#DefendaoFundeb: tuitaço nesta terça, 9h

As redes sociais serão agitadas logo cedo, nesta terça-feira (23/5). A partir das 9h, defensores(as) da educação pública farão o tuitaço #DefendaoFundeb para pressionar os(as) parlamentares da Câmara dos Deputados a retirar os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação do arcabouço fiscal.

A inclusão do Fundeb no arcabouço fiscal foi feita pelo relator do PLP nº 93/2023, Cláudio Cajado (PP-BA). Além do Fundeb, ele também encara como despesa os mínimos constitucionais da educação e da saúde. A votação do projeto de lei complementar está prevista para a noite desta terça (23).

Em nota publicada no último dia 17 de maio, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) requereu do relator do projeto de lei complementar e dos(as) deputados(as) a manutenção das “exceções de despesas no arcabouço fiscal, tal como consta no projeto original do Poder Executivo, uma vez que representam salvaguardas mínimas a setores vulneráveis da sociedade”. Segundo a Confederação, o substitutivo de Cajado traz medidas “incoerentes e desproporcionais”, e pode fazer retornar “o cenário de carestia imposto pela EC nº 95 às políticas sociais no Brasil, entre elas, a execução do Plano Nacional de Educação”.

Ato no aeroporto de Brasília
Defensores da educação pública recepcionarão parlamentares no Aeroporto Internacional de Brasília, nesta terça-feira (23), a partir das 8h. A atividade se soma às ações pela retirada do Fundeb do arcabouço fiscal, e tem como objetivo sensibilizar deputados(as) a reprovarem as alterações de Cajado.

Para o Sinpro-DF, é importante a adesão à ação, já que o Fundeb é a principal fonte de financiamento da educação. “Vamos todos, todas e todes, em defesa da educação pública”, chama a diretora do Sinpro-DF Luciana Custódio.

Sobre o arcabouço fiscal
O arcabouço fiscal é um conjunto de regras que guiará a administração das contas públicas. Apresentado pelo governo federal, a nova regra de limite fiscal para a União substitui a famigerada Emenda Constitucional nº 95, que impunha um teto de gastos para áreas sociais imprescindíveis.

Segundo a CNTE, “a proposta do atual Governo, expressa no PLP nº 93/2023, está longe de contemplar os anseios da sociedade brasileira, sobretudo porque depende de sucessivos e audaciosos incrementos nas receitas da União (até 2,5% ao ano frente ao recente histórico abaixo de 2%) para dispor de no máximo 70% dos recursos arrecadados no anterior em gastos de custeio e em investimentos no ano em curso. Podendo os gastos serem reduzidos a 50%, caso o crescimento da receita varie em 0,6%”.

Entretanto, a Confederação destaca que “apesar de dura e de estar ancorada em variáveis exógenas, sobretudo no comportamento da receita tributária, que por sua vez é sensível ao PIB, a proposta de novo arcabouço do Executivo é mais realista e excetuou despesas essenciais, além das transferências constitucionais”. “Isso é o mínimo que se espera para que o novo regime fiscal não ressuscite as incoerências da EC nº 95”, destaca a CNTE.

Leia a íntegra da nota da CNTE no link https://www.cnte.org.br/index.php/menu/comunicacao/posts/notas-publicas/76328-inclusao-do-fundeb-e-dos-minimos-constitucionais-da-educacao-e-da-saude-no-novo-limite-de-gasto-fiscal-representa-enorme-retrocesso-para-a-sociedade

 

Categoria se reúne nas assembleias regionais para debater proposta feita pelo GDF na tentativa de pôr fim à greve

Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais se reuniram durante a manhã desta segunda-feira (22) em assembleias regionais para analisar a proposta do Governo do Distrito Federal na tentativa de colocar fim à greve da Educação. A categoria se debruçou sobre os pontos de forma detalhada e aprofundada, construindo um posicionamento coletivo da categoria.

Dentre os itens da proposta estão a aproximação do PQ 1 e PQ 2 do PQ 3; estender aos(às) aposentados(as) sem paridade a incorporação dos R$ 200 conquistada em 2022; concessão da ampliação de carga horária àqueles(as) que a solicitaram; convocação de todos os aprovados no último concurso público ainda este ano; atestado de acompanhamento para professores(as) em contrato temporário; apresentar projeto de lei para assegurar a participação remunerada dos professores(as) em contrato temporário na semana pedagógica; apresentar projeto de lei para validar, para fins de progressão na carreira, do tempo de exercício como temporário quando o profissional se torna efetivo; e incorporação da Gaped e da Gase (a partir de janeiro/2024 em seis parcelas até 2026).

Para tirar possíveis dúvidas sobre os pontos da proposta do GDF, o Sinpro realiza nesta segunda-feira (22), às 19h, uma Live com o coordenador da Secretaria de Política Educacional, Cláudio Antunes. A programação será transmitida pelas redes sociais do sindicato e a categoria poderá tirar suas dúvidas mandando suas perguntas pelo número 99991-0687 (WhatsApp), que serão respondidas exclusivamente durante a Live.

Assembleia geral nesta quinta, 25

Professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas se reunirão em assembleia geral nesta quinta-feira (25/5), às 9h30, no estacionamento da Funarte. A categoria está em greve desde o dia 4 de maio.

Na assembleia, serão discutidos os rumos do movimento grevista, que tem ampla adesão dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

Nesta segunda-feira (22/5) foram realizadas assembleias regionais para avaliar a proposta do GDF, apresentada à Comissão de Negociação do Sinpro-DF, no último dia 17. Novo encontro com o governo está agendado para a próxima quarta-feira (24).

Entre os pontos negociados com o GDF, estão a convocação de todos(as) os(as) aprovados(as) no último concurso público realizado para o magistério, em 2022; direito a atestado de acompanhamento para professores(as) em regime de contratação temporária; extensão para aposentados(as) sem paridade dos R$ 200 referentes ao auxílio saúde incorporado ao vencimento da categoria; incorporação da Gaped/Gase a partir de 2024 (em três anos, com duas parcelas de 5% a cada ano) (VEJA AQUI LISTA COMPLETA COM AS PROPOSTAS)

A Comissão de Negociação do Sinpro avalia que a proposta do GDF indica avanços. Entretanto, ainda há ajustes a serem feitos para que os pontos estejam mais próximos de atender as necessidades da categoria do magistério público.

>> Leia também: CATEGORIA PRESSIONA GDF A APRIMORAR PROPOSTA APRESENTADA; GREVE CONTINUA

Em breve, o Sinpro-DF disponibilizará horário e local de saída dos ônibus que levarão a categoria à assembleia geral.

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Em Live, Sinpro detalha proposta feita pelo GDF

Durante a manhã desta segunda-feira (22) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino se reuniram nas assembleias regionais, momento que a categoria analisou, em detalhe, a proposta feita pelo Governo do Distrito Federal na última semana. Para facilitar a compreensão dos(as) educadores(as), o Sinpro, por meio do coordenador da Secretaria de Política Educacional, Cláudio Antunes, realiza uma Live para abordar o mesmo material debatido nas assembleias regionais, desta vez em forma de vídeo.

Na programação, que será realizada às 19h, com transmissão ao vivo pelas redes sociais do sindicato, será possível tirar possíveis dúvidas sobre os pontos da proposta que o GDF direcionou na última semana. A categoria poderá tirar suas dúvidas mandando suas perguntas pelo número 99991-0687 (WhatsApp), que serão respondidas exclusivamente durante a Live.

ObsEB vai debater o “Trabalho e Valorização dos Profissionais da Educação”

O Observatório da Educação Básica (ObsEB) da Faculdade de Educação da UnB realiza um debate sobre o “Trabalho e Valorização dos Profissionais da Educação”.

O evento ocorre na próxima quinta-feira (25), das 18h30 às 20h30, e será transmito ao vivo pelo canal do YouTube do Observatório (obsebfeunb).

Presenças confirmadas: Berenice Darc (Sinpro e CNTE), como mediadora, Kátia Curado (UnB), Rosilene Corrêa (Diretora da CNTE) e Rodrigo Capelle Suess (Doutor em Geografia/SEEDF).

Vale conferir!

Mais – O ObsEB é um centro de pesquisa e estudos voltado para a análise e acompanhamento da educação básica no Brasil. Seu principal objetivo é produzir conhecimentos e informações que possam contribuir para o aprimoramento das políticas públicas educacionais e para a valorização da educação básica.

Quanto à valorização da educação básica, o Observatório busca sensibilizar a sociedade sobre a importância desse nível de ensino e o impacto que ele tem no desenvolvimento humano e social. Além disso, busca-se promover a valorização dos profissionais da educação, como professores e gestores escolares, por meio do reconhecimento de seu trabalho, da formação continuada e da criação de condições adequadas para o exercício de suas atividades.

Documentário expõe fracasso do Novo Ensino Médio

Em 40 minutos de documentário, o cineasta e ativista social Carlos Pronzato debate o que representa para o país o Novo Ensino Médio – instituído pela Lei Federal 13.415 de 2017, durante o governo Temer, e implementado no governo Bolsonaro, sem discussão com a sociedade, instaurando uma nova organização curricular.

Por meio de entrevistas com pesquisadores, professores, estudantes e técnicos, o documentário “Novo Ensino Médio – Um Fracasso Anunciado” mostra a necessidade da luta contra a reforma do Novo Ensino Médio. “É uma luta pelo futuro da juventude brasileira e do caráter estratégico da economia, da sociedade, e de como o Brasil irá se inserir no mundo”, diz.

O documentário alerta que “propagandeado como um sistema que aumenta a liberdade de escolha dos estudantes, os denominados “itinerários formativos” têm sido alvo de críticas por, na prática, fazerem justamente o contrário e impor disciplinas esdrúxulas no lugar de outras básicas”.

Entrevistada, Nita Freire, educadora e viúva de Paulo Freire, destaca que “Paulo ficaria radicalmente contra. Paulo tem uma teoria de conhecimento humanista, que questiona, que pergunta, que não aceita fórmulas prontas; que cada ser – subjetivamente – tem que procurar o conhecimento ajudado, endossado, pelos seus professores. Isso [o Novo Ensino Médio] não é uma educação libertadora. Isso não transforma o país”.

>>> Clique aqui e confira no YouTube

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103ª edição da Revista Xapuri destaca a paz nas escolas

A edição de maio da Revista Xapuri traz como manchete “Busquemos a paz nas escolas”. Se queremos alcançar neste mundo a verdadeira paz e se temos de levar a cabo uma verdadeira guerra contra a guerra, teremos de começar pelas crianças; e não será necessário lutar se permitirmos que cresçam com a sua inocência natural; não teremos de transmitir resoluções insubstanciais e infrutíferas, mas iremos do amor para o amor e da paz para a paz, até que finalmente todos os cantos do mundo fiquem cobertos por essa paz e por esse amor pelo qual, consciente ou inconscientemente, o mundo inteiro clama”, diz Mohandas Gandhi, em The Words of Gandhi.

Na reportagem da capa, a editora Zezé Weiss afirma que “foi-se o tempo em que, quando falávamos em paz, o que primeiro nos vinha à mente eram os conflitos internacionais com seu mundaréu de armas matando gente nas guerras do mundo”. A revista traz outros temas relevantes, que o(a) leitor(a) não vê na mídia comercial e são fundamentais no dia a dia de cada um e cada uma, como, por exemplo, uma matéria sobre a Amazônia, mostrando o “Coletivo Varadouro: sementes de resistência no coração da Floresta” e  “Memória: Anciã Nakawatxa Avá-Canoeiro encanta-se dias depois da homologação de sua terra”. Dentre outros temas, o conteúdo desta edição destaca também a “Sustentabilidade: Ecodecálogo: dez mandamentos para salvar o Planeta”.

 

Conheça a Revista Xapuri e assine aqui https://xapuri.info/assine/ 

Clique aqui e leia a 103ª edição da Revista Xapuri.

 

A formação de professores da rede pública do DF na Pós-graduação: Qual agenda? Quais objetivos?

Em primeiro lugar, vejo o Coletivo “Mestres e Doutores da SEEDF” como mediação para a melhoria da Educação Básica pública do Distrito Federal, que implica em práxis (discussão/aprofundamento), articulado ao cotidiano de nossas escolas, da vida de docentes e da sociedade em geral. Participo desse Coletivo, com a devida consciência de quem faz parte da classe trabalhadora em antagonismo direto com a corporação dominante-dirigente. Minha oposição, portanto, não é contra a categoria nem contra o sindicato que me representa. Essa noção me inspira a compartilhar algo que faz parte do processo formativo-trabalhista.

Uma professora de uma escola em que trabalhava fez a seguinte pergunta: por que você não vai para a EAPE ou universidade? E disse: “você está perdido e pouco aproveitado na escola com a formação que tem”. Respondi: meu lugar é onde posso contribuir com a formação humana, com a densidade de minhas limitações e alcances. E finalizei: a Educação Básica pública é o meu lugar por opção, convicção e sentimento de pertencimento a uma classe – a trabalhadora, em conflito com as artimanhas do capital que, segundo Marx, “é potência que tudo domina”. E a luta anticapitalista precisa quebrar com essa lógica perversa do capital que atravessa diversas relações, inclusive de trabalho.

Tenho escutado muitos/as colegas que fizeram o mestrado e doutorado se sentirem “humilhados/as” por estarem na Educação Básica após saírem dos Programas de Pós-Graduação Stricto sensu. Tenho dito que a nossa formação, na condição de professores/as da rede pública do Distrito Federal, não pode ser assumida como uma espécie de endeusamento, sendo o/a investigador/a um semideus. Somos pessoas humanas com todas as limitações e alcances que a conjuntura/estrutura condiciona. Somos, sobretudo, agentes sociais, políticos e culturais de mudança. Especialização, mestrado e doutorado não são para serem pendurados nas nuvens. É preciso trazer os aportes teóricos-metodológicos ao chão da história, ao cotidiano de nossas escolas públicas.

É comum, via de regra, professores/as da Educação Básica pública deixarem o público e irem para empresas privadas, para “ganhar mais”, pelo menos no nível do idealizado. Vejo uma limitação nessa atitude: ao ser promovido/a aos graus de mestres e doutores/as com investimento público e correr atrás de vantagens financeiras em empresas privadas é, no mínimo, incoerente. É urgente que se repense essa prática, em que pese a falta de política de reconhecimento das diversas formações no âmbito do trabalho docente e orientação educacional da escola pública do Distrito Federal.

O que cabe a nós, em meu entendimento, e esse Coletivo poder potencializar, é promover uma discussão qualificada sabre a valorização, respeito e melhorias da educação pública em seus quatro lados: pública, laica, democrática e de qualidade social, política, econômica, cultural, científica, administrativa e pedagógica. A visão de totalidade é indispensável neste processo construtivo-produtivo-transformativo.

Há uma diversidade de áreas e linhas de formação que tem tudo para levar a cabo a qualidade de nossas práticas pedagógicas, da comunidade escolar, da educação e da sociedade como um todo. Se pautarmos nossa formação como agentes sociais de mudança, a luta inclui o financeiro, mas, sobretudo, a luta mais ampla. No plano econômico, o sindicato já faz, com todo o carinho, responsabilidade e compromisso que sempre teve e tem com a categoria. Uma coisa é contribuir com o debate e fazer uma crítica criativa, construtiva e propositiva em relação ao sindicato, outra coisa é fazer oposição sem visão de classe e como classe.

Uma outra discussão que precisamos fazer é a seguinte: somos uma classe trabalhadora, profissão professor/a. No ano em que o sindicato fez a luta com a categoria para derrubar as desigualdades, promovidas pelas chamadas classes/níveis (a, b e c, 1, 2 e 3), e por sinal passou a não ter essas nomenclaturas que dividiam a categoria financeiramente, um professor do Ensino  Médio (nível 3) se aproximou de mim e, com tristeza, disse: “não me conformo em ganhar o mesmo valor das professorinhas”.

Problematizei da seguinte maneira: por que professorinhas? Por que elas/es, da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, não podem ganhar igual ao do Ensino Médio?  Esse sentimento de superioridade, típico da sectarização cega, arrogante e prepotente (perspectiva freiriana), não coaduna com a educação como atos políticos, sociais, culturais e científicos com objetivos de transformação. Não tem força ideológico-política o preconceito com professoras e professores das Escolas Classes e Centros de Educação Infantil.

Trazer hoje ao debate a equiparação salarial entre professores/as que atuam nas diversas modalidades da Educação Básica, questionando valores financeiros entre esses/as, é um retrocesso nos níveis das mentalidades e das práticas sociais, políticas e acadêmicas. Para quem luta contra a divisão social do trabalho, de perspectiva capitalista, é incoerente propor divisão entre os oprimidos/as. Mas quem defende a divisão social do trabalho, que produz subdivisões, é coerente com sua visão e prática. Problematizo: A educação pública, em níveis local e nacional têm mais mulheres. Como lidamos com essa realidade? Quais as relações de poder imbicadas nas relações de gênero?

Em outra perspectiva, está em curso o PL 1085/2023, que equipara salário entre mulher e homem, uma das esperanças que tivemos com a vitória da democracia no Brasil em outubro de 2022. Com esse cenário, qual a relevância de uma discussão que tende a colocar em xeque a equiparação salarial em uma educação majoritariamente feminina? E não me convence dizer que é pelo fato de uns terem formação mais avançada do que outros/as, porque é um discurso falacioso e pouco comprometido com a igualdade de Gênero e de classe na educação pública. Já paramos para pensar que há um trabalho árduo no ato de ensinar, em todas as modalidades? Já paramos para perceber que alfabetizar é coisa séria e complexa? Que já passamos pela sala de aula, com professor/a alfabetizador/a, com recursos, muitas vezes tirados do próprio bolso pela ausência do Estado que, em certa medida, faz investimento no privado, em detrimento do público?

Penso que a Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu não podem ensejar, em forma de ideários e projetos, grandes diferenças financeiras. O que está em jogo na educação pública vai além desse debate em torno de quem deve ganhar mais ou menos com seus respetivos diplomas. Há que identificar e levar a sério o que é de maior relevância no debate contemporâneo. Isso implica analisar a conjuntura/estrutura com as ferramentas de Herbert de Souza (1994), em “Como se faz análise de conjuntura”, quais sejam: acontecimentos, cenários, atores, relação de forças e articulação (relação) entre estrutura e conjuntura.

Penso que a mossa luta como especialistas, mestres e doutores precisa ir além da capitalização da formação, que não se confunde com resignação diante do processo de desvalorização, expresso na progressão horizontal e com maior incidência e força nas práticas de sucessivos governos. Precisamos pensar uma agenda de trabalho, com ênfase na atuação na Educação Básica pública do Distrito Federal. Essa agenda pode incluir temas/ações com os seguintes eixos: Educação pública, laicidade, democracia, gênero, etnia/raça, LGBTQIA+, classe, problemas climáticos e socioambientais, o lugar da Pós-Graduação na Educação Básica pública do DF, etc. Essa agenda pode ser feita em parceria com o SINPRO-DF e o movimento social/popular. Precisamos, com certa urgência, pensar e agir como classe trabalhadora: estamos no mesmo barco. Sigamos em frente!

 

Cristino Cesário Rocha – Professor da rede pública do DF. Formação teológico-filosófica. Especialista em: Administração da Educação – UnB; Educação na Diversidade e Cidadania com ênfase na EJA – UnB; Educação, Democracia e Gestão Escolar – UNITINS/SINPRO-DF e Culturas Negras no Atlântico: História da África e afro-brasileiros -UnB. Mestre em Educação – UnB. Membro do Grupo de Estudos em Materialismo Histórico Dialético – Consciência, do Coletivo Consciência negra Dandara (UnB/FE), do Coletivo Educação Antirracista (SEEDF), do Coletivo Mestres e Doutores da SEEDF e Pós Populares (UnB/FE).

Assejus declara apoio à greve dos professores e orientadores educacionais do DF

A Associação dos Servidores da Justiça do Distrito Federal (Assejus) declarou apoio incondicional à greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino no Distrito Federal. Segundo a nota, a greve teve início no último dia 4 de maio, mas a pauta de reivindicações encontra-se com o Governo do Distrito Federal (GDF) há cinco anos sem que haja qualquer disposição em dialogar ou mesmo atendê-las, o que confirma sua intransigência e falta de compromisso com o ensino público.

Por esses motivos, a Assejus manifesta total apoio à greve dos(as) educadores(as), ao tempo em que conclama as autoridades distritais que se empenhem e cumpram com os reiterados compromissos apresentados à população brasiliense nas épocas de eleições.

Confira abaixo a nota na íntegra:

 

18 APOIO GREVE NOVO

Nota de apoio da Assejus à greve dos professores e dos profissionais da educação da rede pública de ensino do Distrito Federal

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” – Cora Coralina

A Associação dos Servidores da Justiça do Distrito Federal vem a público manifestar total apoio à greve dos professores e orientadores educacionais da rede pública de ensino no Distrito Federal.

A greve teve início no último dia 4 de maio, mas a pauta de reivindicações encontra-se com o Governo do Distrito Federal (GDF) há cinco anos sem que haja qualquer disposição em dialogar ou mesmo atendê-las, o que confirma sua intransigência e falta de compromisso com o ensino público.

Tentando lançar a opinião pública contra o movimento paredista dos professores e orientadores educacionais, o GDF não explica o motivo de deixar sem respostas inúmeros ofícios enviados pelo sindicato da categoria às autoridades solicitando abertura da mesa de negociações e a razão de professores e orientadores receberem abaixo do piso nacional do magistério em plena capital do país.

Sem o mínimo constrangimento, o GDF concedeu aumento de 25% ao governador, à vice-governadora e aos secretários de Estado, enquanto os profissionais da educação amargam perda do poder de compras da ordem de 30% com o fenômeno inflacionário, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Embora o piso salarial para o magistério seja de R$ 4.420,00, os professores da rede pública de ensino do Distrito Federal têm vencimento inicial fixado por tabela em R$ 3.382,00, ou seja, mais de R$ 1 mil abaixo do piso nacional.

A pauta de reivindicações da categoria não se limita e nem se exaure nas questões salariais, pois inclui melhores condições de trabalho. Afinal, levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) constatou que um terço das unidades visitadas tem problemas sérios com segurança, acesso de pessoas estranhas ao ambiente escolar, falhas nos sistemas de segurança contra incêndio, falta de acessibilidade, alimentação e itens de higiene, além de infiltrações e bebedouros quebrados e sem manutenção.

A categoria também reivindica a homologação, a convocação e a nomeação de todos os aprovados no último concurso para a carreira do magistério, ocorrido em 2022, já que a rede pública de ensino conta com mais de 13,7 mil professores em regime de contratação temporária, o que representa cerca de metade da regência de classe em condições precárias de trabalho.

Por esses motivos, a Assejus manifesta total apoio à greve dos professores e orientadores educacionais da rede pública de ensino do Distrito Federal, ao tempo em que conclama as autoridades distritais que se empenhem e cumpram com os reiterados compromissos apresentados à população brasiliense nas épocas de eleições.

“No ato de ensinar e aprender, a gente sempre deseja que nossos estudantes sejam mais” – 20 de maio, dia da pedagoga e do pedagogo

Uma das profissões de maior peso e importância na formação educacional, a de pedagogo, é celebrada no dia 20 de maio. Instituída pela Lei nº 13.083/2015, a data é uma forma de reforçar a importância dos profissionais que planejam, executam e coordenam tarefas distintas, e muitas vezes complexas, na área de educação, sempre em busca da excelência.

A pedagoga e professora aposentada da SEEDF, Edileuza Fernandes, salienta que os(as) pedagogos(as) são profissionais que não fogem à luta e enfrentam desafios cotidianos na escola e na sala de aula. Na pandemia de Covid-19, enfatiza, foram incansáveis na criação de condições didáticas e pedagógicas para garantir o direito à educação de milhares de estudantes. “Tiveram que se reinventar para alfabetizar crianças em situações impensadas e desfavoráveis. Mesmo diante de todo esse compromisso com a docência, esses profissionais ainda não têm o reconhecimento que merecem, por isso, militam, se organizam, fazem greve, lutam pelos seus direitos para que os deveres sejam melhor cumpridos”.

O site do Sinpro também conversou com Andreia Melo Lacé. Professora da Faculdade de Educação da UnB e Membro do Comitê DF da campanha nacional pelo direito à educação. Ela é historiadora pela UFF e pedagoga pela Facibra.

Andreia lembra que Paulo Freire apresenta um conjunto de pressupostos que o ato de ensinar e aprender exige do(a) pedagogo(a): muita pesquisa, respeito aos saberes do(a) educando(a), criticidade, estética e ética “mas, sobretudo, Paulo Freire nos lembra que a docência é boniteza e amorosidade de mãos dadas.”

A professora e pedagoga pontua que “após quatro anos de governo genocida, nazifascista e extremamente excludente, a pedagogia nunca fez tanto sentido: a amorosidade em Paulo Freire foi tão atacada pelo governo das trevas porque é uma amorosidade revolucionária, aquela que exige que os estudantes sejam mais”.

Ela celebra termos sobrevivido e superado o período de trevas que atravessamos nos últimos quatro anos, com direito a uma pandemia no meio, e reitera: “Ser pedagogo hoje é seguir exercendo a docência problematizadora e a amorosidade pautada no esperançar – lembrando que o esperançar freireano é o esperançar da ação, que age para mudar uma realidade excludente. Pautar a pedagogia no esperançar é pautar a pedagogia na ação problematizadora.”

A professora da UnB destaca que a greve dos professores é legítima, e afirma que “a categoria docente do DF segue nos dando aula sobre a importância do docente ter melhores salários, reestruturação da sua carreira, e eu estou esperançando que o Ibaneis assuma suas responsabilidades e conceda à categoria docente do DF os seus pleitos. Enquanto isso não acontece, é seguir pautada na pedagogia do esperançar, que vai além do esperar e que pressupõe ação e luta.”

Parabéns a todas as pedagogas e a todos os pedagogos pelo dia de hoje!

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