Golpe provoca falência do Ensino Médio


O golpe imposto por Temer à classe trabalhadora ganha novos contornos, pondo de lado de vez boa parte da população ao acesso a uma vida melhor – que passa por uma educação de qualidade.
O governo tem planos de liberar até 40% da carga horária total do Ensino Médio para que seja feita a distância, o que significaria que os estudantes poderiam ter dois dias de aula fora da sala por semana. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), esse percentual poderá chegar a 100% do curso.
A intenção é clara, desobrigar a União e os Estados dos investimentos na educação pública, reduzir o número de professores e fechar escolas. É mais um duro golpe na educação e na qualidade do ensino de todo o país. Um conteúdo preparado para ensino online dispensaria a contratação de dezenas ou centenas de docentes para as salas de aula, e a qualidade do ensino seria ainda mais afetada.
O coordenador de Imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes, explica que o que se propõe na verdade é retirar a competitividade e a oportunidade de o estudante carente ter acesso a uma educação de qualidade. “Basta inverter a posição. Ninguém que tem filho em escola particular admitiria tal precarização, para que não se contrate professores e para que não se construam escolas. A proposta de Temer é a de uma espécie de rodízio educacional no ensino médio”, enfatiza.
O dirigente conta que na Constituição de 1988 o povo brasileiro assegurou como obrigatoriedade do Estado a educação fundamental de oito anos. “Nos governos Lula e Dilma avançamos para que o ensino fundamental não fosse apenas de oito anos, mas de nove anos, para a educação ganhar em qualidade. Por fim, avançamos na obrigatoriedade constitucional de o Estado fornecer o ensino médio, consequentemente também os livros didáticos. Isso move o conservadorismo no sentido de não querer a classe trabalhadora concluindo os estudos. No caso do DF, sempre houve vaga para o ensino médio, mas não havia condições de permanência, pois o estudante tinha que arcar com a compra de livros. Em uma rápida pesquisa de valor, o conjunto de livros para um estudante do ensino médio não custaria menos do que R$ 1.300,00. Nessas condições é difícil concluir os estudos. Então, havia uma política de acesso a uma educação plena e uma política de permanência. O que se pretende fazer agora é precarizar tudo o que foi construído ao longo dos governos populares”, avalia.
Dados revelam que o Brasil tem 6,9 milhões de matrículas no ensino médio público. Em torno de 1,5 milhão dos jovens de 15 a 17 anos (14,6% do total) já abandonaram os estudos.
Esvaziamento do ensino público – O professor Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisador em tecnologia e educação, diz que a medida é sinal de esvaziamento do ensino público de qualidade e falta de compromisso com investimentos. “Fica claro um movimento de desresponsabilização do Estado brasileiro com a formação crítica e sólida da juventude, e também com a infraestrutura escolar”, enfatiza.
Pretto diz desconhecer experiência internacional com abertura como essa. “Não quer dizer que não tenha tecnologia, mas, em um processo dessa forma, joga ao cidadão toda a responsabilidade.”

CEF 3 de Sobradinho sofre invasão no domingo à tarde

Material revirado, computadores e outros equipamentos eletrônicos no chão. Esse foi o quadro deixado por invasores que tentaram roubar o Centro de Ensino Fundamental 3 de Sobradinho (CEF 3) na tarde de domingo (18/3).
De acordo com o diretor da escola, professor Robson Salazar, o estrago só não foi maior maior porque o vigia noturno partiu para cima do assaltante, fazendo com que ele fugisse. Os computadores recuperados estavam amontoados rente ao muro do CEF 3. Possivelmente havia outro bandido do lado oposto para receber o material roubado.
“Entraram na escola e tiraram todos os equipamentos da secretaria e da sala dos professores. Infelizmente temos que conviver com essa realidade; a de governantes com discursos vazios e a cidade abandonada. Na delegacia ouvimos justificativas que dão vergonha comentar. Falta segurança sim e casos de assalto são recorrentes nos arredores da escola mesmo à luz do dia. Não sabemos ainda o total dos danos. Mas sabemos que quando uma escola é invadida toda uma sociedade é violentada”, desabafa Salazar.
A escola funciona normalmente, dentro das possibilidades, nesta segunda-feira (19/3). “A secretaria estará fechada, pois a perícia virá num prazo de até 48 horas”, avisa o diretor.
O CEF 3 conta com um vigilante noturno. Porém, durante o dia, a vigilância fica a cargo de porteiras.

Nota de falecimento

É com grande pesar que a Diretoria Colegiada do Sinpro informa o falecimento do professor Manoel Xavier Lira. Em contrato temporário, Manoel trabalhava na Escola Classe 66 do Sol Nascente.
O velório terá início às 13h deste domingo (18), na Capela 6 do Cemitério de Taguatinga, e o sepultamento em seguida.
O Sindicato dos Professores presta toda sua solidariedade à família e aos amigos neste momento de dor.

Projeto Diálogos contemporâneos debate os desafios da educação brasileira

Dando prosseguimento ao projeto Diálogos Contemporâneos, a Associação dos Amigos do Cinema realiza na próxima terça-feira (20) um debate com o professor de Filosofia, cientista político, escritor e colunista brasileiro, Renato Janine Ribeiro, que falará sobre os desafios da educação brasileira. A conferência será às 19h, no Museu Nacional de Brasília, com entrada é franca. A diretora do Sinpro Luciana Custódio será a mediadora do debate.
Além de debater a inclusão, educação e a solidão nas grandes cidades, a proposta do projeto é analisar o pensamento crítico sobre o país. “A cultura é o reflexo daquilo que nossa sociedade construiu, desde a violência que assola o país até as nossas criações artísticas e cientificas. Os tempos de crise exigem diálogo para planilhar novos caminhos”, afirma Nilson Rodrigues, idealizador e diretor da iniciativa.
A iniciativa é especialmente voltada para jovens, intelectuais, artistas, trabalhadores da cultura, estudantes, professores, jornalistas, políticos ou gestores públicos. O que se quer é ampliar a percepção sobre as grandes questões culturais que nos chamam a atenção de forma incisiva nos dias atuais e, certamente, dizem respeito aos que se interessam pelo futuro.
Clique aqui e confira a programação.
Confira a chamada para o projeto.

Servidores de SP fazem novo ato contra repressão e reforma de Doria

(do Vermelho)

CED 04 de Taguatinga realiza ato em protesto ao descaso do GDF

Professores(as), estudantes e a comunidade escolar de Taguatinga Norte realizam, nesta sexta-feira (16) às 10h, um ato de protesto pela queda do muro do Centro Educacional 04. O muro do colégio caiu no dia 16 de março de 2017 e até o momento o Governo do Distrito Federal não fez nada. Segundo professores e pais de alunos, da forma como está o restante do muro a ameaça para todos que passam pelas proximidades do CED é muito grande.
A direção do Centro Educacional pede para que a comunidade escolar compareça ao ato, protestando contra o desrespeito do GDF para com a educação pública. Um carro de som ficará na porta da escola e ao final do ato professores, estudantes e a população darão um abraço simbólico em volta da escola.

Professor do CEM 01 do Paranoá apresenta seu projeto no Fórum Social Mundial

Vinicius Silva de Souza é professor de filosofia do CEM 01 do Paranoá. Na escola, ele desenvolve um projeto, que na verdade é um fanzine/panfleto. A iniciativa deu tão certo que ele foi convidado por sua orientadora Mariângela Nascimento a explicá-lo em um grupo de pesquisa no Fórum Social Mundial, que está ocorrendo em Salvador. O próprio professor explica sobre o mesmo.
“É um fanzine informativo. Eu apresento um tema, dou espaço para os alunos se expressarem e eles apresentam um material. Nós sentamos juntos, escolhemos qual o material será utilizado no panfleto e o reproduzimos”, diz.
Esses panfletos são distribuídos para os mais de 2 mil alunos da escola e também para a comunidade escolar. “Usamos temas transversais, como sexualidade, gênero, papel da mulher na sociedade, drogas e gravidez na adolescência”, relata.
No FSM, o professor apresentará seu projeto no III Fórum GIRA – Todas Unidas! Contra o fascismo e a favor dos estudos de gênero. GIRA é o Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação. Vinicius deve se apresentar na tarde desta quinta-feira (15) e não esconde a ansiedade.
“Minha proposta é divulgar o trabalho para que todas as pessoas se interessem e reproduzam esta ideia dentro das salas de aula de ensino médio pelas escolas públicas de todo o país”, salienta

Polícia vai pra cima de servidores que protestam contra reforma da Previdência

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A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar de São Paulo estão jogando bomba de gás, spray de pimenta e atirando com balas de borracha contra os servidores que foram à Câmara Municipal protestar contra projeto do prefeito João Doria (PSDB-SP) que aumenta as alíquotas de Previdência dos trabalhadores e trabalhadoras de 11% para até 19%.
Cerca de 300 servidores conseguiram entrar na Câmara, que fica na região central da cidade, antes de a Casa ser fechada para o acesso ao público, no final da manhã desta quarta-feira (14). Mais de 5 mil servidores continuam do lado de fora, apesar de a violência da polícia tucana. Participam do ato professores, servidores de áreas como saúde, cultura e assistência social.
As palavras de ordem competem com o barulho das bombas de efeito moral e balas de borracha: “Se votar, não vai voltar”, dizem os servidores, referindo-se às eleições que podem mandar para casa todos os vereadores que traírem a classe trabalhadora aprovando o projeto.
“A Câmara começou controlando a entrada do público. Quando conseguimos colocar cerca de 300 pessoas lá dentro, fecharam a porta”, contou João Batista Gomes, secretário de Imprensa do Sindsep e de Mobilização da CUT-SP, que está do lado de fora da Câmara.
Segundo ele, a ação violenta da polícia fez os servidores se afastarem um pouco da porta da Câmara, mas, nesse momento, o pessoal está tentando voltar, apesar das balas de borracha e bombas continuarem explodindo a todo momento. “Tem pessoas feridas tanto por balas como por cassetadas da PM, mas ninguém desiste da luta”.
“Estamos sendo agredidos covardemente pela Guarda Civil Municipal, que também será afetada se esse projeto for aprovado, e pela Polícia Militar a mando de Dória”, denuncia João Batista.
A Câmara Municipal alegou que fechou a entrada por motivos de segurança. No Salão Nobre da Casa, que tem capacidade para 320 pessoas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve começar a definir se o projeto será votado ainda hoje em sessão extraordinária.
A Prefeitura de São Paulo quer aumentar a contribuição dos funcionários públicos de 11% para 14%, em alguns casos até mais do que esse percentual, além de estabelecer uma alíquota suplementar temporária
Os professores municipais querem que o projeto seja retirado de discussão e conseguiram a adesão de representantes de todas as categorias de servidores municipais.
A Reforma Previdenciária, que o golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) não conseguiu aprovar no Congresso Nacional para a população brasileira, está sendo proposta pelo gestor João Doria aos servidores públicos da maior capital do País.
Os métodos de agressão e violência na Câmara de Vereadores, com uso de bombas e gás de efeito moral aos municipários, foram os mesmo utilizados no Congresso Nacional para repelir manifestações contrárias às reformas que extinguiram com os direitos dos trabalhadores.
Segundo informou o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep-SP), Sérgio Antiqueira, o movimento grevista dos funcionários públicos de São Paulo é o maior das últimas décadas e está crescendo com mais adesões. “Temos apoio também do sindicato dos médicos, dos engenheiros, além de outras entidades que também tiraram pela greve”.
O dirigente explicou que o prefeito quer passar goela abaixo o projeto de lei 621/2016, conhecido como PL do Extermínio, que eleva a contribuição previdenciária de 11% a 14%.
“O Dória tem pressa porque esse projeto interessa aos bancos, para ele capitalizar a contribuição dos servidores e criar fundos para os bancos. É assim que ele usa nosso dinheiro. E os bancos lucram com isso. Então temos que derrotar o Dória agora também, já que em nível federal conseguimos vencer Temer”, destacou Antiqueira.
Educação, saúde e assistência social da cidade de São Paulo enfrentam uma das mais severas crises das últimas décadas. O prefeito tucano retirou R$ 3 bilhões das respectivas áreas já no primeiro semestre de 2017 e deixou servidores públicos e população à míngua.
“O objetivo real dele é guardar dinheiro para a campanha eleitoral com o intuito de disputar a presidência porque o governo do Estado ele não quer”, denunciou Antiquiera.


Com informações da CUT

FSM 2018: Nem o capital, nem o Estado enfraquecido terão respostas para a desigualdade

Um mundo em que o fim das leis trabalhistas protetoras combine com o Estado cada vez mais fraco, trabalhadores em relação individualizada com as empresas, somado ao contexto da era digital com diminuição contínua do emprego. Analisar o cenário do “futuro do trabalho” deve ser o assunto da ordem do dia para o mundo sindical. Ao menos essa foi a visão do professor brasileiro João Felício, presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), durante debate nesta quarta-feira (14) no Fórum Social Mundial, em Salvador.
Proposto pela CUT e pela Fundação Friedrich Ebert, o tema da mesa era “o controle do capital na revolução científica e tecnológica e os impactos no mundo do trabalho”. João Felício iniciou sua análise lembrando que antes uma empresa podia ter uma grande plataforma de produção com 10 mil funcionários num único turno, algo que hoje está mudando com a diminuição da presença de trabalhadores no local de trabalho, ao mesmo tempo em que aumenta a individualização da prestação de serviço, com muitas pessoas “colaborando” de suas casas para várias empresas ao mesmo tempo.
“É um mundo completamente diferente daquilo que conhecemos nas últimas décadas”, ponderou o presidente da CSI. Para ele, a partir da 3ª Revolução Industrial se iniciou um processo de extinção de determinadas funções, um fator que agora aumenta com a nova revolução industrial, a da era digital.
Apesar de o fim de determinados postos de trabalho já estar em curso há algum tempo, João Felício destacou que durante a 3ª Revolução Industrial ainda se viviam Estados de bem-estar social em vários países e legislações de cobertura aos direitos trabalhistas. Agora, vive-se um “desmoronamento” de tudo isso.
Revoluções tecnológicas
As chamadas “revoluções industriais” têm em comum o fato de empregarem descobertas tecnológicas em intensidade capaz de aprimorar a capacidade humana de produzir bens e serviços e transformar assim, o funcionamento da economia. A primeira ocorreu a partir na segunda metade do século 18. A segunda vai de meados dos anos 1800 até meados do século 20. A terceira coincide com o processo de “reconstrução” das economias intensificado após a Segunda Guerra Mundial. A quarta estaria em pleno vigor, desencadeada pelo aprofundamento das tecnologias da era digital e sua capacidade de promover condições de descartar em larga escala a intervenção humana na produção de bens, serviços e conhecimentos
“É uma aliança perversa. Ao mesmo tempo em que diminui a legislação do trabalho, no mundo todo, não só no Brasil, essa relação perversa vem junto com as mudanças causadas pela digitalização”, afirmou. “Essa relação perversa nunca tinha ocorrido em décadas passadas, e é uma situação que estamos vivenciando hoje.”
O Estado
Para Felício, antes o Estado tinha mais força política do que atualmente, sendo que em determinados países, conseguia prestar bons serviços públicos à população. Hoje o poder do Estado é menor. “Como enfrentar um mundo com redução de direitos, ao mesmo tempo em que tem a revolução industrial da era digital, com um Estado fraco?”, questionou.
Sem rodeios, disse não acreditar que na 4ª Revolução Industrial haverá emprego para todos, por maiores que possam ser as mudanças causadas pela revolução tecnológica. A mudança que ocorre no capitalismo, segundo ele, não vai suprir a perda de empregos nem a extinção de profissões.
No futuro, ele acredita, a soma do trabalhador precarizado, com o desempregado, e com aquele que não consegue se adaptar a mudanças tecnológicas será maior do que a dos trabalhadores da economia formal, algo que já ocorre em alguns países. Segundo Felício, é justamente neste cenário que o Estado deve ser presente para atenuar o problema. “O capital não vai resolver”, afirmou. E tampouco o Estado enfraquecido.
O presidente da CSI lembrou de experiência recente, na Califórnia, de um projeto de renda mínima, sonho antigo do hoje vereador e ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Uma experiência que também ocorre na Finlândia, Suíça e Canadá como forma de o Estado atenuar os impactos do desemprego. “Não é um problema do Terceiro Mundo apenas, é de países desenvolvidos também.”
Porém, para que projetos semelhantes possam ser testados, João Felício acredita que isso só é possível com um Estado forte. “Não é uma decisão somente dos partidos políticos, da academia. Nós, sindicalistas, temos de debater qual país queremos, qual Estado queremos para resolver o problema da exclusão no futuro”, afirmou, citando os países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia) como exemplos de Estado forte e protetor. “Lá a pessoa nasce e sabe que vai ter escola pública de qualidade, ao mesmo tempo em que vai ter trabalho e aposentadoria digna. Temos de saber se queremos transformar a América Latina e a África numa grande Escandinávia ou numa república de bananas.”
Felício elogiou as normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) como importantes para a existência de um trabalho mais humano. “É uma luta contra o capital. O capital não quer fortalecer as normas da OIT, ao contrário, quer extinguir”, observa.
A comunicação
Com Estado frágil, normas da OIT desrespeitadas e legislação que não protege o trabalho, quem mais sofre? A pergunta feita pelo presidente da CSI foi logo respondida por ele mesmo: a mulher, o negro e o jovem. “Nós, do movimento sindical, sabemos quem está sendo mais afetado, e temos de agir. Estamos ficando velhos…se não trouxermos a juventude para o nosso lado, o capital, com discurso agressivo e cativante, acaba conquistando a mente da juventude.”
Ao se aproximar do fim da sua análise sobre o futuro do trabalho, Felício foi crítico com o movimento sindical. Para ele, o movimento não pode mais achar que, sozinho numa pauta de reivindicação trabalhista, resolverá os problemas de toda uma categoria profissional sem fazer relação com a realidade do mundo atual. “Muitas vezes o ‘mundo sindical’ se dedica a uma pauta imediatista, curta, e não faz uma disputa de projeto na sociedade. Temos de debater projeto de país, projeto de humanidade, no futuro que queremos deixar para nossos filhos e no agora para nossos idosos.”
A comunicação é tema recorrente. A diferença, dessa vez, de acordo com João Felício, é como o movimento sindical fará sua comunicação com os trabalhadores, considerando a realidade em que o cidadão presta serviço individualizado para a empresa, muitas vezes de casa.
“Qual veículo de comunicação devo utilizar para que o trabalhador venha pro meu lado e não pro lado do capital?”, questionou, criticando o hábito antigo de se comunicar com a base por meio de boletins com “fotografias horrorosas” do presidente do sindicato em reuniões. “Não que eu seja contra boletim, mas me desculpe, estamos na era do fordismo, lá atrás, achando que vamos nos comunicar com uma massa que está com ouvido aberto para as redes sociais e propenso a receber outras formas de comunicação. Somos extremamente conservadores na comunicação com nossa base.”
Por fim, disse ser preciso repensar a organização do sindicalismo para alcançar o trabalhador que presta serviço individualizado para várias empresas ao mesmo tempo. E então, fez a provocação final ao dizer que, muitas vezes, não se pode falar em luta de classe no meio sindical.
“Parece que você é um bolchevique, e não é. O outro lado tem a clareza absoluta do que isso significa, e por isso se apodera do Estado, se apodera da democracia, dos governos”, afirmou. “Se o socialismo real não resolveu os problemas, e não resolveu, tampouco será o capitalismo. Não é o capitalismo que vai resolver a massa de excluídos que já existe hoje e vai continuar existindo.”
(da Rede Brasil Atual)

Sindicalismo, imperialismo e meio ambiente são alguns dos temas debatidos no segundo dia do FSM

O segundo dia do Fórum Social Mundial, em Salvador, contou com um debate sobre o imperialismo e a solidariedade aos povos, na UFBA. O painel foi realizado pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e pela Associação Cultural José Martí (ACJM).
O debate contou com a participação de lideranças do Irã, Palestina, Cuba, França e Venezuela, além das brasileiras. A presidenta do Conselho Mundial pela Paz, Socorro Gomes, esteve no evento e iniciou as discussões com críticas aos Estados Unidos, que, segundo ela, estão na linha de frente do imperialismo mundial, liderando uma rede de ameaças aos povos.
“O grande responsável pela rede de ameaça tem nome e endereço: EUA e países da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], seus aliados. Atuam desde o final do século XIX, quando surgem como potência, e passam a buscar mecanismos de hegemonia no mundo. O papel dos EUA é um papel-chave, o mais nocivo desse imperialismo”, explicou Socorro.
Já o iraniano Kamran Mostafavi, presidente do Centro de Cultura de Waritheen, sugeriu que cada pessoa olhasse para dentro si e identificasse se há evidências da cultura imperialista. Ignorar a luta e a miséria dos povos é, segundo ele, um dos indícios de que o imperialismo está dentro das pessoas.
O encontro também contou com uma discussão sobre o bloqueio econômico a Cuba e a situação da província cubana de Guantánamo, onde está instalada uma base militar dos Estados Unidos. Os participantes ressaltaram a solidariedade à Ilha, e cobraram o encerramento das atividades da base militar e a devolução de Guantánamo.
Sindicalismo frente à precarização do trabalho
Em outra mesa de debates, Valter Sanches é o secretário-geral do IndustriALL, entidade que representa 50 milhões de trabalhadores do setor industrial em 140 países. Ele afirmou que o movimento sindical precisa se libertar da “prisão” do atual modelo que se baseia em ramos de atividade e adotar “uma visão mais geral de classe trabalhadora”, se quiser ter sucesso no embate contra as transformações da economia mundial.
“Temos vários desafios, mas sobretudo, temos de fazer o que o sindicato faz melhor: organizar, formar e negociar. Se ele conseguir mudar o pensamento daquela prisão que tem de ramo de atividade para uma visão mais geral de classe trabalhadora, que qualquer trabalhador precário precisa ser organizado para ter mais força e negociar de forma altiva, vamos ter sucesso. Se nos mantivermos nesta mesma forma de organização, vamos continuar sendo derrotados e assistir ao aumento do trabalho precário e a concentração de renda no planeta.”
Durante uma das mesas, Sanches afirmou que “60% do trabalho que é feito hoje pode de alguma forma ser automatizada, total ou parcialmente”, e por isso o desemprego é uma realidade”, além do aumento da precarização. Também participaram da mesa sobre transformações no mundo do trabalho o secretário-geral da Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas (CSA), Victor Baez, e o economista e professor Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo.
Atingidos pelo rompimento das barragens relatam suas experiências
Na mesa temática “Lutas em defesa da água: caso Correntina e Bacia do rio Doce”, realizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens, os presentes testemunharam relatos dramáticos de pessoas diretamente afetadas pelo rompimento das barragens das mineradoras.
“Meu tio morreu de tristeza”. Este foi um dos depoimentos de Geovani Krenak, liderança indígena que pertence ao território do povo Krenak, localizado no município de Resplendor, Vale do Rio Doce, no sudeste de Minas Gerais, quase na fronteira com o Espírito Santo. Depois que o rio Doce, Watu, como os Krenak denominam, foi contaminado pela lama de rejeitos causado pelo rompimento da barragem da Samarco em novembro de 2015, os indígenas anciões não conseguiram superar a dor de ver o rio morrer.
“Devido a contaminação estamos há dois anos sem poder fazer nossos rituais sagrados e os indígenas mais velhos foram os que mais sentiram o impacto, eles não conseguiam assimilar a perda do rio”, diz.
A apresentação da oficina tem como objetivo debater e trocar experiências sobre os impactos socioambientais causados por empreendimentos de barragens para geração de energia elétrica ou de mineração e conflitos sociais em torno da disputa hídrica, como é o caso de Correntina.
De acordo com Andreia Neiva, da coordenação nacional do MAB, o município encontra-se no oeste da Bahia, região com grandes extensões de terras aráveis e ricas em recursos hídricos, o que atraiu empresas transnacionais, um dos relatos ela denunciou que o consumo de água para irrigar uma fazenda poderia abastecer a população de Correntina.
“A fazenda Alvejada conseguiu do governo do estado uma autorização para usar diariamente 106 milhões de litros de água, essa água é suficiente para abastecer a população da cidade de Correntinha por mais de um mês”, aponta.
O conflito entre grandes proprietários de terras e a população local se estende por cerca de 40 anos e ganhou projeção nacional ano passado, quando mil pessoas denunciaram a exploração predatória da água e ocuparam as fazendas Igarashi e Curitiba, no distrito de Rosário.
Após as apresentações dos relatos das lideranças e participantes, Neiva avalia que a organização coletiva “com coragem e ousadia” seja o caminho para o enfrentamento.
(Com informações do Brasil de Fato, Rede Brasil Atual e Vermelho)

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