Curso intensivo de Esperanto com inscrições abertas
Jornalista: sindicato
A Associação Brasiliense de Esperanto (ABE) inicia nova temporada 2018 do curso intensivo de Esperanto.
O curso envolve do básico aos níveis superiores, habilitando o aluno ao domínio das quatro habilidades linguísticas, inclusive tornando-o apto aos exames internacionais do Quadro Comum de Referência Europeu de Línguas (KER), nos níveis B2 ou C1.
Matrículas e mais informações: braziljo@esperanto.org.br
Confira:
A decisão do golpista e ilegítimo Michel Temer de decretar intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é mais um factoide irresponsável com o objetivo de tentar jogar uma cortina de fumaça sobre os inúmeros escândalos que envolvem esse governo, como o inquérito que apura o envolvimento do presidente em negócios escusos no Porto de Santos, e também sua derrota política na tentativa frustrada de votação da reforma da Previdência, impedida pela pressão da CUT, das demais centrais sindicais e dos movimentos sociais.
Como em todas as decisões tomadas pelo golpista, quem vai pagar o preço por mais essa medida é o povo do Rio de Janeiro, vítima de uma intervenção mal planejada, sem objetivos claros E que não vai resolver a situação da violência, desemprego e salários atrasados a que a população carioca está submetida.
Segurança pública não se resolve apenas com intervenção militar.
A solução são investimentos públicos, com obras de saneamento, habitação, mobilidade urbana, geração de empregos, economia solidária, renda básica, investimento em educação, cultura, esportes, ensino profissionalizante, garantia de primeiro emprego para os jovens e aposentadoria digna para todo povo carioca e brasileiro.
A crise dos estados, principalmente no Rio de Janeiro, está ligada à aprovação da PEC 95, que congelou por 20 anos os investimentos em segurança, saúde e educação, e reduziu os investimentos com as políticas sociais que geraram desenvolvimento, emprego e renda nos governos Lula e Dilma. Na época, o próprio Nem, um dos chefes do tráfico carioca, afirmou que as obras do PAC roubaram seus melhores soldados.
O Rio de Janeiro e o Brasil inteiro não precisam apenas de intervenção federal na segurança pública, precisam de uma intervenção social já!!
Uma intervenção que seja democraticamente discutida com as comunidades, os movimentos sociais, sindical e o povo carioca e brasileiro, que possa nos tirar da crise não apenas de segurança, mas da crise social a que este governo golpista levou o país e que compromete a sobrevivência e expõe a população a todo tipo de violência.
E é contra todos os desmandos do governo golpista e seus aliados que a CUT organiza os trabalhadores e as trabalhadoras e reafirma sua agenda de mobilização contra a reforma da Previdência, que acaba com a aposentadoria de milhões de brasileiros e de todas as medidas que tiraram direitos sociais e trabalhistas.
Dia 19 é greve, é paralisação, é dia de cruzar os braços e lutar contra a agenda neoliberal e contrária aos interesses da população. É contra o fim da aposentadoria. É contra decisões como a tomada nesta sexta-feira (16) de intervir no Rio de Janeiro sem apresentar uma solução sequer para resolver o problema da violência no Estado.
O povo do Rio de Janeiro merece respeito!
O povo brasileiro não aceita mais tantos abusos!
São Paulo, 16 de fevereiro de 2018 Executiva Nacional da CUT
O ano letivo teve início. Pelo menos em algumas escolas. Em outras, a situação é completamente diferente e a solução que o GDF tem dado em alguns casos beira a absoluta precariedade.
A não construção de novas escolas se inclui aqui, relata o coordenador de Imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes. “Para ‘solucionar’ o problema da falta de novas escolas, o governo optou por derrubar laboratórios, bibliotecas e refeitórios, transformando esses espaços em salas de aula. Essa precarização, imposta pelo GDF, empurra para baixo a qualidade do ensino”, enfatiza.
O coordenador de Políticas Sociais do Sindicato, Gabriel Magno, complemente, fazendo referência às alternativas propostas pela Regional de Ensino de São sebastião em razão do aumento do número de matrículas no CED São Bartolomeu: ou os estudantes do ensino médio da escola iriam para outras unidades no Cruzeiro (a 40 quilômetros de distância) ou o CED passaria por obras com vistas a construir módulos provisórios como forma de aumentar o número de salas de aula. A segunda opção prevaleceu, de forma equivocada. O dirigente explicou que para construir os tais módulos foram destruídos laboratório, sala multiuso e parte da quadra de esporte da escola.
Alberto de Oliveira Ribeiro, diretor de Assuntos de Saúde do Trabalhador do Sinpro, esteve em Brazlândia. Lá visitou a Escola Classe Pólo Agrícola da Torre, ou pelo menos parte dela. A escola está em reforma, sem telhado. As opções dadas aos estudantes eram ter aulas no galpão da igreja ou no salão comunitário. “O problema é que no galpão não há luz, banheiros, divisórias ou mesmo o quadro negro. Como consequência, os professores resolveram não iniciar o ano letivo”, destacou.
Confira o relato do diretor Alberto de Oliveira Ribeiro:
Mais um exemplo desse descaso é o CEF 1 Planalto, que – fechado para obras – deveria ter sido entregue à comunidade em 2015. Como isso não ocorreu, o resultado é que, de um ano para outro, os alunos são removidos para outras escolas. Já estiveram em um terreno atrás do Gisno e prédio escolar na 315 Sul. E o problema de fundo permanece: cadê a escola?
Outra questão que causa muita apreensão do Sinpro e da comunidade escolar é o transporte de estudantes de uma cidade para outra. Este foi um ponto de resistência daqueles que estudam no Paranoá e, mais recentemente, dos de São Sebastião. “As famílias não querem aceitar uma situação dessas porque, no final das contas, o tempo de aula é reduzido. Quando o estudante é obrigado a se deslocar, ele chega atrasado para o início da aula e é obrigado a sair mais cedo, o que compromete sobremaneira o processo pedagógico – uma redução que varia de 40 minutos a uma hora e meia de aula”, atesta Cláudio Antunes. Confira as escolas com problemas para iniciar o ano letivo: São Sebastião
Ced São Bartolomeu
EC Vila Nova
EC Bela Vista Santa Maria
CED 306 Brazlandia
EC Pólo Agrícola da Torre
Outros vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=TtoFC3NbZEs&feature=youtu.be
Inscrições abertas para o curso de metodologia para a alfabetização
Jornalista: Maria Carla
Estão abertas as inscrições para o curso As letras falam de metodologia para a alfabetização, do Curso Com, de Jaime Zorzi.
Com carga horária de 10 horas (de 8h às 18h), o curso será realizado no Sinpro-DF, situado no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), e se inicia no dia 24 de março.
Para inscrições e maiores informações, visite o site abppbrasilia.com ou entre em contato pelo WhatsApp (61) 983595464.
Autorizada ampliação de carga horária para professores e orientadores em regime de jornada ampliada
Jornalista: Luis Ricardo
A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou, durante a tarde desta quarta-feira (07), que concederá ampliação de carga horária aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais que solicitaram a ampliação nos últimos anos. O procedimento também estará aberto para aqueles que solicitaram no inicio de 2018.
É importante salientar que a concessão da ampliação estará condicionada ao professor e orientador que atuarão em regime de jornada ampliada, ou ainda em regime de 20h + 20h, no diurno. Neste último caso, há poucas vagas.
Aqueles(as) que não solicitaram ampliação de carga mas desejam ampliar devem fazer a solicitação a partir do dia 23 de fevereiro. Os professores e orientadores interessados nesta ampliação devem observar as orientações que seguem em anexo.
Confira a portaria aqui: Portaria 27-2018 – Critérios Ampliação
GDF nomeia orientadores educacionais, mas número é insuficiente
Jornalista: sindicato
O Diário Oficial do DF desta quarta-feira (7/2) trouxe a nomeação de 40 orientadores(as) educacionais. Desses, oito são PcD. O número ajuda a recompor o quadro de educadores na rede pública, mas é insuficiente frente às mais de 200 escolas sem este serviço.
Para o coordenador de Imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes, a nomeação de hoje diminui a ausência desses profissionais nas escolas, mas a medida é insuficiente. “Por isso, o Sinpro alerta para o perigo da queda da qualidade da educação no Distrito Federal, caso o GDF não se atente a nomear – o mais breve possível – um quantitativo maior de orientadores”, enfatiza o dirigente.
“Estamos muito preocupados com a qualidade do serviço prestado à população em função da total ausência desse profissional em grande parte das unidades escolares. Mesmo naquelas onde há orientador, algumas escolas ofertam este atendimento de forma precária porque apresentam um número alto de estudantes para poucos profissionais. A defesa do Sinpro é que haja ao menos um orientador para cada grupo de 300 estudantes. Tendo profissionais concursados para esse atendimento é inadmissível que a rede pública da capital federal trabalhe de forma tão precária no atendimento à população, sobretudo a mais carente”, complementa a coordenadora de Finanças do Sindicato, Rosilene Corrêa. Monitores – Hoje também foram nomeados servidores para a Carreira Assistência à Educação, notadamente monitores. A exemplo da nomeação de orientadores(as), o problema está na insuficiência de pessoal para dar suporte e complementar as atividades pedagógicas nas escolas públicas.
Para ver AS NOMEAÇÕES DE 06 DE FEVEREIRO DE 2018, clique aqui
Sinpro e aposentados(as) definem agenda de luta pelo pagamento da pecúnia
Jornalista: Luis Ricardo
Professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as) compareceram ao auditório do Sinpro durante reunião realizada na tarde desta segunda-feira (05) para definir uma nova agenda de luta para o pagamento da pecúnia da licença-prêmio. Após lutarem durante boa parte da sua vida por uma educação pública de qualidade e pelo futuro do Brasil, servidores(as) da carreira magistério que se aposentam precisam lutar para receber a pecúnia da licença-prêmio, direito garantido pela Lei Complementar nº 840/11, que preconiza esse pagamento em até 60 dias após a aposentadoria.
A diretoria colegiada do Sinpro tem solicitado constantemente uma reunião com o Governo do Distrito Federal para tratar do pagamento, mas os pedidos têm sido ignorados pelo GDF. Além do desrespeito mostrado pelo governador Rollemberg (PSB), o governo disponibilizou apenas R$ 9 milhões para essa finalidade, destinando a verba a todas as categorias do serviço público local. Diante disso, somente os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que tiveram suas aposentadorias publicadas até o dia 8 de março de 2016 foram contemplados(as). O valor, retirado do IPREV, não quita nem com as pecúnias de 2016.
Um dos pontos da negociação de término da greve da categoria no ano passado era que o GDF destinasse, no mínimo, R$ 100 milhões durante o exercício de 2017 ao pagamento pecuniário. Ao fim do ano, contudo, executou aproximadamente R$ 20 milhões.
Mediante aos constantes desrespeitos de um governo que não tem a Educação como prioridade, a reunião definiu uma política de endurecimento a partir de agora. Nos próximos dias os(as) aposentados(as) realizarão uma série de atividades e a participação de todos e todas será a nossa resposta ao governo Rollemberg. “O diálogo emperrou e o GDF tem se mostrado irredutível na postura de desrespeito para com os aposentados. A partir de agora precisamos nos unir cada vez mais para que, juntos, consigamos mais esta vitória”, analisa a diretora do Sinpro Marilange da Silva.
“O cenário é de descaso. É importante que todos estejam na luta em prol do pagamento da pecúnia. O sindicato somos todos nós e só conseguiremos vitórias se lutarmos juntos, como já fizemos com muita coragem no passado”, enfatiza a coordenadora da Secretaria para Assuntos dos Aposentados, Silvia Canabrava.
A educação como alvo histórico dos golpes de Estado
Jornalista: Leticia
A educação é um alvo histórico dos golpes de Estado no Brasil. Logo após nosso primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), em 1937, houve o golpe do Estado Novo e o plano foi suspenso; em 1962, o segundo PNE, e o golpe militar de 64 o suspendeu. Agora, três anos após a adoção do novo PNE, o golpe que colocou Temer na Presidência acabou com ele, especialmente com a Emenda Constitucional (EC) 95, que congela os investimentos públicos, especialmente para a educação, por 20 anos, mas também com as medidas adotadas pelo Ministério da Educação (MEC), como a que tirou as entidades populares – Contee inclusive – do Fórum Nacional de Educação, a reforma trabalhista e o projeto de reforma da Previdência, que atingem duramente os profissionais do setor. Nossa resposta só pode ser a luta. A Conferência Nacional Popular de Educação, Conape, em abril próximo, será um momento importante de resposta aos golpistas. Cortando na carne
Ao tentar vender a falsa ideia de economia nos gastos públicos, o que a EC 95 fez foi tirar recursos da educação, da saúde, da segurança púbica, da assistência e de todas as políticas sociais — que não representam despesas, e sim investimentos — para aumentar os gastos mais nocivos para uma nação e benéficos para o setor financeiro: aqueles com juros e encargos da dívida pública. Ela inviabilizou o Plano Nacional de Educação (PNE). Uma das metas principais do PNE, que determinava atingir 7% do PIB para o investimento na educação nos primeiros cinco anos, chegando a 10% ao final do período de dez anos, foi, na prática, revogada.
A nova lei trabalhista, que entrou em vigor em 11 de novembro do ano passado, liquidou direitos conquistados e lançou os assalariados e assalariadas à sanha do capital. Além de precarizar a situação do trabalhador, ela também aumentará o abismo da desigualdade social no Brasil. Dá mais benefícios aos quem têm mais e tira de quem tem menos. A massa salarial não irá crescer, ou seja, não haverá crescimento econômico.
Uma decorrência imediata do fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que a reforma representou, foram as demissões em massa, já a partir de dezembro de 2017, nas universidades privadas. Foram mais de 1.200 professores da faculdade Estácio de Sá, 220 da FMU, 150 da Anhembi Morumbi, 60 da Universidade Metodista de São Paulo, 40 da Universidade Católica de Brasília, dentre outras. Privatização da educação pública
Na Contee desenvolvemos o combate veemente à mercantilização da educação, expresso na campanha “Educação não é mercadoria”, lançada há dez anos. Nesta década de campanha — e antes dela — sempre denunciamos o comércio educativo, focando, primeiramente, na financeirização e oligopolização do ensino superior e, nos últimos anos, nos processos de privatização que têm atingido a educação básica.
No Brasil temos, na grande maioria das vezes, uma educação privada ofertada sem controle de qualidade e sem qualquer política de carreira para os docentes e os técnicos administrativos, precarização e falta de investimentos na estrutura. É um imenso mercado aberto aos interesses econômicos e financeiros. Serve a esse mercado, por exemplo, a reforma do ensino médio, que deixa o caminho livre para a ingerência empresarial na rede pública. Serve também o novo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que beneficia tanto as grandes editoras de material didático — onde impera o capital estrangeiro —, quanto as apostilas feitas por instituições privadas e, muitas vezes, adotadas por estados e prefeituras sem nenhuma forma de licitação.
Nos últimos anos, diversas fusões provocaram o desaparecimento de um sem número de pequenas editoras, ao passo que há uma concentração cada vez maior nas mãos no capital estrangeiro — no caso, sobretudo, o capital espanhol do grupo Santillana (que já foi, inclusive, oferecido ao grupo Kroton).
A educação, com a conivência e a cumplicidade de Temer, transformou-se em simples mercadoria, de baixíssima qualidade, no seu nível superior. Este, hoje, é dominado por grandes grupos econômicos, sem qualquer compromisso com a construção da cidadania e com o desenvolvimento social. Tais grupos, que se concentram no Kroton/Anhanguera – com cerca de 20% de todas as matrículas -, Estácio de Sá, Ser Educacional, Anima e Unip, somente têm compromisso com o lucro farto e fácil. Defesa da democracia e da justiça social
A Contee é autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que suspendeu a Lei da Mordaça no Estado de Alagoas, e repudia essa e todas as tentativas de calar e censurar o magistério. Nossa atuação se dá no combate à criminalização de professores e professoras e na defesa de uma educação verdadeiramente crítica, democrática e cidadã. Projetos como essa lei, que se esconde sob o nome de “Escola sem Partido”, ganham espaços em uma sociedade com fortes traços fascistas e em um país que vive em estado de exceção após o golpe político-jurídico-midiático na destituição de um governo eleito pelo povo.
Quando o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff transitava no Congresso, a Contee participou do Comitê Nacional de Educação Contra o Golpe — Fora Temer, em Defesa da Democracia, Nenhum Direito a Menos. A mobilização da Confederação e entidades filiadas pelo Fora Temer é permanente, desde a posse do golpista. Em visitas às escolas, panfletagens, atos públicos, greve e dias de luta nacionais, denunciamos as ações criminosas dos golpistas, como a desprofissionalização do professor, as privatizações, as reformas trabalhista e da Previdência, a mercantilização do ensino, o desmanche das políticas sociais e das instâncias democráticas e de participação popular e o direito do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ser candidato nas eleições de 2018. Neste ano, somamos a essas atividades a defesa do voto em candidatos a parlamentares, governadores e presidente comprometidos com os trabalhadores, a soberania, a democracia e o desenvolvimento econômico e social. Um novo Brasil é possível
A educação tem papel central na construção de uma nação democrática, próspera e solidária. Ensinou Rui Barbosa: “Todas as leis protetoras são ineficazes para gerar a grandeza econômica do país; todos os melhoramentos materiais são incapazes de determinar a riqueza, se não partirem da educação popular, a mais criadora de todas as forças econômicas, a mais fecunda de todas as medidas financeiras”.
Defendemos a educação pública e gratuita, com qualidade e caráter científico, crítico e laico. Defendemos igualmente o controle público sobre o ensino privado, impedindo a sua desnacionalização. A educação superior tem caráter estratégico, acompanhada de investimento significativo e sistemático em pesquisa e inovação. A educação relacionada com o trabalho e o desenvolvimento é fator de superação da desigualdade social e o caminho para um país próspero e feliz. Um Brasil possível que, desejamos, esteja no centro do debate político deste ano e no compromisso dos novos parlamentares, governadores e presidente eleitos. *Gilson Reis, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee)
(da Carta Educação)
Mesmo com dificuldades impostas pelo GDF, estudantes e escolas dão exemplo de superação no PAS
Jornalista: Leticia
De 4.222 alunos (as) aprovados após a terceira etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), 1.583 são da rede pública, um número superior aos anos anteriores. As dificuldades impostas pelo governo Rollemberg são inúmeras: número insuficiente de professores (as) e orientadores (as) educacionais, carência de materiais pedagógicos, atrasos frequentes nos repasses financeiros (do PDAF) e principalmente, a omissão do GDF em não custear a inscrição do PAS aos alunos da rede pública, negando a oportunidade de um futuro melhor a milhares de estudantes.
Apesar de todos os pesares, a comunidade escolar e os alunos mostram que é possível superar os mais difíceis obstáculos. Um exemplo é de Roberto Augusto Brito Alves, 17 anos, aluno do CEM 404 de Santa Maria, aprovado em Direito na UnB. Ele não fez a primeira etapa do PAS, quando estava no primeiro ano do ensino médio, mas motivado pelos professores e com muita determinação, conseguiu nas duas etapas seguintes uma nota que o classificasse. “Eu não tinha dinheiro para pagar a inscrição do PAS. Eu solicitei a isenção, mas meu pedido foi indeferido e eu perdi o prazo para o recurso. Cheguei a pensar em não fazer as demais etapas, pensando que não teria chance de passar em um curso concorrido, como o de Direito. Mas os professores me motivaram bastante, disseram que eu devia acreditar em mim, que eu ainda tinha chance”, conta.
Roberto se dedicou, além das 5h na escola, estudava mais 3h ou 4h em casa ou na biblioteca. Para ele, o apoio que teve de todos foi fundamental. “O corpo docente foi essencial. Mas também cito a direção, a equipe pedagógica e também os servidores terceirizados da limpeza, todos contribuíram. Como seria meu rendimento se minha sala estivesse suja para eu estudar?”, indaga. O aluno ressalta que a escola sempre teve muito empenho na preparação dos alunos, não apenas dentro da sala de aula, pois “na própria sala de informática nós fizemos nossa inscrição. As fotografias nós tiramos na escola também. Desde que entrei na escola em 2015, percebi que ela sempre teve essa linha pedagógica voltada para o PAS”, aponta.
Mesma opinião de Felipe de Lemos Cabral, diretor da instituição. “Desenvolvemos este trabalho há algum tempo, com projetos voltados para o PAS (que é o foco), mas não apenas para ele. Trabalhamos o Enem, o Sisu, Prouni, cursos técnicos… Temos um projeto exatamente explicando para os alunos como funciona o acesso para a universidade, damos todas as orientações para eles”, diz. A escola aprovou 27 alunos no ano passado. Só na primeira chamada deste ano, foram 43. Sinal de que apesar das adversidades, os frutos de muito trabalho são colhidos.
O que o futuro advogado Roberto, acostumado com o chão da escola pública projeta para o futuro? “Na escola pública temos contato com pessoas de origens, crenças e costumes diferentes. A empatia que criei será muito útil para a minha visão de mundo quando eu me tornar advogado. Certamente terei um olhar mais analítico para outras pessoas carentes e que vivem em dificuldades na nossa sociedade”, aponta.
Perguntado se ele se dá conta do que realizou, o jovem foi modesto. “Só desejo que meu exemplo sirva de inspiração para os próximos alunos das escolas públicas que tentarão entrar na UnB. Os jovens que estão na escola pública também podem sonhar. Eu sou apenas um exemplo”, finaliza.