Não haverá expediente no Sinpro na quinta (28) e sexta-feira (29) da Páscoa
Jornalista: Luis Ricardo
Em virtude do feriado da Páscoa, a Diretoria Colegiada informa que não haverá expediente na sede e nas subsedes do Sinpro na quinta (28) e sexta-feira (29). O funcionamento voltará ao normal na segunda-feira, dia 1º de abril.
Apesar do sindicato estar fechado nestes dois dias, a entrega da documentação referente ao retroativo do calote de 2015 continuará de maneira virtual, de forma ininterrupta. Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais poderão continuar enviando os documentos necessários (RG; CPF; Comprovante de Residência; Últimos três contracheques e Fichas Financeiras de 2015 a 2024) clicando aqui.
Desejamos um bom feriado a todos(as) e um bom descanso.
TV Sinpro reprisa programa tira-dúvidas sobre ação dos retroativos
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O TV Sinpro da próxima quarta-feira (27/3), às 19h, reprisará a edição especial do programa que tirou as dúvidas da categoria com relação à ação sobre os retroativos ao reajuste de 2015. O programa, que foi originalmente transmitido no dia 14 de março, será reprisado, vai ao ar na TV comunitária e nas redes do Sinpro (Facebook e Youtube).
Participaram do programa a diretora do Sinpro Márcia Gilda, o coordenador da Secretaria de assuntos jurídicos do Sindicato, Dimas Rocha, e o advogado do sindicato, Dr. Lucas Mori, do escritório Resende Mori Hutchison. Eles responderam às dúvidas dos e das profissionais da categoria. A ex-diretora do Sinpro, atual dirigente da CNTE e vice-presidente da TV comunitária Rosilene Corrêa, mediou o programa.
Entenda a ação
O Supremo Tribunal Federal (STF) certificou que não cabe mais recurso na ação sobre o pagamento do reajuste de setembro de 2015. Com isso, o GDF terá de pagar os valores retroativos correspondentes a sete anos de atraso nesse pagamento.
Essa vitória pode representar em média R$ 20 mil em pagamentos a cada professor(a) ou orientador(a) educacional. Os processos devem ser individualizados e calculados caso a caso, considerando o padrão e o período de entrada na secretaria, contabilizado entre setembro de 2015 e maio de 2022.
Educação infantil deve ser obrigação do Estado, diz diretora do Sinpro
Jornalista: Vanessa Galassi
O Distrito Federal tem mais de 14 mil crianças de 0 a 3 anos na fila de espera por creche. Além disso, crianças de 4 e 5 anos, na pré-escola (quando conseguem vaga), têm como única alternativa salas de aula superlotadas. Pensar saídas ao cenário, considerando crianças como sujeitos de direito, foi tema de reunião pública realizada pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da Câmara Legislativa, nessa terça-feira (25).
Durante a atividade, a diretora do Sinpro Márcia Gilda lembrou que o direito à educação infantil está fundamentado na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (EJA), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no Plano Nacional de Educação (PNE) e no Plano Distrital de Educação (PDE).
“O governo se desobriga a ofertar a educação infantil. Entretanto, além de todas as outras leis, o PDE estabelece a universalização da educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos de idade e ampliação da oferta de educação infantil em creches (0 a 3 anos), de forma a atender no mínimo 60% da população dessa faixa etária. Estamos falando de lei que não foi cumprida. Isso é muito sério”, alerta Márcia Gilda.
Em sua fala, a sindicalista destacou que as principais prejudicadas com a escassez da oferta da educação infantil, além das próprias crianças, são as mulheres, sobretudo as de menor poder aquisitivo, grupo composto majoritariamente por mulheres negras.
Márcia Gilda, diretora do Sinpro/Foto: Deva Garcia
“É urgente que o governo se organize, planeje e execute a construção de novas creches e escolas. Educação infantil deve ser obrigação do Estado”, afirma.
A deficiência na oferta de creches e pré-escolas é comprovada pelo Censo 2023. O levantamento mostra que apenas 44,4% das matrículas para essa etapa de ensino estão na rede pública, sendo transferida para a rede privada a maior demanda.
Para o presidente da CESC, deputado Gabriel Magno (PT), “o GDF viola o direito à educação ao não oferecer vagas suficientes na rede para suprir a demanda”.
Ele ainda ressalta que nos Centros de Ensino de Primeira Infância (CEPIs) e nas creches conveniadas, profissionais apontam dificuldades extremas no dia a dia, devido à falta de quadro, de estrutura e de políticas públicas voltada ao setor. “É urgente pensarmos saídas ao problema e tê-los, de fato, solucionados. Educadores e educadoras não conseguem sair da sala de aula para beber água, para ir ao banheiro. Então, a ampliação da oferta tem que vir junto com a qualidade dessa oferta. Esse é um direito das crianças e das famílias”, pontuou.
Gabriel Magno, deputado distrital pelo PT/ Foto: Deva Garcia
Também participaram da reunião pública na CLDF a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), representante do Movimento Autônomo de Mães (MAMA), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Subsecretaria de Educação Básica do DF e do Fórum de Educação Infantil (FEIDF).
Locais de embarque para a 1ª Conferência dos(as) Aposentados(as)
Jornalista: Vanessa Galassi
Para garantir a participação de todos(as) os(as) inscritos(as) na 1ª Conferência dos(as) Aposentados(as), o Sinpro garantirá saída de ônibus de vários locais do DF (veja lista abaixo). O transporte é gratuito. A atividade será realizada nesta terça e quarta-feira (26 e 27/3), das 8h às 17h.
O Sinpro lembra que não haverá pernoite na chácara. Os ônibus retornarão ao local de embarque tanto na terça quanto na quarta-feira.
O sindicato está tomando todas as providências para evitar a presença dos mosquitos da dengue. Mas cuidado nunca é demais. Leve seu repelente.
Pessoas que necessitam de medicação de uso contínuo precisam levar as dosagens de remédio necessárias para o dia. Não há farmácia perto da Chácara do Sinpro.
Durante a atividade, o Sinpro oferecerá aos(às) participantes café da manhã, almoço e lanche.
Veja os locais e horários de saída dos ônibus para a 1ª Conferência dos(as) Aposentados(as), na terça e quarta-feira (26 e 27/3):
SEDE DO SINPRO (SIG)
Saída às 7h30
PLANALTINA
Saída do CEE 01, às 7h *ônibus passará em Sobradinho
SOBRADINHO
Saída do CEM 01 (Ginásio), às 7h30 *mesmo ônibus dos(as) passageiros(as) de Planaltina
CEILÂNDIA
Saída do estacionamento do BRB, em Ceilândia Centro, às 7h
TAGUATINGA
Saída do estacionamento do Taguaparque, às 7h30
GUARÁ
Saída do GG, às 7h *ônibus passará em Águas Claras
ÁGUAS CLARAS
Saída do metrô – estação Águas Claras, às 7h30 *mesmo ônibus dos(as) passageiros(as) do Guará
Sinpro comemora 45 anos com participação massiva da categoria
Jornalista: Alessandra Terribili
A festa de 45 anos do Sinpro aconteceu no último sábado (23), no pavilhão de exposições do Parque da Cidade, e foi um sucesso! Com shows do grupo Revelação, Zélia Duncan e Olodum, além da apresentação do DJ Chokolaty, professores(as) e orientadores(as) educacionais lotaram o espaço para dançar, confraternizar e celebrar o aniversário do sindicato.
Segundo o coordenador da Secretaria de Cultura do Sinpro, Bernardo Távora, o objetivo da diretoria colegiada foi alcançado: “Queríamos proporcionar um espaço de encontro para nossa categoria, com música boa para ressaltar nossos laços de amizade e fazer uma noite inesquecível!”, diz ele. “Os profissionais do magistério são muito comprometidos com seu trabalho, dedicam-se à educação o ano inteiro, merecem festejar”, completa.
Para Leilane Costa, diretora da Secretaria de Cultura do Sinpro, a comemoração foi energizante: “Tudo foi preparado com muito carinho e amor. E a nossa categoria aproveitou bem, vibrando em energia positiva”, disse ela. “Nossa categoria de luta merece ter momentos de alegria e leveza. E o Sinpro, além de ser um sindicato combativo, também é o sindicato da alegria. Viva o Sinpro!”.
Veja o álbum completo de fotos do evento no facebook, clicando no botão abaixo.
23 de março: Dia Nacional do Piso Salarial do Magistério
Jornalista: Alessandra Terribili
Dia 23 de março é o Dia Nacional do Piso Salarial do Magistério. A data faz referência ao dia em que foi apresentado o projeto de lei que se transformou na Lei do Piso do Magistério (Lei 11.738/08). Mais do que celebrar a conquista, o Dia Nacional do Piso Salarial do Magistério vem para reafirmar a luta para que a lei se cumpra.
Fortalecer a educação pública e garantir sua qualidade passa por, necessariamente, valorizar os profissionais da educação. Entre as estratégias para isso estão planos de carreira consistentes e valorização salarial. A Lei do Piso veio nesta direção, mas ainda é necessário defendê-la para que seja efetivamente cumprida nos estados e cidades brasileiras.
Nessa terça-feira (19), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou mobilizações em todo o Brasil em defesa do cumprimento do Piso Salarial Profissional do Magistério, Carreira e do Ensino Médio.
No DF, professores(as) e orientadores(as) educacionais seguem em luta para que o governo Ibaneis cumpra o Plano Distrital de Educação (PDE), que completa dez anos no ano que vem tendo, ainda, muitas metas descumpridas – entre elas, a meta 17, que equipara o vencimento básico dos profissionais do magistério à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF com nível superior.
Hoje, das 29 carreiras de nível superior do DF, o magistério ocupa o 26º lugar no ranking de remuneração, e penúltimo lugar quando o foco é o valor do vencimento básico.
É por isso que seguimos em luta e nossa campanha salarial está na rua! A assembleia geral realizada na última quarta-feira (20) aprovou a reivindicação de 19,8% rumo à meta 17! Esse é o índice necessário para repor as perdas inflacionárias geradas de janeiro de 2019 a dezembro de 2023.
CLDF realiza sessão solene em homenagem aos 45 anos do Sinpro
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Na noite desta quinta-feira (21/3), o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal foi palco de uma sessão solene em homenagem aos 45 anos do Sinpro. O evento foi convocado pelo deputado Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da Câmara e ex-dirigente do Sinpro.
A homenagem é fruto da importância do Sinpro como representante da carreira de magistério público do DF, que inclui pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais e professores e professoras de educação básica da rede pública de ensino.
Estiveram presentes à solenidade diversos diretores e diversas diretoras do Sinpro, professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais, da ativa ou aposentados(as) e diversas autoridades. Foram entregues moções de louvor a diversos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais com trabalhos pedagógicos de relevo e importância para a sociedade.
Compuseram a mesa, além dos deputados distritais Gabriel Magno e Chico vigilante (PT) e Fábio Feliz (Psol), a diretora do Sinpro Márcia Gilda, a dirigente da confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Rosilene Correa, o diretor de políticas educacionais da UBES, Hugo Leopoldo, a professora aposentada Olga Freitas, o presidente da CUT-DF e ex-dirigente do Sinpro, Rodrigo Rodrigues e a deputada federal Erika Kokay (PT-DF).
Em sua fala, a diretora do Sinpro Márcia Gilda expressa as consequências de um sindicato que defende não só direitos trabalhistas, mas também uma educação laica e de qualidade a todos os cidadãos e todas as cidadãs: “A educação tem uma ferramenta muito poderosa: a de transformar pessoas, pois pessoas transformam vidas. E a educação transformou a minha vida. E a da minha família. Foi na escola que eu aprendi a não aceitar qualquer coisa, a não me sentar em qualquer mesa, e a repudiar. E é por isso que tanta gente combate a educação: escola militarizada gera gente subordinada, que não questiona nada e não busca por uma vida melhor. O Sinpro é a entidade que luta por uma formação crítica dos e das estudantes. (…) Defendemos uma escola pública, laica, antirracista e diversa. (…) Queremos uma escola que luta contra o racismo; precisamos dizer que as famílias têm diversas formações. Nossas crianças precisam respeitar a diversidade que forma a sociedade brasileira. É essa a luta de um sindicato forte como o Sinpro.”
Após a sessão solene, houve um coquetel com bolo no foyer da Câmara Distrital.
Fonte da vida e recurso natural essencial para a sobrevivência humana, animal e vegetal, a água é, também, elemento representativo de valores sociais, culturais e fator de produção de vários bens de consumo final e intermediário. Diante de uma importância tão grande, em 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água, apresentando a necessidade de se debater o que estamos fazendo para preservar este recurso.
A data foi instituída pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. A Organização das Nações Unidas (ONU) pretendia chamar a atenção para a necessidade de preservação desse recurso natural sem o qual não haveria nenhuma vida na Terra.
Trinta e dois anos depois que a data foi instituída e, embora a conscientização da população tenha aumentado – pela maior oferta de informação e pela militância dos grupos de defesa do meio-ambiente -, a destruição da água também aumentou. Em 2021, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou um relatório que aponta que tanto os impactos quanto as causas das mudanças climáticas vão exigir mudanças maiores no uso e no reaproveitamento dos recursos limitados de água do planeta. O relatório pede esforços concentrados em três áreas: 1) capacitar as pessoas a se adaptar aos impactos da mudança climática; 2) aumentar a resiliência dos meios de subsistência; 3) combater os fatores que provocam a mudança climática.
Dados da Unesco revelam que atualmente, 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável e outras 4,2 bilhões – ou 55% da população mundial – não possuem saneamento básico. Além da escassez de água, enfrentamos ainda o problema da poluição causada por atividades humanas. Essas atividades quase sempre são patrocinadas pelas grandes indústrias e pelo agronegócio.
UnB atua com iniciativas educativas pelo direito à água
A Universidade de Brasília (UnB) realiza um projeto de extensão em articulação com os movimentos populares, tanto movimento de trabalhadores com ambientalistas para a questão de enfrentamento social das famílias sem água nas Aris (Área de Relevante Interesse Social), sendo 39 Aris de acordo com o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).
Com importantes temáticas, o programa prioriza a estratégia de comunicação e divulgação sobre a gravidade da emergência sanitária no DF, com diversas localidades sem água potável, um problema sério que se intensificou ainda mais durante a pandemia, atingindo dramaticamente as famílias mais vulneráveis.
Desta forma o projeto pretende dar visibilidade a essas famílias que, segundo o programa Água Legal do DF, existem mais de 200 mil pessoas nas Aris em Estrutural, Por do Sol, Sol Nascente e Ceilândia
Para o Sinpro, é preciso celebrar a água, mas, também, lutar para que este recurso não seja visto como uma mercadoria, mas como algo escasso e finito. É preciso lutar contra a visão redutora do capitalismo e esta luta é dever de cada um de nós. Além da conscientização da população mundial em relação à educação ambiental, atitudes do dia-a-dia fazem a diferença.
Ensino Médio | Câmara aprova substitutivo do União Brasil em aprovação simbólica; texto segue para o Senado
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Em votação simbólica, a Câmara Federal aprovou na noite desta quarta-feira (20/3) o texto de reformulação do Ensino Médio. O substitutivo do relator, o deputado Mendonça Filho (União Brasil/PE), aumentou a carga horária da Formação Geral Básica (FGB) para 2.400h – o que ainda mantém o Brasil como a menor carga horária do mundo para estudantes do ensino médio.
O texto de Mendonça Filho simplesmente ignora todas as consultas públicas realizadas pelo governo para atualização das diretrizes do Ensino Médio. Praticamente a única concessão feita pelo relator (que, não coincidentemente, foi o ministro da Educação de Michel Temer responsável pela aprovação do “Novo” Ensino Médio via medida provisória) foi em relação às 2.400h para a FGB. Mendonça Filho foi indicado relator do texto do Ensino Médio pelo presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira.
O problema, porém, continua sendo a indução privatista da educação profissional técnica (EPT), área prioritária para a expansão do ensino médio nos sistemas estaduais de educação.
De acordo com o professor e pesquisador da USP, Daniel Cara, “nossa prioridade foi alcançada: retomar as 2400 horas de Formação Geral Básica para o ensino propedêutico (“regular”) – responsável pela maioria das matrículas. Essa é nossa luta desde 2017, quando foi aprovada a Reforma do Ensino Médio. Contudo, o acordo afoito de votação resultou na velha dualidadade entre o ensino propedêutico e a educação profissional.”
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) ainda ponta outros problemas no texto aprovado, a começar pelas parcerias público-privadas para a oferta da EPT e do itinerário técnico. O substitutivo manteve essa condição (§ 6º do art. 36), embora aponte para a oferta preferencialmente pública. Trata-se de tema também regulado pelo art. 7º, § 3º, II da Lei 14.113 (FUNDEB), que admite o cômputo de uma segunda matrícula aos estudantes de escolas públicas atendidos concomitantemente por instituições de educação profissional técnica de nível médio dos serviços sociais autônomos (Sistema S).
Em relação à nova regulamentação da EPT, o substitutivo da Câmara prevê maior integração entre a FGB e a parte diversificada do currículo, além de presencialidade dos cursos. Estes ficam vinculados às Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Profissional e Tecnológica, do Conselho Nacional de Educação, e ao Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, nos termos dos dispositivos que regulam essa modalidade de ensino na LDB (arts. 36-A a 36-D), podendo ser ofertados de forma articulada, integrada ou concomitante ao ensino médio. A Lei 13.415 previa a possibilidade de agregar ao currículo do ensino médio cursos de curta duração (Pronatec e outros), sem quaisquer conexões com os sistemas educacionais, e a nova regulamentação aponta para um currículo mais integrado, embora a oferta em outros estabelecimentos de ensino se mantenha presente na legislação.
A luta continua – agora, no Senado
Nos próximos dias, o ensino médio começará a tramitar no Senado Federal, onde os movimentos sociais retomam a negociação para melhorar o texto da Câmara. A batalha segue e a mobilização é imprescindível para avançarmos mais nos direitos da juventude à escola pública, gratuita, democrática e de qualidade social.
A periferia de Brasília é a que mais sofre com o descaso de Ibaneis
Jornalista: Letícia Sallorenzo
A falta de estrutura na educação pública do Distrito Federal é um dos projetos mais sólidos, bem-sucedidos e duradouros do governo Ibaneis Rocha. A superlotação de salas de aula é um dos resultados desse projeto nefasto e demolidor do direito constitucional de educação para todos os cidadãos e todas as cidadãs do Brasil. Mas, dentre todas as regionais de ensino do Distrito Federal, a de São Sebastião é uma das mais problemáticas.
A população da região de São Sebastião cresceu desenfreadamente, e a infraestrutura necessária para o atendimento à população não acompanhou o crescimento. Quem vem pagando caro por essa incompetência da gestão Ibaneis são as crianças em idade escolar. O desmonte vem de longa data, mas pelo menos desde o fim da pandemia que São Sebastião sofre de forma escalar (ou seja, ano após ano, a situação só faz piorar) com o caos no período de matrículas na rede distrital.
A região conta com 28 unidades escolares, sem contar a UISS (Unidade de Integração de São Sebastião). Nas escolas, o número de profissionais em regime de contrato temporário varia de 80% a 100% do total de regentes de classe. Há escolas em que apenas o corpo gestor é de efetivos(as).
Por outro lado, sobram estudantes em São Sebastião. E sobram, mesmo: a lista de espera da regional de ensino é uma das maiores do Distrito Federal: cerca de 200 crianças fora do sistema de matrículas. Se considerarmos a lista de espera de cada uma das 28 escolas locais, esse número tende a ser bem maior – e as aulas já começaram há um mês.
Como bem lembra a diretora do Sinpro Leilane Costa, não há mágica a se fazer: se não há unidades escolares suficientes para toda a população em idade escolar, vai faltar espaço físico para criação de novas salas de aula.
“Falta gestão governamental! O governo Ibaneis já fez um levantamento de quantas crianças são, qual a fase escolar em que elas estão e onde elas moram? Falta planejamento conjunto entre as secretarias de educação, planejamento, saúde, conselho tutelar e administração regional de São Sebastião. Há quatro anos assistimos esse pandemônio no período de matrículas, que só faz piorar, e o governo não parece se preocupar em solucionar o problema”, explica a dirigente.
“A falta de planejamento de gestão sobre os aspectos previsíveis, como crescimento anual de busca por matrícula na rede pública e de aumento populacional, sobretudo nas regiões periféricas, demonstra grande descaso do GDF para com a população, especialmente a mais vulnerável, que tem na escola o principal espaço de desenvolvimento pleno e de possibilidade de superação da pobreza”, analisa Olga Freitas, que é Pedagoga, Doutora em Educação, Mestra em Neurociência do Comportamento, doutoranda em Neurociência Cognitiva, Especialista em Gestão Educacional, em Língua Brasileira e Sinais, em Neuropsicologia e em Neuropsicopedagogia.
As consequências nefastas da negligência deliberada da gestão Ibaneis têm números alarmantes na região de São Sebastião:
– Turmas de alfabetização com 39 crianças, mais do que os 10% da estratégia de matrícula (e quase o dobro do recomendado no Plano Distrital de Ensino)
– Classes especiais de integração inversa de CEIs e Escolas Classe fechadas, e até 4 crianças dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que necessitam de cuidados exclusivos, matriculadas em turmas regulares. A aula não rende para ninguém: nem para a professora, nem para os (as) estudantes.
– Há denúncias de gestor de escola medindo os espaços livres nas salas e informando à CRE, para comprovar se cabem mais alunos ou não naquele espaço.
“A capacidade máxima de uma sala de aula deve prever o espaço mínimo de mobilidade e circulação de 1m a 1,5m para o estudante, e de 2m a 2,5m de área de circulação livre para o(a) professor(a)”, nos informa Olga Freitas.
Resultado? Várias famílias entram com ações na justiça para garantir vagas nas escolas. Mas simplesmente não há mais espaço físico disponível nas escolas da região. “Não vou nem falar do Plano Distrital de Educação. Se considerarmos os números da Estratégia de Matrícula da Secretaria, todas as escolas de São Sebastião ultrapassaram, e muito, a tolerância de 10% a mais de alunos por sala de aula”, explica Leilane.
Soluções?
Em reunião com a diretora do Sinpro Leilane Costa, a Regional de Ensino informou que há medidas sendo tomadas para buscar, de alguma forma, diminuir o caos generalizado na educação em São Sebastião.
Há informações de previsão de construção de quatro unidades escolares, uma para cada fase: Creche (que será a única a atender as regiões de São Sebastião e Jardim Botânico), Escola Classe, Ensino Fundamental e Ensino Médio – e não é em São Sebastião, mas no setor de Jardins Mangueiral. Apenas uma delas, um CED, tem previsão (e não confirmação) de entrega para julho deste ano. Há também duas áreas, no Setor Residencial Oeste, que a Terracap cedeu à Secretaria de Educação, para a construção de uma Escola Classe e um Centro de Ensino Infantil, mas nada foi feito até agora.
A SEE-DF informa que não há previsão de verba na Lei Orçamentária Anual (LOA), de origem distrital. Mas os próprios documentos do processo desmentem a Secretaria: conforme o processo 00080-00187853/2020-19, a verba para construção do CEI seria proveniente do programa Proinfância, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de origem federal.
Enquanto isso, a Escola Classe Morro da Cruz, que também conta com turmas de ensino infantil, está instalada num local improvisado, dividindo espaço com a CRE e o Centro Interescolar de Línguas (CIL) de São Sebastião. Essa unidade está de mudança para um imóvel alugado no bairro Morro da Cruz.
A situação física do CED Zumbi dos Palmares é ainda mais desesperadora: a escola está provisoriamente instalada num prédio particular, onde funcionava uma faculdade particular. O prédio fica no centro da cidade, não tem estacionamento, quadra, pátio ou refeitório. Até o ano passado, as salas não tinham ar-condicionado nem janelas. Este ano receberam ar-condicionado, mas o dono do imóvel alega ter ficado um ano sem receber o pagamento do aluguel do imóvel SEE-DF.
As quatro unidades escolar em construção na região não serão suficientes para atender à demanda, como explica Leilane: “O Jardins Mangueiral é um bairro que foi planejado e construído há mais de 10 anos. Já havia, nesse planejamento, a previsão de escolas. Mas elas ainda não existem, então quem mora na região e está em idade escolar é direcionado ou para São Sebastião ou para o Jardim Botânico. E, uma vez construídas, as escolas já estarão atendendo à população local em quase 100%. Não existe planejamento para a construção de nenhuma escola na região de São Sebastião. Aliás, não existe planejamento nenhum para a educação em São Sebastião”, preocupa-se a dirigente.
“É preciso lembrar que não apenas faltam salas na rede pública, como também as existentes estão, em boa parte, sucateadas, com estrutura imobiliária precarizada, sem a infraestrutura mínima para o alcance da qualidade da educação prevista no PDE”, conta Olga Freitas.
A análise da especialista é ainda mais cirúrgica: “A situação da educação no DF torna-se ainda mais grave e gritante quando nos damos conta de que o Distrito Federal é a unidade da federação que tem o IDH mais elevado do país, e onde, contraditoriamente, também a desigualdade entre pobres e ricos é uma das mais abissais”.