Garantida aposentadoria especial para cargos de direção

O STF (Supremo Tribunal Federal) considerou parcialmente improcedente a ação de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria Geral da República contra a lei 11301/06, garantindo o direito à aposentadoria especial aos professores que ocupam ou ocuparam funções de direção, assessoramento e coordenação nas escolas. Os ministros entenderam que os especialistas não têm direito à aposentadoria especial, por isso a ação foi parcial.
O diretor do Sinpro e da CNTE, Denílson Bento da Costa, acompanhou a votação na tarde desta quarta-feira, 29, e relembrou a luta das duas entidades, cujos diretores mais de uma vez estiveram reunidos com os ministros salientando a importância desses quadros para a escola e do seu reconhecimento como professores em efetivo exercício da atividade de docência. “Essa foi uma vitória muito importante para os professores, já que eles se prejudicavam na contagem de tempo quando ocupavam esses cargos”, afirmou.
Agora os Estados e o Distrito Federal deverão fazer a correção da contagem de tempo dos professores, inclusive para aqueles que já se aposentaram.

O governo já deu a cenoura, a liquidez; se os bancos empacam é a hora do stick, o porrete.

“Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose”, afirma em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares. “As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso”, adverte. Para ela, o Brasil tem algumas vantagens importantes para enfrentar a crise, entre elas a existência de três fortes bancos estatais e pelo menos três grandes empresas públicas de peso, salvas do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior. Isso dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado.

Decana dos economistas brasileiros, uma espécie de banco de reflexão de última instância ao qual se socorrem economistas quando o horizonte do mercado exibe mais interrogações que cifrões, a professora Maria da Conceição Tavares, 78 anos, quase não dormiu na noite de terça para quarta-feira. E voltou a fumar, muito, o que não deveria, por orientação médica. Motivo: os abalos seguidos nos alicerces do sistema capitalista norte-americano e seus efeitos sísmicos no mundo, inclusive no Brasil.

Conhecida pela rara capacidade de equilibrar razão e paixão – não necessariamente nessa ordem – , costuradas em frases contundentes e metáforas esmagadoras sobre os desafios da economia e do desenvolvimento, Conceição falou à Carta Maior sobre a crise em curso no sistema capitalista. A voz rouca e o cansaço de uma noite insone não impedirem que reafirmasse a reputação construída a partir de uma lucidez corajosa, que mesmo os adversários respeitam – e temem.

A seguir trechos de sua conversa com a Carta Maior:

“A questão central é que o crédito está congelado: entupiu o sistema circulatório do capitalismo. Sem crédito uma economia capitalista não funciona. Agora é torcer para que o entupimento não se transforme em trombose”.

“O Martin Wolf foi lento (NR: editor do Financial Times, conhecido pelas convicções neoliberais que, em artigo transcrito hoje pelos jornais brasileiros, pede um resgate estatal urgente, e amplo, do sistema bancário). Assim como ele, as autoridades norte-americanas também foram lentas. Demasiado lentas. Vão dizer que não sabiam o tamanho do estrago? Ignoravam a gravidade da bolha especulativa feita de hipotecas podres e derivativos, cuja soma vai além de US$ 6 trilhões, sem falar do resto? Como não sabiam? Eles são gente de Wall Street. São escolhidos entre os “piranhões” do mercado. Não podem dizer que não sabiam. O problema não é esse. O problema é que eles acreditam no mercado. Essa é a tragédia. Esperaram até o limite da irresponsabilidade para intervir. Aí perderam o controle e estão diante do pânico: ninguém empresta a ninguém, entupiu o sistema circulatório do capitalismo”.

“Agora tem de fazer isso mesmo, estatizar parcelas abrangentes do sistema financeiro; implantar safenas. Não é isso que estão fazendo? O FED já começou a descontar commercial papers direto no mercado. Tem que intervir largamente, e rápido. Eles são o centro da crise mundial. Mas um pânico financeiro não respeita fronteiras”.

“O problema do Brasil não são os fundamentos, que no geral são bons. Mas aqui também foram feitas operações especulativas por grandes empresas exportadoras. Ou será que a Sadia e a Aracruz agiram solitariamente? Não agiram. Não foram exceções. Foram irresponsáveis. Não se contentaram em contratar hedge (seguro) contra a variação cambial. Quiseram apostar quantias fantásticas na variação futura do câmbio e apostaram errado. Jogaram na valorização do Real o que é insólito, diga-se. Como exportadores deveriam engrossar as vozes que pediam maior competitividade da moeda brasileira. Mas apostaram. erraram e isso abriu rombos que a Sadia, felizmente, já reconheceu no seu balanço. Digo felizmente porque não pode pairar dúvidas no mercado sobre o tamanho e a abrangência desses prejuízos ou isso gera incerteza e a desconfiança bate nas taxas do dólar.”

“O Banco Central tem o registro, sabe quem fez operações de hedge, mas não sabe quem derivou daí a segunda operação, especulativa. Se soubesse deveria intervir, sanar rapidamente o problema para evitar essa incerteza. Mas o BC, infelizmente, não tem os controles de operações que são totalmente desreguladas. O jeito então é intervir direto no mercado. Impedir a disparada do câmbio que dificulta a vida dos exportadores e importadores. A volatilidade impede o fechamento de contratos de exportação e importação; isso desequilibra a oferta de dólares e empurra ainda mais as cotações. O BC deve intervir direto vendendo dólares (NR: foi o que ocorreu depois que Conceição falou a CM). Não adianta mais fazer swaps (contratos futuros), precisa vencer moeda mesmo. Moeda das nossas reservas – fazer o quê? Note que não há fuga de capitais, não é como no passado. Se fosse fuga de capitais, a simples existência de reservas de US$ 207 bilhões controlaria. O diabo não é fuga, nem inflação, nem recessão… É irresponsabilidade, exportadores- especuladores”.

“As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso. É preciso entender, porém, que a crise atual não é semelhante a de 1929. Claro, há elementos comuns, como o derretimento das ações e a fuga de ativos podres. Mas o dramático que a distingue daquele episódio dos anos 30 é o congelamento do crédito, fruto da desconfiança generalizada sobre o que vale o quê numa economia papeleira. A aversão ao risco gera a fuga dos ativos, todos querem se desfazer deles ao mesmo tempo e os bancos não emprestam a ninguém. Entope o sistema circulatório capitalista. Na crise de 1929 o crédito também refluiu mas isso se deu na esteira da desaceleração da atividade econômica, que foi brutal, caiu mais de 25% nos EUA. A recessão então é que diminuiu a demanda por financiamento. Hoje não. A economia não está em recessão – exceto talvez no Japão e engatinha na Europa. Mas é justamente esse paradoxo que mata o sistema: não existe crédito para a atividade econômica em curso. Pára tudo –e de repente: daí o pânico”

“O Brasil tem algumas vantagens importantes em relação a outros emergentes. E o governo Lula deverá saber usá-las. Primeiro, nós não somos exportadores de petróleo e metais – nesse sentido a crise pega a Venezuela e o Chile de frente. Vão ter problemas sérios porque as cotações despencam. Nós vendemos comida e isso deve se manter em bom nível. Segundo: temos, graças a Deus, três fortes bancos estatais, o que dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado. Mais ainda, temos pelo menos três grandes empresas públicas de peso, um trunfo que conseguimos salvar do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior”.

“O que é preciso, portanto, é agir com rapidez e contundência. Desentupir o sistema de crédito. Por exemplo? O Banco Central deve obrigar os bancos a repassarem de fato os recursos liberados do compulsório para irrigar a economia (NR: uma das medidas já tomadas foi a redução do percentual de recolhimento de depósitos à vista no BC) . Eles têm que emprestar a quem precisa. O governo fez a sua parte, deu a cenoura para os grandes bancos repassarem liquidez. Se eles insistirem em segurar recursos o governo deve impor uma penalização forte sobre o volume retido. Já demos a cenoura – se a mula empaca é hora do stick (o porrete)”. (Do site www.cartamaior.com.br)

Criminalização da pobreza: seminário aprova fórum permanente

Reunindo cerca de 200 lideranças de todo o país, o Seminário “A Criminalização da Pobreza, das Lutas e Organizações dos Trabalhadores”, realizado nos dias 21 e 22 de outubro, na sede nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, aprovou a manutenção de um fórum permanente para receber denúncias relacionadas ao tema, examinar situações e propor medidas que garantam a liberdade e a autonomia dos movimentos sociais frente à perseguição de governos e empresários. O Fórum estará aberto à adesão de novas entidades.

Com a participação de dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT) e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), entre outras importantes entidades, o Seminário propôs a deflagração de campanha para cobrar medidas concretas da Presidência da República, do Judiciário e do Legislativo no sentido de responsabilizar as empresas que incorrem em práticas anti-sindicais e de criminalização da atividade dos sindicatos de trabalhadores.

De acordo com Antonio Carlos Spis, que representou a direção nacional da CUT no evento, a constituição de um fórum permanente, coordenado pela OAB, vai possibilitar que o tema se mantenha sempre em pauta. Na prática, relatou Spis, “será um instrumento de pressão para combater a impunidade e corrigir injustiças, ampliando e amplificando denúncias contra mandantes de crimes, contra autoridades e empresários que demitem lideranças, que impedem a livre organização sindical”. O fundamental, sublinhou, “é que a partir de agora qualquer pessoa agredida em seus direitos receberá a solidariedade do fórum como um todo”.

Conforme o dirigente cutista, o tema da criminalização dos movimentos sociais será um dos enfoques prioritários do mundo do trabalho no Fórum Social Mundial, que será realizado de 27 de janeiro a 1º de fevereiro em Belém do Pará.

Leia abaixo a íntegra da Carta de Brasília, aprovada no Seminário.

Contra a criminalização da pobreza, da luta e das organizações dos trabalhadores

Reunidos em Brasília, representantes de sindicatos, centrais sindicais, movimentos populares e estudantis, entidades representativas dos advogados e magistrados, com o objetivo de estudar e debater a crescente onda de criminalização da pobreza, das lutas e das organizações dos trabalhadores de nosso país, decidimos apresentar essa Carta à sociedade brasileira.

São quase diários os massacres de jovens e trabalhadores, negros e pobres em sua imensa maioria, em algumas cidades do país, assassinados pela polícia do Estado em operações voltadas pretensamente para o combate ao crime organizado.

O ajuizamento de ações de “Interdito Proibitório”, instrumento utilizado generalizadamente junto à Justiça Civil e à Justiça do Trabalho, tem sido o principal meio através do qual o empresariado tenta impedir os trabalhadores de exercer o direito à manifestação e à greve, garantias constitucionais inquestionáveis.

Alem dos interditos, a intervenção – via de regra truculenta – da polícia para impedir o trabalho do sindicato na construção e condução das mobilizações dos trabalhadores, a perseguição e demissão de dirigentes e ativistas sindicais completam um quadro que parece retroceder à realidade do início do século passado e dos períodos ditatoriais, quando a luta dos trabalhadores era considerada “caso de polícia”.

Os interditos proibitórios e a ação da polícia do Estado são utilizados, de forma ainda mais violenta e abusiva, contra movimentos populares que buscam organizar o povo pobre para lutar por uma vida minimamente digna. Existem hoje em nosso país cidadãos proibidos pela Justiça de “passar em frente a uma prefeitura”, e são inúmeros os casos em que a violência policial foi utilizada de forma completamente abusiva, em defesa da propriedade e não da lei.

Os recorrentes assassinatos de trabalhadores no campo e na cidade, de líderes religiosos, populares e indígenas, acompanhados quase sempre da impunidade, o que incentiva a mais crimes, é uma triste e dura realidade em nosso país. A presteza, a rapidez e a força que os órgãos policiais e judiciais não têm para punir os assassinos sobram na hora de reprimir os movimentos sociais e sindicatos que lutam pela reforma agrária e urbana.

Sequer as mobilizações estudantis escapam dessa realidade. Neste último período a luta dos estudantes e demais setores da comunidade universitária em defesa da educação pública, de qualidade e para todos, tem sido alvo de um processo repressivo cada vez mais intenso. Muitas entidades estudantis estão ameaçadas por multas milionárias originadas nos mesmos interditos proibitórios. Há dezenas de estudantes processados neste momento, pelo menos, em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Brasília.

Para agravar ainda mais este quadro começamos a assistir nos últimos meses a uma ação cada vez mais ousada do governo federal, através do Ministério do Trabalho, no sentido de intervir nas organizações sindicais, cassando ilegalmente registros sindicais, concedendo outros sem a observância dos preceitos legais, ferindo frontalmente o que está prescrito na Constituição Federal.

Ao contrário do que pode parecer, estes problemas não dizem respeito apenas às entidades e pessoas diretamente envolvidas. A ocorrência generalizada destes fenômenos indica claramente que são resultado de uma política, de uma ação consciente e organizada envolvendo empresários, proprietários rurais e governos, para limitar ou diretamente impedir o acesso dos trabalhadores ao exercício de garantias constitucionais, de lutar em defesa de seus direitos sociais e por uma vida melhor.

Não se pode dizer que há democracia e vigência do Estado de Direito em um país em que os trabalhadores que se organizam para a luta e a pressão social sejam tratados como criminosos; em que a proteção ao Capital e à ganância pelo lucro resumam as atribuições das instituições do Estado. Mais grave ainda tende a ficar a situação se considerarmos que a crise econômica que ora se apresenta, como tem sido a regra, pode aumentar ainda mais a degradação das condições de vida e o ataque aos direitos dos trabalhadores.

Afirmamos categoricamente: a criminalização da pobreza, da luta e das organizações dos trabalhadores são inaceitáveis! Esta situação precisa mudar!

É necessário que se estabeleça o respeito aos direitos dos trabalhadores e, particularmente neste momento, o direito à livre organização sindical e popular, o pleno direito à greve e à mobilização social como meios legítimos de defesa das reivindicações sociais e da busca por melhorias na condição de vida.

Nesse sentido, os representantes das entidades signatárias dessa Carta, adotam as seguintes iniciativas:

– Constituir um “Fórum Nacional contra a criminalização da pobreza, da luta e das organizações dos trabalhadores” aberto à incorporação de novas entidades, sob a coordenação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que se reunirá regularmente para receber denúncias relacionadas ao tema, examinar situações e propor medidas de combate à criminalização dos movimentos e lutas sociais;

– Desencadear uma campanha buscando atingir este objetivo: iremos cobrar medidas concretas da Presidência da República, dos poderes Judiciário e Legislativo e apelaremos às cortes internacionais; exigiremos a responsabilização das empresas que incorrerem em práticas anti-sindicais e de criminalização da atividade dos sindicatos de trabalhadores;

– Denunciaremos a toda a sociedade esta situação ao mesmo tempo em que buscaremos mobilizá-la para pressionar os poderes constitu
ídos pelas mudanças que aqui preconizamos, pela correção das injustiças e reintegração ao trabalho de trabalhadores e dirigentes atacados;

– Como parte das atividades do “Fórum Nacional”, o Seminário indica que sejam analisadas as condições e causas da grande quantidade de trabalhadores que morrem exercendo o seu trabalho no campo e nas fábricas;

– Constitui um princípio de ação do “Fórum Nacional” que toda agressão ao direito de manifestação e exercício das atividades sindicais, dos movimentos populares e estudantis, em qualquer entidade na qual o trabalhador, dirigente ou ativista atue, será entendida como uma agressão ao coletivo de entidades signatárias dessa “Carta”;

– Convocar amplamente uma atividade a ser realizada durante o “Fórum Social Mundial” em janeiro de 2009, em Belém/PA, que debata a criminalização dos movimentos sociais.

A essa luta conclamamos todos os sindicatos, centrais sindicais, movimentos populares, organizações e entidades democráticas de nosso país. Juntos, mobilizados, faremos valer os direitos daqueles que constroem, com seu suor e trabalho, todas as riquezas deste país.

Brasília, Sede Nacional do Conselho Federal da OAB, 21 e 22 de outubro de 2008.

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Por: CUT

A CUT tem lado: a classe trabalhadora

A Central Única dos Trabalhadores torna público seu repúdio à seqüência de episódios antidemocráticos que, lamentavelmente, aconteceram nos últimos dias. São demonstrações explícitas da truculência dos governos tucanos e patrões neoliberais, que podem ser comparadas às ocorridas durante o longo período do regime militar em nosso país.

Os lamentáveis fatos que ocorreram nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, especialmente, refletem o tratamento que esses governos têm dado aos trabalhadores brasileiros. A ausência de diálogo e a represália, marca registrada tucana, demonstram um comportamento semelhante ao dos interventores da ditadura militar.

A CUT, desde sua fundação há 25 anos, tem como um de seus mais fortes princípios a liberdade e autonomia sindical, e entende que a organização e a negociação coletiva são direitos inalienáveis dos trabalhadores e trabalhadoras, sejam do setor público, privado, urbano, rural, ativos ou aposentados.

Princípios como estes guiam nossa Central e nos deixam à vontade para continuar a luta contra àqueles que ferem a Constituição e que desrespeitam esses direitos por meio de ataques aos trabalhadores que atingem a dignidade do povo brasileiro.

É inadmissível a insistência dos governos tucanos em confundir a opinião pública com artifícios fascistas, com o apoio de alguns meios de comunicação que divulgam informações unilaterais, com o intuito de discriminar e criminalizar movimentos sociais.

Exemplos disso são as represálias que empresários neoliberais e o tucanato têm usado covardemente para fazer calar trabalhadores de diversas categorias. As ações de interditos proibitórios contra os bancários de todo o país, que estão em greve, é prova notória de prática anti-sindical. A truculência da PM para impedir a manifestação da CUT e dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul, ordenada pela governadora Yeda Cruisis, e a irresponsabilidade de José Serra em São Paulo, em não receber os policiais civis em greve para negociar, colocam em risco a segurança da população.

Porém, fatos reais, deixam de ser divulgados. “O outro lado da notícia”, tem como protagonistas bancários, policiais civis, servidores da saúde, da educação e de outras categorias de trabalhadores que realizam manifestações para reivindicar direitos e para isso, buscam acima de tudo o diálogo, a negociação.

Este é o lado da CUT: o da classe trabalhadora, que é o lado do trabalho decente, digno e de uma sociedade justa. A CUT é a favor do desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho e vai continuar a luta em defesa da garantia e ampliação dos direitos de todos os trabalhadores. Não vamos nos calar frente às ameaças, pois queremos que os governos façam valer o direito à negociação de todos os trabalhadores brasileiros.

Nós temos esse direito! Somos fortes, somos CUT.

ARTUR HENRIQUE

Presidente Nacional da CUT

Por: CUT

Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados

Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade. O cenário não muda dentro da escola, onde 75% acha que a administração do colégio ou mesmo da secretaria de educação de sua cidade não reconhecem a importância da categoria. A constatação é da pesquisa A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor, da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-americanos. Mais de 8 mil professores em 19 estados participaram do estudo.

“O fato de não serem valorizados [professores] como profissionais, sem perspectiva de bons salários ou de uma carreira, leva a um processo de desvalorização. Os jovens não procuram o magistério o que cria um efeito dominó”, comenta o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Apesar da avaliação negativa sobre o reconhecimento da profissão, 67% dos professores disseram que não mudariam de profissão. “Esse percentual é muito bom. É mesmo uma profissão que envolve. Você está sempre em contato com o que tem de novo no mundo, que são as crianças e os jovens. Isso é importante, é gostoso”, conta Leão.

Outro tema avaliado pela pesquisa foi o grau de satisfação dos professores referente aos diferentes aspectos da escola, desde a infra-estrutura até o relacionamento com as famílias dos estudantes. Para 81, 3% dos entrevistados, a relação do professor com seus alunos é o que traz mais satisfação.

Em todos os pontos avaliados, o nível de contentamento dos professores da rede particular é sempre maior do que os da pública. Sobre as instalações, equipamentos e materiais que a escola dispõe para otimizar as aulas, 84, 1% dos professores da rede privada dizem estar satisfeitos, contra 47, 3% da rede pública.

A professora Margarete Lopes vive as duas realidades. Ela dá aula de artes visuais em uma escola pública de Taguatinga – cidade do Distrito do Federal, distante 20 quilômetros de Brasília – e em um colégio particular da cidade. Projetores, DVD, televisão e internet são alguns dos recursos que ela dispõe para dinamizar o ensino na instituição privada.

“Os recursos digitais influenciam muito no processo de aprendizado, porque hoje, em qualquer nível social, o estudante tem acesso a essas tecnologias. Se a escola também oferece esses meios, o resultado é mais positivo, atrai o aluno”, avalia a professora. Na escola de Taguatinga, os recursos são mais limitados. “A gente tem projetor, TV, laboratório de informática, mas é um aparelho e eu não sou a única querendo usar”, explica.

Além da questão estrutural, Margarete acredita que para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas é preciso que toda a sociedade se comprometa com a causa, além da vontade do governo. “A escola pública pode melhorar bastante a partir do momento em que as políticas educacionais sejam verdadeiramente compromissadas”, acredita.

Fonte: Terra

A valorização é o melhor presente

No mês de outubro comemoramos o Dia do Professor, 15, e o Dia do Servidor Público, 28. Para nós, a verdadeira comemoração é a adoção imediata em todo o país do Piso Salarial Profissional Nacional, conforme prevê a lei. A valorização e o investimento em qualificação e profissionalização são uma justa homenagem aos educadores. Por isso, neste dia 15 de outubro devemos lembrar a governantes estaduais e municipais – já incluindo os eleitos nas eleições de outubro em primeiro turno – que educação de qualidade se faz com investimentos nos profissionais da área. Não dá para aceitar o discurso de governantes que se dizem defensores da educação e barram o piso sob a alegação de que não há recursos para bancá-lo.

‘O Piso é Lei, Faça Valer’ é uma luta de todos para que crianças e adolescentes ao se utilizarem de um direito garantido pela Constituição Federal – de freqüentar a escola – tenham acesso a um ensino de alto padrão, com professores valorizados, recebendo uma remuneração justa e com direito à formação continuada. O piso é peça chave no processo de construção do ensino de qualidade no Brasil. A hora requer mobilização, não só dos trabalhadores em educação, mas de toda a sociedade, que também será beneficiada. (fonte: CNTE)

Hoje é dia de mobilização em todo país

Acontece nesta quinta-feira, (16), em todo o país, a segunda etapa da Campanha “O Piso é Lei, Faça Valer!”, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Mais uma vez, os trabalhadores em educação da rede pública vão realizar atividades para pedir a implantação “Já” do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN).

A primeira fase da campanha, realizada no dia 16 de setembro, foi um sucesso. Doze estados atenderam a convocação da CNTE; aqueles que não paralisaram, realizaram atos e audiências públicas para chamar a atenção sobre a necessidade de os governos estaduais e municipais implementarem o piso o mais breve possível.

Desta vez, a CNTE espera uma mobilização ainda maior porque vai aproveitar as comemorações pelo Dia do Professor (15 de outubro) para enfatizar a necessidade de toda a categoria garantir um direito estabelecido por lei e que representa o reconhecimento do importante papel dos professores na formação de crianças, jovens e adultos. “Até pelo menos o mês de dezembro, sempre no dia 16, estaremos mobilizados em todo o país. Vamos lutar o quanto for preciso pela implementação do piso que representa a valorização do magistério”, afirma Roberto Leão, presidente da CNTE.

“Estmaos promovendo audiências públicas de esclarecimento aos profissionais de educação e à sociedade em geral sobre a importância do piso e das diretrizes nacionais da carreira, que integram o plano de luta para a concretização de uma educação pública de qualidade”, acrescenta Leão.

Nas capitais e no interior dos estados estão organizadas assembléias e audiências públicas, seminários, passeatas e panfletagens. Também a partir deste mês, as entidades filiadas vão organizar caravanas a Brasília para pressionar os parlamentares a não aprovarem projetos que possam propor alterações na lei do piso.

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