A pauta de reivindicações da campanha salarial 2010/2011 foi entregue oficialmente nesta segunda, dia 3, ao governador do DF, Rogério Rosso. Em reunião que durou cerca de duas horas, ele afirmou que repassará a pauta às Secretarias de Planejamento e Educação para que o governo possa dar uma posição a respeito das nossas reivindicações. Na ocasião ficou marcada uma reunião com secretário de Educação para a próxima quinta, 6, às 10h, para o início da discussão. Os pontos principais de discussão serão o reajuste salarial, que prevê a isonomia com a carreira médica, o aumento do vale-alimentação, a implantação imediata do plano de saúde, um programa habitacional, a garantia do gozo da licença-prêmio, a gestão democrática no ensino público e o pagamento de todas as pendências financeiras. Alem disso, a pauta contempla as reivindicações gerais da categoria, além de pontos específicos dos professores com contrato temporários, orientadores, sistema prisional, equipes de atendimento, etc.
Exposição reúne acontecimentos artísticos da capital
Jornalista: sindicato
O Espaço Cultural Marcantonio Vilaça abre às 19h desta quinta-feira (06), no Edifício Sede do Tribunal de Contas da União (SAF Sul, Quadra 4, Lote 1), a exposição Arquivo Brasília: Cidade Imaginário. Sob a curadoria de Renata Azambuja, a proposta da exposição é reunir em um só espaço intervenções, obras e acontecimentos artísticos que marcaram a trajetória da capital, assim como prestigiar novos representantes da arte contemporânea que ousam ver a cidade e seus habitantes sob um ponto de vista inusitado. As visitações acontecem de 7 de maio a 3 de julho de segunda a sexta-feira (das 10h às 19h) e aos sábados (das 14h às 18h). O projeto de Arquivo Brasília: Cidade Imaginário é composto de duas vertentes: obras e memória. No mesmo ambiente em que estarão expostos diversos trabalhos como instalações, gravuras, cartazes e registros de performances e intervenções, também poderão ser conferidos recortes de jornais, entrevistas, fotos e outros registros da produção artística da capital. O visitante da exposição será convidado a conhecer a obra de artistas que ora expressaram suas visões sobre acontecimentos políticos e sociais que movem a cidade como os movimentos estudantis e a questão indígena, ora tecendo comentários sobre o próprio circuito de arte, ora intervindo criticamente na paisagem urbana. São 40 artistas com obras e registros que representam a ocupação do espaço público como uma forma de questionamento aos limites do “cubo branco” ou do espaço de arte institucionalizado e um desejo de aproximação da linguagem da arte a um público que de outra forma não teria acesso a ela. A exposição também procura não somente instigar uma reflexão sobre a celebração do cinquentenário de Brasília, como também propõe um novo olhar sobre locais bem conhecidos pelo brasiliense, como a Praça dos três Poderes, a Vila Planalto, a Universidade de Brasília e até mesmo os pontos de ônibus, superquadras e tesourinhas, por meio da apropriação desses espaços. “Pode-se dizer que dois fatores contribuem para a ocupação dos espaços de Brasília pelos artistas: o desejo de ocupar espaços em razão do próprio plano urbanístico do Plano Piloto e uma forma de resposta a um circuito artístico acanhado. Ora os artistas se apropriam desse espaço poeticamente, ora de uma forma transgressora”, esclarece a curadora e historiadora da arte Renata Azambuja. Maiores informações pelos telefones 3316-5221 e 3316-5036.
“Nós temos que trabalhar para que o Brasil continue no rumo do desenvolvimento e o DF tenha uma outra cara, a cara da ética”. Esse foi o recado da presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga, para o público da Festa do Trabalhador, realizada pela Central neste 1 de maio. Rejane ainda lembrou que, neste ano, a luta central do Dia do Trabalhador teve como eixo principal de trabalho a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais para “gerar mais de 2, 5 milhões de empregos”.
“Hoje, cabe a cada um de nós dizer: somos trabalhadores e construimos a história deste país”, afirmou a deputada distrital Érica Kokay (PT). “Ao longo desses oito anos, mudamos o rumo da história e não pode haver retrocesso. Vamos continuar mobilizando todos os trabalhadores do Brasil para para mudar de vez o cenário desfavorável à classe trabalhadora”, avaliou o presidente do PT-DF, Roberto Policarpo.
Aliada à luta por melhores condições de vida aos trabalhadores, a CUT-DF levou cultura ao público do Distrito Federal. A opção foi por colocar na agenda apenas artistas da cidade para valorizar a cultura local, questão esquecida nos governos Roriz e Arruda. “Essa é a nossa prata da casa”, lembrou Rejane Pitanga.
O protesto encabeçado pela CUT-DF em várias ocasiões, como na inclusão social e no combate à corrupção, tomou corpo na voz do rapper GOG, considerado o poeta do ritmo. Ao lado de Ellen Oléria, GOG protestou em versos a igualdade e um país mais justo para os que são considerados marginalizados pelo sistema.
César de Paulo, Henrick e Ruan, Nós Negras e Dhi Ribeiro fecharam a Festa do Trabalhador com muita animação, que se estendeu até a 1h da madrugada. Com orgulho de seu povo e de sua cultura, a CUT-DF encerrou com honra mais uma Festa do Trabalho. ( da assesoria da CUT-DF)
A luta por ensino de qualidade unifica a comunidade escolar
Jornalista: sindicato
Existem poucos profissionais com a rotina de um professor. Poucos têm um contato tão direto e permanente com a comunidade quanto os professores. A atividade de um professor vai muito além da sala de aula. Ele a leva consigo nos trabalhos dos alunos, nas provas, faz a preparação das aulas e, sobretudo, a preocupação com seus alunos é algo que não deixa de habitar seus pensamentos quando ele sai da escola e vai para a sua casa. O professor não “desliga” nunca. A qualquer momento, vendo um filme, durante um passeio, assistindo à TV, poderá vir à sua mente a imagem de um aluno ou de uma aluna que requer mais atenção ou que se destaca. Em outro momento vai perceber, de repente, uma forma de ajudar outro aluno que precisa de uma orientação específica. O professor se dedica, se desgasta, vive diuturnamente a sua opção profissional, que é, na verdade, uma opção de vida. Muitos professores ministram aulas em duas ou até três escolas. Muitos estão vinculados a mais de uma rede de ensino. Não é o ideal, nem recomendável, mas não há escolha. A professora e o professor têm necessidades, família, filhos. Eles têm direito a uma vida digna, de progredir com o seu trabalho. Nossa categoria, em São Paulo é composta em mais de 70% por mulheres. Além da jornada dupla ou mesmo tripla de trabalho como professora, grande parte delas ainda cumpre sua jornada como mãe de família, cuidando da educação de seus filhos, além de enfrentar, muitas vezes, problemas familiares. Quantos filhos e filhas de professoras recebem os cuidados rotineiros de suas avós ou outros parentes enquanto a mãe cumpre sua função social com grande sacrifício em jornadas de trabalho cansativas? Por que continuamos? Porque há em nós um compromisso que não se rompe. Um compromisso com todas aquelas crianças e jovens cujos rostos nos vêm à mente em momentos inusitados. Qual de nós, professores, já não imaginou um de nossos alunos ou alunas no futuro, como um profissional renomado, alguém que poderá fazer a diferença? Qual de nós já não viu no olhar de um jovem ou de uma criança, na sala de aula, a centelha de um futuro promissor? Quantos de nós já não nos emocionamos ao descobrir que alguns de nossos alunos realizaram um sonho que um dia compartilharam conosco em sala de aula ou numa conversa a sós? Este elo não se quebra facilmente, porque nós gostamos de ser essas pessoas que ajudam a juventude a descobrir os caminhos do futuro. Mas o governo, responsável pelo nosso destino profissional e pela escola pública não enxerga nada além da necessidade de implementar o seu projeto para o estado de São Paulo. As autoridades não conseguem nos ver. Os dirigentes do Estado não se perguntam quem é este professor; quem é esta professora. Eles não estão verdadeiramente interessados em nos conhecer. Quando paramos para pensar, tomamos consciência do quanto o trabalho de um funcionário público interfere na vida da população e como somos essenciais. Cabe ao profissional da saúde o tratamento cuidadoso para com aqueles que estão acometidos de alguma enfermidade ou acidentados. Aos profissionais da área da segurança cabe zelar pela integridade física de todos os cidadãos e pela tranqüilidade social. A nós, professores, cabe uma das tarefas mais honrosas que pode existir, que é formar cidadãos. Somos aqueles de quem a população espera atenção, cuidado, segurança, dedicação. E, no entanto, não recebemos do estado as condições para cumprir plenamente este nosso papel social, único e indispensável. Em uma palavra: não somos valorizados. Quando escrevemos o texto do parecer que dá embasamento às diretrizes da carreira do magistério público (Resolução CNE/CEB 2/2009), percebemos o quanto a educação brasileira é fragmentada, ou seja, dividida em partes que não se combinam harmonicamente. Tudo aparece separado. A escola como estrutura e instituição muitas vezes adquire mais importância do que os professores, alunos e demais membros da comunidade escolar. Por isto dissemos naquele texto: em que pese todos os avanços que se possa ter em termos de estrutura e infra-estrutura na escola pública, se o ser humano que nela trabalha e estuda não tiver suas necessidades atendidas, ela não alcançará o êxito esperado pela sociedade. É preciso recuperar a escola como processo de humanização. O ofício do professor não é parte de uma engrenagem, mas é único, humano, e, como tal, precisa ser apoiado e reconhecido. Qual é, portanto, o grande desafio? Na minha opinião, é resgatar o verdadeiro sentido do termo comunidade escolar. Ou percebemos que fazemos parte de um mesmo organismo social, que é a escola, que temos necessidades comuns, que dependemos uns dos outros, que estamos todos do mesmo lado, a educação pública, ou morreremos abraçados. Mas a sociedade depende de seu próprio esforço. O governo não está interessado em atender à maioria da população. Pai, mãe, ele não se importa com as necessidades de seus filhos. Professor, professora, ele quer continuar apenas privilegiando uma parcela da sociedade que já é elitizada e tem todas as suas necessidades atendidas. Isto fica claro quando o governo ignora uma greve de educadores, que mobilizou a categoria durante mais de trinta dias e dominou o noticiário, ocupou as ruas, causou comoção e gerou amplo debate. Como pode o secretário da Educação, diante de tudo isto, ter mantido sua rotina e ter se recusado a conversar com os professores durante a greve? Parece que existimos para eles apenas como peças de uma engrenagem, mas não como pessoas que merecem consideração e respeito. A greve não é um acontecimento corriqueiro. Assim como uma febre em um organismo biológico, ela é sintoma de alguma doença no organismo social. E a doença é clara: abandono, descaso, desvalorização, desmotivação, um profundo cansaço frente à frieza com que somos tratados por aqueles que deveriam ser os primeiros a incentivar, valorizar, acolher, dialogar e buscar junto conosco – e não contra nós – as melhores saídas para os problemas da escola pública. Professores, alunos, funcionários, pais: todos nós fazemos parte de uma mesma comunidade. Temos que fazer da unidade que somos também uma unidade de propósitos e uma unidade de ação. É preciso que todos percebam que não pode fazer bem à escola estadual uma lei que, através de uma prova, deixa sem nenhum reajuste salarial pelo menos 80% dos professores. Não pode dar bons resultados deixar toda uma categoria durante quatro anos sem nenhum reajuste de salários. O jornal Folha de S. Paulo apontou: apesar de ser o estado mais rico, SP paga a seus professores o 14º salário do Brasil. Não é razoável, como faz o governo estadual, deixar professores sem tempo para preparar adequadamente suas aulas e desenvolver outras atividades necessárias à boa qualidade do ensino. Não é aceitável que o governo incorpore a GAM (Gratificação por Atividade do Magistério) em três parcelas anuais, quando poderia fazê-lo de uma única vez, e isto não quebraria o Estado. Além de tudo, é revoltante que o governo culpe os professores pelas deficiências que existem na rede estadual de ensino. O governo não cumpre suas obrigações, mas o pior é que veicula inverdades na televisão e no rádio. Quem conhece um professor que ganhe R$ 7 mil por mês? Quem sabe de alguma professora que tenha recebido R$ 15 mil de bônus? Onde estão as classes com dois professores? Alguém conhece realmente salas de informática que funcionam em finais de semana com monitores nas escolas estaduais? Quem tiver condições de demonstrar estes fatos poderá fazê-lo aqui mesmo neste blog, pois o governo afirma estas coisas, mas não demonstra. O sindicato, portanto, não está mentindo quando diz que isto não existe. Diante de tudo isto, reconforta-me sempre assistir ao filme Gandhi, no qual há uma passagem em que este grande líder da humanidade diz: “Quando me desespero, me lem
bro de que, na história, os caminhos da verdade e do amor sempre vencem. Sempre houve tiranos, assassinos; estes nunca conseguiram ser invencíveis. No final, sempre caíram.” Vale a pena seguir em frente. Juntos, somos mais fortes, mais capazes e venceremos. Maria Izabel Azevedo Noronha – Presidenta da APEOESP – Membro do Conselho Nacional de Educação
Atenção professoras e professores! Neste sábado, dia 1º de maio, o espaço do Sinpro no Programa Alternativo, do SBT, mostrará o trabalho dos professores do Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte, que desenvolvem o projeto Valorização da escola Pública. Eles fizeram uma homenagem ao Dia da Mãe Terra. Não deixe de assistir! Solicitamos que os professores que tenham propostas pedagógicas, trabalhos inovadores e/ou artísticos que entrem em contato com a Secretaria de Imprensa do Sinpro, para que possamos analisar a inclusão no referido programa. De acordo com a coordenadora de imprensa do Sinpro, Rosilene Correa a ideia é retratar aspectos positivos da escola pública e do trabalho dos educadores. Os professores podem sugerir matérias sobre propostas pedagógicas e outras atividades em suas escolas. “Mesmo com todas as dificuldades, a categoria realizar grandes trabalhos que não são divulgados, e essa é a nossa intenção”. O programa vai ao ar às 12h45 e é apresentado por Eduardo Chauvet. Não perca!
Para sanar algumas dúvidas sobre a apresentação de cursos para ascensão na carreira, o Sinpro elaborou um material com as dúvidas mais frequentes. Clique aqui para conferir
A comissão de negociação havia sido chamada para uma reunião com o governador, Rogério Rosso, na tarde desta terça-feira, 27, mas um imprevisto em sua agenda adiou o encontro. A assessoria do GDF informou que irá marcar nova data para que possamos entregar oficialmente a pauta de reivindicações da campanha salarial de 2010/2011.
“Carregadoras de Sonhos”, uma história para quem tem esperança
Jornalista: sindicato
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese) exibiu na segunda-feira, 26, em Brasília, o filme “Carregadoras de Sonhos”. Trata-se de um longa-metragem, dirigido pelo baiano Deivisson Fiúza, que narra o dia a dia de quatro professoras da rede pública de ensino de Sergipe. A primeira exibição na capital federal aconteceu no auditório do Ministério da Educação (MEC).
“Este é um filme que mostra histórias reais. São quatro professoras. Elas existem, não são atrizes. O filme aborda as dificuldades que elas enfrentam para chegar no local de trabalho e, estando lá, as dificuldades enfrentadas para exercer o papel de educadoras”, afirmou o presidente do Sintese, Joel Almeida. Além desses assuntos, o filme também trata de questões como a saúde do trabalhador, o problema da dupla ou tripla jornada e as más condições de trabalho.
Após assistir o filme, o secretário geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Denílson Bento da Costa, disse que é necessário que os governantes do país prestem mais atenção às questões da Educação no Brasil. Em breve, o filme será legendado para ser exibido no exterior. Denílson da Costa acredita que esta é uma possibilidade de mostrar para o Brasil e para o mundo a situação dos professores brasileiros.
No entanto, apesar das dificuldades retratadas, o “Carregadoras de Sonhos” traz uma mensagem de esperança. “Apesar dos baixos salários, das dificuldades de se chegar nas escolas e de todos os demais problemas, os professores ainda carregam um sonho de ver esse cenário se alterar, de ver essa realidade modificada. Portanto, o ‘Carregadora de Sonhos’ tem esse objetivo de mostrar as dificuldades das carregadoras (as professoras), mas também mostra que elas têm o sonho de um dia chegar a ter uma escola pública melhor”. Fonte: CNTE.
Há quatro anos Brasília vem participando da Campanha da Voz promovida pela SBFA, esclarecendo a população sobre a importância da Voz e da Fonoaudiologia na Sociedade. A Semana da Voz teve início no dia 16 de abril, Dia Nacional da Voz, e terá continuidade até o final do mês em várias atividades. No dia 29, quinta-feira, das 18 às 20 horas haverá a Oficina Encontro da Voz, dirigida a professores e radialistas comunitários, no auditório do Sinpro, coordenada pela fonoaudióloga Maria Lucia Torres. Na oportunidade, Maria Lucia ensinará técnicas de prevenção para problemas com as cordas vocais e como melhor utilizar a voz para o exercício da profissão de radialista e de professor e será distribuída uma cartilha sobre o tema. O Sinpro convida os professores a participarem.
Carregadoras de Sonhos retrata trabalho de educadoras
Jornalista: sindicato
O MEC e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Síntese) convidam os professores e professoras de Brasília para a exibição do filme Carregadoras de Sonhos hoje, dia 26, às 16h, no auditório do MEC, com debate ao final da exibição. O filme é um longa-metragem que mistura realismo e poesia e tem como tema principal a educação. Mostra um dia de trabalho de quatro profissionais do magistério e, além de abordar aspectos estruturais relacionados à educação, também apresenta uma análise do sistema educacional feita pelas próprias professoras. Ao contrário do que se espera de um documentário, o filme Carregadoras de Sonhos não tem a entrevista como elemento principal de sua narrativa. O filme mostra as professoras em ação, o roteiro foi construído com base em estruturas usadas pela ficção e a produção do filme utilizou os mesmos procedimentos empregados na arte do Cinema. A ideia surgiu em 2008, durante o Congresso bianual do Sintese, quando os 2 mil delegados presentes responderam um questionário detalhando suas condições de trabalho. Inicialmente, o projeto era de um curta-metragem que tratasse das professoras bóias-frias que, trabalhando longe de casa e em uma rotina apertada, almoçam rapidamente uma marmita fria entre as aulas.
Diálogo com a sociedade Os questionários, no entanto, evidenciaram que a alimentação é apenas um entre os diversos problemas que os trabalhadores da educação enfrentam cotidianamente, tais como violência, transporte, salário, recursos precários, entre outros. Desse modo, o projeto e o tema se expandiram.
O cineasta baiano Deivison Fiúza que foi contatado para dirigir, roteirizar e produzir o longa, selecionou – a partir dos questionários – as quatro professoras que atuaram no filme. “Quem discute e implementa política educacional precisa assistir ao filme. Discutir política educacional nos gabinetes é muito fácil”, expõe Roberto dos Santos, diretor de comunicação do Sintese. “Queríamos utilizar uma linguagem que dialogasse com toda a sociedade brasileira. Se fizéssemos um trabalho muito discursivo, ou com a bandeira e imagens do sindicato, ficaria panfletário. Há muito preconceito quando algo é feito por um sindicato”, completa.
Santos relata, ainda, que o sindicato deu total liberdade ao diretor na elaboração do filme, sem nenhuma interferência editorial. “Nós da direção do sindicato só fomos ver o filme pela primeira vez na semana passada. E ficamos satisfeitos”, afirma.
Retrato da realidade O jovem diretor, aos 30 anos, reafirma a necessidade que a esquerda tem de renovar a sua linguagem. “O filme foi roteirizado, dirigido e montado como se fosse um filme de ficção, é o que se chama hoje de ‘docudrama’”. Segundo ele, o filme retrata a realidade. “As professoras são reais, as histórias são reais, as locações são reais, mas o procedimento adotado foi de cinema de ficção. O objetivo foi dramatizar o máximo possível a vida e a rotina delas para que houvesse uma comunicação mais efetiva com a sociedade” explica.
Apesar de ter sido filmado em Sergipe, as quatro rotinas retratadas na película refletem a situação da educação no âmbito global. “Jamais pensei que na minha vida que eu participaria de algo assim”, revela a professora Edielma. “Não enfrentamos tudo isso no nosso dia-a-dia pelo nosso salário, até porque ele é ínfimo. Fazemos isso tudo por acreditar e pra lutar por uma educação de qualidade no nosso país”.
Denunciar e impactar Sem ilusões quanto às transformações que o filme trará, professora Marta acredita que o papel que o filme cumpre é de fazer com que pessoas vejam as condições de trabalho que elas – e muitos outros – enfrentam. “A ideia do filme é impactar”, sintetiza.
Para a professora Rose, “tudo foi uma grande aventura, expor aquilo que eu vivo dentro de uma realidade que é tão precária, eu achava que ninguém nunca ia chegar lá”. Criticando as políticas educacionais do governo e a propaganda política que se faz em torno da educação- mas que não é efetuada na prática- as professoras acreditam que ao menos a denúncia está sendo feita. “Foi muito satisfatório mostrar às pessoas que isso existe, esse descaso, como eu vivo. Acredito que é possível transformar a realidade”, aponta Rose. (com informações da Caros Amigos).
Carregadoras de Sonhos será legendado em espanhol, francês e inglês, e inscrito em ao menos 60 festivais de longas-metragens, nacionais e internacionais.