Alunos do Jardim de Infância 306 do Recanto das Emas visitam o Memorial dos Povos Indígenas

Na última sexta-feira (10), cerca de 300 crianças do Jardim de Infância 306 do Recanto das Emas visitaram o Memorial dos Povos Indígenas, no Eixo Monumental. A visita faz parte de um projeto desenvolvido na escola, como explica a professora Fabíola da Costa Farias. “Trabalhamos a Lei n°11.645/08 (Cultura Afro-Brasileira e Indígena) dentro do Currículo em Movimento, em um projeto que dura cerca de um mês. Primeiro montamos uma sala ambiente/museu dentro da escola, com diversas peças indígenas. Fizemos uma trilha indígena e também algumas brincadeiras indígenas para elas irem assimilando. Da mesma forma, realizamos uma oficina de formação com os professores a respeito desta lei”, aponta.
O ápice foi a visita ao Memorial e a professora vê uma rápida mudança nas crianças. “Elas viam os indígenas como algo relativo ao passado. A partir do trabalho desenvolvido, elas começaram a ressignificá-los, entendendo que eles são a nossa raiz, que eles cuidam da natureza, que eles moravam no nosso país e ainda estão por aqui, acabam comparando as nossas vidas com as deles. Inclusive começaram a identificar suas identidades, suas etnias, suas pinturas e manifestações”, diz.
Foto: Joelma Bonfim / Sinpro
 

Morta por ser mulher

No artigo, a seguir, a autora, Hellen Frida, faz uma reflexão sobre o problema do feminicídio. E alerta para o fato de que, “até alcançar o golpe fatal, os feminicidas praticam uma série de outras violências de gênero, um movimento muitas vezes identificado como natural desentendimento amoroso ou doméstico. Por isso, é fundamental ampliarmos a rede de atendimento à mulher em situação de violência e garantir a implementação no cotidiano do sistema de saúde um protocolo de identificação de casos de violência para denúncia imediata às autoridades. O Estado tem a obrigação de meter a colher em todos os casos suspeitos. E acompanhar todas as denúncias feitas.” Confira:
Morta por ser mulher
A nossa luta contra os machismos e contra todo tipo violência contra as mulheres é diária e se mostra a cada dia mais necessária. Necessária porque, em pleno “dia dos pais”, uma jovem de 20 anos precisa parir, em meio a várias violências obstétricas,  com uma bala no rosto, disparada por seu companheiro, pai do bebê. Por isso, nossa luta, feita de celebrações, de sonho, de amor, também tem muita frustração e muita dor.Dói saber que em meio às celebrações de 12 anos da Lei Maria da Penha, apenas neste ano, no Distrito Federal, 19 mulheres foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Neste mês, foram Adriana Castro, Marília Jane e Carla Graziele. Três em três dias!
É muito doloroso e revoltante para todas nós mulheres, militantes ou não, o sentimento de impotência que nos assalta quando submetidas a situações constrangedoras, desde cantadas nas ruas e  nos ônibus até as violências mais brutais, que vão do estupro às agressões físicas.
Dói saber que tentam silenciar nossas vozes, nossas denúncias e buscam nos culpar pelas violências que sofremos. Dói saber que até mesmo na família haverá algum plantonista a naturalizar as violências. É uma tristeza desmedida, é inumano ver-se absolutamente só e sem defesa, entregue à sanha do assassino.
Feminicidas que põem em prática sua violentíssima e covarde misoginia apenas e tão-somente por saberem que estão protegidos por uma sociedade que criminaliza as mulheres, que as tolhe em suas múltiplas dimensões e que legitima toda forma de abuso contra elas. Esses homens nunca estiveram sós.
Estão amparados por uma lógica de sociedade que valoriza apenas o que está relacionado ao homem, adulto, branco, heterossexual, cisgênero. Estão amparados em estruturas do estado – no legislativo, executivo e judiciário – que legitimam seu comando. Mas as mulheres sempre estiveram em luta para se manterem vivas e viverem bem. E avanços nos direitos humanos das mulheres são resultados dessa luta.
A Lei do Feminicídio (Lei n° 11.304/2015) – que alterou o Código Penal e, entre outras coisas, elevou à qualidade de crime hediondo a violência doméstica e familiar e o menosprezo à condição de mulher – completou três anos em março. Resultado direto da organização das mulheres brasileiras contra o fundamentalismo machista e a mentalidade patriarcal ainda reinante, a lei não tem o condão de eliminar a violência, mas seu caráter ao mesmo punitivo e pedagógico é inegável.
Subordinar à condição de feminicida o agressor que, antes, mereceria apenas o título de homicida significa, entre outros aspectos, demonstrar à sociedade e à opinião pública a existência de um tipo de crime que não pode nem deve ser interpretado como fruto da tão propalada “violência social”.
Significa alçar ao primeiro plano das preocupações sociais e institucionais aqueles dramas pessoais e familiares antes criminosamente jogados para debaixo dos tapetes machistas da sociedade. À violência de gênero, é necessário enfrentamento diário. Estudo recente aponta que, somente no ano de 2015, foram assassinadas 4.621 mulheres no Brasil.
Isto corresponde a uma taxa de 4,5 mortes para cada 100 mil mulheres. De acordo com dados do Mapa da Violência 2015, o Brasil ocupa a 5° posição no ranking de feminicídio. Em se tratando de mulheres negras, a realidade é ainda pior, pois, de acordo com o estudo, houve um aumento de 54% em dez anos no número de assassinatos de mulheres negras.  É assombroso perceber que o patriarcado teima em sustentar-se com a subordinação da mulher à mera condição de objeto, sujeita à violência psicológica, moral, patrimonial, física e sexual.
Mas assombroso mesmo é consciência de que boa parte dessas mortes poderiam ser evitadas. Até alcançar o golpe fatal, os feminicidas praticam uma série de outras violências de gênero, um movimento muitas vezes identificado como natural desentendimento amoroso ou doméstico.
Por isso, é fundamental ampliarmos a rede de atendimento à mulher em situação de violência e garantir a implementação no cotidiano do sistema de saúde um protocolo de identificação de casos de violência para denúncia imediata às autoridades. O Estado tem a obrigação de meter a colher em todos os casos suspeitos. E acompanhar todas as denúncias feitas.
Já está suficientemente demonstrado que muitas das mulheres vítimas de violência doméstica recorrem às unidades de saúde antes de alcançarem a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia de maus-tratos. Muitas morrem sem jamais terem acesso a qualquer instituição do Estado.
Uma pesquisa de 2016 – “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, encomendada ao Datafolha pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, demonstrou que 29% das mulheres brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência. Apenas 11% recorreram à delegacia da mulher. 43% dos casos de agressão ocorreram no domicílio.
Como se vê, Adriana, Marília e Carla nunca estiveram só: integravam involuntariamente uma comunidade de brasileiras para quais as instituições ainda estão de costas viradas. Por ser mulher, entrou da pior forma para as estatísticas. Na rua, nos bares, no mercado ou em casa, não importa. Neste exato momento, milhares de nós estamos sofrendo algum tipo de violência. Apenas por sermos mulheres.
É preciso seguir na luta. Por nós, por amor, por todas as que passaram pela minha vida, mulheres da família, minhas ancestrais, todas. Pelo direito de vida das mulheres, mas também vida com qualidade. Para que casos como esse não aconteçam!  Não aceitamos mais! BASTA!
*Hellen Frida é ativista feminista periférica, co-fundadora, gestora e produtora cultura da Casa Frida, ponto de cultura feminista e casa de acolhimento de mulheres em situação de violência no Distrito Federal. É pré-candidata a deputada distrital pelo PT.
Confira o artigo publicado nessa terça-feira (14) no site do Congresso em Foco ➡➡➡ https://bit.ly/2Mpd6au
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Precisamos falar sobre feminicídio nas escolas

Escrevo ainda impactada pelas imagens das agressões que precederam a morte de Tatiane Spitzner, ocorrida na madrugada do dia 22 de julho. Não sai da minha cabeça o momento em que Luiz Felipe Manvailer, principal suspeito de ter assassinado a advogada paranaense, levanta as mangas da camisa, de modo que elas não o impedisse de desferir uma série de golpes contra a companheira, evidenciando toda a sua frieza e crueldade.
Como não poderia deixar de ser, no dia seguinte à divulgação dos vídeos, conversei com as minhas turmas sobre a violência que acomete mulheres em todo o país. Pedi a eles que jamais esqueçam que a culpa nunca é da vítima, mas do agressor. Pedi ainda que não tolerem qualquer comentário que reforce a ideia equivocada de que as mulheres provocam, e em função disso, merecem apanhar.
Partindo dos estudos sobre o Iluminismo, semanas antes do assassinato de Tatiane Spitzner, organizamos um trabalho sobre o feminicídio, no qual os alunos e alunas do 8º ano deveriam realizar pesquisas a respeito desse tema. Entendo que a escola precisa manter um diálogo constante com as questões do nosso tempo, possibilitando aos estudantes refletir e questionar a sociedade na qual estão inseridos.
Na quinta-feira (09/08), teve início as apresentações dos trabalhos. Meu coração estava em festa! As conversas, a alegria e a movimentação da sala sinalizavam que tudo foi preparado com muito empenho, dedicação e alegria, formando assim, uma verdadeira “comunidade de aprendizado entusiasmada”, conforme nos ensina a educadora norte-americana Bell Hooks. Organizamos um semi-círculo para evidenciar que a participação e a colaboração de todos era importante. Dessa maneira, construímos um espaço horizontalizado, no qual eu também era uma aprendiz. Coube a mim apenas mediar as falas e o debate posterior à exposição dos alunos e alunas.
Alice iniciou a apresentação lembrando que a Lei do Feminicídio (13.104/15) foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. Ao ouvir a minha aluna, recordei que em 2015, um dia antes da morte violenta de mulheres por razões de gênero tornar-se crime hediondo, a Folha de S.Paulo publicou um editorial odioso, taxando a medida que alterou o Código Penal de “absurda”, “populista” e “extravagante”. Indignadas, um grupo de amigas feministas e eu, enviamos à Vera Guimarães Martins, na época ombusdman do jornal, uma série de mensagens repudiando a postura do maior periódico do país.
Marianny apresentou as terríveis estatísticas sobre a violência contra o sexo feminino. A partir do levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP, ela disse para a turma que 12 mulheres são vitimadas pelo feminicídio todos os dias. Com propriedade e segurança, Estefany afirmou que, “mulheres e meninas que sofrem violência psicológica, física ou sexual, devem denunciar” os agressores. Disse também que caso lhes faltem coragem, é importante dividir a dor e o sofrimento com alguém. Mayra completou dizendo que muitas não denunciam por vergonha, por se sentirem culpadas ou por medo de serem novamente agredidas ou até mesmo assassinadas pelo (ex-) companheiro ou (ex-) namorado.
As garotas criticaram ainda algumas letras de funk que desqualificam as mulheres e incentivam a cultura do estupro, como é o caso de “Surubinha de leve”, de autoria do MC Diguinho. A letra, que após mobilização na internet foi alterada, dizia o seguinte:
“Hoje vai rolar suruba / Só uma surubinha de leve/ Surubinha de leve / Com essas filha da p… / Taca a bebida / Depois taca a pica / E abandona na rua”.
Em resposta à canção machista e misógina, Alice, Estéfany, Mayra e Marianny apresentaram para os colegas uma paródia feita por Carol & Vitória, duas jovens feministas, cujos versos ficaram assim:
“Agora vou te responder / Então vê se senta e escuta / Olha o que ela tem a dizer / Essa que tu chama de filha da p… / Ãn ãn ãn ãn ãn pega visão / Pode vir sem dinheiro, mas trás papel e caneta / Pra ver se anotando entra algo nessa tua cabeça / Abusar a mulher é crime, estupro é violência, tira as mãos de cima dela e coloca na consciência / Só um recadinho de leve / Recadinho de leve / Sociedade machista / Não pensa que me ofende ao me chamar de feminista / Só um recadinho de leve / Recadinho de leve / Pra quem fala o quer / Não calo a minha voz pra defender uma mulher…”
Foi uma verdadeira apoteose. Não conhecia a paródia. Gostei tanto que aprendi a cantar. Ao final da apresentação, as meninas foram longamente aplaudidas pela turma. Aprendemos com o funk, com as estatísticas e com cada palavra que elas disseram. Sou capaz de afirmar que Dilma Rousseff e Eleonora Menicucci, duas das maiores defensoras da Lei do Feminicídio ficariam muito orgulhosas das minhas alunas. Simone de Beauvoir, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Heleieth Saffiotti, Margareth Rago, Constancia Lima Duarte, Sueli Carneiro e tantas outras ativistas pelos direitos das mulheres sentiriam orgulho também.
Garantir às mulheres o direito a uma vida digna é um dos grandes desafios do Brasil atual. Enquanto dedilho esse texto, certamente pelo menos uma brasileira foi agredida, estuprada ou morta. É preciso que toda a sociedade se empenhe no combate ao feminicídio e a todas as formas de discriminação que violentam, subjugam e inferiorizam o sexo feminino, sobretudo as afro-brasileiras. De acordo com o Mapa da Violência de 2018, do total de mulheres assassinadas entre 2006 e 2016, 71% eram negras.
A escola não pode ser indiferente a essa luta. Promover pedagogias feministas que empoderem as meninas e liberte os meninos da masculinidade tóxica e de todos os males que ela provoca, é mais que um dever. É uma obrigação.

*Luana Tolentino é mestra em Educação pela UFOP. Há 10 anos é professora de História em escolas públicas da periferia de Belo Horizonte e da região metropolitana da cidade.

(da Carta Educação)

Professora da EC 05 do Cruzeiro lança livro infantil na Bienal do Livro de Brasília

“Zezin & Quinzin na Sustentabilidade” é o sétimo livro da professora Ana Maria dos Reis, da EC 05 do Cruzeiro. A narrativa da publicação é contada em sextilhas dodecassílabas e é um apelo ao mundo, para que se cuide do planeta, da água dos rios, das nascentes. Para que as crianças e adolescentes reflitam sobre o planeta em que estamos. O livro será lançado dentro da programação da Bienal do Livro de Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, de 18 a 26 de agosto.
Este livro é o sétimo da escritora e poetisa, que também já publicou “Saga Mineira” (romance), “Minha alma azul” (poesias), “Supravida – Contos e Crônicas”, “Sertão de Maravaia” (romance), “Branda Brisa” (sonetos e poesias) e “Escola de Joaninhas” (poesias infantis). A professora é integrante da Academia Cruzeirense de Letras, já foi premiada em concursos literários e suas poesias integram várias outras coletâneas.
Contato para entrevistas ou para comprar alguns dos livros: anacunhamagalhaes@gmail.com e/ou pelo telefone 99901-5970. Os livros também podem ser comprados aqui.
O lançamento do livro “Zezin & Quinzin na Sustentabilidade” será no domingo (19), às 14 horas. A entrada é franca. Participe!
 
 
 

Luta contra o retrocesso marca o Dia do Basta

Essa sexta-feira (10) ficou marcada por ações e mobilizações por diversos pontos do Distrito Federal. No Dia do Basta, trabalhadores(as), movimentos sindicais, professores(as) em coordenação, a vice-presidente da CUT Nacional, Graça Foro e a população denunciaram o retrocesso imposto pela contrarreforma trabalhista, a privatização das estatais, a terceirização sem limites, o fim das políticas sociais, o congelamento dos gastos públicos, todo retrocesso na área da educação e uma série de outras medidas impostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer (MDB).
Durante a manhã o Sinpro realizou uma aula pública na Praça dos Aposentados e contou com a participação de estudantes do ensino médio e professores(as) em coordenação. Em todas as falas o sentimento era de basta a todo tipo de ingerência privatista em todos os níveis da educação pública e gratuita brasileira; ao desmonte das políticas educacionais, desde o ensino básico até o superior; ao desmonte das universidades públicas e da pesquisa científica; e pelo fim da BNCC e a revogação da reforma do ensino médio e da Emenda Constitucional nº 95, de 2016, que congelou por 20 anos os investimentos do dinheiro do Orçamento da União nos setores sociais.
Durante a tarde estudantes do Núcleo Bandeirante e do Paranoá participaram de debates no Sinpro. Para a diretora do Sinpro Luciana Custódio, os estudantes tem um papel importantíssimo na luta contra todo tipo de retrocesso nesse país. “Vocês são o futuro do Brasil. Cada um precisa se organizar nas suas escolas, nas ruas e lutar por mudanças. O que vemos atualmente é uma onda de desemprego, de privatizações, do desmonte da educação e da saúde, de aumento dos preços. O movimento estudantil é um movimento organizado e imprescindível para a mudança que precisamos. Vamos revolucionar!”, ressalta a diretora.
Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT Brasília, afirmou que o Dia do Basta foi um dia de mobilização da classe trabalhadora para alertar contra o golpismo que caminha pelo Brasil. “Em várias cidades tivemos atos, paralisações e manifestações. No DF, trabalhadores e sindicatos fizeram várias ações juntamente com suas categorias, com a realização de assembleias, aulas públicas, panfletagens e uma extensa programação de mais de 20 ações previstas e outras várias que aconteceram espontaneamente. Todas deram o recado que a classe trabalhadora não aceita mais os retrocessos impostos pelo governo Temer”.
A CNTE também esteve presente em várias ações realizadas nessa sexta e engrossou a luta pelo respeito aos direitos trabalhistas e à Educação. “É inaceitável o que o governo federal está tentando fazer com o país. Estão saqueando nossas riquezas, diminuindo o investimento em setores essenciais, como a Educação e a Saúde, e tirando direitos da classe trabalhadora. Nós não aceitaremos isto e cabe a cada trabalhador e a cada brasileiro lutar por um Brasil mais justo e igualitário”, ressalta a diretora de Finanças da CNTE, Rosilene Correa.
O coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes, finalizou dizendo que os sindicatos, cada um na sua área, trabalharam com a população para esclarecer os retrocessos impostos pelo governo Temer. “O Sinpro, trabalhando a área da Educação, optou por esclarecer aos estudantes do ensino médio o que significam essas reformas e as dificuldades que cada um terá para concluir o ensino médio com as alterações feitas na BNCC. Foi um dia de luta e mostra que a categoria, juntamente com os estudantes, não permitirá essa onda de retrocessos”, finaliza Cláudio.

I Seminário Internacional sobre Políticas de Equidade em Educação: Professores em Ação

A Universidade de Brasília (UnB) realiza nos dias 20 e 21 de agosto, no Auditório 3 da Faculdade de Ciências da Saúde, o I Seminário Internacional sobre Políticas de Equidade em Educação: Professores em Ação. O evento é especial para os professores da rede pública de ensino do Distrito Federal e oferecerá várias oficinas com temas diversos.
As inscrições poderão ser feitas no site da UnB. Confira abaixo a programação completa.
 
1º Dia – 21 de agosto de 2018
9h – Abertura
10h – ​Coffee break
10h20 – ​MESA: Violência: agente intersetorial à realidade da juventude em situação de rua.
Vanilson Torres ​- ​Conselheiro Nacional de Saúde; Coordenador Nacional do Movimento Nacional da População em Situação de rua – Representante do Rio Grande do Norte.
Carlos Eduardo – ​Presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da População em Situação de Rua Nacional.
Iara​ – Coordenadora do MNPR meninos e meninas.
Eduardo de Carvalho Mota -​ Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do adolescente de Goiás.
Jailson Borges​ – ​ Agente social, em situação de rua, do Serviço de Abordagem Social – DF
Mediadora -​ Tamara Rios: Especialista em Saúde Coletiva/Fiocruz; Integrante do Coletivo – Observatório na Rua – DF.
 
12h às 14h – ​Almoço
14h – ​MESA:​ ​Políticas de Promoção da Equidade Racial no SUS: avanços e desafios.
Marjorie Chaves​- Pesquisadora associada Nesp/Ceam-UnB e vice-coordenadora do Observatório da Saúde da População Negra; Doutoranda em Política Social e Mestra em
História pela Universidade de Brasília.
Emanuelle Silva​ -​ Programa Corra pro Abraço; Diretora de redução de riscos e danos da SUPRAD// da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia.
Midiã Noelle​ -​ Programa Corra pro Abraço- Coordenadora de comunicação do programa.
16h – ​MESA: Saúde Mental ​ – Álcool e outras drogas e redução de danos.
Andrea Gallassi -​ Professora do curso de Terapia Ocupacional da UnB; Coordenadora-Geral do Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas (CRR/FCE/UnB).
Emanuelle Silva -​ ​ Programa Corra pro Abraço; Diretora de redução de riscos e danos da SUPRAD// da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia.
Midiã Noelle​ -​ Programa Corra pro Abraço- Coordenadora de comunicação do programa.
17h30 – ​Coffee break
 
2º Dia – 22 de agosto de 2018
9h30 – ​MESA: ​Educação e Saúde Integral na Diversidade de gênero (LGBT)
Edu Cavadinha​ ​- Coordenador Observatório da Saúde LGBT Nesp/Cean-UnB
Michele Rosa – Formada em Ciências Sociais UnB, professora da rede de ensino. ​
David Azul -​ ​Professor da Universidade LaTrobe, Bendigo Austrália
10h30 – ​Coffee break
12h às 14h – ​Almoço
14h – Diversidade na escola: desafios da formação docente e o papel do professor
Clélia ​- Professora Adjunta da Faculdade de Ceilândia da Universidade de Brasília Claisy Marinho​ – Aportes da Psicologia Escolar no enfrentamento das iniquidades em contextos de ensino-aprendizagem.
Marly Silveira ​- Gestão da Equidade Racial e de Gênero, uma pesquisa em escolas de referência.
Mediadora: ​Natalia Fernandes – Mestranda em Saúde Coletiva
2ª mesa – ​Mostra de experiências: Práticas Inovadoras na Educação
Três convidadas
17h30 – ​Coffee break

Docentes de Novo Gama retomam greve

Professores em escolas públicas do município de Novo Gama decidiram retravar o movimento paredista. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (8), em assembleia. Os docentes iniciaram uma greve em março desse ano, que durou sete dias, porém, com a promessa de acordo, a categoria pôs fim a mobilização. Além de deliberarem sobre a retomada do movimento, a categoria realizou passeata pela cidade e alertou a população sobre os retrocessos impostos pela atual gestão.
De acordo com Francisco Lima, presidente do Sinpro-NG, ― sindicato que representa o magistério local ―, antes do início da assembleia, a diretoria da entidade tentou contato com a prefeita Sônia Chaves (PSDB) que, mostrando total descaso com o pleito da categoria, recusou-se a dialogar com os trabalhadores alegando agenda cheia. “Nós, do Sipro-NG, fizemos o possível para evitar recomeçar uma greve, porém, a prefeita não nos deu alternativa. Lutamos muito por esses direitos e não abriremos mão deles tão facilmente. Contamos com apoio e compreensão de todos”, explica o sindicalista.
Os trabalhadores vêm sofrendo constantes ataques. Além de não receberem as gratificações de merecimento e aperfeiçoamento desde janeiro de 2017, a categoria também foi comunicada, sem qualquer tipo de aviso prévio, sobre o fim da jornada ampliada. O benefício foi conquistado pelos professores através de muita luta, fruto de uma greve realizada em 2014, que durou 71 dias. A justificativa para a extinção do modelo de trabalho é a carência de verbas para arcar com as despesas do previdenciário patronal.
Pelo modelo, a escola funciona cinco horas no turno matutino e mais cinco no turno vespertino. O docente trabalha cinco horas na sala de aula em um dos turnos, e o tempo restante é destinado à coordenação e ao planejamento das aulas, totalizando 40 horas semanais. Com a extinção da jornada ampliada, o professor ficaria com as oito horas destinadas apenas à sala de aula, trabalhando em duas turmas e em dois horários distintos.
Para piorar ainda mais a situação desses trabalhadores e trabalhadoras, Francisco afirma que a categoria está com os salários atrasados há nove dias.  Sobre os atrasos, a prefeitura informou que não recebeu os repasses do Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – e que pretendia depositar os vencimentos dos trabalhadores ainda nesta quinta (9).
“Esperamos receber os atrasados o quanto antes, mas também queremos que a gestão local atenda nossas demais reivindicações. A prefeitura tem descumprido acordos e dificultado o diálogo. Pedimos unidade da categoria e, principalmente, compreensão da população. Exigimos respeito e esperamos que esse impasse seja resolvido o quanto antes”,  ressaltou.
Nesta sexta-feira (10), uma nova assembleia acontece para avaliar os rumos do movimento. O encontro acontece às 9h, em frente à prefeitura.

Inscrições abertas para o curso gratuito de línguas indígenas na UnB Idiomas

Começaram as inscrições para o curso de línguas indígenas na UnB Idiomas. Os professores são estudantes indígenas da graduação e pós-graduação da UnB. As línguas ofertadas durante o curso são Yathe, Baniwa, Ticuna, Quechua e Tupi.
O curso será gratuito e são 30 as vagas disponíveis. As inscrições podem ser feitas aqui até o dia 17/08. As aulas serão aos sábados, de 9h às 12h, entre 25/08 e 24/11.
Participe!

Como lidar com as dores da mente na escola?

O que vem à sua mente quando você ouve a palavra “saúde”? Com frequência, o aspecto corporal é priorizado em detrimento dos fatores psicológico e emocional. Autor da célebre frase “mente sã, corpo são”, o poeta romano Décimo Júnio Juvenal viveu no primeiro século depois de Cristo e, naquela época, sabia da importância de cuidar tanto da psique quanto da carne. Mais de 1.800 anos depois, porém, o bem-estar da alma ainda não é levado tão a sério quanto o físico. Apesar de ser um assunto muito importante, a saúde mental não recebe a devida atenção e ainda é permeada por tabus, preconceito e desconhecimento; entraves para que pessoas que passam por problemas nesse campo consigam falar sobre a questão. E, nessa área, quando alguém sente que não pode contar ou conversar com ninguém, a situação chega a ponto crítico. A consequência extrema, o suicídio, ainda é pouco debatida nos mais diversos espaços de educação e na mídia.

O silêncio sobre o assunto resvala no temor de que disseminar informações sobre isso possa estimular mais mortes. É um risco real quando o problema não é abordado de maneira adequada. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que o jornalismo tem um papel fundamental na prevenção do autoextermínio, desde que com cautela e responsabilidade. “O relato de suicídios de uma maneira apropriada, acurada e cuidadosa, por meios de comunicação esclarecida, pode prevenir perdas trágicas de vidas”, afirma o manual para profissionais da mídia da entidade, disponível no link. O problema – que afeta pessoas de todas as classes sociais, idades, religiões e gêneros – é muito grave para que a imprensa e a sociedade se calem sobre eles. Falar sobre isso, de forma responsável, sem alarmismo e enfrentando os estigmas relacionados ao assunto, é um fator de prevenção.
Nos últimos anos no Distrito Federal, os casos de suicídio passaram de 100 por ano, e os de tentativa ultrapassam 100 por mês. Até maio de 2018, 804 pessoas tentaram se matar, das quais 41 morreram. Em 2017, foram 1.916 tentativas e 167 óbitos. Em 2016, o número de mortes foi de 151. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) e do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF). No Brasil, em média, 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano, segundo o Ministério da Saúde. Entre 2011 e 2015, foram 55.649 casos, mais de cinco a cada 100 mil habitantes anualmente. Idosos acima dos 70 anos, pessoas com até três anos de estudo e a população indígena são os três maiores grupos que chegam a óbito. Mundialmente, são 800 mil mortes por ano, de acordo com a OMS. Para cada pessoa que morre desse maneira, outras 20 atentam contra a própria vida.
Muitos dos casos estão associados a algum tipo de transtorno psiquiátrico; o restante envolve problemas psicológicos. Ambas as situações, tratáveis, quando se procura ajuda. A depressão, que atinge mais de 300 milhões de pessoas globalmente, é apontada pela OMS como uma das principais causas da autodestruição. Outros fatores de risco são a dificuldade de lidar com estresses agudos ou crônicos e a violência baseada em gênero, o abuso infantil e a discriminação. No mundo, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos – uma população amplamente frequentadora de escolas, cursinhos e faculdades. Essas instituições, em parceria com as famílias, podem conseguir resultados muito positivos, criando ambientes amigáveis, ao instigar relações que não sejam puramente acadêmicas, mas baseadas em pessoalidade, respeito e preocupação.

É preciso levar a sério

A aura de segredo que se faz presente ao tocar no assunto do autoextermínio não tem ajudado a prevenir a questão, pelo contrário: impede que pessoas tenha abertura para falar sobre isso. E o pior: reprime as que criam coragem para abordar o sofrimento psíquico. “A abertura para escutar é o que mais salva”, defende Felipe de Baére, psicólogo, mestre e doutorando em psicologia clínica e cultura pela Universidade de Brasília (UnB). “Não tem receita pronta, cada caso é um caso, mas, quando a gente se dispõe a ouvir o que o outro tem a dizer, inclusive falando sobre o desejo de morrer, isso pode fazer com que ele se organize emocionalmente.” Nem todos conseguirão se abrir, mas mostrar um ombro amigo vale muito. “Às vezes, também, a pessoa não consegue se abrir porque quem está ouvindo não tem condições de escutar, vem com frases prontas, querendo encerrar o assunto, por exemplo”, diz ele, que tem experiência com intervenção, avaliação e prevenção de risco de suicídio no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).

“A maioria das pessoas que vem a óbito dessa maneira, em algum momento, sinalizou esse desejo, conversando com alguém, demonstrando por meio de comportamentos…”, destaca. Mas nem sempre é assim. “A literatura aponta que costuma haver alguma sinalização, mas isso não é universal. Há quem tome uma decisão sobre o suicídio e não conte para ninguém.” Um quadro que, entre estudantes, poderia se reverter com mais estímulo à comunicação e à expressão de sentimentos em ambientes educacionais. Atualmente, mesmo quando a intenção de tirar a própria vida é manifestada, isso não quer dizer que uma intervenção será feita. “O problema é que, numa sociedade que preza a individualidade, um salve-se quem puder, cada um se proteja como pode. Tem gente que, infelizmente, não leva a sério, deixa para lá”, afirma. Segundo Felipe de Baére, é preciso prestar mais atenção aos sinais, além de não banalizá-los.

“Tem quem ache que uma manifestação é só ‘coisa para chamar a atenção’. Mas, se a pessoa está utilizando uma ameaça contra a própria vida, mesmo que tenha desejo de chamar atenção, a gente tem de escutá-la”, diz. De acordo com o acadêmico, é fundamental desmistificar e abrir espaço de diálogo, não só sobre o suicídio em si, mas sobre saúde mental. Tópicos que, muitas vezes, famílias e instituições de ensino tentam evitar. A popularidade da série 13 reasons why, exibida na plataforma de streaming Netflix, evidencia o interesse dos próprios jovens pelo assunto, então é melhor que aprendam sobre ele com referências corretas. E, quanto mais cedo o trabalho começa, melhores são os resultados. “Um exemplo positivo é o programa Amigos do Zippy (conheça a proposta e as escolas participantes no site), que desenvolve educação emocional entre alunos do 1º e do 2º anos do ensino fundamental. É uma pedagogia afetiva para as crianças chegarem mais preparadas à adolescência”, elogia Baére. “Quando você cria uma campanha institucional que viabiliza melhor a comunicação entre a comunidade acadêmica, nem que seja dizendo um simples ‘bom dia’ para alguém que passa com a cara emburrada, isso já cria outra atmosfera.”

Acolhimento na prática
Exemplo disso é o Projeto Gentileza, desenvolvido desde o início do ano no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 10 de Ceilândia. “Trabalhamos valores perdidos na sociedade, o convívio harmônico, o cuidado com o outro, saber se colocar no lugar do outro, a autoestima”, observa Flávia Hamid Cândida, diretora do centro de ensino. Professora de geografia, ela percebe que as atividades previnem e combatem casos de bullying, automutilação e tendências autodestrutivas. A preocupação com a saúde mental dos estudantes têm se intensificado na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SE/DF), e Ceilândia é um foco de atenção por ser a região onde a pasta observou maior número de ocorrências entre estudantes. “É a maior regional que temos, não em quantidade de escolas, mas de alunos. Então, os números de lá são maiores”, pondera Jackeline Domingues de Aguiar, diretora de Serviços e Projetos Especiais de Ensino da SE/DF. Desde 2009, o órgão promove, anualmente, a Semana de Educação para a Vida, com atividades nas escolas públicas.
No ano passado, bullying e suicídio foram as grandes temáticas trabalhadas. Em maio de 2018, as atividades envolveram proteção da criança e do adolescente. “Cada colégio tem sua programação. O objetivo é envolver toda a comunidade escolar de todas as etapas e modalidades, do ensino infantil à educação de jovens e adultos (EJA)”, diz. “Algumas escolas acabam se destacando porque têm projetos, caso do CEF 10 de Ceilândia. O que a gente acha mais interessante da proposta é que ela foi incorporada pelo projeto pedagógico da unidade, envolve todas as matérias e atende plenamente o currículo da educação básica, estimulando o respeito aos outros e a valorização da vida”, elogia. Ações como essa, avalia Jackeline, mudam a concepção dos funcionários e dos alunos e têm mais efetividade do que intervenções isoladas. “Temos tentado ao máximo fomentar isso na rede.”A atuação de professores, orientadores e diretores é crucial para identificar e agir em casos críticos.
“Estamos buscando oferecer formação para capacitá-los nesse sentido para ficarem atentos ao comportamento dos estudantes e agir a cada mínima suspeita. E é preciso envolver a Secretaria de Saúde nisso também porque necessitamos da ajuda de profissionais de lá, mas ainda não atuamos em rede nesse sentido”, comenta. O fundamental nas escolas é formar uma rede de acolhimento. “Quando os alunos sentem confiança na equipe gestora, o relacionamento é outro, e eles sabem quem procurar em caso de problemas”, diz. Nesse sentido, o projeto do CEF 10 de Ceilândia é um caso de sucesso. A comunicação mudou completamente na comunidade escolar, passando a contar com abertura muito grande entre professores, coordenação e alunos. “Às vezes, chega um estudante, você diz ‘pois não?’, e ele responde ‘eu só vim te dar um abraço’. A porteira até estranhou o fato de os meninos passarem a comprimentá-la ao chegar à escola. É muito gratificante”, comemora Angela Santos, idealizadora da proposta.
Os efeitos do projeto Gentileza
Professora de história que trabalha na sala de leitura do colégio, Angela Santos explica que a iniciativa tem como missão resgatar valores e incentivar uma convivência harmoniosa e gentil na unidade escolar. “Eu via os alunos com aquela falta de respeito e ficava pensando: o que posso fazer para ajudar a escola a melhorar isso? Aí surgiu a ideia, recebi apoio da direção e de todos os outros professores.” A ação foi abraçada por todo o colégio e incorporada pela Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola), que engloba outros projetos da unidade, como a horta. A fonte de inspiração da proposta é o Profeta Gentileza (1917-1996). A frase mais famosa dele é “Gentileza gera gentileza”. As paredes do CEF 10 de Ceilândia estão marcadas por mensagens de esperança em murais produzidos pelos estudantes.
O projeto atinge os 740 alunos e os 70 funcionários (incluindo os 40 professores) da escola, e as atividades são desenvolvidas dentro de disciplinas e também no contraturno escolar, por meio de vídeos, debates, pesquisas, encenações e outras ações. O retorno é muito positivo. ” Se as pessoas ficam gentis, não tem mais bullying, então resolve muita coisa”, aponta Angela. Lorena Sant’ Ana, orientadora educacional, relata que nem escutava mais “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” no colégio, algo que mudou completamente. “Faz parte do trabalho resgatar a educação e proliferar a gentileza na escola e em casa”, diz. A orientadora educacional Dulceli Amaral explica que o Gentileza permeia, agora, todas as atividades da escola.
Outra boa notícia é que os pupilos passaram a frequentar o local também fora do horário de aula. “A escola está viva, há o que se fazer aqui. Eles estão vindo e não é valendo nota”, observa Mercy Oliveira, professora de biologia. As atividades estimulam os jovens a terem orgulho do ambiente onde estudam e vivem, algo necessário, especialmente em Ceilândia, na visão das professoras. “Existe preconceito com relação à cidade. Para um adolescente que está em conflito ou em crise, é mais uma coisa para somar à lista”, destaca Lorena. “Por isso, temos ações no sentido de valorizar também o lugar onde vivemos”, acrescenta Angela. As atividades também se estendem aos responsáveis. “A grande maioria dos pais estão buscando o sucesso dos filhos no boletim, e não na vida. É difícil trazer os adultos para a escola, o único momento em que eles participam mais é na reunião de entrega de nota”, afirma Lorena.

Falar de vida
Por isso, a orientadora educacional resolveu adotar estratégia diferente. “Trouxemos um conselheiro tutelar e uma pedagoga para a reunião a fim de falar da importância de olhar, escutar e conhecer os filhos, pois existe carência emocional.” Um relacionamento familiar saudável se torna ainda mais vital durante a adolescência. “A autoestima está arrastando no chão, há uma série de conflitos internos e externos. Por isso, é missão do Gentileza também mostrar o lado bom da vida”, esclarece. Ações continuadas, como o projeto desenvolvido no CEF 10, avalia Lorena, valem muito mais do que “dias D” de conscientização sobre suicídio. “Por que vamos parar para falar de morte se podemos falar de vida? Estamos falando de vida desde o início do ano, e a semente começou a dar frutos”, conta. E quanto mais cedo um trabalho como esse começar, melhor. “No ensino fundamental é que devemos despertar para isso. Se a valorização da vida não for trabalhada agora, os problemas aparecerão no ensino médio. Duas ex-alunas que foram para o ensino médio este ano cometeram suicídio”, lamenta. Acompanhe as atividades do projeto e do CEF 10 de Ceilândia no blog .
Confira aqui relatos de adolescentes que estudam no CEF 10 de Ceilândia.
(do Correio Braziliense)
 

Feira Cultural dos(as) Professores(as) Aposentados – Dia 08/08/18

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