Comédia teatral escrita e estrelada por professoras aposentadas no Espaço Cultural Renato Russo

O espaço Cultural Renato Russo (na 508 Sul) recebe, nos dias 3 e 4 de maio às 20h, e no dia 5 de maio às 19h, a comédia teatral “Entre Elas”. O espetáculo é estrelado pelas atrizes Elisange Oliveira, Léo Thilé e Gelly Saigg, e conta com participação especial da autora e diretora da peça, Márcia Marmori. As quatro têm em comum serem professoras aposentadas da SEE-DF.

A peça Entre Elas é “baseada em histórias reais” – ou quase reais. Conta a história de três amigas que se aventuram em uma viagem e acabam sendo presas. A partir desse momento, os conflitos e afetos surgem enquanto elas discutem suas condições de serem mulheres na sociedade.

Com esse mote, e com muito humor, o espetáculo faz refletir sobre temas importantes do universo exclusivamente feminino: climatério, menstruação, sexualidade, casamento, política e banheiros públicos. Tudo de maneira direta, leve e divertida.

“Entre Elas” tem produção de Kacus Martins, e cenário e figurino de Roumier de Castro.

Os ingressos estarão disponíveis na plataforma Sympla.

Inscrições abertas para o concurso cultural Histórias no DF para Inspirar Futuras Cientistas

O Ministério da Saúde, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), abre as inscrições para concurso cultural Histórias no DF para Inspirar Futuras Cientistas, organizado pelo programa Mais Meninas na Fiocruz Brasília e direcionado a estudantes e professores(as) das escolas públicas do DF. As inscrições estarão abertas até 11 de junho.

O projeto tem por objetivo aumentar a visibilidade e valorizar as trajetórias de mulheres cientistas, bem como incentivar trabalhos acadêmicos com protagonismo de jovens e contribuir para o despertar de vocações científicas na capital federal. Poderão participar estudantes, de qualquer gênero, regularmente matriculados(as) no Ensino Fundamental – Anos Finais (6º ao 9º ano) de escolas públicas, inclusive estudantes regularmente matriculados(as) no 2º segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA). É requisito obrigatório ser estudante da rede pública do DF.

Os trabalhos selecionados irão compor uma publicação, eletrônica e impressa, baseada no livro “Histórias para Inspirar Futuras Cientistas”, lançado em 2021 pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz), com autoria de Juliana Krapp, Mel Bonfim e Flávia Borges (ilustrações). Os(as) interessados(as) deverão produzir um texto e uma ilustração sobre uma pesquisadora – na ativa, aposentada ou já falecida, de qualquer área do conhecimento – cuja trajetória esteja ligada ao DF. Os trabalhos selecionados serão premiados.

 

Clique aqui e confira o regulamento.

Faça sua inscrição

 

 

Convênio dá desconto na rede de academias Bluefit

A rede de academias Bluefit está com uma grande promoção para professores(as) e orientadores(as) educacionais. Contratando o Plano Convênio, os(as) interessados(as) terão um desconto na mensalidade: de R$ 149, 90 por R$ 109,90. O valor é válido somente para a contratação do Plano Convênio.

Dentre as vantagens estão a possibilidade de treinar em todas as unidades Bluefit; isenção de taxas de matrícula ou manutenção; acesso a todas as aulas coletivas; ausência de multas ou taxas de cancelamento; acesso total à estrutura da academia; e sem restrição de horários.

Para utilizar é simples. Basta solicitar a declaração (voucher) antecipada na central MasterClin pelo e-mail: contato@masterclinvantagens.com.br ou pelo WhatsApp: (61) 99966-8600. O horário de atendimento é de segunda a quinta-feira, das 8h às 18h; e sexta-feira, das 8h às 17h. Para mais informações, ligue no 4020-3020 (para capitais e regiões metropolitanas) ou 0800 645 2015 (para demais localidades). O código será enviado em até 24h após a solicitação.

Para novos contratos será considerado extensivo para esposa/marido e filhos acima de 14 anos e menores de 21 anos. Para a utilização do benefício, o usuário precisa estar cadastrado na plataforma (site e/ou app) do clube de vantagens (mesmo que seja menor de 18 anos).

Aproveite!

Estão abertas as inscrições para as “Rodas de conversas em alfabetização popular no DF”

Estão abertas as inscrições para o evento “Rodas de conversas em alfabetização popular no DF – Socialização de experiências em alfabetização de jovens, adultos e idosos na educação popular”. A iniciativa e coordenação é do GTPA-Fórum EJA/DF, CEDEP, Genpex, MEB e Cepafre, aberta a educadores, estudantes de graduação e pós-graduação, convidados(as) e professores(as).

Interessados(as) devem fazer a inscrição no site e participar do evento nos dias 30 de abril (terça-feira), às 19h30 (de forma virtual), e no dia 4 de maio, 9h, (de forma presencial), no CESAS, na L2 Sul, Quadra 602. Clique no link a seguir e faça a sua inscrição: https://www.even3.com.br/rodas-de-conversas-em-alfabetizacao-popular-443624/

Em nota divulgada na Internet, os realizadores do evento informam que a proposta “é revelar e reunir experiências exitosas (boas práticas) em alfabetização de jovens, adultos e idosos na educação não formal, ou seja, na educação popular no DF”.

O grupo informa também que “a Educação Popular oferece por meio de organizações e entidades populares e/ou religiosas, a oferta da alfabetização de jovens, adultos e idosos para um grupo social excluído e invisibilizado nos últimos anos. Os sujeitos da EJA – Educação de jovens e adultos, não alcançam respostas da escola pública ao longo dos anos, mas ao contrário, as salas de aulas estão sendo fechadas e a pouca oferta é centralizada na cidade ou município, provocando uma falta de acesso e uma educação precarizada.

Dessa forma, a Educação popular precisa ser favorecida e apoiada, pois ela chega em locais que a educação formal não chega, além de possibilitar uma formação humana e emancipadora. Apoiada em Paulo Freire, a Educação Popular consolida a unidade da classe trabalhadora sob uma liderança política justa na luta. O que está em disputa são dois projetos de Brasil: do povo brasileiro e da elite capitalista. Estamos vivendo um momento de consolidação democrática no país e o processo de alfabetização popular de jovens, adultos e idosos poderá pautar as lutas sociais do povo brasileiro e seu processo de emancipação.

Leia mais:

Confira também a campanha em defesa da EJAIT 2024 do Sinpro-DF.

Sinpro intensifica campanha em defesa da EJAIT 2024

Professora Tameme se despede e deixa lições eternas

Professora Maria Tameme Soares fará uma falta imensa. No fim da noite dessa quarta-feira (10/4), ela se despediu dos familiares e dos amigos, após lutar contra um câncer. Se o momento é de tristeza, é também de reflexão sobre as lições que ela ensinou.

Aos 18 anos Tameme já era a professora Tameme. Foi neste espaço onde futuros se constroem que ela iniciou a jornada de uma vida inteira de sonhos e lutas.

Filiada ao Sinpro desde 1980, professora Tameme foi uma das fundadoras do sindicato que representa a categoria do magistério público. Esteve presente em mesas de negociação, assembleias, manifestações, atos; mesmo depois de se aposentar.

“Tameme era uma militante de esquerda, uma pessoa combativa, que acreditava no que fazia, acreditava no trabalho como professora, acreditava na transformação da sociedade através da sala de aula. Mais do que uma militante, era uma sonhadora, mas sonhava com o pé no chão. Ela não se entregava. Uma pessoa excepcional, insubstituível”, conta o professor Márcio Baiocchi Fracari, que foi companheiro de Tameme por 12 anos. Segundo ele, Tameme, “que ainda no movimento estudantil combateu a ditadura militar de ‘peito aberto’”, não tinha inimigos, pois “sempre soube fazer a disputa política com seriedade, sem golpe baixo e trabalhando por aquilo que acreditava”.

Rejane Pitanga, professora aposentada da rede pública de ensino do DF e também fundadora do Sinpro, conheceu Tameme na primeira greve da categoria do magistério público, em 1979. Para ela, a despedida da professora é “uma perda grande para todos nós”. “Ela deixa o exemplo da combatividade, do compromisso, da resistência”, diz.

Professora Lúcia Carvalho conta que a atuação de professora Tameme abraçava causas que transpunham fronteiras geográficas. Amigas de luta há 40 anos, Lúcia lembra com carinho e orgulho da participação de Tameme não só em defesa de uma educação pública de qualidade, mas por um mundo mais justo. “A última vez que nos vimos foi em uma atividade em homenagem à Cuba. Ela era extremamente esclarecida sobre a realidade internacional. Um exemplo de mulher. Calma, serena; mas uma rocha”, conta professora Lúcia com admiração.

Professora Tameme (camiseta lilás) no ato em defesa de Cuba

Emocionada, a professora aposentada Ines Bettoni fala da dificuldade de não ter mais por perto a amiga de mais de quatro décadas, com quem dividiu coisas boas e também as difíceis. “Íntegra, solidaria. Nunca soube de alguém que não a quisesse: ela era unanimidade. Tameme sempre renunciou a benefícios individuais pela luta coletiva”, declara.

O Sinpro se solidariza com familiares e amigos da professora Tameme. Desejamos força para que a saudade que aperta o peito seja amenizada pelo tempo-rei, que mostra com majestade que nada do que realmente importa se vai completamente.

Professora Tameme, presente!

*Professora Tameme será cremada. A cerimônia será neste sábado (13/4), no Jardim Metropolitano – Valparaíso (GO), das 14h às 16h. O velório 8.

Curso de estudos da obra A Inteligência Aprisionada com 30% de desconto para usuários Masterclin

Usuários Masterclin têm 30% de desconto nos encontros do grupo de estudos sobre a obra “A inteligência aprisionada” de autoria da psicopedagoga argentina Alicia Fernández. As facilitadoras dos encontros são as psicopedagogas Mia Cunha e Simone Azevedo.

Serão 6 encontros quinzenais, on-line, ao vivo, às terças-feiras, das 20 às 22h.

Os participantes terão acesso a materiais complementares via WhatsApp do grupo, certificado de 36 horas e à gravação dos encontros.

O primeiro encontro ocorreu no dia 09 de abril, mas ainda é possível se inscrever e ter acesso à gravação.

A proposta do grupo de estudos é abrir espaços de conhecimentos, aprendizagens e trocas de experiências sobre temas relevantes da obra.

O curso é voltado para psicopedagogos, psicólogos, pedagogos, professores, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, e demais interessados.

Valor: 3 parcelas de 100,00 (uma em abril, outra em maio e junho) – Associados da Masterclin terão 30% de desconto, portanto: 3 x 90,00.

Inscrições: (61) 98162 2839 – falar com Paula (importante apresentar o cartão Masterclin vigente para receber o desconto de 30%)

Mais informações sobre o curso neste post 

Professor defende dissertação sobre Escola do Campo da CRE Gama e urbanização irregular nesta terça (15)

Intitulada “A Escola do Campo devorada pela cidade: impactos do crescimento urbano irregular na Ponte Alta Norte – Gama-DF”, a dissertação de Vinícius Batista Pinheiro Marques, professor da rede pública do Distrito Federal, será defendida nesta segunda-feira (15/4), às 9h, no Auditório do IH (aud. Mod 24), ICC Norte, Subsolo, no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB). Com 119 páginas, o estudo analisa as correlações entre o crescimento urbano desordenado e o trabalho pedagógico de educadores em uma Escola do Campo, tendo como objeto o Centro de Ensino Fundamental Ponte Alta Norte, localizado na Região Administrativa do Gama, Distrito Federal, Brasil.

“Desde a inauguração da capital, em 1960, a pressão por moradia exigiu do poder público a gestão do crescimento urbano. Para isso, foram criadas Regiões Administrativas apartadas da centralidade de Brasília para a habitação das classes populares, no modelo de polinucleamento. Contudo, a partir dos anos 1990, foi intensificada a urbanização irregular de territórios rurais, mediante a criação de condomínios horizontais urbanos, resultando impactos socioambientais relevantes. Os educadores dos Anos Finais do CEF Ponte Alta Norte relatam que a multiplicação de condomínios alterou o perfil sociocultural da comunidade escolar. Isso fez os profissionais refletirem e questionarem sobre a necessidade de mudanças no trabalho com os estudantes”, informa o resumo do estudo divulgado no site da UnB.

Ainda segundo o resumo, “para a análise do fenômeno dos parcelamentos irregulares, foi desenvolvida pesquisa bibliográfica sobre os conceitos de produção do espaço e território, bem como diálogo entre a modalidade Educação do Campo e o território. Foi realizada análise multitemporal de imagens orbitais do crescimento urbano da área de estudo, nos anos de 1994, 2007 e 2023, utilizando o software QGIS. Para a produção de dados empíricos, acerca da conexão entre o crescimento urbano e a organização do trabalho pedagógico, foi empregado o método Grupo Focal , com professores e gestores dos Anos Finais do Ensino Fundamental e análise de conteúdo das falas. Os resultados indicaram educadores preocupados em compreender uma comunidade escolar diversa, com grande desigualdade socioeconômica, inserida em um território com dinâmicas socioterritoriais complexas. Naturalmente, os dados empíricos revelaram outras questões com potencial para exames em trabalhos posteriores”.

A banca será formada por Anna Izabel Costa Barbosa; Cristina Maria Costa Leite; Eliene Novaes Rocha; e Erlando da Silva Reses. Confira o link da UnB aqui e o convite a seguir.

 

 

9 de abril: Dia Nacional da Biblioteca

Nesta terça-feira (9), o Brasil comemora o Dia Nacional da Biblioteca. A data foi criada por meio do Decreto Nº 84.631, da Presidência da República, em 9 de abril de 1980. O decreto instituiu também, no País, a Semana Nacional do Livro e o Dia do Bibliotecário. Por este motivo, o dia 9/4 é conhecido como o Dia Nacional da Biblioteca.

Segundo registros históricos que a primeira biblioteca pública do Brasil foi instalada na Bahia, em 13 de maio de 1811, 3 anos depois da chegada da Família Real ao País. No entanto, segundo o site da Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará (BC-UFPA), “costuma-se situar o surgimento [da biblioteca] a partir de 1549, com a instalação do Governo Geral, em Salvador, na Bahia”.

Segundo a professora de Biblioteconomia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Maria das Mercês Apóstolo, ‘com esse aparato burocrático governamental é que começa, de fato, um arcabouço de sistema educacional no Brasil, organizado por diversas ordens religiosas’. Apesar disso, o acervo era pequeno, voltado apenas ao ensino religioso”. Clique aqui e confira. (https://www.fespsp.org.br/noticias/dia-nacional-da-biblioteca-o-surgimento-das-bibliotecas-no-brasil)

Segundo a professora, foi Rubens Borba de Moraes que “realizou um dos levantamentos mais completos sobre livros e bibliotecas no nosso período colonial: ‘nesse período, a quantidade e circulação de livros entre nós era muito pequena, quase irrisória, visto que os materiais impressos tinham que vir importados de Portugal, pois não havia tipografia na Colônia, tecnologia que será introduzida no Brasil apenas em 1808, com a vinda da Família Real’”.

Ela conta ainda que foi partir do fim do século XVII e início do século XVIII, em Minas Gerais, é que se tem registros de intensa vida cultural no País, com a criação de bibliotecas particulares. A professora diz que uma das mais representativas é a de D. Frei Domingos da Encarnação Pontenel, constituída por 1.066 volumes, feita de obras sacras, científicas e ilustrativas.

Mercês diz também que outra biblioteca de destaque na época foi a de Cláudio Manuel da Costa, com 383 volumes, quase todos de direito. “Mas foi no século XIX, com a chegada de D. João VI e a instalação da Imprensa Régia, que a leitura e os livros ganharam espaço na elite alfabetizada brasileira. ‘Várias bibliotecas vão surgindo, como o Gabinete Português de Leitura e a própria Biblioteca Real, hoje nossa Biblioteca Nacional’”, afirma a professora.

Se você quiser conhecer mais sobre a história das bibliotecas no Brasil, clique no título da matéria a seguir:  Dia Nacional da Biblioteca: o surgimento das bibliotecas no Brasil (https://www.fespsp.org.br/noticias/dia-nacional-da-biblioteca-o-surgimento-das-bibliotecas-no-brasil)

Biblioteca do Estado da Bahia, a primeira do Brasil, completa 210 anos (https://biblioo.info/biblioteca-do-estado-da-bahia-a-primeira-do-brasil-completa-210-anos/)

UnB abre processo seletivo para pós-graduação em educação

Começam hoje (8/4) às 18h e vão até as 17h do dia 30 de abril as inscrições para o processo seletivo da pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. O curso oferece 28 vagas para o mestrado e 30 para o doutorado.

São sete linhas de pesquisa: Políticas públicas e gestão da educação; escola, aprendizagem, ação pedagógica e subjetividade na educação; profissão docente, currículo e avaliação; educação matemática; educação, tecnologia e comunicação; educação ambiental e educação do campo e Estudos comparados em educação.

O edital de convocação discrimina quantas vagas estão disponíveis para quais linhas de pesquisa e em quais modalidades de pós-graduação (mestrado ou doutorado). Também no edital, você encontra a lista de documentos necessários para fazer a inscrição e as etapas do processo seletivo.

Clique aqui para ler o edital

Há reserva de vagas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

Como se fala macaxeira em inglês?

Aulas de idiomas são importantes. Com elas, começamos acessar à cultura de uma língua específica. A respeito disso, uma reflexão interessante nos é compartilhada pelo escritor e filósofo romeno, Emil Cioran, dizendo que nós habitamos um idioma, não uma nação. Eu concordo com ele e acrescentaria que ganhamos um tiquinho a mais de independência para navegar nesta vida. Para usar a linguagem do mercado: nós cortamos o intermediário, vamos precisando cada vez menos do trabalho do tradutor, que, em hipótese alguma, deve ficar desempregado.

Se a gente não tomar cuidado, adotamos termos em inglês sem perceber, quase que por osmose mesmo, com uma pitadinha de complexo de vira-lata. O trabalho vira o job. O jogo vira game e por aí vai. A parte triste que se perde muitas vezes é que sempre tem um termo abrasileirado que é bem melhor: em vez de brainstorming, temos tororó de ideias. Em vez de crush, paquera, se bem que tem gente que acha que estaríamos entregando nossa idade ao assumir tal termo. Enfim. Assim sendo, se voltarmos nossa atenção para os termos que falamos ao tratar sobre inovação, o que vem à mente? Steve Jobs? Elon Musk? Scrum? Design Thinking?

Programação neurolinguística? Python? LGPD? Big Techs? Certo, e o que nos dizem as sutilezas desses ambientes que não deixam de gritar a plenos pulmões os pressupostos de suas lógicas para quem tem ouvidos abertos? Neste feriado da Semana Santa, tivemos, em Brasília, um desses grandes eventos sobre tecnologia e informação, onde os jovens se reuniram para fazer um monte de coisas importantes. Acho que uma das mais legais é eles participando de um karaokê de dança no qual eles precisam imitar passos de danças mostrados por uma tela enquanto uma câmera capta o movimento dos envolvidos. Admiro a coragem dos jovens.

O que eu não fiquei admirado, apesar do susto, foi a cobrança de 35 reais para estacionar num estacionamento que foi construído com dinheiro público e que fica num estádio que também foi construído com dinheiro público. Qual foi a contrapartida que a sociedade brasiliense ganhou com esse negócio? A contradição foi maior quando eu vi um outdoor moderno que dizia que um gari brasiliense tinha ganhado algum campeonato importante de karatê. Os valores são muito contraditórios. E se você que me lê é a favor de privatização, por gentileza, não use mais o exemplo das teles. Este de longe é o pior exemplo, pois temos um serviço caro que não funciona. Existem lugares na área central de Brasília em que simplesmente você não tem sinal. Mas o celular tem 5G.

Pedágios são instituições que estão por aqui há uns 2.700 anos mais ou menos. Existem relatos de estradas com pedágios, na Babilônia, à época de Ashurbanipal. No Brasil eu gosto do exemplo da ponte que te leva para o Recife velho e foi construída na época holandesa do Nassau. Pelo menos há 400 anos se cobra pedágio no Brasil. Essa é a “inovação” que o setor privado oferece pra Brasília. Como se vacinar contra esse vírus da sanha privatista? (o fantasma de alguém falando bem da privatização das teles sempre me ronda). Tem que haver uma mudança radical na mentalidade.

Teremos mais propensão a construir uma riqueza na nossa cidade se tirarmos as cercas e os entraves ao conhecimento. Principalmente se a gente levar a sério uma das maiores tarefas do esforço de construir um espaço público melhor: combater a desigualdade de renda.

Eu não quero viver no mundo onde tudo parece um grande shopping, onde tudo é caro e sem sabor. Eu quero uma vida Saborosa, como diz Francia Márquez, a vice presidenta da Colômbia, e de aspecto coletivo. Com molho da arte popular e pimenta pernambucana.

Agora sobre o título. Se você tiver o privilégio de sair do Brasil e for a algum restaurante e pedir por maniok ou cassava, vão te servir um prato com mandioca, mas nunca será um prato de macaxeira. Não precisamos de maniok para nos nutrir. Precisamos é de macaxeira!

 

Pedro Artur Cruz de Melo, professor da rede pública de ensino do Distrito Federal.

 

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