CONDENADOS | Uma decisão inédita condenou quatro militantes do MST por formarem uma ‘organização criminosa’

EM 2016, o acampamento Leonir Orbak, em Santa Helena de Goiás, interior do estado, era um terreno fértil em meio à aridez dos imensos canaviais da região. Ocupada pelo MST, parte da área era tomada por uma extensa lavoura de milho orgânico – que, nos tempos áureos, serviu de matéria-prima para mais de 20 mil pamonhas distribuídas em uma festa do movimento. Em março daquele ano, porém, a lavoura foi destruída.

Dezenas de agricultores assistiram, estarrecidos, a um trator despejando glifosato, um tóxico herbicida, que desfolhou a plantação de milho. Abalados, perseguiram o pulverizador com carros e motos até cercá-lo. Após tirarem o motorista de dentro dele, incendiaram o veículo, avaliado pelo proprietário em R$ 300 mil.

A destruição do pulverizador foi uma das bases da primeira condenação do MST como uma organização criminosa no país.

Visitei o acampamento Leonir Orbak em dezembro. A paisagem contrasta com os arredores. O assentamento abriga dezenas de cultivos diferentes – para os agricultores, plantar é uma das maneiras para manter a calma em um tempo de incertezas.

Em outubro do ano passado, o juiz Thiago Boghi condenou quatro militantes do MST por formar uma organização criminosa: Borges, Luis Valdir Misneroviz e outros dois, hoje foragidos. Num país onde o presidente diz que pretende acabar com todos os ativismos, a decisão parece o prenúncio dos novos tempos.

Foi a primeira vez em que a lei, sancionada em 2013 por Dilma Rousseff logo após os protestos de junho, foi usada para enquadrar militantes do movimento. Na época, o objetivo da presidente era combater organizações criminosas. Cinco anos depois – confirmando os alertas dos ativistas – a lei ganhou um novo alvo.

Viajamos até Goiás para entender como esse processo judicial se desenrolou e quais foram as suas consequências. Essa decisão envolve uma empresa que deve mais de R$ 1 bilhão ao governo federal, acusações do Ministério Público embasadas em citações da Wikipédia, um trator incendiado por agricultores revoltados e um juiz que citou Jair Bolsonaro para lastrear uma decisão.

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Plantar é a maneira de se preparar para o que virá. Essa é a plantação de milho que substituiu a que foi destruída.

Foto: Piero Locatelli

Um terreno e uma dívida de R$ 1,2 bilhão

Para entender tudo o que aconteceu, o primeiro passo é conhecer o grupo Naoum, antigo dono de diversas usinas de cana, inclusive do terreno que gerou a condenação.

Desde que entrou em recuperação judicial, em 2008, o Naoum se transformou em uma das maiores devedoras do governo federal. Hoje, deve uma sopa de letrinhas que inclui PIS/Cofins, FGTS, INSS e IPI, além de outros impostos e contribuições. A empresa, no total, tem uma dívida de R$ 1,2 bilhão com o governo, de acordo com os cálculos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o órgão do Ministério da Fazenda responsável por cobrar quem deve ao governo.

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A empresa também deu calote em mais gente, inclusive seus trabalhadores, e foi condenada por apropriação indébita. Ainda responde processo por crime ambiental e milhares de reclamações trabalhistas.

Ao saber de parte dessa dívida, o MST decidiu ocupar o terreno da Naoum em Santa Helena de Goiás. Para a organização, já que os valores devidos pela empresa são maiores do que o valor da terra, o governo federal poderia tomar a área e destiná-la à reforma agrária. Desde 2014, o Incra pode criar assentamentos dessa forma, graças a um acordo entre a Advocacia Geral da União e o finado Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O MST argumenta que é o seu direito ocupar a terra.

Isso quase aconteceu com a terra da Santa Helena. Por um curto período de tempo, ela foi para as mãos do governo federal, quando a justiça de Anápolis determinou que a terra era da União. Mas outro juiz cancelou a decisão e, hoje, a terra é propriedade da empresa.

O MST argumenta que é o seu direito ocupar a terra. Diz que seu objetivo não é roubá-la, mas pressionar para que a justiça e o Incra façam aquilo que já está previsto na lei. “A pressão política causada pelas ocupações é a forma de participação popular do movimento social, e o protesto é a expressão do direito de cidadania, de manifestação do MST”, diz o movimento em sua defesa.

Já o juiz Thiago Brandão Boghi entendeu que a ocupação é, na verdade, um “esbulho possessório” – o nome pomposo para tirar alguma coisa de alguém. Para o juiz, os militantes “uniram esforços com intuito de tomarem para si propriedade alheia e utilizar dela como se sua fosse”.

Por isso, o movimento decidiu manter o acampamento em Santa Helena mesmo após reintegrações de posse. As famílias passaram a ocupar lugares diferentes dentro da fazenda, como costuma ocorrer no movimento. A vida dos agricultores seguiu normal: o MST chegou a plantar milho orgânico na fazenda e, nos tempos áureos, distribuiu mais de 35 mil pamonhas aos moradores da região – um recorde dentro do movimento, contam.

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Com um caderno na mão, a militante conhecida como “vó” toma conta da plantação comunitária.

Foto: Piero Locatelli

Uma caminhonete, um trator e um canivete

A rotina no acampamento foi interrompida na última reintegração de posse do terreno, marcada pela justiça no dia 16 de março de 2016. As relações do MST com a polícia local costumavam ser amigáveis, e os acordos para aquela quarta-feira não foram diferentes. O movimento combinou de desocupar a fazenda desde que a plantação fosse mantida.

Deu tudo errado.

“Nós falamos para eles: ‘nós sai, mas nós volta para colher’. Aí antes da gente sair da área, o lazarento do Toninho montou uma arapuca para nós”, diz um militante que, por razões de segurança, não será identificado.

O “lazarento do Toninho” é quem toma conta da terra da empresa no dia a dia, o agricultor Márcio Antônio de Oliveira. É ele quem move os processos pela empresa no local, alegando que é o dono da terra.

A confusão começou quando alguns barracos pegaram fogo. Até hoje, o MST e Toninho empurram a responsabilidade de um ao outro pelo incêndio, que fez todo mundo por ali ficar ainda mais nervoso.

Sobrou para um motorista contratado pelo fazendeiro, que estava recolhendo as placas com os nomes dos militantes do MST que dividiam as plantações. Ele foi liberado em seguida, enquanto a sua caminhonete permaneceu com os acampados. No final do dia, o veículo estava na mão do seu dono novamente. Parece um detalhe, mas a caminhonete se tornou o ponto central na condenação de Borges: para a acusação, o militante roubou o veículo do motorista.

‘O bicho veio quase capotando, e a gente atrás. Quando ele chegou na descida, nós pegamos ele.’

Mas o pior ainda estava por vir. Militantes do MST contam que viram um trator de Toninho de longe, jogando glifosato sobre a plantação de milho. O agrotóxico, extremamente venenoso, é usado para matar ervas daninhas. A acusação diz que não havia plantação nenhuma. Os dois lados, no entanto, concordam sobre o que aconteceu depois: revoltados com a destruição de sua lavoura orgânica, os militantes incendiaram o trator.

“Não deu nem tempo dele fechar aqueles braços, o bicho veio quase capotando, e a gente atrás. Quando ele chegou na descida, nós pegamos ele”, lembra um agricultor envolvido.

Para os acusadores, a ação foi premeditada. Para a defesa, foi um ato espontâneo, justificado pela indignação das famílias que iam perder a sua terra. Essa tese também é defendida pelo coronel Mota, antigo comandante da Polícia Militar na região e testemunha de defesa do MST.

José Valdir Misnerovicz e Luis Batista Borges.Inquérito policial da Polícia civil de Goiás.

No seu depoimento, ele disse que não acredita que alguém tinha domínio sobre o que aconteceu naquele dia. “Ali são pessoas que muitas vezes perderam os valores pela miséria e muitas vezes eles nunca foram alcançados pelo poder público. Então, são pessoas um tanto quanto revoltadas,” disse o PM no seu depoimento.

O Ministério Público, no entanto, defendeu a tese de que o MST é extremamente organizado e de que a ação foi comandada. A referência para a acusação foi a própria página do movimento na Wikipedia. “Obviamente, por ser [um movimento] organizado, há determinações que partem dos líderes para serem observadas e cumpridas pelos demais. Se não houvesse tal hierarquia, não se trataria de uma organização, mas de um movimento totalmente caótico, que jamais conseguiria atingir seus objetivos”, disse o MP na ação.

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VALDIR MISNEROVICZ cuidava da sua roça orgânica em Goiânia quando recebeu uma ligação dizendo que o acordo para desocupar a área pacificamente tinha dado problema. Surpreso, foi tentar entender o que acontecia e falar com os militantes.

Ele havia sido o porta-voz do movimento nas negociações com a empresa nas reuniões dos dias anteriores. No acampamento, Misnerovicz tinha estado quatro vezes para visitas pontuais. Embora seja membro do MST há duas décadas, ele nega ser uma liderança do movimento na região.

Não foi o que disse o MP. Por causa da teoria do domínio do fato, segundo a qual um comandante de um crime deve responder como se fosse seu autor, Misnerovicz foi acusado meses depois de ter comandado a ação. A teoria foi a mesma usada pelo Supremo Tribunal Federal para condenar José Dirceu no caso do Mensalão do PT.

Armado com um canivete

Quando se sentou para conversar comigo, Luis Batista Borges limpava seus dedos com um canivete. O pedreiro carrega o instrumento para qualquer lugar que vá desde criança. Ele é analfabeto e sabe que não há nada de ilegal em se portar um canivete – pelo menos na teoria. O artefato de estimação é uma “arma branca” citada na sua condenação.

Borges, Misnerovicz e os outros dois militantes tiveram a prisão preventiva decretada a pedido do Ministério Público. Borges se apresentou à polícia, e Misnerovicz foi preso pouco mais de um mês depois, em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. Os outros dois estão foragidos até hoje.

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Borges não tira o canivete do bolso. Para o juiz, foi uma arma branca que agravou a sua pena.

Foto: Piero Locatelli

Durante o tempo em que esteve na cadeia, Borges perdeu o pai. Também se sentiu deprimido e tentou se matar. Com a repercussão da sua condenação, começou a receber visitas de políticos na prisão, como a deputada estadual Isaura Lemos, do PCdoB, o que incomodava os outros presos no local. Teve que pedir ao movimento que as visitas parassem, para que ele não tivesse problemas lá dentro.

Os dois militantes conseguiram sair da prisão temporariamente, mas acabaram condenados em primeira instância pelo juiz Thiago Boghi. Agora, aguardam o julgamento de novos recursos em liberdade. Misnerovicz foi sentenciado a seis anos e cinco meses em regime fechado. Borges foi condenado por roubo, com oito anos e oito meses, e por integrar a organização criminosa, com cinco anos e seis meses. O canivete que carrega para limpar as unhas foi uma das provas.

Desmobilização

Enquanto os condenados aguardam o desenrolar jurídico, o acampamento se esvazia. “Daqui até a cidade dá cinco quilômetros, aqui era para estar apertado, cheio de gente”, lamenta um militante no local. “Mas aqui nós já colocamos fogo, teve três ônibus de gente detida, dois presos, dois foragidos, sete condenados a um salário mínimo. E não tinha ninguém ganhando terra nessa ocupação! Como é que o povo vai voltar?”

Condenações judiciais são uma estratégia eficiente para desmobilizar completamente um movimento, o que parece ter acontecido por ali. Nos tempos áureos, famílias faziam fila desde as 4h da manhã para se inscrever no acampamento. Hoje, há só três ou quatro inscrições por semana, e 300 famílias ocupam o local, onde já viveram mais de 3 mil.

Quando visitei o acampamento, numa sexta-feira à tarde, estava ainda mais vazio. Os sem-terra me explicaram que muitos fazem bicos na cidade para tentar se manter, e por isso a ocupação é maior no final de semana.

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A rotina no acampamento segue pacata. Essa é a igreja que atende tanto evangélicos quanto católicos.

Foto: Piero Locatelli

APESAR DAS POUCAS PESSOAS, o local ainda é varrido por roças de dezenas de culturas. De variedades criolas de maracujá até a criação de porcos, há uma produção bastante diversa por ali. Um contraste com o resto daquela região, onde um mar de cana domina a paisagem.

Os agricultores plantam para manter o seu cotidiano em tempos de Jair Bolsonaro, um presidente que, em sua primeira entrevista, disse que “não tem conversa”, com o MST. Em sua primeira semana de governo, Bolsonaro chegou a pedir que todo o processo de reforma agrária fosse interrompido, mas, como é de costume em sua gestão, recuou da decisão no mesmo dia. A relação do governo com o movimento, no entanto, é extremamente hostil. Luiz Antônio Nabhan Garcia, ruralista e secretário de assuntos fundiários, já disse até que quer fechar as escolinhas do MST, classificadas por ele como “fabriquinhas de ditadores”.

No acampamento em Santa Helena, o clima é de incerteza. Eles sabem que podem ser retirados daquela terra em breve, mas ainda fazem planos de longo prazo com a plantação.

Se depender da justiça local, as palavras do presidente devem ecoar nas decisões. Alinhado com o espírito do tempo, Thiago Brandão Boghi citou o então candidato como se fosse um jurista. “Parafraseando o presidenciável Jair Bolsonaro, era só o apenado não roubar, que não iria para o presídio”, diz outra de suas decisões.

Luís Borges diz que não roubou, mas foi preso. Na periferia de uma cidade próxima, Rio Verde, ele aguarda o julgamento dos seus recursos. Calmo, ele conta a sua história sem problemas. E só mostra indignação ao lembrar que a empresa, devedora, continua com sua terra.

“Todos nós aqui nessa terra somos errados de alguma forma. Eu não tenho revolta de ter sido preso, da justiça condenar a mim. Eu tenho, sim, da justiça não ter olhado pelo lado certo, o lado do fraco. Será que ela tá falando a verdade, ou é nós que está mentindo?”

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Ministério da Educação muda critério para eleição de reitores de universidades federais

Mudanças desconsideram regimentos internos das universidades e criam modelo de escolha único

Ministério da Educação lançou, no dia 10, uma nota técnica sobre lista tríplice das universidades federais (IFES), modificando o critério para nomeação de reitores pelo Presidente da República. Com a medida, regimentos internos das instituições não serão considerados para escolha. Processos acumulados em diversas instituições de ensino como eleições paritárias, universais e consultas informais à comunidade acadêmica passam a ser desconsiderados. Além disso, parte importante dos professores, assim como todos os técnicos-administrativos e estudantes, estarão impedidos de se candidatar.

Entre as mudanças estão os critérios para ocupação da vaga. Apenas docentes integrantes da Carreira de Magistério Superior e ocupantes dos cargos de professor titular e professor associado 4, ou que sejam portadores do título de doutor poderão concorrer. Dessa forma, parte importantes dos docentes ficarão de fora.

Outra modificação diz respeito ao peso dos professores na votação, o que passa por cima da autonomia das universidades em decidir sua forma de decisão, por exemplo, por participação paritária entre toda a comunidade acadêmica.

Diversas instituições de ensino do país elegem o representante máximo da reitoria com votações, ou ao menos a partir de consultas informais com o mesmo peso entre as partes integrantes, como professores, técnicos administrativos em educação, estudantes de pós-graduação, de graduação e do Colégio de Aplicação, por exemplo. As escolhas, em seguida, são referendadas no Conselho Universitário. A prática, fruto de reivindicações históricas nas universidades e do entendimento de que tanto docentes, quanto técnicos e estudantes são parte fundamental, e portanto, afetada pelas decisões e políticas das universidades, não terão mais validade.

A partir da nota técnica, essas instituições seriam obrigadas a mudar sua forma de votação, passando a vigorar, na eleição, o peso de 70% apenas para professores, em relação às outras categorias. “Votação paritária, ou que adote peso de docentes diferente de 70% será tida como ilegal”, diz a nota. Caso a universidade resolva manter tal prática no regimento interno, tanto a eleição, como todos os atos dela decorrentes serão anulados. Em seguida, dois procedimentos seriam tomados, conforme grifo abaixo:

Segundo a nota do Ministério da Educação, conforme a Lei nº 5.540/1968 e o decreto nº 1916/1996 , não há diferenças entre consultas formais, ou informais. Portanto, também terão que estar submetidos às regras acima expostas.

A nota técnica da lista tríplice 2018 ainda é enfática sobre alguns tipos de eleição que não atendem aos requisitos de votação para apenas um nome, conforme previsto em nova regra, e de escrutínio único, como:

1 – realizar votação pela homologação ou não do resultado de consulta à comunidade universitária

2 – realizar seguidas votações independentes entre si para escolher nomes que poderiam figurar em primeiro, segundo e terceiro lugares da lista

3 – indicar por aclamação todos ou qualquer um dos nomes que comporão a lista tríplice

4 – realizar primeira votação (1º turno) para escolha de reduzido número de candidatos que posteriormente participarão de escolha definitiva para composição da lista tríplice (2º turno).

Como funciona hoje

A eleição de reitores é consulta à comunidade acadêmica executada por uma Comissão Eleitoral. Esta comissão, em algumas universidades, é formada por representantes das diferentes categorias, como o sindicato dos professores, o ANDES, a Associação dos Pós-Graduandos da Universidade, representante do Diretório Central dos Estudantes e sindicato dos técnicos-administrativos em educação.

Após a consulta, o Conselho Universitário elabora a lista tríplice, uma lista com três nomes, que é encaminhada para o Ministério da Educação (MEC). O MEC, encarregado de indicar o novo reitor, em respeito à autonomia universitária procura indicar o vencedor da consulta. Apenas em casos excepcionais, como na década de 90, na UFRJ, o terceiro colocado foi indicado por decisão do Ministro à época.

As votações, por sua vez, seguem alguns modelos, de acordo com regimento interno da universidade. O mais comum é o paritário, onde cada categoria possui 33,3% do total de votos, independente do número absoluto de pessoas de cada categoria. Há também o modelo universal. Neste caso, todos os votos, independente do setor da universidade ao qual pertença, são computados. Ainda, modelos em que votos externos, da população, também são validados, por entender as universidades fruto dos impostos da sociedade e a serviço dela. O peso escolhido no modelo anunciado pelo MEC figura hoje em uma minoria de universidades, com proporção de 70% para professores e 30% entre estudantes e técnicos.

Por uma ampla campanha contra a nota técnica de lista tríplice 2018


A nota técnica divulgada pelo Ministério da Educação tem o objetivo claro de passar por cima dos regimentos internos das universidades e das decisões democráticas que respeitam a vontade de comunidade acadêmica. Fere a a autonomia universitária com o objetivo de tentar mudar o perfil das reitorias, para conseguir, mais facilmente implementar os ataques previstos à educação pública no próximo governo. É fundamental que as entidades dos trabalhadores da Educação realizem uma ampla campanha contra essa nota técnica, contra essa orientação.

Foto: Divulgação
Fonte: Esquerda Online

Governo Bolsonaro muda edital e passa a permitir erros e propagandas em livros didáticos

O governo de Jair Bolsonaro mudou em 2 janeiro o edital para os livros didáticos que serão entregues em 2020. Não será mais necessário que os materiais tenham referências bibliográficas. Também foi retirado o item que impedia publicidade e erros de revisão e impressão.

O Ministério da Educação (MEC) compra livros didáticos para todas as escolas públicas do País, o que garante o faturamento de muitas editoras. São comprados cerca de 150 milhões de livros por ano, com custo de R$ 1 bilhão. As mudanças foram feitas no programa cujos livros serão comprados para o ensino fundamental 2 (6º a 9º ano).

Os livros, no entanto, já foram enviados em novembro ao MEC para avaliação. Agora, editoras temem que seus livros sejam reprovados. Fontes do setor ouvidas pelo Estado temem materiais de baixa qualidade sejam aprovados. O processo de avaliação dos livros se dará ao longo do primeiro semestre e as empresas serão comunicadas se seus livros serão ou não comprados pelo governo federal.

O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) foi se tornando, ao longo dos anos, muito rígido na escolha dos livros, o que era elogiado no meio. Por exemplo, materiais que tivessem erros em mais de 10% das páginas eram desclassificados. Agora, na parte que se refere à “adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico” o item L que dizia que a obra deveria “estar isenta de erros de revisão e /ou impressão” foi retirado.
A não exigência também abre espaço para conteúdos que não sejam baseados em pesquisas, já que não há necessidade de citação da origem do conteúdo.

O item sobre propagandas retirado do edital mencionava que as obras não podiam ter “publicidade, de marcas, produtos ou serviços comerciais”. Dessa maneira, não era permitido incluir ilustrações, mesmo que para análise de texto, por exemplo, de um anúncio publicitário verdadeiro.

Também foi retirada a exigência de que as ilustrações retratem “adequadamente a diversidade étnica da população brasileira, a pluralidade social e cultural do país”. Ou seja, as figuras presentes nos livros didáticos não precisariam mais, por exemplo, mostrar negros, brancos e índios. Um livro com apenas ilustrações com crianças brancas seria aprovado.

Antes da posse da Bolsonaro, editoras já manifestavam receio com a política que viria com relação aos livros didáticos. Isso porque o general Aléssio Ribeiro Souto, que fazia parte do grupo que discutia educação no futuro governo, disse em entrevista ao Estado, que era “muito forte a ideia” de se fazer ampla revisão das bibliografias para evitar que crianças sejam expostas a ideologias e conteúdo impróprio. Afirmou ainda que os professores deveriam contar a “verdade” sobre o “regime de 1964”.

Fontes do setor acreditam que a medida pode trazer também insegurança jurídica. Isso porque a mudança foi feita com o processo em andamento. Uma editora que não havia apresentado seu livro ao MEC por não estar de acordo com o edital anterior pode agora entrar na Justiça e pedir para ser aceita. Outras que se esforçaram para se adequar às exigências de qualidade também podem questionar o processo.

Com informações do site estadão.com

Projeto escolar Selfie Pedagógica é pauta do Programa Alternativo deste sábado (29)

O projeto Selfie Pedagógica, desenvolvido por estudantes do Centro Educacional são Francisco, em São Sebastião, será o destaque do Programa Alternativo deste sábado (29).

O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, às 12h30, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal. Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas. As pautas podem ser mandadas para o e-mail faleconoscoimprensa@sinprodf.org.br.

O legado de Chico Mendes 30 anos depois de sua morte

Em 22 de dezembro de 1988, sete dias depois de completar 44 anos, o seringueiro e ativista ambiental Chico Mendes foi assassinado por um tiro de escopeta em frente à sua casa, na cidade de Xapuri, no Acre.
Naquele dia, o ativista estava acompanhado por dois policiais responsáveis por sua segurança — que, de dentro de casa, não conseguiram evitar o crime. Ameaçado meses antes, Mendes foi morto pelo fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, que planejavam transformar numa grande propriedade o território que o ativista defendia. Nascido num seringal no Acre, Chico Mendes era seringueiro desde os 12 anos e, nos anos 1970, chamou a atenção de fazendeiros por sua atuação no sindicalismo e por liderar manifestações pela preservação da Amazônia — em um momento em que, a fim de se expandir a agropecuária, o desmatamento começava a avançar na floresta.
Quem foi Chico Mendes
Criado em família de seringueiros, Chico Mendes começou a trabalhar para substituir o pai no sustento da casa. Segundo relatos, ele era bom na lida com o látex das árvores e chegou a ser premiado o seringueiro mais produtivo no lugar onde vivia. Insatisfeito com as condições de trabalho — marcadas, segundo ele, pela exploração de grandes proprietários —, iniciou a vida sindical em 1975. Dois anos depois, fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.
Em 1985, liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, no qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros, principal referência da categoria. Do encontro também saiu a ideia de “União dos Povos da Floresta”, que deveria unir interesses comuns de quem vivia na região amazônica.
Como sindicalista, Mendes passou a organizar manifestações de seringueiros para impedir o desmatamento, que afetava seus modos de vida. Uma de suas táticas de ação ficou conhecida como “empate”, forma de manifestação em que seringueiros se colocavam à frente de uma área a ser devastada. Como contraproposta, ele defendia a criação de reservas extrativistas, áreas protegidas e utilizadas de forma sustentável para o trabalho dos povos da floresta. Diz-se que Chico Mendes foi um dos precursores do ambientalismo no Brasil e da ideia de direitos socioambientais — que relacionam a proteção ambiental com o bem-estar da sociedade.
Em 1977, ele recebeu o Prêmio Global de Preservação Ambiental da ONU (Organização das Nações Unidas). Observado por ativistas e conhecido por sua liderança local, sobretudo por extrativistas, indígenas e outras populações da floresta, Mendes lançou-se à carreira política em 1977, quando foi eleito vereador em Xapuri pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Dois anos depois, usou o mandato para promover um foro de debate entre lideranças sindicais, populares e religiosas na câmara municipal. Foi acusado de subversão pela ditadura militar (1964-1985) e teve problemas no próprio partido, que não tinha em sua agenda a causa ambiental.
Em 1980, participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) e chegou a se candidatar a deputado duas vezes, mas não se elegeu. Depois, chegou a participar de debates da Assembleia Nacional Constituinte referentes ao meio ambiente, junto com outros militantes. Uma de suas companheiras na época foi a política e ex-ministra Marina Silva.A morte de Chico Mendes, cujos executores acreditavam ser “uma pessoa qualquer”, segundo uma testemunha do crime, lançou o nome do seringueiro ao conhecimento nacional. Seu ativismo foi incorporado por figuras públicas como Marina Silva e reconhecido com a popularização da agenda socioambiental, que viria décadas depois. Um de seus principais legados são a criação das reservas extrativistas e de outras categorias de Unidades de Conservação, territórios “com características naturais relevantes” de responsabilidade do poder público e administrados pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente fundada em 2007.
Atualmente, as UCs ocupam 18% do território brasileiro, e 73% de sua área está na floresta amazônica. Apesar de avanços, 30 depois da morte de Chico Mendes o Brasil não superou problemas como a violência contra ativistas ambientais e o caráter predatório do desmatamento, que, depois de quase dez anos de declínio, suprimiu 7.900 km² da floresta amazônica neste ano. O extrativismo também não tem sido a principal atividade econômica na Reserva Extrativista Chico Mendes, nos limites de Xapuri, onde a renda tem sido mais fácil com a criação de gado, segundo moradores disseram à Folha de S.Paulo. Para defensores do modelo, a ideia de Chico Mendes ainda é uma das melhores formas de proteger a floresta.
Fonte: Jornal Nexo

Projeto Sarau dá a voz é pauta do Programa Alternativo deste sábado (22)

O projeto Sarau dá a voz, desenvolvido por estudantes da Unidade de Internação de Santa Maria, será o destaque do Programa Alternativo deste sábado (22).

O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, ao 12h30, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal. Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas. As pautas podem ser mandadas para o e-mail faleconoscoimprensa@sinprodf.org.br.

ARTIGO | Chico Mendes 30 anos: uma memória a honrar. Um legado a defender

Por Rosilene Corrêa*
Ouvir a frase que ecoava repetidas vezes  “Ninguém abandona a defesa dos povos da floresta e ninguém desiste do legado de Chico Mendes”, durante o Encontro para celebrar a memória desse líder de tantos legados, nos enchia de emoção e renovou nossa esperança – do verbo esperançar, na construção de trincheiras de resistência.
Um pouco de história
Há 30 anos, Chico Mendes, com 44 anos de vida, foi assassinado em consequência de sua luta em defesa do solo amazônico e do direito dos povos da floresta. A batalha  era desigual. De um lado estava o interesse econômico que tinha a floresta como dificultador da expansão do latifúndio e precisava ser derrubada. Do outro, as comunidades que convivem com a natureza, defendendo as infinitas riquezas que ela oferece sendo mantida de pé.
Chico iniciou sua militância como sindicalista. Foi secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de então, participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos
Em 1977 fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri Nesse ano foi eleito vereadorpelo MDB. Recebe as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Essa situação traz problemas com seu próprio partido, descompromissado com as causas pelas quais Chico Mendes lutava. Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri. Acusado de subversão, é preso e torturado.
Em 1980, Chico Mendes ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, sendo uma de suas principais lideranças no Acre e tendo participado de comícios ao lado de Luis Inácio Lula da Silva na região.
Chico Mendes foi o precursor sindical no CUT da causa ambientalista. Foi ele que levou ao 3º CONCUT a tese Em Defesa dos Povos da Floresta, aprovada por aclamação pelos seis mil delegados presentes. A partir desse momento a luta por direitos e por terra com uma visão global entra na pauta sindical, convocando a todas e todos para se juntarem ao cuidado da Amazônia, espaço privilegiado pela sua biodiversidade e com capacidade de produzir vida em abundância não somente ao Brasil, mas para o planeta.
A repercussão internacional da tragédia forçou a criação de reservas extrativista. Em 1990 foram criadas as primeiras quatro, entre as quais a reserva Chico Mendes, no Acre. Hoje, são quase 100 unidades de conservação. O uso comum e coletivo das áreas de floresta pelas populações extrativistas cresceu e se  tornou política pública em outros biomas brasileiros.
O retrocesso
O aprofundamento da ganância, agravado com o desrespeito ao meio ambiente e a desconsideração pelos diretos dos povos da Amazônia começa sua manifestação com o golpe contra a democracia em 2016.
O governo eleito deixa claras suas intenções de destruir reservas indígenas e avançar suas garras antinacionalistas sobre as riquezas dos territórios que tem garantido a vida de milhares de pessoas. O Congresso eleito, com representantes do agronegócio também é pouco tolerante com a causa ambiental.
A continuidade do compromisso com a vida
O Encontro de Xapuri deixa claro o compromisso com a resistência e com a determinação de ir além, de buscar caminhos, de garantir a vida do meio ambiente e das pessoas.
A Carta de Xapuri, manifesto construído coletivamente para reafirmar o compromisso com a defesa da Amazônia, das populações que nela vivem e impulsionar o pacto de gerações entre as lideranças do ontem, hoje e do amanhã, proclama:  “mais de 500 pessoas de todas as partes do Acre, da  Amazônia, do Brasil e do planeta, nos reunimos na sua cidade de Xapuri-Acre para honrar sua memória e defender seu legado”
E continua: “Só mesmo você, Chico,  para nos fazer seguir sonhando ante os retrocessos que se anunciam já nas primeiras decisões de um governo eleito que ainda nem tomou posse e já retira do Brasil o direito de sediar a próxima Conferência do Clima, já declara guerra aos sindicatos, às organizações da sociedade civil, aos movimentos sociais, aos direitos conquistados pela juventude, pelas mulheres, pelos povos indígenas, pelas comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, pelos povos da floresta e por todas as populações tradicionais do Brasil”.
A Carta saúda o legado de Chico Mendes e se compromete com a continuidade de sua luta ao dizer “Tomara, companheiro Chico, que as conquistas desse seu legado, resultado da nossa resistência nessas últimas três décadas, das alianças que você tão generosamente construiu com os mais variados parceiros da floresta e de fora dela, sensibilizem os corações e mentes de quem está chegando ao poder para continuar respeitando e trabalhando junto aos nossos povos da floresta, em defesa de nossos territórios, da conservação ambiental e dos direitos sociais do povo brasileiro.”
O compromisso é nosso. Militantes, sindicalistas, organizações sociais, precisam resgatar o legado de Chico Mendes, que para além da defesa do meio ambiente apontava desde então, a necessidade de que trabalhadoras e trabalhadores da cidade, do campo e da floresta assumam a causa que e de todos: a defesa de vida digna para todas e todos, independentemente do território que os acolhe.
“Ninguém abandona a defesa dos povos da floresta!”
Ninguém desiste do legado de Chico Mendes!
Ninguém solta a mão de ninguém!”
Rosilene é dirigente sindical no SINPRO/DF, na CNTE e na CUT

Sinpro realiza Oficina de Encerramento das Atividades do Projeto de Escuta das Relações Sociais de Trabalho de 2018

O Sinpro, por meio da Secretaria para Assuntos de Saúde do Trabalhador, realizou na manhã desta quinta-feira (20), o encerramento das atividades do Projeto de Escuta das Relações Sociais de Trabalho de 2018.
O evento contou a presença da Dra. Luciane Araújo e Dra. Héden Fischer, Psicólogas do Sinpro e, também, dos diretores responsáveis pela secretaria, Manoel Alves da Silva Filho, Gilza Lúcia Camilo Ricardo e Alberto de Oliveira Ribeiro.
Durante o ano de 2018, foram realizadas várias atividades em mais de 60 escolas públicas do DF, com objetivo de apresentar palestras sobre a Saúde do Trabalhador em Educação e Assédio Moral, bem como a entrega de cartilhas sobre os temas abordados. Por meio de debates, os professores tiveram a oportunidade de discutir questões que giram em torno de Prazer, Sofrimento e Adoecimento no trabalho.
A Escuta Clínica é um espaço de escuta psicológica, individual e em grupo com objetivo de acolher professores (as) e orientadores (as) que estão em sofrimento por causas relacionadas ao trabalho.
A Secretaria para Assuntos de Saúde do Trabalhador atua fortemente na esfera administrativa com a mediação de conflitos e solução de problemas relacionados com a SUBSAÚDE. Na esfera judicial, tem ajuizado várias ações com o objetivo de obter melhores condições de trabalho  para os professores da rede pública de ensino do DF.

Recesso

Comunicamos que, em razão das festividades de final de ano, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal, entra em recesso a partir do 12h desta sexta-feira (21). Retornamos às  atividades normais em 2 de janeiro. Até lá, não haverá expediente na sede e subsedes do sindicato. Informamos também que as atividades da Chácara do Professor, em Brazlândia, retornarão apenas no dia 9.
Agradecemos a compreensão e desejamos um feliz Natal e um próspero 2019 para todos. Boas festas!
 

O Projeto Re(vi)vendo Êxodos chega a 18ª edição

Com o objetivo de levar aos alunos conhecimento intelectual e emocional capaz de gerar cidadãos críticos e sensíveis, o projeto Re(vi)vendo Êxodos chega a sua 18ª edição. A exposição acontece no Espaço Cultural Renato Russo, e pode ser visitada  de segunda a sexta, das 9h às 21h.

A iniciativa desenvolvida desde 2001, trata-se de uma mostra fotográfica que reúne mais de 600 imagens de alunos do ensino médio de escolas de Brasília entre elas, o Centro de Ensino Médio Setor Leste.
O projeto prevê ações pedagógicas e de trabalho de campo durante os quatro bimestres do ano letivo, pautados em três áreas de atuação: Identidade (cidadania e ética, formação histórica, comportamento e relações); Patrimônio (material e imaterial, manifestações artísticas, construções sociais e culturais), meio ambiente e qualidade de vida.
Na coordenação do projeto, o professor Luis Guilherme explica que nos últimos anos foram estabelecidas parcerias com diversas instituições públicas como Exército Brasileiro, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Clube dos Pioneiros de Brasília,  Instituto Chico Mendes (ICMbio), além de governos estaduais e do DF.
“Articulamos diversas propostas e ações nas áreas de educação, pesquisas históricas, estudos de preservação, sustentabilidade, registro de manifestações, entre outras.    Desde 2004, realizamos essas pesquisas e ações em parceria com algumas das instituições públicas mais respeitadas, além de diversas empresas que comungam com nossos objetivos educacionais. É interessante observar o resultado desse olhar estimulado por estudos e pesquisas”, explica o educador.
Luis Guilherme explica que um dos objetivos alcançados pela pesquisa foi possibilitar aos alunos uma análise crítica da vida cotidiana, levando os alunos a uma reflexão e diálogo sobre diversos assuntos que traduzem a diversidade cultural do povo brasileiro, desenvolvendo assim maior compreensão sobre questões da realidade contemporânea na qual estão inseridos.
“Estamos vivendo em um mundo globalizado, ainda sob a égide de uma potência hegemônica, com o crescimento exponencial dos dramas sociais e ambientais em todo o planeta. Tudo isso, gera alterações profundas na vida humana e num momento particularmente delicado vivido pelas instituições democráticas, com uma profunda crise moral e ética traduzida por práticas antirrepublicanas e pelos embates tragicômicos entre os poderes constituídos no país. É vital e urgente a discussão da questão do “pertencimento”, do respeito à cidadania, do encorajamento da ética nas relações políticas e humanas, do fortalecimento da tolerância. Queremos que nossos alunos brilhem, numa escola pública de qualidade, laica, inclusiva, tolerante, diversificada, presencial, que defenda a liberdade de expressão, os direitos humanos e que seja capaz de instrumentalizar esses jovens a serem cidadãos participantes, responsáveis, críticos e amorosos”, concluiu Luis Guilherme.
A Exposição sempre contou com o apoio e a curadoria conceituada fotógrafa Mila Petrillo e este ano a fotógrafa Rayssa Coe também contribuiu.
“Nessa exposição nos deparamos com imagens produzidas por uma juventude muito familiarizada com a fotografia como linguagem. Mas nesse exercício a atenção e o foco está na busca de identidade, assim encontramos uma expressão mais livre, típica dos jovens, se percebendo parte de um todo, adquirindo voz própria com originalidade. Um privilégio fazer uma pequena parte desse processo e observar o florescer de indivíduos que agora perpetuam a cultura de um povo”, explica Rayssa Coe.
Todo ano, o projeto culmina em uma grande caminhada, uma etapa forte e inovadora do Projeto. A caminhada é um profundo mergulho intelectual, físico e emocional, na realidade que nos circula e na qual está inserido os educandos, e que na maioria das vezes não a percebemos. Trata-se de um poderoso instrumento para autoconhecimento, disciplina e superação de limites; é um mecanismo privilegiado para a expansão das consciências críticas tanto do indivíduo, como da coletividade.
Desde a origem do projeto, foram realizadas 0ito caminhadas:

  • “Brazlândia-DF – Planaltina-DF” (passando pelo Parque Nacional, região da Boa Vista e Sobradinho – DF) de 7 dias com 110 Km, em 2004;
  • “Serra dos Pirineus-GO – Catetinho-DF” (passando por Pirenópolis-GO, Corumbá-GO, Alexânia-GO, Santo Antônio do Descoberto em Goiás e Gama no DF) de 16 dias com 280 Km, em 2005;
  • “Formosa-GO – Parque Nacional de Brasília-DF” (passando pelo Marco Zero do Quadrilátero Cruls, Planaltina de Goiás, Planaltina-DF e Sobradinho – DF) de 14 dias com 240 Km em 2006.
  • “Chapada Gaúcha-MG – Jardim Botânico de Brasília-DF” (passando pelo Parque Nacional Grande Sertão Veredas-MG, Arinos-MG, Morrinhos e Sagarana-MG, Urucuiua-MG, Riachinho-MG, Buritis-MG, Taquaril e Vila Cordeiro-MG, Cabeceiras de Goiás, Unaí-MG, e São Sebastião-DF) de 15 dias com 1.330 km – sendo 300 a pé.
  • “Cavalcante/GO –  Brazlândia/DF ”  —  04 a 18 de Outubro (passando pelo parque nacional da Chapada dos Veadeiros, Alto Paraíso –GO, S’João D’Aliança, Agua Fria, Mimoso, Padre Bernardo) em 15 dias, em 2010.
  • “Juscelândia/GO – Brasília/DF” (passando por Natinópolis/GO, Santa Isabel/GO, Cirilândia/GO, Goianésia/GO, Malhador/GO, Das Placa/GO, Pirenópolis/GO, Corumbá/GO, Olhos D’Água/GO e Alexânia/GO) de 15 dias com 250 km em 2012.

 
 
 
 

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