Professor e economista, morre Paul Singer aos 86 anos


O professor e economista Paul Singer morreu às 20h desta segunda-feira (16/4), aos 86 anos, em São Paulo. Ele havia sido internado no Hospital Sírio-Libanês na madrugada e teve septicemia.
Integrante do grupo de fundadores do PT em 1980, Singer foi um dos responsáveis pelo que o partido teve de mais celebrado em suas quase quatro décadas: a formulação de um programa de desenvolvimento a partir do fortalecimento do mercado interno via distribuição de renda.
Como professor, Singer contribuiu delicada e efetivamente para a construção de um pensamento crítico socialista baseado não apenas na desconstrução dos modelos econômicos que estariam levando o planeta ao abismo. O mestre da economia solidária foi um esquerdista que trabalhou, mais do que em teorias demolidoras, a perspectiva de poder como forma de mexer com as estruturas que gerenciam o mundo. Traduzindo: ele não queria produzir artigos acadêmicos discursivos para esculhambar o gestor econômico de plantão; queria criar elementos, e criou, que comprovassem que uma outra economia é possível.

Paul Singer não gostava de ver a economia solidária ser tratada como uma ciência “alternativa”. Seria, para ele, a forma mais efetiva de socialismo praticável num mundo contemporâneo rachado entre o triunfo do capitalismo selvagem – que hoje atende pelo nome de neoliberalismo – e o fracasso do socialismo totalitário, mal batizado de socialismo científico como forma de desqualificar o também mal batizado de socialismo utópico.
Ao desenvolver a perspectiva de poder como meio de pôr em prática a teoria que desenvolvera ao longo da vida, o professor ajudou a criar e chefiou a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), vinculada ao Ministério do Trabalho. Ocupou o posto desde o primeiro ano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, até 2016 – sobrevivendo a seis trocas de ministro, mas não ao golpe que derrubou Dilma Rousseff. Ali brigou por recursos públicos em apoio ao empreendedorismo de gestão coletiva e resultados compartilhados. Batalhou para que esse modelo de gestão, que punha o atendimento da necessidade humana à frente da acumulação, fosse atendido com crédito pagável e para que as pessoas fossem instruídas pelo Estado sobre como gerenciá-lo.
Em 2004, ao produzir campanhas de estímulo à economia solidária, a Senaes de Singer adotou o slogan “outra economia é possível”, fingindo uma alusão ao Fórum Social Mundial enquanto na realidade se posicionava contra a condução da economia chefiada pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ricardo Berzoini, titular do Ministério do Trabalho, ficou do lado certo da história.
Viriam depois a produção de leis de incentivo ao microcrédito, a transversalidade do cooperativismo solidário na formulação de políticas para a juventude, para a qualificação profissional, para o combate à escravidão contemporânea. E o duro trabalho de convencimento de que não bastava produzir de modo cooperativo, era preciso escoar a produção por meio do comércio justo – o que significa em muitos casos pagar um pouco mais sabendo que o preço e a procedência dessa mercadoria têm a ver com a conservação do planeta para nossos netos.

Toda produção intelectual de Paul Singer foi absolutamente voltada para ser posta em prática. Esquerdista dos bons, o professor nunca deu margem de manobra para que suas utopias executáveis se limitassem a abastecer discursos pseudo esquerdistas baseados na negação de tudo. O mestre da economia ensinou que o que merece ser idealizado, o merece para ser realizado. Daí a tolerância, durante tantos anos, com uma coalizão indesejada, porém necessária.
O mundo fica agora à espera do documentário de Ugo Giorgetti – Paul Singer – Uma História do Brasil. Idealizado por pessoas próximas do professor no ano passado, o projeto de financiamento coletivo (tinha de ser assim um filme sobre ele) foi aceito pelo cineasta especializado na crônica paulistana pela satisfação de registrar o pensamento do professor. “Um personagem que nos leva a refletir sobre o presente, o passado e o futuro do Brasil e do mundo. O filme é também, inevitavelmente, um retrato intelectual da própria cidade de São Paulo em anos particularmente conturbados”, definiu Giorgetti.
Entrevista – “Coerência à flor da pele”, título da entrevista concedida por Paul Singer à edição número 1 da Revista do Brasil, há 12 anos, tentava traduzir esse homem que almoçava com a equipe no mal afamado bandejão do Ministério do Trabalho – apelidado de “morte lenta” –, viajava na falida BRA para ficar com a família em São Paulo em alguns fins de semana, e queria, sim, o poder, por isso se tornou um dos fundadores do PT e ajudou a construir caminhos para a herança bendita deixada pelos governos de Lula e Dilma. Ainda que tivesse de dividir esse poder, e disputá-lo, com forças políticas indignas de sua biografia.
Dada a atualidade daquela entrevista, como definidora do perfil do entrevistado e como contribuição para se entender o presente e se projetar o futuro, segue abaixo a reprodução do texto:

ENTREVISTA – MAIO DE 2006

Coerência à flor da pele

Paul Singer é o tipo de intelectual que arregaça as mangas para pôr em prática o que aprende e ensina. Para ele, a organização de empreendimentos solidários mostra que outra economia é possível

Paul Singer figura, possivelmente, entre os mais conceituados intelectuais do Brasil. Sua obra é ingrediente obrigatório na biblioteca de quem queira entender o Brasil. Com a fala serena de um mestre, Singer fala de seu país com a coerência que o acompanha em mais de meio século de militância política de esquerda. Critica com pesar, mas sem meias palavras, os rumos da economia. Fala dos vacilos do governo e do PT; e torce pela reeleição de Lula.
Esse brasileiro nascido na Áustria há 74 anos já foi metalúrgico (eletrotécnico), é um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) junto com intelectuais da academia perseguidos pelo regime militar. Professor da Unesp e da FEA/USP, foi secretário de Planejamento paulistano na gestão de Luiza Erundina e, desde 2003, comanda a Secretaria Nacional de Economia Solidária criada pelo atual governo dentro do Ministério do Trabalho. Para Paul Singer, a economia solidária não é mera alternativa para gerar ocupação em tempos de crise, como pensam alguns, mas uma ferramenta de construção de um novo modelo econômico pautado pelo humanismo, a justiça social, a cooperação mútua e a solidariedade. É seu modo de ver o país que aparece nesta primeira entrevista da história da Revista do Brasil.
É possível mudar de rumo na economia ou estamos aprisionados a esse modelo?
É possível. Já podíamos estar crescendo muito mais que no momento. Aquela elevação da taxa de juros a partir de setembro de 2004 cortou pela metade o crescimento em 2005. A meu ver, desnecessariamente. Estamos crescendo a meio vapor e isso por opções político-econômicas. É preciso controlar a movimentação dos capitais dentro e fora do país porque o não-controle praticamente coloca o governo brasileiro e o Banco Central à mercê do capital financeiro. Essa é a situação da maior parte dos países desenvolvidos hoje. Eles não controlam a movimentação de capitais e são obrigados, em diferentes governos – de esquerda ou de direita –, a fazer uma política conservadora colocando o combate à inflação muito acima do combate ao desemprego. É um grande dilema. É possível optar por outra política se tivermos a firmeza hindu, tailandesa, da Malásia ou chilena. A Argentina tem. Cresceu 8% ou 9%. Nós poderíamos também, se quiséssemos. 
A quem diz que o país precisa de um “choque de gestão” o presidente Lula responde que precisa é “choque de inclusão social”. Isso está acontecendo?
Não sei se é choque, mas há diferenças sensíveis. A promessa do presidente de zerar a fome e garantir o mínimo de segurança alimentar à população está sendo cumprida. O presidente deu absoluta prioridade a isso, não deixou nenhum corte de orçamento atingir essa meta. Vamos chegar a mais de 11 milhões de famílias que vão ter uma renda muito baixa ainda, mas suficiente para garantir a nutrição das crianças – e ligada inclusive a sua freqüência na escola.
O senhor ficou satisfeito com a decisão do PT em relação aos parlamentares que tiveram seus nomes envolvidos em supostos problemas de conduta?
Eu fiquei. Foi importante ter adotado uma decisão no sentido de que o PT vai apurar os fatos. A hipótese é de que todos somos, mais ou menos, responsáveis pelo que aconteceu. A responsabilidade pelo processo é coletiva, embora tenha havido violações graves na democracia interna do partido, já que certas condutas individuais foram comprovadamente clandestinas. O partido não sabia.
O senhor acha que o PT tem condições de voltar a liderar na sociedade uma ação pela ética na política, tomar a dianteira em propor uma reforma política ampla e consistente?
Tem. Uma das coisas interessantes a esse respeito é o seguinte: a Folha de S.Paulo deu em manchete depois da adoção dessa resolução [discutir a punição dos envolvidos em denúncias depois da eleição], que o PT enterra a investigação. Aconteceu o contrário: por consenso a apuração está programada, vai acontecer. Nenhum jornal ou revista cobrou apuração de qualquer outro partido, inclusive do PSDB – afinal de contas, quem criou o “valerioduto” foi o PSDB. Isso também está comprovado. O PT precisa apurar por que passou a ser uma máquina eleitoral dependente de grandes quantias de dinheiro. Mesmo doações oficialmente declaradas parecem ter vindo dos bancos. Isso é preocupante.
Mas contribuições fazem parte da regra eleitoral.
O que me importa no caso do PT é que ele volte a ser um partido barato. Houve deslumbre, desbunde e descontrole. O que eu e muitos de nós queremos é ter um partido em que a contribuição dos filiados seja a principal fonte de financiamento. Acho que o PT não deveria receber nenhuma contribuição de pessoa jurídica. Contribuir para o PT teria de ser uma posição política.
É possível governar sem fazer alianças político-partidárias?
Defendo que, para as eleições, tenhamos apenas alianças com partidos com programas análogos, que nós não fizéssemos aliança com partido de direita. Na verdade, os partidos não são de direita: o PTB, o PP e o PL não são de direita, também não são de esquerda, também não são de centro. Nem têm projeto. O povo brasileiro se politizou bastante nas eleições para o Executivo. Vota com atenção e convicção para presidente da República, para governador e para prefeito. Mas essa politização inexiste para o Legislativo. A maioria das pessoas, depois de um mês, não lembra em quem votou.
Mas é possível governar sem alianças?
Se o presidente Lula for reeleito – e eu espero que seja! – vai ter que constituir maioria e tem que estabelecer alianças. Mas é diferente você fazer aliança depois da eleição, só com os parlamentares. Eu não acho nada imoral os que aderem à aliança terem cargos no governo, por exemplo. Por que um partido vai apoiar um governo? Pelos belos olhos? Só pelo entusiasmo? Não. Isso – participar do governo – é legítimo.
Como o senhor avalia o ano internacional do microcrédito (2005, instituído pela Nações Unidas)? O senhor representou o presidente Lula, como um dos embaixadores do microcrédito.
No Brasil não houve grande avanço. Conseguimos uma lei que foi amplamente debatida no Congresso mas que não é funcional. Você faz com ótima intenção, no caso, abrir o crédito aos micro e pequenos empreendedores, aos pobres em geral, sem precisar de garantia, o que é uma mudança na política bancária do país, mas cria tantas exigências que inviabilizam a implementação. Precisa de ajustes. O presidente Lula está investindo muito no microcrédito, com toda razão. É uma coisa extremamente importante, sobretudo como porta de saída dessas 11 milhões de famílias do Bolsa Família, que precisam de crédito para começar alguma atividade econômica e ter alguma perspectiva. É preciso mudar algumas regras para que o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO) comece a deslanchar.
E quanto à economia solidária?
O governo nacional coloca a economia solidária como um dos alvos da sua política de fomento. Ela existe há tempos, mas estava anônima no país. Com movimentos apoiados por organismos como a Cáritas [entidade ligada à Igreja Católica que apóia movimentos populares e comunitários], por setores das universidades, por sindicatos, a economia solidária foi emergindo.
É possível dimensionar com que intensidade a economia solidária acontece?
A Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), criada em 2003, iniciou um mapeamento que conseguiu identificar 15 mil empreendimentos no país, em todos os estados brasileiros. Estamos iniciando uma segunda tomada para complementar esse trabalho. Em todos os 27 estados existem comitês do sistema de informação da economia solidária. As plenárias, os encontros de empreendimentos em 2004, tudo isso deu outra qualidade à economia solidária. Isso foi viabilizado pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária, que reúne os movimentos sociais afins, e pela Senaes, braço do poder público nessa empreitada. A conferência nacional de economia solidária, que deve acontecer no final do mês de junho, será o auge desse processo de fazer emergir e dar identidade à economia solidária. Queremos que participem todos os grandes movimentos sociais brasileiros: as mulheres, os negros, os indígenas, os ambientalistas, para fazer uma grande aliança com a economia solidária.
Quem planta, produz algum bem ou serviço tem de vender, não é?
O mapeamento mostrou coisas surpreendentes para nós. A maior parte da economia solidária está no campo. Há mais empreendimentos rurais, agropecuários e extrativistas do que urbanos. Além disso, a maior parte da economia solidária está no Nordeste. O Rio Grande do Sul é onde há mais empreendimentos cadastrados nesse primeiro levantamento, mais de 1.600, mas logo em seguida vem a Bahia, o Ceará e o Piauí, com mais de mil empreendimentos cadastrados cada estado – 44% dos empreendimentos estão no Nordeste porque lá a pobreza é maior. Ou seja, há uma forte relação entre a pobreza e a economia solidária. A comercialização ainda é um ponto de estrangulamento. Não que não haja mercado. Não há vendedores. As pessoas pobres têm mais propensão a produzir do que a vender. Se você junta um grupo de mulheres para costurar, elas farão isso com muito empenho e gosto, mas vá perguntar a elas se querem ir para as lojas para vender. Elas têm medo de não falar a língua da classe média deles, têm vergonha de ser pobre. Existe um forte movimento de comércio justo, principalmente de exportação para a Europa, onde milhares de lojas vendem produtos do terceiro mundo com preços maiores que o resto do comércio e a diferença indo direto para os produtores. Do ponto de vista da produção, é insignificante o que se consegue escoar por aí, possivelmente 5% de tudo.
Como resolver isso?
É preciso criar canais de comercialização da produção da economia solidária, ter comércio justo dentro do país, colocar os produtos da economia solidária no supermercado e na grande rede comercial. O ideal seria ter entidades cooperativas de economia solidária de intermediação, compra e venda.
O governo tem conseguido fazer a distinção entre o empreendimento econômico solidário, cooperativismo e as falsas cooperativas, as de fachada?
Isso para nós é um dos assuntos vitais, sobretudo nas cooperativas de serviços e de trabalho. As falsas cooperativas existem desde lá embaixo, na limpeza, até na medicina. A fiscalização vai atrás e destrói as cooperativas que eles consideram falsas sempre que há denúncias, mas isso só não resolve o problema. Estamos fazendo um projeto de lei para que cooperativas não possam proporcionar a seus próprios membros menos que os direitos básicos de um assalariado. Criamos o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (Pronacoop). A lei dá três anos para que as cooperativas tenham suficiência econômica.
Existe algum mecanismo de apoio a trabalhadores para que assumam, em autogestão, empresas em vias de quebrar?
A Senaes apóia com dinheiro as grandes entidades que fazem isso, que habilitam os trabalhadores a ficar com a massa falida e a recuperar a empresa em crise, que são a Anteag (Associação Nacional de Trabalhadores em Empresas Auto-geridas) e a Unisol (União e Solidariedade das Cooperativas do Brasil). A nova lei de falências prevê recuperação judicial das empresas e que os trabalhadores sejam reconhecidos como credores da empresa em crise ou falida. Para que haja uma recuperação judicial, os trabalhadores têm que concordar que são um dos três grandes credores – assim como governo e fornecedores. O que quer que aconteça com a empresa em crise, os trabalhadores têm voz ativa. Além disso, há a possibilidade de que os trabalhadores assumam a empresa e a dirijam em autogestão para recuperá-la. A lei zera todo o passivo da empresa se ela for entregue a um novo dono, que pode ser, inclusive, seus ex-empregados. 
Essa “outra” economia é mesmo possível?
Eu acho que é. Está acontecendo.
Lula e o PT sempre foram referências para a esquerda latino-americana, mas estão conseguindo fazer um governo de esquerda?
Esquerda é, na verdade, a luta contra a desigualdade, a miséria, a morte desnecessária, a exploração. Nesse sentido, o Bolsa Família é a principal ação, pelas suas dimensões e significados. Por isso teve repercussão internacional. Mas o governo Lula tomou muitas medidas que são progressistas do ponto de vista de esquerda. Talvez uma das mais importantes, em breve, vá ser a lei geral da micro e pequena empresa. Ela permitirá que as pequenas firmas, de baixa renda, paguem apenas uma fração desses impostos todos indiretos e diretos que existem. É uma forma de atrair para a formalidade empresas muito pobres e uma medida de grande impacto social. Deve entrar em vigor este ano, tem muito apoio no parlamento. É como o Simples, do Fernando Henrique, só que elevado a enésima potência. O Lula faz muito isso: pega coisas que o Fernando Henrique começou a fazer numa escala insignificante e transforma em programa social significativo.
Fonte: RBA

Professores de Canto do Buriti completam 2 semana de greve

Os trabalhadores em educação da Regional de Canto do Buriti completam duas semanas de greve reivindicando o cumprimento da lei do piso, e realizaram mais uma manifestação para denunciar o descaso do prefeito. O Sinte-Canto do Buriti já encaminhou solicitação de audiência para o prefeito da cidade, que até o momento não deu resposta aos trabalhadores. A categoria está reivindicando um direito regido por Lei Federal.
“A sociedade está apoiando a categoria, mas não aceita que o prefeito cause esse prejuízo para as crianças que precisam da educação pública”, destacou a professor Íria Carvalho, presidente do Sinte Regional Canto do Buriti.
A presidente destacou ainda que os professores da rede municipal de educação de Canto do Buriti permanecerão em greve até que o prefeito dê uma resposta para a categoria. O percentual de reajuste salarial para o magistério em 2018, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC), foi de 6,81%. Com isso, o valor mínimo que o professor deve receber pela jornada de 40 horas semanais passou de R$ 2.298,80 para R$ 2.455,35.
O Sinpro apoia a luta dos(as) professores de Canto do Buriti.

Comunidade escolar protesta contra assaltos próximos ao CEM Elefante Branco

Um grupo de pais, professores(as) e estudantes realizou um protesto contra uma série de assaltos registrados nas proximidades do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul. A manifestação teve início às 18h30 desta sexta-feira, quando o grupo saiu da escola e se dirigiu até a W-3 Sul. Durante aproximadamente 30 minutos o grupo bloqueou as ruas e, com faixas e cartazes, pediu uma providência para as autoridades e para o Governo do Distrito Federal.
Segundo um pai de estudante, na última semana um aluno foi assaltado próximo à escola e teve o nariz quebrado pelos assaltantes. Com medo da violência, uma mãe tirou a filha do CEM com medo dos crimes. “A ausência do poder público, da polícia, é muito grande. Não tem policiamento e pelo fato de existirem outras duas escolas próximas, acaba ficando muito visado pelos criminosos”, explica. “É obrigação do Estado fornecer segurança. Estes arrastões tem ocorrido com frequência e nada tem sido feito”, relata um pais que participou da manifestação.
O GDF tem a obrigação de fornecer uma educação pública de qualidade, mas, também, segurança para os estudantes e para a comunidade escolar. O Sinpro tem cobrado mais comprometimento do governo no que diz respeito à contratação de professores, na reforma e construção de escolas, mas a segurança é um quesito fundamental para que estes estudantes tenham condições de estudar.

GDF é condenado e deverá reconstruir escola pública em Samambaia

O Governo do Distrito Federal (GDF) foi condenado pela 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território (TJDFT) e deverá reconstruir a Escola Classe 410 de Samambaia, no prazo de um ano, adotando os mesmos padrões da Secretaria de Educação.
O GDF recorreu da condenação sustentando a impossibilidade material de cumprimento da sentença no prazo indicado. Os argumentos, no entanto, foram rechaçados pelo Ministério Público do DF, que reafirmou a legitimidade da imposição.
A desembargadora que relatou o caso ressaltou que a medida se limita a verificar o cumprimento de mandamentos da Constituição Federal relacionados aos direitos fundamentais à educação, à saúde e à vida. “Inegável, nesse contexto, a obrigação constitucional e legal do Estado – e particularmente do apelante – de manter condições mínimas de acesso à rede pública de ensino, como decorrência necessária de seu dever para com a implementação do direito fundamental à educação.”
Ao analisar os aspectos fáticos, os julgadores destacaram que, a despeito da realização de pequenos reparos, os problemas crônicos da escola – como infiltrações, pisos desnivelados, portas danificadas, instalações elétricas aparentes, falta de condições de segurança e outros – se perpetuaram por mais de nove anos, colocando em risco a integridade física de pais, professores e alunos.
Fonte: Jornal de Brasília

Por Lula, centrais sindicais farão 1º de Maio em Curitiba


As seis centrais sindicais formalmente reconhecidas farão, pela primeira vez, um ato conjunto de 1º de Maio, e exatamente em Curitiba, onde desde sábado (7) está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Será uma manifestação de solidariedade, de denúncia internacional – várias entidades serão convidadas – e de apresentação de uma pauta conjunta de reivindicações, a ser inserida no debate eleitoral deste ano.
A decisão saiu em uma reunião realizada hoje (11), em São Paulo, e deverá ser formalizada durante novo encontro amanhã, também na capital paulista, e anunciada em entrevista coletiva na próxima segunda-feira (16). A manifestação envolve CSB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT. Todas manterão eventos já programados no período da manhã. À tarde, dirigentes seguirão para a capital paranaense, onde haverá um ato previsto para as 17h.
Segundo o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, será um ato em solidariedade ao ex-presidente e também para discutir as reivindicações dos trabalhadores, contrários à proposta do governo de “reforma” da Previdência, e pela revogação da “reforma” trabalhista. Representantes das centrais já vêm se reunindo para elaborar uma agenda comum
“É simbólico”, observou o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, sobre o ato unificado. “A ideia é prestar solidariedade ao ex-presidente e demonstrar a importância da unidade”, afirmou o dirigente, acrescentando que durante o governo Lula ocorreram “mudanças sociais que trouxeram benefício à maioria”. Sobre o 1º de Maio, ele informou que as centrais já estão em contato com direções estaduais no Paraná para organizar a manifestação inédita.
Fonte: Rede Brasil Atual/CUT Nacional

Rede Globo libera opinião anti-Lula e censura a favor


Depois de liderar uma campanha que derrubou uma presidente honesta e legítima, Dilma Rousseff, colocando em seu lugar um consórcio de ladrões, e de patrocinar a prisão, sem provas, do presidente mais popular do Brasil e um dos maiores líderes da história, Luis Inácio Lula da Silva, a rede Globo agora impõe a censura seletiva entre seus funcionários. 
O perfil Jornalismo Wando registrou a hipocrisia comandada por Ali Kamel, que condenou comentários favoráveis a Lula, atribuídos ao jornalista Chico Pinheiro.
Chico Pinheiro emitiu opinião política de forma privada e Ali Kamel emitiu nota reclamando.

Quando Leilane emitiu opinião política publicamente, nada aconteceu. É capaz de ser promovida. pic.twitter.com/0hsqvVVzy8

Confira o áudio de Chico Pinheiro e leia a íntegra do comunicado de Ali Kamel:


A seguir, a íntegra do e-mail de Ali Kamel distribuído na segunda-feira (9):
“Em e-mail no ano passado, eu alertei para o uso de redes sociais. Na ocasião, lembrei que jornalistas, de forma não proposital, publicavam fotos em que marcas apareciam. Eu alertei então para aquilo que todos nós sabemos: jornalistas não fazem publicidade e que todo cuidado é pouco para evitar que nossos espectadores equivocadamente pensem que se descumpre esse preceito.
Hoje, volto a falar sobre o uso de redes sociais. O maior patrimônio do jornalista é a isenção. Na vida privada, como cidadão, pode-se acreditar em qualquer tese, pode-se ter preferências partidárias, pode-se aderir a qualquer ideologia. Mas tudo isso deve ser posto de lado no trabalho jornalístico. É como agimos. Daí porque não se pode expressar essas preferências publicamente nas redes sociais, mesmo aquelas voltadas para grupos de supostos amigos. Pois, uma vez que se tornem públicas pela ação de um desses amigos, é impossível que os espectadores acreditem que tais preferências não contaminam o próprio trabalho jornalístico, que deve ser correto e isento. Como entrevistar candidatos, se preferências são reveladas, às vezes de forma apaixonada? O mais grave é que, quando os vazamentos acontecem, as vítimas, com toda a minha solidariedade, dizem que foram mal interpretadas. Não importa, o dano está feito. A Globo é apartidária, independente, isenta e correta. Cada vez que isso acontece, o dano não é apenas de quem se comportou de forma inapropriada nas redes sociais. O dano atinge a Globo. E minha missão é zelar para que isso não aconteça. Portanto, peço a todos que respeitem o que está em nossos Princípios Editoriais (e nos dos jornais sérios de todo o mundo):
“A participação de jornalistas do Grupo Globo em plataformas da internet como blogs pessoais, redes sociais e sites colaborativos deve levar em conta três pressupostos: (…) 3- os jornalistas são em grande medida responsáveis pela imagem dos veículos para os quais trabalham e devem levar isso em conta em suas atividades públicas, evitando tudo aquilo que possa comprometer a percepção de que exercem a profissão com isenção e correção.
É com isso em mente que envio esse e-mail.
Ali”
Fonte: Brasil 247

CNDH realiza debate "Impacto da política de austeridade nos direitos humanos", nesta quinta (12)


O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) realiza, na quinta-feira (12/4), às 14h, o debate público “Impacto da política de austeridade nos direitos humanos”.
O evento será no Conselho Superior da Defensoria Pública da União, no Setor de Autarquias Norte.
Participam do debate Grazielle David (Inesc), Pedro Rossi (Unicamp), Keka Bagno (Fórum de Mulheres do DF e Entorno), Rafael Georges (Oxfam Brasil) e Hellen Cristhyan (Casa Frida).
Vamos participar!!!

Sinpro lança cartilha de contratação temporária

http://3.16.59.70/wp-content/uploads/2018/04/cartilha-contrato-temp-2017_2018_web.pdf

Servidores e professores da UnB fazem ato em frente ao MEC

Professores(as), estudantes e servidores da Universidade de Brasília (UnB) realizam um ato público nesta terça-feira (10) contra a crise financeira enfrentada pela universidade. A UnB, a exemplo de outras universidades públicas do Brasil, passa por uma série de problemas, que passam pelo corte de terceirizados, mudança nos contratos de estagiários, além de ter um déficit orçamentário em torno de R$ 92,3 milhões.
Com o objetivo de abordar a situação financeira que passa a universidade e solicitar uma providência por parte do Ministério da Educação, o grupo requereu uma reunião com o ministro da Educação, mas até o momento não foi atendido. No início da tarde a Polícia Militar efetuou disparos de bombas de gás na direção dos manifestantes sem que houvesse a menor necessidade de violência por parte dos policiais. Professores e estudantes passaram mal e tiveram que ser retirados do local.
Segundo a decana de Extensão da UnB, Olgamir Amância, “a realidade da universidade é uma realidade que várias outras universidades passam, e isto tende a inviabilizar alguns fatores importantes. Pode comprometer o compromisso social da UnB, porque além de fazer nossas tarefas internas, temos uma relação com a sociedade. À medida que a universidade é ameaçada e impedida de afazer aquilo que é a sua essência, perdemos todos nós”, salienta.
De acordo com o relatório divulgado pela reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, caso não haja uma mudança na situação financeira da UnB, a partir de agosto o fornecimento de água, luz e o serviço de segurança no Campus ficará comprometido, com risco até mesmo de paralisação das atividades. “O que estamos vendo faz parte de uma política nacional de sucateamento das universidades públicas e poderá, a partir do segundo semestre, implicar na paralisação das atividades”, explica Edileuza Fernandes da Silva, professora da Faculdade de Educação da UnB.
Um dos pontos que agrava a situação financeira da UnB é a falta de repasse dos recursos financeiros por parte do MEC, que já deveriam ter sido repassados.
Os problemas existentes hoje na Universidade de Brasília podem criar dificuldades para a formação continuada dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, o que é um ponto de preocupação para a categoria.

Frente Brasil Popular e CUT convidam para ato público na Praça dos Três Poderes nesta quarta (11), às 18h

A Frente Brasil Popular e as direções nacional e estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocam a todos e todas para ato público nesta quarta-feira (11), denominado Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Liberdade de Lula.
No Distrito Federal, a manifestação está prevista para ocorrer na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das 18h. Quem se dispuser a participar da atividade deverá levar material que caracterize a defesa da liberdade do ex-presidente Lula. A CUT está distribuindo cartazes, panfletos, adesivos, bandeiras e outros materiais iconográficos dessa luta.
O ato público irá cobrar também o julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC). Na semana passada, o Supremo só julgou o _habeas corpus_ preventivo e, estranhamente, não julgou, antecipadamente, as ADC sobre prisão após condenação em segunda instância, contrariando, com isso, cláusulas pétreas da Constituição Federal.
“A atual fase do golpe de Estado aplicado no Brasil em 2016 é a da ditadura do judiciário. O golpe tem como um dos seus eixos centrais o Poder Judiciário. Daí a importância da pressão sobre esse poder que validou o golpe e todos os ataques a direitos dos trabalhadores e, agora, valida a prisão do Lula totalmente ilegal, inconstitucional”, afirma Gabriel Magno, coordenador de Políticas Sociais do Sinpro-DF.
O ato faz parte do Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Liberdade de Lula e sua realização em frente ao Supremo também reforça o simbolismo que tem o Poder Judiciário no processo do golpe desde 2016. Vários estados também irão realizar atos públicos. Nessa segunda-feira (9), o país inteiro realizou o Dia do Vermelho em solidariedade a Lula.

 

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