Temer quer acabar com as bolsas de pós-graduação da Capes em 2019
Jornalista: Leticia
A proposta de orçamento do governo de Michel Temer (MDB) para 2019 pode acabar com todo o programa de incentivo à pesquisa científica no país na pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado). O Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) enviou nota ao Ministério da Educação alertando que, caso o orçamento previsto para a Capes em 2019 não seja alterado, as bolsas de pós-graduação e programas de formação de professores (as) serão suspensos.
De acordo com a nota da Capes, “foi repassado à Capes um teto limitando seu orçamento para 2019 que representa um corte significativo em relação ao próprio orçamento de 2018, fixando um patamar muito inferior ao estabelecido pela LDO”.
Desta forma, as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado seriam suspensas, afetando quase 100 mil estudantes e pesquisadores. Outros 100 mil bolsistas seriam atingidos pelos cortes dos programas de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), de Residência Pedagógica e de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). Também haveria consequências para o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e o programa de mestrado profissional para professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB). Mantido o orçamento destinado à Capes, em agosto do ano que vem deixariam de receber 245 mil beneficiados, entre alunos e bolsistas.
No ofício, a Capes ainda alerta para o impacto negativo para os programas de formação de profissionais em parceria com instituições estrangeiras, o que pode implicar, inclusive, em problemas diplomáticos. “Um corte orçamentário de tamanha magnitude certamente será uma grande perda para as relações diplomáticas brasileiras no campo da educação superior e poderá prejudicar a imagem do Brasil no exterior.”
Um abaixo assinado de repúdio pela redução orçamentária da Capes foi organizado e para assiná-lo basta acessar este link.
(com informações da Carta Capital, Rede Brasil Atual e Agência Brasil)
1° Ciclo de Formação UnB-EPNBraz 2018 termina as inscrições nesta sexta (3)
Jornalista: Leticia
O 1° Ciclo de Formação UnB-EPNBraz 2018 está com inscrições abertas para servidores (as) da SEE/DF até esta sexta-feira (3), na Escola Parque da Natureza de Brazlândia (Setor Tradicional Sul, Chácara 07). São 10 vagas, com carga horária total de 40h (com certificação pela UnB). O horário é de 9h às 12h.
As inscrições são feitas na Secretaria da escola, portando RG e cópia do contracheque.
Programação:
08/08 – Oficina “Circuito sensorial para conhecer e valorizar o cerrado”
15/08 – Minicurso “Brasília, uma cidade educadora: sobre educação patrimonial e o desenho da cidade – parte 1”
19/07 – Palestra e oficina “Escola nas estrelas”
26/09 – Apresentação sobre teatro político e vídeo popular
24/10 e 31/10 – Oficina “Prosa e fogão: conversas culinárias”
14/11 – Roda de conversa sobre práticas pedagógicas inovadoras
21/11 – Oficina sobre Educação Ambiental, natureza e mudanças do clima
05/12 – Debate “Visão crítica da mídia”
12/12 – Minicurso “Brasília, uma cidade educadora: sobre educação patrimonial e o desenho da cidade – parte 2”
Participe!
Projeto Servir da EPNBraz encerra inscrições nesta sexta (3)
Jornalista: Leticia
Servidores da SEE/DF tem até esta sexta (3) para se inscreverem no Projeto Servir, com aulas de violão, percussão e esportes de aventura. As aulas são ministradas na segunda-feira, quarta-feira ou sexta-feira, de 7h50 às 8h35, na EPNBraz (Escola Parque da Natureza de Brazlândia (Setor Tradicional Sul, Chácara 07).
As inscrições são feitas na Secretaria da escola, portando RG e cópia do contracheque.
Participe!
1ª Mostra de Cinema da Casa do Cantador em Ceilândia começa nesta sexta (3)
Jornalista: Leticia
Durante todas as sextas-feiras de agosto, serão exibidos filmes clássicos na Casa do Cantador (Quadra 32 Área Especial G – Ceilândia) e a trilha sonora das produções será executada ao vivo, pela banda brasiliense Protofonia.
“Luzes da Cidade” é o primeiro filme que será exibido, na sexta (3), a partir das 18h30. Em seguida serão apresentados “O Inquilino” (10), “Metrópolis” (17), “Encouraçado Potemkin” (24) e “Limite” (31).
A entrada é franca. Mais informações do evento no telefone (61) 98180-3321 ou na página do evento no Facebook.
Participe!
Inscrições abertas para o Exame Nacional de Acesso ao PROFMAT 2019
Jornalista: Luis Ricardo
Já estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Acesso para o Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT) pela Universidade de Brasília (UnB). A pós-graduação é voltada para os(as) professores(as) que atuam nos ensinos fundamental e médio, e tem a duração de 2 anos. São 1.833 vagas distribuídas em 75 instituições associadas em 96 cidades brasileiras. O período de inscrição vai até o dia 17 de setembro e pode ser feita pelo site http://ena.profmat-sbm.org.br.
O Mestrado Profissional em Matemática é um programa de pós-graduação na área de Matemática de alcance nacional. Ele é desenvolvido por uma rede de instituições de ensino superior e coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática junto com o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. Além disso, conta com o apoio da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O curso representa uma excelente oportunidade para os professores que buscam uma especialização. A pós-graduação, que pertence à modalidade stricto sensu, é de graça e reconhecido pelo MEC.
29% dos professores fazem “bico” para complementar renda
Jornalista: Leticia
De Santo André, no ABC paulista, onde mora, até a Vila Industrial, na zona Leste de SP, onde fica a Escola Municipal de Ensino Fundamental Altino Arantes, onde trabalha, Yolanda Maza leva mais de uma hora para chegar. Professora de educação física, ela tem 12 turmas, entre 4° e 9º anos, Yolanda também é personal trainer, em parques e condomínios. No fim da tarde parte para atender seus clientes nos bairros de Higienópolis e Ipiranga, nas regiões central e sudeste de SP.
A rotina de trabalho começa às 6h30 da manhã e acaba por volta das 22h. Às vezes, segue por mais algumas horas: “Em tese, tenho três horas-aula da escola que são destinadas a planejamento e correção de trabalhos, mas é impossível dar conta disso, fora as tarefas burocráticas que temos de cumprir. Acabo fazendo em casa”, afirma. Aos sábados ela também trabalha, na escola, e sobram os domingos para fazer cursos de formação. Boa parte de suas refeições são lanches, comidos no carro.
“Prego a qualidade de vida, a prática de esportes, a boa alimentação, mas na minha própria rotina é muito difícil seguir tudo isso”, lamenta ela, que precisa manter as duas atividades para totalizar a renda mensal. Mas se antes desejava ter as turmas de alunos que agora tem, hoje ela sonha com uma jornada de trabalho de oito horas para que sobre tempo para treinar, dormir e se alimentar adequadamente.
Segundo uma pesquisa do Movimento Todos pela Educação, 29% dos professores de ensino fundamental possuem outra atividade para complementar a renda. Na rede particular, 38% dos docentes recorre ao “bico” para engordar o salário e 22% dos professores municipais e 30% dos professores estaduais fazem o mesmo. O Todos pela Educação ouviu mais de 2 mil professores nas capitais do país, entre março e maio de 2018. A maioria dos dos professores não desenvolve atividades relacionadas à educação nos bicos.
O aumento na renda é de R$ 439,72 mensais, em média, também de acordo com o levantamento do Todos pela Educação. Segundo pesquisa de 2014 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação sobre a remuneração docente mostrava que professores de escolas particulares tinham o menor salário médio do País: R$ 2.996, 66, valor 16,2% menor do que nas redes estaduais e 12,1% a menos que nas municipais.
Para medir o trabalho dos professores, o Inep criou o indicador de esforço docente, levando em conta o número de turnos de trabalho, alunos atendidos e em quantas etapas leciona. Em São Paulo, entre os professores dos anos iniciais do ensino fundamental, que dão aula de todas as disciplinas, 44,6% atuam em mais de uma escola. Na rede pública, a proporção alcança 29,1%. A taxa na rede privada aumenta nas etapas seguintes: 53,9% no final do ensino fundamental (6.º ao 9.º ano) e 54,4% no ensino médio.
(da Revista Forum)
Vez para a educação pública, voz contra os retrocessos
Jornalista: Leticia
Poucos meses antes das eleições de 2014, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee lançou a campanha “Voto, voz e vez para a educação”. Naquela ocasião, argumentávamos que, embora a educação seja uma das pontas de uma espécie de “santíssima trindade” das promessas, ao lado de saúde e segurança pública, de todos os pleiteantes a um cargo eletivo, da vereança de um município à Presidência da República, juras eleitoreiras estão longe de ser compromissos.
Tanto é que, mesmo quando programas de governo ou de mandato contemplam as reais reivindicações da sociedade, ainda assim nem sempre são executados. Por isso, nossa defesa, naquele momento, era justamente a reinserção dos pleitos educacionais das entidades representativas dos professores, técnicos administrativos e estudantes, bem como do movimento social, na agenda da disputa.
Isso passava, quatro anos atrás, por questões emblemáticas da luta educacional até aquele momento, o que incluía, sobretudo, a viabilização e concretização da conquista representada então pelo Plano Nacional de Educação (PNE), insistindo não só no cumprimento da meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação, mas também no argumento de que essa destinação devia ser exclusiva à educação pública, algo que não ficara assegurado no Plano.
Outra questão, cara à Contee — que representa mais de 1 milhão de professores e técnicos administrativos que atuam no ensino privado —, era a implementação, até 2016 (dois anos após a promulgação do PNE), do Sistema Nacional de Educação (SNE). A entidade reafirmava, assim, com a campanha, de acordo com a justificativa presente nos materiais divulgados em 2014, “a importância do acompanhamento do período eleitoral para garantir a inclusão da educação pública, gratuita e democrática, bem como a regulamentação da educação privada, como compromisso das candidaturas”.
Em vez da instituição do SNE, contudo, o que o ano de 2016 trouxe foi o golpe parlamentar-jurídico-midiático que, longe de apenas culminar no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, parece ter se retroalimentado dele para continuar sua avalanche de retrocessos sobre as políticas e os direitos sociais, incluindo o direito à educação. Em vez da ampliação de recursos para a educação pública, paulatinamente, até atingir 10% do PIB em 2024, o que se teve foi a Emenda Constitucional 95 e o congelamento dos investimentos públicos no Brasil por 20 anos.
Em vez da efetivação da destinação de 75% dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal para o setor, o que se vê é o desmonte da Petrobras e a entrega das reservas brasileiras aos interesses estrangeiros. Em vez de políticas de inclusão, o que está em pauta é regulamentação, via Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de uma reforma do ensino médio excludente e privatista. Em vez da valorização da docência o que se enfrenta é a reforma trabalhista, a desprofissionalização do magistério e sua perseguição e criminalização praticada por movimentos reacionários como o Escola Sem Partido e seus projetos de lei da mordaça.
Nas eleições de 2018, mais uma vez somos convocados a estar atentos a candidaturas que assumam compromissos com a educação pública. A questão, porém, que eleva a complexidade da tarefa, é que não mais estamos diante apenas da defesa de conquistas pelas quais lutamos durante décadas, mas, sim, perante a necessidade premente de reverter os retrocessos que têm sido imputados com a destruição do Estado de Bem-estar Social e do Estado Democrático de Direito no Brasil. Alan Francisco de Carvalho é coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Contee
(da Carta Educação)
Intoxicação por agrotóxicos atinge escolas e envenena crianças em zonas rurais
Jornalista: sindicato
“Eu senti náusea, tontura. É ruim porque você quer vomitar, mas fica preso na garganta”, conta Danilo, um garoto de 13 anos, sobre a pulverização de agrotóxicos em plantações próximas à sua escola, localizada em uma zona rural a algumas horas de distância de Goiânia, capital do estado de Goiás.
“Me dá dor de cabeça. Eu tento me sentar do outro lado da sala de aula [do lado oposto de onde aplicam os agrotóxicos]. Nós temos um ventilador ele ajuda um pouco, mas o cheiro continua”, complementa o menino. O depoimento está entre dezenas de declarações coletadas pela Human Rights Watch (HRW), publicadas no relatório “Você não quer mais respirar veneno”, lançado pela organização na semana passada. O estudo apresenta dados recolhidos no período de julho de 2017 a abril de 2018, em sete zonas rurais localizadas nas cinco regiões geográficas do país.
Danilo faz parte de um número relevante de pessoas que sofrem com intoxicações agudas causadas pelo uso irregular de agrotóxicos e pesticidas em plantações próximas a áreas rurais, incluindo comunidades indígenas e quilombolas. Os envenenamentos são consequência da pulverização inadequada dos produtos tóxicos nas proximidades de suas comunidades, casas, escolas e locais de trabalho.
Reconhecida internacionalmente por atuar na defesa dos direitos humanos, a HRW alerta que há graves falhas na proteção de comunidades rurais expostas à dispersão de agrotóxicos. A intoxicação acontece quando os agrotóxicos se dispersam ou evaporam durante sua aplicação e seguem para áreas próximas nos dias posteriores a pulverização.
“Dava pra ver o líquido branco [no ar]. Mesmo cheirando, vai para o seu cérebro. Você sente um amargor na garganta. Você não quer mais respirar veneno – você quer respirar outro tipo de ar – mas não tem nenhum”, diz Jakaira, um homem com pouco mais de 40 anos, que vive em uma comunidade indígena no estado do Mato Grosso do Sul e sofreu uma intoxicação grave em outubro do ano passado.
Fora da lei
Segundo a legislação brasileira, a pulverização aérea de agrotóxicos deve ocorrer a 500 metros de povoações, cidades, bairros e áreas de mananciais de captação de água para abastecimento. Mas, o relatório evidencia que esta regra é frequentemente ignorada.
Em todos os locais visitados, os entrevistados afirmaram sentir os sintomas da intoxicação dos agrotóxicos recentemente aplicados nas plantações próximas.
“São comunidades locais que ficam lado a lado de grandes plantações e acabam sendo atingidas pela deriva dos agrotóxicos. Apresentam sintomas como dor de cabeça, enjoo, náuseas, vômito, irritação na pele e nos olhos, que são sintomas de intoxicação aguda”, explica João Guilherme Bieber, consultor da Human Rights Watch e um dos co-autores do relatório. Sudorese, tontura e frequência cardíaca elevada são outros indícios de intoxicação.
Grávida, Eduarda, moradora de uma comunidade rural localizada a algumas horas da cidade de Santarém, no Pará, também sentiu os efeitos da pulverização próxima a sua casa.
“Eu me senti mal, com enjoo e dor de cabeça. Vomitei muito. Depois que comecei eu não conseguia parar. Tive que ligar para o meu marido pedindo ajuda. Estou grávida e minha principal preocupação era com meu filho, estava preocupada que isso pudesse afetar sua saúde”, declarou à organização.
Bieber critica o não cumprimento da lei que estabelece um distanciamento seguro da população para a aplicação dos agrotóxicos nas plantações.
“Observamos que essa norma é constantemente ignorada, violada. Para pulverização terrestre, por trator, não existe uma norma correspondente à nível nacional, alguns estados tem essa norma, mas mesmo nestes estados, ela é também é ignorada”, destaca Bieber.
Veneno
Em 2013, cerca de 92 estudantes e professores foram intoxicados por agrotóxicos pulverizados sobre uma escola em Rio Verde, no estado de Goiás. A substância tóxica era o Engeo Pleno, da multinacional suíça Syngenta.
Cinco anos depois, o episódio segue impune e a realidade é ainda pior. De acordo com o Ministério da Saúde, foram registradas 13.982 intoxicações por agrotóxicos no país em 2017. Desse total, 1068 correspondem a trabalhadores agropecuários e 1.050 estudantes. O relatório aponta que muitas escolas dividem muro com as áreas rurais onde os produtos são aplicados.
Marelaine, professora em uma comunidade rural no sul da Bahia, relata à organização que a situação é frequente no seu local de trabalho. “O avião estava jogando do lado da escola e o vento trazia para a escola. Não dava para sentir o cheiro, mas dava para sentir a neblina, o vapor [de agrotóxicos] entrando pela janela. As crianças, entre 4 e 7 anos reclamavam que suas gengivas e olhos estavam ardendo”, detalha.
A Human Rights Watch também entrevistou estudantes e professores de uma escola rural no Mato Grosso, onde há plantações bem ao lado do terreno escolar. As salas de aula mais próximas estão a aproximadamente 15 metros dos campos.
Carina, que frequenta a Educação de Jovens e Adultos (EJA) da unidade de ensino, sofreu uma intoxicação aguda em 2017. “Eu comecei a vomitar várias vezes, até que vomitei tudo que tinha no estômago e continuei com ânsia. As aulas foram canceladas para todo mundo e eu fui para casa”, descreve.
Além das regiões bem próxima às escolas, moradores afirmaram que aviões realizam a pulverização sobre suas casas, interrompendo atividades cotidianas como o trabalho na horta e brincadeiras ao ar livre.
Pela vida
Lançada em 7 de abril de 2011 por mais de 30 organizações sociais, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, se mobiliza contra a falta de fiscalização que existe no Brasil em relação ao uso de agrotóxicos.
Segundo Alan Tygel, coordenador da Campanha, desde o início desse movimento uma de suas bandeiras prioritárias é a proibição da pulverização aérea.
“A pulverização aérea é o meio mais cruel de pulverização dos agrotóxicos que existe”, determina Tygel.“[A pulverização] é proibida na Europa há muitos anos, justamente pelos danos que pode causar: poluição do ar, das águas, dos rios, do solo, mas principalmente danos relacionados às populações que vivem nos entornos das áreas”. O coordenador cita que no Espírito Santo e no Paraná há municípios que conseguiram proibir a pulverização.
“É uma arma química que tem como vítimas principais a sociedade e principalmente as crianças, com sua maior sensibilidade aos problemas que os agrotóxicos podem causar”, reforça Tygel.
Retaliações
Outra constatação apresentada pelo relatório é a de que em cinco dos sete locais visitados pela organização, o recebimento de ameaças feitas por grandes proprietários de terras é frequente.
Na avaliação de Maria Laura Canineu, diretora do escritório da Human Right Watch no Brasil, o clima é de extrema intimidação e medo para as pessoas do campo.
“Documentamos ameaças físicas, de morte, contra pessoas que foram afetadas em suas comunidades, nos seus direitos à saúde, educação e que querem proteger suas famílias. Por isso têm medo de denunciar mesmo os casos de problemas de saúde em razão do poder, da influência e violência por parte de grandes proprietários de terra, fazendeiros, que são política e economicamente muito mais fortes”, denuncia a diretora Maria Canineu.
Ela comenta que a Secretaria Especial de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar deu um sinal positivo de que acataria uma das diversas recomendações feitas pela organização, especificamente relacionada a criação de normas objetivas que proibissem a aplicação de agrotóxicos por via terrestre perto de escolas e comunidades.
“É a saúde e a vida de milhares de crianças, membros de comunidades rurais quilombolas e indígenas que estão sob risco”, ressalta Maria Laura.
Bernardo, que está na faixa dos 30 anos e vive em uma comunidade quilombola localizada a algumas horas de Belo Horizonte, expôs um sentimento de frustração ao aguardar um posicionamento do Estado contra os efeitos da pulverização.
“Esta semana, um avião passou por cima da casa [de um vizinho] com o motor [de pulverização] ligado. A gente sente [os agrotóxicos] caindo na pele. Toda vez que bate, tem isso. Nós temos problemas com aviões há uns 10 anos. Fizemos várias ocorrências no quartel, delegacia [de polícia civil]. Não resolve, não existe justiça”.
A HRW também defende e afirma que atuará para que moradores de zonas rurais que estão sendo ameaçados recebam proteção do Estado. *Os depoimentos dos moradores de zonas rurais apresentados nesta matéria foram retirados do relatório “Você não quer mais respirar veneno”
Fonte: Brasil de Fato
CUT inicia jornada no Conselho de Assistência Social do DF e encara mais um desafio
Jornalista: sindicato
O secretário de Política Social da CUT Brasília e do Sinpro-DF, Yuri Soares, tomou posse como conselheiro suplente do Conselho de Assistência Social do Distrito Federal (CAS-DF), como representante da sociedade civil no segmento de trabalhadores. A solenidade foi realizada nessa quarta-feira (25), na Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF).
Criado em 1995, pela lei nº 997, o CAS-DF tem como missão acompanhar o cumprimento e desenvolver políticas públicas que protejam pessoas que estejam em risco social ou situação de vulnerabilidade, ou que possam a vir fazer parte desse grupo. O objetivo é resgatar o vínculo dessas pessoas com suas famílias e comunidades, com a preservação dos seus direitos humanos. O Conselho, que tem representantes da sociedade civil e também do governo, ainda agrega como função a indicação de prioridades para programação e execução orçamentária e financeira do Fundo de Assistência Social do Distrito Federal – FAS/DF.
“O que nós pretendemos como CUT nessa gestão do Conselho é servir como um canal de luta e de interlocução entre o movimento dos trabalhadores e os movimentos sociais para discussão e melhorias das políticas de assistência social do DF”, afirma Yuri Soares.
Ele ainda lembra que, historicamente, a sociedade civil tem se fortalecido e se empoderado através dos diversos conselhos. Entretanto, alguns desses espaços vêm sendo instrumentalizados pelo governo golpista.
“No último período pós-golpe, a gente tem feito, no âmbito da CUT, uma discussão caso a caso sobre cada Fórum e Conselho, pois alguns deles têm sido alvo de golpe por parte do governo, para distorcer a representatividade da sociedade civil, como é o caso do Fórum Nacional de Educação. Nesses casos, nós temos nos retirado. Mas em outros Conselhos, a sociedade civil está conseguindo manter uma voz ativa em defesa das políticas públicas, da participação social de forma independente, como é o caso dos Conselhos Nacional e do DF de Direitos Humanos, o Conselho dos Direitos das Pessoas com Deficiência, e o Conselho de Assistência Social”, afirma. Para o sindicalista, é preciso reforçar ainda mais esses Conselhos para que se possa “resistir também em espaços institucionais”.
Mas o fato de o CAS-DF ser um dos poucos Conselhos desvinculados das estratégias do governo golpista, não torna menos árdua a tarefa de quem o integra. O secretário de Política Social da CUT Brasília lembra que os servidores vêm “fazendo milagres” para conseguir atender, ainda que precariamente, as pessoas em risco social ou situação de vulnerabilidade.
“A assistência social tem sofrido cortes nos orçamentos federal e local, resultado das políticas implementadas após o golpe, que visam à redução dos recursos investidos em assistência social, o que compromete a implementação do Sistema Único de Assistência Social. Além disso, temos o descaso do governo local, que vem inviabilizando a contratação de servidores concursados. Falta até transporte para os servidores do quadro, o que dificulta, por exemplo, a entrega de cestas básicas emergenciais. Há precariedade na infraestrutura dos centros de acolhimento, com infiltração e infestação de percevejo. Recentemente foi feita a terceirização do cadastro dos usuários, o que é mais uma política de privatização do (governador) Rollemberg”, alerta Yuri Soares.
Neste ano, servidores de Assistência Social do DF realizaram greve de 84 dias para denunciar o descaso do GDF com o setor. Mas o movimento continua sendo abafado por interesses contrários à promoção da assistência social. Fonte: CUT Brasília
Crianças do MST entregam manifesto ao Ministério da Educação
Jornalista: sindicato
Como parte do primeiro Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha, que ocorre em Brasília, 1.200 crianças realizaram um passeio lúdico cultural pela Esplanada dos Ministérios na manhã desta quarta-feira (25). Uma das paradas no trajeto foi o Ministério da Educação, onde entregaram um manifesto que denuncia a situação das escolas no campo.
No manifesto, fruto de um processo de elaboração coletiva que durou dois anos e que foi aprovado no início do Encontro, as crianças sem terrinha abordam as dificuldades que enfrentam em ter seu direito à educação assegurado.
“Lutamos por nossos direitos, que não são cumpridos: nossas estradas são ruins e esburacadas; o transporte escolar quase sempre quebra e entra muita poeira; muitas escolas estão sendo fechadas e outras são longe de nossas casas; falta material e temos poucos livros pra ler. As escolas do campo precisam ter melhores condições. A alimentação das escolas precisa melhorar, ter mais produção da reforma agrária e da agricultura camponesa familiar”, diz um trecho do texto.
Márcia Ramos, integrante da Coordenação Nacional do MST e uma das adultas que auxilia as crianças na organização do Encontro, afirma que a mobilização das crianças é ainda mais simbólica no atual contexto político brasileiro.
“O manifesto representa o que as crianças vivenciam nos acampamentos e assentamentos de Reforma Agrária no Brasil. Principalmente, neste momento de golpe, é preciso mostrar que todas as pessoas têm direito de se expressar, inclusive as crianças. Essa também é uma forma de contrapor o conservadorismo extremado e projetos que apontam para o retrocesso, como a Escola Sem Partido, o fechamento das escolas no campo e as investidas do agronegócio”, diz.
O passeio dos sem terrinha se encerrou na Praça dos Três Poderes, ao lado do Supremo Tribunal Federal, onde realizaram uma ciranda e soltaram uma faixa com balões onde se lia “Reforma Agrária”.