Descaso com a educação: mais uma vez, larvas são encontradas na merenda

Mais um lamentável – e evitável – episódio envolvendo as merendas nas escolas públicas do Distrito Federal aconteceu nesta segunda-feira, 6 de maio. Uma estudante encontrou larva em seu prato de comida no CEM Setor Leste, na Asa Sul.

A Secretaria de Educação mais uma vez adotou a prática de responsabilizar a escola, afirmando que a larva vinha de tangerinas mal higienizadas. Porém o CAE – Conselho de Alimentação Escolar – identificou que 410 kg de arroz foram retirados do depósito e mantidos em sala à parte após visita técnica. Os pacotes estavam repletos de larvas e carunchos.

Posteriormente, em nota divulgada pela imprensa, a SEEDF assumiu que havia encontrado produtos inadequados para consumo no depósito. “Por que esse fato não foi citado na ocorrência de visita técnica?”, questionou o diretor do Sinpro e integrante do CAE, Samuel Fernandes. “Não é responsabilidade da escola e não é falta de verba, porque verba tem. Os itens são de péssima qualidade e podem ter sido entregues às escolas já contaminados”, aponta ele.

Ricardo Gama, também diretor do Sinpro e membro do CAE, afirma que o conselho faz visitas periódicas de fiscalização, e há muito tempo já havia alertado a SEEDF sobre esse problema, especialmente com o arroz: “Não é a primeira vez que isso acontece, no entanto, a empresa de distribuição permanece a mesma”, diz ele. “O arroz que deu problema no ano passado é o mesmo que foi distribuído para as escolas este ano”, completa.

O CAE vai reportar o fato aos órgãos competentes, como o Ministério Público e o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). O Sinpro continua pressionando a secretaria pela resolução desse grave problema.

 

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TV Sinpro da próxima quarta (08) debate assédio moral nas escolas

O TV Sinpro da próxima quarta-feira, dia 8 de maio, vem pra fortalecer a campanha do Sinpro contra o assédio moral. Com o tema “Assédio Moral nas Escolas Não!”, o programa vai trazer informações sobre como prevenir, combater e se proteger das situações de assédio.

Para debater esse tema tão importante e atual, teremos a advogada do Sinpro, Roberta Hutchison, e os três diretores que compõem a Secretaria de Saúde do sindicato: Élbia Pires (coordenadora); João Braga; e Rodrigo Teixeira. Um dos focos do debate serão as ações jurídicas que podem ser tomadas contra o assédio moral nas escolas.

O TV Sinpro “Assédio Moral nas Escolas Não!” vai ao ar quarta, dia 8, às 19h na TV Comunitária de Brasília (Canal 12 da NET) e nas redes sociais do Sinpro (Facebook e Youtube).

 

 

Publicado originalmente em 03 de maio de 2024

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Moção de Repúdio ao Governo do Distrito Federal

O Coletivo de Pessoas com Deficiência do Sinpro, reunido em 06 de maio, vem a público expressar seu mais veemente repúdio ao Governo do Distrito Federal, juntamente com a Secretaria da Pessoa com Deficiência do DF, que é uma Secretaria do Governo, pelo seu descaso em não tomar as providências necessárias para a realização da Conferência Distrital dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Após 7 anos de adiamento, período coincidente com o golpe político-jurídico-midiático que derrubou a presidenta Dilma, finalmente foi convocada a V Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, um pleito longamente ansiado por toda a população PcD do Brasil, incluindo do Distrito Federal.

Entretanto, na contramão da maioria dos estados e munícipios brasileiros, até o momento o GDF não envidou nenhum esforço para realização da Etapa Distrital. Ao contrário, este governo atua sistematicamente por meio de seus representantes no Conselho Distrital dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão local responsável pela organização, para inviabilizar a realização do evento.

O Sinpro acompanha a educação da capital federal e lembra que as escolas são inclusivas, com vários(as) alunos(as) e trabalhadores(as) com deficiência, e a não realização da Conferência Distrital traz prejuízos diversos para estas pessoas, incluindo questões como a mobilidade, saúde, transporte, segurança, empregabilidade, reserva de vaga em concursos públicos, dentre outros.

Portanto denunciamos com veemência o descaso deste governo com uma parcela tão vulnerável da população. A inação do GDF revela o seu descompromisso com a pauta, e na prática se converte em mais um ataque aos nossos direitos. Talvez o medo ou vergonha de prestar contas da sua gestão trágica das políticas voltadas para a população PcD, sejam a explicação para tamanha agressão. É necessário que o GDF respeite os direitos das pessoas com deficiência, além de criar políticas públicas que atinjam suas necessidades mais prementes.

Conclamamos assim todas as trabalhadoras e trabalhadores, Pessoas com Deficiência, a se unirem na cobrança ao Governo Ibaneis para que este apresente, o quanto antes, um calendário factível para realização da nossa Conferência Distrital. Não aceitaremos que o Distrito Federal, que sediará a Conferência Nacional no mês de julho, não tenha participado e feito a Conferência Distrital, e seja a única unidade da federação ausente nesse importante debate na busca de direitos e construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática para todas as pessoas.

 

Brasília, 06 de maio de 2024

Coletivo de Pessoas com Deficiência – SINPRO-DF

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Menor despesa total de pessoal da história é legado de Ibaneis

O Projeto de Lei Orçamentária Anual 2024 (PLOA) mostra que a Despesa Total de Pessoal em relação à Receita Corrente Líquida do GDF poderia ter sido de, no mínimo, R$ 3,33 bilhões a mais (28,6%). A análise é feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A cifra analisada não chega sequer a ultrapassar o limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso quer dizer que, se a opção fosse chegar ao limite legal (máximo) da LRF, o investimento em pessoal poderia ter sido acrescido em até R$ 4,12 bilhões (35,3%).

“Na campanha salarial deste ano, reivindicamos reajuste de 19,8%. Isso porque este é o percentual necessário para repor as perdas inflacionárias geradas de janeiro de 2019 a dezembro de 2023. E nosso pleito ainda tem como respaldo a comprovação de que Ibaneis vem desinvestindo no serviço público. Enquanto estamos com perdas, o governo procrastina em valorizar nossa remuneração, mesmo tendo margem – e muita – para isso”, afirma a diretora do Sinpro Márcia Gilda.

Este não é o primeiro ano que o governador do DF, Ibaneis Rocha, decide não investir o que seria ideal em pessoal. Relatório de Gestão Fiscal do terceiro quadrimestre de 2023, publicado pela Secretaria de Estado de Economia do DF, mostra que a Despesa Total de Pessoal em relação à Receita Corrente Líquida do GDF poderia ter sido, pelo menos, R$ 3,9 bilhões (11,75%) a mais. Pelo documento, isso se o governo atingisse apenas o limite prudencial da LRF (46,5%).

Pelo relatório da SEEC, desde o ano 1 da primeira gestão de Ibaneis Rocha, em 2019, o governador nunca chegou a atingir sequer o limite prudencial da LRF quando o tema é investimento em pessoal. Naquele ano, por exemplo, o percentual aplicado pelo GDF foi de 43,5%, enquanto o limite legal é de 49%.

A recorrência da disparidade nos relatórios de gestão fiscal evidencia a política de precarização dos serviços públicos adotada por Ibaneis Rocha. “É urgente lembrar que um Distrito Federal que não investe em educação, que não prioriza a educação, é um DF que não quer justiça social, que não quer democracia”, afirma Márcia Gilda, e completa: “valorizar a educação passa, necessariamente, por remuneração digna para professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais”.

>> Leia também: CAMPANHA SALARIAL 2024: 19,8% JÁ! RUMO À META 17

Assembleia dia 22
Professores(as) e orientadores(as) educacionais realizarão assembleia geral com paralisação no dia 22 de maio, para dar andamento à Campanha Salarial 2024. A atividade, que será às 9h, no estacionamento do Teatro Nacional, se somará à Marcha da Classe Trabalhadora a Brasília.

>> Leia mais AQUI

 

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Subsede de Planaltina recebe 1º Curso de Formação por território para aposentados(as)

Sob os temas “Cuidado como Direito Humano” e “A sociedade do cuidado”, a subsede do Sinpro de Planaltina recebeu na última segunda-feira (6/5) o Primeiro Curso de Formação por Território para Aposentados(as). O evento contou com a participação de Edna Barroso e Kátia Franca do Instituto Horizonte; e Cosette Castro, do Coletivo Filhas da Mãe.

As palestrantes demonstraram a importância de você cuidar primeiro de si, para depois cuidar dos outros, uma vez que você tem que estar bem para cuidar do próximo.

A questão dos padrões em que a sociedade tenta encaixar as pessoas de acordo com a faixa etária também foi abordada: “quem usa minissaia ou biquini? Como te olham quando você usa essas roupas? O olhar é de reprovação? Por quê?”

Participaram do evento cerca de 50 aposentados(as) que moram nas regiões de Sobradinho, Formosa, Arapoanga, Itapoã e Planaltina. Quem participou avaliou o evento de forma bem positiva.

“Foi uma reivindicação dos e das participantes do encontro de aposentados e aposentadas que o Sinpro realizasse eventos regionalizados para aposentados(as). Estreamos esse primeiro evento em Planaltina, deu supercerto, e esperamos realizar outro encontro ainda neste mês, também com o tema do cuidado como Direito Humano, na subsede do Gama”, adianta a coordenadora da Secretaria de Assuntos de Aposentados e Aposentadas, Elineide Rodrigues.

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Sinpro é posto de doações para comunidades indígenas e quilombolas do RS

O Sinpro-DF se une a outras entidades sindicais e adere à “Ação Cidadania DF” para coletar doações destinadas às comunidades indígenas e quilombolas fortemente afetadas pelas chuvas que atingem o Rio Grande do Sul (RS). Os(as) interessados(as) em doar devem entregar sua doação na sede do SIG ou nas subsedes da entidade em Taguatinga, Gama e Planaltina. O Sinpro é mais um posto de recebimento de doações.

A Ação Cidadania DF está arrecadando roupas, agasalhos, roupa de cama e banho, calçados, alimentos não perecíveis, itens de higiene pessoal, bem como rações para animais domésticos, como cachorros e gatos. As comunidades indígenas e quilombolas se encontram ilhadas/isoladas do centro urbano gaúcho.

O sindicato informa que, segundo dados do Climatempo desta terça-feira (7), o RS continua sob alerta para ‘perigo extremo de tempestades’ e que a instabilidade climática que assola o estado há mais de uma semana se movimenta, nesta terça-feira (7), em direção ao sul do RS: Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e São Lourenço são as cidades mais atingidas.

Participe! As doações podem ser entregues na sede do Sinpro do SIG e subsedes de Taguatinga, Gama e Planaltina. Para doação de dinheiro, é preciso acessar o seguinte link: https://www.acaodacidadania.org.br/

 

Confira os locais de doação do SOS – Comunidades Indígenas e Quilombolas ilhadas no Rio Grande do Sul

Aqueles(as) que quiseram ajudar, podem deixar suas doações nos seguintes endereços:

▪️ SINPRO /DF – SINDICATO DOS PROFESSORES DO DF:
•SIG – QUADRA 6 – BRASÍLIA – DF
•CNB 04 LOTE 03 LOJA 01 – TAGUATINGA/DF
•AE 20/21 SALAS 42 E 44. ED. ALTERNATIVO CENTER – GAMA/DF
•AV. INDEPENDÊNCIA Q. 05 LOTE 18 – VILA VICENTINA, PLANALTINA/DF

▪️ SINDICATO DOS BANCÁRIOS
EQS 314/315 BL A – ASA SUL, BRASÍLIA – DF

▪️ ESPAÇO MULTICULTURAL CASA DOS QUATRO
SCLRN 708 BLOCO F LOJA 1 – ASA NORTE, BRASÍLIA – DF

▪️ CÂMARA DOS DEPUTADOS – CD CIDADANIA
PRAÇA DOS TRÊS PODERES, ANEXO 2, ENTRADA- BRASÍLIA – DF

▪️ PADARIA CINCO ESTRELAS CASA DE PÃES
QI 04 BLOCO B LOJAS 1/3 – GUARÁ 1 – DF

▪️ SEDE MANCHA VERDE -TORCIDA PALMEIRAS
RUA 3 CHÁCARA 84 LOJA 01-VICENTE PIRES – PRÓXIMO A EPTG

Para aqueles queiram doar algum valor, segue o link👇🏽:
https://www.acaodacidadania.org.br/

Dúvidas: 🍛Ação Cidadania DF/GO
José Ivan – Coordenador DF/GO – (61) 99633-0603
Mariana Rosa – (61) 98406.9064

 

CUT-DF: Campanha de solidariedade às vítimas das enchentes do RS

Colabore também com a “Ação Solidária às Vítimas do Rio Grande do Sul”. Em recente matéria divulgada no site, o Sinpro-DF anuncia a ação da CUT-DF: “A solidariedade é marca da classe trabalhadora. Por isso, o Sinpro se soma à Campanha de Solidariedade às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e convoca toda a categoria do magistério público a participar da ação. As doações podem ser feitas via PIX: (51)996410961 (celular). O telefone é da CUT Rio Grande do Sul, entidade que lançou a campanha no último dia 2 de maio”. Colabore também participando do show Alessandra Terribili canta Elis Regina. A cantora faz a apresentação acompanhada pelo violonista Marcus Moraes. Confira no card ao final desta matéria e clique aqui para conferir a matéria da Ação Solidária às Vítimas do RS da CUT na íntegra.

 

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Convoca Já – A convocação de concursados significa mais qualidade de ensino e valorização da carreira magistério

Dados fornecidos pelo Ministério da Educação (MEC) mostram a dura realidade da educação pública no Brasil no que se refere ao quadro de educadores(as) em várias redes estaduais de ensino. Segundo o levantamento, em muitas unidades da federação, mais da metade dos(as) professores(as) estão sob regime de contratação temporária, profissionais estes de excelência, mas com vínculo empregatício totalmente precarizado. O Distrito Federal, por exemplo, conta, hoje, com apenas 42,6% de educadores(as) efetivos(as) e é uma das unidades que teve o maior aumento no quadro de temporários(as) e redução dos(as) efetivos(as), fruto da opção política do governador Ibaneis Rocha pela não nomeação de concursados(as) e aumento de professores(as) temporários(as).

A estratégia utilizada por muitos governos ao priorizar a contratação de temporários é o de garantir corpo docente regular, aumentando a demanda da rede pública de ensino, mas à custa da precarização dos contratos de trabalho. Ao contrário dos(as) efetivos(as), os(as) temporários(as), também educadores(as) capacitados(as) e competentes para o exercício do magistério, não têm carteira assinada, FGTS, 13º salário, licença remunerada, em muitos estados têm remunerações menores que a de efetivos(as), não têm plano de carreira, não incorporam gratificações de tempo de serviço e evolução funcional aos salários e não possuem todos os direitos trabalhistas de um servidor estatutário, além de receberem apenas as horas trabalhadas no período de seu contrato. A diferença inicial é de 30%, só no salário.

A situação fica ainda mais alarmante quando os dados apontam que 43,6% dos(as) temporários(as) atuam há ao menos 11 anos na profissão. O levantamento ainda identifica que, enquanto houve a redução de educadores(as) concursados(as), o número de contratos temporários cresceu 55% em uma década. Em 2013, concursados(as) somavam 505 mil (68,4% do total), efetivo que caiu para 321 mil no ano passado (46,5%).

A diretora do Sinpro Ana Bonina ainda aponta que as escolas estaduais brasileiras perderam mais de um terço (36%) dos(as) professores(as) efetivos(as) em dez anos. “Os contratos temporários fazem um trabalho importantíssimo na rede pública de ensino, mas o que vemos é que os governos, a exemplo do GDF, estão aproveitando de uma exceção para transformar em uma regra. Isto traz uma série de prejuízos para aqueles que não são concursados e é por isto que defendemos a convocação de todos aqueles que aguardam pela nomeação”, ressalta.

A campanha “Convoca já!” tem denunciado esta realidade em comerciais divulgados nas TVs abertas, outdoors, jornais, redes sociais, debates nas escolas, além das ações junto à Câmara Legislativa e ao Ministério Público. Também continua distribuindo cartazes que expõe o contraste entre o número de efetivos(as) e contratos temporários na rede pública de ensino, onde as escolas podem denunciar o excesso de contratações temporários da rede pública.

 

Participe da campanha!

A convocação de todos(as) os(as) aprovados(as) no último concurso público do magistério e a realização de novo certame não é apenas uma necessidade, mas uma urgência. O Sinpro, por meio da campanha “Convoca já!”, está distribuindo cartazes que expõe o contraste entre o número de efetivos(as) e contratos temporários na rede pública de ensino.

A nova peça da campanha apresenta três campos: nome da unidade escolar, número de professores(as) efetivos(as), número de professores(as) em contrato temporário. A ideia é que cada um dos campos sejam preenchidos com os dados da própria escola, e o cartaz afixado em local de ampla visibilidade. “Essa é uma estratégia para que o problema do déficit de professores e professoras efetivas seja exposto de forma que pode proporcionar, inclusive, melhor compreensão da gravidade dessa realidade. E esses dados serão vistos diariamente, por toda a comunidade escolar”, explica a diretora do Sinpro-DF Ana Bonina.

Os cartazes estão sendo distribuídos nas visitas dos(as) diretores(as) às unidades escolares, mas também estão disponíveis na sede do Sinpro (SIG). Clique aqui e baixe o cartaz.

 

 

Com informações do site Globo.com

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3 de maio: Dia Internacional da Liberdade de Imprensa

Nesta sexta-feira (3), o mundo comemora o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Falar de liberdade de imprensa é refletir sobre o papel das mídias no Estado democrático de direito. Numa entrevista à revista do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), o jurista e professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Junior, afirma que “direitos são resultado de lutas sociais pelo reconhecimento no percurso emancipatório” e, nesse contexto de “direito achado na rua”, ele afirma que a Imprensa “‘é cão de guarda da democracia’ e, apesar de necessitar ser fiscalizada, não pode perder seu princípio fundamental de liberdade”.

Daí a importância de garantir a liberdade de imprensa no Brasil e no mundo porque sem liberdade de imprensa a verdade não aparece. Na entrevista, o jurista assegura que “não alcançaremos amadurecimento democrático e verdadeiramente republicano, sem uma profunda transformação institucional do campo da política e sem introduzir no sistema democrático, como impõe a Constituição, formas claras e legítimas de controle social dos meios de comunicação, para garantir pluralidade e acesso pleno à informação”.

No entendimento dele, “os meios de comunicação, principalmente os abertos — rádio e TV — mas também os jornais, são indispensáveis para informar e contribuir para a formação de opinião. Por isso que, mesmo em sociedades de livre iniciativa, nas quais todo valor acaba sendo o de troca, eles são fundamentais e até os que acabam se tornando alvos selecionados de sua atenção, nem sempre isenta, reconhecem a sua importância”.

No entanto, é importante não confundir liberdade de imprensa com liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, não confundir liberdade de expressão com liberdade de agressão. As liberdades de imprensa e de expressão precisam de fiscalização diuturna. É preciso regulamentação para que não se confundam, por exemplo, liberdade de expressão com liberdade de agressão. No seminário “Democracia e Plataformas Digitais”, realizado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, destacou que “liberdade de expressão não é liberdade de agressão”.

Inspirada nos princípios supracitados, a diretoria colegiada do Sinpro-DF destaca a necessidade de regulamentação das mídias, sobretudo as digitais, porque sem isso, sites, blogs, vlogs etc. vão continuar disseminando fake News e outras mentiras, criando crises e gerando grandes estragos na sociedade, nas economias, na política, nas eleições democráticas e nas democracias do mundo. Mas não somente aí, também na vida pessoal de milhares de pessoas. Regulamentar e fiscalizar as mídias é fundamental para garantir a democracia e assegurar saúde mental no País.

No ano passado, Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, se pronunciou no X, antigo twitter, pedindo a regulação das redes sociais, quando soube do suicídio da jovem Jéssica Canedo, 22 anos, em Minas Gerais, após ela ter sido hostilizada na Internet em decorrência de fake News. Segundo o ministro, esse foi o segundo caso de suicídio, no Brasil, em menos de 1 mês, envolvendo um jovem e a divulgação de informações falsas e discursos de ódio na Internet.

O discurso de ódio tem dominado a cena midiática de redes sociais desde 2013. Piorou em 2016, ano do golpe de Estado, e prosseguiu até as eleições de 2018, que colocou no poder do Brasil o fascismo neoliberal, o qual devasta a Argentina atualmente. Para o Sinpro, mídias digitais não regulamentadas é sinônimo de terra sem lei com estragos irreparáveis nas estruturas do Estado democrático de direito e na vida das pessoas. Por isso, é importante regulamentar antes que o Brasil veja suas eleições municipais, as quais definem a vida das pessoas em suas cidades, comprometidas por informações mal-intencionadas.

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O trabalhador no divã

(*) Por Élbia Pires e Luciane Kozicz Reis Araujo

O ambiente escolar tem se tornado uma máquina de sofrimento. Nesse espaço, os professores e orientadores educacionais têm sido submetidos a extremo desamparo e submissão. O caos nas relações socioprofissionais tem causado dor física e emocional. Em parte, resultado do modelo de contrato temporário, sem expectativa de carreira, com instabilidade de planejamentos e variação contínua de projetos.
Um modelo que enfraquece os laços sociais, exigindo a maior eficácia possível sem as condições de trabalho necessárias. Mudanças incessantes e aprendizados contínuos são impostos pela necessidade de lidar com diferentes públicos que a escola recebe.

São incontáveis os adoecimentos causados pelas patologias do trabalho em decorrência dos governantes delegarem ao trabalhador a responsabilidade individual sobre o sucesso ou fracasso do aprendizado. Muitas vezes, o trabalhador é coagido a um tipo de comprometimento para além das suas atribuições. Tudo isso baseado em padrões sustentados nas ideologias do superior-inferior, do desempenho, da urgência, do foco, do possível e da felicidade. Produz o sujeito cerebral que tudo sabe, tudo pode e sempre ganha. Com o afeto a deriva duas patologias tem se destacado no ambiente laboral: a depressão, marcada pelo descarte e a perversão, que busca o desempenho admirável e olímpico. Um trabalhador operacional sempre em prontidão, adaptando-se as diferentes demandas em situações cada vez mais complexas.

O convite para o divã neste maio que se inicia celebrando o Dia do Trabalhador é para uma pausa: que educador que se está produzindo com essas práticas? Um convite a subverter métodos que insistem em destruir a dimensão coletiva da existência, uma quebra da homogeneização de um discurso de ser tutelado com técnicas manipuladoras.
O desafio atual é buscar formas de nomear esse estranho que habita em nós, estabelecendo relações com uma escuta lúdica e empática, de indagação aberta, de acolhimento podem ser a janela para um novo momento. As paredes do psiquismo precisam ser ampliadas para que não fiquemos enclausurados em modelos únicos, que corroem a personalidade e estimulam a dopagem generalizada.

 

 

(*) Élbia Pires, professora efetiva da rede pública de ensino do Distrito Federal, diretora eleita do Sinpro-DF e coordenadora da Secretaria para Assuntos de Saúde do Trabalhador.

(**) Luciane Kozicz Reis Araujo, psicologa, pesquisadora do Núcleo de Trabalho e Linguagem Universidade de Brasília (UnB). 

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Não disponibilização do diário tumultua final do bimestre

Escolas de todo o DF estão enfrentando, mais uma vez, problemas com a não disponibilização dos diários pelo sistema Educa DF. Os diários são entregues, mas não têm funcionalidade.

O Novo Ensino Médio (NEM) está em implementação há quatro anos, e é o quarto ano que o problema com os diários se apresenta da mesma forma. A orientação da SEEDF é de que as escolas contatem o suporte para relatar o problema, mas escolas que tomaram esse procedimento afirmaram que nada aconteceu.

Com o fechamento do primeiro bimestre, professores e professoras estão tendo que elaborar planilhas à parte para nelas lançar as avaliações. Ou seja, o trabalho é dobrado. “Nós precisamos dar um jeito, para poder ter o conselho de classe, para os pais poderem acompanhar o desenvolvimento de seus filhos. Além de serviço dobrado, estar sem o diário atrapalha muito o trabalho pedagógico”, afirma Eldemes Ramos, professora de História e dos itinerários formativos no Cemi (Centro de Ensino Médio Integrado) do Gama. Vilmara Carmo, também professora de História e dos itinerários formativos no CED 01 da Estrutural, completa: “Cada professora e cada professor fechou suas planilhas e não tem um sistema pra lançar as notas”.

Eldemes conta que os estudantes são muito prejudicados pela não funcionalidade do sistema: “Tem dado confusão todo fim de ano, porque os estudantes passam no PAS (Programa de Avaliação Seriada) da UnB e precisam de seu certificado, de seu histórico escolar, e o sistema não libera”.

O problema não é de uma ou outra escola, mas sim, de toda a rede pública do DF. Rosângela Uranga, secretária do CED 03 do Guará, relata que o Educa DF tem causado muitos transtornos para as secretarias, que, além de tudo, encontram-se com pouco pessoal: “O sistema não atende adequadamente a escrituração da escola nem a dos professores, e fica uma defasagem em algo que é necessário, inclusive, para os programas como o Pé de Meia e outros, destinados às famílias em vulnerabilidade social”.

O final de 2023 foi repleto de problemas graves causados pela ausência de diário e deficiências do sistema, como a reprovação de estudantes que tinham sido aprovados e a aprovação de outros, que estavam reprovados por frequência. “Uma inconsistência na vinculação do Educa DF a outro sistema, de gestão de pessoas, está causando essas incompatibilidades”, explica ela. “O resultado é que o sistema não está funcionando adequadamente, portanto, a secretaria não consegue lançar a grade horária dos professores e os diários não são disponibilizados”, conclui.

A questão dos diários é um problema sério, que interfere tanto na dinâmica de trabalho dos professores e professoras quanto no trabalho pedagógico, prejudicando profissionais da educação, estudantes e suas famílias. O Sinpro-DF continua pressionando a Secretaria de Educação para que uma solução seja dada com urgência.

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