Falta conscientização sobre a importância da Coordenação Pedagógica

“A Coordenação Pedagógica é imprescindível, uma vez que reflete diretamente no desenvolvimento do trabalho realizado em sala de aula”. Esta é a opinião da professora e supervisora pedagógica Nair de Felice Jardim Rodrigues, do alto dos seus 25 anos de experiência no Magistério.

A supervisora, que atua na Escola Classe 05 do Guará, considera como falha a falta de conscientização da utilização adequada desse tempo disponível na carga horária semanal. “Em muitas situações, os professores da mesma série/área não conseguem estar juntos para uma coordenação conjunta e para troca de experiências”, diz Nair Rodrigues.

Entre os problemas enfrentados nas escolas, a supervisora aponta as constantes substituições. Segundo ela, devido a este problema os coordenadores, muitas vezes, não conseguem desenvolver um bom trabalho coletivo. “Em várias situações os coordenadores encontram resistência por parte dos professores em aceitar sugestões de atividades, projetos, etc”, diz Nair Rodrigues.

De acordo com a supervisora, um grande avanço da coordenação Pedagógica foi a disponibilidade de ter esse tempo destinado, não só para um bom planejamento, mas também para troca de experiências e para formação continuada em serviço.

Nair Rodrigues considera que para se aprimorar a Coordenação deveria ser criado um banco de reserva de professor substituto imediato, para atender, por exemplo, os casos de atestado médico de comparecimento no horário de regência, abonos e faltas com justificativas tardias. “Os professores que ocupam esse cargo, devem ser pessoas comprometidas com o trabalho a ser desenvolvido ao longo do ano. Ou seja, que não bloqueiem a vaga somente para permanecer na escola ou por convicção pessoal”, conclui a supervisora

Nome: Nair de Felice Jardim Rodrigues

Escola: Escola Classe 05 do Guará

Experiência: 25 anos de magistério na SEDF, sendo 21 anos em sala de aula, 01 ano na Coordenação e 03 anos na Supervisão Pedagógica.

Ciclos e Semestralidade no Contexto da Gestão Democrática

Jairo Mendonça[i]

A Escola pública do DF, ao longo dos últimos governos tem passado por diferentes experiências de modelos de gestão bem como a forma de escolha de seus gestores e conselhos escolares, evidentemente, experiências estas, reflexo de um projeto político pedagógico específico, norteador da formação de homem e de sociedade ideais, segundo cada concepção.
Nesse sentido, quando discutimos educação estamos também discutindo concepções distintas de homem e de sociedade, na esteira do que Paulo Freire classificou com não neutra (a educação), e o entendimento desse processo como político-pedagógico tem nos levado a defender cada vez mais o exercício dos princípios da democracia e do estado laico dentro das escolas públicas do DF como lócus privilegiado da construção da sociedade ideal, quer seja, com sujeitos participativos, plurais, autônomos, transparentes, zelosos das relações pedagógicas e de trabalho num ambiente seguro e propício ao aprendizado e à construção do conhecimento.[ii]
O debate colocado sobre a reorganização dos tempos e espaços pedagógicos em Ciclos de aprendizagem (ensino fundamental) e Semestralidade (ensino médio) inicialmente, pela Secretaria de Educação sem a devida discussão com a comunidade escolar suscitou uma série de outras questões inerentes e urgentes ao contexto da educação pública no DF.
É sabido que a transição de uma proposta pedagógica inovadora do caderno de teses para a sua concreta e efetiva implementação necessita de uma série de condicionantes como por exemplo, as condições ideais de estrutura física, formação e investimentos para que alcance os objetivos propostos e é exatamente essa, a contradição que queremos apontar, como entidade sindical que tem sua trajetória marcada pelo compromisso com a educação pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada.
Para que tal proposta seja implementada com sucesso é imperioso que assegure-se às unidades escolares o princípio da autonomia (art. 2º, inciso III da Lei da Gestão Democrática), ou seja, que se dê por adesão da comunidade escolar imbuída da certeza de que trará benefícios e avanços no processo ensino-aprendizagem de sua escola.
A outra questão estabelece diálogo direto com nossa histórica pauta de reivindicações. Itens como a redução do número de alunos por sala de aula; aparelhamento e garantia de profissionais qualificados nos laboratórios, bibliotecas e salas de leitura; ampliação das equipes de atendimento bem como de orientadores e orientadoras educacionais entre outros que julgamos fundamentais para a garantia do direito do/a educando/a as aprendizagens significativas.
Para além da eleição para escolha da direção e dos conselhos escolares avançamos para a democratização de todo o sistema de ensino garantindo representação nos órgãos colegiados de todos os segmentos da comunidade escolar. Nesse contexto, qualquer política educacional só será possível quando esta for elaborada, discutida e avaliada pelos e com os sujeitos da comunidade educativa, conferindo ao processo caráter democrático, autônomo e participativo, condição fundamental para sua transformação em política de estado para além de política de governo.
Também a implementação exitosa da referida proposta passa, necessariamente, pela discussão do currículo, de sua organização e sistematização numa visão realmente formadora do ser humano integral e não apenas força executora do mercado de trabalho. Quanto mais formos capazes, enquanto movimentos sociais organizados e poderes instituídos, de travarmos o diálogo e o envolvimento na discussão do quê ensinar? E para quê ensinar? Muito mais avançaremos no combate as construções educacionais criadas pelo liberalismo e Neoliberalismo que precarizam e proletarizam a profissão do educador/a e reduzem o/a educando/a a mera engrenagem do mundo capitalista globalizado.
Se quisermos romper de fato com os velhos paradigmas da escola meritocrática e excludente e avançar para uma nova forma de organização curricular e pedagógica temos que criar as condições e investimentos necessários no que identificamos pelo tripé Salário, Carreira e Formação dos/das profissionais do Magistério público bem como das ideais condições de trabalho.
Esse é o desafio que está posto aos executivos da educação no DF, no momento em que urge a construção do Plano Distrital de Educação já debatido em nosso último congresso.
 


[i] Professor da SEDF, Músico e Diretor do Sinpro/DF
[ii] Princípios e Finalidades da Gestão Democrática contidos na lei 4.751, de 07 de Fevereiro de 2012.

Trabalho direto com a organização da escola

As funções de um coordenador pedagógico vão, muitas vezes, muito além da organização pedagógica e o elo com todos os segmentos da comunidade escolar. Segundo a coordenadora Liene Bastos Barbosa Rodrigues, em muitos casos o profissional da área acaba atendendo pais, alunos e auxiliando a direção da escola em funções administrativas. “O coordenador tem a função de ser um elo entre o professor e a direção da escola. Mas às vezes temos que nos desdobrar com a organização de projetos, provas e fazendo funções administrativas”, comenta a coordenadora do Centro Educacional 15 de Ceilândia.

Apesar do desgaste, Liene diz que a possibilidade de trabalhar diretamente com os alunos é gratificante. “Dentre as funções que desempenhamos, a organização da parte pedagógica é muito gratificante. Durante a realização de projetos como a Semana Cultural, a Feira de Ciências e a Feira Cultural, ficamos mais próximos dos alunos, conhecemos suas dificuldades e temos a oportunidade de ajuda-los. Quando estes projetos terminam percebemos que pudemos contribuir com carinho e atenção”, salienta Liene.
Para o futuro a coordenadora sinaliza que dentre os projetos está a criação de um cursinho preparatório para o Enem. “Este é um dos projetos que temos para o futuro, como uma forma de ajudar os alunos ao Enem e PAS”, sinaliza Liene, complementando que também é preciso analisar o excesso de trabalho que o coordenador pedagógico tem. “A função do coordenador é trabalhar com o pedagógico, e esperamos que no futuro tenhamos mais tempo de lidar com o lado pedagógico”, finaliza.
 
Liene Bastos Barbosa Rodrigues
CED 15 de Ceilândia
Há 6 anos como coordenadora

Coordenação pedagógica: um elo com a educação

O coordenador pedagógico tem uma importante função dentro da escola, já que cabe a ele identificar as necessidades dos(as) professores(as) e com eles(as) encontrar soluções que priorizem um trabalho educacional de qualidade. Responsável pela condução dos trabalhos pedagógicos, que vão desde a organização do calendário de provas a discussão interdisciplinar, o coordenador é um elo com a educação. “Se você tenta construir uma educação dentro de uma perspectiva interdisciplinar, precisa de um elo. Este elo é o coordenador pedagógico, que faz o link entre a ciência exata e a humana, por exemplo”, explica o professor Olímpio Sabino Lourenço, do Centro de Ensino Médio 02 do Gama.
Olímpio comenta que as principais dificuldades do segmento estão na compreensão das pessoas a respeito da coordenação. “As pessoas foram formadas dentro de uma lógica disciplinar e a dificuldade é garantir um diálogo dentro das diferentes áreas”, analisa o professor, ressaltando que o número de profissionais da área poderia aumentar, fato que melhoraria ainda mais o rendimento da escola.
“A coordenação pedagógica é importante desde que vire um momento de estudo do professor e não somente um momento pedagógico. É necessário transformar a coordenação em um momento de formação do professor, também”, finaliza.
Olímpio Sabino Lourenço
CEM 02 do Gama

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA

http://3.16.59.70/wp-content/uploads/2014/01/PPP-segundo-Ilma-Passos.pdf

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