional da Imunização como uma data para lembrar a importância das vacinas na proteção de doenças imunopreveníveis.

A imunidade nada mais é que um conjunto de métodos (por meio de vacina, imunoglobulina ou soro de anticorpos) destinados a proporcionar ao organismo a imunidade, aumentando a resistência contra uma série de enfermidades. Vale ressaltar que alguns tipos de anticorpos são produzidos naturalmente pelo nosso organismo e outros não. No caso de anticorpos não produzidos pelo corpo, é necessário o uso de vacinas para atuarem em nossos corpos, afim de adquirir imunidade contra determinadas doenças. Por isso é necessário ficar ciente e promover o acesso à imunização para todas as idades, afinal de contas, a vacinação deixou de ser exclusividade da criança, e hoje, adolescentes, adultos, gestantes, idosos e viajantes precisam conhecer os programas de imunização específicos para cada um deles.

O Sinpro sempre se colocou como defensor da vida, portanto da imunização, pois a vacinação é a forma mais segura e eficaz para prevenção de inúmeras doenças. Portanto, é importante que professores(as), orientadores(as) educacionais e a população em geral participem das campanhas e procurem um profissional especializado nos postos de saúde para tirar as dúvidas e manter o cartão de vacinas em dia. “O Sinpro lutou para que os professores e orientadores educacionais fossem incluídos no calendário de vacinação da gripe, em função da pandemia de Gripe Suína de 2009. Durante a pandemia da Covid-19, também conseguimos que os educadores também tivessem prioridade no processo de vacinação. É importante, na medida em que o sindicato conquista estes direitos, que o professor participe das campanhas e mantenha seus cartões de vacina atualizados, incluindo a vacina da gripe, que é anual e passou a ser um direito do educador”, ressalta o diretor do Sinpro Cláudio Antunes.

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Hoje é dia do Sinpro no cinema

Hoje (08/06) é dia do Sinpro no cinema, no Liberty Mall. Toda quinta-feira, você, professor(a) e orientador(a) educacional,  paga 10 reais na entrada, com direito a um acompanhante que pagará também o mesmo valor. Para aproveitar o benefício, é preciso ser sindicalizado(a) e apresentar a carteirinha válida, em versão física ou digital. Esqueceu a carteirinha? Não tem problema. Você pode apresentar o último contracheque com o desconto da contribuição sindical.

Confira a programação:

 

 

 

Inscrições abertas para quem deseja fazer graduação na UnDF

A Universidade do Distrito Federal (UnDF) realiza seu primeiro processo seletivo de estudantes para vários cursos de graduação e está com inscrições abertas para quem tem Ensino Médio completo e deseja ter um curso superior.

Para se inscrever, os(as) candidatos(as) não podem ter ensino superior completo e nem estar matriculado em outra instituição pública de ensino superior. Confira o Edital completo e demais informações no site da universidasde disponível no final deste texto.

As inscrições são gratuitas e elas se iniciam às 8h desta quarta-feira (7/6/2023) e se encerram às 23h59, do dia 21/06/2023 (Horário de Brasília).

Do total de vagas ofertadas pela UnDF, no mínimo 50% serão destinadas estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.

As inscrições devem ser feitas no site da instituição https://universidade.df.gov.br/. As notas e a classificação do processo seletivo também serão divulgadas por lá.

 

Critérios para fazer a inscrição

Das vagas ofertadas:

Duas são destinadas a candidatos(as) com deficiência que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5.

Quatro para candidatos(as) que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita e que se autodeclaram negros ou indígenas.

Uma para candidatos com deficiência que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública e com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5.

Três para candidatos que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública e com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita.

Duas para candidatos com deficiência que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública, com renda familiar bruta igual ou superior a 1,5.

Quatro para candidatos que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública, com renda familiar bruta igual ou superior a 1,5 salário mínimo per capita e que se autodeclaram negros ou indígenas.

Uma para candidatos com deficiência que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública e com renda familiar bruta igual ou superior a 1,5.

Três para candidatos que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escola pública e com renda familiar bruta igual ou superior a 1,5 salário mínimo per capita.

Vinte para ampla concorrência.

Os critérios descritos para o curso de Pedagogia são os mesmos para os demais cursos a seguir, confira:

 

Número de vagas e cursos:

Pedagogia: 40 vagas

Matemática: 40 vagas

Engenharia de software: 40 vagas

Sistemas de informação: 40 vagas

Gestão ambiental: 40 vagas

Serviço social: 40 vagas

Produção cultural: 40 vagas

Gestão pública: 40 vagas

Gestão de tecnologia da informação: 40 vagas

Para concorrer às vagas de graduação na UnDF, o(a)  estudante deve ter alcançado nota mínima no Enem de 300 pontos em linguagens; 300, em ciências humanas; 200, em matemática; 200, em ciências da natureza; e, 200, em redação.

 

Link para o site da UnDF: https://universidade.df.gov.br/

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