Professores do CAIC Santa Paulina, do Paranoá, fazem ato contra a violência

Professores(as) e estudantes do CAIC Santa Paulina, no Paranoá, têm sofrido com a falta de segurança nas proximidades da escola. Nas últimas 48h, duas tentativas de invasão do CAIC foram registradas. Na primeira, ocorrida na segunda-feira (12), três pessoas armadas com facões abordaram professores(as) durante a manhã, no momento que chegavam à escola, e tentaram entrar no colégio. No dia seguinte (13), um criminoso invadiu o CAIC por volta das 13h40, rendeu uma professora no estacionamento e após tomar a bolsa, tentou sair com o carro da educadora. Como não conseguiu, invadiu as dependências do CAIC atrás da professora e só fugiu quando estudantes começaram a gritar.
Diante de toda esta insegurança, professores, estudantes do CAIC e a comunidade escolar realizam um ato nesta sexta-feira (16), de 8h às 11h, reivindicando mais segurança nos arredores das escolas públicas da região administrativa.
A insegurança nas escolas do Paranoá tem aumentado a cada dia. Em 2017 um estudante foi assassinado dentro de uma sala de aula do Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns. Em outro caso registrado no mesmo ano, outro aluno foi baleado quando saía do Centro de Ensino Médio 01. Após os crimes uma reunião entre a comunidade escolar, a administração do Paranoá e representantes da Polícia Militar foi feita, mas nenhuma atitude foi tomada.
Para o diretor do Sinpro Ticho Bastos, a comunidade cobra a presença do Batalhão Escolar, que é o responsável pela segurança nas proximidades das escolas. “A violência, principalmente depois do golpe, está batendo na porta de todos com o aumento da miséria e da desigualdade. Isto faz com que a violência seja potencializada. O Batalhão Escolar precisa ser reforçado para que estudantes e os professores tenham mais segurança”, analisa o diretor.

Perspectivas e desafios para a ressocialização nas unidades prisionais do DF

RESUMO: O presente relato apresenta a elaboração do projeto de remição de pena por leitura a ser implementado no Distrito Federal, cumprindo a determinação da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (VEP/DF), proferida pela Portaria VEP nº 010 de novembro de 2016 que visa atender, prioritariamente, os custodiados não classificados para o estudo, trabalho ou qualificação profissional e abarcará a população carcerária de quinze mil e quatrocentos presos. Para a garantia desta implementação de política pública aos privados de liberdade, foi publicada a Portaria Conjunta nº01, de 19 de abril de 2017, que instituiu uma comissão intersetorial, envolvendo representantes dos seguintes órgãos públicos: Secretaria de Estado de Educação/ SEEDF e Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Paz Social/SSP .Partindo das discussões no ano de 2017, o projeto final foi construído pela Subsecretaria de Educação Básica/Coordenação de Políticas Públicas Educacionais para a juventude e Adultos (COEJA), por meio da Diretoria da Educação de Jovens e Adultos (DIEJA).Destinou-se a oferta de vagas em até 10% da população carcerária de cada estabelecimento penal .A composição do acervo literário foi elaborado pelos representantes da Gerência de Educação Prisional e de Integração Curricular com a Educação Profissional (GPIC/DIEJA) e os docentes da disciplina de Língua Portuguesa do CED1 de Brasília. Quanto a metodologia aplicada, decorrido o prazo de trinta dias, será realizada uma avaliação presencial, a qual exigirá a tipologia textual resumo crítico, podendo o custodiado pontuar a escala de zero a cem pontos, ficará apto a remição quem obtiver nota igual ou superior a sessenta pontos. A cada uma obra lida poderá ser remido quatro dias da pena. A previsão de implementação desta política pública nos presídios do DF será durante o ano de 2018.
 Palavras-chave: política pública, formação leitora nas prisões, ressocialização, remição de pena.

  1. CONTEXTUALIZAÇÃO

A remição de pena caracteriza-se pelo direito que possibilita o custodiado a redução do tempo imposto em sua sentença penal, podendo acontecer por meio do trabalho, estudo, e mais recentemente, pela leitura, de acordo com a Recomendação nº44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O processo de remição previsto na lei nº 7.210/84 de Execução Penal (LEP), relaciona-se ao direito assegurado pela Constituição Federal de individualização da pena. Neste sentido, as penas devem ser justas e proporcionais, com também particularizadas, levando em consideração a aptidão à ressocialização demostrada pelo custodiado, por meio do estudo ou do trabalho.
Diante do contexto apresentado, outras possibilidades de remição foram ampliadas pelo amparo legal nº12.433, de 29 de junho de 2011, a qual alterou os artigos 126,127 e 128 da Lei de Execução Penal. Conforme PAVARINI e GIABERARDINO (2011) esta medida objetiva o processo de reintegração do apenado por meio do trabalho, estudo e mais recente, pela leitura.
Fundamentado na Lei Estadual nº 17.329, de 30 de junho de 2011, o estado do Paraná foi o precursor desta prática em seus estabelecimentos penais, onde foi possível observar que as experiências com a leitura nas prisões, ocorriam de forma voluntária. Os privados de liberdade liam obras literárias, filosóficas ou cientificas, posteriormente, passaram elaborar resenhas ou relatórios em relação aos livros lidos.
É válido ressaltar, que encontramos outro aporte sobre a prática de remição de pena pela leitura, fundamentada na Recomendação nº 44, de 26 de novembro de 2013, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata em seu artigo 1º, inciso V do estimulo a leitura no âmbito das unidades prisionais estaduais e federais como modelo de atividade complementar para os apenados aos quais assegurados os direitos ao trabalho, educação e qualificação, previsto na Lei nº.7.210/84.
Entende-se que a partir da recomendação acima citada pela CNJ, faz-se necessário estabelecer limites e prazos às leituras a serem adotadas para fins de remição de pena pela leitura. Neste sentido, orienta o prazo de 21 (vinte e um) a 30 (trinta) dias, para que o livro seja lido, posteriormente, a este período, será cobrada a produção textual da obra, sendo esta etapa acompanhada e legalmente avaliada, a fim de que ocorra a remição de 4 (quatro) dias da pena.
Em relação ao total de dias remidos, ainda conforme a Recomendação do CNJ, o custodiado que realizar no período de 12 (doze) meses, a leitura e a avaliação de 12 (doze) livros, desde que aprovado nestas avaliações, poderá remir até 48 (quarenta e oito) dias de sua pena, observando a capacidade gerencial em cada estabelecimento penal.
Reiteramos que a legislação penal brasileira prevê duas classificações para a remição de pena: formal e informal. A primeira, refere-se ao trabalho e ao estudo vinculados à formação escolar. A segunda, contempla atividades de leitura, esporte e cultura. Desta forma, o projeto de remição de pena por leitura, no âmbito do Distrito Federal, na sua essência, apresenta perspectivas e possibilidades para a ressocialização dos privados de liberdade por meio da leitura como implementação de uma política pública de extrema relevância social, retornar o cidadão à sociedade de forma útil e produtiva.
Com base na resenha diária produzida pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário, referente ao dia 08 de junho de 2017, o Sistema Penitenciário do Distrito Federal possui aproximadamente, uma população carcerária de 15.400 (quinze mil e quatrocentos) privados de liberdade que estão distribuídos em seis estabelecimentos penais, cumprindo regimes fechado, semiaberto ou de prisão provisória, sendo estes estabelecimentos penais no DF:

  • Centro de Detenção Provisória (CDP);
  • Centro de Internamento e Reeducação (CIR);
  • Penitenciárias do Distrito Federal I e II (PDF I e PDF II);
  • Penitenciaria Feminina do Distrito Federal (PFDF), onde também funciona a Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP);
  • Centro de Progressão Penitenciária (CPP).

De acordo com os dados do CED 1 de Brasília, vinculado à Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto (CREPP) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), há 1.600 (mil e seiscentos) privados de liberdade que são beneficiados com a remição pelos estudos e atendidos pela escola, garantindo desta forma, o direito à educação com possibilidade de elevação da escolaridade e cidadania.
 Por fim, ao implementar o projeto de remição de pena pela leitura no Distrito Federal assegurará ao apenado a possibilidade, pelas trilhas da leitura, de diversificar e aumentar seu entendimento de mundo, ainda que seja nos intramuros dos presídios. Esta compreensão comunga com modelo educativo freireano, aquele que transforma e liberta, sendo que o livro e a leitura constituem ao privado de liberdade um encontro consigo mesmo, uma sensação de liberdade ainda que de forma momentânea, pois “a medida, porém, em que me fui tomando íntimo do meu mundo, em que melhor o percebia e o entendia na “leitura” que dele ia fazendo, os meus tremores iam diminuindo”. (FREIRE,1989, p.3)
Ainda o mesmo autor reitera que o ato de ler não se limita a decodificação pura da palavra ou da linguagem escrita, mas sim antecede e se alonga na inteligência do mundo. Nesse sentido, ler é se apropriar de novos significados, interpretações sobre o conhecimento socialmente produzido, como também a maneira como o leitor organiza seus saberes, partindo do diálogo da obra com a leitura de mundo.
Vale ressaltar, que o ato de ler possibilita e promove a sensação de liberdade, desenvolve o pensamento crítico e amplia o vocabulário, capaz de transformar o leitor num individuo mais comunicativo, seguro de si, fator que fortalece a convivência social frente aos desafios extramuros.
A cela representa o ápice da exclusão social de um indivíduo, promover e ressignificar espaços de leitura nas prisões é de fundamental importância, visto que a leitura estimula o conhecimento para transformar numa prática que servirá de um instrumento eficaz de aprimoramento do sujeito privado de liberdade para o processo de ressocialização (TINOCO,2015)
Neste sentido, a ação preventiva do Estado, mesmo de forma austera e vigilante, com a finalidade de garantir o cumprimento da pena, com menor trauma e mais produtividade, à medida que oferece nas prisões maiores condições laborais e de aprendizagem, aponta perspectivas e possibilidades para a ressocialização do indivíduo e retorno ao convívio social. (RIBEIRO, 2012).

  1. METODOLOGIA

O privado de liberdade poderá participar de forma voluntária, desde que obedeça às condições mínimas de escolaridade ou termos de capacidade de leitura e interpretação de texto e habilidade com a escrita, de acordo com o que estabelece a Portaria VEP nº 010, de 17 de novembro de 2016.
Art.11 – O reeducando terá o prazo de 30 dias para realizar a leitura de cada obra literária.
Parágrafo único – Serão admitidas , para fins de remição pela leitura, apenas as obras literárias constantes do rol a ser emitido e atualizado periodicamente pelo Centro Educacional 01 de Brasília, após manifestação do Ministério Público e homologação por este Juizo, que necessariamente levará em consideração o respectivo nível de escolaridade (alfabetizado, ensino fundamental I completo ou incompleto, ensino fundamental II completo ou incompleto, ensino superior completo ou incompleto, pós-graduação).
As obras serão disponibilizadas ao privado de liberdade participante da remição de pena pela leitura, 01 (um) exemplar por mês, sendo uma obra literária clássica, cientifica ou filosófica, dentre outras, conforme o acervo disponível no estabelecimento penal. O privado de liberdade receberá uma das obras pré-definidas e as informações sobre as regras que envolvem a remição de pena pela leitura, como dia da prova presencial, critérios da avaliação escrita e pontuação.
A oferta de vagas deverá contemplar todo o complexo penitenciário, ser distribuídas em blocos ou alas de acordo com a determinação da direção de cada estabelecimento penal. Serão destinadas a oferta de vagas em até 10% da população carcerária recolhida em cada presídio que deverá atender, prioritariamente, os privados de liberdade não classificados para trabalho, estudo ou qualificação profissional, ou ainda que não estejam matriculados em cursos a distância. (Portaria VEP nº010, de 17 de novembro de 2016). Em caso de vagas remanescente a cada mês, estas poderão ser ofertadas aos custodiados classificados para trabalho ou estudo, posterior análise e indicação do Núcleo de Ensino (NUEN).
O privado de liberdade terá o prazo de 30 (trinta) dias para leitura de uma obra literária, apresentando ao final deste período um resumo crítico conforme o livro lido que poderão alcançar a partir da leitura e avaliação escrita e presencial, o quantitativo de 12 (doze) obras anuais que resultarão na remição de 04 (quatro) dias de sua pena, por obra lida, possibilitando remir até 48 (quarenta e oito) dias por ano, conforme a capacidade gerencial do estabelecimento penal.
Conforme o artigo 11 da Portaria VEP nº 010/2016, decorrido o prazo de 30 (trinta) dias, o Núcleo de Ensino (NUEN) designará a data da avaliação escrita e presencial, que deverá acontecer em até 15 (quinze) dias após o prado de leitura da obra. As provas deverão ser aplicadas nos turnos matutino e vespertino, em dias úteis, em salas especiais, bibliotecas ou pátios, a depender da escolha de execução do diretor do estabelecimento penal.
Para fins de avaliação, a tipologia textual exigida será resumo crítico referente a obra lida. Em relação aos aspectos estruturais, a constituição do resumo crítico, deverá conter no mínimo, dois parágrafos dissertativo-argumentativos, que deverão ser redigidos em, no mínimo de 8 linhas e até o limite máximo de 30 linhas. A pontuação do resumo crítico terá uma escala de o a 100 pontos, ficando apto a remição, o privado de liberdade que atingir media igual ou superior a 60 pontos.
Para a implementação do projeto de remição pela leitura nos estabelecimentos penais do Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal constituirá uma equipe de profissionais qualificados, por meio de processo seletivo simplificado, com os respectivos quantitativos de recursos humanos, formação acadêmica e funções:

  • 06 (seis) professores- coordenadores com formação em Língua Portuguesa ou Pedagogia e, preferencialmente, ser efetivo da carreira magistério da SEEDF que atuarão nos presídios para coordenar os processos de empréstimos dos livros, bem como participar da logística de aplicação e encaminhamentos das provas escritas em parceria com os Núcleos de Ensino (NUENs);
  • 18 (dezoito) professores-avaliadores com formação, exclusivamente, em licenciatura em Língua Portuguesa, ser efetivo da carreira magistério da SEEDF, que farão as correções das provas escritas, deverão ser lotados no CED 1 de Brasília.

Além disso, será constituída duas comissões: a primeira, comissão gestora com representantes da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e da Secretaria de Segurança Pública e Paz Social que gerenciará todo o processo de implementação do projeto de remição de pena por leitura nos seis estabelecimentos penais do DF.A segunda,  comissão executora que será constituída com representantes do CED 1 de Brasília e dos Núcleos de Ensino (NUENs) que ficarão responsáveis pela execução e implementação das ações do projetos nas unidades prisionais.

  1. APONTAMENTOS FINAIS

A implementação do projeto de remição de pena por leitura no Distrito Federal representa um grande desafio, pois caracteriza-se por uma ação continua que atingirá os seis estabelecimentos penais do Distrito Federal, objetivando o cumprimento das determinações legais que possibilitam a ressocialização dos custodiados a partir dos processos de leitura.
O relato, por hora apresentado, representa um modelo pedagógico construído com ênfase na formação humanística dentro do sistema prisional, rompendo, desta forma, a perspectiva meramente punitiva no lócus da restrição e privação da liberdade do indivíduo. Defender um caráter voltado ao processo de humanização das penas é um instrumento que reforça a ideia de que o privado de liberdade não perde sua condição humana, fundamentado nisso, a sua ressocialização deve ser preocupação constante do Estado, visando implementar as políticas públicas nos presídios capazes de garantir um clima de menor tensão, bem como garantir o retorno do cidadão de forma útil, autônoma e produtiva.
É valido ressaltar, que as políticas de remição de pena nos presídios, sejam elas formais ou complementares, constituem possibilidades de redução do número de presos no país, partindo da adoção de estratégias formativas mais humanizadoras. Neste sentido, as atividades laborais e educacionais quando desenvolvidas nas prisões, contribuem para um melhor convívio de menor violência e tensões.
Em relação aos custos para implementação do projeto de remição de pena pela leitura no DF, apresenta uma proposta de baixo custo para o processo de implementação, haja vista, se compararmos dos demais gastos de manutenção do Estado para manter o aprisionamento dos apenados.
O início do processo de implementação do referido projeto ocorreu sob a determinação judicial da juíza titular da Vara de Execuções penais que homologou as listas das obras para composição do acervo bibliográfico, no dia 16 de agosto de 2017, como também, determinou a comunicação aos órgãos envolvidos, Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (SESIPE) e Subsecretaria de Educação Básica de Educação do Distrito Federal (SUBEB), na época as autoras deste texto atuaram diretamente na sua elaboração. Atualmente, as demais ações como publicação de portarias, editais e ordem de serviço, encontra-se em processo de tramitação nestas duas casas.

  1. REFERÊNCIAS

BRASIL. Recomendação Nº 44 de 26/11/2013. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=1235 Acesso em 10 de maio de 2017.
 
______. Lei Estadual nº 17.329, de 30 de junho de 2011.Disponível em: http://www.depen.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=230. Acesso em 11 de jan de 2018.
 
______. Lei Federal nº 12.433, de 29 de junho de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12433.htm>
Acesso em  9 de mar de 2017.
 
 
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil…/constituicao/constituicaocompilado.ht Acesso em 10 de maio de 2017.
 
______. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Disponível em:  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12433.htm. Acesso em 10 de maio de 2017.
 
______.Portaria VEP 010, de 17 de novembro de 2016. Disponível em: <http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2016/dezembro/vep-df. Acesso em 10 de maio de 2017.
 
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez,1989.( Coleção polêmicas do nosso tempo;4).
 
PAVARINI, Massimo; GIAMBERARDINO, André. Teoria da Pena e Execução Penal: Uma introdução Crítica. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.
 
RIBEIRO, Maria Luzineide P. da Costa. O mundo como prisão e a prisão no mundo: Graciliano  Ramos e a formação do  leitor em presídios do Distrito Federal. 2012.160f. Dissertação ( Mestrado em Literatura) – Instituto de Letras, Departamento de teoria literária e literaturas. Universidade de Brasília.
 
TINOCO, Coelho Robson. Educação em Presídios e leitura literária: uma nova articulação sociodialógica. Revista do programa de pós-graduação
em Letras.Vitória,n.27,2015/1.
 
 
Ana Cristina de Castro[1]
Mara Franco de Sá[2]
 
[1] Mestre em Ciências da Educação pela Universidade de Brasília, licenciada em Letras. Professora da Educação Superior em cursos de licenciatura e bacharelado do Centro Universitário Projeção – Unidade de Sobradinho e Supervisora da Educação a Distância no curso de Letras/EAD, professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Atuou como Chefe da Unidade Regional de Educação Básica, diretora da Educação de Jovens e Adultos na Subsecretaria de Educação Básica do Distrito Federal. Atua na vice-direção do Centro de Ensino Fundamental 09 de Sobradinho. Contato:anacristinacastro3@gmail.com
[2] Doutora e Mestre em Educação (UFG/UnB). Graduada em Ciências Sociais (UFPa). Atuou como coordenadora central na Gerência de Educação Prisional e Currículo Integrado da SEEDF no ano de 2017. Atualmente é docente da UFPI.

Marcha dos Povos abre Fórum Social Mundial em Salvador

Com a participação de diretores do Sinpro, a Marcha dos Povos tomou as ruas do centro de Salvador nesta terça-feira (13), abrindo oficialmente a edição de 2018 do Fórum Social Mundial.
Após sair do bairro de Campo Grande, por volta das 16h30, a Marcha passou pela Avenida Sete até chegar a Praça Castro Alves. Conhecida como “Praça do Povo”, local de grandes manifestações de luta e resistência baiana, na praça um palco com apresentações culturais e performances artísticas encerrou o primeiro dia do evento.
A Marcha contou com representantes do Movimento Negro da Bahia, entidades religiosas de matriz africana, universitários, estudantes secundaristas e sindicalistas. O secretário de Relações Internacionais da CUT Nacional, Antônio Lisboa, disse que tamanha representatividade dos movimentos sociais e sindical é um sinal de que a resistência aos ataques dos golpistas que usurparam o poder se intensificará a cada dia. “O significado deste Fórum é forte diante da situação de retrocesso, dos ataques aos direitos humanos, sociais, trabalhistas, aos quilombolas, às mulheres, aos indígenas e ao estado democrático”.
Cerca de 1500 coletivos, organizações e entidades participam desta 13ª edição do evento, realizando 1300 atividades autogestionadas, espalhadas pelos cinco dias de debates, que se encerram no sábado (17).
O FSM terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu. De acordo com os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.
O Fórum Social Mundial é uma iniciativa da sociedade civil organizada, nascida em Porto Alegre, em 2001, para promover o encontro democrático, plural e de resistência com o objetivo de incentivar debates, aprofundar a reflexão coletiva, troca de experiências e a constituição de coalizões e de redes entre os movimentos da sociedade civil e organizações comunitárias que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do capital. O evento é realizado a cada dois anos. Nos intervalos, fóruns temáticos descentralizados e autônomos são realizados para dar seguimento às articulações e reflexões críticas nos diferentes países e regiões. O último foi realizado no Canadá, em 2016. Mais informações aqui.
Confira a programação desta quarta (14):
9h – Tribunal Popular para Julgamento dos Crimes de Feminicídio contra as Mulheres Negras, no auditório do IFBA
14h- Marcha das Mulheres Contra o Racismo, com concentração no largo do Campo Grande
14h – Assembleia Mundial da Juventude, no Acampamento Intercontinental das Juventudes, no Parque de Exposições de Salvador.
15h- Lançamento do livro “Enciclopédia do Golpe – o papel da Mídia” com a presença da ex-presidenta Dilma Rousseff e o jornalista Mino Carta, na Tenda da CUT, localizada no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA)
(Com informações da CUT,Vermelho e Rede Brasil Atual)

Fórum Social Mundial começa nesta terça (13) em Salvador

Com o tema central “Povos, Territórios e Movimentos em Resistência”, e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Fórum Social Mundial (FSM) deve ser um evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil. Criado em 2001, em Porto Alegre, o FSM 2018 será realizado entre terça (13) e sábado (17), em Salvador.
Com programação vasta e diversificada, o evento terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.
Com mais de 1.500 coletivos, organizações e entidades cadastradas, e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reunirá representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países sul-americanos e representações nacionais.
Entre as presenças confirmadas estão a dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Fernando Lugo, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai. Também participarão o sociólogo português  Boaventura de Sousa Santos, a militante indígena e pré-candidata à vice-presidência pelo Psol Sônia Guajajara, a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña, e o filósofo do Congo Godefroid Ka Mana Kangudie.
Participarão ainda das atividades do FSM Abdellah Saaf, ex-ministro da Educação de Marrocos; Eda Duzgun, liderança das mulheres curdas; Sara Soujar, do Movimento de Combate ao Racismo e Xenofobia do Norte de Marrocos; Mamadou Sarr, militante da Mauritânia para defesa dos negros; e Gustave Massaih, membro fundador do movimento de Maio 68, na França, entre dezenas de outras lideranças e ativistas internacionais.

Programação

Assembleias,Tribunais e Marchas
Terça 13
Já tradicional desde o primeiro FSM, o evento deste ano se inicia na terça, a partir das 15h, com a Marcha de Abertura. O percurso sairá da praça do Campo Grande, passando pela Avenida Sete, até a Praça Castro Alves, conhecida como “Praça do Povo”, palco de grandes manifestações de luta e resistência baiana. Ali será montado um palco para apresentações culturais, performances artísticas e musicais.
No mesmo dia, às 11h, integrantes do Coletivo Brasileiro do Fórum Social Mundial 2018 e do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial darão uma coletiva de imprensa.
Quarta 14
Pela manhã será realizado o Tribunal contra os Despejos, na Faculdade de Arquitetura da UFBA.
Às 9h, ocorre o Tribunal Popular para Julgamento dos Crimes de Feminicídio contra as Mulheres Negras, no auditório do IFBA; à tarde, a partir das 14h, Marcha das Mulheres Contra o Racismo, com concentração no Largo do Campo Grande; no mesmo horário será realizada a Assembleia Mundial da Juventude, no Acampamento Intercontinental das Juventudes, que será montado no Parque de Exposições de Salvador.
Quinta 15
Às 17h, ato em Defesa da Democracia, no Estádio de Pituaçu, com as presenças dos ex-presidentes Lula, Dilma, Lugo (Paraguai) e Mujica (Uruguai).
Sexta 16
Assembleia Mundial dos Povos, Movimentos e Territórios em Resistência, às 14h, no Acampamento dos Povos Indígenas, no Centro Administrativo da Bahia
Sábado 17
Pela manhã, será realizada a Ágora dos Futuros, com a apresentação dos resultados das atividades do FSM, na Praça das Artes, campus de Ondina da UFBA.
Assembleia Mundial das Mulheres
Na manhã de sexta (16), a Assembleia Mundial das Mulheres será a única atividade na programação oficial do FSM, com possibilidade de acontecer no centro histórico de Salvador. A exclusividade tem como objetivo garantir que as mulheres com outras agendas políticas no Fórum estejam liberadas para debater questões de gênero, pautas feministas e lutas das mulheres, como a criminalização do aborto, o feminicídio, o combate contra a violência da mulher e o machismo, entres outras.
Acampamento Intercontinental da Juventude
Mais do que um alojamento, o acampamento da juventude é um local para debates e discussões políticas. Nesta edição, ocupará o Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador, a partir deste domingo (11) até o próximo (18), com capacidade para receber cerca de 6 mil jovens. Atos, shows e assembleia farão parte das atividades do Acampamento Intercontinental da Juventude (AIJ), que terá ainda uma vila gastronômica da economia solidária, palcos para apresentações culturais e debates.

Sobre o Fórum Social Mundial

O Fórum Social Mundial é uma iniciativa da sociedade civil organizada, nascida em Porto Alegre, em 2001, para promover o encontro democrático, plural e de resistência com o objetivo de incentivar debates, aprofundar a reflexão coletiva, troca de experiências e a constituição de coalizões e de redes entre os movimentos da sociedade civil e organizações comunitárias que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do capital. O evento é realizado a cada dois anos. Nos intervalos, fóruns temáticos descentralizados e autônomos são realizados para dar seguimento às articulações e reflexões críticas nos diferentes países e regiões. O último foi realizado no Canadá, em 2016.

Cerrado, berço das águas, na rota devastadora do capital

Água: uma perspectiva global
O acesso à água potável, ao saneamento e à boa gestão dos ecossistemas de água doce são essenciais para a saúde humana, para a sustentabilidade ambiental e para a prosperidade econômica, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Contudo, ao redor do mundo, as comunidades estão sendo despojadas dos direitos comunitários à terra e à água, e os mais pobres, especialmente os povos negros, indígenas, as mulheres e as crianças, sofrem impactos desproporcionais que aumentam ainda mais sua vulnerabilidade.
Em 2018, a água estará no centro dos debates e das disputas. No marco do Dia Mundial da Água (22 de março), será realizado em Brasília o Fórum Mundial da Água, o grande evento das corporações que tratam da mercantilização e privatização da água em larga escala e que estarão reunidas numa grande vitrine de negócios para avançar sobre o controle dos recursos hídricos do planeta. Nas mesmas datas e também em Brasília, o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) reunirá movimentos sociais, organizações comunitárias, povos indígenas e tradicionais, artistas e intelectuais de diversas partes do mundo, que compartilharão experiências sobre a gestão coletiva da água como um bem comum e defenderão o acesso a esse recurso como um direito humano fundamental.
Menos de 1% da água doce existente no mundo encontra-se disponível para os ecossistemas e para uso humano.1 Esse dado coloca a gravidade da situação que enfrentamos conforme a exploração da água aumenta, especialmente para a produção de commodities agrícolas, minerais, carne e energia em larga escala e para propósitos industriais, mas não para garantir o acesso humano à água e ao saneamento.
A questão central não é a escassez em seus termos gerais, e sim um processo de exploração intensa e apropriação de águas,2 no qual o recurso vai perdendo seu caráter de bem comum e se tornando mercadoria, um instrumento de acumulação que tem como pressuposto sua privatização. Até os executivos do Fórum Econômico Mundial de Davos tiveram de reconhecer que a agropecuária em larga escala já é a responsável pelo consumo de 70% de toda a água doce disponível no planeta.
Há que se considerar também a abissal desigualdade existente no consumo per capita de água no mundo. Enquanto a média de consumo nos Estados Unidos é de 575 litros por pessoa por dia (l/pd), em Moçambique é de apenas 4 l/pd; na Etiópia, de 15 l/pd; e no Brasil, de 150 l/pd.
A crise hídrica atinge inclusive locais com histórica abundância de água, como no caso da cidade de São Paulo entre 2014 e 2016 e de Brasília, que sofre racionamento de água há exatamente um ano. Mais dramático ainda é o caso da Cidade do Cabo, na África do Sul, que tem previsão de ficar totalmente sem abastecimento de água em poucos meses – o que pode acontecer com todos nós.
O Cerrado em disputa
Atualmente, o Cerrado, que já conta com cerca de 52% do bioma devastado, é o principal território por onde avança o agronegócio no país e ainda a principal fronteira agrícola para sua expansão, sendo devastado mais rápido do que a Amazônia. O Cerrado perdeu 9.483 km2 de vegetação em 2015, um número que equivale a mais de seis cidades de São Paulo e supera em 52% a devastação na Amazônia no mesmo ano.3
As históricas desigualdades no campo foram aprofundadas pelo agronegócio, formando cidades-polo de altíssimo PIB per capita (que cresceram ao passo que o êxodo rural aumentava), porém nas quais a concentração de terra e de renda, o alto desemprego, a falta de moradia e o precário acesso a serviços públicos deixam os novos trabalhadores rurais – grande parte dos quais expulsos de suas terras pelo avanço de latifúndios – ameaçados pela pobreza e pela falta de oportunidades em meio a trabalho sazonal, mal pagos e sem proteção social. O caso de Correntina, na Bahia, cidade que recentemente protagonizou um conflito por água com repercussões nacionais e internacionais, é exemplar: ao mesmo tempo que tem um PIB per capita anual superior a R$ 25 mil, a pobreza atinge 45% da população rural do município e 31,8% da população em geral; o índice de Gini é de 0,927 (muito elevado) e os latifúndios ocupam 75,35% da área total dos estabelecimentos rurais.4
O avanço do agronegócio no Cerrado tem se dado principalmente nos locais onde se encontram as nascentes dos principais rios, com a apropriação das águas para irrigação e com intenso desmatamento. Segundo o Atlas da Irrigação produzido pela Agência Nacional das Águas, com base nos dados da FAO (ambos de 2017), o Brasil está entre os dez países com a maior área equipada para irrigação do mundo. Somente entre 2006 e 2014 houve crescimento de 43,3% da área irrigada por pivôs centrais no país, o que significa mais de 380 mil ha. Da área equipada por pivôs centrais, 79,1% está localizada no Cerrado e nas regiões hidrográficas alimentadas pelos aquíferos Guarani, Bambuí e Urucuia.
Por outro lado, também devemos considerar o histórico de apropriação das águas para produção de eletricidade no Cerrado, mediante centenas de projetos de médio e pequeno porte, entre eles as usinas Cana Brava e Serra da Mesa (GO), São Salvador e Luiz Eduardo Magalhães (TO), Estreito (TO/MA) e Tucuruí (PA), o que aumenta a pressão sobre o recurso.
Outra atividade que impacta severamente o bioma é a mineração, principalmente nos estados de Minas Gerais e Goiás, onde a exploração de ouro (que usa o mercúrio para sua extração), fosfato, ferro, amianto, níquel e outros minérios tem rebaixado e contaminado os lençóis freáticos, assoreado os rios, destruído nascentes, córregos e veredas e atingido gravemente a vida das populações locais. Em Goiás, por exemplo, destaca-se a presença das empresas Orinoco Gold, Yamana Gold, Anglo Gold Ashanti, Anglo American, Vale S/A, Votorantim, responsáveis por fazer do território goiano o terceiro maior produtor minerário do país. E o Brasil ainda sangra com a devastação do Rio Doce, que ceifou 21 vidas humanas e despejou dezenas de milhões de toneladas de rejeitos sobre o rio, seus afluentes e no Oceano Atlântico, com dimensões devastadoras incalculáveis.
 
As comunidades tradicionais e indígenas do Cerrado e a água
Com fundamento em um ideal de “eficiência” e “proteção”, transferir a gestão da água para o mercado e agentes privados individuais é um dos objetivos da política privatista dos recursos hídricos. Como a expansão do agronegócio, da mineração e das hidrelétricas se dá sobre territórios previamente ocupados e utilizados por povos indígenas e comunidades tradicionais, a apropriação intensiva da terra e da água no Cerrado tem atingindo duramente essas populações e seus territórios. Atualmente, esse bioma tem se configurado como o segundo com maior densidade de conflitos por terra/água no país, só atrás da Amazônia.
Esses processos de privatização dos bens comuns e expropriação atingem especialmente as mulheres e seus direitos de uso da terra e das águas. As mulheres desempenham um papel fundamental na gestão comunitária das águas e, com essa relação autônoma ameaçada, resta-lhes lidar com poucos recursos para tratar e alimentar as crianças, enfermos e anciãos, bem como cuidar da rotina e higiene da casa e das hortas e sistemas agroflorestais, tarefas que foram a elas destinadas em decorrência da desigualdade histórica das relações de gênero.
É importante ressaltar, entretanto, que os povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, vazanteiros e outros que vivenciam esses processos constantes de expropriação de suas terras, águas e territórios e convivem com mudanças constantes e violentas na dinâmica social que historicamente construíram continuam resistindo, afirmando seus modos tradicionais de vida, de guardiões dos recursos naturais – sobretudo das águas – por meio da lógica dos bens comuns.
Alternativas para o uso sustentável da água no Cerrado: as práticas das comunidades
Os sistemas agrícolas, pastoris e extrativistas dessas comunidades tradicionais do Cerrado são, em geral, pouco conhecidos e valorizados. Práticas como a agricultura itinerante de corte e queima, de vazante e de irrigação em pequena escala; a pesca e a caça; o conhecimento e uso das espécies vegetais e a criação de gado solto em áreas comuns são parte das estratégias de produção e reprodução das comunidades cuja viabilidade socioeconômica envolve um manejo sustentável da água e da terra, alinhado com os princípios da agroecologia.
A gestão sustentável das águas realizada pelos povos do Cerrado se baseia em seus próprios usos tradicionais e é voltada para a reprodução física, econômica, social e cultural da comunidade. Por exemplo, açudes, canais comunitários de irrigação (regos), produção diversificada de alimentos e mutirões compõem o repertório das práticas tradicionais de uso e gestão das águas das comunidades do Vale do Rio Arrojado, no oeste da Bahia.
A construção dos regos é uma prática essencial para a reprodução econômica, social e territorial dessas comunidades, sendo fundamental para os períodos com baixa intensidade de chuva e para a diversificação da produção, já que com eles é possível produzir diversidade de frutas, verduras e legumes e fornecer água para animais de pequeno porte.
Os povos e comunidades do Cerrado também têm papel fundamental na recuperação e preservação das nascentes, muitas vezes degradadas pelo agronegócio. Recuperar uma nascente seca ou quase seca, ver a água jorrar novamente e dar vida às matas ciliares. As iniciativas de recuperação de nascentes são inúmeras nesse bioma e em alguns locais fazem até parte das aulas escolares.
Essas tecnologias comunitárias de uso da água são encontradas em todo o Cerrado. No entanto, essas práticas estão sendo permanentemente ameaçadas, o que motiva as ações de resistência das comunidades.
O oeste baiano registra o maior número de conflitos no período de 1985 a 2016 em nível nacional. Somente entre 2002 e 2015 houve 23 conflitos nessa região, dos quais 19 (82,60%) aconteceram após 2008. O município de Correntina se destaca com 41 conflitos nos últimos 32 anos, sendo líder em reincidências.5
 
Conclusão
A imensa riqueza social e natural do Cerrado está ameaçada de se perder. No ritmo atual de devastação, o bioma como tal pode desaparecer para sempre já em 2030.
As consequências socioambientais desse processo são dramáticas e ainda serão mais, como diversos analistas e organizações sociais vêm alertando, caso não seja feito um esforço articulado para impedir que essa expansão para a produção de commodities continue nos moldes de violência, predação e empobrecimento que a tem caracterizado.
A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, que reúne uma expressiva rede de organizações sociais pela defesa do Cerrado e de seus povos, tem uma petição online recolhendo assinaturas para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional n. 504, que reconhece os biomas Cerrado e Caatinga como patrimônios nacionais, como são a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica.
A Campanha também tem ampliado o debate acerca da garantia dos direitos territoriais das comunidades indígenas e tradicionais do Cerrado, por entender que esse é o primeiro passo para a conservação do que resta do bioma e de seus recursos hídricos fundamentais. As comunidades que vivem no Cerrado praticando por gerações formas de gestão comunitária e descentralizada baseadas no uso coletivo e sustentável do bem comum são fundamentais para garantir a escala necessária para a conservação da biodiversidade do Cerrado e a manutenção dos ciclos de carbono e água.
Uma importante bandeira da campanha e dos povos e comunidades do Cerrado é que haja efetiva democratização da água, sendo tratada como um direito humano e um bem comum, e não como uma mercadoria. É urgente que esse debate seja feito de modo a impedir que a devastação do Cerrado continue a todo vapor, sem que a sociedade brasileira e global nem sequer saiba tudo o que está em jogo para seu futuro.
 
*Gerardo Cerdas Vega, sociólogo, é analista de políticas e programas da ActionAid no Brasil e membro da coordenação da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado; Joice Bonfim, advogada, é membro da AATR-BA e integrante da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.
1 De toda a água do planeta, 97,5% é salina. Do restante, cerca de 70% conserva-se em geleiras. Assim, menos de 1% do total da água doce está efetivamente disponível para uso humano e para a continuidade da vida no planeta como um todo.
2 O consumo real de água permanece invisibilizado porque não considera o consumo indireto, pela indústria e o agronegócio, por exemplo. Assim, um único quilo de carne bovina demanda 15,5 mil litros de água para ser produzido e comercializado. A produção de um smartphone consome em torno de 12.760 litros de água, e uma calça jeans, 10.850.
3 Observatório do Clima. Disponível em: <www.observatoriodoclima.eco.br/desmate-no-cerrado-supera-o-da-amazonia/>.
4 Oxfam. Disponível em: <www.oxfam.org.br/sites/default/files/arquivos/relatorio-terrenos_desigualdade-brasil.pdf>.
5 Tássio Barreto Cunha, Do oculto ao invisível: terra-água-trabalho e o conglomerado territorial do agro-hidronegócio no oeste da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual Paulista. Tese de Doutorado, 2017.
(do Le Monde Diplomatique)

GDF promete pagar 13º salário dos aniversariantes de fevereiro na terça (13)

O Governo do Distrito Federal informou à diretoria colegiada do Sinpro que a previsão para o pagamento do 13º salário dos(as) aniversariantes de fevereiro será no dia 13 de março.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF vem acompanhando e cobrando do GDF a regularização das situações salariais em atraso. O governo Rodrigo Rollemberg (PSB) tem atrasado o 13º salário, mensalmente, desde julho de 2016.
O Sinpro vai continuar cobrando a regularidade dos pagamentos. A categoria merece respeito!

Marcha das mulheres em Barcelona

Mulheres em movimento mudam o mundo
 

Marcha das mulheres em Barcelona. Dia Internacional da Mulher 2018

Marcha das mulheres em Barcelona. Dia Internacional da Mulher 2018

Mulheres Sem Terra ocupam Superintendência do Incra em Brasília

A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e busca denunciar a violência contra as mulheres, o agronegócio e a perca de direitos
Na manhã desta quinta (8), cerca de 200 mulheres do Movimento Sem Terra ocuparam a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília, Distrito Federal.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e busca denunciar a violência contra as mulheres, o agronegócio e a perca de direitos.
A ocupação, que ocorreu nas primeiras horas da manhã, busca também pressionar o órgão para atender as demandas de acampamentos e assentamentos do MST na região. As mulheres Sem Terra denunciam o descaso da atual presidência, ocupada pelo superintendente Igor Soares Lélis, com os acampamentos. Atualmente, são 2 mil famílias acampadas que lutam pela terra.
Chamam atenção para o estado de abandono de vários assentamentos, como o Egídio Brunetto, em Flores-GO, José Ribamar, em Unaí-MG e Oziel Alves III, em Planaltina-DF. Nestes, há a falta de infraestrutura mínima (água, luz, estrada e moradia) além de dificuldades na produção e comercialização de alimentos. Ademais, reivindicam escolas do campo para os assentamentos e postos de saúde, evitando que as famílias tenham que se deslocar grandes distâncias para estudarem e receberem atendimento médico.
Conforme explica Bárbara Loureiro, a ação se articula com diversas outras que ocorrem em todo o país. “Em todo o Brasil o MST está realizando ocupações, bloqueios de estrada, marchas e várias outras mobilizações, denunciando a violência contra a mulher, combatendo o agronegócio e todos os seus perigos, além de lutar contra este governo golpista que hoje preside o Brasil”, afirma Loureiro.
Para a dirigente, a Jornada Nacional demonstra o papel central que tem a mulher na luta por uma sociedade melhor. “As mulheres tem um papel protagonista na busca pela transformação social, e neste período de ataque à democracia, precisamos lutar mais ainda para estarmos na política, na economia e em qualquer lugar que desejarmos”, finaliza a Sem Terra.

Indicação de superintendente fez parte de manobra política
Igor Soares Lélis foi nomeado superintendente regional do INCRA em 11 de outubro do ano passado. Filho do ex-secretário de Agricultura do DF, Aguinaldo Lélis, sua nomeação fez parte de uma manobra política do Deputado Federal Izalci Nunes (PSDB-DF) para ampliar sua base de sustentação. Ele assumiu no lugar de Marco Aurélio Bezerra da Rocha.
Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra
A Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra acontece entre 3 e 20 de março, em todo país. No entanto, o dia 8 é a data que concentra mais ações, devido ao Dia Internacional da Mulher. Historicamente, diversas ações marcaram a Jornada, como a ocupação da Aracruz Celulose, 2006, em Porto Alegre, RS.
Sandra Catanhede, da direção estadual do MST, destaca a importância da Jornada. “Em um país tão violento para as mulheres, como o Brasil, é fundamental denunciarmos a violência e o feminicídio”.
Fonte: MST

Trabalhadoras do El País fazem greve no 8 de março

Decisão de parar os trabalhos se alinha à convocatória global das mulheres do jornal espanhol

As trabalhadoras do jornal El País Brasil decidiram se somar à convocatória de greve geral neste dia 8 de março. Segundo jornalistas ouvidas pelo Brasil de Fato, cerca de 14 trabalhadoras fizeram uma reunião na quarta-feira (7) e votaram pela paralisação de 24 horas. A decisão foi comunicada à chefia da redação no Brasil, que redistribuiu as tarefas entre os homens para permitir que as mulheres realizassem o protesto nesta quinta-feira.
Em nota, elas listaram uma série de reivindicações do movimento: “Não existência de diferença salarial por causa de gênero, presença de mais mulheres ocupando cargos de chefia e nas seções de opinião (queremos que a paridade seja a norma – não mais de 60% nem menos de 40% para cada sexo), pelo fim da precariedade trabalhista e dos assédios, tanto sexual quanto moral. Também reivindicamos um espaço fixo dedicado às questões de gênero”.
O movimento das jornalistas brasileiras faz parte de um chamado global de paralisações nas redações do El País. Segundo as manifestantes, a greve teve forte adesão nas redações do México e da Espanha.
De acordo com o próprio jornal, “a paralisação [na Espanha] teve apoio de alguns sindicatos, e outros convocaram suspensões parciais das atividades”. Uma reportagem do diário espanhol desta quinta-feira afirma que a cada 40 minutos uma mulher presta queixa por violência de gênero no país europeu. E cita ainda uma pesquisa do instituto de análises Fedea, apontando que “as mulheres ganham entre 21% e 23% a menos por um trabalho de igual valor”.

Edição: Juca Guimarães

Fonte: Brasil de Fato

Milhares de mulheres saem às ruas em todo país contra violência e pela democracia

Twitaço #8McontraGlobo foi o terceiro assunto mais comentado da manhã. Além das bandeiras feministas, a defesa da democracia também pautou os protestos e atos públicos

Ato no Centro Histórico de Porto Alegre denuncia a violência contra a mulher, em especial o feminicídio

Brasil de Fato – Milhares de mulheres protagonizaram em todas as regiões do país e na internet os atos do Dia Internacional de Luta das Mulheres na manhã desta quinta-feira (8).
Logo cedo, às 5h30, o parque gráfico do jornal O Globo, na cidade do Rio de Janeiro, foi ocupado por cerca de 800 mulheres de diversos movimentos populares, pontuando mais uma vez a crítica à participação da emissora no golpe de 2016, que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff da presidência da República.
Também para denunciar a participação do setor empresarial no processo de impeachment, cerca de 800 manifestantes ocuparam uma fábrica ligada à Riachuelo, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. Além de apoiar abertamente o golpe, o grupo empresarial de Flávio Rocha teve uma condenação em 2016 por praticar um regime de trabalho análogo ao escravo.
Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, as mulheres trabalhadoras do campo e da cidade marcharam pelas ruas centrais em defesa da democracia e da soberania nacional e fizeram um protesto simbólico contra o feminicídio. Na sequência, elas se deslocaram para o  Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para protestar contra a criminalização dos movimentos populares, a seletividade da justiça brasileira e o auxílio-moradia dos juízes.
Em Porto Velho, capital de Rondônia, cerca de 500 mulheres da Via Campesina e Levante Popular da Juventude protestaram bloqueando o acessos aos portos de gás e gasolina.
Já no Pará, as mulheres se uniram contra a construção da Usina de Belo Monte, ao denunciarem o aumento da violência na região após a instalação da hidrelétrica. A cidade é uma das mais violentas do Brasil. Em Belém, 400 camponesas marcharam pelas ruas da capital e escracharam a multinacional Hydro na Amazônia, a maior responsável pelo crime ambiental no município de Barcarena.
No Piauí, mulheres sem-terra ocuparam a sede do Incra, em Teresina, para exigir soluções para os entraves no processo de Reforma Agrária.  Também houve ocupação na sede do Incra em Brasília. A Jornada denuncia a violência contra a mulher, o agronegócio e o avanço do governo Temer sobre os direitos da classe trabalhadora em diversos setores.
Na Bahia, em Santo Sé, as trabalhadores sem-terra ocuparam a fazenda da Frutmag, do Grupo Magnesita, que em 2013 demitiu 1.800 trabalhadores. Na cidade de Boa Vista do Tupim, também na Bahia, na região da Chapada Diamantina, as trabalhadoras rurais ocuparam a prefeitura, com o lema pela democracia e pela Reforma Agrária.
No Mato Grosso, as camponesas do MST ocuparam a fazenda Entre Rios, na cidade de Jacira, que está penhorada no Banco do Brasil por empréstimos vencidos e também com dívidas na Receita por não pagar os impostos.
Em Pernambuco, o Fórum de Mulheres do Araripe realizou um ato público contra o fechamento das escolas do campo. Já na capital Maranhense, em São Luís, outro grupo de mulheres ligadas ao MST protestaram em frente à Assembléia Legislativa, onde denunciaram a violência no campo. Em 2017, foram 65 pessoas assassinadas em conflitos no campo em todo o Brasil.
Em Fortaleza, no Ceará, 10 mil mulheres estiveram em marcha pelas ruas da capital. Já em Aracaju-SE, foi realizado uma intervenção na porta do poder Judiciário, denunciando a omissão da justiça em relação à violência contra as mulheres. Segundo as organizações que participaram do ato, apenas no estado, houveram 15 casos de feminicídio entre 2016 a 2018.

Twitter

Paralelamente a ocupação no parque gráfico das Organizações Globo, foi iniciado um twittaço com a marca #8McontraGLOBO a partir das 8h da manhã. Em menos de uma hora, às 8h45, o protesto virtual já era o sexto assunto mais comentado no Brasil.
Às 9h20, com pouco mais de uma hora de engajamento, o twittaço contra a Rede Globo chegou no terceiro lugar entre os destaques nacionais da rede social.
As mobilizações nas redes sociais e nas ruas continuam em diversas cidade do Brasil na tarde desta quinta. Clique aqui para conferir a agenda de mobilizações deste 8 de março.
Fonte: RBA

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