No 15° dia de greve, professores de MG reforçam luta pelo piso salarial de 2022

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

Os professores e as professoras de Minas Gerais estão em greve desde o dia 9 de março pelo pagamento do reajuste de 33,24% do Piso Nacional do Magistério de 2022 e completam 15 dias de paralisação, nesta quinta-feira (24), com a adesão de 85% da categoria e a certeza de que só voltam ao trabalho quando o governador Romeu Zema (Novo) pagar o que manda a lei. Os educadores de Minas não têm sequer a reposição da inflação desde 2017.

LUIZ ROCHA/SIND-UTELuiz Rocha/Sind-UTE

Nesta quarta-feira (23), os educadores realizaram,  em Belo Horizonte, uma grande assembleia que confirmou a manutenção da greve, e muitos falaram do simbolismo da data, já que no dia 23 de março é celebrado o Dia Nacional do Piso Salarial.

A Coordenadora-Geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romão, afirmou no ato que a categoria não abre mão do piso e manterá a greve até que o governo cumpra a lei.

De acordo com a dirigente, já foram feitas várias tentativas de negociação, mas, até agora, o governo Zema se nega a dialogar. 

“Desde 2019, a direção do Sindicato realizou 19 reuniões com a Secretaria de Estado de Planejamento de Gestão. Encaminhamos 39 documentos ao governo Zema cobrando a aplicação correta dos recursos da Educação e dos reajustes do Piso”, pontuou Denise. “Em nenhum momento uma proposta foi apresentada”, complementou.

Zema judicializa a greve

O governo Zema não quer negociar nem quer que os educadores exerçam o direito constitucional de fazer greve para reivindicar direitos.

O político do partido Novo, que repete todas as estratégias esquivas e de arrocho à classe trabalhadora da velha política, decidiu judicializar o movimento se retirando do processo de mediação no Tribunal de Justiça de MG.

Do outro lado do front, a categoria reforça a luta pela educação pública e de qualidade para o povo. É isso que significa luta pelo reajuste do piso salarial e também contra o Regime de Recuperação Fiscal do estado, que congela salários e carreiras, proíbe a realização de concursos e reajustes por até nove anos.

LUIZ ROCHA/SIND-UTELuiz Rocha/Sind-UTE

Situação amarga

O governo de Minas Gerais alega que fez uma proposta aos servidores públicos do estado, de reajuste de 10,06% nos salários, índice que se refere à reposição da inflação de 2021, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O projeto está em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e o governo até chegou a pedir regime de urgência para a apreciação.

Mas, para o Sind-UTE/MG, o projeto de Zema sequer chega perto do que prevê a Lei do Piso. Este ano, lembra Denise Romano, o reajuste do piso é  de 33,24%. O valor do salário seria R$ 3,8 mil, mas professores recebem somente R$ 2,1 mil. Com o “aumento de Zema”, o salário chegaria a somente R$ 2,3 mil.

Por outro lado, há um o projeto de recuperação fiscal, também em tramitação, que, se aprovado, congelará salários por mais nove anos, acabará com concursos públicos e fará com que, no total, os trabalhadores amarguem 14 anos sem reajuste salarial.

Por isso, Denise denuncia que a situação salarial na Educação em Minas Gerais é grave. “Auxiliares de Serviços da Educação Básica, por exemplo, recebem menos de um salário mínimo”, diz a dirigente.

Calendário de lutas

Ainda na assembleia os trabalhadores definiram as mobilizações para os próximos dias, que incluem atos que já vem sendo realizados em várias cidades do interior de Minas, em protesto contra o governo estadual.

Também nesta quarta-feira, em Divinópolis, professores protestaram contra o Romeu Zema, em frente a Fiemg – Federação das Indústrias do Estado Minas Gerais. Na terça-feira (22), ele foi recebido com protestos em Uberlândia, na abertura da Feira do Agronegócio Mineiro (Femec 2022). No evento, a ação foi reprimida pela Polícia Militar.

Confira o calendário

– 24 a 31/3: Vigília constante na Assembleia Legislativa pela aprovação das emendas ao PL 3.568/2022, que reguardam o Piso Salarial

– 28/3: Atos locais e regionais

– 31/3: Nova Assembleia Estadual de Greve 

PL 3.568/22

Encaminhado pelo governo Zema à Assembleia Legislativa o PL 3.568/2022, que propõe um reajuste de apenas 10,6% para todo funcionalismo estadual, é rechaçado pelos servidores. Além do valor não dialogar com os reajustes devidos à categoria, conforme explicou Denise Romão, coordenadora-geral do SindUTE, o PL do governador busca tornar o Piso Salarial inconstitucional.

Em audiência pública realizada na terça-feira, a deputada estadual e presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, Beatriz Cerqueira, que é ex-presidente da CUT MG, reforçou a importância da mobilização da categoria e falou sobre a tramitação do PL 3.568/22 na Casa.

“Na próxima semana o PL retorna para a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Nossa tarefa é defender o legítimo direito dos trabalhadores e das trabalhadoras em Educação, por meio das emendas apresentadas”, disse a parlamentar.

O Sind-UTE/MG destaca que além de não abrir mão do Piso está mobilizado para cobrar dos deputados e das deputadas estaduais a aprovação das emendas ao PL 3.568/22, que resguardam o Piso Salarial da Educação. Quatro delas foram apresentadas pela deputada Beatriz Cerqueira:

1ª) acrescentando o % necessário para se chegar ao reajuste de 33,24% do Piso Salarial para 2022;

2ª) acrescentando os reajustes dos anos anteriores ainda pendentes;

3º) Incorporação das gratificações da carreira docente de nível superior;

4º) Incorporação da ajuda de custo da área da saúde.

De acordo com a parlamentar, a decisão de apresentar estas propostas está baseada em três premissas básicas. A primeira é que o governo tem dinheiro para honrar os compromissos com a educação. A outra é a necessária valorização das carreiras da saúde. E, por último, as emendas foram apresentadas por causa da intransigência do governo em não negociar com as categorias.

Sobre a ‘saúde financeira’ do estado para cumprir a lei do Piso, dados levantados pelo sindicato mostram que o Governo de Minas Gerais tinha em conta, no dia 14 de março, R$ 395,3 milhões de saldo do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). E esse valor se refere somente em recursos recebidos em 2022.

Fonte: CUT 

Professores de São Paulo não aceitam chantagem de Doria e podem entrar em greve

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Manifestação de professores de SP no dia 18 de março

 

Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

 

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), encaminhou um Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 3/2022 para a Assembleia Legislativa (Alesp) propondo uma nova carreira para a rede estadual de ensino. A proposta, segundo sindicalistas, é um  desmonte da educação pública no estado, propõe pagar subsídios ao invés de reajustes de salários e, quem aderir, estará abrindo mão de direitos atualmente garantidos e terá a jornada aumentada, entre outros ataques aos educadores.

Com a falsa promessa de ganhos maiores a quem aderir à nova carreira, distorcendo fatos que podem confundir os trabalhadores, Doria faz uma verdadeira chantagem com os professores porque se projeto não for aprovado pelos deputados estaduais, eles não terão nem o reajuste proposto por ele de 10% – servidores da segurança e saúde já tiveram 20% de aumento e os demais servidores do estado 10%.

Os únicos que não tiveram aumento salarial foram os mais de 200 mil professores do estado, que estão desde 2018, quando receberam 7%, sem um centavo a mais no contracheque.

A professora Bebel, deputada estadual (PT) e presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), diz que o PLC não foi discutido com a categoria nem com o sindicato e exige que a Alesp vote o reajuste em separado do novo plano de carreira. Um não pode ficar vinculado ao outro.

“Isso é um golpe, uma chantagem inaceitável. Nós queremos que seja votado o reajuste de forma separada do restante do projeto da chamada nova carreira”, diz a deputada.

Até agora não tem quórum para aprovar o desmonte

O PLC do governo Doria não foi votado nesta quarta-feira (23) porque não conseguiu quórum suficiente entre os deputados.

A nova votação poderá ocorrer na próxima terça-feira (29). Para este dia, a Apeoesp, está convocando a categoria para uma assembleia, a partir das 14h, em frente à Alesp.

Vamos realizar uma grande assembleia na qual decretaremos a greve, se não formos atendidos

– Professora Bebel
APEOESPApeoesp
Deputada professora Bebel comemora, na Alesp, o adiamento da votação do PCL 

Embora esteja em pauta o reajuste de 10% proposto pelo governo, a categoria reivindica o pagamento do piso nacional do magistério de 2022, de 33,24%, para os professores da ativa e os aposentados. A última vez que o governo de São Paulo pagou o piso nacional foi em 2016.

Sobre o piso nacional

O reajuste dos professores é calculado a partir de uma fórmula que considera a inflação quanto mais alta, maior o reajuste. Seria esse percentual com qualquer presidente da República, nas mesmas condições. O aumento de 33,24% no piso do magistério não é decisão do governo federal, mas mero cumprimento da lei e valores do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), aprovado pelo Congresso Nacional depois de muita luta da categoria.

Quem colocou na Constituição que deveria haver piso salarial nacional foi o deputado constituinte Gumercindo Milhomem Neto, do PT, presidente da Apeoesp de 1981 a 1985. Quem sancionou a lei, 20 anos depois, foi o presidente Lula. Bolsonaro tentou mudar a fórmula para pagar menos. E desistiu por caisa da pressão.  Além disso, o dinheiro não sai dos cofres da União. Quem tem de pagar são prefeitos e governadores.

O que diz o plano de carreira de Doria

A proposta do governador João Doria e do secretário de educação do estado, Rosielli Soares da Silva não é exatamente um novo plano de carreira, nem aumenta os salários. Eles vão aumentar os subsídios e também os descontos, o que reduzirá o ganho no final.

“O subsídio é destinado a ocupantes de cargos eletivos, a ministros e secretários de governos estaduais e municipais, que ganham temporariamente pelos cargos que ocupam, não a servidores públicos”, ressalta a deputada Bebel.

Ela explica que o valor do subsídio pode ficar congelado e quem não optou por ele pode continuar tendo reajuste no salário, e o contrário também pode ocorrer. Ou seja, quem opta pelo subsídio pode ter reajustes e os salários não.

“Pelas regras subjetivas de evolução na nova carreira, o professor poderá ficar estagnado no valor inicial do subsídio, mesmo que cumpra todas as exigências. Cálculos do Dieese estimam que poderá levar 28 anos para chegar à 11ª referência, entre as 15 possíveis”, complementa Bebel.

Confira 

Subsídios: propaganda enganosa

“O governo do Estado veicula falsas informações sobre a chamada ‘nova carreira’. Não é verdade que os professores terão subsídios de R$ 5 mil reais mensais”, contesta a presidenta da Apeoesp.

Os professores só receberão efetivamente pouco mais de R$ 3,7 mil, porque os descontos crescerão muito em relação aos níveis atuais, pois os valores brutos enquadrarão os professores em novas alíquotas de descontos de Imposto de Renda, previdência e do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de S. Paulo (IAMSPE), ao mesmo tempo em que perdem direitos como quinquênio, sexta-parte (reajuste salarial aos 20 anos de efetivo exercício e outros). Ao final, o valor pago ficará ainda abaixo do piso nacional do magistério de R$ 3.845,63.

Confira os valores dos salários na tabela abaixo

Mudança na jornada de trabalho

Além disso, na “nova carreira”, a pretexto de aplicar a jornada do piso (no mínimo 33% da jornada de trabalho fora da sala de aula), o governo fará todos os professores cumprirem sua jornada integralmente dentro da escola. Não haverá mais Aula de Trabalho Pedagógico em Local de Livre Escolha (ATPL). Serão 14 horas a mais de trabalho semanal na escola.

Vende ilusão aos professores (as) temporários

O governo quer obter apoio dos professores da categoria O (temporários) vendendo ilusões. Ele não conta que esse professor da categoria contrato ativo não poderá optar pela nova carreira, permanecendo na sua situação salarial atual enquanto seu contrato permanecer vigente.

“Quando for recontratado, se vinculará automaticamente à nova situação, que não prevê carreira para esses profissionais, os quais permanecerão estacionados indefinidamente na primeira referência, sem qualquer possibilidade de evolução”, explica a deputada, professora Bebel.

Frequência e apuração

Podem ser justificadas 24 faltas por ano, no máximo duas por mês, mediante requerimento e tem que ser motivadas por razões que justifiquem o seu não comparecimento

Não haverá desconto por comparecimento em consultas médicas e odontológicas, até o máximo de 6 por ano e no máximo 1 por mês.

O mesmo vale para ausências parciais, desde que no máximo por 2 horas diárias, até 3 vezes por ano, 1 vez ao mês, neste caso apenas para os servidores com 40 horas semanais, apresentando declaração médica.

Faltas dia ou aula são consideradas como falta dia, e implicam em desconto de 1/30 da remuneração mensal.

O mesmo vale para ausências parciais, desde que no máximo por 2 horas diárias, até 3 vezes por ano, 1 vez ao mês, neste caso apenas para os servidores com 40 horas semanais, apresentando declaração médica.

A falta parcial vale para acompanhamento de filho, pais e cônjuges.

São injustificadas as demais faltas, e todas as faltas geram descontos na remuneração.

Salas de aulas podem ficar lotadas

Um dos pontos críticos na nova carreira é que nas escolas em bairros com maior nível de vulnerabilidade, caberá aos diretores procurarem por alunos. Para isso, receberão um valor extra. A preocupação dos professores é a superlotação de salas de aulas, a partir do interesse da direção em melhorar os seus salários. Ao contrário, a Apeoesp luta pela redução no número de alunos por classe. Para a entidade, o ideal é o máximo de 25 estudantes por sala de aula.

Hoje já ocorre superlotação, pois a expansão do questionável modelo de ensino integral do governo Doria (PEI), reduz o número de estudantes nas escolas que são forçadas a aderir ao programa, exclui alunos trabalhadores e os que fazem outros cursos e remete os estudantes excedentes para outras escolas, provocando mais superlotação.

Mais mudanças na carreira do magistério

Confira neste linkas demais mudanças relacionadas a Regime de Dedicação Exclusiva, evolução, remuneração, reenquadramento, cargos previstos, casos de exigência de concurso público, estágio probatório, jornada de trabalho, adicional de complexidade de gestão e tabelas salariais. 

Fonte: CUT

Ao invés de gerar emprego e transferir renda, governo quer endividar os mais pobres

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha | Editado por: Marize Muniz

 

Com 12 milhões de desempregados, 25,6 milhões trabalhando por conta própria e o país de volta ao mapa da fome, com pessoas disputando osso e restos de peixe em açougue, ao invés de ampliar os programas de transferência de renda e investimentos que gerem  emprego e renda, o governo de Jair Bolsonaro (PL) amplia as possibilidades de empréstimos para os mais pobres.

O governo decidiu aumentar de 35% para 40% o índice de comprometimento dos benefícios dos aposentados com empréstimos consignados e ainda autorizar que beneficiários do Auxílio Brasil e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) façam esses empréstimos com desconto em folha.

Para secretário da CUT e economista do Dieese, a medida é eleitoreira e foi tomada na hora do desespero, como uma última tentativa para reverter os índices ruins de intenções de voto e a brutal queda de popularidade de Bolsonaro, apontadas por todas as pesquisas que indicam a liderança absoluta do ex-presidente Lula na corrida eleitoral deste ano.

A ampliação do crédito não resolve o problema de emprego e renda, ao contrário, ela é eleitoreira e visa apenas tentar impulsionar a popularidade de Bolsonaro que está em baixa, inclusive entre as pessoas que recebem o Auxílio Brasil, diz o secretário de Administração e Finança da CUT Nacional, Ariovaldo de Camargo.

“Nós da CUT entendemos que qualquer política que possa aliviar as dívidas dos trabalhadores é bem-vinda, mas essa medida vai aumentar o problema de quem já está endividado. A política que deveria ser implementada em invés de acesso ao crédito, precisaria ser a solução do que leva essas pessoas a se endividarem”, afirma Ariovaldo.

Leia mais: Número de famílias brasileiras com contas atrasadas é o maior em 12 anos

O dirigente ressalta que hoje os aposentados sustentam seus filhos desempregados e o aumento do índice de endividamento só maquia os principais problemas do país que são o desemprego e a crise econômica.

A economista e coordenadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Patrícia Pelatieri concorda que a medida de Bolsonaro é eleitoreira. Para ela, o presidente está desesperado para colocar dinheiro na economia e, para isso vem tomando medidas como a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e a do dinheiro esquecido nos bancos, entre outras medidas paliativas e decepcionantes – a maioria encontrou centavos nas contas.

“Essas antecipações não são dinheiro novo numa economia devastada como a nossa, são recursos próprios da poupança do trabalhador, seja o aposentado, sejam os mais vulneráveis que recebem benefícios”, critica Pelatieri.

Bancos os favorecidos

Ariovaldo de Camargo não tem dúvidas de que a medida de Bolsonaro favorece os bancos. Segundo elemuito provavelmente o sistema financeiro vai impor um seguro para não correr o risco de que o tomador do empréstimo tenha o BPC ou o Auxílio Brasil encerrado, antes dele pagar totalmente o empréstimo.

“Hoje os juros dos empréstimos consignados variam de 1,65% a 2,23% mensais. Com uma inflação em média abaixo de 1% ao mês [em 12 meses, inflação medida pelo IPCA-15, passa de dois dígitos], os bancos já saem no lucro, mas para não correrem risco algum vão sobretaxar os juros e os seguros dos empréstimos”, afirma Camargo.

A economista do Dieese também acredita que a liberação desses empréstimos visa garantir mais ganhos aos bancos, que segundo ela, não têm previsão de ter os lucros bilionários do ano passado, quando cinco bancos garantiram em seus cofres R$ 175 bilhões a mais.

“A projeção de lucros dos bancos para este ano dificilmente repetirá 2021 por que a economia está muito combalida, faltam recursos. Essa medida de liberar o consignado é o chamado capitalismo sem risco porque o pagamento do empréstimo já sai de uma conta que vai ter recursos garantidos pelo governo, apesar de um ou outro contratempo, caso haja a interrupção do valor para algum beneficiário dos programas”, explica Patrícia Pelatieri.

Cortesia com chapéu alheio

A outra questão, segundo a economista, é fazer cortesia com chapéu alheio, ao invés de adotar medidas de recomposição da economia, tirando o pouco das pessoas que tiveram perda intensa de renda, empurrando um endividamento de dois, três meses para frente.

“Estamos falando de pessoas estão utilizando cartão de crédito para complementar o que é básico, pra pagar conta de luz, gás, telefone. É uma bola de neve que traz enormes prejuízos à saúde, com problemas psicológicos e distúrbios para quem está endividado”, diz.

Há uma diferença enorme entre se endividar para comprar casa e carro e se endividar para comprar um botijão de gás

– Patrícia Pelatieri

“Liberar crédito consignado não soluciona o problema, ao contrário. Isto é desespero do governo para parecer que a economia está aquecida, quando não está”, complementa Patrícia.

Metas da equipe econômica

A equipe econômica do governo diz que a liberação do consignado para os mais pobres vai injetar R$ 49 bilhões na economia, sendo R$ 30 bilhões em financiamentos para famílias que recebem o Auxílio Brasil e R$ 19 bilhões para as que recebem BPC.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, o público que pode tomar esses empréstimos chega a mais de 52 milhões de pessoas.

Quem recebe BPC e o Auxílio Brasil

Hoje o BPC, no valor de um salário mínimo (R$ 1.202), é pago a idosos a partir de 65 anos que possuem apenas ¼ do mínimo de rendimentos.

O Auxílio Brasil paga apenas R$ 400 por mês, mas terminará no final deste ano, deixando milhões de brasileiros que antes recebiam o Bolsa Família, criado no governo Lula, sem nada, caso o governo não apresente uma nova proposta de benefício aos mais pobres.

Fonte: CUT

CUT lança campanha para levar Brigadas Digitais a todo país

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Portal CUT – Escrito por: Andre Accarini | Editado por: Marize Muniz

 

O projeto Brigadas Digitais da CUT foi lançado na manhã desta quarta-feira (23), durante encontro virtual do Coletivo de Comunicação da Central. Os dirigentes reforçaram durante a transmissão que o projeto é um instrumento de organização da sociedade e dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil, que vão atuar nas redes sociais para disseminar informação de qualidade – fatos reais – sobretudo via WhatsApp, sobre temas importantes e que se referem à vida cada cidadão.

O objetivo, destacaram, é fortalecer a democracia combatendo um dos piores males surgidos nos últimos tempos, as fake news, que espalham mentiras, ódio e intolerância, que podem destruir democracias e levar o extremismo de direita ao poder.

“Estamos trabalhando valores para a classe trabalhadora”, afirmou o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre.

As Brigadas Digitais vão atuar junto com os  Comitês de Luta em defesa da Classe Trabalhadora, lançados em 22 de fevereiro, para mobilizar a sociedade na construção de um país melhor e mais justo, tendo como referência a conscientização sobre o que está acontecendo no Brasil – a inflação, a fome, o desemprego – e a solidariedade, disse o dirigente.

“Não tenho a menor dúvida de que tanto os Comitês como as Brigadas Digitais vão fazer a diferença na superação da conjuntura que vivemos. Será uma grande contribuição da CUT para a luta da classe trabalhadora, para derrotar o Bolsonaro e reconstruir o Brasil. Tenho fé nisso”, afirmou Sérgio Nobre.

Para o presidente da CUT, o desafio imediato é usar desde já os dois mecanismos para apoiar a população e combater a crise social vivida pelo país. “Todos sabem. É só sair na rua para ver o tamanho da crise que vivemos, mais de um terço do povo desempregado, tem o desalento, 20 milhões de trabalhadores que andam a pé e não conseguem pagar passagem de ônibus, o povo passando fome e pedindo comida na rua. É uma situação de desespero e o mais triste é que a população está perdendo a esperança”, disse Sérgio Nobre.

As “tragédias”, disse o dirigente, também trazem oportunidades de luta. E a CUT se aproxima ainda mais da sociedade, por meio das Brigadas e dos Comitês, para dialogar sobre o que está acontecendo no país.

As grandes vitórias que o movimento sindical construiu ao longo da história, foi quando teve apoio popular, da sociedade, que compreendeu a pauta e veio junto conosco

– Sérgio Nobre

“É importante que os comitês sejam criados nos locais de trabalho para que a gente possa dizer para o povo que o desemprego e a fome vão chegar nele”, complementou o presidente da CUT. De acordo com ele, os comitês também serão pontos de arrecadação de alimentos e mantimentos a serem distribuídos a quem mais precisa.

Além dos locais de trabalho, outros espaços da sociedade também serão base dos comitês, como escolas, igrejas, associações etc.

Futuro do país nas mãos da classe trabalhadora

Ao comentar um encontro que teve com representantes das indústrias, em que entidades como a Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp) expressou preocupação com a condução da economia pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) que vem fazendo com que o volume de importações seja equivalente a 50% da produção nacional, Sérgio Nobre afirmou que é importante ‘mostrar ao povo’ o estrago que o chamado livre mercado faz aos trabalhadores, gerando desemprego.

E este é apenas um dos fatores que se pode apontar como consequência das ações de Bolsonaro e que precisam ser explicitados ao povo brasileiro. “Temos de fazer de forma criativa e esse é desafio das Brigadas Digitais e Comitês de Luta”.

Para Sérgio Nobre, é preciso trabalhar os valores na sociedade brasileira, reforçar a solidariedade e enfrentar os pilares de ódio e individualismo, centros do bolsonarismo.

“Nós somos o contrário. Se quisermos reconstruir o Brasil, não tem outro caminho, é a solidariedade, companheirismo e luta, por isso é importante lutar coletivamente”, disse Sérgio Nobre, que explicou  que isso também vai preparar os trabalhadores para as eleições de outubro.

Agosto começa a campanha e o a sociedade precisa entender o que está em disputa. Vai ser um plebiscito entre o boslonarismo e nós e o povo precisa saber o que representamos. Estamos vendo a tragédia de 650 mil mortos, desemprego, fome e temos que mostrar que o país já foi outro, com inclusão social, pleno emprego e maior rede de proteção social do mundo. E eles destruíram tudo

– Sérgio Nobre

“As eleições serão duríssimas, não estão ganhas e o resultado vai dizer o que vai ser do país nos próximos 20 anos e não podemos nem imaginar uma figura como Bolsonaro assumindo em 2022 com a força do voto”, concluiu o presidente da CUT.

Em ação

As primeiras campanhas, frutos do projeto Brigadas Digitais, foram apresentadas pelo secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa. Após explicar o mecanismo de como cada participante das Brigadas atuará, Roni mostrou as primeiras ‘peças’ – materiais com a finalidade de informar a população sobre o país que ‘queremos construir’.

“Iniciamos o projeto no ano passado, com a etapa de formação de formadores e brigadista e estamos na fase da organização da comunicação desde o ano passado. Agora, a etapa de lançamento é justamente o desafio de disputarmos as redes, as mentes e os corações da sociedade, por meio de toda a nossa militância”, disse o dirigente.

O objetivo, segundo ele, é “grande e audacioso”. O projeto pretender formou cerca de 1.300 pessoas no passado e ao longo deste ano, a meta é chegar a cinco mil organizadores de brigadas. Cada brigada deverá ter mais dez brigadistas, formando um grande time pelo Brasil a fim de compartilhar essas informações e ideias – tanto sobre a culpa da realidade caótica que vivemos como esperança por um país melhor.

Formação

A secretária nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti, destacou as características principais do projeto. Ao lembrar que as Brigadas tiveram início no ano passado com os mutirões de formação – o momento de arregaçar as mangas e dar início às Brigadas – a dirigente explicou que o processo é “formativo, organizativo, de mobilização, e de comunicação”.

“Essas quatro ações do projeto são fundamentais para pensar o mundo do trabalho. Somos uma central sindical e o mundo do trabalho é fio condutor de nossas ações”, disse a dirigente.

Para contextualizar, Rosane lembrou que o país vive um ano crucial e as eleições representam a decisão sobre o futuro de nossa sociedade.

“Estamos vivendo o ano de nossas vidas e temos um ápice nesse processo de enfrentamento – as eleições, que vão exigir uma estratégia diferente de organização da classe trabalhadora e é isso o que a CUT está fazendo”, disse Rosane explicando que a capacidade de luta se dá a partir dos locais de trabalho e na sociedade – premissas fundamentais da CUT desde sua fundação e um dos objetivos das Brigadas.

“Essa luta precisa ser abraçada por cada companheiro da CUT e cada estado, cada ramo precisa estar envolvido nesse processo para fazermos a diferença. A luta será árdua, mas a capacidade de luta e organização das massas fará a vitória acontecer. E depois disso, continuaremos com essa missão”, afirmou Rosane se referindo à continuidade do trabalho após as eleições.

Campanha

Os primeiros textos, roteiros, releases e postagens para subsidiar peças de comunicação já estão disponíveis e tem o caráter de mostrar à sociedade quem são os trabalhadores brasileiros e o que querem. O site brigadasdigitais.com.br, com o conteúdo, já está no ar.

O tema “Somos o Brasil que trabalha” se desdobra em vários aspectos, como “Somos o Brasil que constrói”, “Somos o Brasil que entrega”, “Somos o Brasil que ensina”, entre outros, alusivos às várias profissões.

Na página inicial, um vídeo de cerca de 1’30” dá o tom da campanha:

 

Além de cards, outros formatos estão disponíveis para compartilhamento como ‘stories’ para o Instagram e figurinhas.

Outra campanha já lançada é o “Brasil que o Brasil quer”, que também traz desdobramentos. A ideia é apresentar o que almeja a sociedade em contraponto com situações que representam retrocessos. Uma das peças, por exemplo, diz “O Brasil quer verdade. Farsa nunca mais”.

 

O site ainda traz diversos vídeos para serem compartilhados, que tratam não só da história da CUT, mas abordam temas atuais como os preços da gasolina e a atuação de Bolsonaro como o presidente que não trabalha.

 

 

Outros conteúdos serão lançados em breve, divididos em editorias dentro do site como “salário” que tratará das condições financeiras dos trabalhadores; “mundo do trabalho”, que abordará direitos e “e eu com isso?” que explicará como temas como as privatizações afetam o dia a dia de cada um de nós.

 

0 coletivo de comunicação da CUT:

Fonte: CUT

Ministro da Educação diz priorizar amigo de pastor a pedido de Bolsonaro

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Portal CUT – Escrito por: Redação CUT

 

O ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, afirmou que o governo federal, a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL), prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores, que não têm cargo, mas atuam em um esquema informal de obtenção de verbas da pasta. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso a um áudio vazado.

Na reunião no Ministério da Educação (MEC), Ribeiro fala sobre o orçamento da pasta, cortes de recursos da educação e a liberação de dinheiro para obras de creches, escolas, quadras ou para compra de equipamentos de tecnologia. De acordo com a Folha, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura têm, ao menos desde janeiro de 2021, negociado com prefeituras essas verbas federais. “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, diz o ministro na conversa.

“Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do (pastor) Gilmar”, acrescentou o ministro, que também indica haver uma contrapartida à liberação de recursos da pasta. “Então o apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser (inaudível) é apoio sobre construção das igrejas.”

Segundo relatos obtidos pelo jornal, junto a gestores e assessores, os pastores negociam pedidos para liberação de recursos a prefeituras em hotéis e restaurantes de Brasília. Depois, entram em contato com o ministro Milton Ribeiro, que determina ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a oficialização do empenho. Questionados, o governo e o FNDE não responderam. Os pastores Gilmar e Arilton também optaram por não se manifestar sobre o caso.

“Esse esquema informal de liberação de verbas do MEC é imoral, inconstitucional e escancara corrupção no governo Bolsonaro”, diz o vice-presidente da CUT, Vagner Freitas, lembrando as declarações mentirosas do presidente sobre não haver corrupção em seu governo.

Entre as mais de 5 mil declarações falsas que fez em seus 1.175 dias de governo, Bolsonaro disse “nós estamos a três anos e três meses sem corrupção.”

O site Aos Fatos, que faz levantamento das mentiras, diz que a declaração do presidente é falsa porque membros e ex-membros do seu governo são, atualmente, alvos de investigações e denúncias de casos de corrupção e outros delitos ligados à administração pública.

E lembra: O relatório da CPI da Covid-19 pediu o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro e de seis ministros e ex-ministros por prevaricação, emprego irregular de verbas públicas, falsificação de documento particular, charlatanismo, crime contra a humanidade, crime de responsabilidade e epidemia com resultado de morte.

Outros agentes do governo também foram indiciados por envolvimento em um suposto esquema para a compra da vacina indiana Covaxin. Além disso, atuais e antigos integrantes do governo são investigados pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público por suspeitas de corrupção, como o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), Ricardo Salles, ex-titular do Meio Ambiente, Marcelo Álvaro Antônio, que comandou a pasta do Turismo, e Fabio Wajngarten, que chefiou a Secretaria de Comunicação Social. 

E agora, temos a denúncia de corrupção praticada no MEC, diz Vagner, que complementa: “A CUT exige investigação do Congresso Nacional e do Poder Judiciário”. 

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante afirmou por meio de nota que o esquema pode configurar um novo crime de responsabilidade de Bolsonaro e não pode deixar de ser devidamente apurada.

“Não é aceitável que mais essa grave denúncia, envolvendo supostos crimes de tráfico de influência e improbidade administrativa, fique sem resposta. Os órgãos de controle e de investigação, como TCU, Ministério Público, Polícia Federal e CGU, devem à sociedade brasileira uma rigorosa apuração das denúncias. Da mesma forma, o Congresso Nacional deve exercer o papel constitucional e acionar os mecanismos de investigação do executivo”, diz Mercadante na nota. 

O que é impobridade adinistrativa

A improbidade administrativa é uma conduta inadequada, praticada por agentes públicos ou outros envolvidos, que cause danos à administração pública e está prevista na Lei n. 8.429/1992, conhecida como Lei de Improbidade Administrativa (LIA).

De acordo com o artigo 37 da Constituição Federal, as penas para quem pratica atos ímprobos contra a administração podem ser: perda dos bens ou valores acrescidos indevidamente ao patrimônio, devolução integral dos bens ou dinheiro, pagamento de multa, suspensão dos direitos políticos, perda da função pública e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário.

Investigação

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimento na Câmara, no último domingo (20), para solicitar a convocação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, com o objetivo de obter explicações sobre a operação de um suposto gabinete paralelo de pastores, segundo reportagem da RBA.

O parlamentar aponta possível prática de tráfico de influência e improbidade administrativa. Ele descreve a denúncia como um esquema “escandaloso”. Além disso, o subprocurador Lucas Rocha Furtado entrou com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para que investigue se o governo federal está agindo com “afronta” à Constituição.

O pedido foi feito após publicação de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, divulgada na útima sexta-feira (18), mostrando a existência do “gabinete paralelo” formado por pastores que, mesmo sem um vínculo formal com a pasta ou com o setor de ensino, controlam a agenda do MEC e do ministro Milton Ribeiro. A matéria mencionava que eles viajam em voos da Força Aérea Brasileira (FAB), fazem intermediação com prefeituras e empresários, discutem as prioridades da pasta e o destino das verbas públicas do setor.

Após o vazamento de áudios, outros parlamentares pediram uma investigação sobre o assunto. “O ministro admite que negocia verbas do MEC com pastores para beneficiar amigos de Bolsonaro a pedido do próprio presidente! Enquanto isso a educação e a pesquisa sofrem com cortes de recursos. Protocolaremos uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) contra mais esse crime”, afirmou a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN).

O senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) também anunciou que entrará com uma procuração na Procuradoria-Geral da República (PGR). “Não podemos tratar como ‘novo normal’ absurdos e/ou cometimento de crimes. Ainda hoje vamos cobrar providências do PGR contra o ministro da Educação, por possível improbidade administrativa, e investigações do MPF sobre o gabinete paralelo da Educação, por tráfico de influência”, disse.

Os dois pastores já apareceram ao lado de Bolsonaro, participando de agendas oficiais e discursando em eventos como se fossem integrantes do governo federal desde 2019, antes mesmo de Milton Ribeiro tomar posse. Arilton chegou a viajar em avião da FAB ao lado do atual ministro para evento oficial em Alcântara (MA).

Fonte: CUT

Disparada de preços nos supermercados esvazia carrinhos de compras de trabalhadores

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Portal CUT – Escrito por: Rosely Rocha e Marize Muniz | Editado por: Marize Muniz

 

Os aumentos nos preços dos alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza estão, desde o ano passado, esvaziando os carrinhos de supermercados dos trabalhadores e trabalhadoras, cujos salários estão tendo reajustes menores do que a inflação. Menos compras ainda estão fazendo os  aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não têm mais aumento real do benefício desde que Jair Bolsonaro (PL) assumiu a Presidência da República, em 2019.

A combinação de preços altos versus salários arrochados levou as famílias brasileiras a reduzirem em 5,6% o número de produtos de uma cesta de compras com 120 categorias, em 2021. E ainda assim aumentaram os gastos em 8,6%, em relação a 2020, segundo pesquisa da consultoria global Kantar.

A diminuição na lista de produtos comprados é uma regra que já vem sendo cumprida pela manicure Luciene Pinho e pelas aposentadas Maria Francisco e Marisa de Souza.

Casada com um filho adolescente, Luciene, que mora em Guarulhos e trabalha na capital, conta que sempre optou pelas marcas mais baratas para economizar e fazer o dinheiro render. Desde o ano passado, no entanto, começou a cortar o básico e essencial para a conta fechar, mas diz que mesmo assim está difícil. “Comecei cortando a carne, depois reduzi a quantidade de café, os produtos que mais subiram nos últimos meses. Depois fui reduzindo e até frango passei a comprar menos ou trocar por ovos”, diz.

“Também deixo de comprar legumes, como cenoura e tomate, quando sobem demais”, acrescenta a manicure que lamenta porque tem problemas de saúde e precisa de uma dieta rica em legumes e verduras, “algumas impossíveis de comprar por enquanto”, afirma. 

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti

Segundo ela, nem trabalhando mais horas e juntando o seu ganho com o do marido, que é pintor de carros, está dando para manter o padrão de vida de antes. “A gente nunca foi de sair para comer fora, até mesmo porque não tinha condições, mas uma pizza uma vez por mês, dava, agora nem isso”, diz Luciene.

As aposentadas Maria Francisco, de São Paulo, e Marisa de Souza, de Botucatu, que tinham um padrão de vida que permitia idas a restaurantes e a compra de supérfluos como geleia e salmão fizeram uma mudança mais profunda ainda na hora das compras, além de trocar marcas de produtos tradicionais pelas mais baratas.

“Na geladeira de casa já não tem mais iogurte, pudins, sucos de caixa, geleias e salmão. A despensa não tem mais nada ‘supérfluo’ como amendoins, nozes, bolachas e frutas secas como damasco. Também diminuímos o consumo de carne e a pizza, que antes era semanal, passou a ser mensal, e economizo diminuindo o uso de óleo, deixando a fritura de lado, e colocando menos alho e cebola na hora de cozinhar”, conta Maria.

Já Marisa diz que a churrasqueira em sua casa está lá praticamente de enfeite. “No lugar da carne, como frango quando quero algo grelhado. O tradicional vinho com queijos, nos finais de semana com amigos, foi deixado de lado. E as marcas de produtos comprados como sabão em pó e detergentes, por exemplo, dependem de ofertas.

“Está tudo muito caro e para o dinheiro da aposentadoria dar até o final do mês, troquei quase todas as marcas e não compro mais nada que considero supérfluo”, diz Marisa.

O perrengue por que passam a manicura e as aposentadas, assim como milhares de famílias brasileiras devem piorar ainda mais. As previsões para 2022 não são nada animadoras por causa dos reajustes nos preços dos combustíveis, praticados pela Petrobras, que impactam nas gôndolas dos supermercados.

“O combustível aumentou muito e é um insumo fundamental para a produção, escoamento e comercialização, e tem pesado demais sobre os preços dos alimentos”, diz Alexandre Ferraz, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que atua na subseção da Contag.

A coordenadora da pesquisa de preços da cesta básica do Dieese, Patrícia Costa, prevê uma piora nesse quadro econômico com a guerra entre Rússia e Ucrânia, impactando ainda mais nos preços dos alimentos, embora o consumidor brasileiro já sentisse o peso, por causa dos custos da energia, dos combustíveis e das tarifas das empresas.

“O cenário é preocupante. A gente tem de lidar com o tal ‘mercado futuro’ que ao sentir que os preços do commodities como o trigo, por exemplo, vão aumentar por algum fator, já reajusta sem antes mesmo de pagar mais caro pelo produto”, explica Patrícia.

Leia mais: Trigo já subiu 46,2% no mundo e preço do pão francês pode disparar. Veja por que

Os reajustes nesses produtos já foram sentidos nos 12 primeiros dias de março, superando o mês de fevereiro inteiro. A farinha de trigo ficou, em média, 4,46% mais cara, o preço do macarrão com ovos subiu 4,24%, o de biscoitos, 2,62% e o do óleo de soja, 5,79%, de acordo com o levantamento feito, a pedido do jornal O Estadão, pela startup Varejo 360.

Embora a pesquisa mensal do Dieese do valor da cesta básica para o mês de março, nas capitais país ainda não tenha sido fechada (será divulgada em 6 de abril), Patrícia Costa, acredita que o impacto será sentido na coleta de preços.

“Por um lado, o Brasil depende em boa parte do trigo importado da Rússia. Já a Ucrânia é uma grande produtora de óleo de girassol. Havendo diminuição do produto à venda, o consumidor deve recorrer ao óleo de soja, que consequentemente poderá aumentar ainda mais”, conclui a supervisora da área de preços do Dieese.

Leia mais: Inflação dos alimentos alcança 12,67% em doze meses, segundo pesquisa da PUC-PR  

Lula acusa golpe de 2016 pela carestia

Para o ex-presidente Lula toda a destruição econômica e consequentemente o aumento da inflação e dos preços dos alimentos no país são uma das consequências do golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), legitimamente reeleita pelo povo brasileiro.

“Inventaram uma tal ponte para o futuro, mas a ponte era só o buraco. Não tinha ponte”, disse ele se referindo a proposta do ilegítimo Michel Temer e seu MDB. “Seis anos depois do golpe, como está o preço do arroz, do feijão, da carne, da gasolina, dos pedágios, do óleo diesel?”, questionou.

Confira:

 

 

 

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi a maior para o mês de fevereiro desde 2015 e pulou para 10,54% em 12 meses. Antes do mega reajuste dos combustíveis divulgado pela Petrobras no dia 10 de março, em 13 dos 16 grupos pesquisados, o índice de inflação atingiu dois dígitos, passando de 13% na Grande Curitiba, 11,76% no Acre e 11,50% em Vitória (ES)

Fonte: CUT

‘Bolsonaro pode ter cometido mais um crime de responsabilidade’, diz Aloizio Mercadante

O ex-ministro Aloizio Mercadante divulgou nota nesta terça-feira (22) na qual afirma que a denúncia sobre um esquema de liberação de recursos do Ministério da Educação para “prefeituras indicadas por pastores evangélicos amigos do presidente da República”, pode configurar um novo crime de responsabilidade por parte de Jair Bolsonaro (PL) e não pode deixar de ser devidamente apurada. A pasta é comandada pelo pastor Milton Ribeiro. “Não é aceitável que mais essa grave denúncia, envolvendo supostos crimes de tráfico de influência e improbidade administrativa, fique sem resposta. Os órgãos de controle e de investigação, como TCU, Ministério Público, Polícia Federal e CGU, devem à sociedade brasileira uma rigorosa apuração das denúncias. Da mesma forma, o Congresso Nacional deve exercer o papel constitucional e acionar os mecanismos de investigação do executivo”, diz Mercadante na nota. 

“Caso essas irregularidades sejam comprovadas, esperamos a responsabilização de todos os envolvidos, inclusive do próprio Bolsonaro, que pode ter cometido mais um crime de responsabilidade”, destaca o ex-ministro.

“A gestão de Milton Ribeiro à frente do Ministério da Educação tem sido marcada pela confusão entre o exercício do cargo e a condição de líder religioso do ministro, ainda que o Estado brasileiro seja laico. A mais nova denúncia na pasta envolve um suposto esquema de liberação de recursos de forma prioritária para prefeituras indicadas por pastores evangélicos amigos do presidente da República. 

Em uma gravação, o ministro Milton Ribeiro aparece dizendo que essa priorização foi um “pedido especial” do próprio Bolsonaro. Segundo reportagens, essa intermediação teria resultado em empenhos de R$ 9,7 milhões. 

É evidente que os repasses do orçamento do Ministério da Educação devem seguir critérios técnicos e republicanos para impulsionar o avanço do nosso sistema educacional e dar apoio às redes de ensino. O foco deve ser sempre a redução da desigualdade, a aprendizagem e a melhoria das condições educacionais na ponta. Por isso, esses recursos são negociados de forma transparente com os gestores por meio de ferramentas como o Plano de Ações Articuladas (PAR).  

É inaceitável que os recursos da educação brasileira sejam geridos por interesses e indicações de amigos do presidente da República. Essa grave denúncia se soma a outra, do ano passado, em que o ministro Milton Ribeiro é acusado de atuar em favor de um centro universitário presbiteriano suspeito de cometer fraudes no Enade.

Também acontece em um contexto de completo abandono e desmonte do Ministério da Educação, que acabou com o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa, esvaziou a Avaliação Nacional de Alfabetização, fragilizou e aparelhou o Inep, paralisou os programas de avaliação da pós-graduação da Capes, esquartejou o orçamento das universidades federais, nomeou reitores biônicos, entre outras barbaridades. O mais grave é que, em razão da pandemia, passamos por um processo de defasagem do processo de aprendizagem sem precedentes na nossa história e não há qualquer iniciativa do MEC para um programa de auxílio para as redes. 

Não é aceitável que mais essa grave denúncia, envolvendo supostos crimes de tráfico de influência e improbidade administrativa, fique sem resposta. Os órgãos de controle e de investigação, como TCU, Ministério Público, Polícia Federal e CGU, devem à sociedade brasileira uma rigorosa apuração das denúncias. Da mesma forma, o Congresso Nacional deve exercer o papel constitucional e acionar os mecanismos de investigação do executivo. 

Caso essas irregularidades sejam comprovadas, esperamos a responsabilização de todos os envolvidos, inclusive do próprio Bolsonaro, que pode ter cometido mais um crime de responsabilidade.”

Fonte: Brasil 247

Sinpro lança campanha contra imposição de filiação de professores de Educação Física ao CREF

Imposição não é legal. Respeito, é fundamental! A frase poderia enfatizar o óbvio, revelar um fato normal, mas se apresenta como o mote de uma nova campanha do Sinpro-DF, que exige respeito aos(às) professores(as) de Educação Física. Desde a promulgação da Lei 9.696/1998, que criou o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) e o Conselho Regional de Educação Física (CREF), educadores(as) da área têm sido obrigados(as) a se filiar, sob pena de multas, inscrição do débito em dívida ativa e até mesmo de serem enquadrados(as) na lei de contravenções penais por exercício ilegal da profissão. Um verdadeiro absurdo!

O absurdo é ainda maior, visto que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento da ADI 1717, em 2002, indicou vício de inconstitucionalidade formal da Lei 9.696/1998, incorrendo em vícios materiais, pois confere a essas entidades fiscalizadoras (e com poder de polícia) atribuições restritas a órgãos de Estado. A condição também fere outra jurisprudência análoga do STF condizente aos defensores públicos (RE 1.240.999), aos quais não incide a exigência de filiação à Ordem dos Advogados do Brasil. As razões do veto imposto pelo STF à OAB, no caso da Defensoria Pública, se assemelham aos(às) profissionais do magistério público, que devem ser contratados(as) por concurso público e estarão permanentemente sob a égide de leis e outras normativas públicas que regem a profissão.

 

Tramitação de projeto no Senado

Diante da pressão do Sinpro, da categoria e de toda ingerência do CREF e do CONFEF, o próprio Supremo decidiu que os órgãos podem “existir” até a criação de uma nova lei, que corrija erros existentes na última regra, exemplo da imposição de filiação dos(as) professores(as) de Educação Física. Mesmo assim, tramita na Comissão de Saúde, Educação e Esporte do Senado Federal um parecer do Senador Romário, que mantém estes(as) educadores(as) das escolas submetidos(as) aos CREFs.  

Para o diretor do Sinpro, Bernardo Tavora, esta é a chance de pressionarmos os(as) senadores(as) para votarem contra este parecer, enterrando essa ingerência e acabando com uma injustiça que já dura anos. “Uma lei tornou o CREF inconstitucional, mas alguns grupos têm pressionado pela manutenção desta imposição absurda. Precisamos pressionar os senadores a votarem contra este parecer. Esta é a chance que uma nova lei torne a filiação ao CREF optativa”, ressalta o sindicalista.

Por essas razões, a campanha chega para exigir respeito aos(às) professores(as) de Educação Física e isonomia destes(as) educadores(as) a outros(as) servidores(as), que a exemplo dos(as) advogados(as), têm a opção de se filiarem à OAB.

Pressione os(as) senadores a votarem pela emenda ao PL 2.486/21, que exclui a imposição de filiação dos(as) profissionais de Educação Física das redes escolares, que já são subordinados às suas respectivas administrações públicas.

 

Debate sobre tramitação no Senado

O Sinpro-DF e o Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) convidam a categoria para um debate sobre o PL 2.486/21, em tramitação no Senado, que regulamenta a atuação do profissional de EDF e obriga professores(as) de Educação Física a se credenciarem ao CREF. O debate será realizado pelo Zoom, no dia 22 de março, às 19h. Participe!

A mobilização se faz em conjunto! Clique aqui e participe. 

Confira abaixo os perfis dos senadores do Distrito Federal nas redes sociais:  

 

SENADOR            
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Reguffe
@Reguffe
@reguffe_oficial
@reguffeoficial
(61) 99982-4465
sen.reguffe@senado.leg.br
Leila Barros
@leiladovolei
@leiladovolei
@leiladovolei
(61) 99591-3099
sen.leilabarros@senado.leg.br
Izalci Lucas
@IzalciLucas
@izalci
Izalci Lucas
(61) 99966-3850
sen.izalcilucas@senado.leg.br

 

Confira os locais de partida dos ônibus para a Assembleia do dia 24/3

O Sinpro-DF disponibilizará ônibus saindo de várias localidades para a Assembleia Geral desta quinta-feira, 24.

Lembre-se de ir de máscara, tentar manter o distanciamento e de levar álcool em gel 70%!

>>> ASSEMBLEIA COM PARALISAÇÃO, DIA 24

Os ônibus saem às 8h em direção ao estacionamento do Espaço Funarte. Lista de locais no card abaixo:

Salários perdem para a inflação: seis de cada 10 acordos ficam abaixo do INPC

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Portal CUT – Escrito por: Vitor Nuzzi, da RBA

 

]Os acordos salariais têm mantido a tendência de ficar abaixo da inflação, que por sua vez segue sua trajetória de alta. De 119 reajustes com data-base em fevereiro analisados pelo Dieese, 60,5% ficaram abaixo da variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC do IBGE. Segundo os dados, preliminares, outros 15,1% tiveram índice equivalente ao da inflação e 24,4% conseguiram aumento real.

Já a variação real (média dos reajustes após descontada a inflação) segue negativa. Em fevereiro, ficou em -0,98%.

O Dieese aponta um “agravamento do quadro” após ligeira melhora em janeiro. O reajuste necessário para acordos com data-base em março subiu para 10,80%, ante 10,60% no mês anterior e 10,16% no primeiro mês de 2022. “A situação tende a piorar nos próximos meses, em função do impacto da guerra na Ucrânia sobre o preço dos combustíveis e da alimentação”, alerta o instituto.
 
Pisos superam salário mínimo em 13%

No total do primeiro bimestre, os resultados mostram algum equilíbrio. São 37% dos reajustes abaixo do INPC, 32% acima e 31% equivalentes à inflação. A variação média também é negativa: -0,48%.

A situação é um pouco melhor na indústria, setor em que 39% dos reajustes no bimestre tiveram ganho real e 34% empataram com a inflação. Nos serviços, os aumentos reais contemplaram 30%, enquanto 43% ficaram abaixo do INPC. No comércio, metade dos acordos equivaleram à inflação.

O valor médio dos pisos salariais registrados em acordos coletivos de fica, até agora, em R$ 1.370,84. Ou 13,1% acima do salário mínimo oficial (R$ 1.212).

Confira aqui a íntegra do boletim do Dieese.

Fonte: CUT

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