Em defesa da Casa Negra

(*) Por Lara Andréia Sant’ana Cardoso

 

A escravidão nos circunda no ciclo noite e dia. No meu caso, há 50 anos, todos os dias, deparo com alguém que me diz o racismo não existir.

 

Ora essa é a maneira mais sutil e ao mesmo tempo cruel de ser racista.

 

Ser uma mulher negra e me assumir diante de uma sociedade preconceituosa é ser resistente . EU SOU RESISTÊNCIA!

 

Vejo a discriminação nos olhos de muitos que estão comigo e vejo o sinismo e a intolerância.

 

Tudo que faço é mais difícil de ser aceito nesta sociedade apodrecida e corrompida.

 

Há excessões!

 

Por mais que nos pareça leve só quem carrega melanina sabe o qto custa e o peso que tem.

 

Mas minha ancestralidade carregou com  raça e eu continuo no processo.

 

Combater o racismo, diariamente ,é antes de tudo dialogar com o mundo que podemos tudo.

 

Neste 13  de maio nosso recado é que não houve abolição mas o despejo nas senzalas com o intuito de exterminar uma raça.

 

Restou aos negros as margens, o subemprego, a desigualdade e a pobreza! Restou o PRECONCEITO.

 

NA EDUCAÇÃO  tenho um  espaço que me permite ecoar meu grito de guerra.

 

O BRASIL é um país de negros(as) e ponto final.Eu posso, eu quero e eu exijo meus direitos!

 

ACREDITO que toda resistência deve partir de dentro para fora.

 

Queremos que o Brasil pague essa dívida social!

 

RACISMO É CRIME E ESSA HISTÓRIA POSITIVISTA É UMA FERRAMENTA DE PRÁTICA RACISTA CRUEL!

 

Aqui dentro de  mim há uma mulher sem medo de EXIGIR o que este país me deve. A dívida é social e não podemos deixar de cobrá-la com todas as  devidas correções .

 

Lugar de NEGRO(A) é no poder…

 

Chega de omissões…

 

O SANGUE dos (as) negros(as) que resistiram correm nas minhas veias…

 

Salve a luta antirracista!

 

SALVE DANDARA , LARA, MARIA, TEREZA e todas as negras que resistem!

 

(*) Lara Andréia Sant’ana Cardoso, professora de história da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), leciona no Centro de Ensino Fundamental do Lago Norte (CEF 01/LN /CELAN), mestre em Educação – Políticas Públicas e Mulher Negra Quilombola Paracatu- Minas Gerais.

Professor Benvolio recebe homenagem dos amigos

O professor Benvolio Evangelista da Silva, morto no último dia 19 de abril vítima de um infarto fulminante, receberá homenagem da Federação Piauiense de Xadrez na noite desta quinta-feira (12/05), às 20h, em evento transmitido pelo Youtube.

Benvolio era considerado um dos melhores enxadristas piauienses de sua geração. O evento contará conta com a presença de Luís Carlos Sales, presidente da Federação Piauiense de Xadrez, do Mestre Nacional de Xadrez, Severino Januário, e do Engenheiro Vitorino Orthiges Fernandes.

Além de diversos relatos sobre o convívio com o professor da SEDF, serão analisadas algumas partidas que aconteceram na década de 1980, que registrou o confronto entre Vitorino Orthiges Fernandes e Benvólio Evangelista da Silva.

O evento será online, e já está disponível no vídeo abaixo.

Projeto promove mediação teatral em escolas públicas

O projeto Mediato – Diálogo com Espectadores (@mediato.art) chega à nona edição com a apresentação do espetáculo Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare. Após dois anos de atendimento virtual devido à pandemia da Covid-19, o projeto celebra o retorno das atividades presenciais e abre as inscrições para que escolas das regiões do Gama e de Santa Maria possam participar das apresentações, que serão feitas no Teatro Sesc Paulo Gracindo, no Gama. O período para se inscrever vai até o dia 20 de maio por meio de formulário disponível no site www.mediato.art.br ou no perfil do Instagram @mediato.art.   

O projeto tem o objetivo de trabalhar com o 9º ano do ensino fundamental ou com o ensino médio e pretende levar cerca de 2 mil estudantes ao teatro. Além disso, apresenta o teatro e as demais artes como papel fundamental na educação, oferecendo ferramentas pedagógicas transversais a várias disciplinas, propondo a efetiva integração entre teatro e escola. Ao todo serão selecionadas cinco escolas para receber o projeto nos meses de junho e julho, sendo que uma delas deve atuar na área rural do Gama.

Para a coordenadora do projeto, Luênia Guedes, o objetivo da ação é colaborar com a democratização do acesso à arte e aos equipamentos culturais e promover a formação de novos públicos. “Para isso, o projeto propõe ações de sensibilização na escola antes e depois do espetáculo, por meio de oficinas facilitadas pela equipe de mediadores da Mediato”, ressalta.

O espetáculo é montado pelo Celeiro das Antas, grupo teatral brasiliense com 30 anos de existência, e serão realizadas oito sessões gratuitas e abertas ao público estudantil, durante os meses de junho (3, 8 e 24) e julho (6), sempre às 9h30 e às 15h. Após as sessões, os artistas cênicos realizarão bate-papo com os(as) estudantes e professores(as) espectadores(as). 

 

Sinopse do Espetáculo

Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, é uma comédia fantástica que aborda o amor por meio de quatro histórias que se desenrolam em uma noite de verão, quando equívocos e desencontros geram situações cômicas. É encenada por quatro atores com formação na arte da comicidade e no teatro físico. A montagem é do grupo de teatro Celeiro das Antas, que tem 30 anos de trajetória. Nesta montagem, o corpo dos atores é o material básico para a construção de todas as situações, inclusive a trilha original composta para o espetáculo.

 

SERVIÇO

Mediato – Diálogo com Espectadores

Inscrições abertas para escolas públicas do Gama e de Santa Maria

Período de inscrição para escolas: de 4 a 20 de maio

Onde se inscrever: https://bityli.com/yDaygD

Site: www.mediato.art.br

Contato: contato.mediato.art@gmail.com

Redes sociais: www.instagram.com/mediato.art – @mediato.art  

Assessoria de imprensa: 61 98575-8500.

Em tempos de mordaça na educação

Os ataques que diversos governantes e parlamentares têm desferido contra a educação e as/os profissionais do magistério são emblemáticos deste momento histórico em que vivemos, que mistura negacionismo com intolerância resultando na criminalização do apreço ao conhecimento. A valorização da ignorância tem alimentado ações de violências e normalizado preconceitos. É neste contexto que a educação vem sendo desmontada com redução sistemática de recursos, desvalorização profissional e exclusão educacional a partir da imposição uniformizante e opressiva das escolas militarizadas e tentativas de amordaçamento dos/as profissionais do magistério.

Recentemente, no Distrito Federal, um jovem professor da rede pública de ensino, foi intimidado judicialmente por ter utilizado, em sala de aula, como material pedagógico, uma cartilha que problematizava o modelo de tributação brasileiro. Injustificavelmente, foi produzido e compartilhado um vídeo, nas redes sociais, “denunciando” o material como algo de cunho eleitoral, distorcendo o conteúdo da cartilha. O objetivo foi claro: amordaçar o profissional e impedir o debate sobre as causas da profunda concentração de renda que marca a sociedade brasileira. Além disso, demonstrou o uso do Poder Judiciário para perseguir e punir quem quer que seja que questione o abuso e aponte os motivos da pobreza generalizada.

A tentativa de amordaçamento de profissionais do magistério, vem se intensificando ao longo dos últimos anos, notadamente após o golpe de Estado de 2016 e do aprofundamento desse golpe com a eleição manipulada que elegeu o protofascista e autocrata Jair Bolsonaro. A propositura de leis em várias Casas Legislativas com a finalidade de impedir a livre reflexão e a produção dialética do conhecimento tem marcado a atuação de vários/as parlamentares representantes de segmentos extremistas conservadores, muitos dos quais também foram eleitos em 2018 numa eleição em que os direitos políticos do maior candidato à Presidência da República haviam sido cassados pela farsa da Operação Lava Jato.

A prova de que essa operação foi utilizada para fraudar a eleição de 2018 e impor um regime autoritário para privatizar o Estado brasileiro é resolução, publicada no dia 28 de abril, do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo a qual o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato foram parciais nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou 580 dias na prisão por sua condenação. No documento, a ONU foi clara: “a investigação e o processo penal contra o ex-presidente Lula da Silva violaram seu direito a ser julgado por um tribunal imparcial, seu direito à privacidade e seus direitos políticos”, concluiu o órgão internacional.

No Distrito Federal, propostas como “escola sem partido”, retorno da disciplina “educação moral e cívica” ao currículo escolar – uma disciplina imposta pela ditadura militar, entre os anos 1964 e 1985, às escolas públicas cujo objetivo era a doutrinação, ou seja, o adestramento de crianças e adolescentes para não pensarem criticamente; a adoção do homeschooling e outras, são exemplos de propostas de determinados parlamentares que atuam no Congresso Nacional e em Casas Legislativas municipais e estaduais para impedir que a educação pública brasileira seja um instrumento para o exercício do livre pensar e a escola um espaço de convivência e exercício do respeito à diversidade humana.

Contudo, a intenção de amordaçamento e os projetos de esvaziamento do papel da escola têm encontrado a resistência corajosa de profissionais do magistério, o que, tem impedido a completa destruição do processo educacional pelos segmentos conservadores abastados e extremistas que compõem a sociedade brasileira. Nessa perspectiva de luta é cada vez maior a necessária construção de identificação dos profissionais do magistério como classe trabalhadora. Somente a unidade de classe possibilitará uma correlação de forças vigorosa para fazer frente aos ataques contra as tentativas de obstar o pensamento crítico e a educação como um instrumento de transformação social.

A consciência de classe é condição essencial para compreender o momento atual em que discursos e comportamentos individuais e coletivos, antes considerados e vistos como uma vergonha a ser eliminada, são hoje naturalizados. Racismo, machismo, misoginia, homofobia, classismo, capacitismo, xenofobia, desvio de dinheiro público, uso das instâncias de poder como balcão de negócio, etc. são exemplos crimes que estão sendo naturalizados. É por isso que a educação não pode ser crítica, o exercício do magistério não pode ser freireano e a escola não pode ser inclusiva. A liberdade de cátedra, nesse cenário, passou a ser criminalizada, a partir de discursos maniqueístas e conservadores extremistas e fascistas, que, intencionalmente descrevem a liberdade de cátedra como doutrinação. Conceitos que não guardam absolutamente nenhuma relação entre si.

A difícil conjuntura é desafiadora da capacidade de resistência e reação da classe trabalhadora. Nesse sentido, a categoria do magistério tem um papel protagonista, uma vez que o espaço escolar é local privilegiado para produção de consciência crítica a partir das percepções sobre os fatores sutis que formam a intrincada teia das relações sociais, econômicas e humanas. Os ataques desferidos contra a classe trabalhadora se intensificam a cada dia. É preciso coragem, teimosia, resiliência para impedir os retrocessos colocados em curso, de forma autoritária, pelos governos federal e distrital para extinguir direitos conquistados, para impor o pensamento único, para naturalizar a violência em suas várias formas para se apropriarem do dinheiro e patrimônio públicos e das riquezas minerais e biológicas do Brasil.

Assim, a violência imposta a um trabalhador ou a uma trabalhadora deve ser percebida como uma ação contra o conjunto da classe trabalhadora. É preciso atenção, solidariedade de classe e disposição para organizar a luta coletiva como forma de proteção a cada trabalhador e trabalhadora contra o avanço dos setores conservadores protofascistas, usurpadores das riquezas públicas do País e extremistas de ocasião para ganhar dinheiro e poder, que querem impor um projeto anticivilizatório e antidemocrático à sociedade brasileira.

Finalmente, diante dos ataques fundamentalistas e terroristas, é inevitável o aprofundamento da luta de classes, sobretudo neste ano em que a luta política se dá, principalmente, no campo eleitoral, ou seja, ano em que será escolhido o projeto de sociedade a ser implantado no País e no Distrito Federal. Escolha que, utilizando uma linguagem futebolística, definirá o campo em que se dará o embate entre as classes sociais que compõem a sociedade brasileira. Dependendo da escolha nas urnas, a luta se dará nos marcos do respeito à democracia ou da negação dos direitos democráticos e civilizatórios. Por isso, nesta quadra histórica, a defesa de uma educação crítica e emancipatória é uma ação de resistência democrática de potencial civilizatório que precisa ser assimilada pelo conjunto dos/as profissionais do magistério e encampada pelas diversas categorias que compõem a classe trabalhadora.

Em tempos de valorização de mordaças é preciso resistir coletivamente. Tentativas de silenciamento e de intimidação continuarão e poderão se intensificar, mas, podem ser desconstruídas e derrotadas pelas ações coletivas e conscientemente coordenadas. A luta continua!

 

Cleber Soares, professor da rede pública de ensino do Distrito Federal, diretor do Sinpro-DF e militante do movimento docente e das lutas humanitárias.

CED 06 de Ceilândia recebe o Espetáculo ‘Príncipe’

A peça “Príncipe”, inspirada em Hamlet, de Shakespeare, será apresentada nesta quarta-feira, 11 de maio, no CED 06 de Ceilândia. O evento é uma produção da Associação Sociocultural Cidade Livre, e acontece durante a IV Mostra de Teatro Comunitário Cidade Livre – 2ª Edição Internacional.

A encenação ocorre em celebração aos 18 anos de fundação da Associação, que tem sede em Aparecida de Goiânia (GO), e é apresentada pelo grupo boliviano El Mastigadero Cia de Teatro.

 

Shakespeare e a masculinidade tóxica

O espetáculo Príncipe convida o espectador a refletir sobre a masculinidade tóxica e o papel do homem na sociedade. Inspirado na obra imortal Hamlet, do escritor inglês William Shakespeare, o drama aborda a questão das “novas masculinidades”.

Na história, o personagem principal está em constante conflito entre assumir ou não um trono que supostamente lhe corresponde, devido à morte de seu pai. A partir desse cenário, ele questiona o comportamento de seu falecido genitor – um homem que gozava de muito poder e normalizava situações violentas e atrozes.

O diretor do CED 06, Jefferson Lobato, convidou o grupo a se apresentar na escola, e está muito orgulhoso de anunciar que o CED 06 “realiza o primeiro espetáculo internacional”.  O espetáculo é o “primeiro internacional” porque Jefferson leva pelo menos um espetáculo por ano à escola, “tudo inserido dentro de nossa proposta pedagógica”, explica.

Alma brasileira: música e percussão nas escolas do DF

A edição 2022 do projeto Alma Brasileira chegou a vários estudantes de 12 a 16 anos da rede pública do DF. Foram eventos com oficinas, concertos e palestras realizados em escolas do Plano Piloto, Samambaia, Ceilândia, Paranoá e Taguatinga, onde chegou ao CEM 03.

O Evento é organizado desde 2005 pelo coletivo de músicos Educação Pela Arte, composto por Nelson Latif (o idealizador do projeto), Marcelo Lima, Ismael Rattis e Sandro Alves. Já passou por mais de 30 países, como Egito, Síria e Bélgica. Em Brasília, a primeira edição ocorreu em 2018.

“Trabalhamos a música numa perspectiva integral. Relacionamos ao nosso corpo, com percussão corporal, por exemplo, e depois partimos para os instrumentos”, explica Rattis. A ideia do projeto é levar a história da cultura brasileira aos estudantes, e colocar os estudantes em contato com artistas, para que tenham uma formação musical bem diversa – e, quem sabe, ver aflorada a vocação musical. As oficinas de percussão levaram este ano às escolas ritmos tão díspares como samba, choro, funk, maculelê e frevo.

A Escola Parque Anísio Teixeira, na Ceilândia, recebeu a visita dos músicos no dia 13 de abril. A professora da oficina de teclado da escola, Sueny Schetino Takaki, disse que a atividade é um complemento do ensino regular. “É uma vivência que, só com as aulas, dentro de uma sala, a gente não consegue passar. É muito importante o nosso aluno ter contato com profissionais que vivem da música. Quando trazemos para a escola uma manifestação artística, um show ou uma oficina, percebemos um despertar do aluno para as artes”.

Essa oportunidade de assistir a um espetáculo de arte pela primeira vez é recorrente entre os alunos da rede pública. Na opinião dos músicos envolvidos, isso estimula a sensibilização do grupo. “A música é essencial no processo educativo cultural, e a experiência é bem impactante para os alunos”, avalia Nelson Latif.

Para o músico Marcelo Lima, o projeto faz uma retrospectiva histórica e cronológica da MPB, chegando ao contexto atual. Ele explica que, quando os alunos atravessam essa trajetória musical, passam a conhecer o universo da música e a sua própria identidade cultural.  “É um trabalho de manutenção e resgate das nossas raízes culturais, de forma a integrar as novas gerações às diferentes épocas e estilos da nossa música”.

Latif completa: “Conhecer quem nós somos é muito importante. O que o Brasil tem de mais especial é nossa miscigenação, e ela se reflete em vários aspectos de nossa sociedade, principalmente o musical”.

EC Córrego do Arrozal inaugura Biblioteca Flor do Cerrado

O que era um sonho agora é uma grata realidade. Após mais de cinco anos desativada, a Escola Classe Córrego do Arrozal (escolacorregodoarrozal), em Sobradinho, inaugura a Biblioteca Flor do Cerrado nessa quarta-feira (11). O espaço sempre foi uma reivindicação da direção e dos(as) professores(as) da unidade escolar e agora poderá oferecer aos(às) alunos(as) o acesso ao fantástico mundo da literatura.

Segundo a diretora Anete Cardoso (@anettellla), a escola tinha uma sala escura e alguns livros, mas precisava de um local adequado para que os(as) estudantes pudessem ler, conhecer e se apaixonar pela literatura. “Atendemos crianças de nove assentamentos e que passam por várias privações. Agora, com esta biblioteca, eles estão felizes e curiosos para conhecer autores e as histórias dos livros”, comenta a educadora.

Para que a festa seja completa, a inauguração contará com declamação de poema pelos(as) alunos(as); apresentação da cantora Juliana; lanche especial para as crianças; contação de histórias por Jeane Rodrigues; além da participação da escritora Débora Bianca. “O projeto da biblioteca é estreitar os laços entre os escritores e as crianças, para que futuramente estes alunos possam se tornar escritores também. Este é o nosso sonho”, finaliza Anete Cardoso, complementando que a reforma e a inauguração só foram possíveis porque a coordenação regional de ensino participou ativamente.

 

Dias de Chuva oferece uma possibilidade para reflexão em narrativa atual e necessária

As dúvidas e os questionamentos de uma adolescente foram a base do novo livro da professora aposentada Cleides Batista. Dias de Chuva, contada pela jovem Stella, com seus vinte anos, não tem em si a pretensão de destrinchar e rasgar a alma dos personagens. Ela simplesmente conversa com o leitor, contando momentos bons e ruins da vivência com sua família e seus amigos próximos. Ao ler a obra, talvez surgisse a necessidade de esclarecer ou detalhar alguns pontos de interrogação, mas é justamente nos questionamentos que a autora traz o ponto forte da obra: cutucar, despertar e instigar. 

O relato de uma adolescente, que perpassa por conflitos existenciais, preocupações com a AIDS, preconceitos, suicídio e sentimentos de culpa, questões corriqueiras para sua idade, oferecem uma possibilidade de reflexão para o leitor. É justamente esta proposta que motivou a educadora a escrever a obra, que apesar de poucas páginas, apresenta várias perspectivas e possibilidades para reflexão e aprofundamento. 

Segundo Cleides Batista, o livro desperta o interesse para debate sobre vários pontos, como do surgimento da AIDS; os tabus que envolvem o suicídio; os conflitos dos jovens e adolescentes em suas relações familiares, dentre outros. “O livro Dias de Chuva é um Romance Literário. Na verdade, escrevi esse livro há muitos anos atrás e na época não tive condições e publicá-lo, acabou ficando esquecido na gaveta. Então, durante a pandemia, me veio novamente a ideia de realizar o sonho de publicar, e graças a Deus deu certo. É, de fato, uma leitura indicada para jovens e adultos, pais, professores, enfim, para todos que sentem a necessidade de debater pontos importantes”, ressalta a professora.   

Os(as) interessados(as) podem adquirir o livro pelos links https://www.amazon.com.br/dp/B08X452DW6 e https://loja.uiclap.com/titulo/ua3254/.

Militarização de escolas públicas: a forma mal-intencionada de privatizar a educação

(*) Por Júlio Barros

 

Ainda na campanha eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro avisou à população brasileira que seu governo seria dedicado ao desmonte de todos os setores organizados pelo Estado nacional que caracterizam o Brasil como uma nação independente e autônoma. No seu “Programa de Governo”, apresentado antes de ser eleito, ele apresentou o projeto de como transformaria um País soberano e em desenvolvimento em neocolônia de países imperialistas, do sistema financeiro, de rentistas e de empresas multinacionais.

 

No documento de 2018, reeditado este ano para a eleição 2022, ele mostrou, como faria com a Educação e a Saúde e declarou que aprofundaria a Emenda Constitucional 95/2016, que realizou cortes desnecessários e nefastos na economia nacional. Dentre os projetos de demolição da Educação pública, Bolsonaro pôs em curso o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), que nada mais é do que o desvio de finalidade das polícias, a implantação de uma educação vazia, anticidadã, autoritária e privatista. Uma espécie de primeiro ensaio para a mercantilização total do imenso Sistema Público de Educação, construído com dinheiro público durante mais de 100 anos e a transformação do ensino em educação mecânica e bancária.

 

Por isso, desde janeiro de 2019, ocorrem abusos de poder e outras ações persecutórias que infringem e descaracterizam a Lei de Gestão Democrática nas escolas e uma perseguição autoritária de professoras e professores que oferecem educação de qualidade. É nesse contexto que ocorre a exoneração, no dia 3 de maio deste ano, da professora Luciana Martins, vice-diretora do Centro Educacional 01 da Cidade Estrutural (CED 01 Estrutural), uma escola militarizada.

 

A professora exonerada tinha um histórico de perseguição policial desde que defendeu a autonomia da escola de abordar o Dia da Consciência Negra em novembro de 2021. A iniciativa incomodou a tropa quando estudantes usaram os murais para denunciarem as ações racistas da corporação País afora, todas estatisticamente comprovadas. Em nota acerca dessa exoneração, o Sinpro foi assertivo ao afirmar que esse é mais uma prova da falência do modelo de militarização escolar.

 

O fato é que desde os primeiros anúncios desse projeto, o Sinpro se posicionou fortemente contrário e passou a denunciar o PECIM, que o governo federal pôs em curso de forma açodada e sorrateira. É o tipo de projeto que deve ser anulado, extinto e seus operadores presos por crime de lesa-pátria porque, dentre várias transgressões graves, desrespeita as férias da comunidade escolar na maior parte do País. Para além desses motivos acima mencionados, os quais, por si só, já são suficientes para a anulação desse projeto e a responsabilização dos culpados, somos contra ele por muitos motivos.

 

Primeiro, pelo fato de haver uma total incompatibilidade do PECIM com a nossa Lei de Gestão Democrática, com a Constituição Federal, com o Plano Nacional de Educação (PNE), com o Plano Distrital de Educação (PDE), enfim, com todas as leis que sustentam o consolidado e imenso Sistema Público de Educação Brasileiro, construído democraticamente por mais de 100 anos e referência mundial em ensino público e gratuito. Militarizar as escolas significa infringir todas as leis, ir contra os princípios constitucionais de uma escola pública, gratuita, democrática, laica, inclusiva, com igualdade de condições de acesso, permanência e sucesso, pautada no pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. A militarização fortalece a política do terror e à instalação do medo para o cumprimento e a aceitação de regras em detrimento do processo educativo.

 

Em segundo lugar, não existe, até hoje, uma lei para regulamentar a Portaria Conjunta 01/2019 da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF) com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-DF). Em terceiro lugar, dentre os objetivos da militarização, destacamos a censura à liberdade de cátedra, uma conquista histórica da população brasileira e uma característica inerente à educação paga com dinheiro público. Os(as) professores(as) que lecionam em escolas militarizadas afirmam que o ambiente é hostil, que são coagidos diariamente e que há intervenção e ingerência da Polícia Militar (PM) em toda a organização, gestão e prática pedagógicas.

 

Em quarto lugar, somos contra o PECIM porque depois dele cresceu, assustadoramente, as denúncias de assédio moral e sexual nas escolas. Em quinto, os(as) profissionais da PM e da SSP não têm formação nem perfil e muito menos preparo pedagógico para atuarem com os(as) estudantes. São policiais doentes, afastados do serviço da PM e até mesmo aposentados por diversas doenças psicológicas graves e problemas mentais muito sérios, como, por exemplo, estresse, depressão, ansiedade, descontrole emocional.

 

Enfim, que fique claro que nós, do Sinpro, não somos contrários à PM, mas é preciso haver discernimento, maturidade e responsabilidade para entender que o lugar da PM é dentro das competências para as quais ela foi criada, é nas ruas combatendo a violência que está na sociedade, nos portões e nos arredores das escolas em parceria com ao Batalhão Escolar. Ainda mais quando existe um déficit de cerca de sete mil policiais no efetivo do DF. Os(as) policiais doentes devem ser aposentados(as) e encaminhados para outras soluções. Afinal, reconhecemos que a ação policial realmente adoece qualquer pessoa. Contudo, a escola pública, que está formando crianças e adolescentes para a vida, não é uma clínica que esses profissionais da segurança prejudicados pelo exercício da profissão irão fazer terapia ocupacional.

 

Observamos que a educação pública do nosso País se tornou objeto de desejos estranhos ao mundo da educação e consideramos essa captura da gestão pelas corporações militares de esdrúxula e, muitas vezes, até mesmo, mal-intencionadas. Afinal, já vimos esse filme antes, que segue um roteiro midiático (da imprensa neoliberal), focado na espetacularização e dramatização de casos de violência para criar comoção, envolver a comunidade e privatizar o direito à escola pública. Diga-se de passagem que são argumentos sedutores, mas todos falsificados.

 

Enfim, no entendimento do Sinpro, educação se faz com investimentos financeiros públicos, por isso defendemos a valorização dos(as) professores(as), dos(as) orientadores(as) educacionais, do Batalhão Escolar, da geração de emprego e renda para as famílias que utilizam a escola pública, e, fundamentalmente, do cumprimento das metas do Plano Distrital de Educação (PDE). Vale ressaltar que, apesar de todas essas e outras adversidades não mencionadas aqui, o Distrito Federal se destaca no País e no mundo pela qualidade da educação que oferta na escola pública.

 

Para ver isso, basta, por exemplo, observar como estamos em relação ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Temos muito o que avançar, melhorar e desenvolver na educação e na sociedade para controlarmos a violência social, mas, sem dúvida nenhuma, essa mudança não passa pela militarização das escolas públicas. Esse projeto autoritário, errado e manipulado chamado de “gestão compartilhada” é a forma autoritária de governo federal e distrital privatizarem a Educação.

 

 

(*) Por Júlio Barros, professor da SEE-DF, diretor do Sinpro-DF, coordenador do Fórum Distrital de Educação (FDE) e mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB).

Evento na Ponte Alta, no Gama, propõe reflexões e ações contra o racismo

O crime de injúria racial praticado contra Matheus Antunes, de 26 anos, repercutiu em todo o DF. O fato aconteceu no domingo, 24 de abril, quando um vídeo em que algumas jovens proferiam ofensas racistas contra Matheus circulou numa rede social.

O vídeo foi gravado no Arena Caffé, que fica na Ponte Alta, no Gama, onde Matheus estava assistindo a jogos de futevôlei. O proprietário do espaço, Émerson Caffé, ofereceu-o para receber um evento de denúncia do racismo, prooposto e realizado pelo professor Renato Moisés, que dá aula de futevôlei no local.

Portanto, neste sábado, 07 de maio, a partir de 8h30, acontece no Arena Caffé o evento Todos Contra o Racismo. Haverá um torneio beneficiente de futevôlei, promovido pelo professor Renato com seus alunos, e diversas palestras e debates sobre temas relacionados ao combate ao racismo. Também haverá apresentação musical de Gui e Negogusta às 11h30. Veja programação completa abaixo.

Segundo a professora aposentada Múria Antunes, apoiadora da iniciativa e mãe de Matheus, o objetivo da atividade é reunir a comunidade para refletir sobre o racismo. “Precisamos educar a sociedade, conversar sobre o assunto”, considera ela. “Quanto mais gente pensando e agindo contra o racismo, mais rápido alcançaremos avanços”, diz.

Na última quarta-feira, 04 de maio, o TV Sinpro abordou o tema, com a presença de Múria e Matheus, além da diretora do Sinpro Márcia Gilda e do advogado Elias Soares. Saiba mais clicando AQUI.

A participação no evento é gratuita, e na ocasião, também estarão sendo arrecadadas cestas básicas para doação a comunidades carentes.

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