O Mistério do Inter-relacionamento entre as finanças e a economia da produção e do consumo

“É nos momentos de crise financeira que a opinião pública se volta a este tema: como se interrelacionam o mundo financeiro com suas vicissitudes especulativas e o mundo da produção e consumo de valores de uso. São dois mundos distintos: no primeiro circulam valores monetários denominados genericamente de ativos porque são créditos, a cada um dos quais corresponde um débito (ou passivo); no segundo circulam bens e serviços que satisfazem necessidades de seres humanos, que por isso se dispõem a pagar para adquiri-los. Estes bens e serviços são mercadorias – produtos do trabalho humano destinados à venda, à troca por dinheiro – e neste sentido também são valores monetários. A diferença entre ativos e mercadorias é que os primeiros são valores virtuais, isto é, não satisfazem qualquer necessidade diretamente, ao passo que os últimos são valores reais, prontos para serem utilizados ou consumidos. As finanças prestam serviços à economia real: recebem em depósito a poupança de famílias e empresas (sem falar dos governos) e lhes oferecem empréstimos. Serviços financeiros são basicamente de intermediação entre famílias e empresas que têm poupanças e outras que necessitam de dinheiro. As finanças recolhem o dinheiro sobrante das primeiras e o emprestam às últimas. Mas, sua atividade principal é emprestar a governos e empresas para que possam fazer investimentos. Embora as compras a prazo dos consumidores sejam importantes – sobretudo o crédito hipotecário – a maior parte dos ativos se destina a financiar investimentos do poder público e das empresas capitalistas, sobretudo de grande porte. Além disso, boa parte da poupança captada pelas finanças são delas mesmas. A atividade financeira expandiu-se acentuadamente nos últimos decênios de globalização e neo-liberalismo, usufruindo de lucros extraordinários, parte dos quais alimentam as remunerações milionárias dos altos executivos financeiros. Uma parte crescente do capital total da economia capitalista globalizada gira no mundo financeiro e nas fases de alta dos ciclos de conjuntura usufrui de inegável hipertrofia.[1] São muitas as modalidades de empréstimos praticados pelas finanças: depósitos bancários, títulos negociados em Bolsas de Valores, emissões de títulos por governos, grandes empresas, companhias de seguros (apólices), emissão de cartões de crédito e de débito e assim por diante. O que efetivamente importa é que os intermediários podem emprestar mais dinheiro do que captaram do público ou de outros intermediários. Eles podem fazer isso porque gozam de crédito por parte do público que aceita em pagamento os ativos avalizados por bancos. É assim que funcionam os cheques e os cartões eletrônicos: são ordens de pagamento que o cliente do banco emite para que determinadas dívidas, que ele faz junto a lojas, restaurantes etc., sejam pagas pelo seu banco. A grande maioria das transações dos agentes da economia real é liquidada por meio de instrumentos chamados meios de pagamento emitidos por bancos. Só transações de pouco valor são liquidadas por meio da moeda oficial emitida pela Autoridade Monetária, que pode ser o Banco Central ou o Tesouro do governo nacional. Os bancos ganham dinheiro fazendo empréstimos, pelos quais cobram juros. Os serviços que prestam aos depositantes só lhes dão despesas. Os bancos precisam dos depósitos porque eles constituem o lastro dos empréstimos que fazem. O Banco Central exige que os bancos comerciais mantenham um encaixe[2] mínimo que serve para cobrir os saques dos depositantes. Os prestatários (que recebem os empréstimos) sacam rapidamente os valores acrescentados aos seus saldos para pagar os fornecedores de equipamentos, instalações, matérias primas etc. que são os elementos materiais de seus investimentos. Os fornecedores, por sua vez, depositam imediatamente o dinheiro recebido em seus bancos, quando o dinheiro não é transferido diretamente para suas contas. O que significa que o dinheiro utilizado pelos agentes da economia real para liquidar transações entre eles circula incessantemente entre os bancos, ou seja, no âmbito financeiro. Quando todos os bancos, no afã de ganhar mais, ampliam os empréstimos a agentes da economia real, os depósitos de todos eles aumentam. O efeito importante é sobre a economia real, que se expande na medida em que os investimentos crescem, o que ocasiona a ampliação do emprego, da produção e do consumo. A expansão da economia real se auto-alimenta na medida em que desempregados conseguem trabalho, os gastos do público aumentam, o que suscita mais investimentos, mais emprego e mais produção. O ciclo de conjuntura A fase de alta do ciclo se origina mais frequentemente na economia real do que no âmbito financeiro. Ela é desencadeada geralmente por inovações tecnológicas de grande impacto sobre a produção e/ou consumo ou por mudanças institucionais, como a instauração de sistemas de previdência social, de assistência à saúde ou de transferência de rendimentos à população mais pobre. A realização de inovações tecnológicas exige investimentos vultosos, o que eleva as demandas de financiamento por parte das empresas. O mesmo se dá quando iniciativas governamentais de redistribuição de renda elevam os gastos de consumo de amplos setores da sociedade, o que também requer investimentos para ampliação da capacidade de produção dos bens e serviços consumidos por aqueles setores.. O crescimento da demanda por empréstimos normalmente evoca resposta favorável das finanças, que farejam oportunidades para bons negócios. É conhecida a tendência dos intermediários financeiros de agir como rebanhos: quando a alta cíclica da economia real acontece, todos os banqueiros se entusiasmam, convictos de que os riscos de que os empréstimos deixem de ser pagos tornaram-se insignificantes. Na medida em que as expectativas otimistas se revelam verdadeiras – os financiamentos são pagos pontualmente – o entusiasmo cresce até se tornar euforia. Micro empresas, incapazes de oferecer garantias reais normalmente exigidas, acabam por receber empréstimos em função do seu potencial, representado algumas vezes por não muito mais do que uma boa idéia. A euforia é contagiante. Ela pode ter começado na economia real e contaminado as finanças ou vice-versa. Seja como for, enquanto o potencial das inovações tecnológicas ou das mudanças institucionais não estiver esgotado, a fase de alta do ciclo se eleva cada vez mais, graças à interação simbiótica das finanças com a economia real. Até que ela bate num teto. Este pode ter por causa o esgotamento da capacidade de expansão da oferta de mercadorias, por falta de mão-de-obra ou de oferta de energia ou de capacidade de transporte e armazenagem ou de tudo isso em conjunto. Outra origem do teto para a alta pode ser o esgotamento da necessidade das mercadorias cuja produção está em perene aceleração. Este foi o caso da bolha imobiliária, que está na origem da atual crise financeira. A demanda por habitação costuma ser grande, mas certamente não é infinita. A alta da atividade de construção tem elevado poder de irradiação por toda economia, na medida em que ela implica em procura crescente por material de construção, equipamentos e mão-de-obra, além de mobília, eletrodomésticos, objetos de decoração etc., etc.. Como a construção de casas e prédios é relativamente prolongada, quando o esgotamento da demanda se torna manifesto, a quantidade de construções em andamento está no auge. Interrompê-las pode ser extremamente custoso, mas levá-las a cabo implica em mais investimentos numa mercadoria que provavelmente se tornará invendável, a não ser por um preço muito abaixo do custo. O estouro duma bolha imobiliária atinge em cheio as finanças porque imóveis são objetos privilegiados para a especulação, particularmente porque os investimentos parecem protegidos por elevada garantia material, qual seja, os próprios imóveis. Uma parte da intermediação financeira s
e especializa no financiamento hipotecário e quando a bolha atinge seu apogeu este setor atrai enorme quantidade de dinheiro, parte do qual é investida na especulação fundiária. Quando finalmente a oferta de residências ultrapassa a demanda solvável, o preço tanto dos terrenos como das construções despenca, acarretando grandes prejuízos não só aos investidores, mas também às instituições que os financiam. No caso da atual crise financeira, a peculiaridade é que, durante a alta, instituições financeiras fizeram empréstimos à população de baixa renda, que implicam riscos maiores do que os normais. Por isso os títulos de crédito destas operações recebem a classificação de subprime, o que significa algo como “abaixo dos melhores”. Para poder vender estes títulos ao público sem deságio, as instituições os empacotaram com outros títulos de risco considerado menor, numa manobra conhecida como de diluição de riscos. A operação aparentemente foi um sucesso: títulos no valor de muitos bilhões de dólares foram incorporados às carteiras de ativos de numerosos bancos de investimento, não só dos Estados Unidos, mas também da Europa. Quando o ciclo imobiliário entrou em baixa, o preço das residências e o aluguel das mesmas sofreram forte queda, tornando desproporcionalmente onerosa a dívida assumida por milhões de famílias pobres. Em outras palavras, o prejuízo causado pelo estouro da bolha foi colocado sobre os ombros de quem menos podia suportá-lo. Os devedores deixaram de honrar suas dívidas, arriscando-se a perder suas casas e apartamentos, cada vez mais desvalorizados. Desta maneira o prejuízo bilionário da crise imobiliária voltou ao colo dos especuladores financeiros, que se mostraram igualmente incapazes de suportá-lo. Um grande banco estadunidense faliu e diversos outros foram provisoriamente estatizados, tanto na América do Norte como na Europa. Crises que se originam no âmbito financeiro Há crises que se originam no próprio setor financeiro, sem envolver inicialmente a economia real. Uma crise deste tipo ocorreu em 2000, nos Estados Unidos, por ocasião da grande euforia ocasionada pela criação da Internet e a conseqüente revelação de suas inegáveis potencialidades. A criação de empresas de informática muito lucrativas e capazes de expansão fulminante provocou uma corrida nas Bolsas de Valores por ações de firmas em setores de alta tecnologia. As ações passaram a se valorizar cada vez mais, proporcionando ganhos milionários aos especuladores institucionais – fundos de investimento, fundos de pensão, companhias de seguro etc. – e também a um crescente número de pessoas físicas, que passaram a arriscar suas economias neste jogo. O Federal Reserve – o banco central dos Estados Unidos – resolveu intervir para deter a bolha, certamente para limitar as perdas quando seu inevitável estouro tivesse lugar. Para tanto, o Federal Reserve começou a elevar paulatinamente a taxa oficial de juros, encarecendo deliberadamente o crédito em geral. Esta ação levou meses, até que a taxa de juros para investimento praticamente ‘sem risco’ chegasse a um patamar que levasse investidores a preferir aplicações a juros em lugar de comprar ações, cujo rendimento depende da lucratividade da firma que as emite. A partir deste momento o volume de recursos aplicados em ações começou a diminuir, o que fez com que os seus preços passassem a crescer cada vez menos. Subitamente, o humor dos especuladores mudou inteiramente e um número cada vez maior deles começou a vender suas ações, tendo em vista aplicar o dinheiro em outros ativos. O que causou uma débâcle nas Bolsas, não só dos EEUU, mas também do resto do mundo, com queda vertical das cotações. Os prejuízos dos intermediários financeiros foram enormes, com a perda de trilhões de dólares no valor das empresas. Ficou evidente que as cotações haviam atingido níveis muito maiores do que a lucratividade destas empresas justificaria. O Federal Reserve imediatamente inverteu sua política, passando a reduzir também paulatinamente a taxa de juros, para tentar evitar que a crise das bolsas afetasse a economia real. Mas, apesar da notável agilidade do Federal Reserve, a economia real estadunidense entrou em recessão. O débâcle dos mercados de ações ocasionou fortes perdas aos fundos, cujos investidores passaram a conter seus gastos, o mesmo acontecendo com os milhões de particulares que arriscaram suas economias no jogo especulativo. E o crédito mais restrito e caro também impediu que muitos investimentos planejados fossem executados. A queda na demanda dos consumidores e na realização de investimentos causou uma queda na atividade econômica, que foi enfrentada pela Autoridade Monetária mediante injeções de dinheiro, que ajudaram a financiar o setor imobiliário. A recessão de 2000/2001, agravada pelo ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, foi superada pela persistente alta dos preços dos imóveis e a expansão da atividade construtiva, que constitui o pano de fundo da crise financeira começada em 2007 e que atualmente (2008) começa a afetar a economia real estadunidense e européia. O inter-relacionamento entre as finanças e a economia real. Historicamente, as finanças modernas surgiram desde o século XIV, na Europa Ocidental para financiar os governos monárquicos, principalmente suas guerras e suas alianças matrimoniais. Em muitos países, os primeiros bancos eram oficiais, possuídos por autoridades nacionais ou locais. No Brasil, nosso primeiro banco foi criado por D.João VI no início do século XIX e permaneceu sob controle do governo imperial até a Proclamação da República, sendo a criação de bancos privados mal tolerada pelo poder público. A conhecida propensão das finanças entrarem em crise, como vimos acima, provoca praticamente sempre uma forte intervenção estatal no setor, tendo em vista preservar a normalidade dos negócios financeiros e muitas vezes com o propósito explícito de proteger a economia real das emanações destrutivas da crise financeira. Em diversos países, todos os intermediários financeiros chegaram a ser estatizados e ficaram nesta condição por anos, até que algum governo resolveu reprivatizá-los.. Sem considerar o papel do Estado é impossível compreender o inter-relacionamento entre as finanças e a economia real. Atualmente, as finanças de cada país são constituídas majoritariamente por entidades privadas, mas sob controle e fiscalização do Banco Central. As finanças são quase sempre dominadas por um número reduzido de grandes entidades, que constituem complexos financeiros com atuação em quase todas modalidades financeiras, desde os bancos de varejo e os bancos de investimento atacadistas (que lidam apenas com grandes inversores) até as companhias de seguro, os fundos de investimentos, as companhias de cartões eletrônicos etc.. Com o advento da globalização financeira, produto da abertura total da circulação dos capitais sobre as fronteiras nacionais de numerosos países, o poder do Estado nacional sobre as finanças foi consideravelmente erodido, porque se algum governo nacional vier a tomar medidas que contrariem os interesses das firmas financeiras privadas, ele se defrontaria imediatamente com forte fuga de capitais para paraísos fiscais, que lhes garantem liberdade total de ação a custo muito baixo. Para que os governos nacionais possam recuperar o controle sobre o capital financeiro, a primeira medida teria que ser o restabelecimento do controle sobre a movimentação internacional dos capitais privados. A economia real também é dominada por um punhado de transnacionais de grande porte. Para não ter de se submeter aos complexos financeiros, estas firmas criaram seus próprios braços financeiros, semelhantes aos complexos financeiros independentes. As estruturas das finanças e da economia real se assemelham, sobretudo em seus aspectos oligopólicos e transnacionais. Mas, a economia real é muito mais diversificada e é composta por um número muito maior de empreendimentos de pequeno porte do
que o setor financeiro. Por isso, na maior parte dos países, a intervenção do Estado na economia real é mais dispersa e muito mais diversificada, consistindo em geral na concessão de incentivos e imposição de proibições de atividades que violam a concorrência, os direitos dos trabalhadores ou a preservação de recursos naturais não renováveis. A economia real é instável e imprevisível por causa da ausência de qualquer tentativa de coordenação da produção e do consumo, distribuídos hoje em dia por milhares de mercados distintos. Tentativas de coordenar as ações de todas as empresas de determinado setor são consideradas formação de cartel e portanto ameaças à competição, o que é punível por lei. Decisões devem ser tomadas isoladamente por cada empresa, para que a competição nos diversos mercados seja livre. Para tornar a economia real mais estável e previsível a cartelização de determinados ramos deveria ser não só permitida, mas fomentada e controlada pelo poder público, para tornar as decisões estratégicas das empresas mutuamente congruentes e portanto mais eficazes. O controle público teria por objetivo impedir que o ganho de eficiência seja apoderado apenas pelo segmento mais forte, mas compartilhado com todas as empresas da cadeia produtiva e com os consumidores dos produtos. A instabilidade e imprevisibilidade do mundo financeiro são, em certa medida, reflexos destas características da economia real. Mas, no mundo financeiro a imprevisibilidade é condição indispensável para que possa haver especulação, que constitui a razão de ser de parte considerável (Bolsas de Valores e de Mercadorias) deste mundo. Isso faz com que a instabilidade e a incerteza quanto ao futuro, nas finanças, sejam muito maiores do que na economia real. Os ativos com que lidam as finanças, são contratos a serem executados num futuro, que no capitalismo é inevitavelmente incerto. Além disso, há outra diferença entre as finanças e a economia real que torna a instabilidade e imprevisibilidade muito maior no âmbito financeiro: é que este está sujeito a ondas de otimismo ou pessimismo que arrastam o conjunto de operadores numa ou noutra direção, maximizando ganhos e perdas sempre que o rebanho muda bruscamente de direção. A especulação na economia real se funda mais em informações específicas sobre determinados setores de produção e consumo. Por isso, a economia real é menos propensa a se lançar inteira em ondas de otimismo ou pessimismo, provocadas por apreciações apenas subjetivas. A crise financeira, por tudo isso, pode ser considerada inevitável, pelo menos enquanto a desregulação das finanças permanecer em vigor. A crise faz com que a prestação de serviços financeiros à economia real se contraia cada vez mais até cessar ao todo, a partir do momento em que a crise alcança a maior parte dos bancos e demais intermediários. O trancamento das fontes de crédito obriga as empresas que não dispõem de reservas líquidas abundantes a suspender o pagamento de suas dívidas e se a crise se prolongar elas acabam por falir. Os rombos deixados pelas falidas arrastam suas credoras à inadimplência por sua vez. Desta maneira, a crise financeira contamina a economia real, podendo lançá-la em recessão em pouco tempo. Então, o que fazer? Trata-se de circunscrever a crise financeira, num primeiro momento, para evitar que ela venha a paralisar a economia real. Uma eventual crise da economia real tem conseqüências sociais e políticas muito mais amplas porque ela começa por lançar no desemprego e logo mais na miséria uma parcela substancial da sociedade. Uma crise da economia real é muito mais difícil de reverter por medidas de Estado, porque não basta recuperar a confiança da população em determinadas instituições. Seria necessário criar novas atividades capazes de reinserir milhões de pessoas na economia mediante políticas de fomento e incentivo que somente poderão ser definidas por um processo prolongado de tentativa e erro. A grande crise de 1929 levou uma década para ser superada e mesmo assim graças ao “auxílio” de uma guerra mundial. Como a crise da economia real não aconteceu ainda e tão pouco é fatal, partiremos do pressuposto de que é possível preveni-la desde que sejam adotadas políticas capazes de resolver em curto prazo a atual crise financeira e ao mesmo tempo lancem fundamentos de uma nova estrutura institucional capaz de evitar novas crises financeiras no futuro. Convém lembrar que o sistema monetário internacional implantado nos anos 1930, e consolidado e sistematizado na Conferência de Bretton Woods em 1944, livrou o mundo de crises financeiras internacionais por mais de 40 anos. Ao contrário da política do governo de Bush, que se dispõe a resgatar os bancos falidos comprando seus créditos podres, e por isso sem valor, por preços que evitem a bancarrota gastando algo como 700 bilhões de dólares do erário público, o Estado deveria se apossar dos bancos falidos e só então reabilitá-los com recursos do tesouro. Se os governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura. Mas, para superar a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos. Uma vez superada a crise, uma reformulação em profundidade das finanças deveria ser pautada. Há bons argumentos a favor da estatização perene de todos os bancos que emitem os meios de pagamento do país, não só para preservar o meio circulante da especulação mas, sobretudo, para garantir os valores dos depositantes e fazer com que sejam aplicados onde são mais necessários do ponto de vista do interesse geral da sociedade. O que pode implicar numa governança participativa do novo sistema financeiro, com forte presença dos assalariados, trabalhadores da economia solidária, além dos setores empresariais de praxe. Se as finanças fossem todas colocadas sob um comando unificado, elas poderiam controlar a economia real inteira, impondo-lhe diretrizes sobre o que e quanto produzir e consumir, de forma semelhante ao que foi feito nos países do ‘socialismo real’ no afã de planejar centralmente todas as atividades econômicas. Este não é um modelo que permitiria a paulatina construção duma economia socialista autogestionária. Em lugar dele algo como um parlamento econômico, composto por representantes eleitos dos diferentes modos de produção – capitalismo, pequena produção de mercadorias, economia solidária, economia pública local, regional e nacional etc.. – certamente seria mais adequado. Finalmente, o mercado de capitais teria de ser reformulado, tendo em vista não só coibir a especulação, mas também reconstruir os laços entre o investidor privado e o empreendimento em que ele é sócio. Neste sentido, seria necessário retirar a presente “liquidez” dos investimentos, que hoje podem ser colocados numa firma e retirados depois num piscar de olhos e quase sem custos. Entre as idéias que me ocorrem uma seria limitar o número de sócios de cada firma, de modo que seja possível a cada um participar efetivamente da administração da mesma, pelo menos na condição de membro duma assembléia de acionistas com influência real sobre a empresa. Só assim, propostas de cogestão de empresas por proprietários, empregados e representantes dos clientes p.ex. poderiam ser viáveis.” (Paul Singer, publicado no Portal do Mundo do Trabalho).

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[1] Michel Husson, Le capitalisme toxique (a paraitrre dans Inprecor)
[2] Encaixe é uma reserva em moeda oficial (notas emitidas pela Autoridade Monetária) que o Banco Central obriga os bancos a manter a disposição dos depositantes que fazem saques. O valor do encaixe soe ser uma proporção do total dos depósitos em cada banco.

Democráticos???

No mês de setembro, o jornal Folha de São Paulo publicou artigo do economista Fábio Giambiaggi, no qual tecia críticas veladas – nunca diretamente – ao posicionamento da CUT durante o Fórum Nacional da Previdência. Prontamente, a Central enviou um artigo em resposta. O jornal não a publicou. Mesmo após dois meses, o artigo assinado pelo presidente Artur Henrique continua atual, por discutir o conceito de diálogo social e os efeitos dessa prática democrática sobre a sociedade como um todo. Veja o texto a seguir:

Democráticos???

“Em artigo na FSP de 21/09/2008, intitulado “autoritários”, um conhecido economista representante do pensamento neoliberal teceu duras críticas à segmentos da universidade, dos partidos de esquerda e do sindicalismo por seu caráter autoritário, porém a atual crise financeira internacional além de balançar a economia dos países centrais vem colocando em xeque esse conjunto de idéias por ele defendidas- estas sim autoritárias – que perpassaram as últimas décadas do século XX e o início do século XXI na qual a hegemonia do mercado era a solução para todas as mazelas do mundo.

O pensamento único neoliberal legitimado por um discurso tecnicista que procurava esconder por trás de planilhas e fórmulas econométricas interesses de grupos determinados, em especial os ligados ao setor financeiro, hoje encontra na realidade sua principal adversária e tal qual em outros momentos tentam classificar como autoritários todos que ousam ampliar o debate democrático sobre às escolhas políticas de nosso país.

Artur HenriqueIncomoda aos defensores do pensamento único cunhado pelo Consenso de Washington a pluralidade de idéias e os espaços de discussão e interlocução política abertos nos últimos anos. Ainda reféns do “Círculo de Viena” acreditam ser os portadores da razão e imersos em suas planilhas não percebem a complexidade da realidade histórica na qual são tão somente uma das muitas vozes que construirão o Brasil de amanhã.

Avessos a idéia que a história se faz para além dos escritórios de consultorias tentam insistentemente desqualificar os movimentos sociais classificando-os como obstáculos “à agenda que pretende integrar o Brasil às tendências mais modernas do mundo”.

Uma característica comum aos defensores do pensamento único está em acreditarem no “mito do novo”, na qual o moderno é sinônimo de ótimo. Não percebem porém que, confrontados com a realidade a cada nova crise, vão deixando de serem eles os “modernos” superados pela própria dinâmica da história.

A principal mudança ocorrida nos últimos anos em nosso país mais do que qualquer outra está na participação da sociedade organizada em fóruns coordenados pelo governo em substituição às decisões tecnocratas que ocultavam nas brumas da isenção científica interesses de grupos específicos.

Nos espaços democráticos de discussão todas as análises e argumentos são passíveis de contestação, tanto técnicas quanto políticas. Os interesses são explicitados e as caixas pretas dos modelos matemáticos são abertas para crítica científica e social. Não há verdades absolutas, tão pouco pensamento único, mas uma pluralidade de visões das quais são definidas as escolhas. Se são as certas, somente o tempo dirá, mas pelo menos são escolhas da qual diferentes atores delas participaram.

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES (berço do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC e da Política de Desenvolvimento Produtivo – PDP) e o Fórum Nacional da Previdência são espaços característicos dessa visão, que não é nova ou moderna, ao contrário, ela tem origem nos mecanismos que criaram a Organização Internacional do Trabalho – OIT já em 1919 tendo como princípio a democracia que tem suas origens na Grécia antiga.

Vale a pena aqui detalhar um pouco o processo de discussão no Fórum Nacional da Previdência que tentam desqualificar por este não ter optado pelas reformas defendidas pelos neoliberais. Neste, as diferentes posições foram explicitadas e os diversos modelos de projeções para a previdência foram confrontados deixando claras as diferentes visões de cada modelo.

Na ocasião defendíamos que as projeções que subsidiavam os que defendiam a reforma da previdência não consideravam o impacto do crescimento econômico, da inclusão previdenciária, do aumento dos empregos e da remuneração dos trabalhadores e muito menos das melhorias na gestão, fatores estes determinantes quando tratamos das contas da previdência.

Mais do que defender aqui nossas posições, mesmo porque as próprias contas da previdência com o aumento crescente da arrecadação associado ao crescimento econômico já evidenciam o que apontávamos, é importante se ater para o fato de que lá se conseguiu construir consensos a respeito de um conjunto de preocupações que hoje são objetos de discussão de políticas para sua superação, como é o caso do grande contingente de trabalhadores desprotegidos do sistema social brasileiro que carecem de medidas concretas de formalização.

Por fim, cabe aqui a lembrança, de que as escolhas no que se refere às potencialidades abertas pelas descobertas dos poços de petróleo do pré-sal e da bioenergia são patrimônios dos quais a nação deverá definir em espaços democráticos, na qual o papel dos técnicos será fundamental, porém, somente uma das múltiplas determinações que definirão nosso futuro.” Artur Henrique, presidente nacional da CUT

O ensino médio feito à distância

A decisão do Conselho Estadual de Educação, homologada pela secretária da Educação, autorizando as escolas de ensino médio a oferecer até 20% da carga horária na modalidade a distância poderá contribuir para uma queda ainda maior da qualidade do ensino em São Paulo.
Uma medida de tal impacto no processo educacional deveria ser objeto de debates na rede estadual de ensino. É notório que a oferta de vagas não atende à demanda no estado e os índices de evasão e repetência são altos, sobretudo no noturno, tendo em vista a inadequação dos conteúdos e das dinâmicas à realidade e às necessidades dos alunos-trabalhadores e da juventude em geral. Antes de propor “inovações”, a secretária da Educação deveria preocupar-se em construir uma identidade ao ensino médio.
A meta deve ser a construção de uma educação científico-tecnológica básica, que combine conhecimentos gerais e específicos, articulando pensamento e ação, teoria e prática, escola e sociedade, contemplando: universo da ciência contemporânea; novas tecnologias; relações sócio-históricas estabelecidas pelos homens na sociedade e no trabalho; diferentes formas de linguagem presentes nos espaços sociais e produtivos. Para tanto, o currículo deve combinar uma parte comum (75%) e uma parte diversificada (25%) livremente definida pelas escolas, de acordo com os projetos político-pedagógicos.
Se, em alguns estados com grande extensão territorial e incontornáveis dificuldades de acesso – como na Amazônia – podem ser encontradas justificativas para a aplicação do ensino regular a distância, em São Paulo é completamente descabida a adoção desta forma de ensino, considerando que a transmissão e a construção do conhecimento são processos coletivos, que exigem a inter-relação presencial professor-aluno, aluno-professor e aluno-aluno.
Pretender substituir tal processo de ensino-aprendizagem por outro, no qual o aluno relaciona-se de forma passiva com conteúdos pré-configurados, transmitidos através de um monitor de vídeo significa, na verdade, uma rendição do Estado frente aos problemas do ensino médio decorrentes das políticas educacionais aplicadas por este mesmo Estado.
Não se trata de combater as novas tecnologias. Trata-se, na verdade, de manter e valorizar os processos educacionais que privilegiam a relação direta entre o professor e seus alunos, pois é desta interação, necessária e insubstituível, que pode emergir um ensino de qualidade, desde que asseguradas condições materiais, gestão democrática, projeto político-educacional adequado e outros pressupostos.
As novas tecnologias são ferramentas fundamentais e úteis a professores e alunos como pontes para o conhecimento. Mas, não podem ser utilizadas para substituir ou obstaculizar a relação entre professores e alunos. Qualquer tentativa de fazê-lo significa condenar a educação do estado de São Paulo a mais atraso e menos qualidade. (Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta da APEOESP).

Campanha será lançada no próximo dia 20

A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres tem nova data de lançamento: 20 de novembro. O evento consistirá em um ato político no Senado Federal, na sala da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH, a partir das 10h.

A mesa de abertura será coordenada pelo senador Paulo Paim (PT/RS), presidente da CDH. A Comissão realizará o ato em parceria com a bancada feminina do Congresso Nacional, conjuntamente com as promotoras da Campanha 16 Dias de Ativismo: a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – SPM/PR e a Agende Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento – AGENDE.
O lançamento contará com a presença da ministra Nilcéa Freire, da SPM/PR, de representantes do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – UNIFEM, do Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA, além da diretora-executiva da AGENDE, Marlene Libardoni.

Na ocasião serão apresentados os materiais publicitários e informativos da Campanha 16 Dias de Ativismo. O slogan deste ano é: Há momentos em que sua atitude faz a diferença. Lei Maria da Penha. Comprometa-se. Os VTs publicitários foram gravados pela atriz Cissa Guimarães e pelo ator André Ramiro. A intenção é que os VTs estimulem a população a tomar atitude pelo fim da violência contra as mulheres.

Participe! A Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro convida a todas as mulheres e homens a prestigiar e apoiar o lançamento da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Sua presença faz a diferença!

Congresso apóia conferência de comunicação

O plenário do 8º Congresso dos Trabalhadores em Educação, realizado no último fim de semana, aprovou uma moção de apoio à realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, para que toda a sociedade possa discutir os marcos regulatórios e as questões tecnológicas que devem ser definidas para a construção de uma mídia democrática no país.
Todos os movimentos sociais ligados às lutas pela democratização da Comunicação têm defendido a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo poder Executivo. É uma unanimidade que congrega entidades como o Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), a CUT, o Conselho Federal de Psicologia, o Coletivo Intervozes, o PT, a Fenaj, os Sindicatos dos Jornalistas de todo Brasil, a Fitert (Radialistas), Abraço (Rádios Comunitárias) etc.
As conferências nacionais são espaços de participação popular e controle social, utilizados pelo governo federal para formular políticas públicas para áreas diversas, como saúde, cidades e juventude. Participam das conferências delegados representantes da sociedade civil, empresários e governos, de forma proporcional. Convocadas pelo poder Executivo, têm etapas municipais, estaduais, além da etapa nacional. São financiadas com recursos da União e presididas, normalmente, pelo ministério da área correlata.
Constituem, assim, um espaço público onde os diversos interesses, inclusive contraditórios, de uma área são discutidos para estabelecer políticas de Estado. Um espaço para a construção coletiva do interesse público.
As conferências são, em suma, espaços de exercício democrático, de conversão em discussão pública de temas que, no Estado brasileiro, normalmente são tratados na esfera privada. Radicalizam a democracia, aprofundam um caminho que começou a ser trilhado no Brasil pela instituição de conselhos municipais, estaduais e nacionais das mais diversas áreas e pelas políticas de democracia diretas, como o Orçamento Participativo e as audiências públicas dos poderes legislativos. Só isto bastaria para que a Conferência fosse considerada um ganho para a democratização da comunicação.
Os empresários da área sempre foram os mais arredios a qualquer debate público sobre o tema. Senhores dos instrumentos que, numa sociedade moldada pelos meios eletrônicos de comunicação, lançam luzes ou trevas sobre os temas de interesse da sociedade, ocultaram, por anos, os debate sobre a área. Ou, tanto pior, distorceram acintosamente o debate quando o tema lhes interessava. O resultado é uma regulação precária da comunicação no Brasil. Nenhuma outra área é tão impenetrável à regulação pública, tão avessa às regras do próprio capitalismo contra oligopólio e monopólio.
Isso não bastasse, o momento demanda que a área seja debatida e os próprios radiodifusores se vêem na premência de participar do debate, pelas investidas das empresas de telefonia na área. A convergência engendrou a TV Digital, eliminou as diferenças entre redes (telefonia, TV a Cabo, sinal de TV, etc.) e trouxe novos agentes para o jogo. O momento é propício; os interesses empresariais na área estão cindidos; as novas tecnologias demandam um debate sobre como a sociedade deve se apropriar delas.
O Executivo reluta. É capaz de aplicar a lógica das conferências nas mais diversas áreas, mas refuga quando se trata da comunicação, área em que a atuação do governo Lula é, ao menos até agora, sofrível e decepcionante. Por isso, a pressão dos movimentos sociais deve se voltar sobre o Executivo, para que convoque ainda este ano a Conferência Nacional de Comunicação. É necessário, em benefício da sociedade; é possível, pois nunca antes os empresários da área cogitaram ter que discutir seus interesses em espaço público e talvez não tenham mais como fugir disso. (com informações de texto dos jornalistas Mário Messagi Jr e Fernando César Oliveira)

1ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz

A 1ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz reunirá especialistas do Brasil, Portugal e Uruguai para tratar da importância do desenvolvimento do indivíduo no período de zero a seis anos de vida para a construção da cidadania e de relações sociais não-violentas. O evento será realizado pelo Senado nos dias 18 a 21 de novembro de 2008, no auditório Petrônio Portella.

Mobilizar a sociedade brasileira para a importância do desenvolvimento do indivíduo no período de zero a seis anos de vida para promoção da cultura de paz e construção da cidadania é o propósito 1ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz. O evento será realizado pelo Senado nos dias 18 a 21 de novembro de 2008, com a presença de especialistas brasileiros e internacionais, como o médico especialista em desenvolvimento infantil João Carlos Gomes-Pedro, de Portugal, e o psicanalista Victor Guerra, do Uruguai.

A Semana inclui um seminário com conferências e painéis nos dias 18 a 20 no auditório Petrônio Portella, no Senado e uma série de oficinas destinadas a educadores e cuidadores no dia 21, no Interlegis. A programação foi criada pelo Senado com a colaboração de uma equipe de especialistas nas questões da infância e de prevenção da violência, que acredita na capacidade da iniciativa em promover mudança no quadro de negligência e desrespeito à legislação pertinente à criança e estimular ações que promovam a paz e a não-violência nas relações sociais.

No dia 18 serão abertas a exposição Infância e Paz, que tem criação e direção de arte de Toni Lucena e aborda questões relativas às crianças, cuidados e direitos, e da mostra Pintando o Seis, que reúne trabalhos cedidos por artistas da envergadura de Cândido Portinari, Aldemir Martins, Gustavo Rosa, Ziraldo, Michele Iacocca e Romero Brito, com direção artística de Elifas Andreato. Essas peças estarão no Salão Negro do Senado e no corredor de acesso à biblioteca da Câmara até 23 de novembro.

O tema Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz será debatido também na Audiência Pública Conjunta das Comissões de Educação, Cultura e Esporte; de Assuntos Sociais e de Direitos Humanos e Legislação Participativa, presididas pelos senadores Cristovam Buarque, Patrícia Saboya e Paulo Paim, respectivamente. João Gomes Pedro vai tratar do desenvolvimento de uma “cultura da criança”, Victor Guerra vai abordar “educação e intersubjetividade” e especialista em educação infantil, Vital Didonet, vai expor o Plano Nacional pela Primeira Infância, que vem sendo desenvolvido pela Rede Nacional Primeira Infância, sob sua coordenação e visa seu acolhimento pelo Poder Executivo e aprovação pelo Poder Legislativo para tornar-se um plano de Estado, com vigência de 14 anos. A audiência ocorrerá dia 19, às 10h, na Comissão de Educação.

Outro evento dentro da Semana será o lançamento, no dia 19 na Biblioteca do Senado, do livro Os cuidados no Início da Vida, resultado do VI Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê (ABEBÊ), organizado por Lou Muniz Atem.

A 1ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura de Paz segue o sucesso e repercussão do 3º Fórum Senado Debate Brasil: Políticas para a Primeira Infância – Quebrando a Cadeia da Violência, realizado pelo Senado em novembro de 2007. Além disso, é iniciativa pioneira na observação da Lei nº 11.523/2007, proposta de autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), sancionada pelo Presidente da República, que instituiu a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, a ser celebrada anualmente.

As conferências, os debates e as propostas do Fórum de 2007 evidenciaram a relevância e urgência no aprofundamento das discussões da legislação vigente e das políticas públicas para a Primeira Infância (zero a seis anos) como instrumentos de prevenção da violência em escalada no Brasil.

É unânime o entendimento segundo o qual os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da criança e que o Brasil comete erro muito grave ao investir tão pouco na infância, seja em ações ou em recursos. Segundo pesquisa da Unesco divulgada em 2000, o gasto por aluno em pré-escolas públicas (voltadas para a faixa etária de 4 a 6 anos) é de US$ 820 por ano. Na Alemanha, por exemplo, esse mesmo gasto é de US$ 5.277 (em dólares PPP, cálculo que leva em conta o poder de compra de cada população e permite a comparação). Segundo o mesmo estudo, o gasto por aluno no ensino superior público brasileiro é 12 vezes maior do que o gasto com pré-escola.

Os especialistas explicam porque o investimento na primeira infância precisa ser encarado como prioridade de qualquer nação: é nos primeiros anos de vida de uma criança que ela aprende, por exemplo, a controlar sua raiva. É nessa fase também que se ensina a ter confiança e auto-estima suficiente para não desistir quando, no processo de aprendizado, a criança se depara com alguma dificuldade. O investimento adequado na infância pode resultar, segundo os mesmos, numa sociedade menos violenta.

Para provar essa teoria, esses especialistas citam a pesquisa feita pela organização não-governamental Figth Crime: Invest in Kids (Combata o Crime: Invista em Crianças) que provou que cada dólar gasto em um atendimento de qualidade na infância poupa US$ 7 em gastos no sistema policial e prisional.

Com base em pesquisas com adultos que sofreram abusos quando crianças, a ONG estima que 3.100 dessas 77.860 crianças abusadas ou negligenciadas serão, no futuro, violentos criminosos que não teriam tomado esse caminho caso um bom atendimento em creches ou pelo sistema de saúde tivesse detectado o problema a tempo.

Esses dados coincidem com o estudo com criminosos realizado pelo pesquisador norte-americano Richard Rhodes. Publicados em 1999, os relatos dos prisioneiros revelaram casos freqüentes de uma primeira infância caótica, com violência física, sexual e negligência. Em 1998, Dorothy Lewis, estudando jovens criminosos nos Estados Unidos, já havia chegado a conclusão similar: todos haviam tido uma infância muito carente e vulnerável.

O seminário dentro da 1ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura de Paz está aberto à participação de gestores do setor público e privado especialmente das áreas de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social; educadores, estudantes e professores universitários das áreas afins; profissionais da área de saúde, médicos e cientistas; assistentes sociais, psicólogos e educadores sociais; juristas e profissionais atuantes na área de direitos humanos; lideranças comunitárias, dirigentes e cuidadores em abrigos e creches. As inscrições podem ser feitas pelo seguinte endereço:
www.senado.gov.br/sf/senado/programas/infanciapaz/default.asp

Inscrições abertas para o Prêmio Direitos Humanos 2008

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República(SEDH/PR) está com inscrições abertas até o dia 14 de novembro para indicações ao Prêmio Direitos Humanos – edição 2008. Os interessados devem acessar a página da SEDH na
Internet (www.sedh.gov.br), onde estão disponíveis o regulamento e a ficha de indicação para ser preenchida e enviada por e-mail. Poderão ser indicadas pessoas físicas e jurídicas que desenvolvam ações na área dos Direitos Humanos.
Os vencedores serão conhecidos em dezembro, durante as comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O prêmio, composto por uma escultura e um certificado, é concedido pelo governo federal a pessoas e organizações cujos trabalhos na área dos direitos humanos sejam merecedores de reconhecimento e destaque por toda a sociedade. “O Prêmio Direitos Humanos procura contemplar as ações mais importantes da sociedade em busca do avanço da cidadania em nosso país”, afirma Erasto Fortes Mendonça, Coordenador Geral de Educação em Direitos Humanos da SEDH.
O prêmio tem ainda o objetivo de estimular todos aqueles que atuam nesta área a continuarem com seus trabalhos. Não serão aceitas auto-indicações. Toda pessoa ou instituição deverá ser indicada por alguém.
Perguntas e dúvidas mais comuns:
Quais os requisitos para concorrer ao Prêmio? * Ter um histórico de atuação na área de direitos humanos; * Ter desenvolvido ações relevantes no período de 2005 a 2008, na área para a qual irá concorrer.
Quem não poderá concorrer ao Prêmio? As pessoas físicas ou instituições que tenham sido contempladas com o Prêmio Direitos Humanos em alguma de suas edições anteriores.
Como fazer a indicação para o Prêmio Direitos Humanos 2008? A indicação só poderá ser feita por meio eletrônico. Você deverá salvar em seu computador o arquivo com a ficha de indicação que está nesse site e preenchê-la. Depois de preencher o arquivo com a ficha e salvá-la você deverá encaminhar um e-mail para pdh@sedh.gov.brcom a sua ficha de indicação anexada. O arquivo deverá ser salvo como documento do Word.
Devo pagar alguma coisa para indicar alguém? Não. Todas as indicações são gratuitas. Qual o é o período de entrega das indicações? Serão recebidas indicações de 03 de outubro até 14 de novembro de 2008.
Além da ficha de indicação que seguirá anexa, ainda posso enviar outros documentos com informações adicionais? Não é necessário. A SEDH entrará em contato com o responsável pela indicação se precisar de informações adicionais.
Mais informações: Coordenação Geral de Educação em Direitos Humanos Telefones: (61) 3429.9817/3048/9865 www.sedh.gov.br

Homens unidos pelo fim da violência contra a mulher

Atenção, homens conscientes e dispostos a entrar na luta pelo fim da violência contra as mulheres! Comprometa-se publicamente a contribuir para a implementação integral da Lei Maria da Penha (11.340/06), assinando o manifesto da campanha Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres no site www.homenspelofimdaviolência.com.br, criado especialmente para esse fim pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.
Ao aderirem à campanha, os homens se comprometem publicamente a contribuir para a efetivação de políticas públicas que visam o fim da violência contra as mulheres. Na opinião da coordenadora da Secretaria de Políticas para Mulheres Educadoras, Eliceuda França, iniciativas como essa são sempre positivas porque lembra que a luta contra a violência deve ser de todos e todas que almejam uma sociedade mais justa.
A iniciativa brasileira conta com o apoio de agências da Organização das Nações Unidas (ONU) – o Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Rede de Homens pela Equidade de Gênero (Rheg), o Instituto Papai, o Instituto Promundo, O Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades (Gema/UFPE) e a Agende – Ações em Gênero e Cidadania.
O nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o primeiro da lista de líderes de todos os setores da sociedade comprometidos com o fim da violência contra as mulheres. Imagens e depoimentos dos líderes nacionais já estão registradas no site coletor de assinaturas.

A importância da música na Educação

A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (FOSB), sediada no Rio de Janeiro, convida os professores a participarem do projeto piloto de Formação de Platéias, evento dirigido a professores e profissionais de Educação, que será realizado no dia 6 de novembro de 2008 no Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos.
O professor interessado deve se dirigir à bilheteria do teatro às 17h30, com a carteirinha do Sinpro ou qualquer outro documento que comprove a sua condição de educador. Às 18h30 haverá a palestra “Música: conteúdo necessário na educação”, proferida por Leonardo Sá, seguida de um coffee Break. Às 20h30 será apresentado um concerto interativo da Orquestra Sinfônica Brasileira.
O material da palestra está disponível para download no
site da Fundação OSB – www.osb.com.br. De acordo com os organizadores do projeto, o objetivo é levar aos professores a importância da aprendizagem da música para a aprendizagem global do aluno.

Os Inimigos da Educação

Três dias depois do segundo turno das eleições municipais, os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará ingressaram, no STF, com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei 11.738/08, que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica. Segundo informação divulgada no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal, apóiam a referida Adin outros cinco governadores: SP, MG, RR, TO e DF, que, obviamente, por interesses políticos, em 2010, preferiram omitir suas rubricas na peça judicial (clique aqui para obter a íntegra da Adin).

A estratégia oportunista dos governadores de não vincular o pedido de inconstitucionalidade do piso ao período eleitoral – caso contrário muitos dos resultados teriam sido desfavoráveis aos INIMIGOS DA EDUCAÇÃO – não logrou maioria entre os entes federados, conforme anunciou o CONSED (Conselho de Secretários Estaduais de Educação) logo após a sanção da lei do piso. O placar, em tese, hoje, dos estados favoráveis à lei versus os não favoráveis é de 17 a 10.

Por outro lado, a decisão dos governadores supracitados revela enorme contradição com suas bancadas no Parlamento, que aprovaram o piso por unanimidade, tanto na Câmara quanto no Senado. Outro contra-senso situa-se em âmbito do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que em Pernambuco antecipou o piso, antes mesmo da aprovação da lei federal, porém o governador do Ceará, em atitude antagônica, subscreveu a Adin contra a Lei 11.738/08.

A CNTE atuará, por todos os meios legais, no sentido de contrapor a Ação Direta de Inconstitucionalidade, juntamente com outras entidades da sociedade civil. A oposição formal à Adin, no entanto, cabe à Advocacia Geral da União, com a qual a Confederação pretende estabelecer um diálogo em torno da estratégia de defesa da lei do piso.

Porém, a principal luta a ser travada concentra-se na mobilização social, através de duas ações iminentes e urgentes. A primeira diz respeito à continuidade, agora mais intensificada, da mobilização pela implementação do piso salarial em todos os entes da federação. A segunda concentrar-se-á na denúncia à sociedade dos governadores contrários ao piso salarial, que consideramos INIMIGOS DA EDUCAÇÃO, bem como no convencimento público da importância do conceito de piso para o magistério, que não pode confundir-se com teto salarial tampouco se desvincular da carreira, caso realmente pretenda promover a valorização dos profissionais e o resgate da escola pública.

Força e disposição nunca faltaram aos trabalhadores em educação. Desde já conclamamos a todos e todas para lutarem em defesa do direito à educação pública de qualidade e da valorização de seus profissionais. Em breve, anunciaremos o novo calendário nacional de lutas pelo piso.

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