FNDC aborda o estado de exceção e a liberdade de expressão no Brasil
Jornalista: Luis Ricardo
O Comitê do Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC), em conjunto com movimentos e organizações sociais, realiza uma Roda de Conversa sobre o Estado de Exceção e a Liberdade de Expressão no Brasil. O evento será realizado neste sábado (21), às 15h, na Feira da Torre de TV (Eixo Monumental).
O objetivo é trazer relatos de como o Estado tem intensificado a violação à liberdade de expressão, com relatos de movimentos e lideranças à contextos de censura. A atividade compõe o conjunto de agendas pela Semana pela Democratização da Comunicação no Distrito Federal e a proposta é reunir denúncias para encaminhar à Procuradoria Geral da República (PGR), Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), entre outras instâncias.
Participe!
Peça aborda fatos políticos que marcaram o Brasil a partir da ditadura
Jornalista: Luis Ricardo
Após nove anos, a peça Quem fez 68 não faz 69 volta a entrar em cartaz. Nos dias 20, 21 e 22 de outubro, sempre às 20h, a companhia teatral aborda, com humor, os significados dos fatos políticos, sociais e culturais que marcaram o Brasil a partir da promulgação do AI 5, em 1968, durante a Ditadura Militar, caracterizando “um golpe dentro do golpe”. As apresentações serão feitas na Sala Conchita de Moraes do Teatro Dulcina (CONIC).
O texto tem uma dramaturgia dinâmica, bem humorada, construída de depoimentos de personagens militantes do período em que foi instaurado o AI 5 em nosso país. Faz uma revisão da história brasileira das últimas décadas, a partir dos anos 1960, dando oportunidade para que os protagonistas de 1968 expressem autocrítica e análises comparativas entre os ideais emblemáticos daquele ano e ideias representativas do pensamento contemporâneo.
Mais informações pelos telefones 99154-7383, 98221-3618 e 3382-3963.
Manifesto defende Paulo Freire como patrono da educação brasileira
Jornalista: Leticia
O Coletivo Paulo Freire lançou nesta segunda 16 um manifesto em defesa ao legado de Paulo Freire e pela manutenção de seu título como patrono da educação brasileira.
Encabeçado pela deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), por Nita Freite, escritora, educadora e viúva de Paulo Freire, Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, e organizações como o Instituto Paulo Freire, o grupo lança o documento como resposta à proposta legislativa criada por uma estudante apoiadora do Escola sem Partido, que pede a revogação da Lei 12.612 que concede o título a Freire.
O manifesto, que já conta com mais de 400 assinaturas de cidadãos brasileiros e de países da África Lusófona e de Portugal, e o apoio de educadores como Lisete Arelaro (USP-SP), Vitor Henrique Paro (USP-SP) e Jaqueline Moll (UFRGS), coloca que defender o título de Freire é o mesmo que defender a produção intelectual, a boa prática pedagógica e o próprio Brasil.
Para os proponentes, ceder a “tamanho acinte”, é impor a Freire e à sua obra, uma espécie de segundo exílio, tão violento quanto o primeiro sofrido pelo educador de 1964 a 1980 e levado a cabo pela Ditadura Civil-Militar (1964-1985).
O manifesto pede ainda que o Brasil encontro um mínimo de pontos de convergência sobre o legado de Freire à educação brasileira. “Respeitar Paulo Freire é resguardar a História daquelas pessoas imprescindíveis que dedicam sua vida, dia após dia, à luta por um mundo livre, fraterno, igualitário, justo, próspero e sustentável”.
Daniel Cara, um dos proponentes do manifesto, reconhece Paulo Freire como um dos dez principais teóricos da história da educação, autor de uma pedagogia viva, política e democrática. Para ele, os ataques endereçados ao educador são feitos por quem defende o status quo e se coloca contrário a emancipação de um pensamento crítico.
“Acusá-lo dos problemas da educação brasileira é o equivalente a culpar Einstein pela dificuldade dos alunos em entender Física. Infelizmente, a humanidade demora para incorporar as contribuições dos grandes pensadores”, atesta.
Para aderir ao manifesto “Coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática”, basta encaminhar um email para: paulofreirepatrono@gmail.com.
(da Carta Educação)
Livro “Migrar, Chegar e Permanecer" será lançado nesta quarta-feira (18)
Jornalista: sindicato
Nesta quarta-feira (18/10), às 19h, acontecerá na Livraria Leitura, do Conjunto Nacional, o lançamento do livro “Migrar, Chegar e Permanecer: a construção do lugar de afeto”.
A obra é uma parceria entre os professores Temízia Cristina Lopes Lessa (doutoranda em Geografia pela UnB e professora do CEF 30 de Ceilândia) e do Profº. Dr. Fernando Luiz Araújo Sobrinho, do Departamento de Geografia da UnB.
De acordo com Temízia, o processo de regionalização, advindo do intenso processo de urbanização e de redistribuição espacial da população e das atividades econômicas, fez emergir novas modalidades de deslocamentos populacionais, particularmente entre cidades vizinhas, configurando os movimentos pendulares.
A RA Cidade Estrutural, por sua vez, teve origem a partir de movimentos migratórios marcados pela condição de pobreza de moradores oriundos do entorno do Distrito Federal e de Regiões Administrativas mais afastadas do Plano Piloto.
Nesse contexto, diz a professora, “investigamos o processo de territorialização da ‘Cidade Estrutural’, analisando os movimentos migratórios que orientaram e estruturaram seu espaço intraurbano, bem como as relações estabelecidas na dinâmica urbana do Distrito Federal. Para tanto, correlacionamos a construção de Brasília, o processo de formação do Distrito Federal e a Estrutural como uma das diversas periferias, ressaltando o seu papel na formação territorial do Distrito Federal. Identificamos, ainda, os principais agentes e atores, conflitos e questões que permeiam a sua lógica socioespacial”. Serviço
Evento: Lançamento do livro “Migrar, Chegar, Permanecer: a construção do lugar de afeto”
Dia: 18/10/2017, quarta-feira
Horário: 19h
Local: Livraria Leitura – Shopping Conjunto Nacional – 2º andar
CIAR promove o I Fórum de Psicomotricidade Relacional no dia 28
Jornalista: sindicato
O CIAR (Centro Internacional de Análise Relacional) realiza o I Fórum de Psicomotricidade Relacional, no próximo dia 28, em Brasília. O encontro pretende proporcionar aos participantes tempo e espaço de desenvolvimento pessoal e profissional. O foco das atividades será educação, saúde e bem-estar social.
Conduzido pelo terapeuta e psicomotricista relacional, professor José Leopoldo Vieira, considerado referência na área, o Fórum é direcionado por profissionais e estudantes das áreas de educação, saúde e bem-estar social e todos aqueles que desejam compreender e estimular o desenvolvimento nas relações humanas.
De acordo com Leopoldo Vieira, a psicomotricidade relacional pode ser desenvolvida no âmbito escolar, clínico e empresarial, com crianças, jovens, adultos e idosos. “É uma ferramenta de trabalho revolucionária pela seu modo de abordar as relações e o desenvolvimento humano”, destaca. Serviço
Horário – das 8h às 18h do dia 28/10
Local: EAP (SGAS – 907 Sul)
Investimento: R$ 320,00
Inscrições >>> Clique aqui
Informações:
Rosimar – (61) 9 8210-9277
Nivaldo – (61) 9 8268-4244
Giulson – (61) 9 8183-1736
Simone – (61) 9 8328-8169
Festival Nostalgia Carioca ocorre nos dias 28 e 29. Professores têm desconto
Jornalista: sindicato
O Festival Nostalgia Carioca de danças e sensações pretende incentivar na cultura brasiliense o hábito da prática da dança de salão, com os costumes dos salões do Rio de Janeiro. O evento ocorrerá nos dias 28 e 29 de outubro.
Haverá aulas para alunos iniciantes e intermediários, com professores vindos do Rio de Janeiro e professores de Brasília, além de uma equipe de monitores. Serão duas tardes de aulas na FUNARTE, Baile temático no Clube do Choro e mostra coreográfica, que também acontecerá na FUNARTE.
A mostra coreográfica, no dia 29/10, será gratuita e aberta ao público, sendo necessária a retirada de convite, que ocorrerá a partir das 18h, na bilheteria do teatro.
O pacote para participar do evento, com vaga garantida também para a mostra coreográfica, tem o custo de R$ 320,00 por pessoa, mas há preços promocionais para professores e professoras, e meia para estudantes. Serviço:
Evento: Nostalgia Carioca
Festival de danças e sensações (dança de salão: bolero, samba de gafieira, soltinho e charme dança).
Todos podem participar!
Haverá aulas para iniciantes e intermediários.
Data: Aulas – 28/10, de 13h às 18h; e 29/10, de 13h às 17h
Baile – 28/10, às 20h30
Mostra – 29/10, às 19h
Local: Aulas e Mostra Coreográfica – FUNARTE (Sala Plínio Marcos)
Baile – CLUBE DO CHORO DE BRASÍLIA
Valor: Pacote completo (aulas + baile + mostra coreográfica) – R$320,00
Valor promocional até 07/10/2017 – R$ 140,00
Valor promocional até 26/10/2017 – R$ 160,00
Inscrições: 61 9 99949780 ou 999961182
E-mail: nostalgiacarioca@gmail.com
Site: www.nostalgiacarioca.com ATENÇÃO!!! Para filiados(as) ao Sinpro será concedido desconto de 20% sobre os valores praticados
Professor Uber: a precarização do trabalho invade as salas de aula
Jornalista: Leticia
Sob o comando do tucano Duarte Nogueira, a prefeitura de Ribeirão Preto, no interior paulista, apresentou em julho um projeto para contratar aulas avulsas de professores por meio de um aplicativo de celular, com o objetivo de suprir as ausências de docentes da rede municipal.
No “Uber da Educação”, como a proposta foi apelidada, o profissional não teria vínculo empregatício. Após receber a chamada, ele teria 30 minutos para responder se aceita a tarefa e uma hora para chegar à escola.
Com cerca de 5 mil habitantes, a cidade catarinense de Angelina, na Grande Florianópolis, também inovou, com a criação de uma espécie de leilão reverso para a contratação de professores. Em abril, a prefeitura publicou o Pregão nº 018/2017, baseado em uma licitação de “menor preço global”.
O edital partia de um pagamento máximo de 1.200 reais para uma jornada de 20 horas semanais, mas atrelava sua definição a um leilão que deveria ser feito com o envio de propostas salariais a menores custos. O processo só não foi adiante porque foi interpelado pelo Ministério Público de Contas do Estado.
Há tempos os professores da educação básica convivem com a precarização das relações de trabalho, um problema que deve aprofundar-se com a nova Lei de Terceirização e a reforma trabalhista sancionada por Temer. Diante do cenário, não chega a surpreender a iniciativa do Grupo Anhanguera, de buscar atrair novos estudantes para cursos de formação pedagógica com a promessa de uma fonte complementar de rendimentos.
“Torne-se professor e aumente a sua renda”, dizia a peça publicitária, com Luciano Huck de garoto-propaganda. Após a repercussão negativa da campanha nas redes sociais, a instituição de ensino superior pediu desculpas pela “mensagem equivocada sobre a função e importância do professor”.
A precariedade cobra um elevado preço dos profissionais. Em 34 anos de carreira, esta é a primeira vez que Maria Fátima Maia da Silva, 50 anos, se vê longe das salas de aula. Por recomendação médica, ela está afastada há dois meses em consequência de estresse acumulado ao lecionar em sete escolas do Paraná.
A peregrinação pelas unidades da rede estadual começou em fevereiro, quando o governo de Beto Richa (PSDB) reduziu as horas-atividade dos docentes, passando de 7 para 5, em uma carga horária de 20 horas/aulas semanais.
Até a decisão, Maia da Silva trabalhava em uma única escola de Curitiba, com uma jornada de 40 horas semanais, 20 horas dedicadas a aulas de Biologia e o tempo restante para ministrar a disciplina de Ciências. Após a medida, a professora teve as horas de trabalho reduzidas para 13 e viu-se forçada a procurar por outras instituições para compor o tempo de cada matéria.
“Na parte da manhã, passei a trabalhar em duas escolas. Para cumprir as 20 horas restantes, peguei mais cinco escolas para lecionar à noite, cumprindo por dia da semana uma carga de quatro horas em cada uma delas”, conta a professora.
Além da jornada exaustiva em diferentes salas de aula, pesava o tempo de deslocamento até cada um dos endereços. Entre idas e vindas, a professora chegava a passar quatro horas no transporte público. A rotina foi interrompida em junho, quando a estafa a afastou do trabalho.
Na avaliação da vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marlei Fernandes de Carvalho, o caso desrespeita a Lei Federal nº 11.738/2008, que instituiu o piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica. Os professores deveriam ter assegurados dois terços da carga horária para a interação com os estudantes.
“O terço restante é reservado para o planejamento”, explica Carvalho. “Com a redução das horas, descarta-se esse tempo de trabalho fora da sala de aula, o que deve fazer com que muitos professores sacrifiquem o seu tempo livre, de descanso, para cumprir todas as demandas da escola.”
Presidente da CNTE, Heleno Araújo também se preocupa com os impactos da Emenda Constitucional 95, que congela os gastos públicos por 20 anos. “Com menos recursos para a educação, temos prejudicadas as metas 15 a 18 do Plano Nacional de Educação, que preveem a valorização docente.”
Hoje, muitos professores atuam como temporários na rede pública, ou seja, não fazem parte do quadro efetivo. Em Mato Grosso, por exemplo, 60% dos docentes estão contratados nesse regime, mas são igualmente expressivos os porcentuais em Santa Catarina (57%), Mato Grosso do Sul (50%), Minas Gerais (48%), Pernambuco (44%) e São Paulo (34%).
“Pela Constituição, o ingresso no serviço público deve ser feito exclusivamente por meio de concurso”, observa Araújo. Como os temporários não podem criar vínculo com as redes de ensino, esses profissionais precisam alternar tempo de aula com tempo de afastamento.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, os professores temporários eram obrigados a cumprir uma quarentena para voltar a lecionar na rede paulista.
“Na greve de 2015, conseguimos assegurar a contratação de quatro anos sem quebra de contrato”, lembra. Benefícios como o quinquênio ou a sexta parte, gratificações por tempo de trabalho, só foram adquiridos para a categoria há três anos.
No contexto de liberação das terceirizações, teme-se que os concursos públicos deixem de ser realizados. Os professores efetivos dariam lugar a prestadores de serviços. Outra ameaça é a entrega da administração das escolas para organizações sociais.
A ação não seria novidade. No ano passado, o estado de Goiás publicou um edital chamando entidades a assumirem a gestão escolar. Contrários à proposta, estudantes ocuparam 28 escolas estaduais. O edital foi suspenso pela Justiça goiana.
Resposta da prefeitura de Ribeirão Preto
Em nota enviada à Carta Capital, a prefeitura de Ribeirão Preto afirma que “não existe projeto ‘Uber da Educação’ em andamento no município”.
“A proposta que se encontra em fase de elaboração denomina-se “Professor Substituto” e visa a solucionar a grave situação de ausências de professores em sala de aula, motivadas por faltas ou licença saúde, em período inferior a 30 dias. As faltas acima de 30 dias são resolvidas com nova atribuição de aulas a outro professor.
A proposta é que o professor substituto seja aprovado por processo seletivo e receba atribuição de aulas por conjunto de escolas, formado por duas ou três unidades. O contato com o profissional para chamá-lo até a unidade escolar poderá ocorrer com a utilização de tecnologias hoje disponíveis, o que agregará agilidade ao processo.
Quanto à relação empregatícia, o projeto é objeto de análise por parte da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos. Portanto, não há nenhuma solução definitiva a respeito do assunto.”
(do Vermelho)
Pedagogia da alternância: a resistência ao descaso na educação
Jornalista: Leticia
A construção da barragem de Sobradinho, na Bahia, entre as décadas de 1970 e 1980, tirou muitas famílias de sua terra fértil às margens do Rio São Francisco e as levou para áreas secas, improdutivas. Sem indenizações e a devida compensação do estado brasileiro por meio de serviços de educação, saúde, moradia, segurança e comunicação, houve piora nas condições de vida, aumento da pobreza e até da mortalidade infantil. Permanecer no meio rural tornou-se ainda mais desafiador.
Em um contexto tão desfavorável para as famílias sertanejas, a escola tinha o único objetivo de preparar mão de obra sob medida para o mercado de trabalho. Os alunos eram formados por áreas do conhecimento, isoladas, que não dialogavam entre si. Para piorar, desconsideravam os contextos e as múltiplas formas de saber dessas populações. Nos municípios próximos à barragem, os professores vinham de fora, desconhecendo a realidade local e as necessidades e potencialidades de seus alunos, familiares e da população em geral.
Segundo essa lógica, os estudantes não passavam de um “conjunto de indivíduos”, meros depositários de informações e conhecimentos já construídos, sobretudo em outras regiões do país e do mundo. E as pessoas formadas não pensavam no desenvolvimento local sustentável e solidário, mas nas ilusões de que a única perspectiva de vida digna seria sair do campo, ir para os grandes centros. Para reverter a situação, que tinha como consequência o êxodo rural, foi criada, há 27 anos, a Escola Família Agrícola Sobradinho (EFA).
Quem conta a história é Tiago Pereira da Costa, nascido no ano da criação da escola em que chegou a estudar da 5ª série em diante. Jovem do campo, mestrando em Extensão Rural pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), graduado em Gestão Ambiental pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), filho de pequenos agricultores, e de família atingida pela construção da barragem.
“As escolas Família Agrícola surgem do descontentamento à concepção de educação forjada para preparar mão de obra, e que desconsidera os potenciais, as especificidades e a diversidade de sujeitos do campo. É dessa educação pautada na concepção de modelo bancário, que o professor vem de fora, é desse descontentamento que surgem as escolas agrícolas que resistem até hoje como concepção de escola comunitária”, conta Tiago.
Chão
As EFAs têm seu processo formativo a partir do conhecimento da realidade local – o chão onde os sujeitos pisam. Por isso é uma educação contextualizada com a vida dos estudantes e seus familiares, sem desconsiderar o conhecimento historicamente construído pela humanidade.
“Desenvolver essas escolas no semiárido é perceber as especificidades do ecossistema, a oscilação climática, a relação com a natureza e a partir disso construir um conhecimento aplicável à vida e que ao mesmo tempo dialoga o conhecimento clássico, técnico, científico”, afirma.
Coordenador do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), organização não governamental que atende a mais de 10 mil pequenos produtores, Tiago atua de maneira voluntária na EFA Sobradinho e na rede que reúne outras dessas escolas criadas no Semiárido. Ele conta que a educação que lhe abriu oportunidades trouxe sucesso para muitos outros egressos.
A começar por um irmão, graduado em Ciências Biológicas e que passou em primeiro lugar na seleção para o mestrado na área de fisiologia vegetal na concorrida Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. Há ainda secretários de agricultura, vereadores, prefeitos. “São pessoas que passaram em concursos públicos, professores, pessoas que estão no campo executando projeto de vida, constituindo família e empreendimentos no campo que geram emprego e renda. E temos diversos exemplos exitosos, que a partir da saída desses espaços constrói uma concepção diferente de nação”.
Segundo ele, a pressão popular levou à aprovação no estado, em 2009, de um projeto de apoio técnico-educativo às 30 escolas Família Agrícola. A cada ano, com base no quantidade de alunos do ano anterior, a Secretaria de Educação assina convênio com as mantenedoras. Alguns municípios apoiam com convênios, liberação de professores ou alimentação.
Gerida pela Associação Comunitária Mantenedora (Amefas), a EFA Sobradinho passou a oferecer em 2016, além do ensino fundamental II, a educação profissional por meio do curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio.
O ano escolar é organizado em sessões de quinze dias, sendo dez quinzenas por ano, cumprindo os 200 dias letivos exigidos pela legislação vigente. Há o tempo de escola e o tempo comunidade. “Essa alternância articula períodos de vivência no meio escolar e no meio sócio-familiar e comunitário. Alternam-se, assim, duas lógicas de aprendizagem em meio e atividades diferentes: a aprendizagem do trabalho no meio sócio-familiar e comunitário. Além das disciplinas consideradas, básicas, há atividades sócioeducativas ligadas à aprendizagem da vida associativa e comunitária”, explica Tiago.
Disputas
Em Marabá, no Pará, a Escola Família Agrícola Jean Hébette, mais conhecida como EFA Marabá, foi criada em março de 1996, em pleno avanço da agenda neoliberal, que teve o seu ponto alto a política de privatizações, entre elas a entrega da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).
Construída em território marcado por disputas pela terra, a escola tinha pouco menos de um mês em 17 de abril, quando a 100 quilômetros dali 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar do Estado do Pará. O massacre de Eldorado dos Carajás foi resultado de uma repressão a 1.500 agricultores acampados na região, que decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora na desapropriação de terras.
Pedagogo e mestrando em Desenvolvimento Sócioespacial e Regional pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Damião Soledade Santos foi um dos fundadores e monitores da Efa Marabá, a única da modalidade no estado. Uma outra, criada bem antes na região do Marajó fechou.
“As casas (Casas Familiares Rurais, ou CFR, que funcionam em regime de internato) que fazem a alternância conseguiram se expandir mais no estado. Nos não conseguimos; não é fácil. No caso da EFA Marabá, o município assume o custeio de todo o pessoal e a manutenção. É o atendimento à reivindicação da escola do campo como direito, uma escola que visa a formação integral e o desenvolvimento rural sustentável, com inclusão na agroecologia. Uma escola pública camponesa”, diz.
Damião destaca que o currículo segue diretrizes do Ministério da Educação e está integrado à realidade local, sem perder de vista as especificidades. O carro-chefe que norteia o currículo nas Efas, segundo ele, é o plano de estudo. Trata-se de uma pesquisa empírica, na qual os alunos fazem pesquisas que são socializadas com os colegas no tempo escolar. “Nós somos referência, porque as Efas têm diretrizes próprias”, afirma.
Maranhense, da roça, 41 anos, Damião conta que há muitos desafios. No entanto, são essas experiências concretas que incentivam muitos jovens a permanecer e a assumir compromisso na escola do campo. Ele próprio, se especializa para contribuir não só do ponto de vista prático, mas também acadêmico, para aprimorar as escolas Família Agrícola.
Desafios
No semiárido da Bahia, no sudeste do Pará e em outros estados brasileiros, as escolas Família Agrícola resistem há quase 50 anos. “Na nossa região são mais de 30 estabelecimentos de ensino que continuam resistindo a uma conjuntura perversa de educação que não considera esses outros modelos de educação que emergem da luta pela terra, pela vida e pela sobrevivência no campo. Resistem ao estado brasileiro, que não dá o apoio devido”, avalia Tiago Pereira da Costa.
Na maioria dos estados, segundo ele, já há algum projeto de lei ou de programa que assegura o aporte governamental. “Mas ainda não é a contento. Há muitas escolas fragilizadas por conta dessa relação financeira. Por mais que se tenha uma proposta político-pedagógica consistente e condizente com a realidade, que vise a agroecologia como princípio, e a essa educação contextualizada, a participação ativa das famílias, então esse princípio de fazer ‘educação do e no campo’ não é apoiada como deveria pelo estado brasileiro”, diz.
Pedagogia
A pedagogia da alternância, na qual estão inseridas as EFAs, foi introduzida no Brasil em 1968, no Espírito Santo, por meio do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes), apoiado pela Igreja Católica, e de lideranças comunitárias. Na década de 1970 se expandiu para outros 22 Estados.
De acordo com a União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil (Unefab), há atualmente 145 EFAs em funcionamento e outras dezenas em implantação, que atendem cerca de 13.000 alunos e 70.000 agricultores e contam com 850 monitores. Já foram formados mais de 50.000 jovens, dos quais mais de 65% permanecem no meio rural, desenvolvendo seu próprio empreendimento junto às suas famílias ou exercendo vários tipos de profissões e lideranças.
Conforme a entidade, pensar uma proposta educacional alternativa à educação formal foi uma necessidade frente à realidade rural de países como o Brasil. Os fatores que contribuíram para o seu surgimento, no Brasil, tiveram relação direta com a economia agrícola baseada na produção de subsistência: A falta de conhecimento de técnicas alternativas para preservação ambiental, o rápido processo de desmatamento, o uso do fogo de modo indevido, preparo do solo inadequado, uso intensivo de agrotóxicos, baixo uso de práticas conservacionistas nas áreas de cultivos e predominância da monocultura fizeram com que as famílias rurais ficassem em situação precária, comprometendo o acesso de crianças, adolescentes e jovens à escola formal.
Cada Escola Família Agrícola possui uma associação formada por pais, alunos e de outros agricultores da região, que cuidam das questões administrativas, definem o plano e estratégias de ação, contratando professores e buscando alternativas de sustentabilidade.
As escolas constituem uma forma de resposta aos grandes problemas do campo ao buscar o resgate/construção de sua cidadania e valorização da cultura camponesa, bem como condições necessárias para intervenção de forma consciente no processo de transformação da realidade e a construção de novo modelo de desenvolvimento rural na perspectiva do desenvolvimento local sustentável.
Concursados fazem ato no Hemocentro pela valorização do serviço público
Jornalista: Luis Ricardo
Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais concursados(as), juntamente com a direção do Sinpro, convidam a categoria para um ato no dia 21 de outubro, às 8h, no Hemocentro de Brasília. Além de cultivar o hábito da doação de sangue, o ato tem como objetivo inserir no calendário de Brasília a Semana de Valorização do Serviço Público.
O serviço público do Distrito Federal tem sofrido com a política de governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), que prima pela não contratação de servidores aprovados em concurso público. Somente na Educação, hoje temos professores(as) concursados(as) de 2013 de diversas disciplinas aguardando nomeação, assim como orientadores concursados de 2014 e professores concursados de 2016 na espera por vagas existentes na rede pública de ensino do DF, rede que necessita destas convocações para garantir o pleno funcionamento das escolas em 2018 e para melhorar a qualidade de ensino.
O Sinpro defende um serviço público forte e servidores públicos valorizados, visto a importância deste grupo, essencial para que políticas públicas como saúde, educação, segurança, cultura, assistência social, mobilidade urbana e moradia sejam desenvolvidas.
Ao longo da próxima semana teremos outras atividades acontecendo em referência à Semana de Valorização do Serviço Público e o Sinpro dará mais detalhes sobre cada uma delas para que as pessoas possam se organizar e participar de mais esta luta.
Senado realiza X Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz
Jornalista: Luis Ricardo
A Comissão de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz no Senado Federal convidam os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para a X Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, evento que acontecerá entre os dias 24 e 26 de outubro, no Auditório Antônio Carlos Magalhães – Interlegis. Este ano, a Semana trabalhará com o tema Cuidadores da Primeira infância: por uma formação de qualidade. Haverá certificação de participação para todo o evento, que é gratuito.
As inscrições são gratuitas e estão abertas à comunidade em geral, especialmente profissionais das áreas de Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, além de legisladores, gestores públicos e privados, professores e estudantes, membros de organizações não-governamentais e outras instituições da sociedade civil, além de pais e cuidadores em instituições de acolhimento. Nesta décima edição, o Comité Científico que assessora voluntariamente a Comissão de Valorização da Primeira Infância, organizadora do evento, propôs o aprofundamento da questão da formação de qualidade das agentes que lidam diretamente com as crianças pequenas.
Segundo a professora doutora Sandra Cabral, psicóloga integrante do Comitê Científico, os primeiros vínculos, derivados das primeiras interações, são uma espécie de carimbo do ambiente afetivo com que o mundo recebe o bebê, construindo uma constância no estilo de relacionamento que ele, quando adulto, estabelecerá em suas relações e ações. Assim sendo, enfatiza como é fundamental que nessas primeiras interações – que constituem um período sensível de desenvolvimento – uma confiança básica seja construída, matriz do desenvolvimento da capacidade de empatia, ou seja, de colocar-se no lugar do outro, o que funda nossa implicação com princípios éticos nas relações intersubjetivas, nossa capacidade de trabalhar em grupo, assim como nossas possibilidades de criação e competências para lidar com desafios e frustrações. Nesta edição, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte; a Comissão de Assuntos Sociais e Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal realizam, no dia 25 de outubro audiência pública conjunta para debater algumas das questões fundamentais relativas à formação de qualidade de quem interage com crianças em seus primeiros anos de vida, inclusive os agentes que executam políticas públicas.