Halitose: Causas e prevenção

A halitose, mais conhecida como “mau hálito”, é o cheiro desagradável que sai da boca e é provocado principalmente pela saburra. A saburra é composta por bactérias e restos de alimentos que se depositam na superfície lingual, formando uma camada esbranquiçada. Isso acontece devido à falta de limpeza da língua. Mas a boa notícia é que há tratamento e prevenção para o problema da halitose.

O mau hálito também pode denunciar outros problemas pré-existentes no organismo, como gastrite, diabetes e até problemas digestivos.

Já se o seu caso for somente o cheiro e gosto ruim ao acordar, não se preocupe, esse é o resultado de passar muitas horas sem se alimentar.

 

Sinais de halitose:

– Presença de saburra (crosta branca na língua)

– Odor desagradável na boca

Causas:

– Resto de alimentos nos dentes

– Higiene bucal inadequada

– Saliva viscosa

– Desidratação

– Estresse

– Tabagismo

– Consumo excessivo de álcool

– Respiração pela boca

– Doenças respiratórias (sinusite e rinite)

– Uso de certos medicamentos

Prevenção:

– Comer alimentos com mais fibras

– Beber bastante água

– Limpar a língua após as refeições

– Escovar os dentes

– Usar fio dental

 

O Sinpro-DF e a OdontoGroup fazem uma parceria para que você, professor e orientador educacional, possa cuidar da sua saúde e aproveite os nossos benefícios sem limite de uso a partir de R$ 19,90.

Bilionários somam US$ 176 bi enquanto metade da população ganha R$ 554,00 ao mês

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Enquanto a CUT, centrais sindicais, movimentos populares e partidos de oposição travam uma batalha no Congresso Nacional para que um mínimo de dignidade e condição de sobreviver sejam garantidas a mais de 67 milhões de brasileiros que foram beneficiados com o auxílio emergencial de R$ 600,00, os bilionários brasileiros aumentam suas riquezas.

E isso, em plena pandemia do novo coronavírus (Covid 19), que sacrifica a economia brasileira, penaliza esses trabalhadores de menor renda, além de pequenos e médios empresários que sofrem com a falta de uma política de crédito efetiva e eficiente por parte do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), para que possam, minimamente, sobreviver.

De um lado, o governo corta o valor do auxílio de R$ 600,00 para R$ 300,00, dificultando a vida de desempregados e trabalhadores informais que tiveram no benefício, desde o início da pandemia, sua única fonte de renda e dificulta o acesso ao crédito para as pequenas e médias empresas.

De outro lado, o seleto rol de brasileiros, que até chegou a ‘perder dinheiro’ no início deste ano, mas cuja soma de riquezas chega a uma fortuna de US$ 176,1 bilhões ante US$ 127,1 bilhões em 2019, alta de 38% na comparação com o ano passado.

A soma da riqueza dos bilionários de todo o mundo chegou a impressionantes US$ 10,2 trilhões, valor que representa um aumento de US$ 2,2 trilhões, graças à forte alta nos mercados de ações.

A concentração de renda pode ser mensurada na comparação com a faixa dos 10% mais pobres da população brasileira (21 milhões de pessoas) que teriam o rendimento mensal de apenas R$ 11,00, não fosse o auxílio emergencial. Com o benefício de R$ 600,00, esse valor chega a R$ 239,00.

Na escala, a segunda faixa dos mais pobres (outros 21 milhões de pessoas) teria rendimento mensal de R$ 146,00 (sem o auxílio ) e R$ 353, 00 (com o benefício).

Metade da população brasileira (105 milhões de pessoas) vive com, no máximo, R$ 554 reais por mês. Com o auxílio, a renda chega a R$ 673,00.

O abismo social é imensurável, de acordo o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  Eduardo Costa Pinto. “Falamos do homem mais rico do Brasil ter R$ 119 bilhões e na outra ponta, pessoas que ganham R$ 11 reais por mês”, diz.

Segundo ele, “ em momentos de crise o que acontece é a concentração e centralização de capitais. Aqueles que têm maior capacidade de resistir à crise e reduzir suas perdas são os que conseguem até lucrar”, diz o economista ao explicar que ganha mais dinheiro quem tem mais dinheiro.

O primeiro exemplo é o segmento formado pelo sistema financeiro, grupo que, no início da pandemia acabou perdendo parte de suas riquezas, mas logo recuperou. Isso porque, segundo o economista, o “preço da riqueza financeira deles caiu”. Ele se refere aos valores dos títulos da dívida pública que foram reduzidos pelo Banco Central.  

“Quando há uma crise, investidores correm para o caminho da segurança, que são os títulos da dívida pública de cuto prazo indexado a taxa Selic. No começo da crise sanitária o valor chegou a cair, mas logo se recuperou quando o governo injetou cerca de R$ 1,2 trilhões para aumentar a liquidez dos bancos”, explica Eduardo.

Ele ressalta que esse valor poderia ter sido destinado a crédito para as pequenas e médias empresas e ao cidadão comum, com condições especiais, por meio dos bancos públicos, no entanto, com o aumento da liquidez, os bancos privados adquiriram títulos financeiros em vez de realizar empréstimos para o setor produtivo.

“As pequenas e médias empresas, os cidadãos, não tiveram acesso. Com o aumento da liquidez, os bancos compraram títulos da dívida pública e outras ativos financeiros. Com isso, os preços dos ativos financeiros no mercado (secundário) se recuperaram e os investidores em ações e nos fundos de investimentos voltaram a ter lucro, mesmo com a queda do PIB de 11,4% no segundo trimestre de 2020. Ou seja, os detentores de riqueza financeira ficaram ainda mais ricos em plena crise”, diz o economista da UFRJ.

 

Mas quem são, como ganham e o que fazem esses bilionários?

O número de bilionários em todo o mundo passou de 2.158 em 2017 para 2.189 em 2020, segundo o banco suíço UBS e a PwC.

No Brasil, empresários como Luciano Hang, dono da rede varejista de lojas Havan e Luiza Trajano, do Magazine Luiza (Magalu), e  outros bilionários também fazem parte desse grupo. Veja lista abaixo.

Além de serem também investidores, eles usaram a premissa mais básica do capitalismo selvagem: acumulação de capital, aumento da exploração do trabalho e deslocamento dos pequenos e médios concorrentes. E vêm fazendo isso desde 2012, ampliando seus leques de negócios, baseados em vendas e ganhando as fatias de mercado de segmentos menores.

É um processo, conforme explica o economista, muito comum em tempos de crise e por isso, nesses períodos, as pequenas e médias empresas desaparecem ou perdem quase todo o seu mercado, enquanto as grandes se consolidam.

Paralelamente, no caso do Brasil, a indústria vem perdendo sua força desde a Operação Lava Jato”, e agora, na crise, perde ainda mais espaço. Não havendo produção nacional, a indústria apresenta queda, o nível de emprego baixa e enquanto isso, as redes varejistas seguem vendendo os importados.

“O grande varejo ganha mercado vendendo produtos importados. E como consequência, cai o nível de emprego nos segmentos industriais e, com isso, as condições do mercado de trabalho ficam precarizadas”, diz o economista para explicar que a produção local fica comprometida.

Ele ainda alerta que, mesmo que acabe a pandemia, e voltem as condições econômicas parecidas como antes do novo coronavírus, o varejo vai gerar muito menos empregos do que antes.

A oferta de trabalho, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-Continua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caiu em cerca de 11 milhões de postos de trabalho este ano. “Nas condições atuais, quando voltar, chegaremos rapidamente a 20% de desemprego”, completa o economista.

 

Os dez mais ricos do Brasil

  1. Joseph Safra: R$ 119,08 bilhões (setor financeiro)
  2. Jorge Paulo Lemann: R$ 91 bilhões (bebidas e investimentos)
  3. Eduardo Saverin: R$ 68,12 bilhões (internet)
  4. Marcel Herrmann Telles: R$ 54,08 bilhões (bebidas e investimentos)
  5. Carlos Alberto Sicupira e família: R$ 42,64 bilhões (bebidas e investimentos)
  6. Alexandre Behring: R$ 34,32 bilhões (investimentos)
  7. André Esteves: R$ 24,96 bilhões (setor financeiro)
  8. Luiza Trajano: R$ 24 bilhões (varejo)
  9. Ilson Mateus: R$ 20 bilhões (varejo)
  10. Luciano Hang: R$ 18,72 bilhões (varejo)

 

Capitalismo selvagem

Ao mostrar a sua verdadeira essência, de acumulação de capital a qualquer custo, o capitalismo também escancara as características de brasileiros que vivem no topo da pirâmide da economia.

Vemos que os setores dominantes estão em uma bolha e ficou claro que para eles que o lucro está acima da vida. “É como se a máscara tivesse caído, no que diz respeito à forma de relações sociais”, critica o economista.

“O pessoal do dinheiro que tem caráter escravocrata, anti-reformista social, mantém seus lucros e posição na sociedade a qualquer custo, mesmo que seja quebrando instituições e regras’, afirma Costa Pinto.

Ele diz ainda que fica cada vez mais claro que a meritocracia é ‘falácia e instrumento de dominação ideológica’.

“Um Uber é um trabalhador, não um empresário e não ficará milionário dessa forma”, analisa. 

 

A mão do Estado                                                       

Eduardo Costa Pinto alerta também que para a economia do Brasil sobreviver, investimentos públicos são fundamentais, a começar pela revogação da Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos (EC nº 95), pela necessidade de ampliar a participação do Estado na economia do país.

“Não há na história do Brasil nenhum período em que tenha sido a iniciativa privada que tenha alavancado investimentos. Pelo contrário. É sempre o investimento público que puxa o privado. Basta ver o que fez o governo Lula investindo em empresas públicas, em especial a Petrobras e os resultados que trouxeram para o país em geração de emprego e renda e crescimento da economia”, conclui o economista da UFRJ, Eduardo Costa Pinto.

Fonte: CUT

CUT lança plataforma para eleições com diretrizes em defesa da classe trabalhadora

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Eleitores, eleitoras, candidatos e candidatas às eleições deste ano que se identificam com a classe trabalhadora têm agora uma importante ferramenta com dados econômicos e socais, bandeiras de luta e a visão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de temas importantes que precisam ser defendidos em prol dos trabalhadores e das trabalhadoras ,que vêm tendo seus direitos atacados pelo governo neoliberal de Jair Bolsonaro (ex-PSL) .

Para a Central, as eleições municipais de 2020 em 15 de novembro, com 147, 9 milhões de brasileiros aptos a votar, são cruciais diante de um governo de extrema direita que não tem propostas para a classe trabalhadora, a não ser a retirada de direitos.

Por isso, a CUT entende que é preciso eleger candidaturas que se proponham a construir um novo paradigma de sustentabilidade política, econômica, ambiental e social com uma gestão pública transparente e eficiente, que tenha como principal objetivo a promoção da cidadania, a vigência de princípios democráticos e o emprego e a garantia de direitos.

Visitando municípios do interior do Pará, em viagem de apoio às candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, Carmen Foro, Secretária-Geral da CUT Nacional, lembra que o país vive momento traumático desde o golpe de 2016 e que a plataforma da CUT traz um conjunto de orientações para que os trabalhadores possam lutar por essas questões nos seus municípios.

“A política é a arte de fazer as transformações. Para o bem ou para o mal, dependendo de qual o projeto que a sociedade escolhe. Por isso, a CUT faz essa orientação política todos os anos. Nas eleições mais gerais toma posição de que lado vai estar. Que é o lado da democracia, dos direitos, das condições básicas de vida para as pessoas”, afirma.

Com o lema “ Defender a Vida, os Empregos e a Renda da Classe Trabalhadora”,  a CUT apresenta propostas que atendam às necessidades reais dos trabalhadores,  no território, que é a proteção à vida, à moradia, à renda e ao trabalho, alimentação adequada, educação e transporte acessíveis e de qualidade, combinados com ampla participação popular para a definição dos rumos dessas políticas.

 “As pessoas moram no município e é lá que vão sentir a ausência dos serviços púbicos, na área da saúde, educação, saneamento. O ataque aos servidores públicos com a reforma administrativa é em nível federal, mas vai descer para um patamar municipal”, completa Carmen Foro.

Alta do desemprego é reflexo da incompetência do governo

A alta nos índices do desemprego que chegou a 13,8 milhões de brasileiros – hoje o Brasil tem 31,9 milhões de trabalhadores subutilizados que representam 29% da força de trabalho – reforça que a organização e mobilização da classe trabalhadora são fatores determinantes no combate ao crescimento do desemprego, provocado pela desastrosa política econômica ultra neoliberal implementada pelo ministro da Economia, o banqueiro, Paulo Guedes e Bolsonaro.

Para agravar a situação dos trabalhadores, a dupla ainda recebeu apoio do Congresso Nacional, como no caso da reforma da Previdência, que aumentou o tempo de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e diminui o valor dos benefícios, inclusive para  e as reformas órfãos e viúvas.

Diante da crise econômica aprofundada pela pandemia do novo coronavírus (Covid 19), é na aposentadoria que as famílias que perderam seus provedores têm, muitas vezes, sua única fonte renda, drasticamente reduzida pela reforma da Previdência.  

O desgoverno Bolsonaro, além de ameaçar a democracia, já se mostrou incapaz de garantir empregos, renda, saúde da população e salvar vidas. E são os municípios que sofrem os piores impactos da política bolsonarista.

“Estamos vivendo um momento de sequestro da democracia brasileira. A democracia não é só o ato de votar. É o ato também de ter os direitos garantidos. Um país não pode se considerar democrático só porque promove eleições. A democracia é composta das eleições, mas também de garantia de vida digna para as pessoas. Ou seja, a democracia caminha não só na perspectiva dos votos, mas também na garantia dos direitos do povo”, afirma Carmen Foro.

A Plataforma da CUT para as Eleições deve, então, se transformar numa ferramenta potente para o diálogo com a sociedade e com candidatas e candidatos dos partidos que se colocam ao lado do povo e defendem a democracia, o desenvolvimento, a soberania e os direitos fundamentais da pessoa humana, contribuindo para a eliminação das desigualdades.

As diretrizes são: 

I.Condições dignas de vida, que envolvem saúde, educação, mobilidade urbana, habitação, saneamento e água potável, energia e meio ambiente;

II.Emprego e Direitos Trabalhistas envolvem economia solidária, agricultura familiar, direitos trabalhistas e relação com os sindicatos e;

III. Democracia, Inclusão Social e Direitos Humanos tendo como bases gestão democrática, transparente e participativa, segurança pública, políticas para as mulheres, políticas antirracismo e políticas para a cultura.

Clique aqui para ler o documento na íntegra.

Fonte: CUT

Política econômica sem rumo de Bolsonaro afeta vida de famílias e empresas

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Nas últimas semanas, têm se intensificado as informações de que a fuga de investidores estrangeiros em aplicações de risco no Brasil não para de crescer. A tendência contraria o otimismo em relaçaõ à política econômica que “tentam vender” ao mercado local o governo de Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, por exemplo, o presidente afirmou que os investimentos no país demonstram “a confiança do mundo em nosso governo”.

As perspectivas para 2020 são de que as aplicações “de risco” devem registrar fuga de capitais maior que o dobro na comparação com 2019, chegando ao fim do ano com balanço negativo de US$ 24 bilhões, ou R$ 135 bilhões, contra as saídas de US$ 11,1 bilhões (R$ 62 bilhões) no ano passado, segundo matéria da Folha de S. Pauloa partir de informações do Institute of International Finance (IFF), instituição que reúne 450 bancos e fundos de investimento de 70 países.

Paulo Guedes irrealista

Para o economista Marco Antônio Rocha, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para além das questões propriamente de mercado, uma das principais causas dessa debandada de investidores é política. “O governo mostra estar completamente sem rumo. As declarações do ministro Paulo Guedes são equivocadas e desprovidas de realismo e criam incertezas quanto à gestão da economia”, diz.

Segundo avaliações dos chamados agentes de mercado, da mídia e do governo, o país tem dificuldade para lidar com seu balanço fiscal em relação às contas públicas, o que justificaria a manutenção das amarras aos gastos públicos impostas pelo teto de gastos, introduzido pela Emenda Constitucional 95.

“As incertezas dos investidores não são geradas pelo risco fiscal. Há um certo terrorismo da mídia e do governo no sentido de que o centro do problema está aí. Mas o problema está no próprio governo e suas tentativas de manter uma regra fiscal inexequível. É essa insistência que cria a incerteza em relação à economia brasileira. O mercado está começando a ler isso.”‘

Claro que há fatores externos conjugados com o “irrealismo” do governo e de Guedes, como a “aversão” a risco pelos investidores, relacionada às incertezas da conjuntura internacional potencializadas pela pandemia de coronavírus. Esse quadro provoca desvalorização das moedas periféricas de modo geral, como o real. “O que provoca fuga de capitais? É o mercado achar que não vai ter rendimento num lugar ou que o risco de operar não tem remuneração adequada.”

Segundo informações da CNN Brasil, a moeda brasileira é a terceira que mais perdeu valor (28,5%) frente ao dólar desde o início de 2020. Em uma lista com 121 países, o real só não desvalorizou mais que a moeda da Zâmbia (29,8%) e da Venezuela (cerca de 90%).

Comportamento errático

O continuado comportamento errático do governo e de Paulo Guedes é visível. Por exemplo, para criar o chamado Renda Cidadã, para o qual não sabe de onde tirar dinheiro sem “furar’ o teto de gastos, o governo já disse que estudava o calote em precatórios, e, esta semana, lançou a ideia de extinguir a declaração simplificada do Imposto de Renda.

Mais do que isso, segundo O Estado de S. Paulo, uma das propostas é “endurecer” as regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência e baixa renda, abono salarial e Bolsa Família, e outras medidas, igualmente polêmicas.

Sem saber como criar o financiamento do Renda Cidadã, com que pretende substituir o Bolsa Família e criar sua própria “marca”, o governo Bolsonaro atira para todo lado, com balões de ensaio ou não. “O teto de gastos limita o espaço do Estado e exacerba o conflito distributivo de tal forma que fica muito difícil desenhar políticas com um mínimo de racionalidade”, diz Marco Antônio Rocha.

Não é à toa que Paulo Guedes ora está na corda bamba, ora “é o cara”, como às vezes diz o próprio Bolsonaro. “Tudo isso também fomenta um grau de incerteza quanto ao planejamento da política pública e os rumos da economia. Começa a haver desconfiança de que o teto é exequível no curto e médio prazo, e ninguém sabe o que vai acontecer.”

Capital especulativo

Muitas pessoas se perguntam: se o capital especulativo não produz emprego e renda, qual a importância da “fuga de investidores” do país? O relevante não é o que esse capital produz, explica o professor da Unicamp, já que os benefícios desse capital são mínimos. Mas os efeitos da volatilidade que esses fluxos geram no câmbio são muito negativos para a economia do país.

“Afeta a vidas das empresas e das famílias, porque cria incertezas sobre insumos importantes. Por exemplo, o preço das commodities, impactos no IGPM, que vai influenciar os aluguéis, as tarifas públicas, o preço dos alimentos.”

Para Rocha, o fluxo desses capitais deveria ser melhor regulamentado, sobretudo as saídas de capital, para não terem a liberdade de movimentação que gera tamanha volatilidade cambial.

Fonte: CUT

Entenda como a privatização da Embrapa pode fazer preços de alimentos subirem

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Com quase 50 anos de história, a  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vem sendo atacada desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta eleita, Dilma Rouseff (PT), e esses ataques estão sendo cada vez mais intensos no governo de Jair  Bolsonaro (ex-PSL), com o objetivo de sucatear as empresas públicas estratégicas para o desenvolvimento do país e colocar à disposição de corporações privadas.

Somente neste ano a Empraba já sofreu um corte de mais de R$ 519 milhões de seu orçamento, e no início de setembro teve novo corte de mais de R$ 118 milhões. Para o ano que vem, o sindicato afirma que a redução proposta pelo governo federal é ainda mais severa.

Estes recorrentes cortes orçamentários vêm colocando em risco projetos, processos e atividades desenvolvidas pela empresa. A precariedade de recursos já atinge instalações e equipamentos e a dificuldade para manter de forma adequada campos experimentais, rebanhos e recursos genéticos, entre outros, já é uma realidade.

E se nada for feito, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF), as atividades de pesquisa serão paralisadas, os preços dos alimentos poderão ficar mais caros e ainda a segurança e a soberania alimentar estarão comprometidas.

Por isso que a partir desta quinta-feira (8), o SINPAF inicia uma série de conferências regionais, como parte da Campanha Nacional para defender a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pública, Democrática e Inclusiva. O objetivo é dialogar com a população sobre a importância da estatal para a sociedade brasileira e recuperar os recursos destinados à ciência e tecnologia.  Veja agenda abaixo.

 “A Embrapa tem papel fundamental no desenvolvimento e na soberania alimentar do nosso país. A ideia das conferências é mobilizar a sociedade e conscientizar a população sobre a importância de defender a ciência e tecnologia para um Brasil menos desigual, democrático e inclusivo. Defender a Embrapa pública é defender o Brasil e os brasileiros”, afirmou o pesquisador da Embrapa, engenheiro agrônomo com pós-doutorado em Agroecologia e Diretor de Ciência e Tecnologia do SINPAF, Mário Artemio Urchei.

 Para o agrônomo é preciso restabelecer emergencialmente  os cortes do orçamento em 2020 e trabalhar para um orçamento compatível para o próximo ano, visando o fortalecimento da Embrapa pública.

“E é neste  sentido, que a campanha do SINPAF trabalha para envolver toda a sociedade nessa mobilização, porque defender uma alimentação segura, de qualidade e em quantidade é uma luta de todos nós”, destaca Mário Urchei.

COMUNICAÇÃO SINPAFComunicação Sinpaf
Sindicalistas fazem mobilização em frente ao Ministério da Agricultura pela recomposição do orçamento da Embrapa

 

Defender a Embrapa também é defender o meio ambiente

A agricultura brasileira é importante para o país e para o mundo, porque o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Porém, o meio ambiente está vivendo grandes mudanças climáticas que afetam o setor e a Embrapa contribui fortemente para enfrentar os desafios colocados, com ciência e tecnologia.

A pesquisadora na Embrapa, na área de sociologia rural, e que está aprofundando estudos sobre agricultura familiar e sustentabilidade, Lucimar Santiago de Abreu, disse que a empresa tem um papel fundamental para continuar produzindo alimentos.

Segundo ela, mais de 70% dos alimentos que chegam na mesa dos brasileiros são produzidos pelos agricultores familiares e as mudanças climáticas podem afetar fortemente estes produtores. Para a pesquisadora, a Embrapa é uma das empresas que podem dar esta sustentação técnica e ecológica para o país no âmbito da segurança alimentar para o país e o mundo.

“Nós também trabalhamos para alcançar os 17 objetivos da agenda de 2030 de desenvolvimento sustentável para o combate à fome, desigualdade social e ainda tecnificar o sistema de produção dos agricultores mais vulneráveis para que tenham mais produtividade e comercialização”

“Com estes cortes parece que o governo Bolsonaro não se deu conta da importância da inovação social e tecnológica para o país e os brasileiros. Quem vai responder à tudo isso, a iniciativa privada? Será ???? “, questiona a pesquisadora.

Agenda em defesa da Empraba pública

O SINPAF tem um site exclusivo sobre a campanha, que a população poderá obter informações sobre a luta, as conferências, petição e como divulgar a ação em defesa da Embrapa.

Diversas entidades já assinaram a moção de apoio à Embrapa pública e o sindicato também publicou uma carta aberta para explicar a luta da entidade por um país mais justo, democrático e soberano.

A primeira conferência virtual será destinada  à região Norte e a população poderá acompanhar pela página do Facebook do sindicato, a partir das 10 horas da manhã. A programação completa já está no site do SINPAF.

Os próximos debates serão nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul ,além de onferência virtual nacional, prevista para ser realizada em novembro. A agenda completa dos debates regionais já está sendo divulgada pelo Sindicato.

*Edição: Rosely Rocha

Fonte: CUT

Luta dos professores chega aos cinemas dia 15 no filme “Abraço”

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Retrato da resistência popular, da luta do movimento sindical e estudantil contra a desvalorização da educação e dos professores, com cenas que trazem à tona o debate sobre o machismo, o racismo, a unidade, a resiliência e o cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras.

O filme “Abraço – A única saída é Lutar”, com direção de DF Fiuza, fala sobre este universo. O longa será lançado no dia 15 de outubro nos drive-ins, cinemas selecionados e no cinema virtual e, a partir do dia 29, será distribuído em plataformas digitais (Apple Tv, Google Play, Now, Looke, Vivo Play e Youtube Filmes) pela O2 Play Filmes.

Vencedor de um importante festival de cinema no Brasil, o Cine PE, com o prêmio “Filme” (Júri Popular), Abraço fala sobre a luta dos professores em Sergipe com o governo, a fim de garantir direitos alcançados pela categoria. Na história, 30 mil professores de todas as partes do estado deixam suas escolas para viajar até Aracaju, capital sergipana, em protesto pela valorização diante de um Judiciário prestes a votar pelo fim da carreira do magistério.

O filme, entre outros aspectos, também mostra a atuação de lideranças sindicais e o cotidiano dos trabalhadores ao retratar, entre uma cena e outra, a vida de uma professora, interpretada pela atriz Giuliana Maria, que precisa lidar com um marido contrário à luta popular e enfrentar práticas machistas que encontra em seu dia a dia.

Para o diretor DF Fiuza, Abraço é um filme sobre “resistência, mas, acima de tudo, é um filme sobre união, sobre a força que tem a coletividade. Eu tenho ouvido muitos relatos de pessoas depois de assistirem ao filme, elas dizem que o filme é uma convocação para a resistência, que o filme faz com elas olhem para elas mesmas e se pergunte: e eu, o que eu estou fazendo?”, comenta.

Segundo Fiuza, esta é a primeira vez que um filme de ficção é realizado com recursos da classe trabalhadora e chega aos cinemas para o grande público. O longa metragem teve patrocínio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese) e parceria da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e da CUT.

“O apoio aos fazedores de cultura e à produção nacional deve ser cada vez mais fortalecido pelo movimento sindical, mostrando os bastidores da luta da classe trabalhadora e as barreiras impostas no campo jurídico e pela disputa política, ainda mais neste momento em que vivemos a retirada de direitos pelo governo Bolsonaro. Abraço só reforça o quanto é necessário valorizar a arte como forma de retratar as resistências”, afirma o secretário de Cultura da CUT-SP, Carlos Fábio.

Veja o trailer

Filme Abraço, 2019, drama

Ficha Técnica:

Escrito e dirigido por:
DF Fiuza

1º Assistente de direção
André Srur

Produtores
Manú Santiago
Kaippe Reis
Kika Medeiros
Priscila Costa
Leila Moraes
Dilson do Nascimento

Produção executiva
DF Fiuza
Marcela da Costa

Direção de produção
Marcela da Costa

Direção de arte
Laura Carvalho

Direção de fotografia
Jorge Monclar

Casting
Jorge Lins

Música original
André Abujamra
Eron Guarnieri

Som direto
Marcello Benedictis

Mixagem
Julian J. Ludwig

Figurino
Ticiana Siqueira

Cabelo e maquiagem
Uedja Carvalho

Montagem
Bruno Miod
Fabiana De Freitas
Inagê Kaluanã

Fonte: CUT

PL considera abusivos aumentos da cesta básica e do gás até o fim da pandemia

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A alta de preços dos produtos da cesta básica, especialmente do arroz, em plena pandemia do novo coronavírus (Covid 19), quando 67 milhões de brasileiros e brasileiras dependeram de ajuda financeira do auxílio emergencial de R$ 600,00 para sobreviver, levou a deputada federal Rejane Dias (PT/ PI), a apresentar o Projeto de Lei (PL) nº 4561/10, a fim de conter os abusos cometidos por produtores e comerciantes. 

O PL prevê sanções econômicas para quem cometer preços abusivos até o final do estado de calamidade pública em 31 de dezembro deste ano. As sanções vão da proibição de fazer qualquer tipo de contrato com bancos oficiais, participar de licitações e até ser impedido de atuar no comércio. O texto altera o Código de Defesa do Consumidor e a Lei 12.529/11, que trata da defesa da concorrência, para acrescentar a medida.  O mesmo projeto prevê também evitar o aumento no preço do botijão de gás.

“Eu acredito que o Congresso terá a sensibilidade de barrar esses preços que considero abusivos, diante da calamidade que estamos vivendo. É uma ação importante que espero que seja aprovado em regime de urgência”, afirma a deputada petista.

Ao defender o seu projeto, Rejane Dias lembrou que os produtos essenciais da cesta básica hoje pressionam o orçamento das famílias, especialmente as que recebem um salário mínimo (R$ 1.045,00).

O economista Daniel Ferrer de Almeida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) explica como os aumentos nos preços dos produtos da cesta básica pressionam o orçamento das famílias. Ele cita como exemplo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) que  reajusta os salários. O acumulado de janeiro a agosto foi de 1,16% para famílias que ganham de 01 (um) a 5 (cinco) salários mínimos.

“Só que dentro do INPC existe o peso da cesta básica, da alimentação, que subiu 5,43% no mesmo período. Aí o impacto da redução do poder aquisitivo é muito maior para essas famílias. O caso do preço do arroz é bem emblemático”, afirma Daniel.

De acordo com o economista, a propensão de quem ganha menos é consumir toda a renda, e ao olhar os itens da cesta básica que aumentaram, a renda das famílias mais pobres foi esmagada absurdamente porque foi utilizada nos produtos que mais encareceram.

 “A variação da cesta básica é absurda em comparação com o índice da inflação”, afirma Daniel. Segundo ele, somente com geração de emprego e renda é que o consumo das famílias voltará a crescer.

“O governo ajuda a destruir a economia ao deixar que especulem com os preços dos alimentos”, avalia o economista do Dieese.

Salário mínimo ideal é de quase R$ 5 mil

Os preços médios coletados da cesta básica pelo Dieese no mês de setembro variaram de R$ 422,31 (Natal/RN) a R$ 582,40 (Florianópolis/SC). Com base nessa última, o Dieese calculou em R$ 4.892,75 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de um trabalhador e sua família (de quatro integrantes). Esse valor corresponde a 4,68 vezes o mínimo oficial (R$ 1.045). Em agosto, essa proporção era de 4,34 vezes. Em apenas um mês, o mínimo necessário aumentou em R$ 356,63.

Para a deputada Rejane Dias, o fim da Política de Valorização do Salário Mínimo, proposta pela CUT, aprovada pelo Congresso Nacional e implantada, em 2004, pelo ex-presidente Lula, por decisão de Jair Bolsonaro (ex-PSL) agrava a situação dos trabalhadores e de suas famílias.

“ Nos governos Lula e Dilma tivemos reajustes do salário mínimo acima da inflação, o que protegeu o poder de compra do trabalhador. Infelizmente o atual governo acabou com esta política” diz Rejane Dias.

Manutenção do auxílio emergencial de R$ 600,00

Rejane Dias afirma ainda que além de querer coibir os preços abusivos da cesta básica, ela está lutando pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600,00, defendido pela CUT e demais centrais sindicais.

“ O auxílio emergencial  tem sido essencial para dar um pouco de dignidade às pessoas. Manter o valor original de R$ 600,00 é o que deve ser feito pelo Congresso Nacional”, defendeu a deputada do Piauí.

Fonte: CUT

Bolsonaro quer mexer no abono, auxílio-doença, BPC e IR para pagar Renda Cidadã

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De olho na reeleição em 2022, Jair Bolsonaro (ex-PSL) e sua equipe econômica atiram para todos os lados para obterem recursos para pagar o Renda Cidadã, programa que deverá substituir o Bolsa Família, criado por Lula.

As medidas até agora vazadas para a imprensa só afetam o bolso do trabalhador e da trabalhadora pobres, desmentindo o próprio presidente que disse que “ não tiraria dos pobres para dar aos paupérrimos”.

Ainda sem uma proposta definitiva de como viabilizar economicamente o Renda Cidadã, o governo continua estudando possiblidades. Nenhuma delas mexe na renda dos mais ricos, na taxação de grandes fortunas e numa reforma tributária mais justa, fazendo quem ganha mais pagar mais, como defende a CUT.

O governo anunciou, entre outras medidas, que reduziria a faixa salarial do abono salarial, pago todos os anos a trabalhadores que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.090,00). A proposta é conceder o benefício somente para quem ganha até R$ 1.463,00.

Há ainda a possiblidade de aumentar o tempo mínimo de registro em carteira que o trabalhador precisa ter para receber o abono. Pela regra atual, o trabalhador tem direito a um valor proporcional a partir de um mês trabalhado, aumentando a proporcionalidade conforme o número de meses.

O governo quer elevar essa carência a um período mínimo de seis meses, o que significa deixar de destinar cerca R$ 12 bilhões de reais ao abono salarial.

Outra medida anunciada é a intenção de acabar com o desconto de 20% na declaração simplificada do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que atingiria cerca de 17 milhões de contribuinte, ao mesmo tempo em que o governo mantém outras deduções como em saúde e educação.

De acordo com a Adriana Marcolino, técnica da subsecção do Dieese na CUT, esse desconto, na declaração simplificada, beneficia quem tem menor renda. “Já os outros descontos são para quem paga plano de saúde, escola particular e, geralmente, esses contribuintes são aqueles que têm rendimento maior”, diz Adriana.

O jornal O Estado de São Paulo publicou que além de mexer no abono salarial do trabalhador, o governo estuda limitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) a idosos cuja renda familiar é de até R$ 280,00 por pessoa e sobre proibir acumulo de benefícios para quem recebe o Bolsa Família. Com essas duas medidas, a ‘economia’ seria de aproximadamente R$ 8,2 bilhões.

Ainda de acordo com o jornal, o governo Bolsonaro quer transferir a responsabilidade pelo pagamento do auxílio-doença ao empregador, que por sua vez abateria o valor da contribuição paga ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).  Hoje o pagamento é feito pelo órgão quando o período de afastamento é superior a 15 dias.

Outras sugestões são a redução de “penduricalhos” e a regulamentação do teto remuneratório para servidores (com economia de R$ 2,2 bilhões), liberar recursos do FGTS em parcelas antes de o trabalhador demitido acessar o seguro-desemprego (impacto de R$ 3,1 bilhões) e revisão no seguro-defeso (economia de R$ 1,5 bilhão).

Pega mal

Em agosto, Bolsonaro havia proibido sua equipe de falar sobre programas de distribuição de renda por não haver uma ainda proposta concreta, elaborada e consolidada para um programa que substituísse o Bolsa Família. À época, as ‘possíveis medidas’ anunciadas pela equipe econômica causaram repercussão negativa e fizeram o governo recuar.

Entre elas, a redução em programas sociais como o seguro-desemprego, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e até o congelamento de aposentadorias por dois anos, para turbinar o novo programa.

Ainda hoje, medidas em estudo para financiamento, divulgadas pela equipe periodicamente, não têm diálogo com a sociedade e continuam mirando nos trabalhadores de menor renda. “Da classe média baixa, inclusive”,aponta Adriana Marcolino.

Ela afirma que um programa de distribuição de renda, como Renda Cidadã, deveria ser “levado com mais seriedade”.

“Um governante e sua equipe ficarem durante tantos meses fazendo balões de ensaio é muito negativo. Toda semana sai uma matéria diferente sobre uma nova possiblidade de financiamento do programa”, diz Adriana se referindo à falta de uma proposta concreta.

Para ela, o programa assim tem que ter caráter de redistribuição de renda. “De quem tem mais para quem tem menos”, ela diz e aponta uma reforma tributária justa, com taxação de grandes fortunas e atualização tabelas de Imposto de Renda(IR).

“O IR tem muitas distorções e a principal é a defasagem na atualização. O resultado é que um grupo de pessoas que deveria estar na faixa de isenção, hoje paga o imposto”, explica.

Ainda sobre a intenção de acabar com os descontos da declaração simplificada para bancar o Renda Cidadã, Adriana diz que, como caminho, “a tributação deveria ser sobre os super ricos e não sobre a classe média baixa que já está estrangulada por causa da crise econômica e dos orçamentos familiares que foram ainda mais prejudicados por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19)”.

Fonte: CUT

Violações ao direito à informação no Brasil é tema de nova audiência pública da CIDH

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Organizações da sociedade civil participam na próxima terça-feira, 06/10, de audiência pública virtual com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar violações ao direito à informação e como estas atingem as populações historicamente vulnerabilizadas no Brasil.

O pedido de audiência foi motivado pelo aprofundamento das violações à liberdade de expressão e de imprensa desde o último encontro do grupo brasileiro com a CIDH, em março, no Haiti, antes da pandemia do novo coronavírus. As 14 organizações brasileiras serão ouvidas pelo novo Relator para a Liberdade de Expressão da CIDH, o colombiano Pedro Vaca. Representantes do governo brasileiro também foram convidados a participar.

Segundo os representantes das organizações, durante a pandemia indígenas, mulheres, população negra, crianças, adolescentes e moradores de favelas e periferias, população LGBTQI+ – têm sido privados do direito de acessar informações confiáveis, tendo, por consequência, seus direitos à liberdade de expressão, à educação e à saúde gravemente violados.

No centro do encontro estará a responsabilidade do governo brasileiro na construção desse cenário, uma vez que partiram do próprio poder executivo decisões que provocaram um apagão de dados sobre a pandemia no país.

A delegação de organizações da sociedade civil brasileira afirma que, além de faltar com o compromisso constitucional de transparência com informações públicas, o governo federal tem sido ele próprio autor de campanhas de desinformação e de sucessivos ataques contra comunicadores e jornalistas, especialmente mulheres.

Na pauta da audiência, estarão ainda a desigualdade ao acesso à internet no território brasileiro e o desmonte dos espaços de participação social na gestão pública como fatores que agravam as condições de vida dos grupos populacionais acima citados deixando-os ainda mais vulneráveis à crise sanitária, econômica e social que o mundo atravessa.

Para trazer evidências sobre esse contexto, a sociedade civil será representada por Ana Flávia Marx, do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé; Sandra Andrade, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ); Nara Baré, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); Leonardo Pinho, do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH); Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha de São Paulo; Pedro Borges, editor-chefe da agência de notícias Alma Preta; e por representantes das demais organizações signatárias do pedido da audiência.

As organizações pretendem ainda reforçar o pedido de visita da Relatoria para a Liberdade de Expressão da CIDH ao país. A requisição foi feita durante audiência pública também realizada no âmbito da Comissão, em março deste ano no Haiti, quando o debate focou no recrudescimento das ameaças à liberdade de expressão no Brasil.

“A negação do acesso à informação, fruto não só da omissão do governo federal, mas de uma atuação ativa da pasta na violação desse direito, revela-se como uma opção do Estado brasileiro de ignorar as leis e tratados dos quais o Brasil é signatário e tem resultados muito violentos na vida das mulheres, negros e negras, indígenas e outras populações vulnerabilizadas. É por isso que requeremos com urgência uma missão da relatoria no nosso país”, afirma Iara Moura, coordenadora executiva do Intervozes, uma das organizações que peticionaram a audiência junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A CIDH é um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem como mandato promover a observância e defesa dos direitos humanos na região e atua como órgão consultivo da OEA na temática.

A realização da audiência é resultado do trabalho de articulação de 14 organizações da sociedade civil:

Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Anistia Internacional
Artigo 19
Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
Coalizão Direitos na Rede
Coding Rights
Conectas Direitos Humanos
Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH)
Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Instituto Vladimir Herzog (IVH)
Repórteres sem Fronteiras (RSF)
Terra de Direitos

 

Fonte: CNTE

Governo estuda extinguir desconto do imposto de renda para financiar renda básica

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 O governo de Jair Bolsonaro pode extinguir o desconto de 20% da declaração simplificada do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para financiar o programa de renda básica, que vem sendo chamado de “Renda Cidadã”. A medida pode atingir mais de 17 milhões de contribuintes nos país. Com o fim do desconto, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, estuda manter as deduções de saúde e educação, que são benefícios da declaração completa. O fim dessas deduções já estavam na mira de Guedes antes da apresentação da ideia de agora eliminar o desconto de 20% da declaração simplificada.

Segundo reportagem de Bernardo Caram na Folha de S.Paulo deste domingo (4), a proposta será apresentada pelo Ministério da Economia ao presidente Jair Bolsonaro como uma das soluções para o impasse que envolve o novo programa social do governo.

A equipe econômica pretende que a matéria seja aprovada a toque de caixa, antes mesmo de um pacote mais amplo da reforma tributária. A equipe do ministro Paulo Guedes continua defendendo outros programas sociais existentes hoje sejam condensados para formar o Renda Cidadã.

A pasta argumenta que o modelo simplificado, que dá suporte ao desconto do IRPF, somente fazia sentido quando o mundo não era digitalizado, e os contribuintes tinham um trabalho enorme para guardar, reunir e recuperar a papelada que seria apresentada para viabilizar as deduções. O time de Guedes ainda trabalha nas contas da economia que seria criada com a medida.

Modelo simplificado é mais usado

Na declaração de 2019, 17,4 milhões de pessoas optaram pelo formulário simplificado, enquanto 12,9 milhões usaram o modelo completo.

Para os cadastrados no sistema simplificado, a redução global na base de cálculo foi de R$ 136,5 bilhões. Sobre esse valor, portanto, o imposto não incidiu. Como o desconto é padrão e automático, em muitos casos o contribuinte nem possui, de fato, despesas a serem deduzidas da base de cálculo do imposto.

Técnicos explicam que esse montante de desconto não será eliminado em sua totalidade com a medida porque muitas pessoas que optaram pelo modelo simplificado poderiam passar a declarar e deduzir pela modalidade completa.

A nova proposta foi formulada para ser apresentada ao presidente Jair Bolsonaro como uma das soluções para o impasse que envolve o novo programa social do governo, o Renda Cidadã. Segundo técnicos do Ministério da Economia, somente com essa medida, o benefício mensal médio do Bolsa Família poderia ser ampliado de R$ 190 para valores entre R$ 230 e R$ 240.

Fonte: CUT

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