Professora da SEE-DF faz Vakinha para pagar tratamento da filha

 

Kali, filha de Aurielly Xavier, professora de Língua Portuguesa da Secretaria de Estado da Educação (SEE-DF), nasceu com a raríssima Síndrome de Potocki-Shaffer, que, dentre outros sintomas, afeta o desenvolvimento motor e cognitivo da criança. A família luta para pagar o tratamento muito caro e que irá propiciar à bebê habilidades básicas, como, por exemplo, a de sentar, engatinhar, ficar em pé, dentre outras. Por isso, pede sua ajuda por meio de uma Vakinha on-line.

Para ajudá-la, basta clicar no link a seguir e depositar sua solidariedade. Ao fazer sua doação, você também concorre a R$ 15 mil. Confira essa e todas as demais informações no link da Vakinha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/tratamento-da-pequena-kali

Atualmente, a bebê tem 2 anos de idade e, mesmo sendo assistida pela Educação Precoce e fisioterapia desde os 6 meses de vida, ela não consegue se sentar sozinha, não engatinha, não consegue firmar as pernas e, portanto, não consegue andar. Também não consegue, ainda, realizar outras habilidades que já devia dominar.

Por causa desse atraso significativo, Kali está com indicação para realizar um tratamento muito caro denominado Protocolo Pediasuit. O tratamento completo contempla 80 horas e, a hora, custa R$ 200. Trata-se de um intensivo de fisioterapia em um aparelho específico para ajuda-la a adquirir tônus muscular e a alcançar os marcos do desenvolvimento: a indicação são 4 horas por dia, 5 dias na semana até completar as 80h.

“Infelizmente, os dias estão difíceis e não conseguimos arcar com o tratamento. Por isso, mais uma vez, a Kali precisa da sua ajuda. A doação de qualquer valor, ou até mesmo a divulgação da Vakinha será bem-vinda e estarei eternamente grata. Desde já, rogo a Deus que abençoe a todos e que possamos juntos proporcionar à Kali uma vida mais confortável e de autonomia. Faça parte da nossa história, ajude Kali a andar”, escreve Aurielly na mensagem do site Vakinha.

Há 12 anos Aurielly leciona nas escolas da Coordenação Regional do Paranoá (CRE Paranoá). Conhecida como Professora Xavier, atualmente, ela atua no CEF 03 do Paranoá, mas já lecionou no CED PADF, CEF 01, CEF 02, CEF 04. “Adoro e tenho prazer em lecionar aqui nesta comunidade. Graças a Deus sou muito amada por aqui”, declara.

Confira o vídeo:

Escola Classe São Bartolomeu: 25 anos de história

Professores(as), orientadores(as) educacionais, estudantes e a comunidade escolar promoveram uma grande festa no último sábado (26) em comemoração aos 25 anos de história da Escola Classe São Bartolomeu, conhecida carinhosamente como Bartô. Durante as comemorações alunos(as) fizeram homenagem a antigos gestores, funcionários, professores(as), comunidade escolar, ao Sinpro e a produtores rurais, além de apresentação retratando toda a história da Bartô por meio de musicais.

A diretora da escola, Theodora Rodrigues, conta que a escola sempre foi um espaço para brincar e aprender, para jogar bola, correr e fazer amizades. Um lugar especial onde as crianças são respeitadas e valorizadas para que cresçam e se desenvolvam de maneira saudável, felizes, sem perderem a essência camponesa. “O trabalho da EC São Bartolomeu tem a vertente da Educação do/no Campo, com o desenvolvimento de projetos ambientais, bem como âncora nas avaliações de larga escala e reconhecimento das múltiplas potencialidades de cada criança/estudante, necessitando de territórios de aprendizagem adequados para o alcance de resultados positivos no cenário pedagógico aqui delineado”.

Theodora Rodrigues finaliza dizendo que os(as) estudantes do campo não precisam somente de uma educação de qualidade. “Uma escola do e no campo deve oferecer uma educação de possibilidades”.

Confira todas as fotos do evento no Facebook do Sinpro.

Sinpro presente em sessão solene do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica na Câmara

Por iniciativa da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), a Câmara Federal realizou na manhã desta terça-feira (29/8), dia da visibilidade Lésbica, pela primeira vez na história da Casa Legislativa, sessão solene em homenagem à data. Várias autoridades femininas compareceram ao evento, como a ministra da igualdade racial, Anielle Franco e as deputadas Duda Salabert e Erika Kokay. A diretora de Assuntos de Saúde do trabalhador do Sinpro, Elbia Pires, também esteve presente à solenidade.

Em sua fala, a deputada Duda Salabert anunciou haver protocolado, além do projeto de lei criando o dia nacional da visibilidade lésbica, outro PL que criminaliza qualquer tentativa de cura gay no Brasil.

No pronunciamento, a ministra Anielle Franco declarou que “o dia da visibilidade lésbica serve como instrumento para impulsionar gestores públicos nos âmbitos federal, estadual e municipal a propor, implementar e colocar nas ruas ações que auxiliem na inclusão real e efetiva para cada 1 de nós. Pela perspectiva da interseccionalidade, sabemos o quanto mulheres lésbicas e negras podem ser duplamente violentadas. Por isso a potência dessa agenda e a importância de ver mulheres negras no poder em todos os lugares. (…) por isso que a gente trabalha: para que nossas meninas negras, lésbicas, pobres, quilombolas, ciganas, indígenas, consigam ser o que elas quiserem. Para que elas consigam cotas para entrar nas universidades, financiamentos para suas campanhas eleitorais, proteção para viver seus afetos de forma livre e saudável.”

A deputada Daiana Santos encerrou o evento concluindo que “estamos falando do direito a amar e do direito a existir como nós somos. É justamente esse o movimento e o sentimento que faz com que eu construa a política e siga todos os dias resistindo.”

Também participaram da solenidade Denise mota, Secretária nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres; Janaína Oliveira, presidenta do conselho nacional dos direitos das pessoas LGBTQIA+; Symmy Larrat, Secretária nacional de promoção e defesa dos direitos das pessoas LGBTQIA+ e Lélia Castro, integrante da Mirada Coletiva, voteLGBT e Coletivo Ação lésbica.

Ao final do evento, a diretora do Sinpro Élbia Pires lembrou que “todas essas participações e pronunciamentos na solenidade de hoje dão o tom da importância da solenidade e de um governo que tem a noção da importância da pauta do bem-estar de pessoas LGBTQIA+ para a sociedade”.

BCE-UnB recebe exposição itinerante Metamorfose: Amor e suas formas”

 

A exposição itinerante “Metamorfose: Amor e suas formas”, da artista plástica e professora de Artes Mary Jô, está aberta ao público na galeria da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE-UnB). A mostra começou no dia 21 de agosto e prossegue até o dia 4 de setembro na BCE. Ainda sem previsão de data, ela será exibida na Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) em 2024.

De autoria da professora do contrato temporário Josélia Mary Soares Orfanidis (Mary Jô) e coordenada por Francimeire Nava, a exposição é interativa: a artista apresenta suas obras e convida algumas escolas para participar. Nesta etapa em curso, as escolas convidadas são o Centro de Ensino Fundamental de Brasília (CEF 07), o Centro de Ensino Médio Paulo Freire e a própria UnB. É também uma mostra itinerante por acontecer em alguns espaços de exposição, os quais são agendados com as escolas anteriormente.

A mostra tem por objetivo convidar a sociedade, principalmente, a comunidade escolar, a refletir e a debater sobre os temas propostos: a importância da educação; educação ambiental; preconceitos raciais, condutas comportamentais moldadas pela internet, ou seja, questões relacionadas ao cotidiano das pessoas que fazem parte da cidade, qualquer cidade.

“O intuito é o de ampliar o debate sobre os temas propostos e propiciar que a exposição adquira uma nova forma (metamorfose), pois, ao transitar em espaços da cidade, vai se transformando no percurso, com novas obras, novas abordagens temáticas e novas escolas. É uma proposta educativa e um convite à reflexão, que começou em 2018 e prosseguiu até 2020, quando ocorreu a primeira aula inaugural sobre o tema: O Amor e Suas Formas, no Centro de Ensino Médio Paulo Freire”, explica a artista plástica.

A exposição é composta por obras elaboradas com materiais descartados pela sociedade, estão insertas em um conceito contemporâneo e inspiradas por leituras filosóficas e mitológicas. Também tem outros objetivos. “Com isso, convida a sociedade a refletir também sobre temas relacionados com o cotidiano de qualquer cidade, tais como: a relação das pessoas com o meio em que vivem; valores; educação; Internet; e, até mesmo, como uma pessoa é influenciada por esse cotidiano e como esses movimentos interferem na vida dos indivíduos muitas vezes ocasionando transformações em seu dia a dia”, explica a professora.

A mostra fornece elementos para que o(a) observador(a) repense questões relacionadas a temas bem marcantes, antagônicos e dicotômicos na atual sociedade, como a educação, a busca e a construção do conhecimento, o livre pensar, a livre expressão da arte e a preocupação com meio ambiente e a sustentabilidade, o racismo e o novo tema – o Amor. São apresentadas algumas representações estilizadas de espécies de borboletas brasileiras que representam o ciclo de formação de um indivíduo que vai se modificando com o passar do tempo; além de alguns textos/fragmentos da obra ‘Metamorfoses’ do poeta do poeta romano Publius Ovidius Naso.

Além disso, as cartas escritas por professores(as) e estudantes. Nos espaços da exposição, há áudio da leitura das cartas e as cartas estarão à disposição do público para serem lidas. Os estudantes que participam do projeto visitam a exposição nos espaços agendados em conformidade com o planejamento e o Calendário Escolar.

Itinerários e realizações

 

Na primeira fase, antes da pandemia da covid-19 (2020-2022), a mostra aconteceu na BNB, na Biblioteca do Anexo do Ministério do Meio Ambiente (MMA); na Biblioteca do Parque Olhos D’Água; BCE-UnB e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Este ano, continuam no projeto as escolas que participaram na primeira fase das mostras anteriores: CEF 07de Brasília; Centro de Ensino Médio Paulo Freire e UnB. Com possibilidades de novos agendamentos de escolas para 2024.

“Nas aulas inaugurais, que aconteceram em julho e agosto deste ano, nas escolas da rede pública, apresentei questões sobre educação (a importância da educação); educação ambiental (resíduos plásticos que contaminam fontes, rios, oceanos) e racismo. Visitei o Departamento de Filosofia, uma vez que as obras da mostra são inspiradas em leituras filosóficas e mitológicas, e os estudantes estão respondendo as questões formuladas pela professora de filosofia Andréa Negrão: Quem ama, cuida? É melhor ser amado do que temido, ou o contrário? Alguns estudantes da UnB estão escrevendo as cartas, lá mesmo, na galeria”, explica Mary Jô.

Ela informa que, em 2023, em se considerando o aumento dos discursos de ódio e da violência praticadas contra estudantes e professores, o tema “amor – e suas formas” (Έρως: Éros – amor, paixão, desejo apaixonado, desejo ardente; Φιλία: Philía  – amizade; Aγάπη: Ágape – afeição, amor fraternal, objeto de afeição; Στοργή: ternura – Storgé – Amor familiar) está sendo debatido nas escolas e na UnB.

Para o Ensino Fundamental e Médio, a artista realiza uma aula inaugural sobre o tema denominada de “Aula – Amor” para promover o debate. Nessa aula, professores(as), coordenadores(as), orientadores(as) educacionais contribuem com suas falas e com o planejamento de como acontecerá o debate entre os(as) estudantes. A artista leva duas de suas obras: o “AMOR”; e a obra interativa “A Máquina do Amor”, ambas elaboradas, especialmente, para a aula. A escola interessada em participar deve entrar em contato pelo e-mail mjjmsorfanidis@gmail.com ou pelo telefone (61) 98300-9496. Os contatos podem ser feitos pelos endereços do Instagram @mjsarteciclismo @brasiliailstresdesconhecidos. Para apoiar o projeto financeiramente, basta passar um PIX para o CPF: 28707788134 ou apontar a câmera do celular para o QR Code a seguir.

EC 27 de Ceilândia comemora 45 anos de história e dedicação à educação

Fundada em agosto de 1978, a Escola Classe 27 de Ceilândia carrega uma história permeada por amor, dedicação, responsabilidade e comprometimento com a Educação do Distrito Federal. Para comemorar esta trajetória, a EC realizou, na última sexta-feira (25), uma ação social pelos 45 anos da unidade escolar.

As comemorações foram regadas a muitas lembranças de momentos importantes, depoimentos de pessoas que passaram pela escola ao longo destes anos, além de projetos e atividades pedagógicas protagonizadas pelos(as) alunos(as). Além de professores(as), orientadores(as) educacionais, estudantes e funcionários que trabalham ou trabalharam na escola, a comunidade escolar também participou da festa.

A diretora da EC 27, Cristina Maria da Silva, explica que ao comemorar 45 anos com uma ação social, a escola mostra à comunidade a importância da escola pública na formação das crianças. “O que priorizamos na EC 27 não é apenas o repasse de conteúdo, mas do respeito aos outros e ao ambiente, ao conviver em grupos e equipes e a nunca desistir de seus sonhos e objetivos”, ressalta. “A escola classe 27 faz parte da história de muitos. Ao comemorar o aniversário da escola com uma ação social, queremos trazer as famílias para perto, a fim de que todos sintam-se parte importante do processo educacional”, finaliza.

 

“Tempo de Leitura”: projeto do CED Casa Grande valoriza e estimula o hábito de leitura

“Mais livros, menos armas”. Essa palavra de ordem que marcou quase todas as manifestações de rua, entre os anos 2016 e 2022, contra o contingenciamento de recursos públicos para a Educação, expandiu seu significado e, hoje, faz parte de várias ações pedagógicas nas escolas Brasil afora. Uma das escolas que adota o livro como arma de transformação é o Centro Educacional (CED) Casa Grande do Gama, que desenvolve, desde o início deste ano, o projeto “Tempo para leitura”, do professor de Atividades e vice-diretor da escola Marcelo Capucci.

“Trata-se de uma iniciativa inovadora e inspiradora que visa a incentivar a prática da leitura entre professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, estudantes, funcionários e funcionárias do Centro Educacional Casa Grande da CRE do Gama. Esse trabalho reconhece a importância da leitura não apenas como ferramenta de aprendizado, mas também como uma fonte de prazer, informação e diversão”, explica.

Capucci diz que essa “é uma ação pedagógica que visa a criar um ambiente propício para a imersão na leitura livre e descompromissada”. Na quinta-feira (24/8), o CED Casa Grande realizou a atividade com a comunidade escolar e, na avaliação do professor, foi mais um momento de muito sucesso do projeto.

O projeto Tempo de Leitura tem o objetivo de promover o hábito de leitura, estimular a fruição literária, criar uma comunidade leitora e desenvolver a criatividade. Para isso, Capucci criou uma metodologia prática e acessível para assegurar a participação de educandos(as) e educadores(as) do Casa Grande dividida em cinco etapas: definição de horário; preparação do ambiente; escolha de leituras; momento de imersão; e discussão e compartilhamento.

O projeto traz uma série de benefícios aos(às) participantes e à comunidade escolar, tais como o desenvolvimento do hábito de leitura, ampliação do repertório cultural, fortalecimento da comunidade escolar, estímulo à criatividade. “Em suma, o projeto ‘Tempo de Leitura – Cultivando o prazer de ler em comunidade’ é uma iniciativa inovadora e suas turmas de Educação Infantil e Anos Iniciais, que valoriza o ato de ler como uma atividade prazerosa, enriquecedora e transformadora”, assegura o vice-diretor.

Ele informa que, “ao criar um ambiente acolhedor e estimulante, o projeto contribui para a formação de indivíduos mais críticos, criativos e conectados com o mundo das letras. Além disso, ao reunir professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, estudantes, funcionários e funcionárias em torno da leitura, o projeto fortalece os laços da comunidade escolar e promove uma cultura de aprendizado contínuo e partilhado”, finaliza.

Ação da EC 206 Sul mistura pedagógico e lúdico

Estudantes da Escola Classe 206 Sul tiveram uma grata surpresa enquanto realizavam uma ação pedagógica que visava conhecer um pouco mais sobre Brasília. Enquanto se dedicavam em pesquisar e estudar a capital federal, os(as) alunos(as) foram surpreendidos pela artista plástica Helena Trindade, que visitou a escola e colaborou com os(as) estudantes do 4º ano em uma atividade que resultou em uma escultura chamada Ipê arquitetônico.

A artista tinha o intuito de investigar como as crianças percebiam a cidade de Brasília através de suas perspectivas únicas. Por sua vez, as crianças puderam explorar sua imaginação e compreensão da cidade ao expressarem suas visões pessoais por meio dos desenhos, culminando em uma escultura que refletia suas interpretações coletivas.

Segundo a coordenadora e atual vice-diretora substituta da escola, Alana Luz, o objetivo dessa ação era incentivar a criatividade e a expressão individual das crianças, ao mesmo tempo em que investigava como elas viam a capital federal. “Através dos desenhos transformados em escultura, procurava-se criar um diálogo artístico que revelasse perspectivas únicas das crianças sobre o ambiente urbano, ao mesmo tempo em que proporcionava uma oportunidade educativa e lúdica”, ressalta a educadora.

A peça foi doada por Helena à escola como um presente à comunidade que fez parte de sua infância.

Já estão abertas as inscrições para o IV Seminário de Educação Física Escolar do DF

A Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB) abriu as inscrições para o IV Seminário de Educação Física Escolar do Distrito Federal. Contando com a participação do Sinpro, o evento, que será realizado dias 30 e 31 de agosto, no Auditório da FEF-UnB, traz como temática principal o Programa Educação com Movimento e a Educação Física Escolar no DF – História e resistência. Faça sua inscrição .

O Seminário de EF escolar é um evento que tem, em seu DNA, as reivindicações dos(as) professores da Educação Física da educação básica do DF, e traz como objetivo problematizar e refletir sobre as demandas que atravessam o cotidiano e o trabalho pedagógico do professorado nas diferentes escolas e níveis de ensino da rede pública. A partir desta edição, o seminário passa a compor as ações de extensão do Grupo de Pesquisas e Estudo sobre EF escolar, tendo como temática central o Programa Educação com Movimento (PECM).

Confira a programação:

 

 

 

    

Nota de pesar | Tânia Cristina Braga Reis

Com muita tristeza, o Sinpro-DF informa o falecimento da professora Tânia Cristina Braga Reis, aos 47 anos, ocorrido no último sábado, 26 de agosto, após 10 anos de luta contra o câncer. O sepultamento aconteceu no próprio sábado.

Tânia iniciou sua carreira na SEE-DF em 2006. Trabalhou no Paranoá, assim que foi contratada para a área de Atividades. Em seguida, foi para Brazlândia, onde ficou até conseguir transferência para a Ceilândia. Afastou-se para fazer mestrado na área de informática em educação e, ao retornar às funções, foi lotada na regional do Guará, onde ficou até obter a aposentadoria em decorrência da doença.

Ao todo, foram mais de 18 anos de trabalho dedicados às causas educacionais, principalmente as políticas. Foi militante ativa do Sinpro, como delegada sindical, membro de comissão de greve e de várias outras atividades em prol da categoria.

“Minha irmã foi uma profissional competente, amava o que fazia e as pessoas com quem trabalhou durante a carreira”, recorda-se com carinho a irmã de Tânia, Benedita.

A diretoria colegiada do Sinpro lamenta muito a perda de uma jovem professora, e manifesta sua solidariedade à família, aos colegas e amigos de Tânia.

Tânia Cristina, PRESENTE!

Por que não se respeita a professora e o professor o quanto se respeita a juíza e o juiz?

Um dia desses uma amiga, gestora em uma escola pública, me contou que recorrentemente há pais e outros parentes de estudantes que insistem em entrar sem camisa na escola, fato que ela não permite e orienta que voltem em casa, se vistam para serem bem recebidos na escola. Não raro, revoltam-se furiosos contra a medida e, quando não persistem na atitude, retiram-se da escola coléricos com ela. Essa professora é digna dos meus aplausos mais veementes.

É sabido que historicamente não há equivalência no respeito que a sociedade dá a professores e a outras profissões, como a de juízes. Você já viu alguém tratando de forma desrespeitosa um juiz ou juíza? Você conhece caso de alguém dizendo ao juiz ou a juíza como devem atuar? E a nós?

Convocaram-me para compor o tribunal do júri da minha cidade por um mês. Éramos trinta pessoas representativas de diversas classes sociais, profissões, etnias, gênero e idades. Um fator nos fez igual: o rigoroso respeito e reverência ao juiz, ao espaço físico e simbólico do tribunal de justiça, começando com a roupa que nos vestíamos. Mais que cordial, o tratamento era de deferência, de reverências absolutas. Mesmo nos momentos que antecediam as sessões, só nos dirigíamos ao juiz se quando solicitados e com a formalidade e os pronomes de tratamento que a situação exigia. Qualquer pedido de informação era dirigido aos demais funcionários do tribunal. Aliás, a suntuosidade do prédio e suas instalações já são intimidatórias. São lembretes de como lá se comportar. A escola pública nem precisava disso tudo, um tantinho já seria o suficiente para que lá se entrasse com um pouquinho de cerimônia, um tantinho de respeito, já que ambos são equipamentos públicos igualmente importantes para a sociedade. Eu, como professor há 33 anos, sempre me indago com muita indignação porque não se trata a escola, professores e professoras da mesma forma que se trata juízes e tribunais.

Me pautarei neste exemplo. A falta de equivalência no respeito dado a professores e juízes sabemos que se origina de múltiplos e complexos fatores culturais, sociais e históricos. Algumas das principais razões para essa disparidade são as percepções que se tem dos papéis de cada uma destas profissões na sociedade. A função do juiz é vista como essencial para a manutenção da ordem e da justiça. Juízes são responsáveis por tomar decisões legais importantes que afetam a vida das pessoas e garantem o cumprimento da lei. A importância do papel do professor é subestimada, apesar de ser fundamental para o desenvolvimento do país. A magistratura é associada a um alto prestígio social. O magistério não tem o mesmo prestígio. Agora vejam: magistratura e magistério vêm da mesma raiz etimológica primária, do latim: magister, que significa mestre, chefe, funcionário do poder público investido de autoridade. Daí vem as derivações: magistratura passa a denominar a carreira pública cuja atribuição constitucional é administrar a Justiça no exercício do Poder Judiciário. E magistério, é o ofício do professor.

Fato relevante é que juízes recebem salários mais altos e têm benefícios que professores não tem. Isso acaba indicando o nível de valorização que a sociedade atribui a essas profissões. Juízes são vistos como figuras de autoridade e poder, enquanto professores são associados a um papel mais submisso ou de menor importância. Embora professores desempenhem um papel crucial na formação dos indivíduos, suas decisões não têm impacto tão imediato e visível como as decisões dos juízes. A desobediência ou desrespeito a um juiz resulta em sérias consequências legais. Por outro lado, o desrespeito ao professor não tem consequências graves, o que leva a um comportamento menos respeitoso. Para se promover um maior respeito pelos professores e valorizar nossa função na sociedade, o poder público precisa para ontem potencializar os recursos destinados à escola pública, resolver a sobrecarga de trabalho que afeta a qualidade social do ensino, impactando a imagem do professor perante os alunos e a comunidade, aprimorar as condições de trabalho, de remuneração e reconhecer publicamente as contribuições essenciais dos professores da escola pública para o crescimento e progresso da sociedade. E nós, de nossa parte, pararmos de nos diminuirmos ainda mais perante a sociedade. Não raro, presencio colegas se afirmando “sofressores, sofressoras”, caricaturando sua profissão com piadas grotescas. E se isso não fosse o bastante, ainda temos muitos gestores, colegas da mesma categoria, adotando atitudes antiéticas e desumanas contra seus pares. E nem temos um código de ética, como profissionais do direito, jornalistas, médicos, enfermeiros.

Professores enfrentam desafios e dificuldades em seu trabalho, que os juízes não têm. Além dos baixos salários e a falta de infraestrutura dos espaços escolares, somos assombrados pela violência escolar, indisciplina, desinteresse e evasão dos estudantes. Esses fatores afetam a motivação, a autoridade e a autoestima do professor, que nem sempre conta com o apoio da família, da comunidade ou do poder publico para o enfrentamento a tais desafios. Já o juiz, além do status social elevado, remuneração atrativa, carreira prestigiada tem uma função de poder. Tem um código de ética que define seus deveres e responsabilidades, bem como a linguagem e o comportamento adequados. O juiz é visto como um representante da lei e da ordem, que deve ser respeitado e obedecido. Ah, e todos são doutores sem, necessariamente, terem cursado um doutorado. E o magistério?

O respeito ao juiz é uma norma social imposta pela lei. O juiz tem o poder de julgar, condenar ou absolver as pessoas. Há vários fatores que influenciam o respeito ao professor e ao juiz, profissões distintas e igualmente importantes e isto temos que bradar, fazermos campanha para que sejamos valorizados e reconhecidos pela sociedade da mesma forma, pois ambos temos um papel fundamental na construção de um país melhor.

Outros fatores dos quais não posso deixar de falar são a influência dos meios de comunicação: a forma como somos retratados nos meios de comunicação e nas redes sociais desempenham significativo papel no modo como somos percebidos pela sociedade. Estereótipos negativos e caricaturas em memes e shows de humor de gosto duvidoso afetam nossa imagem; a falta de envolvimento efetivo das famílias na educação dos filhos e a falta de apoio da comunidade à escola também contribui para a falta de respeito ao professor. Males dos quais o poder judiciário não padece.

Somos desrespeitados todos os dias. Não me chegam notícias disso quanto a profissionais da magistratura e não é para haver mesmo. Todas as profissões precisam ser respeitadas. Resumirei o que considero pontos fulcrais deste problema social, que devem ser priorizados para que a distância entre estas duas profissões seja ao menos relativizadas. Lembro-lhe que esta minha análise comparativa focou a carreira da magistratura como exemplo, em razão do impacto que passei na experiência da convocação para compor o tribunal do júri da minha cidade. Poderia ter escolhido a medicina (de onde saem doutores, sem doutorado), a engenharia, a veterinária, que segundo pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), publicada no Jornal Estado de Minhas nesta semana, são as três profissões com maior prestígio social no Brasil, nesta ordem. Então, vamos às cinco situações desrespeitosas que vivemos cotidianamente e que precisamos combater de forma tenaz:

A desvalorização salarial é um desrespeito: a remuneração do magistério não condiz com a importância do trabalho educacional e social desempenhado, o que implica no desrespeito à profissão. Um Juiz de Direito Substituto do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios tem salário inicial de R$ 32 mil, somados à diversos benefícios adicionais, chega a R$ 40 mil no início da carreira. Um professor no Distrito Federal, no fim de carreira, com doutorado e 40 horas de jornada semanal, não recebe mais que R$ 10 mil.

A falta de reconhecimento efetivo do poder público e, por tabela, da sociedade é um desrespeito: não somos reconhecidos pelo trabalho árduo e pelo impacto positivo que temos na formação da sociedade. Precisamos, de nossa parte, termos orgulho da nossa profissão, pois o reconhecimento à magistratura é indiscutível.

Agressões à nossa categoria, claro, são desrespeitos. Somos recorrentemente vítimas de violências físicas e simbólicas por parte de estudantes, famílias, gestões das escolas e poderes públicos. No campo das violências simbólicas o assédio moral é uma modalidade expoente. Em um fórum isso teria severas consequências.

A falta de recursos e infraestrutura adequada nas escolas é um desrespeito, pois dificulta nosso trabalho e afeta o aprendizado dos alunos. Dos recursos e das estruturas dos fóruns nem preciso falar.

As interferências no nosso trabalho são desrespeitos. Enfrentamos críticas e interferências constantes da sociedade, das famílias, da mídia e de outros setores, que se arvoram em determinar nosso trabalho, desconsiderando o quanto estudamos para estar ali, que o que fazemos é com embasamentos teórico-metodológicos. Atitudes que levam ao sentimento de desvalorização e desrespeito ao nosso trabalho. Você tem notícias de desvairado que tenha olhado no olho do juiz e determinado o que ele deve fazer?

Sabemos que não se muda um cenário destes com um decreto, tampouco apenas com nossa vontade. As mudanças históricas requerem paciência histórica e luta constante. Poder público, sindicato, categoria, sociedade, mídias, precisam ressaltar todos os dias que professores desempenham papel fundamental e insubstituível na sociedade, que somos essenciais para o desenvolvimento intelectual, emocional e social dos estudantes. Somente construindo o respeito e o reconhecimento merecido e adequado, será possível construirmos uma educação de qualidade social e uma sociedade mais justa e igualitária.

Então, por que não se respeita o professor o quanto se respeita o juiz?

 

Prof. Simão de Miranda, Pós-Doutor em Educação. (Youtube|Instagram: simaodemiranda)

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