Projeto consolida a conscientização racial e melhora da autoestima dos estudantes negros

Um projeto desenvolvido pelo Centro de Ensino Fundamental 11 de Ceilândia Sul tem promovido muito mais que uma atividade pedagógica, mas a promoção da conscientização racial e a melhora da autoestima dos estudantes negros. Desde 2010 a orientação educacional do CEF Séries Finais realiza o Desfile da Beleza Negra, com o objetivo de incentivar o aprendizado em uma perspectiva antirracista, trabalhando o empoderamento dos(as) alunos(as), valorizando o protagonismo individual de cada um.

Sempre em Culminância aos projetos afro-indígenas, tendo como base as leis 10.639/03, 11.645/08 e 12.519/11, a atividade trabalha o estudo histórico, sociopolítico, econômico e cultural das etnias afro-indígenas brasileiras, bem como as raízes étnicas ameríndias e africanas que deram a origem da história do Brasil e do restante do continente americano. No projeto, que teve sua culminância na última segunda-feira (21), são realizadas exposições dos trabalhos; apresentações culturais, como capoeira, poemas, contação de história; e exibição de filmes com a abordagem da cultura afro indígena.

Durante a 12ª apresentação do Desfile da Beleza Negra a professora de História, Tatiane Brunes, foi homenageada pelo trabalho desenvolvido ao projeto durante todo ano, além das aulas sobre as questões raciais.

Conselho de classe em escola militarizada é tema de dissertação de mestrado

Dia 1º de dezembro, quinta-feira, a professora Rhaíssa Sheri Freire de Souza Rocha defenderá sua dissertação de mestrado a partir de 8h30 na Sala de Atos da Faculdade de Educação da UnB (FE/UnB). O tema da dissertação é atualíssimo: “Conselho de classe em uma escola militarizada do DF”.

No estudo, Rhaíssa investigou concepções e práticas do conselho de classe em uma escola militarizada do Distrito Federal, vinculada ao PCIM (Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares do Governo Federal). Ela realizou um estudo de caso, buscando identificar como o conselho de classe é retratado em documentos oficiais; refletir sobre os sentidos constituídos por professores, gestor pedagógico, gestor disciplinar e estudantes acerca do conselho de classe em uma escola militarizada; e compreender o desenvolvimento do conselho de classe em uma escola militarizada

Rhaíssa teve como orientadora a profª dra Edileuza Fernandes, da FE/UnB, e a banca examinadora será composta pelas professoras doutoras Miriam Fábia Alves (FE/UFG), Shirleide Pereira da Silva Cruz (FE/UnB) e Elisângela Teixeira Gomes Dias (SEEDF).

Mostra Cultural aposta no protagonismo dos estudantes

A Escola Classe 512 de Samambaia realizou a Mostra Cultural, apostando no protagonismo dos(as) alunos(as). O projeto teve como pano de fundo a leitura nas salas de aula, tratando como tema assuntos variados, como eleições, Copa do Mundo e a literatura.

Os 1° anos estabeleceram os trabalhos com as crianças a partir do livro A bruxa Chatucha. Aqui, o foco ficou por conta das rimas e alterações. Os 2° anos apresentaram O mundo encantado de Alice (Alice nos país das maravilhas), e os 4° e 5° anos partiram do histórico das copas que já aconteceram, traçando uma linha do tempo, abordando aspectos importantes, tais como o racismo no futebol e a discussão sobre a diferença de tratamento entre a copa masculina e a copa feminina de futebol. As biografias de alguns jogadores também foi o ponto de partida para trabalhos de pesquisa realizados pelos(as) estudantes. Também foram abordadas as questões ambientais, tendo em vista a participação dos 4° anos A e C no projeto Parque Educador, desenvolvido em Samambaia.

Durante o decorrer do bimestre as crianças participaram do Projeto Estante Mágica, tendo produto final a escrita do seu próprio livro. Nesse dia aconteceu a tarde de autógrafos, com a entrega dos livros para as famílias. O tema geral foi Viajantes do Saber. A ilustração da camiseta tema da 12° mostra cultural foi escolhida após concurso de desenho, tendo como vencedora a aluna Yasmin Gabrielle de Souza, do 5° ano H, da professora Daniela Domingas.

A comunidade abraçou o projeto e abrilhantou o evento comparecendo, prestigiando seus filhos e filhas, incentivando e motivando-os à  vida acadêmica. 

Palestra debate O lugar da formação de professores no contexto da pós-verdade

O Decanato de Ensino de Graduação, Docentes e Discentes das Licenciaturas da Universidade de Brasília (UnB) convida para a cerimônia oficial de abertura do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e da Residência Pedagógica (2022 – 2024). Neste evento, que será realizado às 17h desta segunda-feira (21), no Auditório da ADUNB – Campus Darcy Ribeiro, o professor Amurabi Oliveira (UFSC) ministrará uma palestra intitulada O lugar da formação de professores no contexto da pós-verdade.

Durante a palestra haverá shows e sorteio de brindes. As inscrições serão realizadas no local e haverá certificação para os(as) participantes.

CEF 20 de Ceilândia realiza Projeto da Consciência Negra

Neste mês de novembro, o Centro de Ensino Fundamental 20 de Ceilândia realiza mais uma vez seu Projeto da Consciência Negra. A culminância do projeto acontece dia 25 de novembro, sexta-feira, e durante a semana que a antecede professores e estudantes confeccionam trabalhos e preparam apresentações com essa temática.

Todas as atividades desenvolvidas pelos estudantes têm como objetivo conhecer e valorizar a cultura afrobrasileira na própria vivência escolar e em outros espaços. O evento busca contribuir para que crianças e adolescentes compreendam a importância da cultura afrobrasileira, valorizando a própria identidade, promovendo e potencializando o trabalho em equipe e a interação entre alunos e professores.

Dentre as várias apresentações e exposições, haverá uma exposição de fotos chamada Nossa História, assinada pelo fotógrafo Deva Garcia, do Sinpro-DF. Foram footgrafados(as) estudantes do Ensino Fundamental II da escola, e as professoras Celina Márcia, de Língua Portuguesa, e Sandra Reis, de Educação Física.

“O projeto é realizado na escola há 20 anos e a culminância conta com várias atividades culturais que potencializam o resgate da autoestima e a valorização da cultura afro-brasileira”, conta a professora Sandra Reis, uma das organizadoras dos eventos, juntamente com toda a equipe docente da escola.

Nota de pesar | Eloína Marques

É com grande tristeza e pesar que o Sinpro informa o falecimento precoce da professora de atividades Eloína Marques. Ela faleceu no sábado (19/11) , e deixa uma filha, além de familiares, amigos(as) e companheiros(as) de magistério saudosos(as).

A querida professora Elô era uma grande alfabetizadora da Escola classe 06 da Ceilândia. Durante sua trajetória no magistério público Elô usou a educação como um importante instrumento de generosidade. Nutria o desejo de ensinar, de repassar o conhecimento na esperança de que o conteúdo ajudasse seus estudantes a chegarem longe na vida. Nunca se furtou a mostrar a luta por uma educação pública de qualidade e acessível a todos(as), deixando como legado uma história de muita força, amor e conquistas.

O velório será realizado daqui a pouco, às 15:30 de domingo, no Campo da Esperança (Asa Sul), no templo ecumênico 02, artrás da capela 10. O sepultamento está marcado para 17h.

O sindicato presta toda solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor.

Eloína,PRESENTE!

20 de novembro | Igualdade, resistência e respeito

Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares foi emboscado, torturado e morto. Sua cabeça e mãos foram decepadas e seu corpo exposto em praça pública. Protagonista de uma história de luta e resistência, Zumbi lutava pelo o que infelizmente ainda não conquistamos hoje. A data de sua morte é um marco de um povo que sempre lutou e luta pela igualdade.

Dandara dos Palmares, esposa de Zumbi e mãe de seus três filhos, teve papel fundamental na construção e no comando do quilombo dos Palmares, símbolo da resistência contra o regime escravagista brasileiro. Impulsionada pela dor, sentida em sua própria pele, Dandara liderou negros e negras à resistência. Mulher preta e guerreira, ela vive em todas as pessoas que lutam pela liberdade.

Hoje é dia de relembrar a história do povo preto e questionar a herança escravagista e o racismo impregnado na sociedade brasileira. A filósofa afroamericana Angela Davis nos traz uma reflexão importante “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. Ser antirracista é fundamental.

Segundo Márcia Gilda, ativista e coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, a luta antirracista é uma luta de todos e todas negras e não negros. “Uma sociedade livre do racismo é aquela que formula e emprega políticas públicas de reparação e inclusão da população negra em todos os espaços da sociedade, inclusive nos espaços de poder. Isso pressupõe um princípio básico da Democracia”. Afirma Gilda.

                                                                  (Ilustração de Dandara dos Palmares)

Realidade

Em 2019, os negros representavam 77% das vítimas de homicídios no Brasil, com uma taxa de 29,2 por 100 mil habitantes. Entre os não-negros, a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que o risco de um preto ou preta ser assassinado é 2,6 vezes superior ao de uma pessoa branca. Os dados são do Atlas da Violência 2021.

Apesar de negros e negras serem maioria nas universidades públicas (50,3%), os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que ocupam apenas 30% dos cargos de liderança no país. Pessoas pretas recebem, em média, 8% a menos do que profissionais brancos exercendo as mesmas funções de liderança. Essa é a realidade de um país dominado pelo racismo estrutural.

A desigualdade racial se perpetua nos indicadores sociais da violência ao longo dos anos. Uma realidade dura, e sentida todos os dias pelos milhares de pretos e pretas que vivem em nosso país. Mesmo depois de 134 anos desde a abolição da escravatura, não foram criadas condições para que a população negra fosse inserida com dignidade e respeito na sociedade. Pelo contrário, o que se vê é o aumento do racismo “velado” e enraizado nas estruturas sociais, econômicas e políticas do país.

O racismo está aprofundado em nossa cultura, escolas, Justiça, universidades, no governo e nas ruas. É tão arraigado que, muitas vezes, nem nos damos conta de como as políticas e instituições favorecem desproporcionalmente alguns em prejuízo de outros. Por isso, “não ser racista” não é suficiente para eliminar e combater a discriminação racial. Não basta simplesmente afirmar “Eu não sou racista!”, mas assumir a luta contra um sistema cruel às pessoas de cor. Ser antirracista é a escolha consciente de tomar um lado, defender uma posição e se envolver em ações que apoiem e contribuam ​​à igualdade e a liberdade de todos e todas.

 

Lançamento – Caderno  É preciso ser antirracista

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF lançará no dia 29  de novembro o caderno É preciso ser antirracista. O lançamento do material será às 19h, no auditório Paulo Freire na Sede do Sinpro-DF, localizada no SIG.

O caderno foi produzido como apoio às práticas pedagógicas de enfrentamento e combate ao racismo na escola, e traz informações importantes e diversas sugestões para se trabalharem essas temáticas dentro das salas de aula, nas diversas disciplinas.

O evento terá a participação dos três autores – professores Adeir Ferreira Alves, Aldenora Conceição de Macedo e Elna Dias Cardoso- e da coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, Márcia Gilda.

MATÉRIA EM LIBRAS

Oficina mostra a prática de educação no campo da Consciência e Cultura Negra

O Consciência, grupo de estudos e pesquisas em Materialismo Histórico-Dialético e Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FEUnB), realiza uma oficina que privilegiará a prática de educação no campo da Consciência e Cultura Negra. O evento será realizado no dia 21 de novembro, às 14h30, na sala 05 do Prédio FE1, da FE/UnB.

A oficina é aberta a professores(as), estudantes em processo de formação e interessados(as) em geral, e terá a participação do coordenador do grupo Consciência, professor doutor Erlando Rêses; da professora mestra em Educação e delegada sindical do Sinpro, Lara Cardoso; e da professora mestranda em Educação, Ana Paula. Serão debatidos temas como a confecção da Boneca Abayomi, a discussão e valorização de livros que tratam da questão étnico racial e a valorização da perspectiva negra e da literatura de autores(as) que refletem a questão afro brasileira na sala de aula.

Pintura japonesa e educação como tema de evento no Riacho Fundo

Acontece na próxima sexta-feira (25/11) no CED Agrourbano Ipê, no Riacho Fundo, o evento “Sumi-ê: arte japonesa para a educação”, com exposição de trabalhos dos alunos. Trata-se de técnica de pintura baseada na tinta nanquim que tem origem na China e foi introduzida no Japão por monges budistas.

O trabalho com sumi-ê faz parte do projeto Equilíbrio, uma iniciativa do professor Leonardo Hatano, coordenador pedagógico do CED Agrourbano Ipê do Riacho Fundo II, em parceria com a orientadora educacional da escola, Hellen Rejane. Surgiu para contribuir para a saúde física e psíquica dos(as) adolescentes, com o emprego de técnicas como aromaterapia, heiki, auriculoterapia. Como parte do projeto, o professor Leonardo promoveu oficinas de sumi-ê.

Os dois educadores ressaltam que, após a quarentena imposta pela pandemia da covid-19, era notável que muitos estudantes apresentavam quadros de ansiedade e depressão. O projeto contou com todo apoio da diretora da escola, professora Sheila Pereira Mello.

As aulas de sumi-ê foram ministradas também pela professora Hiromi Takano para os alunos selecionados no projeto, em parceria com o sumi-ê Brasil. O Embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, também praticante da arte sumi-ê, estará presente no evento do CED Agrourbano Ipê.

O Sr. Hayashi esteve na escola no início do projeto, a convite da professora Hiromi Takano. Na ocasião, realizou uma oficina de sumi-ê para os estudantes. Ele ficou encantado em saber que alunos brasileiros praticam sumi-ê.

Para o professor Leonardo, o evento da próxima sexta-feira contribuirá para a divulgação da cultura japonesa no Brasil. “O objetivo do evento é valorizar nossos estudantes. Eles se dedicaram durante este ano, aprenderam técnicas de sumi-ê e, principalmente, tiveram uma mudança na forma de se perceber, de se expressar, fazer a gestão de suas emoções, conviver em sociedade”, explica.

Foram selecionados 20 estudantes para participar da oficina de sumi-ê (10 de cada turno). O evento “Sumi-ê: arte japonesa para a educação” marcará o encerramento do projeto, com a exposição das obras e a presença do Embaixador Teiji Hayashi.

Professor Leonardo conta que o projeto não faz parte do calendário da escola, pois depende de patrocínio para tanto: “O evento não faz parte do calendário da escola, porque foi uma parceria que começou este ano. Esperamos conseguir algum tipo de apoio financeiro para conseguirmos realizar o projeto no próximo ano. Os custos para a professora [Hiromi Takano] não são baixos. Os pinceis e as tintas são importados. Até o papel é importado (papel de arroz).”

O evento não será aberto ao público, mas a partir da última semana de novembro haverá exposição com visitas agendadas.

Livro sobre militarização escolar será lançado dia 21

No livro A Escola do Medo – Vigilância, repressão e humilhação nas escolas militarizadas, o jornalista Dioclécio Luz trata da invasão das escolas públicas por militares. Demonstra todos os aspectos problemáticos da militarização das escolas – fenômeno que ocorre em praticamente todas as Unidades da Federação.

O livro, a ser lançado dia 21/11 às 18h, no Beirute da Asa Norte (CLN 107, no Plano Piloto), é um contundente trabalho, resultado de quatro anos de pesquisa. O autor consultou todas as teses e dissertações sobre o tema, bem como publicações oficiais, visitou escolas militarizadas, entrevistou estudiosos e pesquisadores e ainda acompanhou uma assembleia escolar que transformou uma escola pública em militarizada, entrevistando os personagens envolvidos (professores, alunos, diretores e militares).

Como resultado, obteve um trabalho jornalístico com 400 páginas, que pode ser adquirida online neste link.

Segundo o autor, ao assumirem a gestão, militares impõem um regime disciplinar rígido que prevê punições e estabelece regras “que não fazem qualquer sentido”. Essas imposições são ilegais e sem amparo de qualquer Lei Federal. “Forçar crianças à submissão e a esse regime humilhante fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse modelo também afronta o Art. 5º da Constituição, ao invadir a seara da privacidade e intimidade do outro, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (nº 9.394/1996). As afrontas legais criadas pela militarização escolar, apontadas por Dioclécio, também foram apontadas em nota técnica do MPDFT

No livro, Dioclécio explica a diferença entre colégios militares e escolar militarizadas, e ainda traz uma série de ponderações sobre por que a disciplina da escola militarizada é um conflito com a construção da pedagógica da noção de disciplina que crianças e adolescentes precisam entender para conviver em sociedade.

O autor não encontrou um só artigo científico ou dissertação de mestrado ou tese de doutorado, que qualificasse o modelo. Isto é, nenhuma Faculdade de Educação do Brasil o aceita. Todos os estudos pesquisados, sem exceção, fazem duras críticas.

“Se nenhuma Faculdade de Educação do país aprova, por que, apesar disso, há centenas dessas escolas funcionando no Brasil?”, questiona Dioclécio.

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