Um dos maiores eventos feministas do mundo vai reunir 8 mil em Florianópolis

Pela primeira vez, o Congresso Mundos de Mulheres (MM) será realizado na América do Sul. Integrada ao 11º Seminário Internacional Fazendo Gênero (FG), a 13ª edição acontece de 30 de julho e 4 de agosto, em várias partes do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Mais de 8 mil mulheres de todos os continentes estão inscritas. Fóruns, conferências, minicursos, apresentações artísticas e marcha compõem a programação que deve movimentar a cidade nesses seis dias. Um aplicativo está sendo desenvolvido especialmente para dar mais dinamismo às informações e facilitar o contato entre participantes. A tecnologia será acessível também para cegos.
A programação completa pode ser conferida no site.
Mulheres dos mais variados movimentos, como indígenas, camponesas, negras, trabalhadoras do sexo, mulheres trans, travestis, bissexuais e lésbicas terão voz garantida no encontro, como afirma Vera Gasparetto, da Comissão de Movimentos Sociais. Com a temática “Transformações, Conexões, Deslocamentos”, o evento une academia e ativismo com a proposta de ser um espaço de diálogo entre pessoas do mundo sobre questões de gênero, feminismo e suas relações com raça/etnia, classe, nacionalidade, religião, entre outros recortes. Entre os temas de destaque estão o direito de viver sem violência, educação e gênero, descriminalização do aborto, sexualidades, masculinidades e transidentidades – marcando a inclusão de novos sujeitos à história dos feminismos.

“Priorizamos diferentes segmentos sociais, porque nós, como mulheres brancas, de certa forma hegemonizamos o campo acadêmico, precisamos abrir mão desse espaço para dizer ‘venham ocupar’. E o mais importante que as pessoas possam dizer como querem fazer seu protagonismo”, explica Vera.

Integram a programação atividades organizadas em conjunto com ativistas, como os fóruns de debate, as tendas “Mundo de Mulheres”, “Feminista e Solidária” e Tenda da Saúde. Além disso, haverá participação de debatedoras dos movimentos feministas e de mulheres em todas as mesas-redondas.
Marcha Mundos de Mulheres por Direitos, que acontece nas ruas centrais de Florianópolis, em 2 de agosto, e concentração às 17h, no Terminal de Integração (TICEN), consagra esse diálogo com os movimentos.  “Essa é a forma do evento se integrar à cidade de Florianópolis”, afirma a professora Cristina Wolff, integrante da Comissão de Coordenação Geral.
Atrações artístico-culturais
O Fazendo Gênero terá mais de 40 apresentações artísticas em diversos espaços do campus, como o show de Linn da Quebrada, em 02 de agosto, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, às 21h, após a Marcha Mundos de Mulheres por Direitos. O bloco Cores de Aidê, La Clínica, pocket show Odara criado especialmente para o evento, entre outras apresentações cênicas, de dança e performance estão entre as atrações.
Durante o evento também acontecerá a II Exposição Arte e Gênero, a Mostra Audiovisual, a Mostra Fotográfica, os roteiros de passeios temáticos em comunidades e projetos da região de Florianópolis. Haverá também o Crianças no Fazendo Gênero, com oficinas e programação cultural para crianças que vierem com as/os participantes.
A programação é composta ainda por conferências (4), mesas-redondas (33), simpósios temáticos (160), exposição de pôsteres, oficinas (95) e minicursos (17). O credenciamento e principais atividades acontecem no Centro de Eventos.
Uma academia para todas e todos
O protagonismo dos movimentos sociais no evento é resultado de um momento de autocrítica da academia. Vera Gasparetto  defende uma outra academia que seja pluriversal e integre demandas dos movimentos para fazer frente ao embate na cena pública entre os estudos de gênero e as formas de silenciá-lo, como o programa Escola Sem Partido. “Nesse momento em que querem calar nossas consciências e vozes, abafar uma visão crítica da realidade, queremos que os movimentos e a classe trabalhadora de fato consigam consolidar seu espaço dentro da academia. Nós sabemos da construção histórica elitizada desse acesso e que nos últimos anos estávamos conseguindo reverter. Queremos dizer que todas/os têm direito de ocupar esse espaço e que gênero não é só coisa de mulheres. Discutir questões novas que são colocadas em pauta dentro do campo da pesquisa acadêmica de gênero e da luta política são fundamentais para construir novas consciências, democratizar a sociedade, o acesso à vida, aos direitos e a um mundo melhor”, assinala Vera.
Cristina Wolff também enfatiza a relevância do congresso diante do avanço do conservadorismo. “É extremamente importante um evento grande e forte que mostre o interesse das pessoas em nível internacional sobre esses estudos. Com essa integração entre esses estudos e espaços de reivindicação dos ativismos, mostramos que não podemos aceitar os retrocessos na legislação e vida pública. Esse congresso não é simplesmente espaço acadêmico para mostrar nossas pesquisas e nos congraçar, é também uma ação política para destacar a importância desses estudos para a sociedade como um todo e para dizer que buscamos essa interface com os movimentos”, analisa Cristina.
Inscrições
Toda a programação no auditório Garapuvu será transmitida ao vivo via internet no site do evento. As inscrições para ouvintes reabrem durante o evento. A taxa para estudantes é R$ 60 e para público em geral R$ 100. Minicursos, oficinas e roteiros de visitas tinham inscrições e taxas específicas.
O Congresso Mundo de Mulheres acontece a cada três anos. Já foi realizado em Israel, Holanda, Irlanda, Estados Unidos, Costa Rica, Austrália, Noruega, Uganda, Coreia, Espanha, Canadá e Índia. Organizado pelo Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC, o Seminário Fazendo Gênero teve origem em 1994, e sua realização acontecia a cada dois anos. Em 2010, passou a ser trianual. O último encontro ocorreu em 2013, prevendo a integração, neste ano, ao Mundo de Mulheres.
O evento tem financiamento e apoio da Fundação da Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Escola Sul da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Fundação Ford e o Governo do Canadá, por meio de um edital de auxílio.
Acessibilidade
A maioria das congressistas fala português e espanhol. Não haverá a tradicional tradução simultânea. Nas conferências e mesas redondas, vai ocorrer a projeção de texto das falas em português e inglês. Haverá também tradutores disponíveis para auxiliar no entendimento. Uma Comissão de Acessibilidade organiza o atendimento a pessoas com necessidades específicas como surdez, cegueira e dificuldades de locomoção.
Hospedagem solidária
Em um grupo no Facebook é possível oferecer e procurar hospedagem gratuita.
Serviço:
O quê: 13º Congresso Mundos de Mulheres (Women’s Worlds Congress)/Seminário Internacional Fazendo Gênero 11
Data: 30 de julho e 4 de agosto de 2017
Local:  Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis.
Site oficial: http://www.fazendogenero.ufsc.br/wwc2017/
Fanpage Facebook: https://www.facebook.com/FazendoGenero/

Dia Internacional da Mulher Negra marcado pela luta por direitos

É em meio à precarização das relações de trabalho, deterioração dos serviços de saúde e educação, altos índices de violência e escassez de políticas públicas, que a mulher negra é homenageada pelo seu dia, neste 25 de julho. A data, instituída pela Lei nº 12.987/2014, é motivada pelo Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha, criado em julho de 1992, e marca a luta e resistência da mulher negra no mundo.
Enquanto os negros representam 54% do povo brasileiro, as mulheres negras constituem 49,5% da população feminina. No entanto, apesar do número expressivo, as desigualdades de gênero e raça ainda se fazem presentes nas várias esferas sociais. No que diz respeito ao acesso à educação, o contraste é espantoso: a taxa de analfabetismo é de 11,2% entre os pretos, 11,1% entre os pardos, e 5% entre os brancos.
A impiedosa realidade é refletida no mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 71% das mulheres negras encontram-se em situações precárias e informais. Em contrapartida, apenas 54% das mulheres brancas estão na mesma condição. Outro dado bastante assustador é em relação à remuneração. Ainda segundo o IBGE, o salário médio da trabalhadora negra representa apenas a metade do rendimento da trabalhadora branca e, mesmo quando as escolaridades são similares, a diferença salarial ainda gira em torno de 40%.
Todo esse cenário agrava-se com a tomada do poder público pelo golpe parlamentar e seus consequentes retrocessos, que atingem, em especial, a mulher. São elas as mais prejudicadas com as reformas trabalhista e previdenciária. No caso de ser mulher e negra, os prejuízos são ainda maiores. Para a secretária das Mulheres Trabalhadoras da CUT Brasília, Sônia Queiroz, a gestão golpista de Michel Temer ignorou as conquistas de 13 anos de um governo progressista, que se empenhou, constantemente, por avanços. Nesse sentido, Sônia destaca que a pasta tem realizado várias ações de formação e conscientização, para assim, fortalecer a unidade entre as mulheres e mobilizá-las para o combate.
“A situação da mulher negra no mercado de trabalho, reflete a realidade em todo o contexto social. O golpe foi contra a classe trabalhadora, mas as estáticas mostram que as mulheres são as que mais sofrem. Sendo negras, então, o cenário torna-se mais crítico. O que precisamos, como companheiras, é de empatia e unidade para combatermos os retrocessos impostos pelo governo ilegítimo. Só dessa forma teremos mais êxitos em nossas lutas”, disse.
Sônia destaca, ainda, que a Central Única dos Trabalhadores de Brasília continuará na incansável batalha por melhorias para as mulheres e contra qualquer retirada de direitos.
Fonte: CUT Brasília com informações do IBGE

Encontro discute os sentidos e os rumos do ensino e da disciplina de Sociologia na escola

De 23 a 25 de julho ocorre o V Encontro Nacional sobre o Ensino de Sociologia na Educação Básica (ENESEB), na UnB. O evento contará com palestras, mesas-redondas, oficinas, GT’s, exibição de documentários, homenagens a personalidades intelectuais/defensoras dos espaços do ensino da sociologia e atividades culturais.
O ENESEB chega na sua quinta edição e se propõe a discutir os sentidos e os rumos do ensino e da disciplina de Sociologia na escola, notadamente no ensino médio, assim como propor reflexões acerca de aspectos da formação docente e do papel da Universidade nesse processo. Este tema se torna ainda mais relevante em tempos em que há uma controvérsia no país sobre a atual Reforma do Ensino Médio com implicações para a manutenção das ciências sociais como conteúdo obrigatório na grade curricular do ensino básico.
Dúvidas são esclarecidas no e-mail: inscricoes@aconteceeventos.com.br .
 
Clique aqui e confira a programação completa.

CNBB ajuda a convocar atos em defesa da democracia, que ocorrerão nesta quinta-feira

Um documento divulgado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), traz uma mensagem que incentiva à convocação dos fiéis para atos de apoio à democracia, que ocorrerão em todo o país nesta quinta-feira (20/7).
No Distrito Federal, a CUT Brasília, sindicatos filiados, partidos políticos e movimentos sociais participarão deste grande ato , em solidariedade ao presidente Lula, contra as reformas golpistas, por “Fora Temer” e “Diretas Já!”.
A mobilização acontece a partir das 17h, na Praça dos Três poderes.
Confira abaixo a íntegra do comunicado da CNBB:
Confrades e confreiras,
Mais uma vez, dirijo-me por meio de circular voltada aos integrantes da Rede Brasileira Justiça e Paz com a intenção de expressar minha inquietude face aos dramas vividos na sociedade brasileira: violência, desemprego, precarização dos direitos do trabalho e humanos.
Importa lembrar que há poucos dias foi aprovada a Reforma Trabalhista, questionada pelo movimento sindical, parcelas expressivas da sociedade e da Justiça do Trabalho, que a veem como uma tentativa de jogar nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras os custos da crise econômica, bem como aumentar ainda mais os lucros do capital.
Como se não bastasse, verifica-se o desmonte dos instrumentos econômicos do estado em beneficio do mercado nacional e internacional, num claro atentado à soberania nacional.
A imprensa internacional mostra perplexidade com o país que em trinta anos foi capaz de promulgar uma Constituição moderna, garantir a estabilidade econômica, incluir milhões de brasileiros e brasileiras socialmente, respeitar a biodiversidade e, apesar dos limites, reconhecer os direitos historicamente negados aos indígenas e às comunidades negras e quilombolas, para, nos últimos tempos, tornar-se um país visto pela comunidade internacional como um “pária” no que diz respeito a segurança jurídica, respeito aos direitos humanos e das florestas, estas entregues ao jogo político de relações não republicanas entre executivo e legislativo.
O judiciário, que muitas vezes tem se revelado um “Oásis” da República, infelizmente, em algumas sentenças, deixa-se contagiar por interesses não republicanos, perdendo-se assim a necessária segurança jurídica.
Em maio deste ano, a CNBB convidou as pessoas de boa vontade para um momento de oração pelo Brasil, a ser realizado em nossas comunidades, por ocasião do Corpus Christi. Soube que as Comissões Justiça e Paz de nossa rede se irmanaram à iniciativa de nossos bispos.
Amanhã, 20 de julho, em muitos lugares haverá manifestações em defesa dos direitos sociais, da democracia e pela justiça.
Convido-os a, quando possível, fortalecer esses atos, e, tendo em vista a nossa identidade eclesial, promover momentos de oração e reflexão, evidentemente aberta ao diálogo ecumênico e a diversidade religiosa.
Que nesse momento triste, marcado por injustiças e violências, seja para nós um tempo favorável de renovação da esperança, alimentando-nos do espírito das bem aventuranças!
Brasília, 19 de julho de 2017
Carlos Moura
Secretário Executivo
Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB
Com informações do Brasil 247
 

Reposição dos dias letivos da greve segue conforme calendário escolar

Em respeito ao compromisso assumido pela categoria na reposição dos dias letivos da greve, os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais seguem com a reposição das aulas nas escolas públicas do Distrito Federal. É importante lembrar que o movimento paredista teve início no dia 15 de março, com retorno das atividades normais no dia 17 de abril. Somando com a paralisação do Dia Internacional da Mulher (8 de março), que será reposto juntamente com os dias da greve, são, portanto, 23 dias letivos, que já estão sendo repostos pela categoria. As reposições seguem até este sábado (22).
Uma das grandes preocupações da categoria foi em fazer uma reposição de conteúdo e de qualidade. Esta preocupação é partilhada pelo professor Ricardo Gama, da Escola Classe 16 de Sobradinho. “O compromisso que assumimos para o término da greve foi em fazer uma reposição de conteúdo e de qualidade. Neste sábado encerraremos estas reposições com as turmas totalmente cheias”, salienta o professor, complementando que “os dias parados não prejudicaram o conteúdo pedagógico dos alunos”.
Para a professora Kelly Nunes da Silva, da Escola Classe 14 de Sobradinho, uma das preocupações foi com a presença dos estudantes. “Fizemos reuniões com os pais e deixamos claro que o direito do professor em fazer greve é sagrado, assim como é direito de cada um deles não abrir mão da reposição das aulas. Para isto precisávamos da ajuda deles em levar os estudantes. Esta foi a maior preocupação, mas na somatória fizemos uma reposição de bastante qualidade”, salienta a professora.
Os professores e estudantes seguem até o final desta semana com suas atividades pedagógicas, quando começarão o recesso escolar no domingo (23).

ONU Mulheres lança currículo de gênero para conscientização nas escolas

Por meio da iniciativa “O Valente não é Violento”, que atua pelo fim de estereótipos de gênero e comportamentos machistas, a ONU Mulheres lança um currículo para conscientizar meninos e meninas sobre o direito das mulheres de viverem uma vida livre de violências e descriminações.

Veja aqui a proposta de currículo.

Materiais: 

1. Proposta de currículo educativo
2. Plano de aula: sexo, gênero e poder
3. Plano de aula: Violências e suas Interfaces
4. Plano de aula: Estereótipos de Gênero e Esportes
5. Plano de aula : Estereótipos de Gênero, Raça/Etnia e Mídia
6. Plano de aula: Estereótipos de Gênero, Carreiras e Profissões: Diferenças e Desigualdades
7. Plano de aula: Vulnerabilidades e Prevenção
Além do currículo, também são ofertados seis planos de aula com as seguintes abordagens: Sexo, gênero e poder; Violências e suas Interfaces; Estereótipos de Gênero e Esportes; Estereótipos de Gênero, Raça/Etnia e Mídia; Estereótipos de Gênero, Carreiras e Profissões: Diferenças e Desigualdades; Vulnerabilidades e Prevenção.
A proposta parte do reconhecimento das instituições de ensino como espaços privilegiados para uma formação de meninos e meninas para o exercício da cidadania, considerando seu papel central na promoção de mudanças sociais.
A elaboração do currículo, segundo a ONU Mulheres, levou em consideração os marcos legais e políticos que apontam para a necessidade da inclusão de discussões desses temas no espaço escolar e de experiências de trabalho capitaneadas pelas políticas públicas e por organizações da sociedade civil.
O programa também considera as diretrizes do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM 2013-2015), que apontam para a necessidade de promover a inserção de temas voltados para a igualdade de gênero e valorização das diversidades nos currículos, materiais didáticos e paradidáticos da educação básica. O PNPM destaca entre os seus objetivos a necessidade de “consolidar na política educacional as perspectivas de gênero, raça, etnia, orientação sexual, geracional, das pessoas com deficiência e o respeito à diversidade em todas as suas formas, de modo a garantir uma educação igualitária e cidadã”.
Para a ONU Mulheres, a inclusão de discussões sobre as temáticas de gênero nos currículos é necessária para a formação de professoras e professores do ensino médio, favorecendo análises e processos de reflexão sobre as desigualdades de gênero, étnico- racial e geracional, bem como diversidade sexual, identidade de gênero e violências.
Educadoras, educadores e organizações que quiserem saber mais sobre o currículo da ONU podem entrar em contato pelo email ovalentenaoeviolento@gmail.com
(do Centro de Referências da Educação Integral)

Sinpro e SEE definem data limite para a reposição do dia 30/06

O Sinpro já negociou a reposição das aulas do dia 30/06, quando ocorreu a greve geral. As escolas devem fazer a reposição deste dia até o dia 2 de setembro.
A Secretaria de Educação informou que irá providenciar o ajuste na folha de pagamento referente a esta data.
 

Lei trabalhista: inconstitucionalidades podem criar batalha jurídica

A nova lei permite que o trabalhador negocie com o patrão pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como férias e jornada de trabalho. O que for decidido valerá mais que a legislação. São introduzidas novas modalidades de trabalho como o trabalho remoto e o contrato intermitente, conhecido como trabalho zero hora. Nessa situação, o trabalhador fica à disposição do empregador e só recebe o tempo que trabalhar.
Inconstitucional

“Essa tese do ministro de que a lei vale para todos os contratos é manifestamente inconstitucional porque o artigo 5º da Constituição Federal diz que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, afirmou Magnus.
Ele deu o exemplo de um trabalhador que tenha a tempo parcial, que pelas regras atuais tem uma jornada semanal de até 25 horas.
“Pela interpretação do ministro, esse trabalhador teria agora, pelas novas regras que prevêem até 30 horas de jornada semanal, cumprir horas a mais de trabalho”, informou.
Na opinião de Magnus, “Isso viola o princípio do direito adquirido. Se fui contratado em 25 horas semanais porque havia uma lei não pode vir uma outra lei depois e alterar as bases do contrato para que eu trabalhe 30 horas, inclusive piorando as minhas condições de trabalho”.
Batalha jurídica

O exemplo citado por Magnus é apenas uma das inconstitucionalidades que vem sendo apontadas na Lei 13.467, de 13 de julho de 2017 que altera mais de 100 pontos da CLT.
O Procurador chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ronaldo Fleury, declarou na sexta-feira (14) que o órgão estuda ingressar com uma Ação Direita de Inconstitucionalidade (Adin) contra as alterações na CLT.
“Vai haver uma batalha jurídica com toda certeza até porque existem várias inconstitucionalidades previstas dentro do projeto que podem ser arguidas com o ingresso de uma Adin e através de ações individuais”, completou Magnus.
Segundo ele, o ingresso com uma Adin pode resultar em uma liminar pelo ministro relator da ação determinando a suspensão de determinado dispositivo da lei até o julgamento do mérito”, esclareceu.
Mobilização

Nesta terça-feira (18), haverá uma reunião das assessorias jurídicas das centrais para debater a forma de contestar as inconstitucionalidades previstas na lei recém-sancionada. No dia seguinte, o fórum das centrais se reúne para debater os próximos passos para resistir à implementação da reforma.
(do Vermelho)

"Temos duas educações: uma para a elite e outra para o povo"

Dora Incontri é jornalista pela Cásper Líbero, mestre, doutora e pós-doutora em Filosofia da Educação pela USP, sendo hoje uma das maiores autoridades do País na defesa de uma grande reforma da educação que considere o ser humano em sua integralidade, proposta baseada em autores como Comenius, Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi, objeto de suas pesquisas acadêmicas.
A sua proposta educacional, que vem procurando aplicar na Universidade Livre Pampédia, da qual é coordenadora geral, envolve, por exemplo, uma perspectiva interdisciplinar, o desenvolvimento da espiritualidade e a autonomia do ser.
CartaCapital: Você poderia falar um pouco sobre a Universidade Livre Pampédia e a influência de Comenius?
Dora Incontri: Comenius foi um educador e pensador visionário do século XVII, que pretendia uma educação universal, integral e plural. Tinha um projeto de paz mundial, foi o idealizador de um órgão internacional pela paz, portanto, um precursor da ONU, e queria também uma língua internacional. Zammenhof se inspirou nele para criar o Esperanto.
A Universidade Livre Pampédia se pretende um espaço alternativo de educação, em nível superior, cujo objetivo é favorecer vivências pedagógicas diferentes para adultos e ao mesmo tempo divulgar ideias de transformação pedagógica e social.
A integralidade e a interdisciplinaridade propostas por esse projeto de Universidade Livre é inspirada em Comenius; assim, também inclui a dimensão espiritual do ser humano. Ou ainda, inclui dar voz às diferentes correntes de pensamento – tradições espirituais diversas, vertentes filosóficas espiritualistas ou materialistas – num diálogo aberto e aprofundado.
As Universidades convencionais têm guetos ideológicos onde não se pode penetrar com ideias diferentes – o pesquisador é obrigado a direcionar suas produções dentro da camisa de força imposta pelo orientador, pelo departamento, pelo grupo a que o pesquisador pertence. Não há liberdade de pensamento e de produção. É tudo muito engessado e fechado. Por isso, a ideia de uma Universidade Livre.
Além disso, eu trabalho com formação de educadores há muitos anos e percebi que só a aprendizagem de teorias de uma educação diferente da tradicional não adianta. É preciso que as pessoas experimentem por si mesmas, como alunos-sujeitos, uma educação alternativa, para poderem praticar ideias novas.
CC: Como descobriu Comenius, quem dá, inclusive, nome à sua editora?
DI: Quando estava fazendo minha dissertação de mestrado na USP, sobre o educador suíço Pestalozzi, pesquisei na Alemanha e na Suíça e me lembro que um professor da Universidade de Nurembergue me disse: “se você quiser entender Pestalozzi, leia Comenius.”
Eu nunca tinha ouvido falar de Comenius. E conforme fui lendo suas obras, fui ficando encantada com sua atualidade, com sua profundidade. Hoje, quando se fala brevemente em Comenius nas faculdades de Pedagogia no Brasil, costuma-se apresentá-lo, de modo superficial, como pai da didática.
No entanto, suas ideias são muito mais amplas e não se trata de um conceito reducionista de didática; envolvem um conceito de ser humano integral e integrado, uma concepção de educação universal e permanente, que deve realizar o ser humano em suas dimensões cognitivas, morais, políticas, afetivas, sociais e espirituais.
Ele apresenta também uma ideia de pansofia – que poderíamos traduzir como sabedoria de tudo, entendendo que tudo está conectado no universo e, portanto, temos que procurar desvendá-lo, interligando nossos instrumentos de interpretação do mundo: a razão, a observação, a revelação… portanto, a filosofia, a ciência, a espiritualidade.
CCDiante da quantidade de informações existente hoje, seria realmente possível ensinar tudo a todos? Essa não seria uma bandeira mais bem aplicada quando Comenius viveu, período no qual a maior parte da população sequer era alfabetizada?
DI: Ao contrário. Somente hoje, com a internet e a disponibilização aberta do conhecimento, é que se pode oferecer o acesso a esse “tudo” a que se referia Comenius. Quando ele propunha essa espécie de slogan, pensava na democratização do conhecimento e não que todos tivessem que saber tudo. Tinha muitas ideias interessantes a respeito, algumas das quais só são possíveis de realizar num mundo global, interconectado e virtual, como este em que vivemos.
Essas ideias estão no livro de sua autoria que, pela primeira vez publicamos no Brasil, em 2014, Pampédia. Uma obra-prima que, claro, têm seus contextos históricos, mas que também traz muitas propostas ainda atuais e necessárias. Temos um outro livro publicado pela Editora Comenius, de Luis Colombo, que trata dessa questão de como só o mundo virtual pode traduzir plenamente a ideia comeniana: Comenius, a Educação e o Ciberespaço.
CCVocê entende que há uma linha de continuação em Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Rivail? O que os une?
DI: Eu defendi essa linha de descendência intelectual em minha tese de doutorado na USP – sobre Pedagogia Espírita – e ela não é de jeito nenhum arbitrária. É histórica, em primeiro lugar, porque Hippolyte Léon Denizard Rivail (depois Allan Kardec) estudou com Pestalozzi no castelo de Yverdon e foi mais tarde divulgador de sua pedagogia na França.
Pestalozzi, por sua vez, cita textualmente em suas obras sua dívida para com Comenius e Rousseau. Há várias ideias comuns que perpassam esses autores. Vou citar algumas: foram eles que firmaram, muito antes de Piaget, a concepção de que a criança é um ser em desenvolvimento e precisa ser observada e tratada como tal. Antes desses grandes educadores, as crianças eram consideradas adultos em miniatura.
Todos eles também encaravam a educação como instrumento de transformação social. Estavam preocupados com as injustiças sociais de suas respectivas épocas – como devemos estar também ainda hoje, porque, infelizmente, as injustiças continuam – e desejavam uma sociedade melhor.
Eles também enxergavam na educação um meio de viabilizar o projeto de um mundo mais igualitário e fraterno. Todos também propunham para isso uma educação diversa da tradicional, que vem sendo praticada até hoje, uma espécie de formatação do ser humano para a submissão e o trabalho no mercado.
Eles queriam uma educação em que a criança pudesse desenvolver suas potencialidades de maneira autônoma, integral, com liberdade e afeto. Comenius trata mais da integralidade. Pestalozzi e Rivail o seguem. Rousseau trabalha muito a ideia de liberdade e Pestalozzi foi o grande introdutor do afeto na educação. Ele próprio, amorosíssimo, fez do amor pedagógico um dos pilares de suas práticas.
CCConsiderando que o foco na experiência, e no desenvolvimento das faculdades naturais por meio dela, era um dos pilares da educação daqueles autores; a educação dogmática, teórica e abstrata do Brasil seria bastante contrária à proposta deles e um dos seus principais problemas?
DI: Difícil dizer quais os principais problemas da educação no Brasil. Mas, pincemos alguns, que saltam à vista. Primeiro, desde a chegada dos portugueses aqui, sofremos de duas doenças crônicas:
1) não somos uma sociedade que valoriza a educação, por isso, não há investimentos, vontade, muita gente engajada em trabalhar por uma educação melhor…
2) temos duas educações: uma para a elite e outra para o povo, que permanece sem acesso a uma escola minimamente de qualidade. Esforços aqui e acolá, idealistas e militantes aqui e ali, mas, no grosso, temos uma elite educada em escolas razoáveis – apesar de que não formam integralmente, nem eticamente, nem com autonomia e pensamento crítico – e temos uma escola pública de má qualidade, porque não interessa aos poderes instituídos que a população aprenda a pensar.
Durante alguns períodos da história, houve uma escola pública melhor, quando a classe média a frequentava, mas estamos vivendo um momento sombrio em que o que restava de uma proposta de escola pública um pouco razoável está sendo desmontado por esse (des)governo, que chegou para deixar um marco escuro na história do Brasil.
Isso, quanto aos aspectos políticos e sociais da educação brasileira, quanto aos métodos de ensino, quanto à maneira como é feita a escola, sejam as públicas, sejam as particulares, a quase totalidade delas está dentro do modelo tradicional, com lousas, carteiras enfileiradas, provas, notas, aulas desinteressantes e descontextualizadas de 50 minutos – escolas em geral feias, sem verde, sem liberdade de escolha, chatas e completamente fora do século XXI. Para, de fato, mudar o Brasil pela educação, temos que torná-la nossa prioridade, familiar, pessoal, coletiva, social, política e temos que reinventar a escola. E a escola tem que ser centrada no ser humano, no seu desenvolvimento, e não no conteúdo, no vestibular, no mercado…
(da Carta Capital)

50 senadores aprovam reforma trabalhista e jogam o Brasil na “idade das trevas”

Nesta quarta-feira (12), o Brasil amanhecerá mais pobre, mais desumano e mais infeliz. É que com 50 votos favoráveis e 26 votos contrários, os senadores aprovaram a reforma trabalhista (PLC 38/2017), rejeitaram todas as emendas e, agora, o texto-base segue para a sanção presidencial.
Com isso, um governo federal ilegítimo começa a desmontar a legislação que regeu, regulou e humanizou as relações trabalhistas que prevaleceram no Brasil desde 1943, quando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sancionada para combater o subemprego, os baixos salários, as longas jornadas e as condições precárias de trabalho e a completa falta de direitos trabalhistas a que a classe trabalhadora era submetida desde a descoberta do Brasil até meados do século XX.
A aprovação do texto-base da reforma exigida pelos empresários e mercado financeiro estava prevista para acontecer na manhã desta terça-feira (11), mas só ocorreu no início da noite porque cinco senadoras da oposição ao governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), autor da proposta que retira direitos trabalhistas e impõe o negociado sobre o legislado, ocuparam a Mesa do Plenário e durante 8 horas seguidas permaneceram ali , impedindo o desmonte das leis de proteção ao trabalhador.
Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) tentaram barrar ao maior roubo de direitos trabalhistas já visto no Brasil nos últimos 74 anos, quando a CLT foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas. Contudo, apesar das denúncias e da resistência, os senadores que apoiam e praticam essa agenda neoliberal conseguiram reverter a situação.
Do lado de fora e em frente ao Congresso Nacional, lideranças sindicais e dos movimentos sociais faziam pressão. Durante o dia, realizaram uma passeata pela Esplanada dos Ministérios e concentraram as atividades de protestos em frente ao Congresso. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) Brasil tentou assegurar a entrada dos sindicalistas nas galerias do Plenário do Senado com o ingresso de um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o Supremo acatou em parte e não autorizou a entrada das representações da classe trabalhadora à Casa do Povo. A pressão se concentrou no gramado.
Representantes do alto empresariado nacional e internacional e do mercado financeiro, os políticos ignoraram as grandes mobilizações nacional contra esta reforma e a reforma da Previdência. Comprometidos com esses setores da economia, jogaram duro para aprovar essa e as demais reformas em curso. Valeu de tudo, principalmente, contrainformação por meio da mídia. Nesta terça, em razão da resistência das senadoras, ameaçaram realizar a votação à revelia dos parlamentares que votaram contra, em outra dependência do Congresso Nacional.
O impasse começou por volta do meio-dia. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, interrompeu a sessão que estava sendo presidida pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN) e, bastante irritado, arrancou o microfone da lapela do vestido da senadora e anunciou que a sessão estava suspensa “até que eu volte ocupar a cadeira da presidência”.
Imediatamente, a TV Senado interrompeu a transmissão ao vivo do Plenário e passou a transmitir uma reunião da Comissão de Educação, Cultura e Esporte.  Do lado de fora do Congresso Nacional, centenas de trabalhadores e trabalhadoras, sindicalistas e lideranças de movimentos sociais protestavam contra a reforma.
Importante lembrar que em todas as audiências públicas foram palcos de apresentação de estudos e pesquisa sérios sobre reforma trabalhista, nos quais especialistas de universidades federais públicas, institutos de pesquisa, Ministério Público do Trabalho (MPT) e de todas as instituições respeitadas que analisam e estudam a economia e as relações de trabalho do país, como o Dieese, Diap, e até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU), afirmaram, insistentemente, que esta reforma irá trazer drásticos prejuízos para a população brasileira, sobretudo para as mulheres e as gerações futuras.
Sem nenhuma interlocução com a população trabalhadora, os senadores avançam no projeto neoliberal e na agenda negativa que desmonta a Nação, desconstrói a Constituição Federal e demais legislações que protegem os trabalhadores do país das relações escravocratas e impõe um retrocesso de mais de dois séculos às relações de trabalho brasileiras.
Durante a votação, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e presidente nacional do PT, que resistiu ao longo de toda a tarde na Mesa da Presidência do Senado, impedindo a votação da reforma trabalhista, fez um discurso duro aos senadores logo que a sessão foi retomada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
“A maioria aqui é empresário, tem dinheiro. Os senhores deveriam se envergonhar do que estão fazendo”, disse. E continuou: “É vergonhoso o que estamos vivendo, que Deus nos perdoe e o povo brasileiro também pelo que estamos fazendo aqui. E tenho certeza que o povo dará sua resposta nas urnas”, afirmou.
Gleisi lembrou que os parlamentares aliados ao governo “já rasgaram a Constituição e agora querem acabar com os direitos dos trabalhadores”. Eunício Oliveira, senador pelo PMDB e empresário agropecuarista e eleito no Estado do Ceará com campanha financiada por várias construtoras deixou o Plenário por mais de 4 horas no escuro e sem microfones, repetindo a velha postura já vista no período inicial da ditadura instituída em 1964.
A reforma trabalhista do interesse dos empresários prosseguiu para votação das emendas, as quais foram todas rejeitadas e seguiu para a sanção do presidente ilegítimo Michel Temer, primeiro presidente da República do Brasil prestes a ser preso por crime comum.
Confira aqui os prejuízos que esta reforma irá trazer para a classe trabalhadora brasileira:
Classe trabalhadora de luto: assassinaram nossos direitos
OIT condena Reforma Trabalhista brasileira
Confira fotos da manifestação contra a reforma trabalhista na Esplanada dos Ministérios nesta terça (11):

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