CEM02 da Ceilândia celebra os aprovados na UnB

Chegou aquela época do ano em que sai o resultado do vestibular da UnB e a diretoria colegiada do Sinpro comemora junto com os diretores das escolas de ensino médio da rede do Distrito Federal.

Aluno e adulto são duas palavras que, lá no latim, tiveram origens no mesmo verbo.

No Latim, o verbo alēre significa crescer, nutrir, alimentar. Do particípio passado desse verbo (altus), originou-se a palavra alto; aquele que percorreu um caminho e chegou ao estado de nutrido / alimentado, é um ad altus, ou adulto; quem está no meio do processo de nutrição pode ser um adult escere ou um alumnus (palavras que chegaram ao português como adolescente e aluno).

Então, chegou o momento em que quem era aluno virou adulto. É o momento em que a educação pública, laica, de qualidade, e socialmente referendada, mostra o seu valor. É quando a dedicação dos e das professores (as) e orientadores (as) educacionais se concretiza em alunos (as) felizes por iniciarem uma nova etapa em suas vidas. É quando os estudantes de escolas públicas tornam-se discentes de universidades públicas líderes em ensino, pesquisa e extensão. É uma nova fase da cidadania.

A diretora do Sinpro Eliceuda França vibra com a aprovação da moçada na UnB: “Quando nossos jovens entram na universidade pública, principalmente, oriundos das escolas públicas é uma grande vitória e uma enorme alegria. São resultados como esses que provam o quão importante é ter políticas voltadas para a inclusão de jovens da periferia nas universidades públicas. Cada uma dessas aprovações é resultado de muita dedicação de cada educadora e educador que enfrenta o desmonte da educação pública, com garra e resistência. Essas são grandes conquistas, mas a nossa luta por uma educação pública, acessível e de qualidade para todos, todas e todes, continua.”

A diretoria do Sinpro parabeniza os e as estudantes aprovados(as). Vivam intensamente essa nova fase de suas vidas! Voem, voem muito! E, pros que ainda não chegaram lá, não esmoreçam: a sua luta vai ficar ainda mais especial!

Esta reportagem está aberta a atualizações. Se você é diretor(a) de escola de ensino médio e seus estudantes foram aprovados nas universidades, envie um e-mail para imprensa@sinprodf.org.br

Vamos ver a lista dos alunos-adultos do CEM 02 de Ceilândia, que foram aprovados no PAS da UnB:

Amanda Souza Santos – História – UnB

Ana Luiza Silva – Línguas Estrangeiras Aplicadas ao Multilinguismo – UnB

Ariel Pedro Mariz  IESB – Análise e Desenvolvimento de Sistemas (EAD)

Arthur Borges – Química – UnB

Breno Oliveira da Silva – Relações Internacionais – IESB

Bruna Sarah – Ciências Políticas – UnB

Cecília da Silva Borges – Artes Plásticas – UnB

Cláudio Eduardo O. Dias de Souza – Biotecnologia – UnB

Dannyelly Borges G. Gomes – Saúde Coletiva – UnB

Gabriel Henrique Rodrigues de Lima – Engenharia de software – UnB

Gleyson Cristiano de A. Júnior – Farmácia – UnB

Guilherme Monteiro de Almeida –Gestão de Políticas Públicas – UnB

Gustavo Medeiros Januário – Gastronomia – IFB

Jéssica Eveline Saraiva Araújo – Letras / Engenharia – UnB

João Victor Benjamin Luz Ciências Políticas – UnB

Júlio César dos S. Queiroz – Educação Física

Karine Bernardo Morais – Fonoaudiologia – UnB

Lívia Michaelle de Lima Alves – Nutrição – UnB

Maria Eduarda Alves – Psicologia – UnB

Milena da Silva Teixeira – Fonoaudiologia – UnB

Milena Teixeira Lima – História – UnB

Nicole Emille R. Nascimento – Farmácia UnB

Yasmim Almeida Soares – 3D – Pedagogia – UnB

Conape distrital na TV Sinpro já disponível no youtube

Já está disponível no canal do Sinpro-DF no youtube a mais recente edição da TV Sinpro, que foi ao ar na última quarta-feira (6/4). O tema do programa foi a segunda Conferência Distrital Popular de Educação Melquisedek Garcia (2ª Conape Distrital Melquisedek Garcia), a ser realizada no dia 29 de abril de 2022 (sexta-feira). O programa contou com a participação dos diretores do Sinpro Berenice Darc e Júlio Barros, que também atuam no Fórum Distrital de Educação (FDE). Também participou a professora Natália Duarte, do FDE.

A professora Natália lembrou que “o objetivo [da Conape] é mobilizar todos os setores e segmentos da educação nacional dedicados à defesa do estado democrático de direito, da Constituição Federal de 1988, do Plano Nacional de Educação e de um projeto de estado que garanta a educação pública com a mais ampla abrangência de gestão pública gratuita, inclusiva, laica, democrática e de qualidade social para todas, todos e todes, para consolidar uma plataforma comum de lutas pela educação do país.” Tudo isso a partir do protagonismo dos e das profissionais de educação.

Berenice D’arc e Júlio Barros aproveitaram o caráter cidadão da Conape e lembraram da importância de elegermos, nas próximas eleições, candidatos que tenham compromisso com a educação de qualidade e com os professores e a classe trabalhadora, para que evitemos, desta forma, o desmonte da educação tanto em nível nacional como em nível distrital.

A 2ª Conape Distrital irá eleger delegados(as) que representarão o DF na II Conferência Nacional Popular de Educação (II CONAPE – Etapa Nacional). A II Conape será realizada entre 15 e 17/7/2022, em Natal, Rio Grande do Norte. Para participar da 2ª Conape Distrital, a comunidade escolar pode se inscrever pelo link do Formulário de Inscrição.

 

 

Comissão eleitoral foi eleita em assembleia no último sábado, 9

Na manhã do último sábado, 9 de abril, professores(as) e orientadores(as) educacionais do DF se reuniram em assembleia para eleição da comissão eleitoral que conduzirá o processo de eleição para a diretoria do Sinpro no triênio 2022-2025. O edital de convocação das eleições foi publicado no dia 22 de fevereiro de 2022.

Foram eleitos para compor a comissão eleitoral os seguintes educadores e educadoras: Rodrigo Rodrigues (205 votos), Elaine Amancio (203 votos), Magno Rocha (205 votos), Esthel Freitas (201 votos) e Tião Honório (205 votos). Também se apresentou como candidata a professora Larissa Brandão, que teve 20 votos. Foi computado 1 voto nulo, e nenhum em branco. Ao todo, 222 pessoas se credenciaram para participar da assembleia.

A partir desta segunda-feira, 11, a comissão eleitoral manterá uma secretaria na sede do Sinpro no SIG, que funcionará diariamente de 9h a 17h. As inscrições de chapas para participarem do pleito acontecem de 19 a 25 de abril. As eleições estão marcadas para 25 e 26 de maio.

Brasília recebe projeto literário Diálogos Contemporâneos

De 18 de abril a 16 de maio o Espaço Cultural do Shopping Liberty Mall recebe o projeto literário Diálogos Contemporâneos. Em sua terceira edição na Capital Federal, o ciclo de conferências chega para, mais uma vez, contribuir na reflexão e busca de novas perspectivas para o Brasil a partir dos saberes e obras literárias de grandes escritores(as) do país.

A entrada é gratuita e devido à pandemia da Covid-019 está sujeita à lotação no local (300 lugares). Os(as) interessados podem obter mais informações acessadas aqui: https://aacic.com.br/dialogoscontemporaneos/2022/brasilia. Diálogos Contemporâneos é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC) e da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo (Secult/Mtur), e conta com o apoio do Shopping Liberty Mall.

 

Confira a programação:

📆 18 de abril – 19h

🙂 Ailton Krenak

✅ Tema: “A cultura do descarte: sociedade de consumo, meio ambiente e o futuro da humanidade”

 

📆 19 de abril – 19h

🙂 Sérgio Vaz

✅ Tema: “Literatura e realidade”

 

📆 26 de abril – 19h

🙂 Fernando Morais

✅ Tema: “Guerras culturais – corações e mentes, negacionismo e pós-verdade”

 

📆 2 de maio – 19h

🙂 Preta Ferreira

✅ Tema: “Desigualdades étnico-raciais, memória e apagamentos de negras e negros na história”

 

📆 3 de maio – 19h

🙂 Fabrício Carpinejar

✅ Tema: “O envelhecimento e o espaço social dos que não são mais jovens”

 

📆 9 de maio – 19h

🙂 Mary Del Priori

✅ Tema: “Opressão, sofrimento e depressão na construção histórica do Brasil”

 

📆 10 de maio – 19h

🙂 Tony Bellotto

✅ Tema: “Segurança e violência policial na literatura brasileira”

 

📆 16 de maio – 19h

🙂 Viviane Mosé

✅ Tema: “O alvo da vida não é ser feliz, é aprender a viver”

Professora quer transformar projeto do CILG para migrantes internacionais em política pública

Professora Fabíola Ribeiro e estudantes migrantes internacionais no CILG

 

A rede pública de ensino do Distrito Federal tem um histórico de experiências pedagógicas e de produção de conhecimento novo que já colocou, várias vezes, a educação pública da capital do País na vitrine, como modelo para o Brasil e o mundo. Essa produção enfrenta desafios colossais, muitas vezes, colocados, propositadamente, por governos privatistas que, volta e meia, ocupam o Palácio do Buriti com políticas mercantilistas de desgaste e falta de investimento de dinheiro público, sucateamento intensivo e ações planejadas para aprofundar, todo dia, o desmonte da educação pública.

 

A resposta da categoria a esse tipo de ataque sempre foi o fortalecimento do ensino público com pesquisa, inovação e produção de novos conhecimentos, geralmente, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Esse é o caso da equipe de profissionais do Centro Interescolar de Línguas do Guará (CILG). Desde 2020, professores(as) e gestores(as) realizam uma ação pedagógica inovadora a partir da experiência cotidiana e teorizações que remetem aos ensinamentos paulo-freirianos. Mais do que um projeto restrito a uma escola, essa ação, que ocorre há mais de 2 anos, apresenta-se como uma inovação e uma política pública do Estado.

 

Trata-se do projeto “Bem-Vindos ao Distrito Federal – Português Língua de Acolhimento e Desenvolvimento Humano”, um curso de língua portuguesa para migrantes internacionais, muitos em situação de refúgio. O projeto, que extrapola o magistério do idioma pátrio, oferece um suporte a mais que serve para outras áreas da vida do migrante. É um acolhimento especial que, por meio do idioma, garante bem-estar e segurança, que só quem já viveu em países estrangeiros sem pronunciar nenhuma palavra do idioma pátrio sabe como é. Dominar a língua portuguesa e ser acolhido(a) de forma humanizada pela escola pública do país é quase tudo do que necessita uma pessoa trazida pelas circunstâncias ou que escolheu o Brasil como local de moradia.

 

Professora Fabíola com estudantes migrantes estrangeiros

 

O projeto foi criado e elaborado por Fabíola Ribeiro professora; Patrícia Melo, assessora da Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Guará; Lucélia Abreu, coordenadora da Unidade Regional de Educação Básica (Unieb); e Adriana Lopes, ex-diretora do CILG, que, hoje, está aposentada. Atualmente, o projeto foi acolhido no CILG pela atual diretora, Taiana Santana, e sua vice, Priscila Mesquita. Num primeiro momento, ele foi realizado por meio de uma parceria com o projeto de extensão intitulado ProAcolher da UnB.

 

“Após mudanças pedagógicas no projeto, ele continua como projeto de extensão, mas, agora, está vinculado ao Instituto de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, sendo coordenado pelo professor e doutor Danilo Prata e por mim, que também sou professora e doutora pela UnB. Na nova versão, conta com linguistas, como a mestre Saori Nishihata e a doutora Silviane Barbato, bem como com outros pesquisadores em linguística e psicologia”, explica a professora Fabíola Ribeiro.

 

Ela informa que o projeto é on-line e conta com a inovação do Atendimento Linguístico Individualizado (ALI). “É presencial e voltado, especialmente, para estudantes de língua árabe. A importância de estar vinculado à UnB é que ter um curso de português, de 60 horas, vinculado à uma universidade, é um dos requisitos para a naturalização dos migrantes internacionais segundo as exigências da Polícia Federal”.

 

Apresentado à Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), em 2019, foi aprovado e começou a funcionar no início de 2020. De lá para cá, mais de 680 migrantes pediram para ingressar no projeto, mas, em razão da limitação da escola, atenderam à metade da demanda. Com isso, mais de 300 estudantes migrantes internacionais tiveram o privilégio de participar da experiência piloto. Dentre as nacionalidades atendidas, destaque para paquistaneses, haitianos, ruandenses, guineenses, bangladeses, venezuelanos, colombianos, peruanos, ganeses, marroquinos, italianos, ingleses, nigerianos, mexicanos, togoleses, egípcios, senegaleses, benineses.

 

Política pública para que o projeto continue

 

 

Fabíola Ribeiro, professora que executa o projeto, afirma que a equipe está na luta para que o projeto continue, para que deixe de ser uma ação do CILG e passe a ser um programa de Estado, da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), e não acabe após as eleições de 2022.

 

“O projeto é tão bom e, comprovadamente, bem-sucedido que a equipe da CRE Guará, em especial a assessoria e a Unieb, tem apoiado, assim como as gestoras do CILG.  É visível a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes e, por isso, o apoio. Tudo que precisamos nossas gestoras providenciam para que o projeto funcione. Temos material pedagógico e sala de aula com variados recursos, tanto para as aulas on-line como para os encontros presenciais. E tudo deu certo. Nosso projeto tem potencial para ser transformado em política pública.  O que falta agora é que essas pessoas que têm participado ativamente dele sejam ouvidas porque estamos executando essa política pública aqui, na prática”, reivindica Fabíola.

 

Equipe de gestores do CILG e da CRE. Da esquerda para a direita: Leandro Cardoso, Patrícia Melo, Priscila Mesquita e Tatiana Santana

 

O Sinpro-DF destaca a importância das políticas públicas criadas a partir da experiência pedagógica realizada na rede pública de ensino. No caso do projeto CILG, o acolhimento por meio do aprendizado da língua portuguesa ajuda não só na aprendizagem da língua e na naturalização dos(as) migrantes internacionais que pleiteiam a permanência no País, mas em outros aspectos da vida.

3º Encontro do Coletivo Nacional LGBTQIA+

A Secretaria Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT, em parceria com o Solidarity Center AFLCIO, realizou, nos dias 01, 02 e 03 de abril, o 3º Encontro do Coletivo Nacional LGBTQIA+ em formato presencial, na cidade de São Paulo. O objetivo do encontro foi o de socializar e difundir o acúmulo da CUT na pauta LGBTQIA+, contribuindo na formação de lideranças sindicais cutistas com o tema e na organização, mobilização e luta de trabalhadores(as), militantes e dirigentes sindicais cutistas nos estados.

Foram três dias de muita análise, trabalhos organizativos, participação de lideranças sindicais de vários locais do Brasil e de outros países (Chile e Argentina). Estiveram presentes o coordenador do coletivo, João Macedo, e a diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, Ana Cristina. “Nossa luta é por melhores condições de vida e de trabalho para as trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+, com engajamento e luta”, ressalta Ana Cristina.

Violência nas escolas – O que eles não disseram

“Violência nas escolas se resolve com meditação, treinamento, cartilha e segurança armada”, eles disseram. O que não disseram é que a violência não começa na escola e nos alunos. A violência começa no Racismo Estrutural e nas desigualdades sociais que empurram crianças e jovens para uma vida precarizada, sem acesso aos direitos básicos. Ela começa na forma como os que estão no poder olham para a escola de periferia e só veem perigo e pobreza. Como alternativa oferecem escolas militarizadas, sucateadas, opressão, silenciamento e abandono.

Depois de dois desafiadores anos de pandemia, com docentes exaustos e estudantes fragilizados emocionalmente, abandonam o professor na escola sem educador social, sem monitor, sem apoio e orientação, e o condenam à solidão pedagógica. Também não disseram que a violência que explode nas escolas é resultado da violência do neoliberalismo que invade tudo, espraia-se moldando as subjetividades das novas gerações para dizer: “consuma, acumule, ostente, junte o primeiro milhão antes dos 30, quem vale mais é quem tem mais”. E para “ficar rico” vale tudo, se vender, vender o outro, vale mentir, produzir falsa caridade, vale digladiar-se na luta por seguidores e visibilidade.

O que eles não disseram é que a “Sociedade do Espetáculo” é braço do capitalismo perverso, que em nome de vender, precisa transformar tudo em mercadoria: dores, conflitos, angústias, brigas, tudo tem que ser encapsulado em vídeos para “gerar conteúdo e engajamento”. Os sonhos de ser pediatra, jogador de futebol, professor, advogado, deram lugar ao sonho de postar o vídeo que vai viralizar, não interessa quão violento, chocante, nefasto ele seja, não interessa que o vídeo espetacularize a humilhação do outro e atente contra a ética humana. Interessam os views, os likes, os seguidores obtidos.

O que não disseram é que a concepção empobrecida de educação que se tem, em que se reduz escola a depósito de gente e o ensino a depósito de conteúdos, sem compromisso com a humanização e com a formação do pensamento crítico, é uma concepção que favorece a barbárie. O que eles não disseram é que há quem lucre muito com tudo isso.

E, o que nós seguimos dizendo, é que os docentes e demais profissionais da educação, que estão no chão da escola, estão fazendo o melhor dentro das condições que lhes são oferecidas. São eles e elas que seguem em diálogo com a juventude para apoiá-los e orientá-los em meio a tantas contradições. Sem eles, sem o seu compromisso ético com a educação pública, o cenário seria muito pior.

Por: Gina Vieira Ponte, professora da educação básica no Distrito Federal

Sala de recursos: cidadania e inclusão social

A sala de recurso é o lugar onde professores especializados dão aos alunos especiais todo o suporte e auxílio para que consigam vencer as dificuldades cotidianas. “Um dos papeis do professor de sala de recurso é justamente orientar os professores com relação às particularidades de cada estudante – principalmente com deficiências intelectuais”, conta a professora Viviene Duarte Rocha, professora de História que atualmente atua como professora do Atendimento Educacional especializado em Sala de recursos do CEM 01 do Paranoá.

Em meio às dificuldades vivenciadas por esses(as) profissionais, que veem seu trabalho sucateado e desprezado por um governo de cunho essencialmente neoliberal, é possível “tirar leite de pedra”, e conduzir à universidade os alunos das salas de recursos.

 

Professores cidadãos

Quando os estudantes com necessidades especiais chegam ao ensino médio, e estão prestes a concluir a educação básica, é necessário encaminhá-los para o pós-escola. Universidade? Por que não? “Meu papel é incentivar meus alunos. Mostro a eles que eles são capazes e que todos os espaços da sociedade estão aí para serem ocupados por eles!”, conta Viviene.

E dá-lhe noção de cidadania, e consciência de que eles têm direitos específicos. “Mostro a eles que eles têm direito a fazer provas especiais, que podem pedir ampliação do tempo de execução da prova, e como conseguir isso, como pedir laudo especial. Uma série de medidas que podem soar básicas, mas muitos desconhecem”, conta a professora Viviene.

 

Resultado concreto

Uma das estudantes que obtiveram auxílio na sala de recursos de Viviene foi Biatriz Félix de Souza Oliveira, que fez todos os três anos no CEM01 do Paranoá. Biatriz tem dificuldade de locomoção e limitação em um dos braços.

A adolescente foi aprovada no último PAS da UnB, em dois cursos: Relações Internacionais e Medicina. Optou por esta última habilitação. Está muito ansiosa, e agora seus desafios incluem como frequentar a universidade.

Biatriz decidiu que ia cursar Relações Internacionais no primeiro ano do ensino médio. “Então, você vai ter que aprender outros idiomas, né? Vamos buscar matrícula no CIL?”, orientou Viviene. “Fizemos a inscrição, e ela cursou francês e, posteriormente, inglês” E, graças à escola pública, de qualidade, laica e socialmente referenciada, a cidadã em fase de preparação para a vida universitária estudou inglês e francês. No terceiro ano do ensino médio, Biatriz ficou em dúvida entre Relações Internacionais e Medicina.”

No meio do caminho, uma pandemia. Os alunos foram para as aulas remotas. “No caso da Biatriz, eu a orientei que buscasse provas antigas da UnB, tentasse resolver as questões, e observasse detalhes como: quanto tempo em cada questão, quais as questões que ela respondia mais rápido, quais as que demorava mais, e a partir daí, quais os assuntos que precisariam de mais estudo por parte dela”, conta Viviene.

Biatriz não deixou barato: “foi bem cansativo. No segundo ano eu estudei muito, mesmo. No terceiro ano eu estava muito cansada. Preferi priorizar minha saúde mental, então eu só estudava 6 horas por dia”. Sua dificuldade era muito similar à de vários estudantes do ensino médio: “Eu sentia muita dificuldade de me organizar. Eram muitos conteúdos, e eu não fiz cursinho, estudava sozinha em casa.”

Mas eram dificuldades que causavam ansiedade na moça. A professora Viviene, com toda a paciência, mostrava à Biatriz todos os direitos a que ela tinha para realizar a prova: “Você tem direito a tempo especial para fazer a prova. Para isso, tem que buscar o laudo psicológico; tem que ver quais matérias precisa de estudar mais, e em quais você tem mais facilidade”. Essas informações resultantes de uma série de políticas públicas de caráter inclusivo, básicas porém desconhecidas pela jovem, que a foram acalmando. Graças ao suporte do Estado (seja em forma de políticas públicas, seja pela presença e apoio moral da professora Viviene, uma profissional cidadã, Biatriz conseguiu se concentrar e se organizar para estudar.

 

Do CEM 01 do Paranoá para o Instituto Federal Brasília

Deyvid Cardoso Vales é outro estudante que chegou ao Instituto Federal Brasília para o curso de técnico em eventos graças ao auxílio e orientação dos profissionais da Sala de Recursos do CEM01 do Paranoá. Por conta de um tiro acidental, é cego de um olho.

O trabalho de inclusão de Deyvid foi diferente: a professora Viviene mostrou que ele tinha direito ao material ampliado e, com a devida apresentação do laudo técnico, também teria tempo de prova ampliado. O rapaz ainda foi aconselhado a tentar, antes da universidade, um curso técnico superior. “Expliquei que isso não inviabilizaria um curso superior posterior, pelo contrário, isso seria muito bom pra ele, para seu amadurecimento cognitivo”, conta Viviene, que já mostrou a Deyvid que seus direitos de pessoa com deficiência também estão garantidos no IFB: “Lá tem um núcleo similar à sala de recurso, que dá esse apoio ao aluno especial.”

Formação de cidadãos

Professora Viviene se emociona ao falar de seu trabalho e dos resultados que consegue, em meio a tantas dificuldades: “mesmo com todo o sucateamento da escola pública, com a desvalorização do professor, a gente insiste. Investimos nos meninos, é isso o que nos move e, no final, eles vencem”. Ela não perde a perspectiva da crueldade que cerca seus alunos: “Eu digo que muitos aqui são sobreviventes, são de periferia, de família bem humilde, negros em sua grande maioria, e com deficiência. Mas eu mostro a eles como é o espaço deles na sociedade: apresento a eles os direitos, também deixo bem claro quais são os deveres, e a gente vai conseguindo – aos poucos, estamos conseguindo.”

Ela conta do papel fundamental de todos os profissionais da escola para o sucesso da sala de recursos: “O CEM01 do Paranoá é de fato uma escola inclusiva. Todos abraçam a questão da inclusão, adequação, adaptação, todos fazem com grande parceria. A direção da escola não mede esforços, o que eu preciso e está ao alcance, às vezes além do alcance, eles sempre nos ajudam, um passeio, um material…”

Viviene não consegue soltar a mão dos alunos nem depois de formados. Além de se informar sobre a estrutura do IFB para Deyvid, Viviene foi à UnB, buscou informações sobre o transporte especial para alunos com dificuldades motoras, que é direito da Biatriz. “E a Biatriz já ficou menos ansiosa pelo começo do ano letivo na UnB”, comemora.

Educação não combina com autoritarismo

Por Heleno Araújo *

Nenhum governo autoritário, seja de qualquer país ou época, gosta de uma educação que ajude o povo a pensar e ser autônomo em sua vida. Invariavelmente, governos autoritários perseguem educadores, calam estudantes e promovem um modelo educacional que atenda simplesmente a seus interesses políticos.

É justamente nos governos autoritários, comandados por tiranos que se apegam ao poder e dele não pretendem se distanciar, que os sistemas educacionais recebem toda a atenção possível: ao autoritarismo interessa moldar uma educação que cultive os valores políticos emanados pela figura do político autoritário.

Assim aconteceu na Alemanha nazista de Hitler ou na Itália fascista de Mussolini. Assim também ocorreu em todas as ditaduras latino-americanas, como a que se abateu sobre o Brasil no ano de 1964, quando os militares depuseram um presidente legitimamente eleito que ousou, naquele tempo, propor as reformas de base que atacassem a desigualdade brasileira.

Naquele ano, em meados do mês de janeiro, o Presidente Jango fez aprovar no Brasil o Programa Nacional de Alfabetização, que deveria atingir todo o país e erradicar o analfabetismo em nosso território. Orientado pela proposta pedagógica e método de alfabetização de Paulo Freire, não conseguiu durar sequer três meses: logo no começo de abril, aquele projeto de alfabetização popular foi interrompido pelo golpe militar de 64 e substituído pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Desde então, Paulo Freire, nosso patrono da educação brasileira, passou a ser perseguido pelo regime militar que se instalava no Brasil.

E Paulo Freire talvez seja somente o exemplo maior de todo esse processo que o país viveu naqueles tenebrosos tempos. Muitos/as professores/as universitários/as foram exonerados de seus cargos públicos e, na educação básica, se impôs um silêncio forçoso aos/às educadores/as nas escolas. Os que não seguiam a cartilha eram calados à força e, não raro, perseguidos até a morte física.

Educação não rima com falta de liberdade. Só a liberdade garante um processo de educação livre, libertadora e emancipadora de nosso povo. Um povo educado não se deixa dominar por tirano de nenhuma espécie. Um povo com uma boa educação não se curva ao autoritarismo de plantão. Por isso os autoritários detestam Paulo Freire.

E, no Brasil, justamente quando saíamos desse processo de ditadura militar, que perseguiu e matou tantos educadores no país, fizemos, enquanto nação, o que ficou conhecido como a Constituição Cidadã, em 1988. Lá, como preceito constitucional, está garantido o direito à liberdade de ensinar e de aprender. Esse foi o mecanismo para que nós, enquanto sociedade, pudéssemos nos blindar de futuros tiranos.

O atual Presidente da República, que se elegeu em um contexto de enxurradas de mentiras nas redes sociais, e com o seu principal adversário deliberadamente preso por aqueles que ajudaram no golpe de 2016, também não gosta de uma educação libertadora. Para quem usa e abusa de notícias falsas, que não se restringiram apenas à sua campanha eleitoral, a educação é sempre uma ameaça.

Não por acaso que uma das primeiras medidas do ex-presidente Temer, logo após ele capitanear a traição e o golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, foi propor uma reforma educacional há tempos almejada pelas elites brasileiras: a Reforma do Ensino Médio, do começo de 2017, cria dois modelos de escolas no Brasil, uma para os ricos e abastados; e outra para os pobres e filhos da classe trabalhadora. Aos primeiros, garantiram o ensino das artes, da filosofia, da sociologia e de outros saberes que promovem o pensamento crítico nas crianças e jovens. Ao resto da sociedade, a grande maioria, sobrou somente o ensino de Português e Matemática.

O governo Bolsonaro não gosta da educação porque sempre mostrou ter um perfil autoritário. Todos estão vendo como ele detesta ser contrariado e, se isso ocorre, parte para grosserias de toda espécie contra o seu interlocutor. Ameaçou tirar o título de patrono da educação brasileira de Paulo Freire; propôs um projeto de militarização escolar que criminaliza as infâncias pobres de nosso país; fomenta o modelo de educação domiciliar (homescholling) para tirar as crianças da escola. Ataca a educação sempre quando pode e persegue educadores a todo o momento.

Inúmeros casos desse tipo estão ocorrendo no Brasil desde 2019, ano em que tomou posse. Quando assumiu o poder, logo se alinhou com o projeto Escola sem Partido, acusando os educadores de “comunistas, ateus e vagabundos”. Criou-se, no Brasil, um clima de medo nas nossas salas de aula, com professores sendo filmados e agredidos. Definitivamente, Bolsonaro não gosta de uma educação livre que a sociedade brasileira alcançou desde sua redemocratização, quando derrubamos em 1985, depois de 25 anos, a ditadura militar no Brasil.

Paulo Freire é seu alvo preferencial, mas por trás de nosso patrono da educação brasileira existe toda uma categoria de trabalhadores/as da educação que, diuturnamente, sob os ditames autoritários desse governo, são ameaçados e constrangidos no seu direito de serem livres ao ensinar. O fim do governo Bolsonaro será a retomada de um projeto soberano de educação, libertadora e emancipadora. E, em memória de Freire, a derrocada de mais um presidente autoritário com vocação a tirano que temos presenciado ao longo de nossa história.

 

Heleno Araújo é presidente da Confedferação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Artigo originalmente publicado no jornal Brasil de Fato PE, em 01/04/2022

 

A violência nas escolas do DF é tema do TV Sinpro dessa quarta (06)

Muitas escolas públicas e particulares do Distrito Federal têm convivido com uma realidade de violência explícita, fato que preocupa estudantes, pais, mães e a comunidade escolar em geral. Os motivos e as consequências de tudo isto são discutidos quase que diariamente e o Sinpro não poderia deixar de debater o tema, apontando causas e buscando soluções para tudo isto.

Desta forma a TV Sinpro dessa quarta-feira (06) traz como tema do programa: Educar, cuidar – a cultura de paz nas escolas. Para falar um pouco mais sobre o assunto foram convidadas a ex-presidenta da CUT-DF, professora aposentada da SEE e ex-deputada distrital, Rejane Pitanga; e a professora da Faculdade de Educação da UnB e doutora em educação, Edileuza Fernandes. A mediação ficará com a diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa.

A violência é um fenômeno que decorre do modo de organização da sociedade capitalista, caracterizada pela desigualdade social, econômica e de oportunidades. O isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19 revelou essas desigualdades. O retorno presencial às atividades escolares requer ações do governo no sentido de criar as condições para que a educação seja de fato um direito de todos(as). Nesse sentido, a construção de uma cultura de paz requer ações intersetoriais, um trabalho em rede voltado ao educar e cuidar. Ações contrárias à militarização, à repressão, coerção.

Para Rosilene Corrêa, a pauta é importante para debater as consequências da violência nas escolas e tudo que, não só elas, mas estudantes e a comunidade escolar, vêm sofrendo e vivendo diante desta sociedade violenta. “Precisamos entender qual o papel da escola neste contexto e qual protagonismo que elas podem assumir. É preciso e necessário debater tudo isto e encontrar saídas”, ressalta.

A TV Sinpro vai ao ar ao vivo na TV Comunitária (Canal 12 na NET-DF; Facebook e Instagram: TVComDF), sempre às 19h – também nas redes do Sinpro-DF, mas tem reprise segunda-feira, às 6h30 e às 22h; terça-feira, às 13h e às 22h; quarta-feira, às 6h e às 23h30; quinta-feira, ás 7h30 e às 13h; sexta-feira, às 8h e às 13h; sábado, às 13h e às 22h; e domingo, às 13h e às 21h.

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