IBGE: Taxa de desemprego fica em 11,1% e atinge 11,9 milhões de trabalhadores

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

 

O índice de desemprego no país de janeiro a março deste ano se manteve estável em relação ao último trimestre de 2021, mas o número de trabalhadores e trabalhadoras desempregados, desalentados – que não procuram mais por estarem cansados de não conseguir um emprego– e os subutilizados continua muito alto.

No trimestre de janeiro a março de 2022, o total de desempregados no país foi de 11,9 milhões de trabalhadores, ou 11,1% da população em idade de trabalhar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), divulgada nesta sexta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil teve o menor índice de desemprego de 6,5%, em 2014, no governo de Dilma Rousseff (PT). Desde o golpe as taxas estão acima de dois dígitos. A taxa divulgada nesta quinta é a mesma do último trimestre do ano passado (outubro a dezembro/2021).  

A PNDA mostra também que a renda média do trabalhador ficou estável. No período anterior era de R$ 2.510 e agora está em R$ 2.548. Mas em relação a janeiro e março de 2021, a renda não se recuperou e está negativa em – 8,7%. Este valor é o mais baixo desde 2012, quando a pesquisa começou a ser feita também no governo Dilma.

A massa de rendimento real habitual (R$ 237,7 bilhões) não teve variações estatisticamente significativas em ambas as comparações.

A pesquisa demonstra ainda que têm indicadores com pequena melhora, outros se mantiveram ou pioraram, quando comparados com o último trimestre de 2021. (veja abaixo).

Ao analisar os dados da PNAD/Contínua, a técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino vê com pessimismo a recuperação do mercado de trabalho no país.

“Apesar da estabilidade, os números demonstram que não há um sinal evidente de recuperação do mercado de trabalho. O desemprego, a informalidade se mantiveram em patamares altos e a renda sofreu uma queda forte em relação ao ano passado”, analisa.

Indicador/Período Jan-Fev-Mar 2022 Dez-Nov-Out 2021   Jan-Fev-Mar 2021
Taxa de desocupação  11,1% 11,1% 14,9%
Taxa de subutilização  23,2% 24,3% 29,6%
Rendimento real habitual  R$ 2.548 2.510 R$ 2.789
Variação do rendimento habitual em relação à:   1,5% -8,7%

 Já a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, analisa que a estabilidade na taxa de desemprego é explicada pelo fato de não haver crescimento na busca por trabalho no trimestre.

“Se olharmos a desocupação em retrospecto, pela série histórica da pesquisa, podemos notar que, no primeiro trimestre, essa população costuma aumentar devido aos desligamentos que há no início ano. O trimestre encerrado em março se diferiu desses padrões”, destacou em entrevista ao G1, acrescentando a queda do número de ocupados no 1º trimestre foi bem menor do que a média observada em anos anteriores.

Demais índices

População ocupada

A população ocupada diminuiu em 472 mil pessoas (-0,5%), com 95,3 milhões de pessoas, frente ao trimestre anterior e subiu 9,4% (mais 8,2 milhões de pessoas) ante igual período de 2021.

O nível da ocupação na população em idade de trabalhar foi a 55,2%, queda de 0,4 % frente ao trimestre anterior (55,6%) e alta de 4,3 % comparado ao mesmo período do ano anterior (50,9%).

Subutilização

A taxa composta de subutilização (23,2%) caiu 1,1% . ante o trimestre anterior (24,3%) e 6,4 % em relação a igual trimestre de 2021 (29,6%).

A população subutilizada (26,8 milhões de pessoas) caiu 5,4% (menos 1,5 milhão ) contra o trimestre anterior (28,3 milhões ) e 20,3% (menos 6,8 milhões) frente a igual trimestre de 2021 (33,7 milhões de pessoas).

Insuficiência de horas trabalhadas

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (6,5 milhões) caiu 11,7% ante o trimestre anterior (redução de 860 mil pessoas) e 8,2% comparado ao mesmo trimestre de 2021, em que havia no Brasil 7,1 milhões de pessoas subocupadas.

Fora da força de trabalho

A população fora da força de trabalho (65,5 milhões de pessoas) cresceu 1,4% (mais 929 mil pessoas) ante o trimestre anterior e caiu 4,8% (menos 3,3 milhões de pessoas) no ano.

Desalento

A população desalentada (4,6 milhões de pessoas) caiu 4,1% (menos 195 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e recuou 22,4% (menos 1,3 milhão de pessoas) ante igual trimestre de 2021.

O percentual de desalentados na força de trabalho (4,1%) ficou estável em relação ao trimestre anterior (4,3%) e caiu 1,4 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2021(5,5%).

Carteira assinada

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (menos trabalhadores domésticos) foi de 34,9 milhões de pessoas, alta de 1,1% (mais 380 mil pessoas) ante o trimestre anterior e 10,7% na comparação anual (mais 3,4 milhões de pessoas).

Sem carteira assinada

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (12,2 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e subiu 19,3% (2 milhões de pessoas) frente a igual período de 2021.

Por conta própria

O número de trabalhadores por conta própria (25,3 milhões de pessoas) caiu 2,5% na comparação com o trimestre anterior (menos 660 mil pessoas) e aumentou 7,3% (mais 1,7 milhão de pessoas) frente ao mesmo período do ano anterior.

Trabalho doméstico

O número de trabalhadores domésticos (5,6 milhões de pessoas) ficou estável no trimestre e subiu 19,0% (mais 895 mil pessoas) no ano.

Informalidade

A taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores informais. No trimestre de outubro a dezembro, a taxa havia sido de 40,7% e, no mesmo trimestre de 2021, 39,1%.

 

Com informações do IBGE

Para reconstruir o país é preciso derrotar Bolsonaro nas urnas, diz Sérgio Nobre

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Portal da CUT – Escrito por: Andre Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

Os retrocessos sociais e trabalhistas impostos desde o golpe de 2016 e o que é preciso fazer para que o país retome a rota do desenvolvimento sustentável com justiça social e emprego decente foram os temas de uma entrevista concedida pelo presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, ao jornalista André Barrocal, da Carta Capital, na tarde desta sexta-feira (29). O dirigente reforçou que o cenário atual não deixa dúvidas de a luta da classe trabalhadora tem que ser voltada para derrotar o governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável direto por um dos piores momentos da história do Brasil.

E o emblemático 1° de Maio de 2022, que será celebrado no próximo domingo em todo o país e cujo ato principal acontecerá em São Paulo, tem a função de ser um dia em que o diálogo com a população será fortalecido, conscientizando os trabalhadores sobre a realidade.

“O momento é dramático. Hoje, um terço da população brasileira ou está sem emprego ou perdeu a esperança no futuro. Ou ainda tem empregos insuficientes, os bicos. Estamos vendo a volta da pobreza, famílias inteiras nas ruas pendido ajuda e do outro lado, um governo de extrema direita que ataca a democracia e suas instituições, defende a ditadura abertamente. Por isso, as centrais se uniram e estarão na Praça este domingo”, disse Sérgio Nobre, na entrevista.

E, para ele, o Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora é uma data simbólica para estabelecer essa conexão com a classe trabalhadora. “O sentindo é ser um dia em que o movimento sindical, unido, lembre conquistas históricas de direitos, que vieram com luta e ser também um momento em que a gente prepara as lutas do futuro”, afirmou o presidente da CUT.

“Precisamos debater o porquê de estarmos nessa situação e que a saída é a derrota de Bolsonaro”, disse o dirigente sobre a realização do 1° de Maio unitário. E para esse debate, o ato em São Paulo contará com presença de importantes lideranças não só do meio sindical como dos meios político, acadêmico e artístico. O ex-presidente Lula já confirmou presença.

Economia que destrói o orçamento dos brasileiros

Dados do Dieese apresentados durante a entrevista, mostram que o salário médio hoje é de R$ 2.548. É a menor média salarial desde 2012 (R$ 2.581), mas o poder de compra dos brasileiros era maior do que hoje em dia. A queda da média salarial geral se deve ao fim da política de valorização do salário mínimo, implantada durante o governo Lula após articulação da CUT, que elaborou a proposta, e das demais centrais sindicais que aderiram à causa. Isso porque, à medida que o salário mínimo crescia, os trabalhadores conseguiam aumentar seus pisos nas campanhas salariais o que acabou beneficiando milhões de famílias.

“Houve uma mudança no comportamento e na ação do Estado em relação a isso. Por muito tempo economistas [da direita] falaram que o mínimo não poderia aumentar acima da inflação porque ia onerar a Previdência e gerar desemprego…mas quando o salário cresceu, pessoas compraram mais, a indústria produziu mais e contratou mais e ainda vimos que a Previdência se fortaleceu”, disse Sérgio Nobre.

Porém, ele prossegue, “na cabeça” do golpista Michel Temer (MDB) e de Bolsonaro, que deram início à derrocada econômica do país, a ideia é cortar salários, não permitir que cresçam acima de inflação e, para completar o pacote, “para gerar mais emprego, tem quer ser precário, sem direitos e que a CLT era um entrave para a geração de novos postos”.

Por isso, aprovaram a reforma Trabalhista em 2017, que retirou mais de cem itens da legislação conquistados ao longo de mais 70 anos de lutas.

A gente sabe que o que gera emprego é crescimento econômico e se não tem demanda, podem revogar a Lei Áurea. Não vai ter trabalho. O que gera emprego é desenvolvimento

– Sérgio Nobre

O presidente Nacional da CUT também comentou que Bolsonaro, na verdade só “tem dó” de empresários”. O atual mandatário chegou a declarar em um evento da Confederação Nacional das Indústrias (CN) que ser empresário no Brasil é “quase como um castigo”.

“Castigo nesse país é ser pobre”, rebateu Sérgio Nobre.

Cesta Básica

Outros dados do Dieese mostraram que, em 2018, o preço da cesta básica em São Paulo era de R$ 471 e correspondia a 53% do valor do salário mínimo. Em 2022, a cesta básica já custa R$ 761 e come 61% do salário.

“Abriu-se mão de uma política de segurança alimentar em prol da regulação do mercado”, disse Sérgio Nobre ao reforçar que o país precisa de uma política que faça com que a cesta básica chegue aos brasileiros com preços baratos.

Sérgio ainda citou a situação de mais de 20 milhões de pessoas que não têm recursos financeiros para sequer usar o transporte público para procurar emprego, por isso, defendeu a inciativa de um vale transporte social que atenda a essa demanda.

Combustíveis

Outro vilão da inflação, o aumento abusivo dos preços dos combustíveis foi outro assunto da conversa. Sérgio Nobre destacou, inclusive, que este, junto outros pontos de reivindicação fazem parte da Pauta da Classe Trabalhadora, documento elaborado pelas centrais como propostas a serem entregues a candidatos para que se comprometam com os interesses dos trabalhadores.

Próximo governo

Além de ter de reorganizar a economia do país, combatendo a inflação, o próximo presidente, de acordo com Sérgio Nobre, terá outros desafios importantes. Ele citou a legislação trabalhista, destruída pela reforma de 2017, e a chamada nova classe trabalhadora, um segmento da população que foi jogado à informalidade, além de pequenos empreendedores e trabalhadores que lidam com novas tecnologias.

Questionado sobre os rumores espalhados pela grande imprensa com intuito de tumultuar o cenário eleitoral e prejudicar Lula, de que, se ex-presidente for eleito, revogará a reforma, o presidente da CUT foi enfático ao dizer que a intenção não é revogar, porque o país voltaria a ter as mesmas leis de antes e as novas relações de trabalho exigem uma ‘atualização’, com proteção social a estes profissionais.

“Essa nova classe trabalhadora precisa ser incorporada. Sou contra a revogação [da reforma Trabalhista], mas precisamos de uma reforma que coloque o Brasil em um patamar de proteção social”, disse o dirigente, que questionou: “Vamos continuar com emprego precário?”, e respondeu:   “Queremos coisa nova”.

Ao defender a candidatura de Lula, afirmando que o ex-presidente é o único com reais condições de derrotar Bolsonaro e que está preparado para reconduzir o Brasil porque tem experiência para isso, Sérgio Nobre destacou que não basta vencer a eleição para o executivo. É preciso, ele diz, renovar o Congresso Nacional com deputados e senadores progressistas que defendam a classe trabalhadora. Ele exemplificou a atual configuração em que a maioria dos parlamentares é de bancadas ligadas as elites conservadoras. “Não temos muitos sindicalistas e precisamos deles lá”, disse.

“Trabalhador tem que votar trabalhador. É na Câmara que perdemos direitos e esses espaços é que temos que ocupar. Ano passado milhões foram as ruas [em protesto contra o governo] e têm capacidade de mobilização. Mas no Congresso, dá pra contar nos dedos quantos são”, disse Nobre se referindo a representes de trabalhadores.

Por fim Sérgio foi questionado por uma internauta sobre quanto tempo Lula, de eleito, demoraria para reconstruir o Brasil. Ao responder, o dirigente afirmou que o país foi muito maltratado nos últimos anos, mas o povo brasileiro continuou de pé e esse é um fator que faz com que uma recuperação seja, de certo modo, rápida.

“O Brasil é igual a natureza. Se parar de destruir, ela se recupera em poucos anos. Se fizer tudo certinho e tenho certeza que Lula fará, com apoio da classe trabalhadora a gente reconstrói rapidamente. Em dois anos, com Lula, o Brasil é outro”, finalizou.

Confira a integra da entrevista

Fonte: CUT

Preço do combustível é o maior responsável pelo aumento de quase 5% na conta de luz

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

Os consumidores residenciais e industriais já devem começar a pagar a mais pelo reajuste nas tarifas de energia, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aprovar seu orçamento de 2022 da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O preço do combustível, reajustado pela Petrobras com base na Política de Preços Internacionais (PPI), que leva em consideração os aumentos dos barris de petróleo e a cotação do dólar, é o maior responsável pelo aumento de quase 5% nas contas de luz.

No orçamento da Aneel, está previsto um gasto de R$ 32,1 bilhões – 54% a mais do que o atual – de subsídios para a Conta de Desenvolvimento Energético, um fundo usado para bancar ações e subsídios concedidos pelo governo no setor de energia. Deste total,  R$ 30,2 bilhões serão pagos pelos brasileiros.

Para bancar o aumento, a Aneel vai reajustar em 4,65% as tarifas de energia dos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e em 2,41% as tarifas nas regiões Norte e Nordeste. Na média nacional, o reajuste será de 3,39%.

Para justificar o aumento, a Agência culpa os aumentos nos preços dos combustíveis e o cadastro automático da tarifa social de energia que teve mais 700 mil famílias cadastradas.

O engenheiro elétrico da Eletrobras, Ikaro Chaves, desmonta a argumentação da Aneel. Segundo ele, esse percentual nada mais é do que incompetência do governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela PPI, que o ilegítimo Michel Temer (MDB) criou e ele manteve, pela falta de políticas efetivas para o setor e decisões contrárias aos interesses do Brasil e dos brasileiros, aliada à escassez hídrica do ano passado.

“O modelo energético atual de utilização de termoelétricas à base de combustíveis como óleo diesel, faz o brasileiro pagar mais caro por uma conta que não deveria pagar”, explica.

O peso na conta de luz é provocado pela política de preços internacional da Petrobras que cobra em dólar pelo óleo que produzimos aqui e é processado pelas nossas próprias refinarias

– Ikaro Chaves

Leia mais: Entenda por que Bolsonaro e Temer são os culpados pela alta dos combustíveis 

Segundo a própria Aneel o maior volume de recursos aprovados de R$ 11,9 bilhões, será destinado à compra de combustíveis para a geração de energia enquanto as tarifas sociais demandam R$ 5,4 bilhões.

O engenheiro explica ainda que os subsídios das termoelétricas todos nós pagamos, já que elas estão ligadas ao sistema nacional, que atende aos lugares mais isolados como a região Norte.

“Se não houvesse o subsídio a população de Roraima, por exemplo, teria uma tarifa impossível de ser paga, mas nada justifica a política de preços da Petrobras, que este governo mantém, aumentando os preços dos combustíveis que se refletem na conta de luz”, conclui Ikaro.

Nordeste sofre mais com os reajustes recentes nas contas

Os reajustes autorizados para os clientes residenciais, na última terça (26), foram para as distribuidoras Neoenergia Pernambuco (18,50%)  e da Equatorial Alagoas (19,86%).

Na semana passada, a Aneel já havia aprovado o maior reajuste até o momento de 23,99%, na tarifa residencial para clientes da Enel Ceará

Na Enel Rio, que atende parte do Rio de Janeiro, a alta para clientes residenciais foi de 17,14%.

O que é CDE

Os subsídios contidos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), são pagos mensalmente pelos consumidores em suas contas de luz.

Entre eles, estão os subsídios para consumidores de baixa renda; a geração de energia e sistemas isolados do norte do país; a geração de energia a carvão mineral e investimentos em eletrificação rural.

Fonte: CUT

Está tudo caro e a culpa é de Bolsonaro. Veja por quê e confira as 30 maiores altas

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Portal da CUT – Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

 

A lista dos 10, 30 ou 50 itens básicos, imprescindíveis para uma família viver com dignidade, ocupa cada vez mais espaços nos jornais e redes sociais desde que a inflação começou a disparar e virou o assunto que mais preocupa os brasileiros. (Confira abaixo a lista dos 30 produtos que mais subiram em 12 meses).

“Tá tudo caro, a culpa é de Bolsonaro“, diz o povo nas ruas e nas redes em uma crítica ao desgoverno que, em três anos e cinco meses só desfez o que funcionava e não apresentou sequer uma política pública consistente de geração de emprego e renda e segudança alimentar. E o povo tem razão.

O presidente Jair Bolsonaro (PL), que trabalha menos de cinco horas por dia, usa o pouco tempo de labuta para confrontar o Poder Judiciário, xingar ministros do Superior Tribunal de Justiça (STF), colocar sob suspeita as urnas eletrônicas e, mais recentemente, conceder a graça, perdão por um crime contra à democracia cometido por seu aliado, o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ).

Quando sobra tempo, ele não trata dos temas mais caros à população, muito pelo contrário, destrói o que pode. O governo Bolsonaro enterrou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e desmontou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estratégicos para garantir a alimentação saudável e evitar o processo de insegurança alimentar no país; além de cortar crédito, abandonar os pequenos agricultores e nada fazer para compensar as perdas com as enchentes e secas que assolaram o Nordeste e o Sul do país.

Leia mais: Seca, chuvas e falta de políticas do governo Bolsonaro colocam em risco a agricultura familiar

Bolsonaro ‘enterra’ programa de compra de alimentos

E mais, grande parte da alta dos preços é reflexo dos aumentos nos preços dos combustíveis determinados pela Petrobras, que adotou em 2016 a Política de Preços Internacionais (PPI) baseada nos preços dos barris de petroleo e na cotação do dólar. A política foi criada pelo ilegítimo Michel Temer (MDB) e mantida por Bolsonaro. Portanto, isso também é culpa dele.

Por causa da PPI, nos últimos 12 meses, a gasolina subiu 30,12%, o diesel 52,53%, o etanol subiu 30,55%, o gás de cozinha 32,45%, sem contar a conta de luz que subiu 30,16% e vai subir ainda mais este ano também por conta da alta dos preços dos combustiveis.

Leia mais: Preço do combustível é o maior responsável pelo próximo aumento de quase 5% na conta de luz

O resultado é que, em abril, a inflação acumulou alta de 12,03% em 12 meses – de abril de 2021 até abril deste ano e itens como cenoura (195,00%) e tomate (117,48%) chegaram perto dos 200% ou ultrapassaram a marca de 100% de reajuste no período.

A disparada da inflação, aliada a baixa geração de emprego, também consequencia da falta de investimentos públicos que deveriam ser feitos pelo governo Bolsonaro, e salários arrochados, contribuem para reduzir os itens que as famílias colocam nos carrinhos de supermercados porque não tem mais como trocar o mais caro pelo mais barato. E a lista dos itens cujos preços mais sobem fica maior a cada dia e atinge tudo, até o brócolis, que algumas crianças não querem nem ouvir falar.

Confira a lista dos produtos que mais aumentaram de abril de 2021 a abril deste ano:

 

Cenoura                                    195,00%

Tomate                                     117,48%

Abobrinha                                  86,83%

Café moído                                65,09%

Melão                                        63,26%

Repolho                                     59,38%

Melancia                                    52,64%

Óleo diesel                                 52,53%

Pimentão                                   50,18%

Transporte por aplicativo             47,47%

Morango                                    46,79%

Gás veicular                               46,26%

Alface                                        46,22%

Mamão                                      40,33%

Batara-inglesa                            38,68%

Açúcar refinado                          37,66%

Pepino                                       37,03%

Açúcar cristal                             36,33%

Gás encanado                            35,10%

Gás botijão                                32,45%

Brócolis                                     31,23%

Etanol                                       30,55%

Energia elétrica (casas)              30,16%

Gasolina                                    30,12%

Óleo de soja                              30,10%

Couve-flor                                 29,63%

Fubá de milho                            28,92%

Revista                                      27,83%

Mandioca                                   27,34%

Refrigerador                               27,21%

Confira as maiores altas registradas pelo IPCA-15 em abril:

Tomate 26,17%
Melão 23,15%
Cenoura 15,02%
Repolho 13,37%
Óleo diesel 13,11%
Leite longa vida 12,21%
Óleo de soja 11,47%
Batata-inglesa 9,86%
Brócolis 9,65%
Passagem aérea 9,43%
Couve-flor 8,71%
Gás de botijão 8,09%
Açaí 7,88%
Feijão carioca 7,79%
Pepino 7,72%
Gasolina 7,51%
Aluguel de veículo 6,75%
Morango 6,71%
Etanol 6,6%
Maçã 6,1%

Fonte: IBGE

Fonte: CUT

Contracheque de abril consolida avanços importantes para a categoria

O contracheque de abril de professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas do DF traz a incorporação do auxílio saúde (R$ 200) ao vencimento, além da última parcela do reajuste salarial conquistado pela categoria em 2012, devida desde setembro de 2015. Os novos valores refletem em todas as gratificações recebidas pela categoria.

“Isso mostra que estamos no caminho certo e que temos que intensificar nosso processo de mobilização para avançar na recomposição salarial e nas pautas pedagógicas”, avalia a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Leitura do contracheque
Ao abrir o contracheque de abril, professores(as) e orientadores(as) educacionais se depararam com o valor do auxílio saúde (R$ 200) em uma linha em separado. O formato induz a categoria a entender que o benefício não está incorporado ao vencimento e, portanto, sem refletir nas gratificações. Entretanto, o auxílio saúde está incorporado ao vencimento e com reflexo na Gaped/Gase e demais gratificações.

Abaixo, veja o passo a passo de como verificar se sua Gaped/Gase está atualizada. O mesmo procedimento poderá ser feito com todas as outras gratificações, considerando o valor percentual específico de cada uma delas. O passo a passo confirma também a incorporação do auxílio saúde ao vencimento.

Passo a passo:

1 – Some R$ 200 (valor do auxílio saúde) ao seu vencimento bruto;

2 – Em cima deste resultado, aplique 30% (percentual correspondente à Gaped/Gase);

3 – O resultado obtido corresponde ao valor da Gaped/Gase, já com o reflexo do auxílio saúde incorporado ao vencimento;

5 – Compare o valor atual da Gaped/Gase com o valor registrado no mês anterior.

“O cálculo com as gratificações confirma que o auxílio saúde foi incorporado ao vencimento. Isso porque, caso o benefício não estivesse incorporado, não haveria alteração no valor de nenhuma gratificação”, explica o diretor do Sinpro-DF Cláudio Antunes.

O contracheque professora Sandra Ramos* exemplifica que o contracheque do mês de abril, embora traga uma leitura equivocada, apresenta a incorporação do auxílio saúde, com reflexo do valor sobre todas as gratificações.

No caso da professora, no contracheque do mês de março, o valor da Gaped era de R$ 1.380,34. Já em abril, a mesma gratificação ficou em R$ 1.495,92. É importante ainda ressaltar que, na folha do mês quatro, o valor do vencimento é apresentado com o percentual da última parcela do reajuste salarial conquistado em 2012, devida desde setembro de 2015.

Contracheque didático
A Secretaria de Educação informou ao Sinpro-DF que, com a incorporação do auxílio saúde ao vencimento, o sistema de pagamento da categoria do magistério público do DF está sendo atualizado. O objetivo é tornar o contracheque mais didático. Com isso, o documento do mês de maio já virá adaptado, com o valor do auxílio saúde expresso diretamente no vencimento.

Professores em contratação temporária
No caso dos professores(as) em regime de contratação temporária, o contracheque do mês de abril apresenta o valor do vencimento atualizado, com a incorporação do auxílio saúde. Entretanto, nas outras linhas, foram verificadas alterações que geram oscilações no documento.

Segundo a Secretaria de Educação, em breve, será lançada nota explicativa sobre como a leitura do contracheque deve ser feita.

*O nome da fonte é fictício para garantir a privacidade da professora. Todos os outros dados são reais

MATÉRIA EM LIBRAS

1º de Maio: Dia do Trabalhador é Dia de Luta!

Este ano, CUT-DF lembra que o 1º de Maio é o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora e que “somos o Brasil que trabalha”. O Sinpro-DF completa o pensamento da Central alertando para o fato de que o(a) trabalho(a), que somos nós, é o que gera renda e riqueza para quem explora a mão de obra. A data, com celebração especial em Brasília, terá ato político e cultural com a cantora Ale Terribili 

 

Vem aí o 1° de maio da classe trabalhadora. Para marcar essa data tão importante, a CUT-DF realizará um grande ato político-cultural, a partir das 16h, no estacionamento da Funarte, atrás da torre de TV. A atividade contará com um show da artista Ale Terribili, homenageando o eterno Gonzaguinha, que transformou em poesia muitas das dores e anseios da nossa gente.

 

Além disso, teremos a pré-estreia exclusiva do documentário de Max Alvim: “O povo pode?”, que retrata as mudanças que o país enfrentou nos últimos anos pelo olhar de pessoas comuns, captadas durante a Caravana do ex-presidente Lula pelo nordeste brasileiro. 

 

“É muito importante a participação de todas e todos neste grande ato que está sendo preparado. Também, é fundamental entender que esse é um dia de relembrarmos as lutas do passado e apontar a organização e a unidade necessárias para que haja avanço de direitos e conquistas do futuro”, afirma o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

 

História que ultrapassa gerações 

 

O dia 1º de maio é conhecido em todo o mundo como o Dia do(a) Trabalhador(a). Mas você conhece a história dessa data tão importante? Ao contrário do que dizem, não se trata de um feriado festivo, em que patrões e empregados comemoram juntos, mas, sim, de um Dia de Luta dos(as) Trabalhadores(as) por dignidade e melhores condições de trabalho.

 

Até chegarmos aos dias de hoje, muita coisa aconteceu. Infelizmente, para que os direitos fossem conquistados, vidas foram perdidas no caminho. É uma história marcada, sobretudo, por resistência e luta.

 

Tudo começou lá na segunda metade do século XIX. A economia mundial passava por grandes transformações, devido à primeira crise do capitalismo, e muitos(as) trabalhadores(as) do campo migraram para as áreas urbanas em busca de uma vida melhor. Porém, o que encontraram foram empregos precários, com exploração da mão de obra, salários baixos e jornadas exorbitantes, de até 16 horas diárias.

 

Mas, com o passar do tempo, os(as) trabalhadores(as) descobriram que, além da força de trabalho, tinham também a força de organização para defender seus direitos. A partir daí, unidos, começaram a organizar a luta por uma sociedade mais justa e fraterna, sem oprimidos e opressores.

 

Em busca de dignidade, os(as) operários(as) convocaram uma greve geral em 1º de maio de 1886. Tudo parou. Enquanto mais de 5 mil fábricas estavam fechadas, aproximadamente 240 mil trabalhadores(as) foram às ruas para bradar: “basta de exploração”. A principal pauta era a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

 

A greve surtiu efeito e, em muitos locais, os patrões cederam às reivindicações. Mas, em Chicago, uma das maiores cidades dos Estados Unidos (EUA), houve forte repreensão policial, deixando dezenas de mortos e feridos. Só que os patrões não contavam que nem as balas poderiam parar a força do trabalhador. Em 1889, a Segunda Internacional Socialista anunciou o 1º de maio como o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

 

No Brasil, a primeira “comemoração” do 1º de maio, aconteceu em Porto Alegre (RS), em 1892, em meio a intensos protestos. Por todo lado, os(as) trabalhadores(as) lutavam contra a injustiça. Desde então, a data se tornou um símbolo de resistência, e atos históricos ocorrem mundo afora, reunindo milhares de pessoas.

 

Os patrões e governos até tentam reinventar a memória da data, com festas, comemorações e presentes, mas a história já está escrita. Dia 1º de maio é dia de LUTA! É o dia em que trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias se unem em uma só voz contra a injustiça, por direitos e melhores condições de trabalho. 

 

Programação

 

29/4 – 20h

60 anos do Sindicato dos Bancários com show de Carlinhos Brown

 

30/4 – 18h

VII Corrida do Sinpro. Estacionamento da Funarte

 

1º/5:

16h – ato político-cultural com show de Ale Terribili, na Funarte

8h às 17h – atividade do Sintramacom-DF, no Sesc de Taguatinga

9h – Área de Lazer dos Vigilantes, na Ponte Alta do Gama

 

Acesse: https://df.cut.org.br/noticias/dia-do-trabalhador-e-dia-de-luta-1af2

Acesse a programação das entidades cutistas: https://df.cut.org.br/noticias/entidades-cutistas-celebram-o-1-de-maio-com-suas-bases-1415

Prévia da inflação de abril acelera para 1,73%, maior para o mês desde 1995

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Portal da CUT – Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

 

No país da fome, da miséria, do desemprego e da informalidade, está cada vez mais difícil viver, mesmo para quem tem emprego, já que os salários sobem menos do que a inflação que dispara todo mês.

A prévia da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), acelerou para 1,73% e registrou a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (2,19%). O IPCA-15 acumula alta de 4,31% no ano (de janeiro a abril) e de 12,03% em 12 meses (de abril do ano passado a abril deste ano).

O maior índice em 27 anos

O índice também registrou a maior variação para um mês de abril desde 1995, quando alcançou 1,95%, segundo dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (27).

Subiu tudo

Todos os grupos pesquisados pelo IBGE registraram alta, mas o que mais impactou o índice de abril foram os reajustes nos transportes – por causa dos aumentos nos preços dos combustíveis e passagens aéreas, especialmente; e nos alimentos e bebidas, onde tudo subiu, da cenoura ao pão francês, passando pelo tomate e o óleo de soja, nada escapou da disparada de preços.

O que mais subiu

O grupo transportes registrou alta de 3,43% em abril, impactado, principalmente, pelo aumento no preço da gasolina, que teve alta de 7,51%, do óleo diesel (13,11%), do etanol (6,60%) e do gás veicular (2,28%).

E também pelos preços das passagens aéreas que subiram 9,43% em abril; do seguro voluntário de veículo (3,03%), que aceleraram pelo oitavo mês consecutivo, acumulando 23,46% de variação nos últimos 12 meses; dos táxis (4,36%) e das  passagens de metrô (1,66%) e dos ônibus urbanos (0,75%).

O grupo dos alimentos e bebidas avançou 2,25%, puxado pela alta dos itens consumidos no domicílio (3,00%), principalmente, o tomate (26,17%) e o leite longa vida (12,21%).

Outros produtos também tiveram altas expressivas: a cenoura (15,02%), o óleo de soja (11,47%), a batata-inglesa (9,86%) e o pão francês (4,36%).

Já a alimentação fora do domicílio (0,28%) desacelerou em relação a março (0,52%). Enquanto a refeição passou de 0,25% em março para 0,45% em abril, o lanche seguiu movimento inverso, passando de 0,92% para 0,07%.

A alta do gás de botijão (8,09%) teve o maior impacto no grupo habitação (1,73%). Também subiram os preços do gás encanado (3,31%). A segunda maior contribuição no grupo foi da energia elétrica, que subiu 1,92%, com os reajustes de mais de 15% nas duas concessionárias pesquisadas no Rio de Janeiro (11,25%).

Todos os itens do vestuário (1,97%) tiveram alta em abril, inclusive as joias e bijuterias (0,61%), cujos preços haviam caído em março (-0,53%). A maior contribuição, porém, veio das roupas femininas, com alta de 2,70%.

O grupo saúde e cuidados pessoais (0,47%) desacelerou em relação a março (1,30%) por conta dos itens de higiene pessoal (-0,87%), que haviam subido 3,98%. Já os produtos farmacêuticos tiveram alta de 3,37%, depois da autorização do reajuste de até 10,89% no preço dos medicamentos, a partir de 1º de abril.

Com exceção de comunicação (-0,05%), todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em abril. Os demais grupos ficaram entre o 0,05% de educação e o 0,94% de artigos de residência.

Em abril, IPCA-15 tem alta em todas as áreas pesquisadas

A pesquisa mostra também que os preços aceleraram em todas as áreas pesquisadas. A maior variação ocorreu em Curitiba (2,23%), influenciada pela alta de 10,25% nos preços da gasolina. Já o menor resultado ficou com Salvador (0,97%), onde houve queda de 1,46% nos artigos de higiene pessoal e de 8,14% nas passagens aéreas.

Mais sobre a pesquisa

O IPCA-15 difere do IPCA, a inflação oficial do país, somente no período de coleta e na abrangência geográfica. Para o cálculo do índice de abril, os preços foram coletados entre 17 de março e 13 de abril de 2022 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 12 de fevereiro a 16 de março de 2022 (base).

O IPCA-15 refere-se a famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

Fonte: CUT

História de luta por direitos do Dia Trabalhador começou no século 19. Saiba mais

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Portal da CUT – Escrito por: Redação CUT/Texto: André Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

Estados Unidos, século 19. Era época da expansão da revolução industrial, que começou a formar grandes centros urbanos com concentração de trabalhadores. Uma nova configuração das relações de trabalho surgia e exacerbava a característica histórica da relação entre poder econômico e proletariado – a exploração da mão de obra – levando a classe trabalhadora a se unir para protestar e exigir direitos, como os brasileiros e brasileiras farão mais uma vez este ano em todo o país. (Veja abaixo lista dos atos marcados).

Os patrões (a burguesia) obrigavam os operários a trabalhar em jornadas excessivas nas fábricas, em más condições, com baixa renda. O diálogo era difícil. Os trabalhadores perceberam que era preciso se organizar para exigir direitos e foi desta constatação que surgiam os sindicatos.

No dia 1° de Maio de 1886, liderados pelos sindicatos, os operários deram início a uma onda de manifestações exigindo direitos, que pararam os parques industriais. Era a greve geral convocada pela Federação dos Grêmios e Uniões organizadas dos Estados Unidos e do Canadá que parou mais de cinco mil fábricas com cerca de 340 mil operários nas ruas.  

Houve conflito e repressão. Três dias depois, 38 operários estavam mortos, 115 ficaram feridos e foi decretado Estado de Sítio em Chicago. Sindicatos foram fechados. Mais de 300 líderes grevistas foram presos.

A data se tornou, então, um marco na luta por direitos da classe trabalhadora e uma expressão nítida da eterna luta de classes na história da humanidade, dando origem ao Dia Internacional do Trabalhador.

Em mais de 80 países a data é celebrada como forma de reafirmar a luta por direitos. No Estados Unidos, no entanto, a celebração é feita na primeira segunda-feira de setembro.

No Brasil, a celebração do 1° de Maio começou a partir da década de 1890. Os movimentos de trabalhadores operários originados pela revolução industrial surgiram, por aqui, nas primeiras décadas do século 20, quando surgiram também os primeiros sindicatos.

A primeira grande greve no país aconteceu em julho de 1917 – uma das maiores da história até hoje. O Brasil enfrentava carestia, os salários não acompanhavam a alta do custo de vida. A força dessa mobilização fez com que, anos mais tarde, o então presidente Arthur Bernardes, decretasse, oficialmente, o 1° de Maio como Dia Internacional do Trabalhador – do trabalhador e não do trabalho como dizem órgãos de imprensa comandados pela burguesia.

Usada nos primeiros anos como uma forma de autopromoção do governo, com celebrações feitas para os trabalhadores, mas com intervenções políticas a favor do governo, a data, ao longo dos anos, foi sendo incorporada pelo movimento sindical como um dia de luta por direitos.

Desde os anos 1980, com o surgimento da CUT, esse caráter tem se reforçado. Tradicionalmente, no 1° de Maio, a CUT, junto outras as centrais que vieram posteriormente, e com movimentos sociais, tem promovido atos que reúnem intervenções artísticas, políticas e de lideranças dos trabalhadores para proporcionar ao trabalhador conteúdo para reflexões sobre a sua importância na sociedade e, consequentemente, sobre seus direitos.

O Dia Internacional do Trabalhador é uma data para que cada brasileiro que faz o Brasil acontecer com sua força de trabalho, tenha consciência de que sem ele, o país não cresce e não se desenvolve, portanto, a ele é justo que se dê condições dignas de vida e que se promovam políticas de igualdade tanto social, quanto econômica, ressaltam os dirigentes da CUT em todas as suas intervenções e entrevistas sobre o tema. 

2022

Em um tempo em que o trabalhador brasileiro vem sendo assolado por uma sistemática onda de retirada de direitos que foram conquistados ao longo de mais de 70 anos de luta, desde a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), celebrar o 1° de Maio tem um significado especial.  A luta é por direitos, em defesa da vida e, mais uma vez, por democracia.

O país enfrenta uma das piores crises de todos os tempos. Os efeitos no campo econômico são sentidos de maneira mais acentuada pelos mais pobres que sofrem com o desemprego, a falta de renda e o aumento abusivo de preços de alimentos e combustíveis, entre outros itens básicos.

Leia mais: Prévia da inflação de abril acelera, é a maior para o mês desde 1995 e foi impactada por itens como alimentos e transportes

Por outro lado, a falta de políticas sociais que protejam os brasileiros mais vulneráveis também tem contribuído para o empobrecimento da população. Exemplo são os cortes orçamentários feitos pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) em programas de habitação, saneamento e, em especial, no Bolsa Família, que recentemente foi reformulado, deixando cerca de 14 milhões de famílias fora do programa.

No que diz respeito à democracia, o governo Bolsonaro também é sinônimo de retrocesso. Ele faz constantes ataques – e estimula seus aliados a fazer o mesmo – ao bem mais precioso conquistado pelos brasileiros após o fim da ditadura com o intuito de se perpetuar no poder e servir à elite econômica brasileira, enquanto os trabalhadores amargam a falta de proteção social.

Pós-pandemia

No primeiro ano da pandemia, com a impossibilidade de ir às ruas no 1° de Maio, a CUT e demais centrais sindicais mergulharam nas inovações tecnológicas para manter a mobilização dos trabalhadores.

Estávamos, praticamente, no segundo mês de pandemia, com a classe trabalhadora sentindo ainda mais os efeitos da crise econômica, social e institucional. Antecipando-se ao que estava por vir – um tempo de sérias dificuldades financeiras para milhões de trabalhadores que ficariam sem emprego e sem renda – a CUT e centrais fizeram uma celebração on-line, com mais de seis horas de duração, transmitida pelas redes sociais, com participação de artistas nacionais e internacionais, lideranças políticas e do próprio movimento sindical.

O evento, intitulado “1° de Maio Solidário – em defesa democracia” teve como bandeiras a solidariedade, a defesa da saúde e a luta por emprego e renda. A defesa da democracia, de um Estado forte, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), do direito à segurança, à vida e condições dignas de trabalho e o ‘Fora, Bolsonaro’ fizeram parte da programação.

Neste ano, 2022, após um longo período de isolamento e distanciamento social, a classe trabalhadora vai poder voltar às ruas para mostrar sua capacidade de mobilização e a CUT e as centrais estão unidas e organizadas para dialogar com os trabalhadores e reforçar a urgência em derrotar um sistema que vem penalizando a maior parte da população brasileira.

Conforme já afirmou o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, este 1° de Maio precisa ser um marco pelo ‘fora, Bolsonaro’, já que o atual presidente é a representação do que de pior o Brasil pode enfrentar – além da retirada de direitos, o fascismo, o racismo, o machismo, a homofobia, a misoginia e o ataque à nossa principal instituição – a democracia.

Atos neste dia, estão marcados em todo o país. Veja aqui a relação.

Em São Paulo, o ato unificado da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Pública Central do Servidor realizarão, será realizado na Praça Charles Muller, a partir das 10h. O local escolhido não foi por acaso. O Pacaembu foi palco do primeiro comício pela retomada da democracia durante a ditadura militar, em 1983 e que é marco da campanha “Diretas Já!”,  que ajudou a por fim em um dos períodos mais sombrios da nossa história.

 

Fonte: CUT

Governo enfraqueceu políticas públicas relacionadas à saúde e segurança do trabalho

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Portal da CUT – Escrito por: Vitor Nuzzi, da RBA

 

Na semana em que se celebra o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, na próxima quinta-feira (28), a avaliação é de que o Estado brasileiro enfraqueceu as políticas públicas relacionadas a saúde e segurança em ambientes profissionais. Isso se dá, por exemplo, pelo processo de revisão das normas regulamentadora (NRs), desde 2019. Ou mesmo com a pandemia, já que há dificuldade de caracterizar a covid como doença do trabalho. O quadro se agrava com o crescimento do desemprego e da informalidade nos últimos anos, que fez crescer a chamada precarização.

Essas foram algumas de reflexões feitas nesta segunda-feira (25) durante evento promovido pelo Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), entre outras entidades. O procurador Luciano Lima Leivas, vice da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho (Codemat, do Ministério Público do Trabalho), por exemplo, lembrou que o Brasil resiste à proposta de incluir saúde e segurança como princípio fundamental da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Foi a entidade que instituiu, em 2003, o dia mundial, em memória de 78 trabalhadores mortos na explosão de uma mina nos Estados Unidos, em 1969.

Trabalho seguro

Hoje, a centenária OIT, criada em 1919, tem quatro itens em sua declaração de princípios fundamentais: liberdade sindical/diálogo social, erradicação do trabalho forçado, erradicação do trabalho infantil e promoção da igualdade de oportunidades. O Comitê de Administração discute a inclusão de um quinto item, justamente trabalho seguro e saudável. “Efetivamente, o governo brasileiro, como membro do comitê gestor, posicionou-se contra a inclusão desse princípio”, afirmou o representante do MPT.

Internamente, o atual governo iniciou um processo de revisão das NRs. Segundo o procurador, o MPT mantém “olhar muito crítico ao que vem sendo desconstruído”. O Decreto 9.944, de 2019, por exemplo (Conselho Nacional do Trabalho e Comissão Tripartite Paritária Permanente) revogou incisos de outro decreto (7.602, de 2011), sobre gestão participativa. “O que temos hoje de Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho? Como pensar em formular uma política nacional sem a participação dos trabalhadores?”, questiona o procurador. Ele aponta ainda o que chamou de “engessamento” da inspeção do trabalho.

Acidentes, doenças e óbitos

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social (Aeps), o Brasil teve 445.814 acidentes registrados em 2020, queda em relação ao ano anterior (586.857). Mas o número de doenças do trabalho saltou de 10.034 para 30.599. O Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, mantido pelo MPT em cooperação com a OIT, apontam 571,8 mil acidentes em 2021, com 2.487 mortes ligadas ao trabalho. De 2012 a 2021, foram 22.954 mortes por acidentes no país.

Durante o ato de ontem, realizado na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), foi lançado livro e lido manifesto que lembrou as 272 mortes em consequência do acidente ocorrido em Brumadinho (MG) em 2019. “Nós, trabalhadores do Brasil, não queremos mais morrer pelo trabalho”, diz o documento, lamentando a economia de gastos que visem a garantir um “processo produto seguro e saudável”.

Combate à pandemia

“Hoje, as pessoas estão sendo mortas. Não é por acaso que as pessoas estão morrendo”, afirmou o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto. “Não é normal nós termos mais de 662 mil pessoas mortas pela covid-19 no nosso país”, acrescentou, citando estudos segundo os quais pelo menos 450 mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas com políticas adequadas de combate à pandemia. “Quantas vidas nós salvamos por nos colocarmos contrários à estratégia de imunidade de rebanho?” Ele também ressaltou a importância do SUS.

Em nome do Fórum das Centrais, Luís Carlos de Oliveira, o Luisinho, (diretor da Força Sindical), afirmou que – além de fatores como o desemprego elevado e aumento da pobreza – com o negacionismo a pandemia se tornou “a maior causa de adoecimento e morte relacionada ao trabalho no Brasil”. “Deveríamos ter um governo preocupado com estas questões, (em vez de) desconstruir políticas de proteção”, criticou. O presidente do Diesat, Edison Flores, observou ainda que a covid fez aumentar também a incidência de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.

Leia mais: Mortalidade em acidentes de trabalho é maior entre homens e negros

Mudanças em NRs exigem participação de trabalhadores e empresários

Fonte: CUT

1° de maio de 2022 será histórico no Pacaembu, diz presidente da CUT-SP

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Portal da CUT – Escrito por: Andre Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

A Praça Charles Muller (Pacaembu), em São Paulo, palco de momentos históricos como o primeiro grande comício pelas Diretas Já!, em 1983, que reuniu lideranças políticas como os ex-presidentes Lula (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e milhares de pessoas, ainda durante a ditadura militar, será palco este ano de outro grande evento que também vai lutar por democracia: o 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

Trinta e sete anos após o fim da ditadura, o país tem um governo autoritário, fascista, que aplaude a tortura e flerta com o golpismo para se manter no poder. A luta por democracia, dizem os sindicalistas, voltou a ser a bandeira prioritária da classe trabalhadora e, por isso, este 1° de Maio no Pacaembu será histórico

Além de levar as reivindicações dos trabalhadores às ruas, depois de dois anos de isolamento social por causa da pandemia, o 1° de Maio também terá a  função de dialogar com a população sobre a realidade atual e a necessidade de recolocar o país no rumo do desenvolvimento, com emprego decente, justiça social e distribuição de renda. A afirmação é do presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, que faz parte da organização do ato que será realizado na capital paulista.

“É um ano importante em que teremos as eleições e um momento para dialogar ainda mais com o conjunto da classe trabalhadora e esse diálogo se dá, em particular, pelo debate do processo eleitoral porque é pela política que definiremos o futuro”, diz o dirigente.

Ele explica que, assim como em 1984, quando, após o comício do ano anterior, a campanha pelas Diretas Já! ganhou corpo e mobilizou a população para lutar pela reorganização política do país, este momento exige que povo brasileiro derrote nas urnas o atual governo e eleja um projeto que seja voltado às questões sociais e trabalhistas.

“Vamos decidir que país queremos, se um país triste, de desempregados, desalentados, de miseráveis e com um governo que não aponta para soluções para os trabalhadores ou se damos um rumo e recolocamos o Brasil nos trilhos do desenvolvimento com geração de emprego e renda”, ele diz

O 1° de maio será um dia para dialogar e dar esperança para o povo não continuar essa situação

– Douglas Izzo

A esperança

A esperança, explicam os dirigentes, é por um governo que combata a disparada da inflação, que vem batendo recordes  em especial por causa dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o desemprego e coloque em prática uma política econômica que atenue a tragédia vivida diariamente pelos brasileiros mais pobres, que não têm um salário no fim do mês ou uma renda que garanta a sobrevivência.

Douglas Izzo ressalta que se trata do sentimento de união de grande parte da sociedade em torno de um projeto que, conforme mostrou a história recente, é a saída para os problemas vividos hoje em dia, diz ao comparar as políticas dos governos democráticos e populares do PT, como a valorização do salário mínimo, com as dos governos pós-golpe de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), que acabaram com os direitos trabalhistas (reforma de Temer, aprovada em 2017) e enterraram o aumento real do salário mínimo e o sonho da casa própria (redução de recursos só aumenta) e da aposentadoria de milhões de trabalhadores e trabalhadoras (reforma de Bolsonaro, em 2019).

“Para nós, o projeto de retomar o desenvolvimento do Brasil está na candidatura de Lula. Entendemos que é o projeto que vai superar as dificuldades que vieram com o golpe”, diz Douglas.

Paralelamente, ele lembra, as centrais aprovaram a Pauta Da Classe Trabalhadora, uma plataforma para as eleições em que estão as principais propostas para combater o momento difícil pelo qual passam os trabalhadores. A plataforma, já entregue a Lula em um encontro com sindicalistas, realizado em São Paulo, mas o documento também será entregue a outros candidatos, em especial aos que concorrem às cadeiras legislativas para que se comprometam com as necessidades dos trabalhadores.

“É importante elegermos deputados estaduais e federais e senadores que estejam em sintonia com as nossas pautas. Um congresso progressista será fundamental para que o futuro governo consiga trabalhar pela classe trabalhadora”, pontua Douglas Izzo.

Ato unificado

O 1° de Maio em São Paulo também será histórico por ser unificado com a participação das centrais sindicais Força Sindical, CTB, UGT, NCST, Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, e Pública, de movimentos sociais e partidos políticos do campo progressistas.

“É fundamental a unidade das centrais para ganharmos essa batalha e não só no 1° de Maio, mas em todas as nossas ações para enfrentar os ataques de governos e dos patrões aos nossos direito”, diz o presidente da CUT São Paulo.

O ato em São Paulo começa às 10h com atrações artísticas. Para às 13h está previsto o ato político e inter-religioso com lideranças da CUT e demais centras e de movimentos sociais, além, personalidades do meio político, acadêmico e artístico.

Após as 15h, no palco estarão Daniela Mercury, Leci Brandão, Francisco El Hombre e Dj KL Jay com shows especiais. Durante todo o dia, tanto nas intervenções políticas como nas artísticas, a mensagem para o trabalhador será de conscientização.

“O 1° de Maio será um deia de reflexão e luta, uma data para a defesa dos direitos e da vida”, finaliza Douglas Izzo.

Atos em outras cidades

Clique aqui para saber em quais cidades já tem atos marcados para o 1° de maio.

Fonte: CUT

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