Bolsonaro aproveita ‘sofrimento coletivo’ para abrir mão da soberania, diz Lula

notice

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento por meio de suas redes sociais, também transmitido pela TVT e Rádio Brasil Atual, na tarde desta segunda-feira (7). Em sua fala, ele justificou o fato de ter escolhido o dia da Independência pelo fato de avaliar que o governo Bolsonaro “aproveita o sofrimento coletivo para sorrateiramente cometer um crime de lesa-pátria”, o que considera ser “um crime politicamente imprescritível”.

“O maior crime que um governo pode cometer contra o seu país e o seu povo: abrir mão da soberania nacional. Não foi por acaso que escolhi para falar com vocês nesse 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil, quando celebramos o nascimento de nosso país como nação soberana. Soberania significa independência, autonomia, liberdade. O contrário disso é dependência, servidão e submissão”, disse Lula.

O ex-presidente relacionou a luta por liberdades como a de imprensa, de opinião, de manifestação, de organização e sindical à soberania do país. “A garantia da soberania nacional não se resume à importantíssima missão de resguardar a segurança de nossas fronteiras terrestres, marítimas e nosso espaço aéreo. Supõe também defender nosso povo, nossas riquezas minerais, nossas florestas, nossos rios, nossa água”, defendeu.

No pronunciamento, Lula ainda condenou a subserviência aos interesses estadunidenses. “O governo atual subordina o Brasil aos Estados Unidos de forma humilhante e submete nossos soldados e nossos diplomatas a situações vexatórias. E ainda ameaça envolver o nosso país em aventuras militares contra os  nossos vizinhos, contrariando a própria Constituição, para atender aos interesses econômicos, estratégicos e militares norte-americanos”, apontou. “A submissão do Brasil aos interesses militares de Washington foi escancarada pelo próprio presidente ao nomear um oficial-general das forças armadas brasileiras para servir no comando militar sul dos Estados Unidos, sob as ordens de um oficial americano.”

Desmanche e privatizações

O pronunciamento também contou com críticas às políticas privatistas impostas pelo governo. “Quem quiser saber os verdadeiros objetivos do governo não precisa consultar manuais secretos da Abin ou do serviço de inteligência do Exército. A resposta está todos os dias no Diário Oficial, em cada ato, em cada decisão, em cada iniciativa do presidente e seus assessores, banqueiros e especuladores que ele chamou para dirigir nossa economia”, afirmou.

Ele criticou em especial o desmonte em curso dos bancos públicos. “Instituições centenárias como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, que se confundem com a história do desenvolvimento do país, estão sendo fatiadas e esquartejadas, ou simplesmente vendidas a preço vil. Bancos públicos não foram criados para enriquecer famílias, eles são instrumentos do progresso, financiam a casa do pobre, a agricultura familiar, as obras de saneamento e a infraestrutura essencial ao desenvolvimento.”

“Todos os avanços que fizemos sofreram encarniçada oposição das forças conservadoras, aliadas aos interesses de outras potências. eles nunca se conformaram em ver o Brasil como um país independente e solidário com seus vizinhos latino-americanos e caribenhos, com os países africanos, com as nações em desenvolvimento”, assinalou Lula.

Segundo o ex-presidente, sua gestão fez uma “revolução pacífica” ao tirar 40 milhões de brasileiros da miséria, fato que estaria no centro das insatisfações de parte da elite brasileira. ” Ao ver que esse processo de ascensão dos pobres iria continuar, que a afirmação da nossa soberania não iria ter volta, os que se julgam donos do Brasil, aqui dentro e lá fora, resolveram dar um basta. Nasce aí o apoio dado pelas elites conservadoras a Bolsonaro”, disse.

” Aceitaram como natural sua fuga dos debates, derramaram rios de dinheiro na indústria de fake news, fecharam os olhos para seu passado aterrador, fingiram ignorar seu discurso em defesa da tortura e a apologia pública que ele fez do estupro.”

Oligarquias criaram um ‘monstrengo’

De acordo com Lula, as eleições de 2018 “jogaram o Brasil em um pesadelo que parece não ter fim”. “Como num filme de terror, as oligarquias brasileiras pariram um monstrengo que agora não conseguem controlar, mas que continuarão a sustentar enquanto seus interesses estiverem sendo atendidos.”

Como exemplo dessa aliança entre capital e governo, ele citou o fato de os mais pobres terem sofrido os maiores impactos decorrentes da pandemia de covid-19. “Um dado escandaloso ilustra essa conivência. Nos quatro primeiros meses da pandemia, 40 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 170 bilhões de reais. Enquanto isso, a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo IBGE. Para impedir que os trabalhadores possam se defender dessa pilhagem, o governo asfixia os sindicatos, enfraquece as centrais sindicais e ameaça fechar as portas da Justiça do Trabalho. Querem quebrar a coluna vertebral do movimento sindical, o que nem a ditadura conseguiu.”

“É inaceitável que 10% da população viva às custas da miséria de 90% do povo. Jamais haverá crescimento e paz social em nosso país enquanto a riqueza produzida por todos for parar nas contas bancárias de meia dúzia de privilegiados. Jamais haverá crescimento e paz social se as políticas públicas e as instituições não tratarem com equidade a todos os brasileiros.”

Confira abaixo a íntegra do pronunciamento de Lula

Fonte: CUT

Pela vida e por direitos, Grito dos Excluídos ocupará ruas de várias cidades do País

notice

Contra o projeto de arrocho salarial e social do governo de Jair Bolsonaro (ex-PFL), e a falta de um comando nacional de combate ao novo coronavírus, entidades dos movimentos populares, socais e sindicais, respeitando o distanciamento social, realizam manifestações em todo o país nesta segunda-feira, 7 de setembro.

O lema da 26ª edição do Grito dos Excluídos deste ano é “Vida em primeiro lugar” e o mote “Queremos trabalho, terra, teto e participação”, com atividades em todo o país.

É o grito dos mais de 13 milhões de brasileiros, especialmente negros com baixa escolaridade, que estão em situação de pobreza extrema, vivendo nas ruas, nos cortiços, favelas, ocupações e periferias, abandonados por este governo que só pensa em acabar com políticas sócias para os mais vulneráveis.

Em São Paulo, excepcionalmente neste ano, devido a pandemia do novo coronavírus, o Grito dos Excluídos não seguirá pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio em direção ao Monumento às Bandeiras, ao lado do Parque do Ibirapuera, como de costume.

O ato, organizado pela Central de Movimentos Populares (CMP), com apoio da CUT São Paulo, terá concentração às 10h, na Praça Oswaldo Cruz, ponto inicial da Avenida Paulista. No local haverá um ato ecumênico.

Confira outras cidades onde o ato será realizado:

São Paulo

ABC

No ABC Paulista, o Grito será às 15h, com transmissão pelo zoom, leitura de mensagem do Frei Betto.

No Alto Tiete: No dia 5, a Pastoral da Sobriedade, PO e PJ realizarão uma Live pré Grito, com o tema deste ano. No dia 6, haverá um ato Inter-Religioso, à noite, na frente da Igreja São Sebastião. Já na segunda-feira (7), às 9 horas, tem missa na Catedral com a presença do bispo, do padre Dimas, entre outros.

A transmissão será feita, às 11h, pela página no Facebook Rede Livre em www.redelivre.online

Aparecida

Uma missa, às 9h, em celebração da 33ª Romaria dos Trabalhadores e do 26º Grito dos Excluídos, presidida pelo bispo de Aparecida, Dom Orlando Brantes. A missa será transmitida pela TV Aparecida, Rádio Aparecida e Portal A 12. 

Baixada Santista

Atos simbólicos serão realizados em cinco cidades da região, partir das 9h, com ocuparão de praças locais, com cartazes, bandeiras e cruzes para lembrar os brasileiros mortos pela Covid-19. Devido à pandemia do novo coronavírus, não haverá uso do microfone e os participantes deverão usar máscaras de pano para proteção individual.

Em Carapicuíba terá carreata, às 10h, no Parque da Aldeia destino, Parque Gabriel Chucre e Via Inocência Seráfico.

Campinas

No domingo (6), às 15h, haverá uma live com a participação de Salete Carollo, assentamento Tapes MST/RS, Darcy Costa, Coordenador MNPR, Soledad Pequena, assessora CEMIR, Arnaldo de Negri, Fórum da Sociedade Civil da Saúde e Seguridade Social e do Grito dos Excluídos Continental. Transmissão aqui.

Jundiaí

Em Jundiaí a Diocese realiza o seu 10º Grito dos Excluídos, às 9 desta segunda (7), com uma celebração na Paróquia São José Parque Almerinda Chaves, com transmissão pelo Facebook da Paroquia São José.

Osasco

Na segunda-feira, ato simbólico em Osasco, na Praça Helena Maria, pela manhã, promovido pela Assembleia Popular e FBP.

Rio Grande do Sul

Tem um ato simbólico a partir das 12h, no Parque Pedro Antonio Maria, na Avenida Henrique Bier, 4076, em São Leopoldo. O ato será transmitido ao vivo através da Rede Soberania e do Brasil Fato, em parceria com a CUT-RS e várias representações, no Facebook.

Pará

Em Belém o grito dos excluídos será na Praça da República, em frente ao teatro, às 8h da manhã. A transmissão será feita pela Rádio Web Idade Mídia e pela página oficial do Grito dos Excluídos.

Amazonas

Em Manaus, o ato será no domingo (6) com intervenções culturais e políticas, às 16h, no mirante da Embratel, onde há uma visão do encontro das águas, rio, mata.

Bahia

Salvador prepara um ato simbólico seguindo todas as recomendações da saúde na prevenção contra o novo coronavírus. O grito dos excluídos será na segunda-feira (7), a partir das 9 h, no Parque Treze de Maio.

Vitória da Conquista (BA), no sábado (5), terá Rodas de Conversa, às 15h, com lideranças políticas, comunitárias e com presença do arcebispo metropolitano da cidade. A transmissão será pela página Facebook, Youtube e Instagram da Arquidiocese de Vitoria da Conquista.

Santa Catarina

Em Florianópolis tem uma live na segunda-feira (7) pelo Facebook da CUT-SC para marcar o dia do Grito dos Excluídos. A transmissão contará com atrações culturais e com a participação de coordenadores de ramos e de Dom Guilherme Antônio Werlang, da diocese de Lages, que em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). https://www.facebook.com/sccut

Ceará

Fortaleza prepara um ato presencial simbólico na próxima segunda-feira (7) no aterro da Praia de Iracema, às 15h, em Fortaleza. Já no Cariri, o ato será às 8h (local e cidade definir).

Maranhão

Já em São Luís haverá uma missa, neste domingo (6), na Igreja do Bonfim.  Na segunda-feira (7), no dia do Grito dos Excluídos, terá ação solidária com a população de rua no Mercado Central à noite.

Na Diocese de Pinheiro, interior do Maranhão, haverá uma carreata às 7h – Praça São José. Na cidade de Brejo está previsto um ato das 9 às 11h na segunda-feira (7).

Distrito Federal

Em Brasília, as ações do no dia do Grito dos Excluídos acontecem em duas partes. Na primeira, um ato virtual acontecerá às 8h30, pelo aplicativo Zoom, e contará com a participação de entidades, movimentos, partidos e parlamentares. Na segunda parte, um ato performático presencial, na Esplanada dos Ministérios, a partir das 10h.

Espirito Santo

Em Vitória, domingo (6), a partir das 19h, haverá uma projeção Mapeada no Convento da Penha, transmissão ao vivo pelas redes sociais do convento. Na segunda, dia 7, a partir das 8h, uma celebração inter-religiosa no Convento da Penha. A celebração não é aberta ao público devido a pandemia do novo coronavírus.

Goiás

Goiânia terá uma transmissão ao vivo na segunda-feira (7) para marcar o dia do Grito do Excluídos. O ato simbólico terá a participação de Ermínia Maricato, João Pedro Stédile e Leonardo Boff, promovido pelo Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania. 

Mato Grosso

Em Cuiabá haverá uma celebração ecumênica na Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito às 18h, na segunda-feira (7). Todas as atividades serão com transmissão ao vivo.  

Minas Gerais

Belo Horizonte terá atos simbólicos no dia 7 a partir das 10h na Igreja São Francisco de Assis – na Pampulha, no Viaduto – Av. Antônio Carlos (próximo a PPL), no Viaduto – Av. Antônio Carlos com Av. Abrahão Caram e Av. Amazonas, no Mercado Central e na Praça da Estação.

Pernambuco

Em Recife o ato dos Gritos dos Excluídos será nesta segunda-feira (7), a partir das 9h, no Parque Treze de Maio, respeitando o distanciamento e seguindo todas as recomendações de saúde e higienização.

Paraná

Em Curitiba haverá uma missa presidida por Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curitiba, será realizada nesta segunda-feira (7), às 12h. A transmissão será feita pela página do da arquidiocese no Facebook. O dia será marcado por mobilização, velas, cruzes para lembrar as mortes pelo Covid.  No dia 9, na quarta-feira, será dia de distribuir alimentos, máscaras ou camisetas com o símbolo do Grito dos Excluídos.

Rio de Janeiro

A manifestação do Grito dos Excluídos na cidade do Rio de Janeiro será na rua Uruguaiana com Av. Presidente Vargas, a partir das 9h. O ato terá panfletagem, marcha até o museu do Amanhã – Praça Mauá, performances e a participação do Bicuda do Bozó presente.

Rio Grande do Norte

Nesta segunda-feira (7), em Mossoró, haverá distribuição de cestas com alimentos e materiais de higiene arrecadados durante a Campanha de Solidariedade às pessoas em situação de vulnerabilidade social, entre elas, imigrantes. O Grito de Mossoró será também em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade em defesa do Fundeb Permanente. 

Rondônia

Porto Velho terá o amanhecer nas casas com panos pretos e cartazes do Grito dos Excluídos. A partir das 17h, ato presencial cultural no Centro Político Administrativo do Governo do Estado, para no máximo 25 pessoas. O ato também contará com a participação de representantes dos povos indígenas ameaçados nos territórios.

Roraima

Já em Boa Vista a concentração do Grito dos Excluídos será na Praça do Centro Cívico, a partir das 8h, de onde sairá a carreata do 26° Grito dando um basta na miséria, preconceito e repressão. A orientação é para ir de carro ou de moto, com máscara, álcool gel e garrafinha de água.  

Fonte: CUT

Entenda como o fiasco do Produto Interno Bruto (PIB) afeta o seu bolso, a sua vida

Os jornais estamparam esta semana manchetes sobre o tombo de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, um recorde histórico e o pior desempenho do país em 120 anos. Em comparação com o mesmo trimestre de 2019, o PIB recuou 11,4%.

Muitos se perguntaram: o que eu tenho a ver com isso? Em que a alta ou queda do PIB influencia a minha vida, meu trabalho? Teve até quem questionou o que incentivou o aumento do PIB nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, do PT. Para responder essas e outras perguntas, o Portal CUT foi ouvir um especialista da área econômica: o pesquisador e professor de economia do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp, Marcelo Manzano.

De acordo com o professor, é com um olho no PIB que governos e empresas definem suas estratégias de investimentos e condução da economia, o que afeta diretamente a vida do trabalhador, já que ele é a ponta mais frágil do ponto de vista econômico, ficando à mercê das decisões do mercado financeiro e de quem estiver sentado na cadeira presidencial. 

“O PIB é relevante porque quando cresce demonstra que a atividade econômica se expandiu. Isto significa mais produção e quem produz precisa de mão de obra, de trabalho. Quando as pessoas fazem alguma coisa, geram bens e serviços, e ao fazerem isso produzem valor. É oportunidade de trabalho, não necessariamente um emprego, mas uma atividade que gerou uma renda, um lucro para quem a fez”, explicou.

“Os investimentos da Petrobras de 2005 a 2015, de mais de R$ 50 bilhões ao ano, dinamizou setores como indústria naval [que chegou a ter mais de 300 mil trabalhadores], a produção de tubulações, a contratação de serviços especializados em perfuração, sondagem. Isto influenciou outros setores, como em Santos [litoral de São Paulo] que construiu novos hotéis e prédios por conta do pré-sal”, exemplifica o professor de economia, lembrando como os investimentos feitos nos governos do PT foram importantes para a recuperação da economia e a geração de emprego e renda no Brasil. 

Quando o PIB encolhe, as pessoas perdem renda, perdem emprego, trabalho e não têm as mesmas condições de vida.

– Marcelo Manzano

E são esssas condições de vida que os trabalhadores vêm perdendo desde a recessão de 2015-2016, agravada com o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, e que se aprofundou em 2018 quando Jair Bolsonaro (ex-PSL) ganhou a eleição para presidente da República e nomeou para conduzir a economia do país, o banqueiro Paulo Guedes. Com a dupla no comando, o PIB vem caindo, fazendo o Brasil entrar oficialmente em recessão econômica.

O PIB, explica o professor, é a soma das riquezas, de todos os produtos gerados no país em um ano, sejam produtos físicos como o pãozinho da padaria, seja o automóvel. É também a soma de todos os serviços que geraram algum tipo de pagamento. O trabalho do autônomo seja ele eletricista ou jornalista.

O PIB pode ser medido de diferentes maneiras: pela soma do valor dos produtos finais, pela soma dos gastos agregados (consumo das famílias, investimentos das empresas, gastos do governo e saldo comercial) ou ainda pela soma dos rendimentos (salários, lucros, aluguéis e impostos). Qualquer atividade econômica que gerou alguma renda entra na composição do índice.

Desde o golpe, avião vem caindo

Para explicar como as medidas econômicas dos governos Michel Temer (MDB-SP) e de Bolsonaro foram fundamentais para a queda do PIB e como isto interfere no dia a dia da vida de todos os brasileiros e brasileiras, Marcelo Manzano faz uma analogia de um avião caindo.

O PIB é comparado a um avião de quatro turbinas. Cada turbina representa um dos quatro itens que dinamizam a produção de um país e que entram na sua composição: as exportações, os investimentos das empresas, o consumo das famílias e os gastos públicos. Três estão em chamas, a última começa a dar sinais de que também vai parar de funcionar, o que levará o avião a um desastre iminente.

“Assim está o Brasil. No momento a única coisa que ainda não deixou o avião cair é a turbina dos gastos públicos, incluindo neste rol, o auxílio emergencial de R$ 600, que por sua vez, turbinou o consumo das famílias. Mas, as empresas não estão investindo e as exportações dependem de outros países que também estão enfrentando a pandemia”, diz Manzano.

O incêndio nas turbinas foi provocado pelo desempenho do consumo das famílias, que caiu 12,5%, entre abril e junho, e do baixo investimento estatal, que teve queda de 15,4%. O consumo do próprio governo caiu 8,8%. E a indústria recuou 12,3%.

Como é feito o cálculo das projeções do PIB

É muito comum as projeções para o Produto Interno Bruto estarem completamente fora da realidade econômica. O professor de economia diz que as projeções são feitas a partir de um relatório semanal que o Banco Central (BC) envia a mais de 100 instituições financeiras, bancos, empresas. Esses economistas assinalam as suas expectativas de crescimento. O BC faz a média e depois publica o chamado Boletim Focus, com a previsão do PIB.  

“O boletim Focus erra sistematicamente em suas previsões do PIB, como observamos nos últimos três anos. Uma das razões é que quem alimenta o Focus é um analista ou um chefe de consultoria econômica que fundamenta sua previsão em um modelo matemático que, embora possua milhões de equações, é alimentado por economistas de carne e osso que, em sua grande maioria, imprimem uma mesma perspectiva – ortodoxa e enviesada – sobre os fatores determinantes do dinamismo econômico. Ao final, seus palpites não diferem muito de uma bola de cristal que tem errado sistematicamente”, alfineta Manzano.

Pibinho

Segundo ele, em 2017, no primeiro ano após o golpe contra Dilma, os economistas consultados pelo Focus previam um crescimento do PIB de 2,5%, mas o que se viu foi a metade: 1,3%.  No ano seguinte, após a reforma Trabalhista defendida como a grande geradora de 6 milhões de empregos e que não gerou nenhum, a mesma turma disse que cresceria 2,5% e, novamente foi metade: 1,3%. Em 2019, a história se repetiu: de 2,5% chegou-se ao final do ano com um crescimento de apenas 1,1%.

A desculpa do atual governo para a queda no PIB deste ano é a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Mas, desde o golpe, os neoliberais que chamavam de “pibinho” as taxas de crescimento do PIB do primeiro mandato de Dilma, não conseguiram alavancar a economia mesmo com as reformas Trabalhista, da Previdência e a criação do Teto dos Gastos Públicos, que congelou os gastos do governo acima da inflação nos próximos 20 anos. Todas essas medidas que atacaram direitos trabalhistas históricos e impediram o avanço de políticas públicas eficazes construídas nos governos do PT, resultaram na quase estagnação do PIB, em um patamar muito baixo.

O problema dos erros nas previsões, diz Manzano, é que as contas são feitas a partir das expectativas de economistas do setor financeiro, as universidades não são chamadas, e o que se vê são erros de projeções, atrás de erros. Com Lula, eles também erraram, mas avaliavam para baixo porque acreditavam que as medidas do seu governo não dariam certo.

“Por má vontade, por conta de ideologia contrária aos governos do PT, esses economistas não acreditavam que daria certo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que o aumento real do salário mínimo geraria mais consumo e renda, que o Minha Casa, Minha Vida geraria milhares de empregos na construção civil, com quatro milhões de moradias vendidas. Tudo isso eles não levaram em conta, mas com o Lula o Brasil voltou a crescer e distribuir renda, como há muito não se via”, afirma o professor de economia.

Investimentos públicos dos governos do PT incentivaram aumento do PIB

A importância dos investimentos públicos é destacada por Manzano como um fator fundamental de recuperação do PIB porque gera empregos e, com os trabalhadores percebendo que não perderão seus empregos, eles se sentem seguros em comprar um carro, uma casa, uma geladeira, dinamizando a economia.

Manzano, no entanto, ressalva que embora o consumo seja o responsável por 65% do PIB, ele é frágil porque o consumo se esgota, se não houver uma estratégia para manter o dinheiro na economia.

Segundo ele, é importante manter os gastos públicos construindo, por exemplo, um hospital, uma estrada. Um hospital vai precisar tanto de trabalhadores da construção civil, bem como médicos e profissionais de saúde para o seu funcionamento. Uma estrada, além da mão de obra contratada, servirá de escoamento de uma produção, para as pessoas irem trabalhar. São bens duráveis que continuam servindo de base para a composição do PIB dos anos seguintes. Como no exemplo citado acima dos investimentos feitos na indústria naval de 2005 a 2015.

Outro importante ponto para o crescimento do PIB nos governos petistas foram os investimentos dos bancos públicos. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) deu crédito a empresas para que elas pudessem investir e setores como os de proteína animal, petroquímica e fármacos, entre outros, dinamizaram setores e regiões.

Ao responder sobre os motivos que levaram a elite do país, mesmo ganhando muito dinheiro, ter apoiado o golpe contra a ex-presidenta Dilma e perseguido o ex-presidente Lula, o economista respondeu que esta é uma pergunta que valia um milhão de dólares.

Segundo Manzano, foi uma série de fatores, mas fica cada vez mais claro que havia interesses externos, de incômodo pela gestão do PT, na medida em que o Brasil crescia e ganhava destaque no mundo.

Para exemplificar o comportamento da elite brasileira, Manzano cita um artigo escrito em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, pelo economista polonês Michael Kalecki sobre os aspectos políticos do pleno emprego. No texto, Kalecki diz que sempre que há pleno emprego a elite reage. Ela não tolera que o trabalhador recuse uma oferta de emprego que não lhe agrade.

“Ele escreveu pensando na elite europeia do século passado, mas cabe bem até hoje aqui. Os empresários brasileiros estavam ganhando mais dinheiro, todos, na verdade, do camponês ao empresário porque o lucro estava crescendo, mas a elite não suporta perder o comando do destino do país”, conclui Marcelo Manzano.

Fonte: CUT

Confira os benefícios do INSS que trabalhador demitido tem direito

Trabalhadores e trabalhadoras demitidos continuam tendo direito, por um período de até três anos, a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ainda que não estejam contribuindo para a Previdência por estarem fora do mercado de trabalho e sem renda para bancar mais esta despesa.

Os trabalhadores demitidos têm direito aos chamados benefícios por incapacidade, como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e auxílio-acidente, concedidos a quem fica doente e apresenta incapacidades, limitações ou restrições em exercer atividades profissionais.

O direito dos demitidos a esses benefícios é como se fosse um seguro habitual ou um plano de saúde pelo qual os trabalhadores e as trabalhadoras contribuíram quando estavam contratados, explica a advogada especialista em Previdência, Cláudia Caroline Nunes Costa, do escritório LBS Advogados.

O trabalhador tem um tempo de carência, que no INSS é chamado de ‘período de graça’, em que ele continua tendo direito de cobertura nos  casos de benefícios por incapacidade

– Claudia Caroline Nunes Costa

O período de graça pode chegar a 36 meses após o trabalhador perder a qualidade de segurado, ou seja, que não esteja mais contribuindo mensalmente com o INSS. As condições para que sejam estabelecidos os prazos são as seguintes:

Até três meses: para quem estava prestando o serviço militar e, por isso, esteve licenciado de contribuir;

Até seis meses: para contribuintes facultativos, que pagam INSS por meio de carnês;

Até um ano: para trabalhadores que foram demitidos ou contribuíram como autônomos, para cidadãos que estavam presos e para quem teve encerrado o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e salário maternidade;

Até dois anos: para quem teve encerrado o benefício por incapacidade ou do salário-maternidade; depois de ter sido demitido ou depois de ter pago o último recolhimento obrigatório, desde que tenha 120 contribuições mensais sem perda da qualidade de segurado.

Também têm direito ao prazo de dois anos aqueles que foram demitidos sem as 120 contribuições, mas que tenham recebido seguro-desemprego ou tenham sido registrados no Sistema Nacional de Emprego (Sine).

Até três anos: aqueles que foram demitidos, receberam seguro-desemprego ou foram registrados no Sine e tenham mais de 120 contribuições consecutivas ou intercaladas, sem perda da qualidade de segurado.

 

Benefícios

No caso de trabalhadores demitidos e desempregados, que não estão contribuindo com a Previdência, o INSS é obrigado a pagar os benefícios, mas a advogada aponta obstáculos que têm gerado judicialização de pedidos, ou seja, casos em que os trabalhadores tiveram de recorrer à justiça para terem garantidos os seus direitos.

“O trabalhador é submetido à perícia do INSS e não são raros os casos de indeferimento de balcão, quando já no atendimento o pedido é negado e, também, de peritos que negam esses benefícios sem ao menos ‘olhar para a cara do trabalhador’, concluindo que eles estão aptos a desenvolver atividades laborais”, diz a advogada.

Nessas situações, pode ocorrer de o trabalhador não possuir um mínimo de assistência jurídica ou condições de contratar um advogado. “Assim, ele simplesmente desiste de seu direito”.

Claudia Costa aponta a necessidade de um aprimoramento do processo administrativo do INSS. “A perícia precisa respeitar os trabalhadores e realizar perícias seguindo critérios médicos mais rígidos, sem um viés autoritário e de cortes de direitos”, diz, afirmando que a “lógica do INSS, hoje, é de negar benefícios”.

A advogada diz ainda que o Sistema Judiciário deve seguir os preceitos de humanização das decisões, já que muitas sentenças se baseiam tão somente nas alegações dos peritos, sem critérios mais rigorosos de análise da situação de saúde do trabalhador.

Mas, de acordo com ela, o caminho jurídico pode funcionar em favor dos trabalhadores. “Temos o caso de um trabalhador que estava há onze anos doente, sem contribuir para a Previdência, sem trabalho, e após uma perícia humanizada que conseguimos, foi reconhecido o período de graça e que, de fato, ele deveria estar segurado por todo esse período, recebendo benefício”, conta Cláudia.

Com base nesse exemplo, caso o trabalhador fique doente após ser demitido e durante o período de graça, ele terá direito a entrar com pedido de benefício, ainda que os prazos máximos tenham se esgotado. Assim, se um trabalhador adoece e permanece nesse estado, desde que prove a patologia, terá garantido o direito, ainda que o prazo de 36 meses seja ultrapassado.

 

Desemprego e informais

Mesmo que o direito de quem perdeu o emprego recentemente esteja garantido, a advogada lamenta que milhões de outros trabalhadores não possam ter acesso à condição de segurados do INSS e, por isso, não tenham amparo social. São os trabalhadores informais e os que já estão desempregados há mais tempo.

Taxa de desemprego sobe para 13,3% e atinge 12,8 milhões de trabalhadores

“Essa parcela, infelizmente, não tem direito ao período de graça e ao acesso aos benefícios. Há muitos trabalhadores que se submetem a condições precarizadas de trabalho, sem direitos e não têm como contribuir com o INSS porque têm renda muito baixa”, diz a advogada.

Para ela, o ideal seria que empresas que contratam nessas condições, os chamados ‘bicos’, os contratos intermitentes e trabalhos pontuais, recolhesse a contribuição para a Previdência.

Ubber, Loggi e outros aplicativos são exemplos de empresas que se utilizam de mão de obra, sem direitos e sem responsabilidade social, o que foi possível, diz Claudia, por causa da reforma Trabalhista, que precarizou as relações de trabalho e da reforma da Previdência que possibilitou a isenção de contribuição, por partes das empresas, nesses formatos de contratação.

“Essas empresas não explicam os critérios de remuneração para os trabalhadores, e não recolhem a contribuição. No contrato de prestação de serviço geralmente consta que o trabalhador se responsabiliza por tributos, ou seja, é contrato de adesão em que ele se submete às regras impostas por ter de sobreviver”, afirma a advogada Claudia Costa.

Para ela, caberia ao Estado a fiscalização, execução e regulamentação sobre o tema, “mas o grande interesse econômico é quem ganha a discussão”.

 

Carência para voltar a ter a qualidade de segurado

Quando o trabalhador perde a qualidade de segurado, para ter direito aos benefícios do INSS, há um período de carência. Ou seja, somente depois de cumprir esse prazo, volta a ter cobertura do Seguro Social. Na maioria dos casos, esse período é de 12 meses.

Para casos de doenças graves, segurados estão isentos de cumprir o período, caso precisem do benefício de incapacidade. São elas: Tuberculose ativa, Hanseníase, Alienação mental, Câncer, Cegueira, Paralisia irreversível e incapacitante, Cardiopatia grave, Doença de Parkinson, Espondiloartrose anquilosante, Nefropatia grave, Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), Síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS), Contaminação por radiação e Hepatopatia grave.

Fonte: CUT

Lula: não adianta criar Renda Brasil e não aumentar o salário mínimo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (2) que Jair Bolsonaro está “destruindo” todas as políticas sociais criadas nos governos do PT para colocar outras no lugar. Ele destacou a importância de que as políticas destinadas ao povo sejam “perenes”, e atacou a proposta do governo para o orçamento de 2021, que corrige o salário mínimo apenas pela inflação, sem ganho real.

“Ao mesmo tempo em que ele fala que vai fazer o Renda Brasil, estamos há dois anos sem aumento do salário mínimo. E o orçamento que ele mandou não tem aumento do salário mínimo para o próximo ano”, disse Lula nesta quarta-feira (2). Com a política de valorização implementada nos governos do PT, o salário mínimo teve valorização de 74%, desde 2004.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, Lula destacou que o Bolsa Família é um “programa completo”, porque inclui “condicionantes”. Para acessar o benefício, as famílias devem comprovar a frequência das crianças na escola, e se elas estão com a carteira de vacinação em dia.

Lava Jato

Nesta terça-feira (1º), Lula obteve mais uma vitória na Justiça, que determinou o trancamento de uma ação penal contra ele na Operação Janus, desdobramento da Lava Jato em Brasília. O ex-presidente afirmou que está “muito tranquilo” em relação aos processos movidos contra ele. Segundo Lula, “a verdade vai prevalecer”.

“Aos poucos, vamos provando que eles me condenaram apenas com o intuito de me tirar da campanha de 2018. Estou mais tranquilo do que eles. Dallagnol e Moro devem tomar tarja preta toda noite, porque eles sabem que enganaram o Brasil”, disse Lula.

Ele voltou a chama Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, de “mentiroso”. Já em relação ao procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, Lula afirmou que, além de “falso e mentiroso”, estava criando “quase que uma quadrilha” no Ministério Público Federal (MPF).

Pós-pandemia

O ex-presidente afirmou que, até a chegada de uma vacina com eficácia comprovada, não é possível prever quando a vida voltará ao normal no Brasil. Assim que possível, espera poder voltar a viajar pelo país para visitar, por exemplo, o Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais.

Perguntado se será candidato nas eleições de 2022, Lula disse que não é é hora de discutir esse tema enquanto a “crise sanitária” não tiver sido superada. Depois disso, “é importante pensar na economia”, ressaltou.

Ele voltou a lembrar que a proposta inicial do governo Bolsonaro para o auxílio emergencial era de apenas R$ 200. A bancada do PT chegou a propor um salário mínimo, mas o resultado final ficou em R$ 600. Lula criticou, implicitamente, o corte pela metade no valor dos benefícios nas parcelas até o fim do ano. “Além de decidir dar o aumento, é importante que você cumpra.” Ademais, o ex-presidente voltou a cobrar políticas de crédito para os micro e pequenos empresários que tiveram seus negócios atingidos pela pandemia.

Assista à entrevista:

Fonte: CUT

Bolsonaro amplia liberação do trabalho aos sábados, domingos e feriados sem direitos

Em mais uma investida contra representação sindical e para atender aos interesses do setor patronal, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), publicou no Diário Oficial da União do dia 24 de agosto a Portaria n° 18.809/2020, que amplia a já extensa lista de categorias liberadas para trabalhar os domingos e sábados e feriados. (veja relação no fim da matéria). O texto é igual ao da Portaria 604, do ano passado. Essas reedições já viraram uma prática de Bolsonaro para tirar direitos da classe trabalhadora de qualquer jeito.

Com a Portaria editada na semana passada, domingos e feriados passam a ser dias normais de trabalho, portanto sem direitos previstos na legislação como o pagamento diferenciado de horas extras, folgas e a compensação de jornada de trabalho. A medida também libera empresas de negociar com sindicatos as novas jornadas de trabalhadores.

Para o secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, a decisão é um absurdo porque fere a Constituição, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ignora acordos coletivos conquistados por categorias de trabalhadores, após negociações.

As legislações específicas não estão sendo respeitadas, prossegue o dirigente, lembrando que bancários, comerciários e vários outros segmentos lutaram para ter acordos relacionados aos dias de descanso e uma Portaria pode acabar com tudo. “Parafraseando o Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, eles passam a boiada fazendo essas Portarias e regulamentações acima do que está na Constituição”

O dirigente ressalta que as tentativas de ampliação são recorrentes, já ocorreram com a MP 905, da carteira Verde e Amarela, a MP 936, na MP 927, a MP 881 e agora com essa decisão. “É característica do governo legislar por Portaria, agindo acima da lei, demonstrando que não é um governo que protege os direitos dos trabalhadores”.

“Sempre dissemos que esse governo não tem diálogo social com as entidades que representam trabalhadores. Não tem sequer um Conselho Nacional do Trabalho e um tema dessa relevância, no mínimo, deveria ter sido debatido com as entidades sindicais”, critica Valeir, complementando:  “Os patrões adoram isso”.

De acordo com reportagem da Folha de SP, Luciana Nunes Freire, diretora executiva da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a ampliação é uma reivindicação de várias entidades do setor privado.

Ainda de acordo com a reportagem, a executiva considera que “em tempos de calamidade pública, é necessária a autorização legal para trabalhar aos domingos”.

Ignorando os direitos, a vida pessoal e social, além da convivência em família dos trabalhadores, Luciana disse ainda que “negociar com sindicatos leva tempo” e que por isso, “uma medida mais rápida era a reedição da Portaria”.

 

Pode ou não pode?

De acordo com advogado especialista em Direito do Trabalho Antônio Megale, do escritório LBS advogados, o trabalho aos sábados, domingos e feriados deve ser exceção e não regra. No entanto, diz, a Portaria, além de ampliar a lista de atividades, autoriza permanente as atividades nos dias em questão, “por isso, a medida contraria a CLT”.

“A Constituição Federal e a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] estabelecem dispositivos de regulamentação para o trabalho nesses dias. E essas atividades devem estar condicionadas à conveniência pública ou à necessidade do serviço e, ainda assim, dependem de permissão de autoridades locais”.

Valeir Ertle, complementa que, desta forma, Bolsonaro, demonstra profundo desrespeito a outras autoridades, como prefeitos e governadores.

“Esse governo não tem um mínimo de respeito com as demais instituições, entidades e esferas de administração. Ele desrespeita o Pacto Federativo, que determina que seja de responsabilidade dos municípios a regulamentação para abertura do comércio, da indústria, de outras atividades, nesses dias”, afirma Valeir.

Atualmente já há segmentos que funcionam nos sábados, domingos e feriados, mas Valeir reforça mais uma vez que os acordos coletivos das categorias regulamentam o trabalho nesses dias.

A Portaria nº 945, de 8 de julho de 2015, estabelece as regras para o trabalho aos domingos e feriados que impedem autorização de forma ampla como na Portaria nº 604, do ano passado, reeditada agora Portaria nº 19.809, com inclusão de novas atividades.

“O que eles querem agora é explorar os trabalhadores nesses dias sem pagar nada”, diz o dirigente.

 

Defesa dos direitos

Uma das ações a serem articuladas a partir de agora é um decreto legislativo no Congresso Nacional que anule os efeitos da Portaria de Bolsonaro.

De acordo com Valeir Ertle, a CUT e entidades sindicais já estão tratando do tema junto a parlamentares da Câmara dos Deputados. Ele lembra ainda que uma Portaria não tem força de lei, tem função e regulamentar outras leis e não de legislar.

“O governo Bolsonaro legisla o tempo todo por Portarias”, afirma Valeir, explicando um dos motivos da inconstitucionalidade da medida.

Outra ‘frente de batalha’ tem nas entidades sindicais e nos próprios trabalhadores a principal força para derrubar a Portaria. O advogado Antônio Megale aponta que os sindicatos devem ser informados e acionados sobre qualquer desrespeito aos acordos coletivos de trabalho.

“Trabalhadores têm que denunciar e acionar a justiça para garantir seus direitos”, ele alerta.

 

Categorias atingidas

No ano passado, a Portaria nº 604, havia liberado seis novas atividades para o trabalho aos domingos e feriados:

  1. Indústria de extração de óleos vegetais e indústria de biodiesel, excluídos os serviços de escritório;
  2. Indústria do vinho, do mosto de uva, dos vinagres e bebidas derivadas da uva e do vinho, excluídos os serviços de escritório;
  3. Comércio em geral;
  4. Estabelecimentos destinados ao turismo em geral;
  5. Serviço de manutenção aeroespacial;
  6. Indústria aeroespacial.

Agora, em 2020, com as novas alterações, estão incluídas as seguintes atividades:

  1. Indústria de alumínio;
  2. Oficinas das indústrias de açúcar e álcool;
  3. Indústrias de cimento em geral;
  4. Indústria de beneficiamento de grãos e cereais;
  5. Indústria de artigos e equipamentos médicos, odontológicos, hospitalares e de laboratórios;
  6. Indústria de carnes e seus derivados (abate, processamento, armazenamento, manutenção, higienização, carga, descarga, transporte e conservação frigorífica), excluídos os serviços de escritório;
  7. Comércio atacadista e distribuidores de produtos industrializados;
  8. Comércio de lavanderias e lavanderias hospitalares;
  9. Agricultura e pecuária: produção de hortaliças, legumes, frutas, grãos e cereais;
  10. Agricultura e pecuária: plantio, tratos culturais, corte, carregamento, transbordo e transporte de cana de açúcar;
  11. Saúde e serviços sociais;
  12. Atividades financeiras e serviços relacionados;
  13. Setores essenciais.

Fonte: CUT

Bolsonaro reduz em 50% valor do auxílio emergencial que vai até dezembro

O presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) anunciou nesta terça-feira (1º) a prorrogação do pagamento auxílio emergencial por mais quatro meses, mas reduziu o valor pela metade. Até dezembro, os trabalhadores e trabalhadoras informais, desempregados e microempreendedores individuais receberão apenas R$ 300,00. Até agora, a Caixa Econômica Federal depositou, no total, cinco parcelas de R$ 600,00 para os beneficiários do auxílio.

A CUT e demais centrais sindicais reagiram imediatamente ao anúncio, por meio de nota, rejeitando a redução do valor e propondo ao Congresso Nacional que prorrogue até dezembro o benefício de R$ 600,00, valor aprovado por deputados e senadores em março, quando foi decretada a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

“Consideramos fundamental que os parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal qualifiquem o debate deliberativo sensibilizando todo o parlamento para a relevância da renovação desse benefício”, diz trecho da nota.

Para prorrogar o pagamento do auxílio, o governo vai encaminhar uma medida provisória ao Congresso Nacional – deputados e senadores têm de aprovar a medida -, como ocorreu em março, quando Bolsonaro queria pagar R$ 200,00 de auxílio. Depois de muita pressão dos deputados da bancada de oposição, da CUT, demais centrais e movimentos sociais, a ajuda foi aumentada para R$ 600,00, valor defendido pelas centrais, desde o início da crise sanitária.

Menos beneficiários

Além de reduzir o valor do valor do auxílio emergencial, o governo estuda endurecer as regras para concessão do benefício. Uma das novas travas para negar o auxílio está relacionada a famílias que recebem três cotas, como nos casos em que mães chefes de família estão recebendo atualmente duas cotas duas cotas – R$ 1.200,00 – e um filho maior de idade recebe mais uma cota, totalizando R$ 1.800,00 para a família. O governo quer impedir o pagamento da terceira cota.

Na nota divulgada assim que Bolsonaro anunciou a prorrogação do auxílio com valor menor, as centrais também afirmam que o Congresso tem de manter os critérios de acesso ao benefício e manter o mesmo universo de beneficiários.

De acordo com a nota, a proposta de um Abono Emergencial para proteger os trabalhadores mais vulneráveis, que trabalham por conta própria ou como autônomos, entre outros, apresentada pelas centrais já provava que era necessário e possível a ajuda de R$ 600,00 – R$ 1.200,00 para mães chefes de família.

“Essa medida beneficiou mais de 65 milhões de pessoas, impedindo que caíssem na pobreza, criando uma proteção econômica efetiva para as famílias mais vulneráveis, bem como ajudou a sustentar o consumo de bens e serviços essenciais, em especial nas regiões mais pobres do país”, diz a nota.

Confira aqui a íntegra da nota das centrais.

Fonte: CUT

Novo FUNDEB aprovado pelo Senado Federal é vitória da educação básica pública brasileira

O dia 25 de agosto de 2020 entra para a história brasileira como o dia em que a educação venceu a bestialidade: ao aprovar a Emenda Constitucional 108 do Novo FUNDEB, na forma do relatório apresentado pelo Senador Flávio Arns (REDE/PR), o Senado da República emite um claro sinal de que, diante de um cenário político atual absolutamente adverso ao avanço das pautas sociais no Brasil, é possível criar grandes consensos nacionais em prol de seu povo. E isso só foi possível porque, mesmo diante da aridez completa dos tempos sombrios a que estamos submetidos, a primavera sempre chega com sua força devastadora, representada agora pela enorme pressão que o conjunto do movimento educacional brasileiro impôs na construção do debate sobre a urgência na aprovação dessa matéria. Os representantes dos Estados de nossa Federação no Senado refletiram, tão somente, esse sentimento e clamor populares pela educação pública em nosso país. Assim como o fizeram os/as deputados na Câmara Federal.

 

Essa conquista é resultado de anos de luta dos segmentos da educação pública brasileira, aqui incluídos os/as professores/as, os/as funcionários/as de escola, os/as estudantes, os pais e mães e toda a comunidade escolar que vive a escola pública brasileira. Mas foi também uma vitória que contou com a colaboração fundamental dos estudiosos e acadêmicos vinculados ao tema da educação pública em nosso país que, através das universidades e de suas entidades acadêmicas, científicas e da sociedade civil, fizeram parte de todo esse processo. Em tempos de pandemia e de isolamento social, as mobilizações nas redes sociais de todas as entidades e organizações do setor educacional brasileiro na construção dessa agenda pública, agora constitucionalizada, mostraram o nosso poder de intervenção no debate público nacional.

As principais questões defendidas pelo conjunto do movimento sindical brasileiro da educação foram atendidas, em grande medida, na legislação aprovada do Novo FUNDEB. Exemplos disso é a ampliação do aporte da União no financiamento da educação básica pública nacional; a constitucionalização ao novo regramento jurídico, dando perenidade a essa política de financiamento; a incorporação dos/as funcionários de escola na previsão do patamar mínimo a ser investido na remuneração dos/as trabalhadores/as em educação, rumo à construção do Piso Salarial Nacional dos/as Funcionários de escola; e a constitucionalização do Custo Aluno Qualidade (CAQ), reivindicação antiga desta CNTE e de amplos segmentos do setor educacional brasileiro. Todos esses elementos serão centrais para o cumprimento de várias das metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE).

Os desafios que se põem agora são de ordem da regulamentação de vários dos pontos aprovados pela lei do Novo FUNDEB, que tem como exemplo maior a regulamentação do CAQ em lei complementar, objeto que será alvo de intensa disputa pelos setores privatistas da educação brasileira. A luta continua e não cessa nunca, e os desafios futuros estão animados a partir da vitória desse dia 25 de agosto, mas nos impõem manter a mobilização permanente para assegurar a nossa educação básica pública brasileira como direito público e social inalienáveis.

De forma imediata, o setor educacional brasileiro deve se mobilizar para o debate acerca da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 que, pela proposta do Governo Bolsonaro, retirará mais de 4 bilhões de reais da educação. Obrigado a cumprir as determinações da nova lei do FUNDEB, a equipe econômica do Governo Federal quer tirar recursos da área educacional para compensar o acréscimo que o Novo FUNDEB trará para a educação básica pública já em 2021. Estamos atentos e vigilantes! Essa vitória de hoje nos fornece o ânimo para continuar lutando pelas garantias de uma educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada, sempre tão ameaçadas!

Brasília, 27 de agosto de 2020
Direção Executiva da CNTE

 

Fonte: CNTE
 
 

 

Após 8 anos, universidades federais ainda lutam contra fraudadores da Lei de Cotas

notice

Fruto de uma longa campanha do movimento negro, a Lei 12.711, que estabelece a adoção de cotas raciais nas universidades federais, foi promulgada em 29 de agosto de 2012, a fim de democratizar o acesso às salas do ensino superior. Oito anos depois, a legislação se consolidou como importante política afirmativa, mas as instituições seguem lutando contra os não-negros, que ainda tentam fraudar o sistema.

“Essa foi uma vitória que mudou radicalmente a sociedade. Não é só a presença de pessoas negras, tem a ver com o impacto na pesquisa, na graduação e na pós-graduação, mas principalmente no tipo de conhecimento que é produzido pela população negra”, afirma Cássia Virginia Bastos Maciel, pró-reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“É um caminho incontornável, não há mais volta, a política de cotas é importante para a sociedade. É fundamental para que a universidade cumpra o seu papel social. Nós vivemos agora um momento de pandemia e temos visto como a universidade, apesar dos ataques sofridos, se mostra importante na oferta de soluções, e pessoas negras estão inseridas nesse processo”, finaliza Maciel.

Na outra ponta desta análise, está o combate às fraudes. As vagas são acessíveis para toda pessoa que se autodeclarar negra. Porém, a falta de fiscalização facilitava a vida dos fraudadores. Foi então, que em abril de 2018, foi publicada a Portaria Normativa nº 4, de 2018, que determinava a adoção do procedimento de heteroidentificação para legitimar o candidato às cotas.

Cada universidade passou, então, a formar bancas com cinco pessoas, todas experientes em temáticas raciais, “garantindo que seus membros sejam distribuídos por gênero, cor e, preferencialmente, naturalidade”, conforme explica a portaria. Esses órgãos fiscalizadores fizeram com que, desde então, o número de denúncias disparassem.

Foi possível confirmar, via Lei de Acesso à Informação (LAI), que na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, por exemplo, houve 92 denúncias de fraudes às cotas raciais em 2018. No ano seguinte, 2019, o primeiro com a aplicação da heteroidentificação, foram 105 casos suspeitos. Já em 2020, até o dia 22 de junho, a banca já havia analisado 152 possíveis fraudadores. O total são de 349 investigações de inscrições questionáveis.

A UFJF não informou, na resposta da LAI, quantos, dos 349 casos, foram confirmados. Ainda de acordo com a entidade, os estudantes que forem flagrados fraudando o processo de acesso às cotas raciais terão suas matrículas canceladas e serão expulsos da instituição.

Outras universidades também apresentaram altos índices de denúncias desde 2018, que foram analisadas pelas bancas nos estados, como na Universidade Federal do Maranhão (197); Universidade Federal de Goiás (125); Universidade Federal do Mato Grosso (110); Universidade Federal do Ceará (98); e Universidade Federal de Ouro Preto (80).

Maciel lembra que o critério para aceitação do candidato é fenótipo, e que candidatos que perdem a vaga estão indo à Justiça “alegar ancestralidade e consanguinidade”. Por outro lado, a pró-reitora admite que há tentativas de fraude. “Tem situações em que pode haver um desconhecimento, mas tem outras que é dolo. São pessoas brancas que querem participar do processo e, inclusive, manipulam, seja no penteado do cabelo, maquiagem e até bronzeamento do sol”, explica.

Gravidade

Para Marcilene Garcia de Souza, pesquisadora de Relações Raciais e Ações Afirmativas e professora de sociologia do Instituto Federal da Bahia (IFBA), os mecanismos de fiscalização de possíveis fraudes são importantes e devem ser mantidos.

“Quando um jovem branco ocupa a vaga de um negro, um negro deixou de entrar. Então, a gente está falando, sim, de algo que é muito grave, que é o racismo, mas também de crime de falsidade ideológica. O racismo institucional reproduzido nas instituições e no judiciário é de não reconhecimento de que aquele individuo cometeu uma fraude grave. Porque é um jovem branco, passa por equivocado: ele ‘não teve a intenção’, ele ‘achou que era pardo’, ele ‘sempre se viu negro’. Quando a gente sabe muito bem que as pessoas negras sabem o que é ser negro todos os dias, diuturnamente, nesse país”.

Souza, que em seu doutorado estuda as cotas raciais nas universidades e concursos públicos, tem acompanhado as bancas de heteroidentificação para confirmar os métodos dos órgãos fiscalizadores.

“Se você fizer um dado estatístico sobre as instituições que tem cotas raciais há 10 ou 15 anos, ou mesmo as que têm há 8 anos, elas estão construindo agora a estratégia de banca de heteroidentificação. E ainda quando essas instituições dizem ‘vamos fazer’, há um burburinho dentro dessas instituições, como [dizendo] ‘que absurdo’, ‘vai constranger’. Constranger quem? As pessoas brancas, porque os negros estão acostumados a serem constrangidos todos os dias”, critica a pesquisadora.

Embora a Lei de Cotas estivesse estabelecida, em alguns cursos não se notava a presença dos alunos negros, como lembra a vice-diretora do Instituto de Química da UFBA, Bárbara Carine Soares Pinheiro, que integra o comitê de heteroidentificação da universidade.

“Os estudantes notavam que existiam uma reserva de vagas, mas não se percebia esse enegrecimento dos cursos. Por exemplo, havia 10 vagas no curso de Medicina, mas as pessoas não sabiam explicar quem eram esses estudantes que entraram nessas 10 vagas. Foi um fenômeno que ocorreu nos cursos mais concorridos como Direito, Medicina e Engenharia.”

A democratização da universidade brasileira precisa seguir seu curso, expressa Pinheiro, que pede continuidade no combate às fraudes. “Isso significa possibilitar acesso de pessoas que historicamente tiveram suas possibilidades retiradas, solapadas. Essas possibilidades de um povo que não vai só, que é coletivo. Quando uma pessoa negra se projeta, toda sua rede se projeta junto com ela”, encerra.

Fonte: CUT

Pelo menos 875 professores do DF são grupo de risco para a Covid-19

Higienização das escolas do DF para a retomada de aulas
Crédito: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Dados do Inep indicam 653 desse total na rede pública, 36 em escolas federais e 186 nos estabelecimentos particulares de ensinoQuando o Distrito Federal decidir retomar as aulas presenciais na rede pública de ensino, os professores que fazem parte do grupo de risco para a Covid-19 não poderão voltar a trabalhar presencialmente. Eles serão mantidos em atividades remotas para reduzir o risco de infecção pelo novo coronavírus. De acordo com o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pelo menos 875 professores brasilienses – de instituições públicas, privadas e federais – integram o grupo de risco da doença.

A maior parte deles está na rede distrital pública. São 653 de um total de 22,2 mil professores registrados no censo escolar do ano passado. Isso representa 3% do total. Outros 36 estão em escolas federais no DF enquanto 186 trabalham em estabelecimentos privados.

O gráfico a seguir mostra a quantidade de professores, por idade, em cada uma das três redes presentes no DF (distrital, federal e privada).

 

Por essa e outras razões, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) não acredita em um retorno presencial em 2020. ” Esse ano não volta mais”, taxou Samuel Fernandes, membro da diretoria de Imprensa e Divulgação. Isso porque, explica, não são apenas os professores mais velhos que fazem parte do grupo de risco.

“Tem também professores com comorbidades ou que tem alguém com elas na família, além dos com crianças de até 5 anos. Isso tudo é um percentual grande”, continuou. Uma estimativa da Secretaria de Educação (SEDF) apontou que 35% dos servidores estariam em pelo menos um dos grupos de risco para a Covid-19.

“Nós somos contra tanto o professor com alguma comorbidade voltar como qualquer outro voltar de forma presencial nesse momento da pandemia.O vírus não respeita protocolo. O correto mesmo é voltar apenas quando a pandemia estiver controlada e a vacina já estiver disponível para todos. Aí sim a volta seria com segurança”, disse Samuel Fernandes.

Grupo de risco não compromete retorno

Acionada pelo Metrópoles, a Secretaria de Educação do Distrito Federal afirmou que “o quantitativo de profissionais da educação que fazem parte do grupo de risco não comprometeria o retorno das atividades presenciais”. “Nunca foi cogitado que profissionais e estudantes do grupo de risco retornassem às atividades presenciais. Todos que se enquadram neste caso seguirão com as atividades remotas, independentemente de um retorno presencial”, continuou.

De acordo com os dados da secretaria, “dos 24.293 professores efetivos da rede pública de ensino, 974 têm mais de 60 anos, ou seja, 4% do total”. A pasta não informou quantos possuem comorbidades que são consideradas de risco para a Covid-19.

“A Secretaria de Educação conta com um banco de mais de 30 mil professores substitutos, selecionados por processo simplificado, para cobrir afastamentos eventuais dos docentes efetivos. Portanto, está garantido o atendimento a todos os estudantes da rede pública”, acrescentou a nota.

Fonte: Metrópoles

ATUALIZADO 26/08/2020 21:12

Acessar o conteúdo