Cemeb encerra ano letivo com dois espetáculos abertos ao público

O Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb) da Asa Sul realiza, nesta quinta-feira (7/12), o fechamento do ano letivo 2023 com a reapresentação de dois importantes espetáculos da Cia de Teatro do Elefante Branco estreados neste ano. Ambos terão entrada franca e são abertos ao público.

Trata-se do “Epifania”, um espetáculo de dança contemporânea que integra a programação do I-Festival, Mostra de Dança da Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Brasília (IFB), a ser reapresentado às 11h da manhã no Campus Brasília, IFB Norte, L2 Norte.

E o “Sarau das memórias eternas”, espetáculo antirracista que será a abertura do XIII Fórum da Orientação Educacional da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), a ser encenado à noite no Auditório do Cemeb.

Cia de Teatro Elefante Branco e parceria com IFB

O Elefante Branco tem o Projeto da Companhia de Teatro (Cia de Teatro) fixado em sua grade curricular desde 2018. Essa é uma companhia de repertório, ou seja, são vários espetáculos montados durante o ano. “Em outubro deste ano, a gente fez o nosso VI Festival de Teatro e, nesse festival, a gente apresentou algumas peças, como ‘Obras do PAS’, e, agora, em dezembro, vai reapresentar dois espetáculos que haviam sido apresentados durante o ano letivo de 2023: o ‘Epifania’ e ‘Sarau das memórias eternas'”, informa Marcello D’Lucas, professor de arte e coordenador do Elefante Branco.

O professor explica que o espetáculo “Epifania” foi montado em parceria com o curso Licenciatura em Dança, do Instituto Federal de Brasília (IFB). “Eu supervisiono, no Cemeb, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o PIBID, de Arte do IFB. Com isso, eu tenho acesso aos ‘pibidianos’ da bolsa. Alguns desses ‘pibidianos’ conduziram uma oficina de dança durante o ano e, dessa oficina, resultou o espetáculo Epifania”, explica.

Esse espetáculo foi apresentado no VI Festival de Teatro e foram convidados a reapresentá-lo na Mostra de Dança do IFB. Além disso, todo ano, em novembro, no Mês da Consciência Negra, o Cemeb estreia um espetáculo novo que, geralmente, fica em cartaz no ano seguinte, com o tema do antirracismo. Este ano, esse espetáculo foi o “Sarau das memórias eternas”, apresentado na Semana da Consciência Negra.

“Vamos reapresentar o ‘Sarau das memórias eternas’ no Fórum da Orientação Educacional, da SEE-DF. Nesta quinta-feira, os orientadores estarão no Elefante Branco e vamos reapresentar esse espetáculo, às 20h, no próprio Elefante Branco, e é também aberto ao público.

Protagonismo juvenil

O professor Marcello explica que os projetos de teatro e dança são uma forma de a escola pública promover o protagonismo juvenil e abrir espaços para os(as) estudantes possam se expressar e ter um espaço em que possam ser vistos, questionar as coisas. “Os dois espetáculos têm conteúdo político. O ‘Epifania’ fala sobre a sociedade fria, que segue padrões, monótona. Esse espetáculo brinca, ironiza um pouco com essa temática, em que as personagens se assemelham a robôs e, com o passar do tempo, durante o espetáculo, por isso o título ‘epifania’, como se fossem ‘epifanizados’, e começassem a enxergar o mundo colorido e multiplural e não um mundo reto, quadrado, sem cor, sem formas”, explica.

Segundo ele, o ‘Sarau das memórias eternas’ é um espetáculo antirracista. “São poemas da autora Cristiane Sobral, que é uma escritora preta carioca, que reside no Distrito Federal e é professora efetiva da SEE-DF, mas, hoje, ela trabalha no Ministério da Educação. Esse espetáculo se chama ‘sarau’ porque se trata de um recital de poemas dela só que em forma de espetáculo de teatro. Essa é uma forma de a gente trazer também uma visibilidade negra porque o elenco é toda preta, a equipe é toda preta, e é um momento de a gente ver os e as adolescentes negros em cena, representando toda a ancestralidade negra de uma forma performática, poética, denunciativa, crítica”, informa Marcello.

O “Sarau das memórias eternas” aborda várias questões relacionadas ao racismo estrutural e a toda a essa rede que converge para o encarceramento do jovem preto. “E como se a gente tivesse também a oportunidade de fazer com que os e as adolescentes se sintam parte da comunidade e, mais do que isso, que eles e elas possam mudar a realidade deles”, afirma. D’Lucas informa ainda que o Cia Elefante Branco está no Instagram @ciaelefantebranco, local em que o público pode conhecer com maiores detalhes o seu histórico.

“É um projeto que visa a trazer o protagonismo juvenil e catapultar para além dos muros da escola toda esse talento e a disponibilidade dos adolescentes de fazer arte, de se engajarem nessas atividades. A gente consegue ver, com o passar do tempo, já estamos no fim do ano e então consigo enxergar em relação a este ano letivo, por exemplo, uma motivação maior dos e das estudantes para frequentar a escola porque agora eles e elas têm essa responsabilidade de fazerem parte das apresentações e, com isso, se sentem integrantes da escola, importantes, e estão ali o tempo inteiro para ensaiar, além de assistirem às aulas e de terem seus trabalhos de artista reconhecidos em sala de aula pelos professores, pela comunidade escolar. É uma forma muito digna de fazer com que os e as estudantes se sintam parte da escola”, afirma.

Ele diz ainda que o projeto é importante também porque “à medida que o estudante vai se desenvolvendo, ele vai tendo consciência de suas potencialidades porque ali a gente não está tentando nem formar artistas, mas apenas trazer um espaço em que cada estudante possa se reconhecer como um sujeito autônomo, capaz de produzir cultura para a sua comunidade e também possibilitar esse diálogo da comunidade escolar, os espectadores, com eles, que são estudantes exercendo a função de artistas. E o mais importante que é formar plateia. A gente conseguindo fazer essas apresentações para o público da escola e também para o público externo, com apresentações externas, como será o caso dessas duas apresentações, a gente mobiliza toda uma comunidade em prol desse entendimento das artes na escola”, finaliza.

EC Cachoeirinha realiza chá literário e manhã de autógrafos nesta neste sábado (9)

A Escola Classe Cachoeirinha de São Sebastião (EC Cachoeirinha) irá realizar, neste sábado (9), entre 8h30 e 11h, o chá literário e a manhã de autógrafos dos(as) seus(as) estudantes. A escola convida a todos(as) para participar deste “momento único em que celebra a leitura, a escrita, o protagonismo infantil e o trabalho dos profissionais de educação que auxiliaram mais de 122 estudantes a se transformarem em autores de seus próprios livros”.

A escola destaca que o convite é extensivo a toda a comunidade escolar e que se trata de um dia fundamental para o encerramento de um projeto significativo para as crianças e para a comunidade escolar em São Sebastião. O chá literário e a manhã de autógrafos é o resultado final de um projeto literário, realizado pela primeira vez, neste ano letivo de 2023: o Projeto Estante Mágica, que a EC Cachoeirinha aderiu recentemente pelas mãos de Dayse Ulisses da Silva, professora de Atividades e do contrato temporário.

Leitura e escritura: instantes mágicos com viagem única a cada história lida

Há 10 anos ela atua na EC Cachoeirinha e, este ano, apesar de ser do contrato temporário, ou seja, sem a estabilidade necessária para desenvolver um projeto pedagógico, ela ousou a arriscar e, com o apoio da direção e dos(as) demais professores(as) conseguiu materializar a parceria com a Estante Mágica, o que resultou em 122 livros escritos pelos(as) estudantes das turmas e 5ª Série.

“A ideia surgiu com a experiência da minha filha, que estuda em uma escola particular e algumas vezes participou do projeto estante Mágica pela escola. Vendo a empolgação dela na realização do livro, onde ela escreveu o próprio livro e fez suas ilustrações, me despertou o interesse de tentar proporcionar essa experiência para os estudantes da escola que trabalho, que é uma escola rural que atende alunos oriundos dessa comunidade”, conta.

Após uma pesquisa na Internet, Dayse descobriu que o projeto Estante Mágica apoiava escolas públicas, dando a elas a oportunidade de inscrever os(as) estudantes para produzirem livros sem custo financeiros e proporcionando a eles(as) a chance de terem um livro digital. Ela cadastrou a EC Cachoeirinha, uma escola rural, que já possuía, no seu Projeto Político-Pedagógico (PPP) um subprojeto de leitura, o que casou perfeitamente com o Estante Mágica.

“Foi um sucesso e resultou em uma produção individual de escrita e ilustração de livros. Para a produção dos livros contamos com a participação das famílias para fazer biografia dos estudantes. O projeto culminou com os 122 livros escritos, todas as crianças têm seu livro digital, as turminhas da Educação Infantil 1º e 2º Período e o (BIA),1º, 2º e 3º Ano, fizeram as histórias, juntamente com as professoras da turma, e cada uma fez sua própria ilustração. Já os alunos das turmas de 4º e 5º Ano fizeram suas próprias histórias e ilustrações”, conta Dayse.

Ela informa que, depois dos livros prontos, os pais que quiseram comprar o livro físico do(a) seu(a) filho(a), tiveram a oportunidade de compra-lo diretamente no site da Estante Mágica. “Contudo, infelizmente, somente 55 dos 122 estudantes puderam comprar os livros. E, para que acontecesse o dia do chá literário e autógrafos dos livros, todos os estudantes precisariam de adquirir os livros físicos. Foi aí surgiu a ideia de imprimir os 67 livros restantes para que nosso projeto terminasse conforme planejamos”, disse.

Dayse afirma que o projeto contou com o comprometimento de todos e todas: professores e professoras, estudantes e suas famílias. “Todos estavam empolgados e felizes na produção desse trabalho. Enfim, nosso projeto já tem data marcada para o lançamento dos livros, que será o chá literário e autógrafos dos livros de todos os estuantes será dia 09/12/2023, das 8h às 11h30”.

A professora ensina que “o mundo da leitura proporciona ao leitor e à leitora uma viagem única a cada história lida, pois desenvolve a criatividade, a imaginação, a comunicação, o senso crítico e habilidade na escrita. A cada livro novo temos a oportunidade de conhecer não só a história criada, mas também um pouco sobre a vida de quem a criou. Pensando nisso, nada melhor que ser o próprio autor de suas histórias”, finaliza.

Inscrições abertas para a 2ª edição do Prêmio Educador Transformador

As inscrições para o Prêmio Educador Transformador, realizado pelo Sebrae, pela Bett Brasil e pelo Instituto Significare, já estão abertas. A premiação, que está na segunda edição, tem o objetivo de identificar, valorizar e divulgar projetos educacionais transformadores implementados por professores(as) de todo o Brasil, focados na educação empreendedora. O período de inscrição segue aberto até 5 de fevereiro de 2024 e podem ser feitas clicando aqui.

O anúncio dos vencedores na etapa final está previsto para o fim de abril de 2024, durante a 29ª edição da Bett Brasil. Serão aceitos projetos de professores(as) realizados entre 2021 e 2023, vinculados a instituições de ensino. Os projetos pedagógicos podem ter formatos diversos, como atividades, estudos, jogos, metodologias, cursos, tecnologias, desafios, apresentações, competições, serviços ou produtos. A analista de Educação Empreendedora do Sebrae, Verônica Teixeira, destaca que o prêmio possibilita um alinhamento entre os principais atores do ecossistema da educação, além de fortalecer o eixo do empreendedorismo como projeto de vida, conforme dispõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Com o prêmio, o Brasil estabelece um importante marco para a educação empreendedora alinhado aos principais atores do ecossistema da educação, além de fortalecer a conexão com educadores e organizações educacionais do país”, afirma.

O professor Wellington Cruz, presidente do Instituto Significare, afirma que o Prêmio Educador Transformador é um tributo merecido aos(às) educadores(as), por todas as lutas e triunfos na educação. “Celebramos não apenas as conquistas de um projeto educacional, mas principalmente a coragem dos nossos professores e professoras que, enfrentando os desafios, moldam um amanhã melhor para todos nós”, disse.

 

Confira o cronograma:

  • 16/10/2023 – Lançamento e abertura das inscrições do Prêmio Educador

Transformador

  • 05/02/2024 – Encerramento das inscrições
  • 25/03/2024 – Divulgação dos vencedores estaduais
  • 05/04/2024 – Divulgação dos vencedores regionais
  • 25/04/2024 – Divulgação do ganhador, durante evento Bett Brasil.

 

 

Odisseia Cultural agita o CED06 de Ceilândia

Durante duas semanas, os corredores e salas de aula do CED 06 de Ceilândia são tomadas pelos mais diferentes temas, escolhidos pelos(as) alunos(as) da escola. É a Odisseia Cultural, projeto bem tradicional do CED 06, que mobiliza da direção à equipe de apoio, e deixa todo mundo empolgado.

“A Odisseia Cultural nasceu de um desejo de um trabalho coletivo, científico/cultural, mas que fugisse um pouco das feiras de ciências tradicionais. Então, ao invés de uma turma com pequenos grupos com seus trabalhos, pensamos num formato em que cada turma seria um único grupo e apresentaria seu trabalho”, explica o vice-diretor da escola, Ricardo Medeiros.

Não há tema gerador: a premissa principal da Odisseia é a liberdade. Fica a cargo de cada turma definir o tema a ser pesquisado e apresentado, o formato e o local da apresentação.

Neste ano, os assuntos abordados pelas turmas tratam de feminicídio, autoestima, abuso sexual, transgeneridade, química dos alimentos, resgate cultural do cangaço, humor, lendas latinas e do folclore brasileiro.

Veja os temas escolhidos pelas turmas da escola.

“Cada turma tem um professor como uma espécie de padrinho, que orienta a pesquisa e elaboração das atividades que são apresentadas ao longo de uma ou duas semanas, a depender do calendário letivo”, explica o professor Wellington dos Santos.

“O projeto faz parte do PPP, e entra no calendário pedagógico como uma das avaliações do ano”, conta o diretor Jefferson Lobato.

Os estudantes ficam bem empolgados, e toda a escola se transforma em um grande palco.

O resultado final são alunos(as) que acabam por se revelar atores, cantores, desenhistas, roteiristas, coreógrafos, figurinistas, maquiadores, enfim, grandes líderes. “É o amadurecimento dos e das jovens da escola acontecendo diante de nossos olhos”, orgulha-se o vice-diretor.

“É sempre gratificante ver o brilho nos olhos dos alunos e das alunas com orgulho do trabalho realizado”, comemora a diretora do Sinpro Mônica Caldeira.

Veja a seguir o álbum com as fotos do dia 4/12

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Cefab: uma mostra cultural inesquecível

O projeto de culminância do mês da consciência negra do Centro de Ensino Fundamental Athos Bulcão, edição 2023, mexeu com todo mundo que participou do evento, seja professor, coordenador, aluno ou apenas espectador das apresentações.

“Este ano, os estudantes se comprometeram muito, e trabalharam com afinco no contraturno das aulas na produção das apresentações”, lembra a professora Janaína Gusmão, atual coordenadora e futura diretora do Cefab.

As apresentações ocorreram entre os dias 23 e 25 de novembro. Contaram com desfiles, batalhas de rimas, oficinas de bonecas Abayomi e de cabelos negros, um café da manhã temático (com pipoca, pé de moleque, canjica, cuscuz e rapadura). Teve também apresentações de biografias de personalidades negras sob orientação da professora Wanuza Marques, além de quatro peças teatrais inesquecíveis.

“A Educação Antirracista é fundamentada na importância dos negros na nossa trajetória de sucesso ao longo dos séculos, trabalhar de maneira a sensibilizar nossos estudantes para o respeito à diversidade faz parte do nosso papel enquanto Educadores. O CEFAB, entendendo isto de maneira fundamental, realiza há alguns anos os projetos que culminam no dia da Consciência Negra. Este ano houve apresentações teóricas, com cartazes e mini palestras (7º anos), danças típicas, desfiles, apresentações musicais 9º anos e iniciou-se o Festival Palmares, por meio de teatro com toda produção feita pelos estudantes do CEFAB (roteirização, cenografia, figurinos e sonoplastia) 8º anos. Este dia tão especial para os estudantes do CEFAB foi repleto de momentos de muita alegria, euforia, conhecimento e socialização de experiências e vivências relacionadas à ressignificação do respeito aos negros e sua história. Como Diretora do CEFAB me senti muito realizada com o sucesso dos estudantes.”, declara a diretora da escola, Rivane Simão.

“Todo o trabalho foi produzido pelos alunos, assim eles não só aprendem como vão se apropriando da consciência desse aprendizado”, observa a professora Neris Colona, coordenadora da escola.

“Já é o segundo ano que fazemos a culminância da consciência negra na escola e já virou tradição, se mantendo para o próximo ano”, diz o atual coordenador e futuro vice-diretor da escola Dyago Paulo de Lima.

 

Peças teatrais

Os oitavos anos do turno matutino apresentaram quatro peças teatrais. “Na verdade, as turmas se misturaram um pouquinho, mas podemos falar em turmas predominantes em cada peça produzida”, conta a professora de português Milena Fernandes da Rocha, que orientou a produção e elaboração dos quatro espetáculos.

A peça Zarina Alika foi escrita pelos alunos e alunas do 8º ano D, do zero. O roteiro conta a história de Zarina Alika, uma mulher negra bem-sucedida no mundo das Tecnologias de Informação e Comunicação. A personagem é fictícia, mas a verossimilhança é tamanha, que é impossível não se incomodar: mesmo após conquistar grande prestígio profissional e econômico, ela enfrenta a desigualdade racial e de gênero, que tenta aprisioná-la, todos os dias, em uma posição de subalternidade. “A peça demonstra que, ainda que a pessoa negra conquista privilégios de classe, por exemplo, ela ainda sofre com outros tipos de racismo mais sutis”, explica Milena. “A peça surpreende pelos cenários produzidos pela turma, pois se passa em ambientes distintos, com um restaurante, uma loja de roupas e um evento científico”, completa. A trilha sonora teve músicas de Iza e Emicida. Os e as alunas tiveram medo de não conseguir memorizar as falas, mas conseguiram superar a insegurança. “E a gente viu o crescimento e o amadurecimento deles e delas à medida que a produção avançava”, conta, orgulhosa, a professora.

A turma do 8ºE pediu para trabalhar o tema dos Orixás, como forma de romper preconceitos, estigmas e estereótipos. Buscaram poesias sobre sete orixás: Oxum, Ogum, Oxóssi, Nanã, Iemanjá, Xangô e Obá. Nasceu, assim, a peça “Respeita o Amém quem respeita o Axé”. Com figurino produzido de forma quase totalmente artesanal, os Orixás são apresentados em suas características elementares. A apresentação mesclou referências da Umbanda (religião de matriz brasileira, criada no Rio de Janeiro no início do século XX) e do Candomblé (religião de matriz africana), o texto foi adaptado de poemas de diferentes autores. “Alguns alunos pediram para não participar do projeto por questões de crença religiosa, no que foram totalmente respeitados em sua decisão”, ressalta Milena. Essa turma ficou duas semanas trabalhando no contraturno, almoçando pão com mortadela, para produzir os adereços e as roupas da peça. “Não foi só o trabalho final que ficou excelente, o processo de produção também foi muito rico pelo aprendizado dos e das jovens, que buscavam aproveitar ao máximo o material disponível, sem desperdícios”, ressalta Milena, que por três semanas trabalhou até quase de noite na coordenação desses trabalhos.

Aqualtune, a princesa guerreira, é produção do 8ºF, que apresentava algumas dificuldades de rendimento e foi, de longe, a turma que mais se superou em termos de rendimento e de amadurecimento ao longo da elaboração dos trabalhos. “Ver o tanto que essa turma amadureceu durante a produção da peça foi tão emocionante quanto acompanhar a narrativa da história, que também é muito impactante”, orgulha-se a professora Milena.

A história, baseada no cordel de Jarid Arraes, conta a história de Aqualtune, princesa do Congo, que, no século XVII, foi sequestrada e trazida para o Brasil para ser escravizada. Já em terras brasileiras, liderou centenas de pessoas na luta antiescravagista e formou nomes fundamentais para a história dos negros no Brasil, como Ganga Zumba, seu filho, e Zumbi dos Palmares, seu neto. “Mostrar que os nomes da história negra no Brasil, como o próprio Zumbi dos Palmares, cuja morte é lembrada no dia da consciência negra, tiveram origem na realeza africana é uma forma poderosíssima de trabalhar a autoestima dos e das estudantes”, comenta Milena. “Até então, quando se contava a história da África, ela começava com a escravidão, mas na verdade a escravidão não iniciou nada, e sim interrompeu diversas histórias”, conta. “Foi muito legal ver nessa peça os meninos orgulhosos de estarem representando papéis de guerreiros congoleses, guerreiros quilombolas”. Ao final dessa peça, uma batalha de rimas, do século XVII até os dias atuais.

Finalmente, a peça Negra Sou é trabalho dos oitavos A e B. Foi ideia de uma aluna adaptar o poema “Me gritaram negra”, de Victoria Santa Cruz. Esse texto conta a jornada de uma menina negra que desde cedo se percebe à margem da sociedade e, após um despertar de consciência, tem a oportunidade de transformar em orgulho e confiança todo o auto-ódio e a vergonha que lhe impuseram desde criança.

A peça Negra Sou extrapolou os muros do Cefab. Nesta terça-feira (5/12) será apresentada no Cemi, do Cruzeiro Velho, durante um sarau da consciência negra. E a peça Aqualtune será reapresentada no Cefab no próximo dia 8 de dezembro, para o período vespertino.

“Este anos conseguimos a participação maciça dos e das alunas da escola, que trouxeram muita informação, muito conteúdo, conta a professora Neris Colona, coordenadora, que lembra também que consciência negra é projeto para todo o ano letivo: “Temos a biblioteca preta, com assuntos antirracistas e literatura de autores e autoras negros(as). A semana da consciência negra é apenas a culminância de um projeto que dura todo o ano letivo.

“Numa sociedade em que há muito tempo se discute e se escuta sobre a igualdade social, étnico-racial, e mesmo assim permanecemos envoltos em racismo, preconceito e discriminação, é cada vez mais importante que a Educação no ambiente escolar, em todas as modalidades, seja antirracista”, aponta a diretora do Sinpro Regina Célia, que saiu das apresentações bem impactada: “Ano passado, quando conheci o projeto da biblioteca escolar do Cefab, sobre obras de autores(as) negros(as), títulos que tratam o tema racismo e antirrascismo com a seriedade e valorização merecidas, percebi um forte desejo de trazerem boas discussões para dentro da escola, até a forma que o espaço estava decorado me dizia isso. Agora, em 2023, o que presenciei foram apresentações de uma riqueza pedagógica, histórica e social imensuráveis, o que fortalece a Lei 10.639/03 e as ações diárias de todos e todas os(as) envolvidos(as) nessa construção de uma Educação Antirracista, de qualidade e para todo mundo.”

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Dia Cultural do CEF 01 de Brasília e a culminância de 2023

O Centro de Ensino Fundamental 01 de Brasil (CEF 01 de Brasília) aproveitou o Mês da Consciência Negra para inaugurar um novo projeto: o Dia Cultural. Trata-se do momento da culminância dos trabalhos acadêmicos, desenvolvidos durante o ano letivo, e que tiveram como ponto focal a cultura antirracista. O Dia Cultural foi realizado no dia 29 de novembro.

“Foi pensado para materializar a culminância dos trabalhos desenvolvidos durante o ano letivo. Por isso não foi abordado somente o Dia da Consciência Negra, mas para trazer toda a questão dos valores antirracistas, culturais, sociais etc. Tudo o que foi trabalhado durante o ano letivo. O dia 29 de novembro foi marcado para a apresentação dos trabalhos selecionados, produzidos pelos professores e estudantes, tendo como ponto focal a cultura antirracista”, explica Deborah Orlandini, professora de biologia readaptada e supervisora da escola.

Segundo ela, esse projeto é inédito e faz parte da proposta pedagógica da escola. Com ele, a equipe de professores(as) trabalha os valores, os temas transversais do currículo em todas as disciplinas e, há também, uma parte diversificada: um projeto desenvolvido em parceria com o Ministério Público intitulado “Na Moral”, que também trabalha com o tema dos valores.

Além disso, tem também o objetivo de observar as práticas exitosas que os(as) professores(as) realizam em sala de aula, como, por exemplo, os pequenos projetos feitos nas disciplinas que resultaram no grande projeto apresentado nesse momento de finalização, que é uma mostra de trabalhos feita para mostrar à comunidade escolar o que tem sido feito na escola.

Todas as turmas de 6º, 7º, 8º e 9° Anos participaram e todos(as) os(as) estudantes apresentaram seu trabalho de alguma forma. A escola foi premiada e, no Dia Cultural, contou com o estande do projeto Na Moral, feito em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal e Território (MPDFT) e a Secretaria de Estado da Educação (SEE-DF). O Na Moral também mostrou sua culminância.

“Trata-se de uma atividade incluída na Parte Diversificada 3 e desenvolvida, principalmente, pela disciplina educação física. Nesta edição do Dia Cultural, a professora de educação física trabalhou o projeto Na Moral com os(as) estudantes. O Na Moral é um projeto feito pelo MPDFT em parceria com a Secretaria de Estado da Educação do DF e trata dos valores e tem várias missões que os(as) estudantes devem cumprir dentro desse projeto”, explica a professora.

Ela também diz que “uma das coisas interessantes desse projeto é que o tema principal do Na Moral está dentro do conteúdo dos nossos temas transversais, mas ele ficou na Parte Diversificada. Resumindo, o nosso tema do Dia Cultural é a valorização da diversidade, das diferenças, pensar e refletir sobre isso, respeitar. É a questão de a gente trabalhar o bulliyng e entender, conhecer e respeitar. O projeto Na Moral veio somar a esse nosso objetivo. A gente tem uma escola inclusiva e o mais respeitoso para todos”.

Deborah informa que a mostra de trabalhos foi bem-sucedida e está prevista no PPP da escola. “É ação trabalhada durante todo o ano para abordar os valores, os temas transversais, o Currículo em Movimento, e, dentro de cada disciplina e de seus objetivos de ensino– aprendizagem, trabalhar também os temas de transversalidade”.

Nova gestão e nova experiência pedagógica

É a primeira vez que o CEF 01 de Brasília realiza o Dia Cultural. “A gente teve uma mudança de gestão e, com os novos gestores, Maria Carolino e Juliano Crispim, houve uma nova proposta para ser o Projeto Político-Pedagógico da escola e, com isso, inseriu o Dia Cultural no PPP. A partir desta primeira experiência, decidimos ampliar essa mostra para mais dias para dar tempo de a gente mostrar mais trabalhos e ter mais apresentações. Foi a primeira. A gente vai reformular, mas vamos manter o mesmo objetivo de trabalhar os temas transversais e antirracistas em todas as disciplinas com a participação de toda a escola”, afirma Deborah.

A professora diz também que a avaliação geral considerou o evento uma atividade muito boa. “Foi a primeira vez que fizemos um evento dessa envergadura, com a participação de toda a escola e chamando a comunidade escolar para vir prestigiar. A participação foi bem ampla e todos os estudantes participaram. A gente quer agora é ampliar e ter mais dias do Dia Cultural para dar conta de todos os trabalhos. Nesta primeira edição, tivemos de filtrar muito, selecionar bastante, para que tudo coubesse em um único dia. Mas, tudo bem, a gente entende que a aprendizagem ocorre assim: é movimento. A nossa avaliação é que a gente pode melhorar e ampliar, tendo sempre um tema principal como ponto focal do nosso Dia Cultural”.

Ela diz, ainda, que a escola queria mostrar uma parte do trabalho que realiza cotidianamente e, principalmente, colocar o Dia da Consciência Negra como foco. “A gente sempre vai ter um tema principal norteando nossos trabalhos, mas o nosso objetivo é trabalhar os temas transversais e nisso entra, além dos conteúdos antirracistas, a inclusão das pessoas com deficiência, e tudo o que envolve os valores da formação para a cidadania.

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UnB promove roda de conversa sobre racismo religioso

O racismo religioso pode ser causado por estereótipos negativos e visões preconcebidas, podendo causar violência física ou até mesmo perseguição. Com o objetivo de debater o tema, o Observatório de Políticas Culturais da Universidade de Brasília (UnB) e o grupo de Estudos em Cultura e Desenvolvimento do CEAM, coordenados pela professora Fátima Makiuchi, promovem nesta quinta-feira (07), uma roda de conversa com o tema: Racismo Religioso – Povos de Terreiro.

Durante a manhã, às 10h, um artista apresentará uma exposição e no período da tarde, às 15h, cinco líderes religiosos participarão da roda de conversa, falando sobre o racismo religioso. Escolas do ensino médio do Guará e do Cruzeiro vão participar do momento, que será realizado no Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo) e terá entrada gratuita.

Participe!

Escola Parque Anísio Teixeira promove uma viagem ao mundo dos sonhos

O lúdico tem uma importância significativa na vida de um estudante, podendo contribuir para o desenvolvimento do ser humano, seja ele de qualquer idade, auxiliando não só na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento. Esta, aliás, é a aposta da Escola Parque Anísio Teixeira – Ceilândia para o trabalho final do semestre letivo.

Nesta sexta-feira (08), às 19h, a escola apresenta o Espetáculo de Dança 2023, que traz como tema: Disney: uma viagem ao mundo dos sonhos. O espetáculo busca resgatar o poder do lúdico e do direito de sonhar dos(as) adolescentes e jovens, e contará com a participação de aproximadamente 400 alunos(as) participantes das oficinas de Dança da EPAT.

O Espetáculo abordará grandes obras da Disney, como O Rei Leão, Aladim, Moana, Piratas do Caribe, Mulan, Malévola, A Bela e a Fera, Frozen, entre tantos outros. A apresentação acontecerá no Ginásio da Escola Parque Anísio Teixeira (QNM 27, módulo B, área especial, Ceilândia Sul) e a entrada é gratuita.

CNTE realiza live para apresentar o Relatório do GT sobre Violência nas Escolas

Nesta quarta-feira (6), às 19h30, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) fará uma live para apresentar o Relatório do GT sobre Violência nas Escolas.

Além de representantes da Confederação – Rosilene Corrêa e Heleno Araújo –, participam do debate o coordenador Executivo do Grupo de Trabalho do Ministério da Educação (GT/MEC) Yann Evanovick, e o especialista convidado Gabriel Medina.

Assista pelo Facebook ou YouTube da CNTE:

🔗YouTube: https://www.youtube.com/@CNTEBrasil 

🔗Facebook: https://www.facebook.com/cntebrasil

#Educação #CNTE

 

 

 

CEF 801 do Recanto das Emas realiza a Dança dos Orixás

Com o intuito de quebrar preconceitos e acolher diferenças, seguindo a Lei 10.639/2003 e comemorando a semana da Consciência Negra, o CEF 801 do Recanto das Emas realizou a Dança dos Orixás, ação pedagógica sugerida por um grupo de estudantes da própria escola.

A dança ocorreu no dia 23/11 (para alunos do 9°ano) e no dia 24/11 (para alunos do 8ºano), seguido de uma roda de conversa nos dois dias. Ela está inserida no “Projeto Agô, a Minha Ancestralidade” que começou no ano passado e a culminância dele ocorre na semana da Consciência Negra.

“É um projeto para toda escola, que envolve todos alunos, para que eles entendam o que é a origem deles, do negro, para que eles comecem a identificar o racismo não apenas o explícito, mas o estrutural e o institucional também. O empoderamento deles é significativo”, diz Daniel Lemes, supervisor pedagógico da escola.

Dança dos Orixás consiste na apresentação de cada um deles: Ogum, Oxóssi, Oyá, Oxum, Xangô, Iemanjá, Nanã e Oxalá. “Os estudantes que participaram da dança diziam que as outras pessoas mostravam como é a religião delas para eles. Então eles queriam mostrar a religião deles para tirar esse preconceito que muitas vezes as pessoas têm por desconhecimento. A receptividade foi bacana”, relata o supervisor. 

Na roda de conversa, “foi feito um paralelo entre os orixás com as mitologias grega e romana e com as religiões nórdicas, falando de Thor, Odin, que muitas vezes estão lá no cinema e ninguém se sente ofendido quando assiste, mostrando quem são eles, e aqui simplesmente mostramos quem são os orixás igual ocorre nesses exemplos”, afirma Daniel.

As roupas e toda a produção foram feitas pelos alunos e pelo professor Ricardo Cesar Gomes da Silva, que é auxiliar pedagógico e coordenador do projeto, além de babalorixá.

Além da Dança dos Orixás, na culminância também ocorreu apresentação de maracatu no dia 22/11 e bate-papo para tirar dúvidas a respeito desta arte afro-brasileira.

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