102ª edição da Revista Xapuri traz projeto ambiental de estudantes do ensino médio do DF
Jornalista: Luis Ricardo
A publicação de abril da Revista Xapuri, que traz como manchete Cerrado Indígena: uma dívida com a história e um buraco na consciência, traz uma série de matérias que transitam desde a conjuntura do Chile, direitos humanos, sustentabilidade, entrevista de Marina Cardoso Anchises, a uma matéria especial que aborda o projeto Cerrado Vivo, desenvolvido por estudantes do ensino médio do Distrito Federal. A revista é idealizada por Zezé Weiss e Jaime Sautchuk, e o Sinpro faz parte da elaboração deste periódico de luta e resistência.
No texto O Cerrado é vivo e lindo, a professora da rede pública de ensino do Distrito Federal Edijane Amaral fala do projeto, que completa 21 anos em 2023 e já levou mais de 2 mil estudantes para conhecer as riquezas deste bioma. O projeto tem como diferencial as saídas de campo, que já foram feitas na Chapada Imperial, na Chapada dos Veadeiros
e no Parque Jardim Botânico de Brasília (Leia a matéria nas páginas 38 e 39).
Segundo a professora, o Cerrado é um bioma marginalizado. “Ele é visto sempre como um lugar para ser utilizado pelo agronegócio, por exemplo. Mostrar um Cerrado feio é proposital. Ele é tão feio que não tem porque preservá-lo. Então você pode derrubá-lo e colocar soja, monocultura, gado”, salienta.
Brasília completa 63 anos. Nós nos orgulhamos de viver aqui e de atuar nesta jovem cidade, lutando sempre para que ela seja a melhor versão dela mesma.
Acreditamos que a cidade também se orgulha de nós, professoras, professores, orientadoras e orientadores educacionais, que dedicamos nossa vida à educação. Lutamos para defender a escola pública, para defender nossos estudantes, nossos colegas, nossa dignidade. Nunca fugimos dos desafios e sabemos que estamos à altura deles.
Brasília é uma cidade erguida em meio ao cerrado, no planalto central do Brasil, para ser a capital federal, e acabou se tornando muito mais do que isso. A arte de Niemeyer e Lúcio Costa; o sangue, o suor e as lágrimas de operários que vieram de todos os cantos do país para construí-la; uma miscelânea de sotaques e tradições; a cidade do rock e do chorinho. Patrimônio Cultural da Humanidade, patrimônio de todos os brasileiros e brasileiras.
Nós somos um patrimônio desta cidade, nós que, desde antes da fundação dela, já trabalhávamos para educar quem aqui chegava, que construímos a democracia na gestão das escolas, que alcançamos os padrões mais altos da educação no país.
Nós, que hoje enfrentamos a dura realidade imposta por um governo que não nos valoriza, que nos oferece 6% de reajuste – depois de 8 anos de congelamento salarial -, quando, a si mesmo, dá 25%. Nós lutamos por nós e por aqueles e aquelas que virão depois de nós. Nós lutamos pelos nossos estudantes e pelas famílias deles. Nós lutamos para ter uma carreira que nos garanta a oportunidade de construir uma Brasília cada vez melhor. Porque somos parte fundamental dela.
Sinpro participa de audiência pública sobre cultura de paz nas escolas, dia 24
Jornalista: Vanessa Galassi
Nesta segunda-feira (24/4), será realizada audiência pública que debaterá a defesa e o fortalecimento das escolas, com políticas de convivência e cultura de paz. A atividade, de iniciativa do deputado distrital Gabriel Magno (PT), será realizada na Escola Parque 303/304 Norte, às 19h.
Luciana Custódio, diretora do Sinpro-DF, é uma das convidadas para debater o tema. Segundo ela, professores(as) e orientadores(as) educacionais, ao mesmo tempo que são vítimas em potencial dos ataques, também são atores e atrizes importantes na promoção da cultura de paz nas escolas.
“A luta do Sinpro sempre foi pela vida. Mostramos isso durante a pandemia da Covid-19 e voltamos a mostrar agora, diante da onda de ameaças de ataques a escolas. E vida nunca dialogará com violência. Por isso, as ações desenvolvidas para coibir as ações que vêm chocando a sociedade sempre devem ter como princípio a paz e tolerância”, destaca a diretora do Sinpro.
Luciana Custódio ainda afirma que a valorização do magistério público é definitiva para que as escolas sejam ambientes seguros e de promoção da paz. “Condições adequadas de aprendizado e de trabalho, formação; respeito. Todas essas e várias outras questões são inegociáveis na promoção da cultura de paz nas escolas. Enquanto isso não for compreendido e aplicado, estaremos vulneráveis”, afirma.
Quem bate nas escolas maltrata muita gente
Na audiência pública desta segunda-feira (24/4), o Sinpro-DF relançará a campanha “Quem bate nas escolas bate em muita gente”.
A campanha foi lançada em 2008, diante do aumento de casos de violência contra professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas do DF e do Brasil. Nesse mesmo ano, Carlos Mota, diretor de uma escola pública do Lago Oeste, foi assassinado na chácara onde morava. Segundo investigação policial, o homicídio foi uma represália a atuação do professor contra drogas no colégio e nas imediações.
Entre os objetivos da campanha estava a denúncia de que a desvalorização e o descaso com a educação pública são fatores que geram violência nesses espaços.
“Trazemos de volta a campanha ‘Quem bate na escola maltrata muita gente’, que dialoga também com essa onda de ameaças de ataques a escolas. Esses atos de violência não são fatos isolados; as violências conversam entre si, e também são sistêmicas. O que aconteceu ontem, de alguma maneira, reflete no amanhã. Por isso, violência não pode ser tolerada nunca, em nenhum grau, em nenhum espaço, em nenhum formato”, afirma Luciana Custódio, diretora do Sinpro.
O Sinpro-DF mobiliza os(as) gestores(as) das escolas públicas do Distrito Federal para reunião na próxima terça-feira (25), às 17h, de forma virtual. A reunião traz como pauta a Assembleia Geral, com paralisação e indicativo de greve, e a luta pela reestruturação da carreira. Os(as) gestores(as) que estão nas nossas listas de transmissão receberão o link automaticamente. Os que não receberem devem ligar para Joelma (3343-4209).
A Assembleia Geral da categoria será realizada no dia 26 de abril (quarta-feira), às 9h30, no estacionamento da Funarte. A Campanha Salarial 2023 da categoria do magistério público do DF traz como princípios a isonomia e a paridade, atingindo efetivos e contratos temporários, ativos e aposentados.
Gestor(a), participe da reunião porque é a nossa união que fortalecerá nossa luta por melhores condições de trabalho, salários decentes, investimento para a educação e respeito pelo magistério público.
Ataques às escolas: a democracia responde à violência
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Uma série de movimentações de autoridades nesta semana, para combater, mitigar e conter os ataques e as ameaças de ataques às escolas. Depois do anúncio da portaria 350 do ministério da Justiça, na terça-feira (18/4) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com diversas autoridades. Na quarta-feira (19/4), foi a vez de a Comissão de previdência, assistência social, infância, adolescência e família da Câmara Federal realizar audiência pública para debater os recentes atos de violência ocorridos nas escolas e creches do brasil.
O Sinpro-DF está, desde o início dessa onda de ataques às escolas, acompanhando, relatando e fazendo a cobertura crítica da questão, que é bem complexa e, por sua própria natureza, demanda soluções igualmente complexas. Não existe solução simplista.
Megarreunião de Lula com outras autoridades
Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu no Palácio do Planalto representantes de governos de estados e prefeituras, além de membros do Poder Legislativo (Senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional) e Judiciário (Ministra Rosa Weber, presidenta do Supremo Tribunal Federal, e ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral), mais os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Educação, Camilo Santana, da Saúde Nízia Trindade, e da Justiça, Flávio Dino.
Nesse encontro, o presidente Lula buscou juntar esforços coordenados de todos os Poderes da República, e de todas as instâncias de poder (municipal, estadual e federal). Anunciou um programa de fomento de implantação de ações integradas de proteção do ambiente escolar, infraestrutura, equipamentos, formações e apoio na implantação dos núcleos psicossociais.
Nas ações emergenciais anunciadas, Lula informou que o MEC destinará R$ 3 bilhões para segurança nas escolas, programa no qual o dinheiro vai direto para as escolas. Essa medida faz parte do conjunto de ações desenvolvidas pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), coordenado pelo MEC, para o desenvolvimento de medidas preventivas e imediatas de proteção do ambiente escolar.
Boa parte dessas medidas foram destrinchadas no dia seguinte, em audiência pública da Comissão de previdência, assistência social, infância, adolescência e família da Câmara Federal. Quem vai decidir onde o dinheiro vai ser investido é a comunidade escolar, diretamente. Essa verba poderá ser usada para atos que vão desde a contratação de profissionais de psicologia até aquisição de equipamentos e equipes de segurança. Decisões que precisam de gestão democrática nas escolas para serem tomadas.
Audiência pública: com a palavra, os pesquisadores
Foto Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
A audiência, convocada pelo deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL/RJ) e pela deputada Ana Paula Lima (PT/SC), trouxe uma série de pesquisadores e estudiosos do assunto, que são também integrantes do governo federal encarregados de tomar as devidas providências para combater a onda de violência contra as escolas.
Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo o coordenador do grupo de estudos que entregou ao governo de transição um relatório, em novembro do ano passado, apontando a tendência de recrudescimento dos ataques contra as escolas, é o ponto de conexão entre todos os especialistas.
Em sua apresentação na audiência pública, o professor atualizou os números de seu relatório. Desde o início dos anos 2000 foram perpetrados 18 ataques contra escolas (eram 16 em dezembro de 2022), com 40 mortos (eram 35 mortos) e 82 feridos (eram 72). Cara enfatizou que a violência não é mais NA escola, e sim CONTRA a escola e tudo o que ela representa, estimulada por grupos extremistas neonazistas e neofascistas que se mobilizam nas redes sociais – até 2018, esses grupos se mobilizavam na deep web, de mais difícil acesso; agora, a mobilização é feita às claras, resultado de 4 anos de incentivo político à violência., ainda de acordo com Cara e vários outros pesquisadores.
Daniel Cara apontou a série de medidas indicadas pelo relatório e que estão sendo levadas a cabo por vários grupos de trabalho no governo. Essas medidas devem ser consistentes, e devem orientar as ações a serem tomadas da creche à faculdade.
A partir do dia 24 de abril, o MEC oferece cursos de formação para professores e gestores escolares. Esses cursos serão oferecidos ao vivo e também estarão disponíveis on-line, para serem acessados a qualquer momento. O curso vai oferecer trilhas formativas relacionadas a família, bullying, questões étnico-raciais.
O objetivo da cartilha é dar mais eficácia aos programas de prevenção, intervenção e posvenção de atos de violência nas escolas e nas universidades.
Esse documento apresenta orientações distintas para os entes federados, para as redes e instituições de ensino. Também informa os canais de denúncias criados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Operação Escola Segura, iniciada em 6 de abril; e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que disponibilizou um número de WhatsApp exclusivo para denúncias, além do Disque 100.
Famílias também são parte da comunidade escolar
Foto Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
A presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-SE), Josevanda Franco, lembrou na audiência pública na Câmara dos Deputados que É preciso que a sociedade compreenda de uma vez por todas que o artigo 227 da Constituição Federal determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. “Precisamos construir pessoas com a capacidade de compreender o outro, as diferenças e as vocações individuais. Crianças e adolescentes precisam ser monitorados, pois são indivíduos em desenvolvimento, e como tal precisam da orientação de adultos.”
A ausência de orientação ou monitoramento familiar foi destaque não só da fala de Josevanda, que relatou que 97% das ameaças de ataques nas redes sociais eram apenas “uma brincadeira”, como também de Romano Costa, membro da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, que basicamente relatou os resultados da portaria 350. Costa informou, ainda, que os pais dos jovens que efetuaram os ataques às escolas não sabiam que seus filhos cultuavam nazistas.
Daniel Cara, em sua fala, avisou que uma das medidas a serem tomadas no combate aos ataques às escolas é justamente a realização de campanhas de conscientização contra a sectarização de jovens, e de conscientização para o assédio de grupos neonazistas e neofascistas aos jovens.
Armamentismo é o problema, e não a solução
A jornalista e pesquisadora Letícia Oliveira, uma das 11 coautoras do relatório liderado por Daniel Cara e última a falar na audiência pública, relatou resultados do monitoramento que vem realizando há anos em agrupamentos de extrema direita, e foi taxativa: “os ataques contra as escolas são e sempre foram promovidos pelo extremismo de direita”.
Oliveira apresentou dois relatórios realizados nos últimos meses, e trouxe um dado curioso: foram identificados dois fenômenos diferentes ocorrendo concomitantemente e que convergem entre si. Ao analisar o conteúdo descrito no relatório, nota-se que as ameaças iniciadas no dia 9 de abril são coordenadas e têm claro intuito de causar pânico, pois não condizem com o padrão das ameaças típicas dos grupos neonazistas. Esse comportamento foi percebido pelos próprios membros dessas comunidades.
A professora Catarina Almeida, da Faculdade de Educação da UnB, que também é coautora do relatório liderado por Daniel Cara, lembrou que em nenhuma das situações anteriormente relatadas de ataques às escolas, a segurança armada não foi capaz de evitar os ataques: “Segurança armada é uma visão que assusta e intimida. Espaços em que as pessoas se sentem ameaçadas tendem a promover o aumento da violência, e não seu controle.
A ideia de que a escola se torne uma prisão, com muros altos, cercas elétricas ou um espaço de vigilância atenta contra o que é ser uma escola”, alertou. Catarina e mais uma das especialistas que afirma que a gestão democrática das escolas, que ocorre com a participação das famílias e da sociedade, é parte da solução para combater a violência contra a escola. “Dentro dessa realidade, é importante promover o ensino de matérias de humanas, como filosofia e sociologia, justamente as matérias que o ‘Novo Ensino Médio’ vêm reduzindo da grade curricular”, lembrou.
Escola e mundo
Catarina falou também que é preciso combater aquilo que violenta a escola. “A escola é nosso espaço comum, e é nesse ambiente que as diferenças se encontram e convivem. As diferenças nos educam. É no espaço público que fazemos isso. Para que a gente se eduque, é preciso nos juntarmos. Assim se dá o processo de ensino-aprendizagem. Nessa troca, ganham as famílias e ganha a escola.”
Josevanda Franco trouxe à discussão a ideia de Paulo Freire, de que a escola é um lugar onde podemos começar e melhorar o mundo. “Então, temos que ter a certeza de que esse espaço precisa ser acolhedor e emocionalmente equilibrado.
A diretora do Sinpro Luciana Custódio afirma que, ao fim e ao cabo, a necessidade é de se investir em profissionalização da educação: “Toda esta realidade dramática que a gente vive é resultado, é sintoma de uma ausência do Estado com relação à importância e à urgência de investimento na educação pública, e falar em investimento na educação é falar, também, em investimento nos profissionais que nela atuam”.
É PRECISO RESTABELECER A CULTURA DA PAZ E A TRANQUILIDADE NAS ESCOLAS E NA SOCIEDADE
Jornalista: Luis Ricardo
As escolas públicas e privadas de todo o país estão vivendo um clima de tensão e muitas preocupações. Diante dos atuais fatos planejados, quase que simultaneamente, tentativa de pânico e instabilidade da normalidade às crianças, adolescentes e profissionais da educação é necessário restabelecer a ideia de PAZ nas escolas e na sociedade. Quando a família deixa os seus filhos e filhas no ambiente escolar deve sair com a tranquilidade de que estão seguros e bem cuidados.
A quem interessa este clima de terror e pânico justamente nas escolas, onde quase a totalidade das famílias tem alguma relação, seja com filhos, filhas, netos e netas, da creche até às universidades. Vale ressaltar que esses ameaçadores à nossa paz apresentam um perfil semelhante entre si: são geralmente jovens brancos, do sexo masculino, organizados em redes sociais, utilizam símbolos nazifascistas e agem como se fossem decisões tomadas individualmente.
É fato que alguns casos que ocorreram no Brasil e também em outros países foram relacionados com bullying na escola. Diferentemente dos últimos acontecimentos, que estão sendo organizados pelas redes sociais. Sabe-se que investigações estão sendo feitas e que mais de um mil perfis de possíveis criminosos, perturbadores à paz da sociedade já foram retirados de circulação nas redes sociais. Diante desses dados parte-se do princípio de que os atos estão sendo articulados e seguem uma orientação. De todos os casos de ataques ocorridos às escolas no Brasil desde 2002, mais de 50% ocorreram nos últimos quatro anos. É papel do estado em nível municipal, estadual e federal descobrir quem são os responsáveis por estes atos criminosos. O discurso do ódio, a liberação de armas e a construção de mais “escolas” de tiros por ano, do que a construção de escolas para formação do cidadão com direitos e deveres e a formação humana nos últimos quatro anos, evidencia que parte da sociedade estaria alimentando o ódio e a outra parte estaria sendo ameaçada e sofrendo as consequências. Nos EUA foi realizado um levantamento pelo Jornal Washington Post e este mapeou 377 incidentes de ataques às escolas, desde 1999. Esta cultura do ódio precisa da lugar à Cultura da PAZ e do BEM VIVER.
No estado do Rio Grande do Sul um casal foi detido depois da polícia apreender materiais neonazistas e descobrir que o filho adolescente deste casal planejava um ataque a uma escola de Maquiné no litoral norte do estado.
É importante destacar que a violência que acontece nas escolas, em especial estes fatos recentes são diagnósticos do reflexo do que está acontecendo na sociedade em geral. Basta dizer que as escolas não estão apartadas do convívio social, pelo contrário, estas são o primeiro contato e a extensão das relações familiares e da sociedade como um todo. Nos últimos anos presenciamos inúmeros incentivos à utilização de armas e consequentemente aumentaram os casos de homicídios, suicídios, de violências domésticas e feminicídio.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Ricardo Cappelli tem feito alertas no sentido de que “Estas ameaças nas redes contra nossas escolas são movimentos calculados para desestruturar a sociedade” e a sociedade em geral precisa estar atenta a essas ameaças à PAZ e a democracia. Para qualquer indício de propagação ao ódio, às armas, e a naturalização da violência por parte de qualquer cidadão ou cidadã é necessário um envolvimento das pessoas nas denúncias para que seja retomada a tranquilidade nos espaços de convívio social, principalmente nas escolas.
O Ministério Público Federal no estado de São Paulo (MPF-SP) questionou o Twitter sobre quais alternativas estão sendo colocadas em prática pela rede social, para combater postagens de estímulo à violência e atentados em escolas. O Twitter pressionado pela justiça informou posteriormente que derrubou 546 perfis ligados a atentados em escolas.
No final de 2022 um grupo de pesquisadores e ativistas apresentaram um relatório e “O documento trouxe uma série de questões e, dentre elas, chamou atenção para o fato de que o esforço para solucionar o problema precisa de “uma visão ampla e geral, que considere objetivamente o enfrentamento do extremismo de direita, mas também e das violências que acontecem no cotidiano escolar e que muitas vezes são consideradas banais e secundárias, mas potencialmente perigosas”.(https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/).
“É preciso amor pra poder pulsar, é preciso PAZ pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir”. Com este sentimento poético desta linda canção de Almir Sater, eu quero dizer que é preciso que todas as pessoas, homens e mulheres, crianças, jovens e adultos dialoguem em suas casas, busquem o equilíbrio e a defesa da cultura da PAZ na nossa sociedade. Que às escolas desenvolvam projetos para inclusão de todas e todos e que tenham como objetivo a convivência harmoniosa entre os diferentes e a transformação da sociedade de acordo com os princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e a sustentabilidade.
24ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública de 24 a 28 de abril de 2023
Jornalista: Maria Carla
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realiza, de 24 a 28/4, a 24ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, que terá como tema “Soberania se faz com educação pública e participação social”. A ideia é aproveitar o espaço para denunciar o descaso e o sucateamento da educação pública. Veja o livreto da 24ª Semana.
Ao longo da semana, serão transmitidas lives a partir da página da CNTE (leia a programação abaixo) com o objetivo de discutir a importância de revogar o Novo Ensino Médio (NEM) e estabelecer espaços democráticos para construção de um novo modelo.
Está programada, para o primeiro dia (24), a entrega de um Abaixo-Assinado, ao Ministério da Educação (MEC), pela revogação do NEM, e a deflagração, no dia 26, de Greve Nacional da categoria, pela aplicação do reajuste do piso salarial inicial e na carreira, a profissionais da educação, e pela revogação da reforma.
Durante a semana, um debate entre trabalhadoras/es da educação discutirá, entre outros temas, as contradições do “projeto educacional” em vigor; a recomposição do FNE e os novos desafios; financiamento e valorização do Piso e da Carreira da Educação; Revogação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM); o novo PNE; o SNE e a soberania do povo brasileiro.
Além disso, entre as atividades já programadas, haverá debate com os estudantes e/ou pais/mães/responsáveis; gravação de relatos dos/as estudantes; panfletagem nas praças da cidade, com uma síntese conceituando valorização profissional dos/as trabalhadores/as da educação; Campanha de arrecadação de alimentos para doação no próprio bairro ou em outro espaço. Para finalizar, um passeio ciclístico ou caminhada pela cidade, com a comunidade escolar e a sociedade, para divulgar a importância do Novo Plano Nacional de Educação.
A revogação da medida depende de uma lei enviada ao Congresso Nacional pelo Governo Federal e, para isso, a confederação defende a recomposição do Fórum Nacional da Educação, com as entidades presentes em 2016, antes do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). Para que a União, o setor público e o privado possam abrir um debate e estabelecer um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar uma proposta a ser defendida pelo MEC.
A Secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda de Oliveira Andrade, defende a necessidade de as escolas, e os estudantes, denunciarem problemas como a falta de professores e a ausência de aulas ou disciplinas ministradas em formato remoto. Além das matérias inadequadas, que alunos e alunas têm tido, e que afetam diretamente o desenvolvimento nessa etapa da educação básica fundamental para a formação e para que cheguem à universidade.
“Essa é uma semana para que, no dia 26, tenhamos grandes atos país afora e consigamos dar um recado à sociedade. Fazer com que compreendam que esse ensino médio não agrega conhecimento e que estamos diante de um crime com a negação ao direito à educação de qualidade para nossa juventude”, desabafa a dirigente.
Democracia, direito inegociável
A discussão sobre as relações democráticas no ambiente escolar será pauta em dois dos encontros. E isso demonstra a importância do tema para a comunidade escolar.
Guelda explica que o aprofundamento do tema não é aleatório e declara que não é possível fazer educação de qualidade sem o movimento da prática no espaço da escola. “Não se trata apenas de eleição de diretor ou constituição do conselho deliberativo da comunidade escolar. Mas o amplo debate sobre a organização curricular, a garantia da educação pública de qualidade, o investimento e financiamento para garantir a qualidade da educação, o debate sobre a segurança alimentar na escola. São vários elementos, que precisamos dialogar e construir de forma coletiva, envolvendo as famílias e os estudantes, para avançarmos na democratização do acesso à educação, que se resume à garantia da matrícula do estudante, mas também em garantir condições de permanecer numa escola com educação de qualidade”, explica.
Segundo a Secretária, a CNTE avalia que, ao diminuir espaços para disciplinas fundamentais à formação, e não atender às necessidades de adequação ao mundo do trabalho, o Novo Ensino Médio aumenta a dificuldade de jovens que encontram o desafio de terminar a educação básica num período da vida em que muitas vezes são pressionados a largar os estudos para trabalhar e ajudar a família. Também por não perceberem na escola um espaço significativo para aprendizagem voltada à vida.
“O que aprende na escola precisa ter sentido, e o estudante precisa ser despertado para a criticidade, para que, a partir da construção do conhecimento, no espaço da escola, que não apenas transmite, mas ajuda a construir o conhecimento, encontre condições para pesquisar, buscar, e recriar sua história de vida, contribuindo para a formação de uma sociedade diferente”, afirma.
Confira abaixo a programação das lives da 24ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública:
Dia 24 de abril (segunda-feira)
LIVE às 19h – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: As contradições do “projeto educacional” em vigor
Sugestão de atividade: Debate com os estudantes e/ou pais/mães/responsáveis, gravar relatos dos/as estudantes no formato de vídeo de até um minuto e/ou textos de no máximo duas laudas para publicação.
Dia 25 de abril
LIVE às 19h – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: A recomposição do FNE e os novos desafios
Sugestão de atividade: Debate com os estudantes e/ou pais/mães/responsáveis, gravar relatos dos/as estudantes no formato de vídeo de até um minuto e/ou textos de no máximo duas laudas para publicação.
Dia 26 de abril
LIVE às 19h – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: Financiamento e valorização do Piso e da Carreira da Educação
Sugestão de atividade: Panfletagem nas praças da cidade com uma síntese conceituando valorização profissional dos/as trabalhadores/as da educação.
Dia 27 de abril
LIVE às 19h – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: Gestão democrática com segurança alimentar
Sugestão de atividade: Campanha de arrecadação de alimentos durante a 24ª Semana para doação no próprio bairro ou em outro espaço.
Dia 28 de abril
LIVE às 10h00 – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: Revogação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM)
LIVE às 19h – horário de Brasília | Transmissão: youtube.com/cntebrasil
Tema: A democracia, o novo PNE, o SNE e a soberania do povo brasileiro
Sugestão de atividade: Promover um passeio ciclístico, ou uma caminhada pela cidade com a comunidade escolar e a sociedade, que divulgue a importância do Novo Plano Nacional de Educação.
Luta de Chico Mendes é tratada em peça encenada por Lucélia Santos
Jornalista: Luis Ricardo
O espetáculo Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive, encenado pela atriz Lucélia Santos, chega em Brasília e os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados(as) terão uma sessão exclusiva neste domingo (23), às 18h, no Teatro dos Bancários (314/315 BL A – Asa Sul). O Sinpro terá direito a 430 convites e os(as) interessados(as) poderão pegar seus ingressos na sede do sindicato (SIG) de quarta-feira (19) a sábado (22), de posse da carteirinha de filiado(a). Os ingressos também estarão disponíveis no domingo, no próprio Teatro dos Bancários, caso ainda tenham disponíveis. Para se certificar que ainda existem convites disponíveis, ligue no Sinpro. Cada educador(a) terá direito a um acompanhante. Os ingressos não estão mais disponíveis nas subsedes.
A atriz encena a memória da luta de Chico Mendes, sob a companhia e o olhar histórico de Valdiza Alencar e Cecília Mendes, três mulheres da resistência que dão o tom da peça. Elas intercalam seus sentimentos e paixões em narrativas que são a voz do próprio Chico Mendes. Ele é o fio condutor no relato da história coletiva do movimento de resistência dos seringueiros acreanos, sendo, em essência, a sua própria história também.
No espetáculo, trechos inéditos de sua entrevista gravada há 34 anos são usados para retratar o ápice do conflito entre seringueiros e ruralistas. A persistência em resistir contra a derrubada da floresta onde vivia e trabalhava serviu e serve até hoje como exemplo para as gerações presentes e futuras.
A peça traz a defesa de um legado que precisa perdurar. A força e a voz de Lucélia em cena, celebram e honram os ideais de Chico.
Lucélia Santos é entrevistada do TV Sinpro especial
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Na próxima quinta-feira (20/4), às 20h, uma edição especial do TV Sinpro recebe a atriz Lucélia Santos, que está em Brasília para a apresentação do espetáculo Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive. A atriz encena a memória da luta de Chico Mendes, sob a companhia e o olhar histórico de Valdiza Alencar e Cecília Mendes, três mulheres da resistência que dão o tom da peça. Elas intercalam seus sentimentos e paixões em narrativas que são a voz do próprio Chico Mendes.
No espetáculo, trechos inéditos de entrevista de Chico Mendes gravada há 34 anos são usados para retratar o ápice do conflito entre seringueiros e ruralistas. A persistência em resistir contra a derrubada da floresta onde vivia e trabalhava serviu e serve até hoje como exemplo para as gerações presentes e futuras. Para entrevistar Lucélia, participam do TV Sinpro especial Rosilene Corrêa, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Iolanda Rocha, professora e ativista socioambientalista e membro da revista Xapuri; e Raimundo Kamir, coordenador da secretaria de Políticas Sociais do Sinpro.
O TV Sinpro especial vai ao ar nesta quinta-feira, 20 de abril, às 20h, nas redes do Sinpro e na TV Comunitária. Não perca!
Sindicalizados(as) têm entrada gratuita na peça
Com a edição do TV Sinpro Especial Lucélia Santos, o sindicato promove a peça e leva à categoria a história de Chico Mendes interpretada pela atriz e vista pelo olhar da autora da peça, a jornalista e editora da Revista Xapuri, Zezé Weiss, que escreveu essa peça exclusivamente para a interpretação de Lucélia. E nada melhor do que viver a cena e assistir a tudo isso ao vivo no Teatro dos Bancários. Os(as) sindicalizados(as) terão uma sessão exclusiva a ser realizada no domingo (23), às 18h, no Teatro dos Bancários (314/315 BL A – Asa Sul).
Para assistir à sessão exclusiva, os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais devem ser sindicalizados(as). O Sinpro tem direito a 430 convites e os(as) interessados(as) poderão pegar seus ingressos na sede e nas subsedes do sindicato (SIG) de hoje (quarta-feira, 19) a sábado (22), com apresentação da carteirinha de filiado(a). Importante destacar que os ingressos também estarão disponíveis no domingo, no próprio Teatro dos Bancários, caso ainda tenham disponíveis. Para se certificar de que ainda existem convites disponíveis, ligue no Sinpro. Cada educador(a) terá direito a um acompanhante.
Assista também ao TV Sinpro Especial Lucélia Santos. Ele vai ao ar nesta quinta-feira, 20 de abril, às 20h, nas redes do Sinpro e na TV Comunitária. Não perca! Divulgue!
Sinpro e Cine Cultura exibem “O pastor e o guerrilheiro” com sessão de debate
Jornalista: Maria Carla
Nesta quinta-feira (20), o Cine Cultura do Liberty Mall vai exibir o filme “O pastor e o guerrilheiro”, de José Eduardo Belmonte, e, após a sessão das 20h30, haverá debate com a atriz Gabriela Correia; o produtor executivo do filme, Caetano Curi; o produtor Nilson Rodrigues; o diretor do Sinpro, Bernardo Távora; e o professor, ex-deputado federal por Mato Grosso e integrante do conselho editorial da Revista Xapuri, Gilney Viana.
Essa exibição faz parte da parceria do Sinpro com o Cine Cultura em que professores(as) e orientadores(as) educacionais pagam R$ 10,00 na entrada com direito a um acompanhante que pagará o mesmo valor. Para aproveitar o benefício, precisa ser sindicalizado(a) e apresentar a carteirinha válida, em versão física ou digital. Esqueceu a carteirinha? Não tem problema. Apresente o último contracheque com o desconto da contribuição sindical.
“O pastor e o guerrilheiro” também foi exibido em 10 escolas da rede pública de ensino pelo “Cinema nas Escolas – Circuito de Cinema Brasileiro”. Trata-se de um projeto da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC) com o apoio do Sinpro-DF, que levou o cinema brasileiro para as escolas públicas do Distrito Federal entre os dias 28 de fevereiro e 16 de março.
Confira outras matérias sobre o tema:
Projeto levará o cinema brasileiro para dentro das escolas públicas do DF: https://bit.ly/41w5LbU