Reajuste de 39% no preço do gás natural deve gerar aumento geral de preços

 

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Portal CUT, Por André Accarini. O reajuste de 39% do gás natural (GNP)  nas refinarias da Petrobras a partir do dia 1° de maio, vai ter um efeito cascata com impactos nos índices de inflação. Isto porque diferente do gás de botijão (GLP), o gás natural é utilizado industrialmente, e o aumento em seu preço encarece a produção.

A técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Subseção da CUT) explica que esse tipo de combustível é mais utilizado pela indústria (43%), e para a geração de energia elétrica (38%). Por isso, ela diz, ainda que não atinja as famílias diretamente, já que o número de residências que usam o gás encanado é pequeno, haverá impacto grande na economia – na inflação – porque é um insumo importante para as indústrias. 

“Quando há um aumento no custo dos insumos importantes para a indústria, como é o caso do gás natural, há um impacto geral na inflação porque esse custo é repassado aos preços dos produtos”.

Uma das principais demandas do gás natural para as indústrias é, justamente, para geração de energia elétrica. Adriana diz ainda que conforme se aproxima o inverno, o uso aumenta por conta de períodos de seca em que a energia a gás se torna uma opção mais econômica.

Além disso, a conta de luz deve também sofrer reajustes porque o custo para geração de energia térmica pelas distribuidoras deve subir.

GLP X GNP

Os reajustes do gás de botijão (GLP) foram menores até agora, mas constantes. No fim das contas, em 12 meses, o GLP já teve um reajuste de 20.01%. O último reajuste, em março foi de 4,98%.

Para Adriana Marcolino, a exorbitância do reajuste do gás natural foi uma forma de a Petrobras equiparar os preços das duas modalidades. Ela ressalta que os reajustes são consequência da política de preços da Petrobras – a PPI (Política de Paridade de Importação) – que faz com que o preço praticado no Brasil acompanhe a variação do dólar e do mercado internacional.

“Interessa aos acionistas, ao mercado financeiro, e não é nada bom para a população. Os reajustes têm disso constantes e relevantes. Em março do ano passado, o preço do botijão e gás era R$ 69, em média. Hoje já chega a R$ 120,00 em algumas regiões como Norte e Centro-Oeste”, diz Adriana.

O valor (R$ 120,00) representa 12% do salário mínimo e em tempos de pandemia, o uso do GLP, item de primeira necessidade para as famílias brasileiras, tem sido maior por causa do aumento da permanência das pessoas em casa.

“Tem subido acima da inflação, pesado no orçamento e tem trazido também outros problemas como acidentes domésticos pelo uso de outras formas de cozinhar alimentos como álcool, madeira, lenha e querosene para diminuir o custo”, diz.

Já o gás natural (GNP) é usado por cerca de 2% da população brasileira. Outro setor que também utiliza o GNP é o transporte. Cerca de 9% da produção é destinada ao abastecimento de veículos.

Adriana afirma ainda que, por se tratar de gênero de primeira necessidade, deveria haver uma política de preços diferenciada tanto para o gás natural como a gás de botijão.

O impacto no preço do transporte do gás

Um dos índices que compõem o preço do GLP é o valor do transporte do gás, que acompanha as tarifas reguladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor é medido pelo índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), e acumula inflação de 31% , de março de 2020 a março de 2021 (12 meses).

Por isso, este aumento de 39% no GNP pode também ser creditado à venda dos ativos da  Petrobras, que privatizou seus gasodutos e, agora paga um aluguel em torno de US$ 3 bilhões ao ano para utilizá-los.

Leia Mais: Petrobras vende TAG e, com ‘lucro’, paga aluguel para usar gasodutos que privatizou 

quebra do domínio da Petrobras no novo marco regulatório de transporte, distribuição e sobre todo o mercado de gasodutos, aprovada pelo governo federal, sob o pretexto de que reduziria os preços, na avaliação de especialistas, nada mais é do que parte de um desmonte da estatal quem vem sendo promovido desde o golpe de 2016.

*Edição: Rosely rocha

Por uma ação integrada para sair da crise

2021 04 08 destaque namidia

 

Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, marcado para o próximo dia 07 de abril, e ainda em plena Pandemia da covid-19, precisamos cada vez mais de todos para banir o atual cenário de crise em nosso país. As crises de ordem sanitária, política, econômica e social que afetam o Brasil nos dias de hoje foram, sem dúvida, aprofundadas e agravadas pela ignorância do presidente eleito em 2018. Ao manter a vigência da Emenda Constitucional n° 95 de 2016, que impõe, a cada ano, reduções orçamentárias nas políticas públicas brasileiras, o atual governo brasileiro consolida as medidas perversas desta emenda ao deixar intocáveis a Reforma Trabalhista e a lei da terceirização irrestrita. Além disso, para piorar tudo ainda mais, aprova a Reforma da Previdência e promulga a Emenda Constitucional n° 109 de 2021, responsável por mais cortes de direitos e de recursos financeiros que seriam destinados às políticas públicas, entre elas, saúde, educação e assistência social.

Continuamos sendo alvos e vítimas dos negacionistas e privatistas que estão no Governo Federal. Se não bastasse o cenário desolador que se abate no Brasil desde os tempos do governo Temer, ainda tramitam no Congresso Nacional as Propostas de Emenda Constitucional de números 32, 45, 187 e 188. Todas essas proposições buscam alterar completamente o papel do Estado Brasileiro, ao retirar a sua obrigação na garantia de ofertar políticas públicas como direito inalienável da população. A intenção é privatizar e mercantilizar os serviços públicos em nosso país, repassando os recursos dos orçamentos públicos às mãos dos setores privados.

Não podemos permitir e nem aceitar mais esse açoite contra nossos direitos e, por isso, ganha fundamental relevância o Manifesto Intersetorial da Saúde, Educação e Assistência Social em defesa da Vida e da Democracia. Trata-se de uma iniciativa ampla, que reuniu entidades e especialistas das três áreas sociais mais afetadas desde a promulgação da EC 95/2016 e que, nessa pandemia, se mostram tão importantes para a vida de nossa população. Vamos fazer a leitura e divulgação desse importante documento e, de forma ampla, provocar as mobilizações necessárias para enfrentarmos as crises aprofundadas pelo desgoverno Bolsonaro. Só assim, de forma qualificada, poderemos fazer nossa luta pela vida, pela democracia, pelos direitos humanos e sociais para o conjunto da população brasileira.

Neste sentido, o Manifesto lançado através do que se articulou como Frente pela Vida tem o objetivo de apresentar um posicionamento diante da situação em que vivemos e nos encontramos hoje no país. A partir de uma visão da conjuntura, propõe princípios e diretrizes para indicar caminhos a fim de garantir o direito à educação, com proteção integral de crianças e adolescentes, condições de segurança sanitária para os trabalhadores e proteção à vida de todos os cidadãos e cidadãs do Brasil. Trata-se de um grito de alerta para resgatarmos nossa proteção social tão ameaçada.

Dessa forma, de modo propositivo no enfrentamento da grave situação em que se encontra o país, o Manifesto propõe quatro princípios para ações intersetoriais no enfrentamento da atual crise: “a) Avaliar a situação epidemiológica – Considerar o estágio dos indicadores da pandemia, se em ascensão, estabilidade ou descenso. b) Considerar a territorialidade – A segurança sanitária não deve se pautar por protocolos únicos, padronizados e gerais. Avaliar as condições de cada contexto local para adequar estratégias e medidas para garantir o direito à educação. c) Respeitar a especificidade – Há necessidade de observar a especificidade pedagógica e curricular em relação à modalidade, condições, etapas e nível de cada unidade educativa dentro do sistema nacional de educação. d) Garantir a equidade – Assegurar ampla isonomia na construção de soluções, com respeito à intersetorialidade e à diversidade social, racial, étnica, cultural, sexual, geracional e de gênero”.

A intersetorialidade proposta pelo manifesto é uma estratégia fundamental de enfrentamento às crises que vivemos hoje no país porque promove, sobretudo, a integração das políticas sociais. Para dar conta desse desafio, o Manifesto pela Vida e pela Democracia indica a aplicação de diversas diretrizes para concretizar os princípios que defendemos. Para a urgência do atual momento, as entidades da Frente pela Vida, face à emergência e intensidade do recrudescimento da pandemia, defendem explicitamente o seguinte: “implementar fechamento total e rigoroso de todas as atividades com potencial de transmissão viral em todas as regiões do país onde houver crescimento das curvas epidêmicas. Além disso, é urgente implementar as necessárias medidas de proteção social para toda a população vulnerabilizada, particularmente restaurando as modalidades de auxílio emergencial, condição essencial para o sucesso das estratégias de controle e mitigação de danos da pandemia”.

Por fim, o Manifesto é concluído indicando ações para quando as curvas epidêmicas forem reduzidas de forma sustentada, tendo controlados os indicadores de transmissão comunitária. Vale muito a sua leitura e também a ampla divulgação desse esforço conjunto das três principais áreas sociais brasileiras. Assim, esperamos, será possível fortalecer as nossas lutas com a qualidade que o momento exige!

(Brasil de Fato, 08/04/2021)

Fonte: CNTE

Programa em defesa do serviço público será exibido nesta sexta (9) na TVT

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Portal CUT, Por Redação CUT – Defender e debater a importância do serviço público no Brasil. Este é o objetivo do programa especial que a TVT exibe nesta sexta-feira (9), das 16h às 17h30, que contará com a presença de sindicalistas, parlamentares, e profissionais das áreas da saúde e educação.

O programa em defesa do serviço público tem como gancho a campanha publicitária da CUT e de entidades filiadas, que levam uma mensagem clara para a sociedade: se a reforma Administrativa for aprovada, seus direitos à saúde, educação, benefícios como aposentadoria e auxílio-doença, entre outros, correm risco de serem perdidos.

Com quatro blocos, o programa especial da TVT debaterá o tema de forma virtual por causa da pandemia do novo coronavírus. No primeiro bloco, o secretário de Comunicação da CUT Nacional, Roni Barbosa, fala porque as entidades decidiram investir em uma campanha publicitária para defender o serviço público, que garante direitos fundamentais a milhões de brasileiros e brasileiras.

Além da CUT, investiram na campanha, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef/Fenadsef), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) e a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes).

No segundo bloco, o tema será ‘a defesa do serviço público no contexto atual’ e os convidados que participarão ao vivo serão Heleno Araújo, presidente da CNTE, e o deputado federal e membro da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público, Rogério Correia (PT-MG). O presidente da CUT, Sérgio Nobre, e o presidente do Proifes, Nilton Brandão, participarão por meio de vídeos pré-gravados.

O terceiro bloco vai discutir o tema ‘o Serviço Público em defesa da vida’  e os convidados ao vivo serão Sandro Cezar, presidente da CNTSS, e Sérgio Machado Rezende, físico e ex-ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula e que atualmente coordena o combate à covid-19 no Consórcio Nordeste. Neste bloco serão exibidos vídeos da enfermeira Juliana Mitelbach, que conta sua experiência na linha de frente de combate a pandemia e do ator Antônio Pitanga, que deu um belo depoimento sobre a importância, nas nossas vidas, dos servidores e servidoras públicas.

O tema do quarto bloco é ‘serviços essenciais, servidores especiais’ e terá entre os debatedores Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Condsef/Fenadsef, e Leonel Radde, do PT/RS, conhecido como vereador antifascista, que além de extensa carreira acadêmica, é policial civil licenciado para exercer o mandato. A participação especial deste bloco será do professor Ariovaldo Camargo, secretário de Administração e Finanças da CUT Nacional e de Denise Motta Dau, Secretária sub-regional da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) para o Brasil.

O quinto e último bloco vai discutir o tema ‘verdades e mentiras sobre o serviço público’ e os debatedores serão Vilani Oliveira, presidente da Confetam, e Juliane Furno, doutora em economia, economista chefe do IREE – Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa e youtuber. Este bloco também contará com a participação do presidente da Fenasepe, Renilson Oliveira.

Leia mais: Campanha em defesa do serviço público já está no ar. Confira o vídeo 

Como participar da Campanha

Há duas maneiras de participar da campanha em defesa do serviço público. A primeira é ajudando a divulgar, compartilhando os materiais em suas redes sociais. Além do vídeo e de um spot, a campanha tem vários cards que podem ser publicados nas redes sociais.

A segunda, e ainda mais importante, é pressionando o Congresso Nacional para que rejeite a Reforma Administrativa. Para isso, a CUT disponibiliza a plataforma NaPressão.  Nela todos podem pressionar parlamentares de maneira fácil e direta, por meio do WhatsApp, Facebook, Twitter ou e-mail, clique aqui e saiba mais.

Não deixem vender o Brasil

A campanha da CUT e entidades filiadas é também contra os planos de Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, de privatizar serviços que o país tem obrigação de prestar à população em áreas como saúde e educação, e, ainda contra a venda das estatais, assunto tratado na primeira fase da campanha, cujo mote foi ‘não deixem vender o Brasil’. 

Empresas públicas são essenciais para o país sair da crise econômica e contribuir no esforço para recuperação do desenvolvimento nacional, comprova estudo do Dieese. E isso o povo precisa saber.

Fonte: CUT

PL que permite aquisição de vacinas pelo setor privado privilegia empresários

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Portal CUT, por Andre Accarini – A intenção de atropelar o Plano Nacional de Imunização (PNI) proposta no Projeto de Lei 948/2021, aprovado pela Câmara dos Deputados na tarde desta quarta-feira (7), causou indignação nos parlamentares dos partidos de oposição, que foram contrários ao projeto, e em entidades que defendem um processo de vacinação que seja democrático, justo e rápido para todos.

Ao contrário disso, o projeto aprovado propõe que o setor privado adquira vacinas diretamente com as fabricantes e até mesmo as que ainda não têm certificação da Anvisa, para imunizar os integrantes de organizações privadas.

O projeto ainda precisa passar pelo Senado e, por isso, entidades que defendem o SUS, como a CUT e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS) pressionarão os senadores para que eles barrem a proposta.

Para a CUT, o PL, apelidado de ‘fura-fila’, além de desorganizar ainda mais o Plano Nacional de Imunização, significa que os mais ricos terão acesso privilegiado à vacina.

“As vacinas compradas pelos empresários atenderão um público seleto, independentemente de pertencer aos grupos priorizados pelo atual Programa Nacional de Imunização. Mais grave ainda é que passarão à frente de pessoas que já deveriam ter sido imunizadas, muitas com comorbidades e que continuarão na fila de espera”, afirma a secretária Adjunta de Finanças da CUT, Maria Faria, também dirigente da CNTSS.

Será o poder do dinheiro de poucos passando por cima do direito de todos. O SUS garante a universalidade e gratuidade para toda a população

– Maria Faria

Ela também avalia que se o Brasil tivesse feito a lição de casa e já no ano passado, quando começaram as primeiras possiblidades de negociações com fabricantes de vacinas, e o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) tivesse agilizado a aquisição, sem criar pretextos e empecilhos, hoje não teríamos a caótica situação de apenas cerca de 10% dos brasileiros imunizados.

A decisão de compra da vacina era de Bolsonaro. Se tivesse um mínimo de responsabilidade, o SUS não estaria penando para vacinar pessoas. Mas o que a gente vê é um plano de vacinação desorganizado, que começou muito tarde, é lento e tem constantes atrasos porque não chegam insumos. Então a responsabilidade não é do SUS, do sistema e sim da falta de decisão política desse desgoverno genocida

– Maria Faria

 

O Projeto

O relatório do projeto de lei, de autoria da deputada Celina Leão (PP/DF), tem pontos como a dedução integral, no valor do imposto de renda das pessoas jurídicas. Os valores gastos com a aquisição e aplicação de vacinas pela iniciativa privada poderão ser abatidos no IR. O texto prevê ainda que a mesma quantidade dispensada à iniciativa privada, deverá ser doada, como contrapartida ao Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o autor do projeto, Hildo Rocha (MDB/MA), a possiblidade de a iniciativa privada adquirir os imunizantes diretamente com as fabricantes, desafogará o SUS.

Parlamentares da oposição e médicos contestam PL

Em uma live realizada pela CUT nesta quarta-feira, o Senador Humberto Costa (PT/PE), que também é médico,  criticou o projeto, afirmando que se trata da pior das medidas aprovadas até agora pelo Congresso, para o enfrentamento à Covid-19.

“No Congresso tivemos ações decisivas na pandemia como a aprovação do auxílio emergencial de R$ 600 – valor maior do que queria o governo, no ano passado, garantimos segurança jurídica para aquisição de vacinas pelo governo, entre outras ações, mas este PL é algo terrível. Nem mesmo os Estados Unidos, maior potência econômica do mundo permitem uma ação como essa”, disse o senador.

Para o parlamentar, o projeto atende aos interesses da elite, em um “salve-se quem puder”, e neste caso, o poder econômico no Brasil está falando mais alto. “As elites estão fazendo o que sempre fizeram – se salvarem e deixaram a população em estado grave”, disse.

Humberto Costa reforça que é preciso ter uma coordenação nacional para que a imunização da população dê certo. “O projeto não fala nem como a informação sobre quem foi vacinado será declarada ao SUS”.

O senador ainda levanta uma questão: “de quem eles vão comprar já que faltam vacinas no mundo todo?”

O deputado líder da bancada do PT na Câmara, e também formado em medicina, Henrique Fontana (RS) concorda e afirma que, com o projeto, estão sendo criadas duas categorias para a imunização: “a das pessoas endinheiradas, que vão poder receber a vacina, e a outra, das pessoas que, talvez, por causa dessas compras, vão ficar ainda mais distantes de serem imunizadas”.

Ele lembra também que o Brasil perdeu a oportunidade de comprar vacinas no momento certo e agora, parte da elite quer resolver seus problemas próprios, ignorando aqueles que mais precisam, e correm maior risco de adoecimento.

“Esse projeto é uma vergonha para o Parlamento nacional”, afirmou o deputado.

O ex-ministro da Saúde, deputado Alexandre Padilha (PT-SP) explica que o PL pode também atrasar ainda mais o Programa Nacional de Vacinação.

“A proposta pode tirar oportunidades de o governo federal e os governos estaduais e municipais poderem adquirir vacinas para o SUS, ao reservar esses imunizantes para quem tem dinheiro para comprá-las”, disse o deputado.

Padilha alertou ainda que o Parlamento, ao aprovar esse projeto, rasga a lei que tanto a Câmara quanto o Senado aprovaram, de forma unânime, há menos de um mês.

“Vai colocar o Brasil numa lista vergonhosa de permitir, no meio da maior pandemia da nossa história, que o poder do dinheiro possa fazer as pessoas furarem a fila e, mais, bagunçar, desorganizar toda a estratégia de vacinação”.

O PL altera a Lei 14.125, aprovada em março e que permitia a aquisição de vacinas por empresas desde que fossem todas doadas ao SUS. Com a nova redação, as empresas podem aplicar metade das doses compradas em seus diretores e funcionários.

 

*Edição: Rosely Rocha

Fonte: CUT

Caixa começa a depositar novo auxílio emergencial amanhã, terça-feira (6)

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Portal CUT, Por: Redação CUT

 

Tem início nesta terça-feira (6) o pagamento da primeira das quatro parcelas do novo auxílio emergencial para trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais.

Este ano, apesar do agravamento da pandemia do novo coronavírus e de centenas de cidades terem adotado um isolamento mais rigoroso para conter a transmissão do vírus, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) pagará um valor bem menor do que o que foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2020. Além disso, um número bem menor de pessoas terá direito ao benefício.

A previsão é de que 45,6 milhões de pessoas recebam o benefício este ano. No ano passado, quase 68 milhões receberam o auxílio.

O valor do benefício caiu de R$ 600, pagos em 2020, para, em média, R$ 250 e apenas uma pessoa por família poderá receber o auxílio – no ano passado, até duas pessoas da mesma casa podiam receber. As mulheres chefes de família, que no ano passado receberam R$ 1.200, receberão apenas R$ 375 este ano. E os desempregados e informais que viverem sozinhos receberão menos ainda, apenas R$ 150.

Os depósitos serão feitos na conta de forma escalonada até agosto nas contas digitais do Caixa Tem. As liberações de saques terminam em setembro. Mas, nos primeiros dias, as pessoas não poderão sacar, poderão movimentar o dinheiro para pagar contas por meio do aplicativo ou para fazer compras pela internet ou em débito.

Depois de algumas semanas, poderão sacar ou transferir para outra conta o que e se sobrar algum dinheiro no Caixa Tem.

Os beneficiários do Bolsa Família começarão a receber a partir de 16 de abril, conforme o calendário de pagamentos do programa que será de acordo com o mês de nascimento. Ver abaixo o calendário completo.

Confira se você tem direito ao novo auxilio

A Dataprev (empresa de tecnologia da Previdência) já processou mais de 40 milhões de cadastros para a liberação do primeiro lote de pagamentos.

Desde sexta-feira (02), os trabalhadores e trabalhadoras  cadastrados no programa podem verificar se foram aprovados no site da Dataprev: https://consultaauxilio.dataprev.gov.br/consulta/#.

A Caixa também liberou a consulta aos cadastros aprovados pelo site auxilio.caixa.gov.br ou pelo telefone 111.

Calendário

Nesta terça-feira, começam a receber os trabalhadores informais, microempreendedores individuais, desempregados e outras pessoas afetadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) nascidas no mês de janeiro, além de integrantes do Cadastro Único do governo federal.

Confira o calendário de pagamento de cada uma das 4 parcelas:

1ª Parcela

Nascimento Depósito no Caixa Tem Saque em dinheiro
Janeiro 6 de abril 4 de maio
Fevereiro 9 de abril 6 de maio
Março 11 de abril 10 de maio
Abril 13 de abril 12 de maio
Maio 15 de abril 14 de maio
Junho 18 de abril 18 de maio
Julho 20 de abril 20 de maio
Agosto 22 de abril 21 de maio
Setembro 25 de abril 25 de maio
Outubro 27 de abril 27 de maio
Novembro 29 de abril 1º de junho
Dezembro 30 de abril 4 de junho

2ª Parcela

Nascimento Depósito no Caixa Tem Saque em dinheiro
Janeiro 16 de maio 8 de junho
Fevereiro 19 de maio 10 de junho
Março 23 de maio 15 de junho
Abril 26 de maio 17 de junho
Maio 28 de maio 18 de junho
Junho 30 de maio 22 de junho
Julho 2 de junho 24 de junho
Agosto 6 de junho 29 de junho
Setembro 9 de junho 1º de julho
Outubro 11 de junho 2 de julho
Novembro 13 de junho 5 de julho
Dezembro 16 de junho 8 de julho

3ª Parcela

Nascimento Depósito no Caixa Tem Saque em dinheiro
Janeiro 20 de junho 13 de julho
Fevereiro 23 de junho 15 de julho
Março 25 de junho 16 de julho
Abril 27 de junho 20 de julho
Maio 30 de junho 22 de julho
Junho 4 de julho 27 de julho
Julho 6 de julho 29 de julho
Agosto 9 de julho 30 de julho
Setembro 11 de julho 4 de agosto
Outubro 14 de julho 6 de agosto
Novembro 18 de julho 10 de agosto
Dezembro 21 de julho 12 de agosto

4ª Parcela

Nascimento Depósito no Caixa Tem Saque em dinheiro
Janeiro 23 de julho 13 de agosto
Fevereiro 25 de julho 17 de agosto
Março 28 de julho 19 de agosto
Abril 1º de agosto 23 de agosto
Maio 3 de agosto 25 de agosto
Junho 5 de agosto 27 de agosto
Julho 8 de agosto 30 de agosto
Agosto 11 de agosto 1º de setembro
Setembro 15 de agosto 3 de setembro
Outubro 18 de agosto 6 de setembro
Novembro 20 de agosto 8 de setembro
Dezembro 22 de agosto 10 de setembro

 

Quem está morrendo na pandemia é a classe trabalhadora, diz Sérgio Nobre

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Portal CUT, Por: Camila Alvarenga-Opera Mundi

 

No programa 20Minutos Entrevistas desta sexta-feira (02/04), o jornalista Breno Altman entrevistou Sérgio Nobre, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sobre o movimento sindicalista no Brasil em tempos de pandemia.

Segundo ele, as principais bandeiras do movimento atualmente são a luta pela vacina e por um auxílio emergencial digno. “O nosso principal objetivo agora é a defesa da vida porque quem está morrendo na pandemia é a classe trabalhadora”, afirmou.

Outro fator que preocupa o movimento sindical é a destruição do sistema produtivo. Ele explicou que os pequenos fornecedores estão quebrando, o que, em consequência, afetará grandes empresas que dependem dos componentes que produzem. “Sem falar nos pequenos comércios que estão fechando porque não têm apoio financeiro. E apoio financeiro não é empréstimo, porque o dono do boteco não consegue pagar empréstimo”, exemplificou.

Diante desse cenário, o presidente da CUT lamentou não poder convocar grandes mobilizações por conta da pandemia. Neste momento, um dos principais instrumentos de luta dos sindicatos são as redes sociais, para divulgar informações e se aproximar da classe trabalhadora.

“O nosso principal desafio é melhorar a comunicação nas redes sociais. Principalmente pensando nas eleições de 2022. É muito importante derrubar Bolsonaro e, pela característica dele, vai ser uma eleição de baixíssimo nível, de muita baixaria nas redes, então temos que estar muito ligados ao nosso povo. Não sou otimista a ponto de pensar que, antes do meio do ano que vem, vamos poder fazer manifestações em massa para derrubá-lo antes disso”, argumentou Nobre.

O trabalho da CUT, entretanto, não se limita ao universo online. A Central vem percorrendo os bairros para poder conversar com a população, “porque não podemos mais atuar só no local de trabalho, boa parte da categoria não está lá, trabalha de casa”. Sem aglomerações, a organização leva carros de som para perto dos edifícios e conversa com as pessoas pelas janelas, pelos portões das casas ou mesmo nas portas das estações de metrô. 

“A saída para a situação que estamos vivendo tem que ser progressista, pela esquerda, e só o será se estiver sob nossa direção. Então precisamos fazer isso porque precisamos de legitimidade para dar essa direção quando surgir a oportunidade”, defendeu.

Desmonte do movimento sindical

A luta, contudo, fica cada vez mais difícil de se fazer, não apenas por conta da pandemia, mas por conta de todo o desmonte que vem sendo promovido pelo governo federal, desde 2016, a fim de enfraquecer o movimento sindical, como explicou Sérgio Nobre.

“A gente sabe que a classe trabalhadora só avança em direitos durante democracias. Quando você tem um governo que aplica golpe, o primeiro alvo é o movimento sindical e popular: inviabilizaram o financiamento da estrutura sindical”, disse.

A principal forma de financiamento sindical era por meio do imposto sindical, algo a que a CUT sempre se opôs, como explicou o presidente, “por ser algo imposto. Os trabalhadores devem financiar o sindicato por acreditar no projeto”. Porém, em 2017, com a reforma trabalhista, ele deixou de ser obrigatório. Em 2019, Bolsonaro proibiu o desconto em folha da contribuição sindical. E, em 2020, o Ministério do Trabalho proibiu órgãos federais de recolher o imposto. 

“A direita acabou com o imposto sindical, que a gente não quer de volta, mas não colocou outra coisa no lugar. Então a gente perde toda a capacidade de financiamento”, reforçou Nobre. “Estamos desde 2016 trabalhando em capacidade total e sem poder nos financiar, porque o sindicato não é como uma empresa. Nas crises, as empresas fecham, mas o sindicato tem que ativar toda a sua estrutura. Mas não é porque tiraram nosso dinheiro que vamos deixar de cumprir nosso papel”, garantiu.

Além disso, o presidente da CUT citou outras mudanças que foram feitas com a reforma trabalhista que enfraqueceram a luta dos trabalhadores e removeram direitos. A possibilidade de negociação individual dos trabalhadores com os patrões, a autorização da terceirização da atividade fim de empresas e a introdução de contratações generalizadas por tempo parcial foram alguns dos exemplos.

Para Nobre, todos esses fatores fazem com que a população brasileira esteja vivendo “uma tragédia”, mas “há uma luz no fim do túnel”. Segundo ele, o retorno de Lula está animando a população, “parece que a gente tem condições reais de uma vitória, de que ganhe alguém lúcido, com condições de governar o país”.

PEC 196

A nível institucional, a CUT luta por uma reforma estrutural dos sindicatos. Segundo Sérgio Nobre, o neoliberalismo, o mercado globalizado e as inovações tecnológicas fazem com que o modelo sindical criado em 1983 não dê mais conta de responder às transformações do mundo do trabalho.

Por isso, as seis principais centrais dos trabalhadores do país, junto com sindicatos do setor empresarial, estão construindo o Projeto de Emenda Constitucional 196, para introduzir um novo modelo sindical. Nobre detalhou os elementos fundamentais da reforma.

O primeiro deles é a introdução da liberdade sindical. Atualmente no Brasil,  existe a unicidade sindical. Isto é, não se permite a existência de mais de um sindicato de uma mesma categoria na mesma base territorial. A norma foi criada para evitar a pulverização sindical, que enfraqueceria a luta. 

“Parece contraproducente, mas a gente introduz essa medida apontando para a criação de sindicatos mais amplos e impedindo a criação de sindicatos por local de trabalho, justamente para evitar a criação de muitos pequenos sindicatos”, explicou o presidente da CUT.

Ele se posicionou contra a unicidade por ser algo imposto e não ser uma medida que efetivamente previne a fragmentação sindical: “Hoje temos 12.500 sindicatos e o maior problema é a baixa representatividade. Os sindicatos têm um alto custo, não tem efetividade, nem liderança”, argumentou.

Por isso, a PEC 196 também visa conferir mais representatividade para os sindicatos, de forma que as pessoas queiram financiá-lo, “porque luta e traz conquistas”. E, segundo Nobre, é mais fácil fortalecer sindicatos quando são menos e mais amplos, sem competir entre si. Nesse sentido, ele afirmou que a liberdade sindical reduziria o número de sindicatos.

A PEC também promove a autorregulação do sistema: “Não existe nenhum país no mundo onde o Estado interfira tanto no movimento sindical, interferem nas greves e como realizá-las. Isso é um absurdo. Propomos a criação de uma câmara, composta pelas principais centrais de maneira proporcional, que regule o funcionamento do sistema, regrando a criação de sindicatos, seus registros, como agir em períodos eleitorais, sem o Estado”, explicou Nobre.

Neste caso, o Estado seria considerado um empregador como outro qualquer. Fora isso, teria a função de mediador quando de interesse das partes em momentos de conflito.

O financiamento dos sindicatos nesse novo modelo é o único ponto ainda em discussão, segundo Nobre.

“Nos agrada a ideia da mensalidade e de uma contribuição de não associados que se beneficiam da atuação sindical. Ou seja, quando o sindicato traga uma conquista para o conjunto da categoria, independentemente de o trabalhador ser sócio, os que se beneficiam dela devem fazer uma contribuição. É o que chamamos de taxa negocial”, contou.  

Em protesto contra Bolsonaro, comandantes das Forças Armadas deixam seus cargos

 

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Portal CUT, por Congresso em Foco – Em nota divulgada à imprensa, o Ministério da Defesa informou que os comandantes do Exército (Edson Pujol), da Marinha (Ilques Barbosa Júnior) e da Aeronáutica (Antonio Carlos Moretti) serão substituídos, na esteira da saída do ministro Fernando Azevedo e Silva. O comunicado não informa se a saída foi pedida pelos próprios comandantes ou se os cargos foram requisitados pelo novo ministro, general Braga Netto. A decisão foi anunciada após reunião encerrada há pouco.

“O Ministério da Defesa (MD) informa que os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica serão substituídos. A decisão foi comunicada em reunião realizada nesta terça-feira (30), com presença do Ministro da Defesa nomeado, Braga Netto, do ex-ministro, Fernando Azevedo, e dos Comandantes das Forças.”

Empresas públicas são essenciais para país sair da crise, comprova estudo do Dieese

Portal CUT, por Rosely Rocha –

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Os governos de Michel Temer (MDB-SP) e de Jair Bolsonaro (ex-PSL)  se pautaram pelo discurso de que só o que é privado é bom, que os servidores são “vagabundos” ( disse o ministro da Economia, Paulo Guedes) , e que as empresas públicas são deficitárias e devem ser vendidas, privatizadas.

Este discurso distorcido, bem diferente do discurso e da prática dos ex-presidentes Lula e Dilma, do PT, que investiram nas estatais e valorizaram o servidor público, tem o intuito de propiciar um ambiente favorável junto à opinião pública para a venda dessas empresas.

Ao não investir nas empresas nem no serviço público, as pessoas são mal atendidas por falta de condições de trabalho, mas por terem em mente os discursos da dupla Bolsonaro/Guedes, acabam concluindo que é melhor vender mesmo, sem refletir sobre as consequências da privatização.  Se refletissem um pouco lembrariam, no mínimo, que as empresas públicas são responsáveis por boa parte da geração de emprego e renda no país.

Para desmitificar o discurso neoliberal da privatização, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez um estudo minucioso sobre as estatais, as empresas de economia mista e o conceito do que é público.

Intitulado “uma visão panorâmica das empresas estatais federais e possibilidades de atuação no pós-pandemia’, o estudo também dará mais argumentos para que os dirigentes sindicais e trabalhadores e trabalhadoras dessas empresas unifiquem ainda mais a luta em defesa das estatais, como já  vêm fazendo a CUT e entidades filiadas com as campanhas publicitárias exibidas nas TVs e rádios, além da internet,  “ Não deixem vender o Brasil”, em defesa das estatais, e Diga Não à Reforma Administrativa, em defesa do serviço público.  O objetivo das campanhas é sensibilizar toda a sociedade para os problemas que o país enfrentará em cada setor, caso essas empresas sejam privatizadas  e o serviço público exterminado.

 Leia mais: Não deixem vender o Brasil: Estatais ajudam a aquecer a economia e a gerar emprego

Na apresentação do estudo, os técnicos do Dieese falam como, neste momento de aguda crise sanitária e socioeconômica em escala global, as estatais podem, também, fazer parte de um esforço de recuperação e desenvolvimento nacional.

Em diversos países, afirma o texto, Estados nacionais vêm lançando pacotes bilionários de incentivo e apoio ao setor privado, e as estatais brasileiras podem – e devem – participar deste processo. A título de exemplo, tal contribuição pode se dar por meio da ampliação dos investimentos, induzindo, em consequência, investimentos privados; por meio da expansão do crédito pelos bancos públicos ao capital de giro e à ampliação da capacidade instalada; e, no caso das grandes empresas Petrobras e Eletrobras, por meio da liderança no país do processo de transição energética, já iniciado nos países desenvolvidos.

O estudo do Dieese traz exemplos de como sem empresa pública a economia patina. É o caso do crédito bancário ofertado pelos bancos públicos, que promove a redução das desigualdades regionais; a energia hidroelétrica gerada pelas usinas controladas pelo Estado e, é base para a oferta desse serviço essencial; e a exploração da camada do pré-sal que deu uma contribuição inigualável ao avanço tecnológico do país.

Conceito de empresas públicas distorcido pelo governo

O supervisor do Dieese no Rio de Janeiro, Paulo Jager, um dos técnicos que elaboraram a nota técnica – leia aqui a íntegra – afirma que o governo distorce informações ao se referir às estatais como empresas que dão prejuízos, que há rombo, além de misturar conceitos do papel de cada empresa.

Estatais federais

O Brasil tem 200 estatais federais, sendo 46 delas controladas diretamente pela União. Dessas, 37 eram empresas públicas, isto é, com capital de propriedade exclusiva da União. O Estado brasileiro também possuía o controle direto de nove empresas de economia mista. Os dados são de 2019, disponibilizados pela Secretaria de Governança das Empresas Estatais do Ministério da Economia (Sest).

Segundo Jager, o governo federal não esclarece que outros países, embora tenham estatais em menor número que o Brasil, elas são maiores tanto em tamanho como no número de trabalhadores que possui. Outro dado distorcido do governo é dar a entender que todas as estatais brasileiras têm capital 100% da União, o que não é verdade.

 “Uma empresa pública é controlada 100% pelo Estado, uma estatal é sociedade de economia mista, controlada pelo Estado, mas em parceria com o setor privado, como são os casos do Banco do Brasil e da Petrobras, cujas ações são negociadas na Bolsa de Valores, inclusive de Nova Iorque, o que gera especulação dos acionistas que querem cada vez maior lucro, num menor espaço de tempo”, afirma Jager.

De acordo com o supervisor do Dieese, há ainda a categoria de empresas públicas, que o governo chama de dependentes, que não tem orçamento autônomo, e precisam de verbas do orçamento fiscal da União e são subsidiadas.

Uma delas, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que o governo cita como deficitária, tem a função de gerir os hospitais universitários. Seu objetivo consiste em dar continuidade à prestação de serviços de assistência médica à população, no âmbito do SUS, e em prestar serviços às instituições de ensino, pesquisa e formação de profissionais no campo da saúde pública, com base em sua rede de 40 hospitais universitários federais (HUFs). Por esses hospitais – que realizam atendimento gratuito, inclusive em procedimentos de alta complexidade -, passam anualmente dezenas de milhares de estudantes de medicina, residentes e pesquisadores.

O mesmo em relação à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável por pesquisas que tanto favorecem o agronegócio do país. A estatal desenvolve  atividades de pesquisa agropecuária quanto a produção de soluções tecnológicas para a agricultura familiar, agronegócio e preservação do meio ambiente.  A empresa é amplamente reconhecida como decisiva para a elevação dos ganhos de produtividade obtidos na produção de alimentos e para o aumento contínuo da competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

“Não tem como querer que uma empresa que presta serviços na área de saúde dê lucro. A EBSERH foi criada por decisão administrativa para gerir hospitais. Também é imensurável a contribuição da Embrapa na economia do país, e lembrando que suas pesquisas muitas vezes, são oferecidas gratuitamente”, ressalta Jager.

O estudo do Dieese afirma que essas discrepâncias podem ser associadas, em grande medida, à complexidade e à dinâmica das estruturas societárias que envolvem a operação dos negócios das principais empresas controladas pela União.

De maneira resumida, isso ocorre porque as empresas controladas pela União são em sua maioria organizadas em holdings que controlam outras empresas (denominadas empresas subsidiárias) e possuem participações societárias minoritárias relevantes em outras empresas (denominadas empresas coligadas);  há eventuais sobreposições de participações, como as participações diretas da União de forma minoritária em algumas empresas, privadas e estatais (federais e estaduais); e  existem as empresas denominadas dependentes da União, que apesar de possuírem personalidade jurídica empresarial, muitas vezes têm funções típicas de agências governamentais.

“Essas empresas estatais, inclusive as chamadas dependentes, oferecem um serviço público. É como dizer que há déficit na segurança pública. Não faz sentido algum chama-las de deficitárias. Empresas estatais não deveriam ter como prioridade dar lucro, esta não é prioridade do Estado”, afirma Jager.

*Edição: Marize Muniz

Fonte: CUT

Stress, ansiedade e dependência química podem ser consequências do home office

PortalCUT, por André Accarini – Deu no New York Times: a Free Zoom Friday (em português “Sexta-feira livre do Zoom”) foi uma iniciativa da executiva-chefe do Citigroup, Jane Fraser, comunicada aos funcionários no dia 22 deste mês, com o propósito de iniciar uma nova tradição na empresa: incentivar os trabalhadores a se afastarem, uma vez por semana, de plataformas, como o Zoom, que possibilitam as infindáveis reuniões e teleconferências tanto pelo celular quanto pelo computador.

Fraser afirmou no memorando que circulou no banco – um dos maiores do mundo – que “a indefinição das linhas entre casa e trabalho afetaram nosso bem-estar”, e que “depois de ouvir colegas do mundo todo, ficou claro que é preciso combater a fadiga do Zoom, que muitos sentem”.

Mas, resolver stress e ansiedade causados pela nova realidade que milhões de trabalhadores enfrentam vai além de iniciativas como a da instituição financeira.  O psicanalista João Américo, técnico em reabilitação de dependentes químicos e pesquisador na área de saúde mental relacionada a transtornos ocasionados por racismo, explica que há uma série de outros fatores que devem ser levados em consideração quando a casa, o lar, passa a ser parte da empresa, como é o caso do trabalho home office.

Um deles, segundo o psicanalista, é levar em consideração que o capitalismo se adapta às realidades provocando alterações nas práticas sociais de exploração.

O trabalhador, de início, até se convence de que trabalhar em casa é uma vantagem, mas o que está por trás disso é o patrão achar que tem o poder de te explorar, te acionar a qualquer horário, inclusive sábados e domingos

– João Américo

A falta de controle dos limites é o ponto chave, como detectou a executiva do Citicorp. O trabalhador acabar incorporando o trabalho à vida pessoal.

“Muita gente está trabalhando mais horas porque não tem, simbolicamente, o cartão de ponto, o vigia, alguém que esteja olhando, controlando. O sujeito se sente na obrigação de trabalhar muito mais porque não tem quem diga que começou e terminou o seu trabalho”, diz o psicanalista.

“A gente se vê na obrigação de resolver problemas fora do horário, trabalhando muito mais horas, por causa dessa ausência do portão de entrada e saída do trabalho ou a figura do chefe, que está lá olhando seu trabalho. É uma implicação psicológica desse tipo de relação”, completa.

Com o home office, o sujeito acaba tendo horário, mas não para largar o trabalho

– João Américo

Situação também ainda não organizada é questão econômica. Para trabalhar em casa, o funcionário tem custos que muitas empresas ainda não repassam. “O trabalhador acaba cedendo seu espaço pessoal, seu ‘templo’ que é sua casa, gasta sua energia elétrica, sua internet, muitas vezes o seu próprio equipamento e não tem uma compensação financeira para bancar isso”, explica João Américo.

Computador pessoal, celular, tablet, a mesa, a cadeira – tudo faz parte das condições de trabalho que são responsabilidade da empresa. Portanto, diz João Américo, a empresa quando manda o trabalhador para o home office, não está fazendo “nenhum favor”, e sim preservando seu patrimônio – a força de trabalho que gera sua produtividade, seu lucro.

Puxadinho da firma

Além dos fatores já citados, outros pontos vêm sendo observados pelos profissionais que lidam com saúde mental. A nova realidade de rotina em home-office mexe não somente com o trabalhador, ainda que ele se sinta confortável, mas com o restante da família.

O fato de ter seu lar engolido pela vida profissional, além de cercear a liberdade pessoal, afeta também toda a família.

Na avaliação de João Américo, cada vez mais exige-se que o trabalhador se adapte à realidade do teletrabalho, cedendo seu espaço pessoal para a empresa, tornando sua casa uma espécie de ‘puxadinho da firma’, o que reforça o ideário do patrão de que o trabalhador está 100% disponível.

João Américo reconhece que uma nova realidade foi imposta a todos e haverá sacrifício de ambas as partes. Mas, ele diz, é necessário entender que para a ponta mais fraca da corda – o trabalhador – a mudança de rotina é mais pesada.

“A gente precisa entender esses sacrifícios, mas precisa entender a realidade do outro também. Para o trabalhador, diminui o espaço geográfico da casa. As pessoas reservam um local pessoal e familiar e isso diminui o espaço para todos da família”, diz o psicanalista.

Não são poucos os exemplos para ilustrar. João Américo cita situações comuns em que que o familiar, que também faz parte do ambiente da casa, tem de fazer silêncio, abaixar volume da televisão e até mesmo deixar de circular em certos espaços para não interferir em uma reunião online com vídeo que, como constatou o Citi, afeta as relações familiares.

“As crianças têm que fazer silêncio, o cônjuge tem que tomar certos cuidados, porque aquele espaço agora é da empresa, é do trabalho”, ele diz.

As crianças

O home office durante a pandemia também altera as relações pessoais entre os familiares. A constante presença interfere, por exemplo, no desenvolvimento psicológico de filhos.

“As crianças estão lidando com uma referência familiar que é o presente-ausente, ou seja, o cuidador que está ali, perto dos filhos, mas não pode dedicar a atenção necessária que eles precisam”.

Segundo João Américo, essas crianças terão a tendência a desenvolver relacionamentos afetivos problemáticos no futuro. “Essas crianças serão os adultos que podem desenvolver relações conflituosas e relacionamentos ausentes, ou seja, com a pessoa que ‘some’, que está longe, que não responde mensagens”.

Como fica o trabalhador, então?

Ao mesmo tempo em que há empresas, em especial as grande, que se preocupam com a saúde mental dos trabalhadores e oferecem algum tipo de assistência psicológica, grande parte delas, ainda não se debruçou sobre esse olhar de cuidado com seus funcionários.

O psicanalista João Américo aponta que se faz necessário, mais do que nunca o diálogo entre trabalhadores e empregadores para que se possa preservar, minimamente, o equilíbrio emocional durante frente à essa nova realidade que ele acredita, vai perdurar após a pandemia.

“Há que se levar em consideração a realidade de cada um. Como é o ambiente em casa, se falta condições, se há outras pessoas envolvidas porque, no fundo, a realidade individual é uma realidade coletiva quando se trata de home-office”.

Nesse sentindo, há exemplos como dos bancários. No ano passado, no início da crise sanitária quando o isolamento social foi recomendado e, por consequência milhares de trabalhadores da categoria passaram exercer suas funções em casa, o Comando Nacional dos Bancários incluiu o tema como pauta permanente de negociações com os bancos, exigindo condições de trabalho.

Um estudo feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) concluiu que o home-office criou novas demandas e dificuldades. Entre elas a inadequação do ambiente da residência para a realização do trabalho, a falta de equipamentos e mobiliário adequados, a sensação de isolamento, a elevação de custos residenciais, a falta de controle da extensão da jornada de trabalho, além do surgimento de novos problemas de saúde.

Um desses problemas, relata João Américo, é o aumento do número de dependentes de substâncias psicoativas. Ele explica, de antemão, que o uso de certas substâncias é cultural e dever ser distinguido de uma análise em que se observar uma mudança no propósito do consumo.

“Se uma pessoa consome álcool, bebe uma cerveja, de forma recreativa, para comemorar um aniversário, por exemplo, é uma coisa. A partir do momento em que ela passa usar o álcool como fuga para seus stress, para seu desequilíbrio emocional, isso se torna um problema”, ele diz.

O psicanalista relaciona algumas substâncias conhecidas da maioria da população, que entram nessa classificação e, segundo ele, merecem atenção: álcool, tabaco (cigarro), psicotrópicos (Rivotril é o mais conhecido), a maconha e outras drogas ilícitas e o açúcar.

Sim, o açúcar. Ele diz que a compulsão por doces, em especial em horários aleatórios, como acordar de madrugada com uma incontrolável vontade de comer pode ser um sinal de dependência. E pode ter como origem o stress causado pelo home-office.

Direitos

A advogada especialista em direito coletivo do trabalho, Lais Lima Muylaert Carrano, do escritório LBS Advogados, explica que ao contrário do vale-transporte, todos os demais benefícios, incluindo vale-alimentação e vale-refeição, devem ser concedidos indistintamente entre os empregados que trabalham nas dependências do empregador e os que trabalham em casa, principalmente os negociados coletivamente.

“O que define, de fato, se o vale-alimentação e/ou o vale-refeição será concedido não é o regime de trabalho adotado – presencial ou remoto – mas sim a existência de previsão contratual ou de norma coletiva a assegurar o pagamento do benefício pelo empregador”.

Controle de Jornada

Também advogada do Escritório LBS Advogados, Fernanda Teodora Sales de Carvalho, explica que as empresas fazem uso de ferramentas de trabalho como e-mails vinculados com os smartphones, linhas telefônicas corporativas com WhatsApp, I’pads e Laptops com a intenção de receber respostas mais instantâneas em suas demandas, ou seja, dos trabalhadores.

“Ao mesmo tempo em que permite que o trabalho se exerça à longa distância [a tecnologia] possibilita que o controle se faça do mesmo modo, pelo contato online ou outros meios. Basta que o empregador queira controlar, à distância, o trabalho do empregado, que terá como fazê-lo”, explica.  

Ação sindical

A CUT tem realizado seminários com participação de especialista para subsidiar negociações coletivas e elaboração de leis pelo Congresso Nacional, a fim de garantir direitos para os trabalhadores em home-office.

Números

Segundo o Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em novembro de 2020, no Brasil 7,3 milhões de pessoas estavam trabalhando de forma remota, sendo 2,85 milhões trabalhadores do setor público e 4,48 milhões no setor privado.

 

*Edição: Marize Muniz

Fonte: CUT

Com pandemia descontrolada, complicações causadas pelo kit covid começam a aparecer

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Imagem do CTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) lotado no inicio do mês

 

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) segue ignorando a ciência, sugerindo medicamentos que, ao invés de prevenir ou tratar a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, pioram a saúde dos pacientes e contribuem até para aumentrar o número de mortos, a pandemia segue descontrolada no Brasil.

Em 24 horas, entre a quarta e a quinta-feira (25), o país registrou mais 2.639 mortes, totalizando 303.726 vidas perdidas desde o inicio da pandemia no ano passado.

A média móvel de mortes no país nos últimos sete dias chegou a 2.276, variação de +29% em comparação à média de 14 dias atrás, de acordo com cálculos do consórcio de imprensa.

Há 64 dias seguidos o país registra média móvel de mais de mil mortes por dia, e há nove dias a média está acima de duas mil vidas perdidas por dia.

O número de novos diagnósticos também não para de crescer. Em 24 horas foram registrados quase 100 mil novos casos da doença, totalizando 12.324.765 pessoas contaminadas desde fevereiro de 2020.

Aumento do número de mortes pode ter como causa o Kit Covid

Apesar do caos, e mesmo com evidências científicas de que o chamado “tratamento precoce”, principal estratégia de Bolsonaro para combater o coronavirus, está aumentando o número de mortes de pacientes graves e levando outros à fila de espera por transplante de órgãos como fígado e rins, vários médicos continuam prescrevendo remédios como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. Nenhum deles funciona contra a Covid-19. A ciência comprovou, a Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, já alertou para efeitos adversos.

Médicos contrários ao uso do medicamento por não terem eficácia comprovada alertam que quando usados em doses inadequadas e contínuas, ou por pessoas com algumas doenças prévias, esses remédios podem causar efeitos graves como insuficiência renal, arritmia e hepatite medicamentosa, que são lesões no fígado, órgão que metaboliza drogas, ou agravar as consequências da Covid-19 e levar à morte.

À BBC News Brasil, médicos de hospitais de referência  afirmaram que a defesa e o uso do “kit covid” contribui de diferentes maneiras para aumentar as mortes no país.

Para 15% a 20% das pessoas que contraem a forma grave da doença e precisam de internação, essas drogas podem prejudicar o tratamento no hospital e contribuir para a morte de pacientes, disse à reportagem da BBC o médico intensivista Ederlon Rezende, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo.

“É nesses pacientes que os efeitos adversos dessas drogas ocorrem com mais frequência e esses efeitos podem, sim, ter impacto na sobrevida”, disse o médico, que é ex-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

O “Kit covid” também mata de maneira indireta, ao retardar a procura de atendimento, absorver dinheiro público que poderia ir para a compra de medicamentos para intubação, e ao dominar a mensagem de combate à pandemia, enquanto protocolos nacionais de atendimento sequer foram adotados, complementaram médicos intensivistas do Hospital das Clínicas, Albert Einstein e Emilio Ribas.

Além disso, têm as sequelas de quem consegue sobreviver. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, o Hospital das Clínicas da Unicamp constatou que uma pessoa saudável desenvolveu hepatite medicamentosa após contrair o coronavírus em dezembro e ser medicada com as drogas do “kit Covid”. Esse paciente entrará para a lista de transplante de fígado, segundo Ilka Boin, professora da Unicamp e diretora da unidade de transplante hepático da universidade.

Fonte: CUT

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