Para 80% dos brasileiros, Lula está certo ao reclamar do BC contra juros altos

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT

 

Para 80% dos brasileiros, o presidente Lula (PT) está certo ao pressionar o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, a baixar a taxa básica de juros (Selic), que está 13,75% ao ano desde setembro do ano passado.

Apenas 16% acham que o presidente age mal, e 5% não souberam responder.

 Leia mais: 10 motivos para o BC baixar a taxa de juros do Brasil, a maior do mundo

Brasil lidera ranking mundial de países com juros reais mais altos

Entre os que mais concordam com Lula de que essa taxa ‘é uma vergonha’ e que “precisa cuidar da política monetária, mas precisa cuidar também do emprego, da inflação e da renda do povo”, estão os desempregados e os mais pobres, que sofrem com a falta de investimentos que geram emprego e renda e não têm acesso a financiamento sequer para comprar uma geladeira. 

Confira os percentuais e quem mais apoia Lula:

. 91% dos desempregados e que estão sem procurar emprego.

. 85% dos brasileiros que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.604), faixa em que 85% dizem concordar com o presidente.

. 84% dos que têm o ensino fundamental.

. 84% dos que se declaram pretos.

Os que menos apoiam o presidente são:

. 28% dos empresários.

. 24% dos que têm o ensino superior.

. 19% dos que se declaram brancos.

Taxa de juros está mais alta do que deveria

Outros dados da pesquisa

Para 71% dos entrevistados, a taxa de juros está mais alta do que deveria. Entre os que pensam assim, 55% dizem que ela muito mais alta do que deveria, e apenas 16% consideram que está um pouco mais alta.

Mesmo entre os eleitores do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Campos Neto para o BC, a percepção de que os juros estão mais altos do que o recomendado é de 77%. Entre as regiões do país, essa opinião só fica abaixo dos 70% no Nordeste (67%).

Já 17% dos brasileiros dizem crer que os juros básicos estão em um patamar adequado, somente 5% responderam que ela está mais baixa do que deveria, e 6% não souberam responder.

Juros altos forçam Mercedes a dar férias coletivas a 300 metalúrgicos – CUT – Central Única dos Trabalhadores

Fonte: CUT 

Centrais propõem retomada da política de salário mínimo com reajuste real de 2,4%

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Portal CUT – Escrito por: Vanilda de Oliveira

 

“Dia histórico para a classe trabalhadora, um marco da retomada do diálogo e protagonismo pelo qual sempre lutamos e a que temos direito”. Assim o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, se referiu a essa segunda-feira (3), data em que a CUT e as demais Centrais Sindicais entregaram a proposta de retomada da Política de Valorização do Salário Mínimo ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A apresentação foi feita, em Brasília, no bojo do grupo de trabalho especialmente criado pelo governo Lula para encaminhar essa que é uma das principais reivindicações da CUT e de todo o movimento sindical.

Sergio Nobre, e os presidentes e representantes da Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Publica, Intersindical Central da Classe Trabalhadora, além do diretor técnico nacional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese), Fausto Augusto Jr., apresentaram o documento que tem 16 páginas e foi elogiado pelo ministro Luiz Marinho.

LEANDRO GOMESLeandro Gomes
Presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, destacou como ponto fundamental para essa proposta a retomada do diálogo com o governo federal, algo que não existiu durante os mandatos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, “causando um prejuízo gigantesco para toda a classe trabalhadora, porque arrochou o poder de compra dos trabalhadores e trabalhadoras”.

“Resultado da nossa resistência e luta, é uma vitória histórica ouvir do governo Lula, na fala do ministro Marinho, que é há consenso em retomar a política de valorização do salário mínimo, porque ela aponta novamente para aquilo que a classe trabalhadora, as centrais sindicais vêm dizendo, ou seja, que precisamos fazer o país  voltar a crescer de maneira vigorosa, com geração de empregos de qualidade e a base para isso vai ser a injeção de recursos no bolso do próprio trabalhador, para ele consumir, a indústria produzir e os empregos aparecerem”, afirmou Sérgio Nobre.

Ministro do Trabalho

O ministro Luiz Marinho agradeceu às centrais sindicais e elogiou a proposta como um bom ponto de partida, destacando que “há acordo e entendimento do governo de que é preciso retomar a política de valorização do salário mínimo”.

LEANDRO GOMESLeandro Gomes
Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

Marinho afirmou que nas próximas duas semanas ele e o grupo de trabalho do governo vão analisar a proposta apresentada pelas centrais sindicais. “Vou me apropriar da proposta de vocês e após o retorno do presidente Lula e comitiva que viajarão à China, em 11 de abril, (Sérgio Nobre integrará a comitiva) retomaremos e daremos continuidade as conversas”, afirmou o ministro do Trabalho.

Ao que Sérgio Nobre respondeu, à mesa: “Para nós, das centrais sindicais, que representamos a classe trabalhadora, é um dia muito especial que marca a retomada do que nunca deveria ter sido interrompido, o diálogo com a classe trabalhadora de uma pauta tão crucial como o reajuste do salário mínimo.”

 A proposta- 30 anos

A proposta das centrais sindicais é para o período de 30 anos. Segundo o diretor técnico nacional do Dieese, Fausto Augusto Jr., a ideia é que se retome a política de valorização anterior, ou seja, a inflação dos últimos 12 meses, mais o PIB dos dois anos anteriores.

“Só que a diferença é que estamos propondo o piso mínimo de aumento real de 2,4%, isso porque 2,4% é a média de crescimento do Brasil desde o início do Plano Real”, explicou Fausto.

Segundo o diretor do Dieese, é importante que, como no o Banco Central, que tem uma meta de inflação, a gente estabeleça uma meta de crescimento do salário mínimo e também uma meta sobre o mínimo que o Brasil deveria crescer do ponto de vista geral, ao longo de 30 anos.

“É uma meta gera que pode e deverá ser revista a cada 10 anos, segundo a proposta das centrais sindicais. E o que prevemos para ao governo Lula nos próximos 3 anos, é que se recupere o que não foi aplicado ao salário mínimo pelo governo Bolsonaro”, disse o diretor do Dieese.

LEANDRO GOMESLeandro Gomes
Reunião da CUT e demais centrais com ministro Luiz Marinho

A proposta das centrais sindicais, então, vai acelerar a política do salário mínimo de 30 anos nos próximos três anos, e depois estabelecer uma política de longo prazo (clique aqui e veja o documento na íntegra).

História 

Em 2004, as CUT e demais centrais sindicais, em um movimento unitário, lançaram a campanha pela valorização do salário mínimo. Naquela campanha, foram realizadas três marchas conjuntas em Brasília com o objetivo de pressionar e, ao mesmo tempo, fortalecer a opinião dos poderes Executivo e Legislativo sobre a importância social e econômica da proposta de valorização do salário mínimo.

Também como resultado dessas negociações, foi acordado, em 2007, uma política permanente de valorização do salário mínimo.

Desde 2003 até 2017, segundo o Dieese, o ganho real, ou seja, acima da inflação foi de 77,01%.

A partir de 1º de janeiro de 2017, o salário mínimo era de R$ 937,00. Este valor representou 6,48% sobre os R$ 880,00 em vigor durante 2016 e não correspondeu à variação anual do INPC, em 2016, que foi de 6,58%.

Caso o índice tivesse sido aplicado integralmente, o valor teria ficado em R$ 938,00. Uma vez que o PIB em 2015 não registrou crescimento, seguindo a regra em vigor, não foi aplicado este ganho adicional.

Já em 2018, o reajuste do salário mínimo foi o menor em 24 anos. Subiu apenas 1,81%, ficando em R$ 954,00. Neste ano, a alta foi de 4,61%, de acordo com a inflação do ano anterior mais a variação do PIB dos dois anos anteriores, e chegou a R$ 998,00.

Fonte: CUT

Haddad anuncia arcabouço fiscal e nega criação de impostos para cumprir novas regras

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

 

O projeto de um novo marco fiscal para o país, também chamado de arcabouço fiscal, um conjunto de medidas, regras e parâmetros para a condução da política fiscal que garantem credibilidade e previsibilidade para a economia do país, foi apresentado nesta quinta-feira (30), em Brasília, pelos ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento.

Se aprovado pelo Congresso, o arcabouço fiscal, que define a nova regra para as contas públicas, vai substituir o teto de gastos, em vigor desde 2017 como novo parâmetro para limitar os gastos do governo. O teto de gastos instituído no governo do ilegítimo Michel Temer (MDB) congelou investimentos públicos em áreas como saúde e educação por 20 anos. 

Leia mais: Entenda o que é teto de gastos e por que é ruim para os pobres e bom para os ricos

O objetivo do novo marco fiscal é garantir um equilíbrio entre a arrecadação e os gastos, para que as contas públicas voltem a ficar “no azul”. A meta é zerar o balanço já em 2024 e registrar superávit a partir de 2025.

O cumprimento das metas de resultado primário previstas no novo marco fiscal não envolverá a criação de impostos ou aumento de alíquotas atuais, disse Haddad. Ele, no entanto, admitiu que algumas desonerações para setores específicos poderão ser revertidas.

Haddad prometeu que o governo anunciará, na próxima semana, medidas para garantir um incremento de receitas em até R$ 150 bilhões neste ano. O ministro fez questão de reiterar que a alta não decorre de novos tributos.

“É um conjunto de medidas saneadoras entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões até o fim do ano. Com vistas a dar possibilidade de crescimento. Eu tenho a convicção de que esse país melhor está contemplado com essa fórmula que estamos anunciando”, disse o ministro.

“Se, por carga tributária, se entende a criação de tributos ou o aumento de alíquota, não está no nosso horizonte. Não estamos pensando em criar uma CPMF [antigo imposto sobre transações financeiras], nem em onerar a folha de pagamentos”, diz Haddad.

Mesmo sem a criação de tributos, o ministro disse que alguns setores que há décadas se beneficiam com desonerações poderão ter os incentivos fiscais revistos. Em alguns casos, setores novos ainda não regulamentados poderão ter cobrança de impostos, como as apostas esportivas online. 

“Temos muitos setores demasiadamente favorecidos com regras de décadas. Vamos, ao longo do ano, encaminhar medidas para dar consistência a esse anúncio. Sim, contamos com setores que estão beneficiados e setores novos que não estão regulamentados [como as apostas eletrônicas esportivas]”, afirmou o ministro. “Vamos fechar os ralos do patrimonialismo brasileiro e acabar com uma série de abusos que foram cometidos contra o Estado brasileiro”, acentuou.

Para o ministro, uma revisão geral dos incentivos fiscais beneficiará toda a população e permitiria ao Banco Central reduzir os juros no futuro. Haddad pediu sensibilidade ao Congresso Nacional para que revise os benefícios fiscais – atualmente em torno de R$ 400 bilhões por ano – e cuja revisão foi determinada por uma emenda constitucional de 2021.

“Se quem não paga imposto passar a pagar, todos nós vamos pagar menos juros. É isso que vai acontecer. Agora, para isso acontecer, aquele que está fora do sistema tem que vir para o sistema. O Congresso tem que ter sensibilidade para perceber o quanto o seu desejo foi aviltado na prática pelos abusos e corrigir essas distorções”, salientou.

Haddad disse ainda que o plano busca compatibilizar “o social e o fiscal”, dizendo que não se pode mais admitir “que um dos maiores produtores de alimentos do mundo conviva com a fome”, como mostra reportagem de Eduardo Maretti, da RBA.

De outro lado, acenando ao mercado em relação à âncora fiscal, acrescentou que não vê “nenhuma razão, a partir desse anúncio, para ter dúvidas para alguém investir no Brasil”.

O plano está ancorado na vinculação do crescimento das despesas federais à receita. As despesas poderão crescer a 70% do aumento da arrecadação federal, mas em relação à receita realizada no ano anterior. Ou seja, os gastos da União ficarão limitados a 70% da receita: a expansão das despesas depende então do crescimento da arrecadação. Por sua vez, para o crescimento da arrecadação é necessária também a retomada da economia.

O plano estabelece também limite de 2,5% ao ano para o aumento das despesas em relação ao crescimento da arrecadação. Por exemplo, se a receita subir 5%, a observância estrita da regra levaria a um aumento de 3,5% das despesas (70% de 5%). Porém, nesse caso vale o teto de 2,5%. A limitação será a âncora, ou “um colchão”, para fase ruim da economia, explicou Haddad.

A ministra Simone Tebet disse que o plano é ao mesmo tempo “engenhoso” e “transparente”. “O limite é dado em relação ao aumento da receita. Aumenta a receita, aumentam as despesas. Na mesma proporção? Não. Porque temos um déficit fiscal de R$ 230 bilhões, fruto de uma herança passada de pandemia e de políticas públicas que não foram contempladas nos últimos quatro anos”, explicou Tebet, referindo-se ao governo de Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a ministra, o plano tem como prioridade cumprir a demanda por justiça social determinada pelo presidente Lula (PT).

“Passamos seis anos sem reajustar a merenda das nossas crianças. Num país campeão na produção de laranja, as crianças tomam suco em pó”, afirmou Simone Tebet.

“O melhor de dois mundos”

Segundo Haddad, o plano associa “o melhor dos dois mundos” das políticas fiscais anteriores: a Lei de Responsabilidade Fiscal (de 2000) ao que se pode chamar de “regra de gastos”.

A ideia, disse o ministro, foi “traçar uma trajetória consistente de resultado primário em que necessariamente a despesa vai correr atrás da receita”. Porém, a despesa vai crescer a uma taxa menor e vai se ampliar o espaço de economia para “dar sustentabilidade sem rigidez absoluta, porque tem de atender as demandas sociais”, resumiu o ministro.

Desse modo, as novas regras procuram sanar deficiências das regras anteriores, continuou. Antes, não havia uma dimensão anticíclica (para serem operadas em momentos de crise ou recessão): se o país prosperava, para se cumprir a lei a receita era mantida “em compasso com a despesa, o que é difícil de manter em fase ruim”. O que o novo arcabouço propõe, portanto, é uma “poupança prévia” para funcionar como (o chamado) colchão.

O plano, ainda nas palavras de Haddad, procura compatibilizar o social e o fiscal, ter credibilidade, previsibilidade e dar horizonte para a sociedade se organizar com regras claras. Tebet acrescentou que a meta é zerar o déficit público, ter possibilidade de superávit a partir de 2025, com estabilização da dívida pública. O plano “é fácil de ser entendido e transparente, o que gera estabilidade e previsibilidade, que são as palavras-chave”. 

Questão política

O ministro encerrou a apresentação falando sobre dúvidas que ouviu em suas reuniões com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e líderes de partidos de oposição ou situação. Segundo ele, houve questionamentos, “legítimos”, sobre a possibilidade de cumprimento do plano.

Uma das principais dúvidas é sobre se a execução do novo arcabouço está condicionada a um aumento da carga tributária. Ele afirmou que não no sentido literal, mas a ideia da reforma tributária será “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”, um dos lemas da campanha eleitoral de Lula.

Assim, quem atualmente não paga imposto, ou paga proporcionalmente pouco em relação à renda, terá de pagar. Há “setores muito favorecidos, setores muito beneficiados ou que sequer foram regulamentados”, disse o ministro. Esses setores gozam de “benefícios indevidos e fraudes”, continuou. O governo quer “fechar ralos do patrimonialismo brasileiro”. “É um caso mundial, de acabar com os abusos que as grandes empresas cometem aos Estados nacionais que deram origem a elas.”

 Com informações da Agência Brasil e da RBA. 

Fonte: CUT

Entenda como empresas sonegadoras atuam para não pagar multas e juros sobre o IR

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

 

Empresas que têm dívidas com o Fisco estão fazendo uma forte pressão com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para não pagar as multas e juros devidos sobre o Imposto de Renda (IR) quando são autuadas pela Receita Federal por sonegação.

A OAB entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 7347), no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando uma Medida Provisória (MP) do governo Lula (PT) que endurece as regras para as empresas devedoras. Trocando em miúdos, a OAB apoia a luta dos sonegadores contra o pagamento das dívidas com a cobrança das multas e juros devidos.

Para não pagar o que devem, pois vale muito mais a pena aplicar no mercado financeiro, os grandes sonegadores entram com uma ação no Conselho de Administração dos Recursos Fiscais (CARF), órgão da Receita Federal que julga se os recursos das empresas são válidos ou não.

“A média de um julgamento ser decidido no CARF é de nove anos; se o devedor recorre a Tribunais superiores, pode demorar mais nove anos. Portanto, para se concluir todo o processo leva-se 18 anos”, explica o presidente do Instituto de Justiça Fiscal (IJF), Dão Real Ferreira dos Santos, que é auditor-fiscal da Receita.

“E aí é que entra a ação da OAB contra a Medida Provisória do governo, defendendo a extinção de multas e juros desses devedores, caso eles já percam a ação na primeira instância, que é o CARF”, complementa Dão Real, que também é diretor do Sindicato dos Auditores-Fiscais (Sindifisco Nacional).

Saiba o que é CARF, por que é importante e como suas decisões interferem no seu bolso

“É por esse e outros motivos que para os grandes sonegadores vale a pena não pagar o imposto. E eles querem mais, muito mais”, diz o presidente do IFJ.

Os empresários sonegadores se valem da demora da aplicação da lei para se livrar do pagamento do IR, coisa que o trabalhador não consegue, já que a parte do leão é descontada diretamente na folha de pagamento.

E não é apenas a desigualdade de tratamento entre empresários e trabalhadores que está em jogo. Sem arrecadação de impostos, o governo não pode investir em escolas, obras, saúde e moradias, entre outros programas sociais. Por isso, é importante entender como funciona a cobrança dos devedores e como a decisão do Supremo sobre o pagamento das multas e juros poderá impactar na vida da população.

Os sonegadores preferem muitas vezes deixar de pagar o imposto e aplicar o dinheiro no mercado financeiro que remunera mais do que o valor da dívida junto com a multa e os juros, afirma o auditor-fiscal da Receita.

“Hipoteticamente quem deve R$ 100 milhões há 10 anos, tem de pagar R$ 300 milhões ao governo, mas se aplicar no mercado financeiro, no mesmo período, pode ter lucro de R$ 400 milhões. Essa conta não é literal, mas é para entender como a sonegação, em muitos casos, é vantajosa”, diz o presidente do IJF.

Como é a atuação da Receita Federal

– Auditor-fiscal encontra irregularidades no imposto de renda da empresa e ele aplica uma multa de 75% sobre o valor sonegado; ele só pode ser retroativo há cinco anos.

– O auditor informa à empresa que ela tem 30 dias para pagar; se pagar nesse período o valor da multa é reduzido pela metade, ficando em 37,5%.

– Se o auditor constatar que a empresa fraudou e/ou falsificou documentos para não pagar o imposto a multa dobra e chega a 150%. Se a empresa pagar em 30 dias a multa volta a ser de 75%.

– O devedor pode entrar com uma ação no Conselho de Administração dos Recursos Fiscais (CARF), órgão da Receita Federal que julga se os recursos das empresas são válidos ou não.

– Se perder no CARF, o devedor pode ainda recorrer a outras instâncias da Justiça chegando até o Supremo Tribunal Federal;

– Se a Receita Federal perder a ação, não tem direito de recorrer aos outros tribunais.

– Os juros cobrados pela Receita são os da taxa básica de juros (Selic) do Banco Central (BC), atualmente em 13,75% ao ano.

– Mas, ao contrário dos brasileiros que têm dívidas com os bancos e têm de pagar juros sobre juros, o sonegador vai pagar apenas pelo juro real.

Leia mais: Entenda o que é juro real

Por exemplo, se o empresário sonegador devia R$ 100 milhões em 2021, o valor sobe em 2022 para R$ 113,75 milhões. No ano seguinte os juros serão aplicados novamente sobre os R$ 100 milhões, a dívida original.

Já quem deve no cartão de crédito, paga juros sobre juros. Por exemplo: o cliente que deve R$ 100 paga 20% de juros ao ano dá R$ 20,00; mas se não pagar no ano seguinte tem mais 20% sobre os R$ 120,00 e não sobre os R$ 100,00 resultando num acréscimo de R$ 24,00, e assim por diante.

O que querem as empresas e a OAB

Para Dão Reis, a ação da Ordem dos Advogados do Brasil é uma chantagem com o governo federal, pois quer retirar o poder de punir os sonegadores.

A OAB pede no Supremo para que sejam retiradas todas as multas e juros se a empresa começar a pagar em 90 dias e em 12 parcelas. E se a empresa decidir recorrer da ação que perdeu no CARF com o voto de desempate, o chamado voto de qualidade, apenas os juros seriam retomados, sem o pagamento da multa”, diz.

Outro pedido absurdo da OAB é o de na hipótese do julgamento ser decidido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade, seria cancelada a representação fiscal contra o devedor.

“O devedor que fraudou documentos para não pagar imposto responde por uma ação criminal. O que a OAB está pedindo, é que mesmo comprovando a sonegação ele não responda na justiça por esse crime. E ainda quer que esse benefício, a extinção das multas e juros sejam também aplicados aos casos já julgados pelo CARF e ainda pendentes de julgamento no Tribunal Regional Federal”.

Os empresários e a OAB querem que o sonegador não pague multas e que não seja processado pelo seu crime. Isso é negócio de pai para filho

– Dão Real Ferreira dos Santos

Os empresários e a OAB querem que o sonegador não pague multas e que não seja processado pelo seu crime. Isso é negócio de pai para filho

Entenda o que a MP de Lula muda no combate à sonegação

A pressão das empresas começou depois que o governo Lula (PT) publicou uma Medida Provisória (MP) nº 1160/2023, em janeiro, para que o voto de qualidade no Conselho de Administração dos Recursos Fiscais (CARF), órgão da Receita Federal que julga se os recursos das empresas são válidos ou não, volte a ser aplicado. 

voto de qualidade foi extinto em 2020 no governo de Jair Bolsonaro (PL). Isto significa que toda vez que o CARF julgasse uma ação de sonegação e o resultado fosse um empate, a empresa era favorecida e não precisava pagar o que havia sido definido por um auditor-fiscal da Receita.

A MP de Lula muda isso. Se houver empate quem decide se a empresa tem de pagar os impostos com juros e multas é o presidente do CARF, cargo hoje ocupado por um servidor público. O Conselho, com 160 membros, é composto por auditores-fiscais, empresários e apenas quatro representantes dos trabalhadores. 

“Nem sempre o empate é dividido igualmente. Há votos de empresários contra o devedor e dos auditores da receita a favor. Por isso os devedores não deveriam recear pelo voto de desempate do presidente do CARF. Eles estão se antecipando a uma possível condenação”, avalia Dão.

A decisão sobre a MP que endurece as regras contra os sonegadores caberá ao Congresso Nacional. Uma Medida Provisória tem validade por 60 dias e prorrogável por mais 60 dias. Se não for votada dentro desse prazo, perde a sua eficácia.

Fonte: CUT

Brasil ultrapassa 700 mil mortos pela covid-19. ‘Nada justifica’, afirma ministra

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Portal CUT – Escrito por: RBA

 

O Brasil ultrapassou oficialmente nesta terça-feira (28) a marca de 700 mil mortos pela covid-19. Influenciam este número a ausência de resposta do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a negação da ciência por seu grupo político. Dos 700 mil, 693 mil morreram durante seu governo. O país ultrapassa a marca de três anos após o início do surto. De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o número preciso de vítimas é de 700.329.

Até o fim do governo Bolsonaro, o Brasil era o segundo país com mais mortes no mundo; agora ocupa a quinta posição. Isso sendo que o país é o 11º em termos de tamanho populacional. Hoje, o cenário está parcialmente sob controle. As vacinas, rejeitadas e atacadas por bolsonaristas, reduziram drasticamente as mortes e casos graves da doença. Agora, para seguir no caminho para cessar a crise da covid-19, autoridades pedem que todos se vacinem com as devidas doses de reforço; em especial com os imunizantes bivalentes, mais modernos, que conferem maior grau de proteção.

Graças às vacinas, além da drástica redução da mortalidade, o perfil dos pacientes mais graves mudou. De acordo com levantamento Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na terça-feira (27), os alvos mais problemáticos da covid-19 são os mais velhos (acima de 80 anos) e imunossuprimidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também pede atenção especial a estes grupos. Hoje, a entidade emitiu um comunicado para pedir aos países que priorizem doses de reforço para esta população.

Ainda de acordo com o relatório, a vacinação é chave para entender a redução das mortes. Pessoas com todas as doses de reforço apresentam, hoje, mortalidade três vezes menor do que aqueles sem imunizantes, ou com atraso.

Mortes evitáveis

O coordenador do Infogripe, Marcelo Gomes, argumenta que as mortes poderiam ser muito menores. São as mortes evitáveis. Isso, se o Brasil tivesse, durante os piores dias da pandemia, adotado uma postura de responsabilidade científica. “Poderíamos, por exemplo, ter tido uma vacinação mais rápida e efetiva, com comunicação mais adequada com a população, sem discussão desnecessária e ruídos que trouxeram dúvidas e levaram pessoas a não se vacinarem”, argumenta.

A visão de Gomes é reforçada pela comunidade científica. Enquanto o mundo corria para vacinar a população, Bolsonaro dizia que os imunizantes transformariam “pessoas em jacarés”. Ele chegou a levantar a possibilidade da transmissão de HIV pelas vacinas. Além disso, desprezou as mortes. Disse que “não era coveiro” para comentar o descontrole. “E daí?” completou em resposta a jornalistas, quando questionado sobre mortos. Ele ainda incentivou e promoveu, pessoalmente, aglomerações. Chegou a retirar a máscara de uma criança em meio a um comício, enquanto morriam 3 mil pessoas por dia em razão do vírus.

Além do descaso, a CPI da Covid conseguiu evitar que o governo assinasse um contrato fraudulento, com superfaturamento em vacinas indianas. Com todo esse cenário caótico em desenvolvimento, Bolsonaro adotou um discurso messiânico de incentivar o uso indiscriminado de vermífugos contra o vírus da covid; cloroquina e ivermectina.

Nada justifica

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse que o Brasil “não pode esquecer” do que houve durante os piores dias da pandemia. Em nota enviada à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Nísia disse que “essa lembrança tem que nos alimentar na reparação da dor, porque precisamos fazer isso, mas, ao mesmo tempo, na união pelo futuro. Estamos unidos hoje pela vacinação, a vacina salva vidas”.

De acordo com a ministra, não é aceitável o que aconteceu no país. “Claro que, no mundo todo, houve dificuldade nos momentos iniciais, mas nada justifica que um país que é o 11º no mundo em termos de tamanho da população, tenha sido o quinto em número de mortes. Nada justifica isso.”

Fonte: CUT

Mais de um milhão de alunos sofreram algum tipo de violência nas escolas de SP

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Ato em desagravo em SP a todas às vítimas de violência nas escolas

 

Portal CUT – Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha

ataque na última segunda-feira (27) de um aluno da Escola Estadual Thomazia Montoro, no bairro da Vila Sônia, zona oeste da cidade de São Paulo, que feriu a faca dois estudantes e três docentes, e causou a morte da professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, não é um caso isolado. Ao contrário, é mais um exemplo do alto grau de insegurança em que vivem quem frequenta as escolas do estado.

A violência na rede pública estadual já atingiu 48% dos alunos matriculados e 19% dos docentes, no ano passado. Esses índices indicam que 1,1 milhão de alunos e 40 mil professores sofreram algum tipo de violência dentro de um estabelecimento escolar.

São violências de todo o tipo: agressões físicas, emocionais e sexuais, bullying, entre tantas outras que ocorrem principalmente nas periferias. Mais de 250 mil profissionais, 13% relataram ter sofrido violência verbal ou física no ano passado. Um índice que chega a 36% no caso dos estudantes. Esses e outros dados foram levantados por meio de uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), divulgada nesta quarta-feira (29).

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Os números são ainda mais alarmantes quando professores, alunos e familiares são perguntados se souberam de casos de violência nas escolas que frequentam: 71% dos estudantes (1,6 milhão) , 73% dos familiares e 41% dos docentes (87 mil)  responderam que sim.  

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Neste contexto, estudantes (69%), seus familiares (75%) e professores (68%) enxergam como média ou alta a violência nas escolas estaduais de São Paulo.

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Reflexos na saúde mental

Praticamente todos entrevistados (95% dos estudantes e dos familiares e 91% dos professores) concordam que questões de saúde mental como esgotamento, ansiedade e outros problemas se tornaram mais relatados por estudantes e professores.

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Porém, enquanto a grande maioria relata haver necessidade de projetos de acompanhamento da saúde mental nas escolas, pouco mais da metade dos entrevistados diz que a escola tem iniciativa deste tipo.

Para Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, o resultado da pesquisa mostram que a insegurança e casos de violência no ambiente escolar é uma realidade e para lidar com esse cenário é necessário um movimento amplo de toda a sociedade para construir uma cultura de paz.

“Precisamos de investimento humano e tecnológico para prevenção e enfrentamento da violência, começando pelos colégios de periferia”, comentou.

Segurança deveria ser oferecida pelo governo do estado

Mais de 98% dos pesquisados concordam que o governo estadual deveria dar mais condições de segurança.

A presidenta da Apeoesp e deputada estadual professora Bebel (PT-SP), responsabiliza o governo do estado pela falta de pessoal e de programas que foram extintos.

“Faltam funcionários nas escolas, o policiamento no entorno das unidades escolares é deficiente e, sobretudo, não existem políticas de prevenção que envolvam a comunidade escolar. O programa de mediação escolar, criado em 2009 pela secretaria da educação a partir de proposta da Apeoesp, em que professores trabalhavam na solução de conflitos e harmonização do ambiente escolar, foi virtualmente abandonado. as consequências se fazem sentir no crescimento do número de casos”, declarou Bebel sobre o resultado da pesquisa.

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti
Presidenta da Apeoesp, professora Bebel

 

Ato de desagravo

Na tarde desta quarta-feira, um ato promovido pela Apeoesp reuniu docentes da rede estadual de ensino de São Paulo em prol da paz e de desagravo a todas às vítimas de violência nas escolas, foi realizado no centro da capital, em frente à Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti 

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti

Metodologia da pesquisa 

O levantamento, realizado em parceria com o Instituto Locomotiva, ouviu 1.250 alunos, 1.100 professores e 1.250 familiares de estudantes de toda a rede estadual de 30 de janeiro a 21 de fevereiro.

Fonte: CUT

Lula propõe que juros do empréstimo consignado do INSS fiquem em 1,97% ao mês

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs nesta terça-feira (28), após reunião com ministros de diversas áreas, que a taxa de juros do crédito consignado oferecido a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fique em 1,97% – 0,17% do índice que era praticado pelo mercado financeiro, antes de suspendererm a oferta dessa linha de crédito.

A proposta de Lula é para dar um ponto final ao boicote de bancos que não gostaram da decisão do último dia 13 de março do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), responsável final pela definição da taxa, em baixar os juros de 2,14% para 1,70%. As instituições financeiras decidiram não oferecer mais esse tipo de crédito dizendo que com o novo teto de juros não têm condições de arcar com os custos de captação de clientes.

Diante do impasse o presidente se reuniu no fim da manhã desta terça com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Carlos Lupi (Previdência), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e com os secretários-executivos da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Fazenda, Gabriel Galípolo, em que foi definida a proposta, levada ao CNPS, que no final da tarde aprovou o novo índice de juros.

CUT e centrais sindicais criticaram decisão dos bancos em suspender o crédito

A suspensão dos empréstimos foi definida como “extorsão e chantagem” pelas centrais sindicais. Em nota assinada pelos presidentes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical -Central da Classe Trabalhadora e A Pública, reunidas no Fórum das Centrais.

“Os mesmos bancos que hoje viram as costas para aqueles que tanto contribuíram para o país são os mesmos que lideram as denúncias de assédio bancário com insistentes ofertas de crédito para aposentados”, dizia trecho da uma nota das centrais , no último dia 17 de março quando os bancos anunciaram a suspensão da linha de crédito.

Leia mais: Bancos suspendem consignado após queda de juros e centrais dizem que isso é extorsão

Consignados dos aposentados têm o menor risco de inadimplência

Os empréstimos consignados para aposentados e pensionistas tem a menor taxa de inadimplência entre todas as modalidades de crédito pessoal: 2,01%. A maior é do cartão de crédito rotativo que chega a 45,5%.

No entanto, o consignado do INSS tinha uma taxa de juros anual (27,7%) maior do que a oferecida aos servidores públicos (24,4%). No crédito pessoal normal, ou seja, na qual a renda do cliente não é a garantia para pagamento em caso de inadimplência, o juro chega a 84,3% ao ano. No cheque especial, 132%.

Segundo a Previdência Social, aproximadamente 8 milhões de aposentados e pensionistas têm empréstimo consignado e 1,8 milhão estão com quase metade (45%) do benefício comprometido com este tipo de dívida.

Com informações do G1 

Fonte: CUT

Mulheres com deficiências enfrentam mais discriminação no mercado de trabalho

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Portal CUT – Escrito por: Andre Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

As mulheres com deficiência são duplamente discriminadas no mercado de trabalho – por serem mulheres e por terem alguma deficiência.

Isso significa sofrer com a invisibilidade e muito mais discriminação no mercado de trabalho do que as mulheres sem deficiência que, historicamente, enfrentam desigualdade salarial mesmo quando têm as mesmas funções que os homens, têm menos oportunidades, e sofrem com a concepção patriarcal e machista de que têm menos capacidade e que sua função na sociedade deve ser limitada aos cuidados domésticos.

Às mulheres com deficiência, que são mães, esposas, filhas, trabalhadoras e ainda atuam em seus sindicatos e outras entidades e fóruns para melhorar as condições de trabalho e vida, também atribuída a concepção de incapacidade física.

Mesmo atuando em diversas frentes como todas as pessoas, as mulheres com deficiência, quando têm oportunidades de inserção profissional, enfrentam o preconceito e os efeitos do chamado capacitismo, conceito da sociedade em relação às pessoas com deficiência de que elas não são aptas a exercerem certas atividades nem gerir suas próprias vidas.

É o caso da bancária do Santander, Cleide Queiroz, a Cleidinha, hoje dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Coletivo Nacional dos Trabalhadores Com Deficiência da CUT. Ela conta que durante sua passagem pelo banco, antes de se tornar dirigente sindical, mesmo com excelente desempenho profissional, nunca saiu da mesma posição.

“Eu sempre tive excelente produtividade. Mas, ainda que nós, PCDs, tenhamos capacidade e formação, até mesmo específica, sempre estaremos lá [nas empresas] como as pessoas que entraram pela Lei de Cotas. Você está ali para cumprir uma obrigação da empresa”, diz Cleide.

A Lei de Cotas para Pessoas com Deficiências (8213/1991) determina que empresas com 100 empregados ou mais reservem vagas para o segmento. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil.

As proporções variam de acordo com a quantidade de funcionários. De 100 a 200 empregados, a reserva legal é de 2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 1.000, de 4%. As empresas com mais de 1.001 empregados devem reservar 5% das vagas para esse grupo.

No entanto, ainda hoje, segundo Cleide, muitas empresas não cumprem a lei. Em 2006, ainda durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela diz, havia fiscalização e o Santander, à época, chegou a ser autuado e multado, e, para não incorrer novamente do descumprimento da lei, contratou pessoas com deficiências, inclusive ela.

“Entramos em 2006, eu e várias pessoas, porque o Santander estava sendo notificado por não cumprir a lei de cotas. Se não houvesse a legislação e a fiscalização, não haveria contratação de PCD´s”, ela diz.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais, de 2022, apontaram que de cada 10 pessoas com deficiências empregadas, apenas duas são mulheres. Paralelamente, as mulheres são 52% das mais de 47 milhões de PCD´s no Brasil.

Ao traçar o panorama da realidade das mulheres PCD´s no mercado de trabalho, a professora e doutora Martinha Claretti Dutra, integrante do Laboratório de Estudos e Pesquisa em Ensino e Diferença da Unicamp afirma que “as mulheres com deficiência e em situação de vulnerabilidade social e econômica são maioria e grande parte das mulheres com deficiências está em moradias precárias e quando tem alguma atividade laboral é em trabalhos precarizados ou informais.

“Elas têm baixo acesso ao trabalho e emprego”, ela complementa. A situação para as mulheres é mais desfavorável porque o olhar, tanto da sociedade quanto do mercado de trabalho, sobre a mulher com deficiência se dá sobre um viés ainda mais capacitista.

“É raro fazer uma abordagem da mulher com deficiência como uma mulher trabalhadora, que cuida da casa, da família, assim como as mulheres sem deficiência porque isso é parte do imaginário da sociedade capacitista, que discrimina as PCD´s em geral, mas muito mais a mulher com deficiência do que homem”, ela diz.

Ainda de acordo com esse imaginário da sociedade, segundo Martinha, o homem PCD, em geral vai ser cuidado por uma mulher sem deficiência. “Já a mulher PCD não pode se relacionar afetivamente, ter um trabalho, cuidar da casa porque não tem capacidade de cuidar de si mesma e não tem uma profissão”, ela diz.

A pesquisadora afirma que se trata de uma “cultura discriminatória que incapacita as mulheres com deficiência”, explicando que não é a deficiência em si que torna a pessoa incapaz, e sim os efeitos da exclusão.

“A sociedade brasileira ainda não aprendeu que o que incapacita não é a questão sensorial, física ou intelectual e sim as barreiras impostas pela cultura”. Martinha diz ainda que essas barreiras não são eliminadas porque o sistema capitalista, para manter seu controle exploratório sobre os trabalhadores, enfatiza mais a incapacidade do indivíduo. E mais ainda no caso das mulheres com deficiências

“É muito mais fácil fazer uma rifa para ajudar alguém a adquirir uma prótese. Nunca vai se perceber que a falta de acessibilidade é fruto de uma escolha política de governos e fruto de um modelo social excludente”, ela diz, se referindo à visão da sociedade capitalista sobre oferecer condições sociais e de trabalho a todas as pessoas.

Acessibilidade

Para a sindicalista Cleide Queiroz, as empresas, de fato, olham primeiro a deficiência antes de olhar a pessoas e suas capacidades, seus conhecimentos, sua formação.

“Em geral, as empresas têm o conceito de que as pessoas com deficiências representam custos, inclusive porque elas, as empresas, têm de investir em acessibilidade para fornecer condições de trabalho”, diz Cleide.

Tal questão, ela conta, já foi tratada em certa ocasião na agência onde trabalhava de forma a excluir ainda mais os trabalhadores com deficiência. “Preferiram não investir em meios de acessibilidade e colocar trabalhadores em uma mesma sala, sem nenhuma função, apenas para cumprir a Lei de Cotas para PCDS´s”, ela diz.

O que fazer?

Para o mercado de trabalho, a dirigente sindical avalia ser necessária a volta – e um reforço – de fiscalização, além de punição nos casos de não cumprimento de políticas como a Lei de Cotas.

Em referência direta ao governo de Jair Bolsonaro (PL), em que assim como várias outras políticas públicas de proteção social foram desmontadas, Cleide afirmou que “foram quatro anos de retrocesso”.

“Agora temos um governo voltado às questões sociais e é urgente que se fiscalize”, ela pontua.

Já no que diz respeito à sociedade, ela acredita que ainda há muito o que se fazer para mudar a visão – o imaginário citado pela pesquisadora Martinha Claretti – em relação às pessoas com deficiência.

“As pessoas não exercitam a empatia, a sensibilidade para entender quais as reais necessidades de quem tem deficiências, ainda que elas não sejam aparentes”, ela diz.

A sindicalista explica que, em geral, a sociedade discrimina sem perguntar. “Há quem tenha deficiências não aparentes e dependem, por exemplo, de assentos reservados no transporte público. Sem a sensibilidade para entender a realidade das PCD´s, é comum ter de lidar com pessoas que as olhem e digam ‘ela não tem nenhum problema, é saudável e não precisa ter esse privilégio’”, ela diz.

A professora Martinha Claretti afirma que o capactismo no país é estrutural, ou seja, rege todas as relações sociais e de trabalho e que a partir do momento em que um governo reconhece o problema desta forma, o Estado passa a elaborar e por em prática políticas públicas de combate à discriminação.

Ela também cita os retrocessos dos últimos anos com o desmonte de políticas importantes e afirma que agora, com um governo federal voltado às questões sociais, “a esperança é de que o país reveja normas e amplie políticas afirmativas de acesso das mulheres com deficiência e não somente ao trabalho, mas também a outras questões como a própria saúde”.

Ao citar “revisão de normas”, ela fala sobre reclassificar os vários tipos de deficiências na lei, de forma que as empresas, obrigatoriamente, priorizem que mais tem dificuldades de acesso.

“Queremos uma classificação de funcionalidades de saúde porque se trata de uma validação social da deficiência. Por ela, identificamos as barreiras enfrentadas e quanto maior número de barreiras ela enfrenta, mais prioridade terá, portanto tanto seria justiça social”, ela pontua.

Fonte: CUT

Decisão do TST dá a trabalhador ganho extra sobre 13º, FGTS, férias e aviso-prévio

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

 

Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiram que o valor das horas extras pagas aos trabalhadores deve ser incorporado nos cálculos dos pagamentos do 13º salário, do aviso-prévio, das férias e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A decisão começou a valer no último dia 20 e não tem efeito retroativo, significa que o trabalhador terá um pouco mais de dinheiro no bolso.

Antes da decisão do TST, um trabalhador com carteira assinada que fazia, por exemplo, duas horas extras diárias nos dias úteis, tinha o descanso semanal, geralmente aos domingos e feriados, remunerado de acordo com o valor das horas extras, ou seja, recebia um pouco a mais. Mas, na hora de receber férias, 13º e demais benefícios listados acima, o valor pago pelas empresas levava em consideração apenas o “extra” dos dias normais de trabalho e não o que o foi incorporado a mais aos dias de descanso semanal remunerado.

Com a nova determinação do TST, o valor das horas extras pagas sobre o repouso semanal remunerado também será incorporado aos demais direitos, dando um ganho extra aos trabalhadores.  

Com isso, se o trabalhador fizer uma hora extra a mais durante a semana, ele receberá mais uma hora no dia do repouso, e essa hora a mais passará a ser computada também nos cálculos das férias, do 13º salário, do aviso-prévio e do FGTS.

A equipe do escritório LBS Advogadas e Advogados, que atende a CUT Nacional, fez uma conta tendo como exemplo um trabalhador que faz duas horas extras diárias e que, no final do mês, recebe um salário de R$ 5 mil.

Confira os cálculos

Salário R$ 5 mil

O ganho das horas extras é de R$ 1.704,55.

O ganho sobre o descanso semanal remunerado é de R$ 340,91

Portanto, antes decisão do TST, o valor total chegava a R$ 2.045,46. 

Após a decisão do TST, esse trabalhador passará a receber R$ 2.139,04.

Diferença mensal de R$ 93,58 a mais.

O que receberá a mais sobre cada benefício

FGTS: R$ 27,27

Férias + 1/3:  R$ 37,88

13º salário: R$ 28,41

FGTS em DSR (Descanso semanal remunerado) : R$ 3,03

FGTS em DSR em 13º salário: R$ 2,27

O advogado Eduardo Henrique Marques Soares, sócio do escritório LBS, explica que os Tribunais do Trabalho seguiam a Orientação Jurisprudencial (OJ) nº 394, que considerava a incorporação da hora extra do dia de descanso uma bitributação.

“Essa discussão começou em 2017, mas agora com a decisão do Pleno do TST não cabe mais dúvidas de que o trabalhador tem esse direito. Quem realizar horas extras a partir de 20 de março de 2023, quando houve a decisão do Tribunal, vai receber também o reflexo do repouso semanal majorado pelas horas extras nas demais parcelas, como FGTS, décimo terceiro e férias”, diz.

O advogado acrescenta que “a decisão não terá efeito retroativo, nem para quem está numa empresa e nem para quem saiu e recebeu seus benefícios. Quem tem alguma ação trabalhista reivindicando verbas rescisórias também não terá direito a essa reivindicação, aplicando-se apenas para horas extras realizadas a partir de 20 de março”, conclui Eduardo Henrique.

Fonte: CUT

Férias coletivas: entenda como funcionam e quais os direitos dos trabalhadores

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT/Texto: André Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

Nos últimos dias, várias montadoras voltaram a anunciar férias coletivas, paralisando parte da produção de veículos no Brasil. Ao contrário dos últimos dois anos, o motivo não é a falta de chips semicondutores, é queda abrupta nas vendas por causa dos juros altos, que encarecem a principal forma de venda, que é por meio de financiamentos.

Além da Mercedes-Benz, que deu férias coletivas de 30 dias, trabalhadores da GM, Hyundai, Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Volks também ficarão em casa em períodos que variam em cada montadora.

Com tantas notícias sobre férias coletivas, um recurso que as empresas costumam usar mais no período de festas de fim de ano, surgem as dúvidas: o que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre férias coletivas? Quando a empresa pode dar? Nesses casos, o trabalhador recebe um terço de férias? E na volta, como calcular o salário a receber?

Para responder todas essas questões, o PortalCUT ouviu um advogado trabalhista, que explicou o que diz a lei, as regras, as possiblidades e obrigações de empresas e trabalhadores. 

O que são férias coletivas?

O recurso de dar férias coletivas aos trabalhadores está previsto no artigo 139 da CLT. “É um período em que a empresa decide parar as atividades, seja por falta de condições temporárias para produzir, ou mesmo antecipando um eventual encerramento da empresa”, explica o advogado especialista em Direito do Trabalho, Fernando José Hirsch, sócio do LBS Advogados, escritório que presta assessoria jurídica à CUT.

Essas condições podem ser as mais diversas, como a falta de peças e insumos e a falta de demanda, situação enfrentada atualmente pelas montadoras de veículos.

O advogado diz ainda que a empresa pode dar as férias a um setor específico ou mesmo ao quadro total de funcionários.

Qual a diferença entre férias coletivas e férias individuais?

Para os trabalhadores, a diferença principal entre as férias coletivas e as férias individuais é que as coletivas são obrigatórias, ou seja, não há a possiblidade de negociar se o trabalhador quer ou não entrar em férias naquele determinado período. ‘São as empresas que definem [o período], de acordo com as suas necessidades”, diz Hirsch.

O que o trabalhador recebe?

Assim como nas férias normais, nas férias coletivas, os trabalhadores recebem, além do salário integral do mês, o valor referente a um terço sobre as férias, conforme a regra da CLT.

Se as férias coletivas forem de um período inferior a um mês, o pagamento será proporcional a esse período concedido.

Exemplo: se são 15 dias de férias coletivas, o valor a receber será 1/3 referente aos 15 dias de férias. O restante será pago quando o trabalhador tirar os outros dias que faltam.

Além disso, o cálculo do valor a ser pago a título de adiantamento de férias que é o direito que o empregado tem de receber o salário antecipado referente ao período de repouso, leva em consideração o número de dias das férias, o salário na época da concessão, a média de adicionais e horas extras.

Os pagamentos têm de ser feitos pela empresa em até dois dias úteis antes do início do período de férias coletivas.

E se o trabalhador ainda não tiver direito a férias?

Se um trabalhador foi contratado a menos de um ano da data em que a empresa iniciará as férias coletivas – tem apenas seis meses de trabalho, por exemplo – a empresa adianta o período aquisitivo de férias, que é após 12 meses de trabalho com carteira assinada.

“Quando há férias coletivas de forma antecipada, antes do vencimento das férias do trabalhador, o período aquisitivo de férias inicia-se novamente com outra data” diz o advogado citando o Artigo 140 da CLT que diz:

“Os empregados contratados há menos de 12 (doze) meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo”.

Tem um ‘porém’

Há casos em que as férias proporcionais resultam em menos dias do que o período de férias coletivas determinado pela empresa. Ou seja, o trabalhador não tem tempo suficiente de registro na empresa de foram que atinja o número de dias determinados para a paralisação das atividades.

Veja como ficam esses casos no exemplo abaixo:

Um trabalhador que foi contratado há seis meses, tem 15 dias de férias proporcionais. Se a empresa decidiu dar 15 dias de férias coletivas “a conta bate” – ele tirou os 15 dias de férias proporcionais a que tinha direito e, a partir daí, começa um novo período aquisitivo para o trabalhador.

Mas, e se ele tem, por exemplo, apenas 4 meses de empresa? Com esse tempo, ele tem apenas dez dias de férias proporcionais e ficaria ‘devendo’ mais cinco para a empresa. No entanto, a legislação determina que nesses casos, o restante dos dias deverá ser concedido como licença remunerada.

Nesses casos, para efeito de cálculo de adicional de férias, o valor considerado será apenas sobre os dias de férias proporcionais. Ele receberá 1/3 do salário sobre os 10 dias e os demais serão pagos como a licença remunerada.

Para calcular os dias de férias proporcionais, basta dividir o número de meses trabalhados por 12 e multiplicar por 30 dias.

No caso do trabalhador que tem 4 meses de contrato assinado, a conta é: 4 / 12 X 30 = 10.

Como fica as férias normais do trabalhador?

O período de férias coletivas concedido pela empresa é descontado das férias a que o trabalhador tem direito a cada 12 meses.

Se a empresa der 15 dias de férias coletivas, o trabalhador terá ainda mais 15 dias de férias para gozar. Neste caso, haverá negociação entre as partes para definição da melhor data, como de praxe, sempre respeitando as regras da CLT.

Comunicado

A empresa é obrigada, por lei, a comunicar os trabalhadores com 30 dias de antecedência, pelos meios de comunicação formalmente utilizados no ambiente de trabalho, com obrigatoriedade de afixação

Também é obrigada a informar os órgãos competentes sobre a concessão de férias coletivas:

Aos órgãos locais do Ministério do Trabalho e Emprego, informando com 15 dias de antecedência o período, o motivo e quais setores serão impactados com as férias coletivas

Ao sindicato da categoria, também, com todos os detalhes e também com 15 dias de antecedência

Deveres

Além das regras já citadas, as empresas não podem conceder mais do que dois períodos de férias coletivas por ano. Cada período deve ser superior a 10 dias.

Não é permitido às empresas colocar apenas alguns funcionários em férias coletivas. Elas devem ser concedidas a todo um setor ou à totalidade do quadro de funcionários.

Trabalhadores não podem se negar a entrar em férias coletivas. É decisão da empresa

Fonte: CUT

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