UFBA e UFAM também criam curso sobre o golpe

A disciplina sobre o Golpe de 2016, idealizada pelo professor Luis Felipe Miguel na Universidade de Brasília (UnB) está se espalhando pelas universidades federais brasileiras.
Depois que a Unicamp reagiu à ameça de censura do ministro da Educação, Mendonça Filho, e resolveu também ofertar a disciplina para alunos de Ciência Política, mais duas universidades também irão ter disciplina sobre o golpe: a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Na UFBA, 22 professores da área de Humanas se juntaram para oferecer a disciplina “Tópicos Especiais em História: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. A disciplina será oferecida pelo Departamento de História (FFCH-UFBA) e disponibilizada de forma eletiva para todos os departamentos e pós-graduações da UFBA.
Segundo a nota enviada pelo grupo de professores de História, Sociologia, Economia, Psicologia, Educação, Estudos de gênero, Ciência Política e Direito, a matéria está aberta ao público em geral, que poderá cursá-la como ouvinte.
Já na UFAM, a disciplina será oferecida pelo professor César Augusto Bulbolz Queiróz, do departamento de História, e deve abordar os seguintes tópicos: 1. Golpe de Estado, corporativismo e o legado autoritário da Era Vargas; 2. Golpes e contragolpes no breve período democrático (1945-1964); 3. O golpe civil-militar de 1964; 4. O golpe de 2016: autoritarismo, perda de direitos e reação conservadora.
Em nota ao site Manaus de Fato, o professor explicou a decisão de oferecer a disciplina. Leia abaixo:
” Vivemos sob tempos sombrios. O avanço das forças conservadoras sobre o conjunto de direitos que haviam sido conquistados pelos trabalhadores se faz constante. A Reforma Trabalhista vulnerabiliza as relações de trabalho e nos impõe um retrocesso de 80 anos! A insistência do governo em realizar a Reforma da Previdência ameaça a aposentadoria de milhões de brasileiros. Tentativas de cerceamento das atividades artísticas e acadêmicas estão virando rotina. A exposição cancelada no Santander, a performance no MAM/SP, os protestos contra a visita de Judith Butler e, agora, a ameaça do MEC de proibição da disciplina ofertada pelo professor Luis Felipe Miguel, da UnB, demonstram que a democracia está em risco e que devemos reagir de forma enérgica contra essas constantes tentativas de censura e aos ataques à autonomia intelectual e às artes. Caso contrário, corremos o sério risco de ficarmos reféns de um governo que pretende silenciar as vozes dissonantes. É uma grave ameaça ao Estado de Direito e à Democracia.
Felizmente, em várias Universidades percebemos uma rede de insatisfação com tais arbitrariedades e de solidariedade com o professor Luís Miguel, sendo que muitos professores vêm ofertando – de forma individual ou coletiva – disciplinas que têm o objetivo de discutir os acontecimentos mais recentes e, ao mesmo tempo, demonstrar que a sociedade não vai se calar diante dessas tentativas de cerceamento de suas atividades artísticas, acadêmicas e culturais. Ademais, diversas associações como a Associação Nacional de História (ANPUH) e a  Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) têm manifestado apoio ao docente e demonstrado seu repúdio à ameaça de cerceamento da autonomia acadêmica e às liberdades democráticas e constitucionais.
Neste sentido, considerando o contexto político vivenciado pelo país e a tentativa de cerceamento da autonomia universitária, ofertarei nesse semestre uma disciplina que discutirá o tema “Golpes de Estado, autoritarismo e repressão no Brasil Republicano”, buscando abordar, por meio da bibliografia sobre o tema, os golpes de Estado e as crises institucionais vividas no país entre os anos de 1930 e 2018. O objetivo é discutir a tradição autoritária estabelecida no Brasil e demonstrar que o golpe de 2016 se insere em um contexto de disputas políticas que podem ser analisadas na esteira de outras conjunturas de nossa história recente. Assim, dividi a disciplina em tópicos, nos quais pretendo analisar o corporativismo e o legado autoritário da Era Vargas; os golpes e contragolpes no breve período democrático (1945-1964); o golpe civil-militar de 1964 e o golpe de 2016: autoritarismo, perda de direitos e reação conservadora. Analisar de forma crítica a história recente do Brasil é sempre uma oportunidade de refletir sobre nosso presente. E, nesses tempos sombrios, é necessário repensar a importância da atuação do historiador em um momento em que as sombras do passado, fortalecidas pelas mentiras e omissões do presente, teimam em espreitar nossas janelas. Para Hobsbawm, “é comum hoje governos e meios de comunicação inventarem um passado. […] É vital o historiador lutar contra a mentira. O historiador não pode inventar nada, e sim revelar o passado que controla o presente às ocultas”. É bom lembrar isso quando discursos autoritários que  defendem a censura e as intervenções voltam a nos assombrar “.
(do Brasil 247)

Conselho Universitário da UnB condena perseguição a curso que fala em golpe

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília (UnB) emitiu uma notacondenando as investidas do ministro da Educação, Mendonça Filho, contra o curso do Instituto de Ciência Política da universidade intitulado “Tópicos Especiais em Ciência Política: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. Na quinta-feira 22 o ministro afirmou que iria acionar o Ministério Público Federal e outros órgãos públicos afim de investigar o projeto que deu origem a matéria optativa da UnB.
Em sua conta nas redes sociais, o chefe do Ministério da Educação acusou a coordenação do curso e de ter objetivos políticos partidários com a matéria: “É inaceitável o uso de recursos humanos e materiais das universidades públicas para a divulgação de teses petistas malucas. O partido tem todo o direito de defendê-las, faz parte do processo democrático. O que não pode é usar recursos públicos e a estrutura da Universidade de Brasília para propagar mentiras, manipular fatos e formar militância.”
Na nota, o Consuni  “reafirmar a legalidade e legitimidade dos processos que sustentam a oferta das disciplinas dos cursos
(de graduação e pós-graduação) da UnB, os quais são resultado de decisão colegiada, conforme os ritos e as normativas da Universidade” e destaca “importância do respeito à liberdade de cátedra, princípio constitucional que garante o pluralismo na discussão de ideias e de concepções pedagógicas no âmbito das universidades.” Mais de 140 docentes assinaram uma carta pedindo ao conselho que se posicionasse publicamente.
Manifestações de apoio
Outras manifestações de apoio à manutenção do curso, coordenado pelo professor Luiz Felipe Miguel, ganharam força nos últimos dias. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp acaba de criou uma disciplina com o mesmo nome daquela que será ministrada pelo professor Luis Felipe Miguel. Na Unicamp, cada docente dará uma palestra no curso em solidariedade ao professor Miguel. O curso terá basicamente o mesmo conteúdo do oferecido pela UnB, “em solidariedade ao professor e em desobediência coletiva contra o autoritarismo e agressão contra a autonomia universitária e liberdade de cátedra”, segundo nota emitida pela Universidade de Campinas.
(da Carta Educação)

A intervenção no Rio e a guerra contra os pobres

Nestas alturas dos acontecimentos todos sabem que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é injustificável e que se revestiu de um ato eminentemente político. Injustificável porque o Rio está longe de ser a cidade mais violenta do Brasil, ficando, inclusive, atrás de várias outras capitais. Injustificável, porque durante o Carnaval não houve o propalado surto de violência. Pelo contrário: dos 27 indicadores de violência, 16 caíram em relação ao Carnaval de  2017. O indicador de homicídios, por exemplo, caiu 14,81% e o de roubos teve uma queda de 9,85%. Até mesmo o conservador Estadão fez um duro editorial classificando a intervenção como injustificável em face da ausência de um fato objetivo plausível para aplicá-la. Enquanto  isso, os tradicionais representantes da esquerda vacilante, somados à Marina Silva e a Miro Teixeira, a aprovam ou titubeiam na sua condenação.
O governo Temer, a beira do precipício, buscou dois objetivos com a intervenção: o primeiro, criar uma cortina de fumaça em face da não aprovação da reforma da Previdência que o marcaria por um fracasso retumbante, pois essa reforma era o ponto programático central do golpe. O segundo, uma tentativa desesperada de recolocar o governo e Temer no jogo eleitoral, já que todas as pesquisas os colocavam à margem dessa disputa. A intervenção, certamente, produzirá impactos no processo eleitoral, mas não terá força para suspender as eleições, como teme a esquerda medrosa.
O caráter improvisado da intervenção ficou patente na reunião que Temer fez no último sábado, no Rio, com o governador e outras autoridades. Ficou claro que nem Temer e nem o Exército sabem quais as medidas que serão implementadas. Não havia nenhum planejamento para dar força a uma decisão tão grave, que coloca em movimento um aparato de Estado, como é o exército, desviando-o de suas finalidades. A rigor, Temer comete um crime político ao usar instrumentos de Estado para fins pessoais e políticos.
Alguns analistas bem conceituados sugerem que a intervenção consiste numa bolsonarização sem Bolsonaro e que ela terá como efeitos a derrubada de Bolsonaro nas pesquisas, a catapultagem generais duros e legalistas e a criação de uma narrativa sebastianista de salvação pelas Forças Armadas. Tratam-se de análises equivocadas: se Bolsonaro cair, cairá por si mesmo, como é a tendência. Se a intervenção tiver algum sucesso, ele até poderá aproveitar-se disso, pois corre sozinho nessa raia. O Exército, uma das poucas instituições com credibilidade, sabe dos riscos que corre se se prestar à manipulação de um governo sem legitimidade e se enveredar pelo caminho das ações espetaculosas. As Forças Armadas já estão agindo no Rio e nada de muito diferente deverá ocorrer a não ser se os interventores tiverem a coragem de expurgar as polícias. Em resumo: produzir-se-á uma sensação de segurança de curto prazo e os problemas estruturais da violência continuarão existindo.
Guerra contra os pobres
Na América Latina existe uma guerra, não contra a pobreza, mas contra os pobres, notadamente nos países de alta desigualdade, a exemplo de El Salvador, Brasil, México, Venezuela, Colômbia e dai por diante. Todos sabem que violência e pobreza andam juntas. Um relatório da ONU aponta que a região é a mais violenta do mundo. É também a região mais desigual do mundo e com a maior desigualdade urbana do mundo. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 19 são brasileiras e 43 são latino-americanas e o Rio de Janeiro não está entre elas.
Nesta guerra sistemática contra os pobres que é travada no Brasil e na América Latina, a concepção predominante das elites predatórias da região é a de que a riqueza se produz com a manutenção e expansão da pobreza. No Brasil, seis pessoas detêm 50% da riqueza. De acordo com a CEPAL, 30% da população latino-americana ou 175 milhões de pessoas, são pobres sendo que desses, 75 milhões são indigentes. Um dos últimos relatórios da ONU indica que mais 220 milhões ou  38% da população correm risco de se tornarem pobres. É a trágica normalidade da América Latina.
Organizações criminosas de diferentes tipos e o tráfico de drogas se alimentam da pobreza como infantaria de comércio e da guerra, e  das classes médias e altas como destinatárias do consumo e propiciadoras dos lucros. Jovens pobres, desempregados, sem cultura, sem lazer e sem esperanças, são presas fáceis do crime organizado. Mas não é só. Vários estudos mostram que a maioria esmagadora dos homicídios ocorre nas regiões pobres, periféricas, constituídas de excluídos. Pouquíssimos desses crimes são elucidados.
Os pobres enfrentam dois tipos de guerras, ambas fratricidas, porque são guerras de pobres contra pobres. A primeira, é patrocinada pelo tráfico e pelas organizações criminosas, que disputam territórios e mercados. A segunda é patrocinada pelo Estado, que usa as polícias, também constituídas de pobres, para reprimir e matar pobres, principalmente jovens. Estudos mais antigos e recentes mostram que o Estado se vale do sistema legal, do sistema judicial, do sistema prisional e do sistema policial para travar a guerra contra os pobres. Além da violência, as cadeias estão repletas de pobres, muitos deles sem julgamento. O sistema judicial julga de forma enviesada contra os pobres, contra os negros, contra os índios e contra as mulheres. Nas periferias, a repressão visa manter as populações confinadas, sob o terror das polícias e do crime, prisioneiras de guetos, inabilitadas à liberdade e ao usufruto da vida. É um sistema brutal de dominação, repressão, perseguição e guerra.
Estudos até mesmo feitos por coronéis da Polícia Militar de São Paulo chamam a atenção acerca do absurdo de como as polícias são treinadas. A sua formação é para matar, para a guerra. As insígnias, os brasões os refrões são todos orientados para a morte e não para proteger a sociedade e garantir direitos. Essa orientação para a guerra vem produzindo o aumento de jovens mortos pelas polícias e de policiais mortos em confrontos. As populações periféricas nutrem medo e descrença nas polícias. Os policiais pobres vivem com medo de seres assassinados, tudo isto mesmo com o fato de muitas polícias, notadamente as polícias militares no Brasil, prestarem relevantes serviços sociais de primeiro atendimento em várias situações de risco. Este sistema criminoso de formação das polícias é de responsabilidade dos governadores, os verdadeiros agentes do uso das polícias contra os pobres e de proteção do patrimônio dos ricos.
Os governos progressistas, em que pesem terem produzido alguns resultados na redução da pobreza, produziram resultados insuficientes. Na área de segurança pública, os resultados foram ainda mais precários. No Brasil, por exemplo, quando se ensaiava um programa mais estruturante através do PRONASCI, o mesmo sofreu uma guilhotinada pelo governo Dilma. Nada o substituiu. Pelo contrário: houve um retrocesso.
A intervenção no Rio é mais uma faceta da guerra contra os pobres, assim como o foram as UPPs. Existe um entrelaçamento entre os interesses do crime organizado e os interesses dos políticos. Os primeiros garantem lucros, financiamento de campanhas e currais eleitorais e os segundos garantem leniência, incompetência e corrupção.
Mesmo tendo sido adotada por um governo claudicante, a intervenção deixou as esquerdas perplexas e desorientadas, numa continuidade de conduta que vem desde o impeachment-golpe, passa pelas reformas trabalhista e da previdência e pela perseguição a Lula. Sem organização nas comunidades periféricas, sem força para mobilizar, mesmo num momento em que a maioria da população rejeita categoricamente o governo, as esquerdas permanecem sem estratégia e sem tática, limitando-se a uma retórica reativa, defensiva e pueril. Caminham para angariar uma nova e devastadora derrota neste fatídico ano em que poderão perder as eleições, sem Lula na disputa.
Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
(da Carta Maior)

Educação de qualidade é solução para reduzir violência, diz pesquisa

Investir em educação de qualidade para jovens de baixa renda é, para 36% dos paulistanos, a medida mais importante para diminuir a violência na cidade. O dado é do levantamento  “Viver em São Paulo”, divulgado em janeiro pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência.
Os resultados revelados na pesquisa deste ano são diferentes das conclusões em 2015, quando a maioria (34%) acreditava que o combate à corrupção na polícia e nos presídios era a principal ação para diminuir a violência na cidade. Entre as regiões, o centro (45%) e a zona norte (40%) foram as regiões que apresentaram porcentagens mais altas nessa alternativa.
O professor de História Raimundo Justino da Silva, 37, acredita que é necessária uma participação mais coerente que mobilize as pessoas. “Qual governo tem ou teve um projeto efetivo de melhora da educação no país? Quais comunidades, com seus pais, mães e responsáveis se aproximam da escola de seus filhos no intuito de colaborar para seu sucesso?”, questiona. “Quais agentes públicos, professores, diretores se organizam de fato para isso?”, complementa.
Para Justino, que também é mestre em Estudos Culturais pela Each-USP Leste, há uma parcela de políticas que deve partir do poder público para proporcionar educação de qualidade. Mas, salienta, por outro lado, a população interessada na questão também deve estar alinhada com as melhores práticas para exigir bons resultados.
“É óbvio que a responsabilidade institucional é dos governos e ajudaria muito se eles fossem sérios. Mas acho que não dá para a sociedade civil esperar muito, ainda mais no contexto atual do país”, reitera. “A educação de qualidade precisa estar conectada a outros elementos, como a cultura, a comunidade e o território”, finaliza.
“Sem educação eu não teria chegado onde estou. Acredito que sempre precisarei para fomentar os meus desejos de expansão e conquistar outras coisas”, relata o estagiário de publicidade Luan Miguel Kalil Saad, 24, ao definir a importância educacional em sua vida. Opinião que segue na mesma linha da maioria dos paulistanos.
Saad teve sua trajetória construída dentro dos muros das escolas públicas do seu bairro, a Vila Maria, na zona norte da capital. Segundo o jovem, o acesso aos estudos foi a chave para alcançar os conhecimentos que possui hoje, além de conseguir fazer escolhas que não seriam possíveis se o percurso tivesse sido outro.
“A educação é importante porque os estudos nos proporcionam conhecimentos e novas maneiras de acessar o mundo e de vê-lo, de forma mais expansiva e com melhores perspectivas”, afirma. “Acho que é essencial ocupar o tempo dos jovens com algo que trará retorno intelectual e cultural, além de uma nova qualidade de vida que o permita fazer escolhas”, completa.
(da Carta Capital)

Curso da UnB sobre o golpe já tem fila de espera

A disciplina “Tópicos Especiais em Ciência Política 4: O golpe de 2016 e a democracia”, do professor Luís Felipe Miguel, na UnB, já está lotada e tem 40 pessoas na lista de espera. A procura pode ser ainda maior quando o sistema da universidade reabrir para o período de ajuste de matrícula, na 2ª feira (26.fev.2018).
A descrição da disciplina acusa o governo Temer de fazer “ataque às liberdades e à democracia” e de ter uma “agenda de retrocesso”. De acordo com o plano de aula, haverá uma discussão sobre as “chances” de “restabelecimento do Estado de direito” depois do impeachment de Dilma Rousseff (em 2016). O semestre começará no dia 5 de março.
As informações são do site Poder 360.
(do Brasil 247)

I Colóquio Internacional Crianças e Territórios de Infâncias

A Universidade de Brasília (UnB) sedia o I Colóquio Internacional Crianças e Territórios de Infância no Brasil, que ocorrerá entre 26 e 28 de março de 2018 e, na sequência, o II Encontro Intermediário do Grupo de Trabalho Geografia nos Anos Iniciais, Educação Infantil e EJA, no dia 29 de março. O evento será sediado na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro. O colóquio, com abordagem sobre crianças e territórios de infância no Brasil, ocorrerá com a culminância da exposição Infancia /Dictadura: Testigos y Actores (1973-1990), organizada pela Profa. Dra. Patrícia Castillo Gallardo, na Casa da Cultura da América Latina da UnB em Brasília.
Traz como objetivo debater e refletir a temática; contribuir com o intercâmbio de professores e estudantes das Universidades participantes; propiciar o estreitamento de vínculos entre Grupos de Pesquisa de Universidades brasileiras e estrangeiras; fomentar a divulgação e a sistematização de estudos teóricos sobre infância e território e estabelecer convênios entre os programas de pós-graduações com as universidades estrangeiras participantes, criando projetos de pesquisas comuns, missões de trabalhos e estudos entre os países.
O tema abordado defende que, na produção dos espaços, as convergências e divergências de diferentes grupos presentes na sociedade concretizam diversos territórios. Os territórios têm, assim, um caráter semiótico na medida em que se estabelecem como símbolos, e devem ser analisados como uma teia de significados que, ao ser construído por um determinado grupo social, também o constrói.
Acesse a programação completa e outras informações sobre inscrição e submissão de propostas de trabalho através do site oficial do evento e também das redes sociais:
https://www.even3.com.br/territoriosdeinfancia
@territoriosdeinfancia (Facebook)

Petroleiros denunciam entrega do pré-sal a um centavo o litro

Nesta sexta-feira (27), serão realizados dois leilões simultâneos do pré-sal, para entrega de oito grandes áreas exploratórias, que possui cerca de 12 bilhões de barris de petróleo, que custará às multinacionais R$ 0,01 o litro. “Vão entregar o pré-sal por um preço menor que o de uma garrafinha de refrigerante”, denuncia o coordenador da FUP, José Maria Rangel.
O governo Temer espera arrecadar R$ 7,75 bilhões em bônus de assinatura com as duas rodadas de entrega do pré-sal, o que custará às multinacionais menos de R$ 1,50 o barril do petróleo. Como o barril contém 159 litros de petróleo, o valor sairá a um centavo por litro. “As multinacionais vão levar nosso petróleo pra fora do país e ainda teremos que importar derivados a um custo muito mais alto”, afirma Rangel.
O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), em nota, condenou ontem (24) o leilão do governo Temer e disse que a venda não é benéfica para o país. “O leilão não deve ser comemorado pelos brasileiros. Mas os estrangeiros e seus serviçais aqui no Brasil, como Temer, Henrique Meirelles e Pedro Parente, estarão espocando champanhe”, disse.
Para denunciar os impactos que a venda do pré-sal e as privatizações do governo Temer têm para a sociedade, os dirigentes da FUP estão percorrendo o Rio de Janeiro, passando em pontos como a Central do Brasil e a Estação das Barcas, em Niterói.
O líder do PT espera que os negócios que Temer faz com os estrangeiros sejam desfeitos. “Os investidores estrangeiros que compram o Brasil na bacia das almas devem saber: 97% do povo rejeita o atual governo. É um escândalo fazer negócio com um governo que é uma verdadeira quadrilha e sem nenhum traço de legi​timidade”, criticou.
Com informações da Rede Brasil Atual

ONU destaca luta por Paulo Freire como patrono da educação brasileira

Em carta enviada nesta terça-feria 20 à Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Educação, Mme. Koumbou Boly Barry, parabenizou as instituições e organizações da sociedade civil que lutaram para que o nome de Paulo Freire fosse mantido como patrono da educação brasileira.
Em dezembro do ano passado, após tentativa de retirada de seu título proposta por movimentos ultraconservadores, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal arquivou o pedido feito pelo Movimento Brasil Livre.
“Essa carta tem duas mensagens: primeiro, Paulo Freire é um patrimônio mundial e não pode ser desrespeitado no Brasil, sua terra. Segundo que a luta pelo direito à educação no Brasil tem sido vitoriosa e é reconhecida no mundo”, afirmou Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
No documento, a relatora explica que, no início de 2017, a convite da equipe da Campanha, pôde conhecer a biblioteca de Paulo Freire, na sede do Instituto Paulo Freire, em São Paulo. “Foi-me presenteada uma cópia em inglês do livro Pedagogia do Oprimido e, ao lê-lo, tive a impressão de que Paulo Freire estava comemorando nosso compromisso com a emancipação das mulheres e dos homens através da educação”, afirma.
Ela coloca ainda que “a pedagogia de Paulo Freire representa o caminho mais seguro para a liberdade e para a promoção de uma sociedade justa e digna para todos”, concluindo que ficou muito feliz em saber que o lugar de Paulo Freire como Patrono da educação brasileira permanece intacto, “respeitando a sua memória, legado e crenças”.
Em sua conclusão, Boly Barry encoraja fortemente o povo brasileiro a nunca parar de lutar por educação pública de qualidade gratuita para todos, sem discriminação, “como Paulo Freire nos ensinou”.

Trabalhadores em educação de Rondônia em greve

A partir do dia 21/02/2018, as aulas estarão suspensas nas escolas estaduais. Isso porque os trabalhadores em educação se reuniram em assembleia na quinta-feira, dia 15/02, e decidiram entrar em greve por tempo indeterminado.
A paralisação das atividades é em protesto contra a falta de reposição de perdas salariais, pelo descumprimento, por parte do governo do estado, da Lei nº 3.565/2015, que instituiu o Plano Estadual de Educação, e contra a implantação do programa de computador Gênesis 360, que está prejudicando profissionais da educação na relotação.
Aprovada na Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador, a lei nº 3.565/2015 prevê o aumento gradual dos recursos destinados à educação em 1% ao ano, passando dos 25% em 2015 para 30%% até o ano de 2020, além de mecanismos que evitam o achatamento salarial dos profissionais da educação.
Além disso, o governo do estado de Rondônia não cumpre a Lei nº 11.738, de 2008, que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do magistério.
Os trabalhadores em educação cobram do governo o atendimento das reivindicações apresentadas no Plano de Valorização da categoria, protocolado na Seduc e no Gabinete do governador ainda em dezembro de 2017.
O Plano de Valorização foi elaborado a partir de estudos da Lei do PEE, do PNE e da Lei Complementar nº 680/2012 (Plano de Carreira dos trabalhadores em educação), e propõe as ações necessárias para os próximos três anos, visando recuperar as perdas salariais, melhorar as condições de trabalho nas escolas e melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas estaduais.
Pelo menos duas reuniões já foram realizadas com os integrantes da MENP-Mesa de Negociação Permanente e com o secretário de Estado da Educação. Porém, o governo não deu sinais de que está preocupado com a situação.
A direção do Sintero destaca que o governador Confúcio Moura ainda não participou de nenhuma reunião com os representantes dos trabalhadores em educação, utilizando-se da MENP como uma espécie de blindagem para fugir do diálogo com a categoria.
Na quarta-feira, dia 21/02, a greve começará com a paralisação das atividades nas escolas e a concentração dos trabalhadores em educação nas sedes Regionais do Sintero, de onde poderão sair em passeata ou decidir por outras formas de manifestação.
(do Sintero)

Já estão abertas as inscrições para o curso de libras na Escola Bilíngue de Taguatinga

A Escola Bilíngue Libras e Português escrito de Taguatinga abre as inscrições para o curso de libras. Os interessados poderão se inscrever a partir de março e o início das aulas está previsto para a primeira semana de abril. O curso é totalmente gratuito e aberto para toda a comunidade. Basta ligar para a escola (3901-6741) e colocar o nome na lista.
O curso é básico, tem a duração de um ano e as aulas serão realizadas uma vez por semana, às quintas-feiras (matutino, às 8h, ou noturno, às 19h). A Escola Bilíngue também disponibiliza vagas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) na educação bilíngue. Neste caso os interessados devem ir à escola com a documentação necessária para efetuar sua matrícula. (QNH 01/03, Área Especial 2 – Taguatinga).
A Escola Bilíngue é a única escola de surdos de Brasília e possui o que há de mais inovador no sistema de libras.

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