Entidades expressam repulsa por ato de exceção 'intolerável' contra UFMG

operação “Esperança Equilibrista” da Polícia Federal, nesta quarta-feira, contra a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é “expressão do estado de exceção jurídica em que vivemos e início de uma operação macarthista no Brasil”, na opinião do cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB Roberto Amaral. A ação da PF conduziu coercitivamente o reitor Jaime Arturo Ramirez, a vice-reitora Sandra Regina Goulart Almeida e ex-reitores e ex-vice-reitores da UFMG. Em todo o país, lideranças, entidades e movimento popular expressam indignação.
O termo macarthismo surgiu a partir das ações do senador republicano Joseph McCarthy nos Estados Unidos, nos anos 1950, que produziu uma política de caça às bruxas na qual as vítimas eram objeto de delações e traições, acusadas de “comunismo” e de trabalhar contra os interesses norte-americanos. “Esse regime que aí está no Brasil elegeu como suas bruxas a esquerda, as forças progressistas e a cultura”, diz Amaral.
“A invasão da UFMG é o segundo tempo do virtual assassinato do reitor Cancellier”, afirma o analista, em referência ao ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que se suicidou em 2 de outubro após ser preso pela PF sob o pretexto de que estaria dificultando a apuração de suposto desvio de recursos e ter sofrido inúmeras humilhações. Para Amaral, por trás de operações desse tipo está também a tentativa de acabar com a expansão da universidade pública e do ensino gratuito no Brasil.
“São atos de barbárie e de violência, exercidos exatamente pelos agentes da lei, funcionários públicos, policiais, procuradores, juízes, que são bem pagos para garantir a segurança da cidadania”, diz Amaral. “Naquela operação (em Santa Catarina), para prender um homem pacífico, desarmado, a PF mobilizou, segundo ela mesma, 115 policiais”, lembra. “Agora temos a invasão da UFMG sob o pretexto de apurar eventuais desvios que estariam ocorrendo na construção do Memorial.”
Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) expressou indignação: “É notória a ilegalidade da medida, que repete práticas de um Estado policial, como se passou com a prisão injustificada do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo”.
Para a Andifes, “é sintomático que este caso grotesco de abuso de poder” tenha atingido o projeto Memorial da Anistia do Brasil, que visa a preservar “a lembrança de um período lamentável da nossa história”. A entidade acrescenta: “Na ditadura, é bom lembrar, o arbítrio e o abuso de autoridade eram, também, práticas correntes e justificadas com argumentos estapafúrdios”.
A PUC de Minas Gerais, também em nota, afirmou que “acompanha atentamente e manifesta sua preocupação em relação à operação policial”.
A Frente Brasil Popular (FBP) e o PT divulgaram notas para condenar a ação da PF. Para a FBP, a operação é “intolerável e inconstitucional”. A entidade observa que ela foi desencadeada “a menos de uma semana do lançamento do relatório da Comissão da Verdade em Minas Gerais e às vésperas da votação da Reforma da Previdência”.
No Congresso Nacional, as bancadas do PT na Câmara e no Senado afirmaram em nota que “não há qualquer justificativa para conduzir coercitivamente dirigentes universitários, cidadãos e cidadãs conhecidas publicamente, com endereço estabelecido, cumprindo suas funções e que, a qualquer momento, estariam à disposição da Polícia Federal para prestar as explicações que fossem necessárias”.
O partido também destacou que “a banalização das conduções coercitivas visa apenas o espetáculo, a autopromoção de agentes públicos mais acostumados aos holofotes do que à prática de suas funções”. Apontou ainda não ter sido coincidência que o gesto de violência voltou-se contra o Memorial da Anistia.
A presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, disse em entrevista coletiva na sala de imprensa da Assembleia Legislativa do estado que “a UFMG sofre o mesmo ataque que a Universidade de Santa Catarina sofreu”.
No plenário da Câmara, a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), presidenta da Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais, afirmou que “a tentativa de criminalização das universidades vai na mesma triste tendência escolhida pelos inimigos da pátria que primeiro acusaram a Petrobras para depois privatizá-la”. “E agora, também com a Universidade. Querem manchar e macular a Universidade. Querem invadi-la para depois destruí-la.”

Que Constituição?

“Poucas perguntas serão feitas pela mídia comercial, as pessoas serão condenadas, antes sequer de serem acusadas e julgadas. Não haverá o contraditório! (Mas) Nós faremos o contraditório”, acrescentou Beatriz.
Para Roberto Amaral, o princípio constitucional segundo o qual qualquer cidadão é inocente até prova em contrário não existe mais no país. “O cidadão comum, honrado, não é preso porque foi condenado, é preso para ser condenado. Estamos ao arrepio do Direito e da ordem constitucional. Temos vários Estados dentro do Estado.”
Na opinião do cientista político, o Judiciário, a PF, o Ministério Público são hoje poderes “autônomos que fazem o que querem”. “O alvo são sempre as coisas mais importantes da democracia: a política e agora a cultura e educação.”  Os órgãos, diz Amaral, configuram “um poder à parte da Constituição, do Direito e da civilização”.
(da Rede Brasil Atual)

Campanha para salvar a vida de William: um bebê de 8 meses

William é um bebê de 8 meses. Uma simpatia de pessoa. Risonho, transmite alegria e uma imensa vontade de viver. Porém, sofre com uma doença que, se não tiver transplante de medula urgentemente, será fatal. O problema é que o plano de saúde da família dele se recusa a arcar com a cirurgia, que só poderá ser realizada em Curitiba. Desde então, a família está numa intensa campanha para arrecadar recursos financeiros para salvar a vida do pequeno William.
“Para ser curado, ele precisa fazer um transplante de medula óssea. Para casos como o dele, o transplante é feito apenas em Curitiba. Por isso estamos pedindo ajuda, pois o tratamento leva 4 meses e estamos tendo alguns gastos bem mais elevados. Assim, para angariar fundos, estamos fazendo uma campanha de fotos natalinas”, diz o pai.
A campanha funciona assim: você doa R$ 150,00 ou mais para nos ajudar com o tratamento do nosso bebê e ainda leva lindas fotos de Natal suas e de sua família para compartilhar com amigos e familiares. Que tal? Desde já agradeço por nos ajudar, quer seja participando, quer seja compartilhando a mensagem! Obrigado. Para agendar um horário para as fotos, por favor, envie uma mensagem para o número (061) 999066254.

Trabalhadores prometem parar o país se o Congresso Nacional votar reforma

Em ato na tarde desta terça-feira (5) que fechou uma das pistas da Avenida Paulista em frente ao Masp, lideranças dos trabalhadores prometeram parar o país se o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), colocar em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, da “reforma” da Previdência. O projeto pode ir para o plenário da Câmara no próximo dia 13.
O bordão repetido pelos participantes da manifestação, convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, é “Se botar pra votar, o país vai parar”. O presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou no ato que a pressão popular já é vitoriosa e ganhou o debate sobre as mudanças no sistema previdenciário, tanto que os deputados, segundo ele, estariam com medo de perder votos de suas bases e já estão recuando. “Se botarem pra votar, o Brasil vai parar. Se não botarem, é mais uma vitória dos trabalhadores”, disse.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos falou sobre o atual contexto político e afirmou que os golpistas não desistem, e resolveram ressuscitar a reforma da Previdência, embora em uma versão mais “light”. “O dia de hoje é para marcar nossa posição contra essa reforma sem vergonha desse governo ilegítimo. Vamos parar o Brasil contra essa reforma”, prometeu.
Líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro homenageou no ato os integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) que estão em greve de fome contra as alterações na Previdência Social. Ele falou sobre ocupação promovida nas terras do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros de 37 mulheres, em Avaré, interior de São Paulo. Mauro prometeu também ocupar as terras de golpistas. “O ano não termina para quem luta. E se a reforma for à votação no dia 13, vamos ocupar a Paulista, as fábricas, as rodovias.”

Brasil é “fio desencapado”

Liderança da Associação Viva Quitaúna, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, Francisco Moraes dos Santos veio protestar contra o projeto de “reforma” da Previdência na Avenida Paulista. “Se a gente não se unir agora, pode ser tarde. Por isso temos de levantar nossas bandeiras e pressionar”, defendeu.
A associação conseguiu, por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades 208 apartamentos que deverão ser entregues até o meio do ano que vem. Para Moraes dos Santos, a mídia comercial tem trabalhado para “manter o sono dos brasileiros”, avaliando que parte da sociedade está inerte e não reage em relação aos direitos atacados. Mesmo assim, ele considera que o país é um ” fio 220 desencapado”, e que o povo vai acordar com o choque ao pisar.
O líder do Viva Quitaúna acredita que a atual mobilização contra a reforma, pulverizada em diversos movimentos e ocupações espalhadas por muitas localidades, vai ganhar volume, até se encontrarem. “Uma hora esses movimentos se juntam, aí não tem golpista que resista”, acredita.
Por volta das 18h30, o ato dispersou, e pouco antes as pistas da Avenida Paulista foram liberadas.
(da Rede Brasil Atual)

Professora aposentada realiza projeto com crianças carentes

O nome do projeto é “Primaveras” e faz analogia aos aniversários, uma data muito especial para as crianças. Mas para muitas delas, internadas em hospitais públicos ou que vivem em creches ou asilos, esta data pode não ter o mesmo significado.
Por isso a professora aposentada Lúcia Cândida resolveu colocar em prática este antigo projeto, durante todo o ano, aumentando a auto estima delas e trazendo boas recordações para os pequenos.
O pontapé inicial será a primeira festa de aniversário, em janeiro de 2018, em local a ser definido, em que serão servidos bolo, doces, salgados e brinquedos. Doações podem ser realizadas entrando em contato no e-mail elosdealegria@bol.com.br .

Trabalhadores(as) participam de panfletagem contra a reforma da Previdência

Trabalhadores(as) dos mais variados segmentos participaram de uma panfletagem durante toda a tarde desta terça-feira (05), na Rodoviária do Plano Piloto. A programação foi idealizada pela CUT Brasília e contou com um grupo maciço de professores(as) e orientadores(as) educacionais.
A panfletagem teve como objetivo denunciar a reforma da Previdência (PEC 287), idealizada pelo presidente ilegítimo Michel Temer, e durante a atividade os trabalhadores entregaram um material explicando o que é a tal reforma, denunciando as mentiras que estão sendo usadas para tentar emplacar o projeto nefasto.
Segundo o secretário geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, os trabalhadores entregaram panfletos na fila dos ônibus, conversaram com a população e alertaram sobre os riscos que todos e todas correm com a reforma. “Esta foi mais uma ação que a CUT Brasília desenvolve para fazer juntamente com a população, com o objetivo de dialogar sobre os problemas que esta reforma nos trará. Caso o governo coloque a PEC 287 em votação, chamaremos uma greve geral contra esta reforma”, afirma o sindicalista.
Fotos: Deva Garcia
 

Missa de 1 ano de falecimento do professor Mauro Sérgio Félix

Na sexta-feira (8) às 20 horas na Paróquia São José Operário (QNQ 5, Ceilândia Norte), a família do professor Mauro Sérgio Félix convida amigos e colegas para a missa de 1 ano de falecimento do professor.

 

Ingerência do Banco Mundial vai aprofundar exclusão educacional

Está na pauta da mídia nacional um documento do Grupo Banco Mundial intitulado “Um ajuste justo – Análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil”, que aconselha o governo ilegítimo a privatizar o ensino superior público. Alguns dias antes, no início de novembro, a mídia também divulgou que o Banco sugeriu o aprofundamento do choque neoliberal na economia brasileira.
Lançado na semana passada, o documento do Banco Mundial apregoa o fim do princípio constitucional da gratuidade do ensino nas Instituições de Ensino Superior públicas (Ifes), com o argumento falacioso de que essa é a forma de o país enfrentar e diminuir as desigualdades sociais e executar cortes de investimentos do dinheiro público nos setores sociais sem prejudicar os mais pobres.
O argumento é  mentiroso e contraditório.  De forma ardilosa, manipula informações para convencer a população, justamente a mais pobre, que mais precisa da educação superior pública e gratuita, a aceitar com passividade esse ataque ao direito social à educação (art. 6º da Constituição Federal). E é facilmente desmentido pela observação do aprofundamento histórico das desigualdades na educação superior nos países onde este ensino é pago.
O banco diz que o Brasil tem aproximadamente dois milhões de estudantes nas universidades e institutos federais, ao passo que, nas universidades privadas, são oito milhões. Porém, o custo médio de um estudante numa faculdade privada é de R$ 14 mil por ano. Nas universidades federais, esse custo salta para R$ 41 mil e nos institutos federais o valor é ainda maior: R$ 74 mil ao ano.
Diz ainda que “65% dos estudantes das instituições de ensino superior federais estão na faixa dos 40% mais ricos da população” e que, após formadas, essas pessoas tendem a ter um aumento de renda, portanto, “a suspeita dos técnicos é a de que a gratuidade pode estar perpetuando a desigualdade no Brasil”.
“Isso não é verdade. Em primeiro lugar, porque o próprio Ministério da Educação registra que cerca de 70% dos estudantes dessas universidades públicas possuem perfil Pnaes – ou seja, integram o Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que apoia a permanência de estudantes de baixa renda matriculados em cursos de graduação presencial das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes)”, argumenta Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.
Ela alerta para o fato de as  recomendações do Banco Mundial desconsiderarem propositadamente as elevadas e indispensáveis contribuições das universidades públicas ao desenvolvimento sociocultural, à pesquisa e ao conhecimento científico, tecnológico, artístico e cultural como um direito humano fundamental.
Também ressalta que os direitos sociais consagrados no artigo 6º da Constituição Federal não são responsáveis pelos problemas fiscais do país. “A estrutura tributária regressiva do Brasil é injusta e inaceitável porque continua pagando juros elevados e serviços de uma dívida pública nunca auditada, conforme determina a Constituição Federal. Um sistema tributário que promove uma renúncia fiscal injustificada e indecente para favorecer grandes grupos econômicos e não realiza a efetiva tributação sobre a renda, a propriedade e a herança”.
A diretora ressalta também que, “em segundo lugar, a perpetuação das desigualdades no Brasil é consequência das políticas do choque de gestão e das mazelas colonialistas adotadas pelos governos conservadores liberais e neoliberais desde sempre no país, basta ver as diferenças gritantes entre o período antes dos governos democrático-populares e, agora, no período do golpe de Estado. Todos os programas de inclusão educacional, e social, ao nível federal, foram praticamente extintos ou sumariamente reduzidos”, lembra a diretora.
DESIGUALDADES SOCIAIS E POLÍTICAS NEOLIBERAIS
A história do Brasil, da América Latina e dos países do terceiro mundo mostra que a perpetuação das desigualdades é causa e consequência, justamente, do aprofundamento do neoliberalismo e da falta de direitos sociais assegurados e sustentados pelos impostos que pagamos diariamente ao Estado de direitos.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF alerta para o fato de que a privatização da educação pública é um dos principais itens da agenda dos políticos neoliberais no mundo e integra o projeto de financeirização da economia nacional. “Não é à toa que os políticos que apoiam o golpe de Estado em curso são prepostos dessas instituições financeiras e de megaemprensários estrangeiros que, para se apropriarem de nossa soberania e riquezas, se apressem em privatizar, sem autorização da população, os diretos sociais. Daí, a elaboração de documento como este para justificar tudo isso”, analisa.
O documento  “Um ajuste justo” consolida as propostas do Banco Interamericano para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) – do qual o Banco Mundial – uma agência especializada independente do Sistema das Nações Unidas, faz parte – apresentadas em outros dois documentos básicos, divulgados, primeiramente, em 1994, e, segundamente, numa edição de 2000.
BANCO MUNDIAL  E INJUSTIÇAS SOCIAIS
Não é de hoje que o Grupo Banco Mundial (ou  Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – Bird) têm o mal hábito de ingerir-se nos assuntos particulares brasileiros. Sua intromissão vem de longa data e é tão intensa que, desde sempre, provoca grandes estragos e prejuízos na vida da população.
Essas instituições financeiras, e outras organizações nacionais, como a Fiesp, e estrangeiras, representam um freio ao desenvolvimento do Brasil e são responsáveis pela condição do Brasil como país subdesenvolvido, como uma mera colônia de países hegemônicos, um reles exportador de matérias-primas.
Quando era colônia de Portugal-Inglaterra, exportava madeira, ouro, café, açúcar e outros produtos básicos, principalmente da agricultura e da mineração. Hoje, continua entregando os minerais, e, nos governos neoliberais, o país nem sequer tem a propriedade de seu patrimônio mineral: até a exploração desses produtos é feita por empresas estrangeiras porque tudo é privatizado.
No Brasil, o golpe de Estado de 2016 entregou, por exemplo, os maiores blocos de pré-sal do país a grandes multinacionais estrangeiras, bem como empresas setor estratégico para a soberania nacional: o da energia. Os governos estaduais neoliberais também tem feito o mesmo. Em Goiás, por exemplo, o governo do PSDB entregou a CELG à privatização. Agora, busca acabar com a Seguridade Social – um dos poucos mecanismos de justiça social bem-sucedido e em funcionamento no país.
As empresas de previdência privada estrangeiras, ligadas ao sistema financeiro, querem os recursos que os trabalhadores assalariados depositam mensalmente na conta da Seguridade Social para sua aposentadoria. Trata-se da privatização da Previdência Social para enriquecer banqueiros.
Qualquer estudo sobre a situação de miséria de um país de terceiro mundo prova, de forma rápida e fácil, que toda a situação de penúria é mantida por essas instituições financeiras à custa do financiamento de sucessivos golpes de Estado, da corrupção de políticos e da mídia do país. O Grupo Banco Mundial e o Bird representam uma intromissão invasora da Nação brasileira.
No entendimento da diretoria colegiada, o Banco Mundial pretende, com esse documento, atender aos projetos e aos interesses privatistas das corporações internacionais do setor da educação. “Basta ver reformas e privatizações ocorridas, de forma açodada, pelo governo ilegítimo. Não é à toa que uma das primeiras reformas feitas às pressas, logo depois do golpe de Estado, em 2016, foi a reforma do Ensino Médio”, denuncia Rosilene.

Base Curricular é conservadora, privatizante e ameaça autonomia, avaliam especialistas

Há cerca de três anos o Ministério da Educação (MEC) deu início às ações com vistas à construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), política pública que tem por objetivo, segundo a Pasta, estabelecer um conjunto de orientações para nortear os currículos das escolas públicas e privadas de ensino infantil e fundamental do Brasil. Decorrido esse tempo e após a elaboração de quatro versões do documento – sendo a última, resultado de uma revisão feita pelo MEC em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE) –, as propostas contidas na BNCC serão debatidas pelo CNE nesta hoje e amanhã (4 e 5 de dezembro). A expectativa é que a votação ocorra ainda em dezembro, a fim de que o documento possa ser homologado pelo MEC e entre em vigor a partir de 2019. De acordo com dois especialistas consultados pelo Jornal da Unicamp, o perfil da Base não é dos mais alentadores. Em linhas gerais, dizem, a iniciativa apresenta um caráter conservador, reflete com maior ênfase os interesses de grupos privatizantes e representa um risco à liberdade e autonomia dos professores, entre outros problemas.
A professora Maria do Carmo Martins, líder do Grupo de Pesquisa Memória, História e Educação (Memória) da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, explica que a elaboração da BNCC estava prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), promulgada em 1996. Como política de Estado, afirma, a Base é um projeto legítimo. “Ocorre que as discussões se estenderam e foram desenvolvidas em um momento de profundo conflito social, ao longo do qual houve o acirramento das divergências entre os diferentes grupos que participaram do processo. Em boa medida, o documento reflete essas divergências”, considera a docente.
Um aspecto perceptível na proposta da BNCC, prossegue Maria do Carmo, é a presença de propostas que contemplam os interesses dos empresários da educação, como produtores de softwares e materiais educativos. “A Base não é uma pauta específica dos segmentos privatizantes. Ao contrário, ela está na agenda de diferentes grupos sociais, inclusive os que fazem uma forte defesa da escola pública de qualidade. No entanto, os representantes dos interesses mercadológicos se vincularam ao Estado e conseguiram explicitar suas demandas. Uma das consequências dessa estratégia foi a saída de alguns movimentos do processo, porque perceberam que não poderiam mais fazer a defesa da escola pública”, relata.
Outra questão presente na atual proposta da BNCC, de acordo com a docente da FE, é o caráter conservador do documento. Uma leitura desatenta do texto, observa Maria do Carmo, pode dar a impressão de que ele está isento de políticas preconceituosas. “Mas um olhar atento verificará que a Base é muito tímida em relação a direitos sociais, a ações de inclusão e a questões de gênero, posição que está em consonância, por exemplo, com a postura daqueles que defendem a Escola sem Partido. É interessante que a sociedade tenha conhecimento disso, até para que compreenda como esses movimentos influenciam na formulação de políticas públicas, principalmente as vinculadas à educação”, analisa a docente.
Por causa desses e outros aspectos, a especialista da Unicamp afirma considerar não ser conveniente a existência da BNCC neste momento histórico, justamente porque o documento foi construído em um contexto de acirramento de divergências. “Eu concordo com o professor Luiz Carlos de Freitas [também da FE-Unicamp], que alertava em 2015, quando a primeira versão do documento foi divulgada, de que não havia base para discutir a Base Curricular. Naquele momento, ele alertava que essa política serviria somente como catalizador de interesses com grande expressão política. Penso que foi isso que aconteceu, porque as questões envolvendo uma sociedade mais justa não estavam e ainda não estão equacionadas no país”.
Ao analisar os possíveis impactos das medidas previstas na BNCC sobre o currículo e a qualidade da educação, a especialista chama a atenção para dois pontos. Um deles refere-se à característica ambígua do documento. “Ao mesmo tempo em que afirma que a Base não é o currículo, mas sim uma diretriz para a elaboração deste, o texto entra em minúcias acerca das finalidades e objetivos do ensino. Há aí uma inversão. Existe uma consolidada crítica à visão tradicional dos currículos organizados por objetivos. E a BNCC insiste em consolidar essa visão de desenvolvimento curricular, ignorando que é na dinâmica da cultura que as seleções são feitas, de modo que sejam socialmente válidas para a comunidade de estudantes e educadores, conferindo sentidos ao processo educativo”, especifica.
A segunda questão abordada por Maria do Carmo, que está diretamente relacionada à primeira, diz respeito à qualidade da educação. No entender da docente, ao vincular a qualidade às avaliações sistêmicas, o documento coloca em segundo plano a expressividade do processo de escolarização. “Em outras palavras, a ideia em questão tira o cotejo da aprendizagem do encontro pedagógico, que é algo que pode modificar qualitativamente a vida das pessoas, e o coloca sobre o resultado. Isso produz uma estandardização da educação, baseada em uma visão também padronizada de qualidade”.
Jogo em curso
O professor Antonio Carlos Amorim, também da FE-Unicamp, acompanhou de perto das discussões em torno da BNCC, principalmente no período entre 2013 e 2015, quando ocupava o cargo de vice-presidente, para a região Sudeste, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), uma das entidades científicas que foram chamadas ao diálogo pelo MEC quando a proposta de construção da Base foi reavivada. Ele concorda com a professora Maria do Carmo quando esta afirma que os embates entre diferentes grupos acabaram refletidos no texto do documento. “Vale dizer que as disputas ocorreram tanto no interior do MEC quanto entre os setores público e privado”, pontua.
Amorim entende igualmente que a terceira versão da BNCC expressa de forma mais enfática os interesses mercadológicos, que podem ser constatados em diversos aspectos. Um deles, assinala, é a ideia da eficiência relacionada à aprendizagem, o que permitiria que os estudantes aprendessem mais rapidamente os conteúdos. “A Base estabelece, por exemplo, que a alfabetização ocorra de forma mais precoce. Assim, a educação infantil se estruturaria dentro das lógicas da escolarização, para a qual a constituição de um currículo orientador é uma das bases fundamentais O documento também confere ênfase a determinadas disciplinas que considera prioritárias, em detrimento de outras. Um dos interesses em foco são os rankings internacionais que avaliariam a qualidade da educação. O objetivo parece ser, em suma, gestar formas de melhorar a imagem do país no plano internacional”, detalha.
O contorno conservador da BNCC é reforçado pelo docente. De acordo com ele, ao indicar a implantação de currículos mínimos nacionais, a Base deixa de ressaltar vários temas, notadamente culturais, o que expressaria uma certa concepção de neutralidade das ciências pedagógicas. “Desse modo, disciplinas que trabalham temas considerados mais polêmicos, como questões relacionadas à diversidade de gêneros, perderiam espaço, algo bem afinado com as bandeiras defendidas pelos adeptos da Escola sem Partido”.
Além dessas presenças importantes na proposta da Base, Amorim destaca também uma ausência, que segundo ele é reveladora de como o processo de construção da proposta se deu, e que por isso merece reflexão. “O ensino médio não está na BNCC. Não foi incluído porque alguns segmentos querem vinculá-lo à profissionalização. Ainda não há acordo sobre isso, dado que a LDB estabelece que o ensino médio, assim como o fundamental, é dever do Estado. Ainda não sabemos o que será feito com esse nível de ensino. Entretanto, vemos uma clara movimentação no sentido de vincular formação profissional à participação da iniciativa privada”, observa.
Embora reconheça que os setores que defendem os interesses privatizantes tenham exercido protagonismo no desenho da BNCC, o docente da FE-Unicamp entende que o jogo ainda não acabou. “O que nós temos hoje é a disputa, por exemplo, entre entidades ligadas aos setores empresariais e associações científicas. Todos estão tentando fazer circular na sociedade sentidos para a construção da Base, quer seja concordando ou questionando esse movimento. Penso que a disputa ainda não acabou. O governo federal tem privilegiado alguns setores e dado algumas questões como vencidas, mas não vejo as coisas dessa maneira. Penso que ainda temos espaço para negociações”, diz Amorim.
O docente informa que setores que defendem a escola pública de qualidade estão se mobilizando e participando criticamente de discussões em torno de sugestões que possam fazer o documento ganhar outro perfil. A criação do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), ocorrida em junho de 2017, é um exemplo da atuação desse movimento, conforme Amorim. “Essas entidades trarão novas propostas e conceitos que ainda não estão colocados. No ano que vem, questões como a formação dos professores deverão ser evidenciadas. O jogo tende para certa hegemonia, mas insisto que ele ainda não está finalizado”.
Toda essa movimentação, que parece ter um caráter mais geral, continua o professor da FE-Unicamp, já tem provocado reflexos no espaço da escola. “Muitos relatos vêm dos educadores. Alguns efeitos das diretrizes impostas à educação já podem ser sentidos na sala de aula, como o constrangimento ao trabalho dos professores. De maneiras distintas, as políticas propostas afirmam que o lugar do professor não é um lugar de liberdade. Isso não é fruto específico da BNCC, mas ela vem para reafirmar essa posição. Os professores sabem que algumas das proposições estão relacionadas com o processo de avaliação e certificação, o que tem gerado insegurança entre eles, visto que pouco puderam participar da construção do documento”.
Por fim, Amorim faz uma breve consideração sobre os possíveis impactos da promulgação da BNCC sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA). “A EJA não está entre meus temas de pesquisa, mas nos congressos dos quais tenho participado os especialistas têm chamado a atenção para o risco desse tipo de política fazer desaparecer a educação de jovens e adultos da estrutura formal da educação. Ela continuaria concedendo certificados, mas sem uma vivência escolarizada. A EJA traz em seu bojo a discussão sobre a educação popular, que virou bandeira de combate de alguns segmentos, como se o popular não pudesse ser contemplado no contexto da Base. A tendência, infelizmente, tem sido a de deixar tudo que é identificado como popular à margem das políticas públicas”, lamenta.
(da Unicamp)

Senado pode decidir sobre legalidade de casamento gay

O reconhecimento legal da união estável entre pessoas do mesmo sexo poderá ser apreciado no plenário do Senado Federal nesta terça-feira 5. A expectativa é que o projeto (PLS 612/2011), de autoria de Marta Suplicy (PMDB-SP), seja discutido pelos senadores ainda nesta reta final de 2018. Caso seja aprovado, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados.
A união homoafetiva é uma realidade no Brasil desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a união homossexual à heterossexual. Dois anos depois, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da resolução 175, decidiu que os cartórios brasileiros seriam obrigados a celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo, e não poderiam se recusar a converter união estável homoafetiva em casamento.
Apesar de importante, a decisão não tem a mesma força do que uma lei e pode ser contestada por juízes, dificultando o processo.
Atualmente, o Código Civil define a entidade familiar como a união estável “entre o homem e a mulher configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.
O PLS 612/2011 legaliza a união estável homoafetiva justamente ao promover alterações no Código Civil, com base no entendimento já pacificado do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Com o projeto de Marta Suplicy, a lei será alterada para estabelecer como família “a união estável entre duas pessoas”, sem referência ao sexo, mantendo o restante do texto. Vários artigos serão alterados, com a retirada dos termos “homem” ou “marido” e “mulher”, para a adequação da proposta. O texto estabelece ainda que a união estável entre duas pessoas do mesmo sexo “poderá converter-se em casamento”.
Resistência
Integrante da bancada religiosa, o senador Magno Malta (PR-ES) é uma das principais forças de resistência à legalização da união estável homoafetiva no Senado.
Na última rodada de discussões sobre o tema, em 28 de novembro, o senador evangélico tentou manobrar um requerimento para que a alteração na lei fosse enviada novamente à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) da Casa. Na ocasião, Malta recorreu as suas convicções cristãs para afirmar que não acredita na “relação homoafetiva”.
Marta Suplicy, autora do projeto, pediu a rejeição do requerimento, ao apontar que o pedido de Malta “é simplesmente para adiar o que já vem sendo adiado há muito tempo”. Ela destacou que na CCJ a matéria foi aprovada por unanimidade, com apenas uma abstenção. Segundo a senadora, o projeto era terminativo e já deveria ter sido enviado à Câmara dos Deputados.
A matéria só veio ao Plenário, acrescentou Marta, por um recurso encabeçado por Magno Malta. A senadora ainda lembrou que, desde 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece o direito à formalização da união entre casais homossexuais.
“Isso não tira pedaço de heterossexual, apenas garante cidadania aos homossexuais. Está na hora dessa casa não virar um farol de atraso”, declarou.
Em maio, quando a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou o projeto, Malta afirmou que ele e “a maioria absoluta” dos senadores vivem em um país majoritariamente cristão e são contra o casamento gay:
“A minha posição o Brasil conhece, eu tenho princípios. O que eu devo aos homossexuais? Devo respeito e eles também me devem, porque são regras de boa convivência. Mas eu não preciso aplaudir a opção sexual deles. Sou contra esse casamento, e não só eu, mas a maioria absoluta dessa Casa, que vive em um país majoritariamente cristão. Vai vir para o plenário e no plenário ele será diluído”, prometeu.
Entre 2014 e 2015, o casamento gay, homoafetivo ou igualitário cresceu mais do que a formalização do compromisso entre casais heterossexuais no Brasil.
De acordo com a pesquisa anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Estatísticas de Registro Civil as uniões igualitárias cresceram 15,7%. Entre os héteros, aumentaram 2,7%. Desde 2013, o casamento de papel passado entre cônjuges do mesmo sexo biológico aumentou 51,7%.
“O incentivo à oficialização das uniões consensuais por meio de casamentos coletivos, para fins de proteção da família e garantia dos direitos patrimoniais, sucessórios e previdenciários, decorrentes de parcerias estabelecidas entre as prefeituras, cartórios e igrejas, contribuiu, em grande medida, para o crescimento maior do número de casamentos oficiais em alguns estados brasileiros”, afirma a pesquisa.
(da Carta Capital)

Estão abertas as inscrições para o Colóquio Internacional Crianças e Territórios da Infância no Brasil

Estão abertas, e vão até o dia 30 de dezembro de 2017, as inscrições para submissão de resumos expandidos para o Colóquio Internacional Crianças e Territórios de Infância no Brasil, que ocorrerá entre 26 e 28 de março de 2018, e, na sequência, o II Encontro Intermediário do Grupo de Trabalho Geografia nos Anos Iniciais, Educação Infantil e EJA, no dia 29 de março de 2017.
Confira no link, a seguir, as informações necessárias para efetuar a inscrição, submeter trabalhos, participar como ouvinte etc.: https://www.even3.com.br/territoriosdeinfancia
Os dois eventos são voltados para professores(as) e visa a contribuir com o intercâmbio de professores e estudantes das universidades participantes; propiciar o estreitamento de vínculos entre Grupos de Pesquisa de Universidades brasileiras e estrangeiras; fomentar a divulgação e a sistematização de estudos teóricos sobre infância e território e estabelecer convênios entre os programas de pós-graduações com as universidades estrangeiras participantes, criando projetos de pesquisas comuns, missões de trabalhos e estudos entre os países.
A Universidade de Brasília (UnB) irá sediar os dois encontros. Este importante colóquio com abordagem sobre crianças e territórios de infância no Brasil, ocorrerá como culminância da exposição Infancia/Dictadura: Testigos y Actores (1973-1990) organizada pela profa. dra. Patrícia Castillo Gallardo, na Casa da Cultura da América Latina da UnB, em Brasília, Distrito Federal.
O Colóquio é resultado da articulação dos seguintes grupos de pesquisa: GRUPEGI – Grupo de Pesquisa e Estudos em Geografia da Infância, vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora e à Universidade Federal Fluminense e ao Grupo de Pesquisa Educação em contextos culturais específicos, vinculado à Universidade de Brasília.
O tema abordado defende o fato de que, na produção dos espaços, as convergências e divergências de diferentes grupos presentes na sociedade concretizam diversos territórios. Os territórios têm, assim, em suas constituições, um caráter semiótico na medida em que se estabelecem como símbolos, e devem ser analisados como uma teia de significados que, ao ser construído por um determinado grupo social, também o constrói. Esse processo implica demarcações de alteridades e organização de fronteiras, constituindo limites entre diferenças, o que torna possível o processo de territorialização e de identificação.
Ao partir da concepção de que toda criança nasce num certo momento histórico, num certo grupo cultural, num certo espaço-tempo de onde estabelece suas interações sociais e constrói sua identidade, pode-se inferir também que toda criança é criança em alguns locais dentro do local, pois esse mesmo mundo adulto destina diferentes parcelas do espaço físico para a materialização de suas infâncias.
 

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