Programa Diálogos ADUnB aborda o papel do movimento sindical nas eleições 2022

O “papel do movimento sindical nas eleições 2022” é o tema do programa Diálogos ADUnB, que irá ao ar nesta segunda-feira (7), às 18h30, no canal da TV Comunitária de Brasília. Com o tema, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) mostra que, no Distrito Federal, a diferença da votação entre Lula e Bolsonaro diminuiu no segundo turno das eleições, em comparação ao primeiro.

 

Lula aumentou em 12% a quantidade de votos. Este resultado se deu por meio de um intenso trabalho de mobilização que reuniu movimentos sociais, populares, coletivos e sindicatos. Além disso, sindicalistas participaram ativamente do processo eleitoral como candidatas e candidatos.

 

O programa será apresentado pelo professor e diretor da ADUnB-S.Sind, Nelson Inocêncio, e contará com a presença da diretora da CNTE, vice-presidenta do PT-DF e ex-candidata ao Senado Federal, Rosilene Corrêa.

 

Serviço:

Programa Diálogos ADUnB
Onde: TV Comunitária de Brasília
Hora: 18h30
Acesso: https://fb.me/e/4q4zwHTN9
Não perca!

Inscrições abertas para o Prêmio Profissionais da Educação 2022 no Brainly

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Profissionais da Educação 2022, organizado pela plataforma de educação online Brainly.  As indicações em formato de texto, imagens ou vídeo podem ser feitas pelo site https://premio.brainly.com.br/, até dia 21/11/2022, por estudantes e responsáveis.

O prêmio busca permitir que estudantes e responsáveis de todo o Brasil possam reconhecer profissionais da área, tanto as professoras e professores quanto os funcionários e funcionárias que atuam na parte administrativa ou em outras atividades dentro do ambiente escolar. Haverá um (a)  profissional vencedor (a) para cada uma das três categorias, a saber: Ciências Exatas e Biológicas; Ciências Humanas e Sociais; e Atividades Educacionais Complementares.

Cada um (a) dos(as) três profissionais vencedores (as) receberá vales-presente totalizando R$ 3.600. Os (as) estudantes ou responsáveis que indicarem os (as) ganhadores (as) receberão vales-presente no valor de R$ 1.800.

Podem ser indicados quaisquer profissionais envolvidos em atividades educacionais, como professores (as), membros da equipe de apoio, coordenação ou administração escolar e pessoas envolvidas no ensino de atividades extracurriculares ou no cuidado do ambiente escolar como um todo, incluindo inspetores (as) e profissionais dos refeitórios, bibliotecas e da limpeza. Os (as) vencedores (as) serão anunciados pelo Brainly na primeira quinzena de dezembro.

Sobre o Brainly

O Brainly é uma das principais plataformas de aprendizado do mundo e possui a mais extensa base de conhecimento para atender a todas as disciplinas e séries escolares. Mais de 300 milhões de estudantes, responsáveis e educadores confiam no Brainly como uma plataforma comprovada para acelerar a compreensão e o aprendizado.

Segundo dados do site da plataforma, em uma pesquisa feita com a participação de mais de 1.700 estudantes nos Estados Unidos da América (EUA), constatou que 91% dos entrevistados se lembravam de um profissional da educação que tenha tido um grande impacto positivo em suas vidas e 80% afirmaram ter aprendido uma lição de vida junto a um professor ou professora.

É pensando nos profissionais da educação, que transformam as vidas de milhões de estudantes em todo o mundo, que o Brainly lança no Brasil o Prêmio Profissionais da Educação 2022. Mais informações sobre o Prêmio Profissionais da Educação 2022 em: https://premio.brainly.com.br/

 

Serviço:

Prêmio Profissionais da Educação 2022

– Inscrições: de 03/11 a 21/11 pelo site prêmio.brainly.com.br; as candidaturas vencedoras serão anunciadas na primeira quinzena de dezembro

– Prêmios: R$ 3.600,00 em vales-presente para os três profissionais da educação mais votados e R$ 1.800 em vales-presente para cada estudante ou responsável que indicar um profissional vencedor. Os vales serão oferecidos pelo Brainly e pela Movile, co-patrocinadora do prêmio.

 

Ele implodiu o Brasil: O escandaloso rombo de R$ 400 bilhões deixado por Bolsonaro

Em 2018 e nos primeiros momentos de 2019 os farialimers e liberais dos mais diferentes matizes adoravam exortar uma suposta responsabilidade de Jair Bolsonaro (PL) e de seu então futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Agora, derrotado em seu intento de se reeleger e após quatro anos de um “governo” caótico e de baderna institucional e financeira generalizada, o rombo fiscal do despreparado e irresponsável presidente de extrema direita veio à tona: R$ 400 bilhões.

Numa entrevista dada nesta sexta-feira (4) à rádio CBN, o ex-presidente do Banco Central no governo Lula e ex-ministro da Fazenda de Michel Temer, Henrique Meirelles, que está cada vez mais próximo da equipe de transição da futura gestão petista, informou que o prejuízo deixado por Bolsonaro com sua criminosa e sistemática violação ao teto de gastos públicos atingiu não “apenas” R$ 150 bilhões, como sua equipe anuncia, tentando abrandar o problema, mas sim R$ 400 bilhões.

“Na minha avaliação, o tamanho do buraco deixado é mais próximo de R$ 400 bilhões, estimado por entidades independentes, do que dos R$ 150 bi que o governo está falando”, falou Meirelles.

Algumas mudanças no teto, que naturalmente implicavam em furá-lo, até seriam justificáveis, como a realizada em março de 2021 que abriram espaço para a manutenção e ampliação do Auxílio Emergencial, já que milhões de brasileiros enfrentavam os horrores e agruras da pandemia.No entanto, outras mexidas, como de setembro de 2019 que possibilitou ao governo federal não contabilizar as transferências de recursos federais para estados e municípios beneficiados pela chamada repartição da cessão onerosa do pré-sal, assim como a aprovação em dezembro de 2021 da PEC dos Precatórios, que trouxe impacto de R$ 105 bilhões, e principalmente a PEC Kamikaze, de julho deste ano, que numa manobra ilegal e criminosa permitiu a Bolsonaro comprar votos às pressas por meio de benefícios sociais, a um custo de R$ 41 bilhões a mais do que previa o teto, foram determinantes para atolar o país num rombo fiscal sem precedentes.

Fonte: Site Fórum

Reconhece esse PIX? Conheça a nova modalidade de golpe

Supostos parentes fazendo pedidos de envio de PIX de um telefone “provisório” parece não ter mais tanto efeito no mundo dos golpes bancários. Agora, a pergunta feita pelos golpistas é: reconhece esse PIX feito da sua conta bancária?

A estratégia é a seguinte: é feita uma chamada telefônica supostamente do BRB, de um número que realmente coincide com o do banco (3322-1515). Na ligação, a funcionária fake pergunta se a vítima reconhece uma transferência via PIX realizada de sua conta bancária. Ao negar a transação, a vítima recebe um número de protocolo e é encaminhada para um pseudo “setor responsável pela segurança bancária”.

O golpista que se passa pelo responsável do “setor” solicita que a vítima abra o aplicativo do BRB, mantenha-o aberto, vá até a loja de aplicativos e baixe a atualização do app do banco. Ao fazer a atualização, o golpista consegue todos os dados pessoais e bancários da vítima.

Outra estratégia é pedir para que a vítima desligue e ligue de volta para o BRB, no número 3322-1515. Quando a pessoa realiza a chamada, o golpista intercepta a ligação e captura dados solicitados, como senha bancária numérica e dados como data de nascimento e CPF.

É importante lembrar que os bancos não entram em contato por telefone com correntistas. Dados pessoais e bancários, de forma alguma, devem ser passados via telefone ou qualquer outra forma de comunicação não presencial. O Sinpro ainda reforça que não solicita qualquer depósito bancário para liberação de processos jurídicos.

>> Acesse o link e veja outras modalidades de golpe https://sinpro25.sinprodf.org.br/fique-atentoa-as-modalidades-de-golpe-2/

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Confira como ficará o Calendário Escolar para 2023

A Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu com representantes do Governo do Distrito Federal e definiu o Calendário Escolar para o ano letivo de 2023. O Sinpro fez uma enquete disponibilizando duas propostas de Calendário Escolar para que a categoria pudesse debater e escolher qual delas mais contempla os anseios dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. Segundo a enquete do sindicato, a maioria da categoria optou pelo Calendário A, mas durante a reunião, a opção estruturada está mais próxima do Calendário B.

Além de considerar aspectos administrativos legais, pedagógicos, políticos e também nossa pauta de reivindicações, o documento é necessário para que o ano letivo e seu planejamento pedagógico possam passar pela discussão do sindicato em conjunto com a categoria. Este debate é realizado com o objetivo de construir uma proposta democrática, direcionando para possibilidades que cumpram a legislação, fazendo com que a Secretaria de Educação (SEEDF) respeite todos os direitos que os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais têm na organização do trabalho.

O sindicato ressalta que embora a opção A tenha sido a mais votada, a opção B também cumpre com o papel de garantir todos os direitos trabalhistas da categoria, e é o calendário referência do que teremos em 2023. Confira os principais pontos do calendário 2023:

 

– Férias coletivas: de 06/01 a 04/02

– Apresentação de professores na escola: 06 de fevereiro

– Semana Pedagógica: 06/02 a 10/02

– Início do ano letivo: 13 de fevereiro

– Recesso do meio do ano: 12/07 a 27/07

– Dias móveis: 10, 11 e 28 de julho (outros dias móveis serão apresentados na versão final do calendário).

– Último dia letivo: 21 de dezembro

– Avaliação final: 22 de dezembro

– Distribuição de carga horária 2023: há pouca possibilidade de a distribuição ocorrer em dezembro. Esta parte ficou para ser analisada pela SUGEP.

 

É importante ressaltar que alguns detalhes do Calendário Escolar oficial 2023 só serão apresentados na versão final. Podem haver diferenças do Calendário B em relação aos dias móveis, dia da distribuição de carga, dia da Olimpíada de Matemática.

Clique aqui e confira a Proposta B. 

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Professor Neuder Bastos vende rifa de bicicleta para pagar tratamento de câncer

O professor Neuder Bastos pede a ajuda da categoria para comprar a rifa de uma bicicleta seminova, Urban Groove 21 veolocidades, paralamas, garfo com suspensão, pedivela shimano e guidão regulável. O valor da rifa é R$ 10,00. A rifa destina-se a arrecadar dinheiro para o tratamento do câncer e pode ser comprada pelo WhatsApp 61986281684, da Geralda. O sorteio será no dia 20 de novembro, às 18h, com transmissão ao vivo no Instagram @laercioqueiroz1. O ganhador será notificado por telefone/e-mail.

Professor do contrato temporário, Neuder trabalhou por vários anos no CED Vale do Amanhecer em Planaltina/DF. O câncer o tem deixado muito fraco e precisando de ajuda. Após meses de mal-estar, emagrecimento e muitas dores nas costas, no fim de agosto deste ano, ele foi diagnosticado com um câncer colorretal, uma neoplasia suboclusiva de colo transverso que evoluiu rapidamente com focos de metástase hepática e foco de carcinomatose peritoneal.

O fato é que o câncer no intestino já chegou ao fígado e pode se expandir. Ele teve de fazer uma cirurgia de emergência em 31 de agosto, quando foram retirados 18 nódulos. Desde então Neuder tem lutado, diariamente, por consultas, exames e, principalmente, uma oportunidade de dar início ao tratamento. Cada sessão de quimioterapia custa R$ 21 mil e as sessões precisam ser quinzenais, por tempo indeterminado.

Neuder precisa de pelo menos R$ 150 mil para fazer o tratamento. Sem condições financeiras para arcar com o tratamento, familiares, amigos e colegas de trabalho pedem a ajuda da categoria. Além da participação na rifa da bicicleta, a categoria pode contribuir também depositando qualquer quantia no PIX do professor (neuder.bastos72@gmail.com). Você também pode contribuir pelo Vakinha online clicando aqui

SEEDF se distancia do fortalecimento da formação continuada em gênero e raça

Violência de gênero e racismo atingem a vida de meninas e mulheres do Brasil e do mundo, e são uma das principais barreiras para que elas deem continuidade aos estudos, vivam em segurança, tenham condições iguais de oportunidade e sejam livres. É por isso que o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, bem como o dos direitos das mulheres e de outras questões de gênero estão estabelecidos em dispositivos legais e documentos basilares da Educação Básica, como o Currículo em Movimento.

É inegável que a escola é espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações direcionadas à promoção da equidade de gênero e raça. Da mesma forma, é de amplo conhecimento e compromisso comum da categoria do magistério público do DF a obrigatoriedade da inserção desses temas na pauta pedagógica. Nós, professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, sempre nos posicionamos em defesa da vida; e o machismo, a misoginia, o racismo matam.

Mas nós não somos os(as) únicos(as) agentes para que questões como o combate à violência contra as mulheres e o combate ao racismo sejam, de fato, efetivados enquanto componentes curriculares da Educação Básica. É pressuposto e compromisso social da Secretaria de Educação do DF o fomento, o incentivo, a orientação e o estabelecimento de um projeto político-pedagógico que estabeleça uma educação emancipatória. E isso passa, inevitavelmente, pela formação continuada de professores(as) e orientadores(as) educacionais.

Na contramão disso – o que se torna ainda mais grave diante da realidade de violência, discriminação e preconceito também dentro das escolas –, a SEEDF apresenta justificativas no mínimo frágeis para falhar na execução da formação continuada, considerada uma conquista revolucionária da categoria do magistério público.

Não haver procura de curso de formação em gênero e raça não significa que os problemas que envolvem as temáticas tenham sido extintos. Ao contrário: mostra a necessidade e a urgência de se pensar em estratégias que consolidem um fazer pedagógico que desemboque em uma educação pública de qualidade socialmente referenciada. E isso também significa a execução de uma educação que contribua para a formação do pensamento crítico sobre condições estruturais como a violência contra as mulheres e o racismo. Mas como desenvolver esse projeto pedagógico sem formação continuada?

Foi o que aconteceu com o Programa Mulheres Inspiradoras, extinto no último dia 28 de outubro. Institucionalizado por portaria como integrante de políticas públicas educacionais de enfrentamento ao machismo e ao racismo estrutural no DF, o programa está previsto no Currículo em Movimento e em leis que regem a educação pública, recebeu 15 prêmios – entre eles o I Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos –, está presente no projeto político-pedagógico de mais de 50 escolas, mas, mesmo assim, foi suspenso. Nota de repúdio contra a suspensão do curso foi assinada por parlamentares, grupos de estudo, organizações do movimento social e vários outros signatários, entre eles o Sinpro-DF (Leia a nota AQUI).

A fragilidade da Secretaria de Educação em entender que a formação continuada é definitiva para a valorização de professores e professoras projeta resultados no mínimo graves em uma sociedade que vivencia o flerte com o obscurantismo, com a mercantilização do ensino, com a intolerância, com o ódio. Isso porque, na ponta, quem perde é a própria sociedade, impedida do direito a uma educação qualificada, que colabore para a construção da identidade e do pensamento crítico.

O tratamento que um governo dá à educação pública é justamente aquilo que ele projeta para seu povo.

Pelo fortalecimento da política de formação continuada para professores e professoras em gênero, raça e todas as áreas necessárias para que se fortaleça a democracia e se promova um DF e um Brasil com justiça.

 

Diretoria colegiada do Sinpro-DF

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Bandidos utilizam suposto ganho em ações coletivas para praticar golpe contra a categoria

A suposta liberação de ações coletivas para professores(as) e orientadores(as) educacionais é o novo foco de criminosos na tentativa de aplicar golpes contra a categoria. O Sinpro foi informado que estelionatários estão ligando para educadores(as) com a informação sobre atualizações nos processos referentes ao Ticket Alimentação, Plano Bresser e diferenças salariais, ações com sentenças favoráveis.

Sob a argumentação de que os valores já estão liberados, fruto da vitória nos processos movidos pelo sindicato, os bandidos se utilizam do nome do escritório de advocacia que presta serviços ao Sinpro pedindo urgência no pagamento de taxas para a liberação do suposto valor. Professor(a) e orientador(a) educacional: não caia nessa. É golpe!

O Sinpro-DF recebe, diariamente, várias denúncias de professores(as) e orientadores(as) educacionais acusando o recebimento de mensagens que usam o nome do Dr. Lucas e do seu escritório. Nessa modalidade de golpe, uma pessoa diz, na mensagem, que foi autorizada a ordem de pagamento do processo e, em seguida, solicita que o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional entre em contato com uma advogada pelos telefones 2626-5741 e 99859-9031. Tudo isso não passa de manobra criminosa para lesar pessoas com processos judiciais e financeiros movidos pelo sindicato. Preste atenção às mensagens! Não caia no golpe! Denuncie! O Sinpro e os escritórios de advocacia ligados a ele NÃO solicitam que sejam feitos depósitos para liberação de valores.

Para facilitar a compreensão de todos(as) sobre as estratégias utilizadas pelos(as) golpistas, seguem todas as versões usadas e denunciadas ao Sinpro:

Golpe 1

Criminosos entram em contato com professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as) informando sobre atualizações no processo de piso salarial e correções monetárias. Os golpistas, que se passam por funcionários do Escritório Resende Mori e Fontes, dizem que a suposta atualização, que na verdade é mais um golpe, diz respeito à cobrança de juros, correção monetária e pelo atraso do pagamento da folha salarial de 2015. Sob o argumento de liberar os valores das ações coletivas e repasse dos pagamentos em atraso, os criminosos pedem para que o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional entre em contato com o suposto escritório. Ao ligar, o(a) aposentado(a) é informado que para receber o suposto valor deve depositar um valor na conta para o pagamento de custas advocatícias. O Sinpro volta a afirmar que nem o sindicato, nem os escritórios de advocacia ligados a ele, solicita que sejam feitos depósitos para liberação de valores. A Secretaria de Assuntos Jurídicos ainda ressalta que sindicato não tem processos referentes a piso salarial. Portanto, fique atento e não caia neste golpe.

 

Golpe 2

Uma mensagem enviada por WhatsApp, com foto de perfil com a marca do Sinpro, por um número que não é do sindicato, (61) 99872-4892, informa sobre o assunto: LIBERAÇÃO DO PRECATÓRIO EM FASE DE PAGAMENTO EM REGIME ESPECIAL, com os nomes dos advogados Drª Maria Rosali Barros ou Dr. Lucas Mori, indicando os números (61) 4042-0924 | WhatsApp: (61) 99840-3650 como contatos. Ao final, os golpistas colocam a observação falsa de que o sindicato não está atendendo presencialmente, em virtude os período pandêmico. Fique atento(a)! Isso é golpe! O Sinpro-DF está atendendo, normalmente, de forma presencial, das 8h às 17h, nas sedes e subsedes.

 

Golpe 3

Criminosos ligam para a casa de educadores(as) informando que foi liberado o alvará de precatório para pagamento. Em seguida, dizem que a vítima tem mais de R$ 100 mil para receber, pedem para ligar no número 99639-2111 e solicitam depósito de um valor na conta: NEXT 237 – AG: 3728 – CONTA 609240-3 (Anderson Fabio de Oliveira – CPF: 031.729.793-77). É importante ficar atento, pois a conversa é feita em aplicativo com perfil que leva a foto do logo do Sinpro-DF.

 

Golpe 4

Para o furto via telefone, usam vários nomes. O nome “Cláudia Maria Rodrigues”, que utiliza o telefone fixo 3181-0041 e o celular/WhatsApp, 96519820, é um dos denunciados pela categoria. O Sinpro-DF informa que o nome “Cláudia Maria Rodrigues”, utilizado pela quadrilha, pertence a uma advogada que também está sendo duramente prejudicada pelo bando. Ela avisou ao Sinpro-DF que já denunciou o caso à polícia e tem Boletim de Ocorrência para comprovar o uso indevido do nome dela. O outro nome usado é “Leonardo Mota” (Núcleo Bancário), com o telefone 3181-0285. Um terceiro nome identificado é “Dr. Marcelo Ricardo”, com o número de telefone 99849-7364.

 

Golpe 5

Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao Sindicato, em alguns casos, o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dr. Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.

 

Golpe 6

Outra modalidade é o golpe com transferência por PIX. Assim como os outros métodos, o golpista solicita um valor para liberar uma quantia à vítima. No caso de transferência por PIX, não há um sistema de retorno ou cancelamento do envio.

 

Golpe 7

Nesta modalidade, o golpista envia à vítima, via WhatsApp ou e-mail, documento simulando papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O documento ainda leva o nome de dirigentes do Sinpro-DF. No último relatado ao Sinpro-DF, constava o nome da dirigente Silvia Canabrava. O envio é feito posteriormente a uma ligação, em que o criminoso confirma vários dados da vítima, como nome completo, CPF e nome do pai e da mãe.

 

Golpe 8

O golpe mais recente consiste no envio de carta nominal, com logomarca de escritório de advocacia fantasma. O documento falso é enviado pelos Correios e traz uma série de argumentos jurídicos bem fundamentados, além de endereço de e-mail, telefones e assinatura com registro da OAB.

 

Golpe 9

O primeiro golpe de 2022 chega por WhatsApp e vem supostamente do “Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, DF”. É nominal, informa que o pagamento do precatório referente ao processo da pessoa está liberado para a data de hoje, “primeira ou segunda parcela”. O titular deverá entrar em contato com uma “Dra. CHRYSTIANE MAIA GUERCO FARIA LUCAS MORI (OAB: 38015/DF)” para solicitação do recolhimento dos alvarás de liberação do precatório, nos telefones (061) 99687-2994 ou (061) 99667-9219 (outros números também são usados nesse golpe), e se a pessoa não entrar em contato até às 15h, deverá esperar “uma segunda chamada com carência de tempo de 5 a 10 anos”. Mas é golpe.

 

Golpe 10

Na nova modalidade criminosa, os bandidos ligam pelo telefone 3322-1515 – contato oficial do Banco de Brasília (BRB), mas clonado – informando que o banco fez um PIX por engano para a conta do(a) professor(a) ou orientador(a) educacional, solicitando a devolução do valor. Além deste procedimento, os estelionatários também ligam dizendo ser de uma empresa jurídica ligada ao BRB, fazendo a cobrança de tarifas não pagas. Na maioria das vezes, os falsários enviam um link ou pedem dados para “corrigir o problema” e até mesmo solicitando dinheiro. Não abra o link, não forneça dados ou transfira qualquer quantia em dinheiro. Trata-se de um golpe!

 

Golpe 11

Em mais uma versão utilizada pelos estelionatários, um professor foi contatado e informado que havia sido autorizado o pagamento de R$ 108 mil referente ao precatório do Ticket Alimentação, ação movida por um suposto escritório jurídico do Sinpro. Porém, para receber o dinheiro, o educador deveria pagar as taxas, valor totalmente indevido, uma vez que o sindicato nunca solicita nenhum tipo de transação bancária para que professores(as) e orientadores(as) educacionais recebam vantagens financeiras. Para identificar se a ligação é um golpe, basta ficar atento ao pedido de qualquer tipo de taxa/valor/dinheiro para recebimento de precatório. Caso a pessoa peça dinheiro, tenha a certeza que se trata de um golpe!

 

Confira nas matérias, a seguir, as modalidades e o modus operandi:

Sinpro alerta categoria sobre os golpes de internet

Atenção, não caia no golpe!

Sinpro informa que criminosos continuam aplicando o golpe na categoria

 

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Professor da UFRJ diz que o Brasil é “laboratório de criação de ‘realidade paralela'”

O resultado da eleição de 30 de outubro e as reações antidemocráticas que ocorrem até hoje revelam um Brasil protagonista de uma disputa surpreendente entre a barbárie e a civilização. A história recente do País tem sido objeto de uma profusão de estudos em todos os ramos do conhecimento, que tentam explicar como e por que ideias obsoletas, advindas do movimento ideológico intitulado de nazismo e do sistema político denominado fascismo, cresceram entre uma população extremamente miscigenada e cuja maioria é pobre e assalariada.

 

Dentre os estudos, destacamos o pensamento do pesquisador, historiador, ensaísta e professor João Cezar de Castro Rocha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Numa entrevista ao jornal Estado de Minas, em setembro, ele analisa a situação do Brasil e leva o leitor a compreender este fenômeno político de extrema direita surgido no País a partir de 2018, com a eleição de um mandatário do baixo clero da política e representante de setores mais reacionários da sociedade, movimento esse fundamentado na ideologia nazista e no sistema político fascista, que passou a ser conhecido e chamado de bolsonarismo. Confira a entrevista na íntegra a seguir.

 

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Castro Rocha: ‘Brasil é laboratório de criação de realidade paralela’

 

Professor alerta para as consequências de ‘processo de lavagem cerebral’ alimentado por engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias

 

(*) Por Bertha Maakaroun – Jornal Estado de Minas

 

 

Para o pesquisador e professor João Cezar de Castro Rocha, o Brasil assiste à consolidação das condições para a instauração de um Estado totalitário fundamentalista religioso. Este é o propósito da extrema direita brasileira, que compartilha as mesmas estratégias de seus aliados transnacionais: o uso das plataformas de mídias digitais para a produção da dissonância cognitiva coletiva, um Brasil paralelo, que fratura a espinha dorsal dos valores verdadeiramente cristãos e democráticos. É a opinião de Castro Rocha, ensaísta e professor titular de literatura comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), autor de “Guerra cultural e retórica do ódio” (Editora Caminhos).

“Está acontecendo diante dos nossos olhos. E há dezenas de milhões de brasileiros que parecem não compreender o perigo. E muitos desses brasileiros e brasileiras são pessoas que nós conhecemos, alguns são nossos parentes, não são pessoas más, cuja índole pudesse suspeitar que apoiariam o que está ocorrendo. É um processo de lavagem cerebral coletiva, é um processo de criação de dissonância cognitiva coletiva”, afirma o professor. “Nunca estivemos numa situação tão grave na história da República. Estamos hoje no Brasil em 1913, do filme alemão “A fita branca” (de Michael Haneke), a geração que, posteriormente, participou da ascensão do nazismo. “Estamos vendo pessoas que conhecemos e respeitamos, e jamais imaginamos que pudessem ser cúmplices de um projeto totalitário de poder”, salienta o professor.

 

Como estudioso da extrema-direita no Brasil, que avaliação faz dos resultados das eleições presidenciais?

 

Do ponto de vista pessoal, Jair Bolsonaro não é vitorioso, é sobrevivente do primeiro turno: foi o grande derrotado e primeiro presidente de toda a história da Nova República que, buscando a reeleição, não passou ao segundo turno em primeiro lugar. Por outro lado, do ponto de vista político-partidário, o bolsonarismo foi vitorioso com a eleição para o Senado de Damares Alves, no Distrito Federal, Marcos Pontes, em São Paulo, e Hamilton Mourão, no Rio Grande do Sul, entre outros nomes. Isso quer dizer que, se em 2018 Bolsonaro elegeu grande número de parlamentares, governadores e senadores, em 2022, quem sustentou Bolsonaro foi o bolsonarismo. Isso exige compreender que alguns valores bolsonaristas se enraizaram na sociedade brasileira.

 

Qual é o projeto político da extrema-direita no Brasil?

 

Criar as condições para instaurar um Estado totalitário e fundamentalista, do ponto de vista religioso. E a estratégia para alcançar esse propósito passa pela midiosfera digital e a produção de dissonância cognitiva coletiva. No Brasil, a dissonância cognitiva coletiva tornou-se esteio de um projeto político totalitário, o bolsolavismo, que mira a despolitização da pólis, desviando com falsas e abjetas notícias o debate dos temas que realmente importam. O Brasil é um laboratório mundial de criação metódica de realidade paralela. O que a extrema-direita tem feito no plano da política é a despolitização do debate público para avançar o projeto político totalitário – de eliminação completa do adversário ou do outro que resiste – em algumas circunstâncias, mesmo teocrático. E como isso se realiza? Produzindo a dissonância cognitiva coletiva pela instrumentalização da midiosfera extremista. Por que as redes sociais são o sal da terra para a extrema-direita? O que se trata é trazer para o campo da política o alto nível de engajamento das redes sociais. Ora, qual é a finalidade da eterna guerra cultural da extrema-direita? Não é mudar o voto do campo adversário! Estão preocupados unicamente em aumentar a presença nas redes sociais, com conteúdo abjeto, absurdo, pois essa presença pode se materializar em votos, capturando o campo dos indecisos. Quando isso acontece de forma vertiginosa? Na véspera das eleições, faltando poucos dias. A dissonância cognitiva coletiva é uma temível máquina eleitoral pela transferência para a política da alta intensidade de engajamento das redes sociais. É um engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias. Na imi- nência do segundo turno das eleições, a midiosfera extremista transformou-se em uma usina sórdida de desinformação e seus artífices incorrem nos mais variados tipos criminais como se não houvesse amanhã.

 

“A extrema-direita está à frente em relação ao campo progressista no que se refere à compreensão profunda da forma própria do mecanismo do universo digital”

 

O que diz a bibliografia internacional sobre a dissonância cognitiva?

 

O psicólogo social norte-americano Leon Festinger publicou, em 1957, um clássico chamado “Uma teoria da dissonância cognitiva”. Acrescento ao conceito da dissonância cognitiva de Festinger a perspectiva coletiva, que está associada à capacidade da produção de conteúdo das redes sociais. Dissonância cognitiva é um desconforto subjetivo causado pela consciência da distância entre crenças e comportamentos, ocorre sempre que há uma distância entre aquilo em que acreditamos e a maneira pela qual nos comportamos. Não há ser humano que não viva com certo grau de dissonância cognitiva. Diz Festinger que, quando essa dissonância cognitiva começa a incomodar, torna-se gritante e muito óbvia, há mecanismos para reduzir a dissonância cognitiva. São dois mecanismos principais, e você verá neles o próprio bolsonarismo e a extrema-direita de uma forma pervertida. Diz Festinger: o famoso exemplo do médico que fuma, ninguém melhor do que ele saberá que o tabagismo faz mal à saúde. Então, o que faz ele? Ou ele recusa fontes que demonstram cientificamente que o tabagismo é maléfico, ou, pelo contrário, só busca fontes que amenizam essa informação. Ou você recusa informação que contraria a sua crença, ou você busca informação que reforça o que você já pensava. É a própria midiosfera extremista. Agora aqui a coisa fica mais complexa, pois diz Festinger que sempre agimos para reduzir a dissonância cognitiva, não para aumentá-la ou cristalizá-la. Então, o que está acontecendo com o bolsonarismo é a cristalização, a consolidação de um Brasil paralelo.

 

O que caracteriza o fenômeno no Brasil?

 

As pessoas que voluntariamente se submetem à midiosfera extremista estabelecem um pacto: somente se informar na midiosfera extremista; nunca aceitar outra fonte. Então, não há mais possibilidade objetiva de se demonstrar que há erro nessas informações, porque todas as outras fontes de informação foram desqualificadas e vedadas. Hoje, no Brasil, contamos com dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras – e como diz Mário de Andrade, brasileiros e brasileiras como nós – que estão vivendo na ilusão, estão realmente convencidos de todo conteúdo dessa usina de desinformação, dessa máquina tóxica de produção de conteúdo com base em fake news e teorias conspiratórias, que domina a midiosfera bolsonarista. Para dizer de forma mais simples: essas pessoas estão vivendo numa dimensão paralela. Tenho uma hipótese na qual que estou trabalhando em um livro para o ano que vem. O bolsonarismo, como fenômeno de massa, enraizado em diversos setores da sociedade, é a manifestação no Brasil de uma onda transnacional que levou a extrema-direita a conquistar o poder por meio do voto em várias partes do mundo. A extrema-direita está à frente em relação ao campo progressista no que se refere à compreensão profunda da forma própria do mecanismo do universo digital. O que ela tem feito? É a inédita criação da dissonância cognitiva coletiva deliberada, por meio de um conteúdo coordenado, estrategicamente produzido para desinformar e fazer circular teorias conspiratórias e fake news. O universo digital e as redes sociais possibilitaram isso e não é casual o fato de que o principal instrumento de divulgação da extrema-direita bolsonarista sejam as redes sociais e plataformas digitais.

 

“A dissonância cognitiva coletiva é uma temível máquina eleitoral pela transferência para a política da alta intensidade de engajamento das redes sociais. É um engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias”

 

O que ocorre quando a pessoa que vive nessa dimensão paralela é confrontada pela realidade brutal da vida, que contradiz a narrativa dominante desta midiosfera?

 

Em 1956, Leo Festinger publicou o livro “When prophecy fails” (“Quando a profecia fracassa”), que responde à sua pergunta. Ele trata de um caso que aconteceu em Chicago, em 1954, quando uma pacata dona de casa, Dorothy Martin, começara a receber supostas mensagens de extraterrestre de um planeta chamado Cla- rion. Em torno de Martin foi formada a Fraternidade dos 7 Raios, que acreditava no conteúdo das mensagens, que anunciava que, em 21 de dezembro de 1954, ocorreria um dilúvio de proporções bíblicas que destruiria boa parte da Terra. Contudo, um disco voador pousaria no quintal de Martin e resgataria aqueles que atendessem ao seu chamado. Festinger e pesquisadores associados conseguiram se infiltrar na seita. Na anunciada data, em 21 de dezembro de 1954, os adeptos da fraternidade foram ao jardim da casa de Martin. A madrugada chegou e o disco voador não pousou. Mas, em 22 de dezembro de 1954, o que aconteceu? Martin anunciou ter recebido novas mensagens do planeta Clarion e voltou com uma informação alentadora para os adeptos da seita: o dilúvio não acontecera porque a quantidade de energia positiva concentrada pelos integrantes da fraternidade sustara o dilúvio. Em outras palavras, em lugar de a profecia fracassar, o fracasso da profecia foi racionalizado e os adeptos da seita se tornaram salvadores do mundo.  

 

Que analogia pode ser feita entre esse caso de 1954 nos Estados Unidos e os eventos de massa convocados pelo bolsonarismo, com a promessa de execução de golpes contra as instituições democráticas, como o movimento de 7 de setembro, que não se concretizam?

 

O que aconteceu em Chicago é o bolsonarismo a que assistimos hoje. Os adeptos da Fraternidade não abandonaram a suas convicções, muito antes pelo contrário, racionalizaram o fracasso da profecia e dobraram a aposta, considerando ter sido a sua ação que teria prevenido a ocorrência do dilúvio. A última frase do livro de Festinger é espantosa e inaugura uma radicalidade para a qual o próprio Festinger não estava preparado, mas que explodiu no século 21: “Eventos conspiraram para oferecer aos membros da seita uma oportunidade verdadeiramente magnífica para que crescessem em números. Tivessem sido mais efetivos, e a fracassada profecia poderia ter sido o começo, não o fim”. A publicidade gerada pelo malogro da profecia teria permitido converter o insucesso em fator de crescimento, em uma fase inédita de expansão da fraternidade, em lugar de seu desaparecimento, o que só não ocorreu por não terem sido muito efetivos. Festinger conclui: “Um homem convicto é resistente à mudança. Discorde dele, e ele se afastará. Mostre fatos e estatísticas, e suas fontes serão questionadas. Recorra à lógica, e ele não entenderá sua perspectiva”. Se você acrescentar a essa certeza paranoica o caráter coletivo da poderosa midiosfera da extrema-direita, temos o caos cognitivo transformando-se em realidade alternativa. É o que vivemos no Brasil hoje.

 

Se argumentos objetivos não são assimilados pelos participantes da midiosfera extremista – e o filme “Não olhe para cima” representa bem esse fenômeno –, o que pode ser feito para recuperar a perspectiva comum dos fatos na sociedade?

 

É possível demonstrar, objetivamente, que uma parte considerável da campanha bolsonarista é baseada em erro. Mas se permanecermos na chave do erro objetivo, nunca compreenderemos o fenômeno. Para compreendê-lo, é preciso resgatar uma distinção entre “erro” e “ilusão” que Freud propôs em ensaio de psicologia social muito importante, “O futuro de uma ilusão”. Erro está no campo do objetivo e pode ser demonstrado. Mas, diz Freud, o importante para compreender a sociedade não é o erro; o importante é a ilusão, a projeção de um desejo. Quando estou diante da ilusão, pouco importa se posso demonstrar para a pessoa iludida que, do ponto de vista objetivo, há um erro. Dessa forma, um homem que se casou três vezes, porque sistematicamente trocou a esposa mais velha por outra mais jovem; um homem que, no seu último filho homem, teria concordado com o aborto ou deixado a questão para a decisão da mulher; um homem que foi incapaz de visitar um único hospital quando nos aproximamos de 700 mil mortos; um homem que nunca, nem simbolicamente, foi à casa de uma pessoa com parentes vítimas de Covid para expressar solidariedade, um gesto de compaixão. E ainda riu, imitou de maneira satânica uma pessoa morrendo asfixiada. E ainda assim os cristãos mantêm a ideia de que ele protegerá a família cristã, a própria família que ele não soube manter. Então, não estamos no plano do erro, mas no plano da ilusão, a primeira hipótese. Trata-se da projeção de um desejo. E o desejo é de que as teorias conspiratórias e as fake news que circulam na midiosfera extremista, e que são confirmadas, por exemplo, pela Rádio Jovem Pan, sejam a verdade.  

 

Como é o processo de cooptação e manutenção das pessoas dentro dessa midiosfera extremista?

 

A midiosfera extremista é poderosa máquina de desinformação, talvez a maior da história da humanidade. É composta por cinco elementos: as correntes de WhatsApp; o circuito integrado de canais de Youtube com capacidade tóxica de desinformação; as redes sociais; aplicativos como o Mano, cujo garoto-propaganda é Flávio Bolsonaro; e um aplicativo do Facebook, a TV Bolsonaro, O que se produz 24 horas, sete dias por semana, é conteúdo audiovisual de adesão incondicional a Bolsonaro. E há um quinto elemento, que é muito grave; como metonímia do processo, cito a Rádio Jovem Pan. Por esse veículo, todas as teorias conspiratórias e as fake news que circulam na midiosfera extremista são legitimadas, são validadas, porque são reproduzidas nesse veículo fora da midiosfera. Bolsonaro passou boa parte de seu governo atacando instituições democráticas, universidades, professores, a ciência, a imprensa e jornalistas. Líderes populistas atacam instituições e o conhecimento porque buscam, nes- se processo, se beneficiar da transferência da autoridade simbólica dessas instituições e pessoas que trabalham com a informação e o conhecimento. A transferência de autoridade está bem trabalhada por Freud no clássico “A psicologia das massas e a análise do eu”, de 1921, em que descreve a relação de submissão das massas a um líder ao qual se atribui autoridade infalível e que há nessa submissão um aspecto libidinal, ligado ao prazer. No caso de Freud, o líder é uma espécie de imã, o que implica subordinação da massa. Isso certamente é modelo perfeito para se pensar uma sociedade em que havia um centro emissor de conteúdo e uma massa receptora passiva de conteúdo. O modelo freudiano, de 1921, é interessantíssimo para pensar e antecipar de maneira notável o que ocorreu com o nazismo e o fascismo. Neste momento em que vivemos há uma diferença fundamental: hoje, o modelo de um centro irradiador para uma multidão receptora e passiva não dá mais conta da complexidade do presente. Há uma outra chave, um pouco diferente. Assim como a extrema- direita mundial, o bolsonarismo no Brasil investe numa campanha de conteúdo e microdirecionamento digital. Nesse sentido, de fato, é equívoco imaginar que as redes sociais sejam horizontais, pois as grandes plataformas fazem o papel do elemento verticalizador: determinam a lógica do algoritmo e as políticas aceitáveis de comportamento no interior das redes. Então, imaginar algo exclusivamente horizontal seria ingênuo, pois não estaríamos levando em consideração o poder que as grandes corporações e plataformas têm. Além disso há, no interior da midiosfera, a circulação sem cessar de produção audiovisual que difunde o sistema de crenças bolsolavista, com exortação incessante aos golpes de Estado e à eliminação física de adversários, entre outras teorias  conspiratórias. Os integrantes compartilham e reproduzem horizontalmente esse conteúdo estrategicamente elaborado com as suas redes.

 

“Hoje, no Brasil, contamos com dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras que estão vivendo na ilusão, estão realmente convencidos de todo conteúdo dessa usina de desinformação”

 

Quais são as semelhanças em relação à forma de operação da midiosfera bolsonarista com outros populistas da extrema-direita mundial?

 

Nas décadas iniciais do século 21, o grande fenômeno político foi o avanço transnacional da extrema-direita pelo voto, empregando as mesmas narrativas retóricas. Não se trata mais de uma extrema-direita que conquista poder pela botina e pelo tanque, mas que, na primeira eleição, chega ao poder seduzindo o eleitorado e conquistando corações e mentes. Uma vez no po- der, a extrema-direita passa a enfraquecer e corroer as instituições democráticas. É a mesma estratégia de argumentação e conteúdo que foi usada por Rodrigo Duterte, nas Filipinas; por Donald Trump, nos Estados Unidos; por Viktor Orbán, na Hungria; por Andrzej Duda, na Polônia; por Jair Bolsonaro, no Brasil. Então, existe certo nível de coordenação. Steve Bannon, antes de ser preso por ter feito rachadinha ou rachadão com dinheiro arrecadado numa campanha chamada We build the wall, criou o The Movement, uma espécie de internacional da extrema-direita. Viajou a vários países da Europa fazendo seminários e conhecendo lide- ranças jovens para organizar ações combinadas e programadas. A extrema-direita transnacional conta com apoio maciço das megaplataformas e do capital internacional. Por que ela tem sido tão poderosa nas duas primeiras décadas do século 21? Porque aprendeu a combinar o incombinável: a verticalização com a horizontalidade. Combina uma estrutura das redes digitais que, na aparência do exercício cotidiano, é horizontal, mas é verticalizada tanto na produção do conteúdo quanto na configuração dos algoritmos que definem o seu alcance. Essa é a força da extrema-direita no mundo e da extrema-direita bolsonarista. Hoje, o bolsonarismo, assim como a extrema-direita transnacional, criou uma profissão: o MEI (microempreendedor ideológico): há muitas pessoas ganhando dinheiro com radicalização política em seus canais no YouTube.  

 

Como recuperar a consciência coletiva no Brasil?

 

O Brasil vive uma situação grave, nunca estivemos numa situação tão grave na história da República. E a analogia final que faço: estamos hoje no Brasil em 1913, o ano do filme “A fita branca”, que retrata a futura geração que viverá a ascensão do nazismo. Estamos vendo pessoas que conhecemos e respeitamos, e ja mais imaginamos que pudessem ser cúmplices de um projeto totalitário de poder. O Brasil precisará de pelo menos uma década para tentar remediar o malefício causado pelo ensinamento da retórica do ódio e da ló gica da refutação de Olavo Carvalho, que tornam o debate impossível. Vamos enfrentar dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras enredados numa rea lidade paralela. Vamos ter de trabalhar muito.

 

Sobre João Cezar de Castro Rocha

 

O ensaísta João Cezar de Castro Rocha é professor titular de literatura comparada da UERJ e pesquisador do CNPq. Graduado em história e mestre e doutor em letras pela UERJ, fez um segundo doutorado em literatura comparada na Stanford University, EUA. Realizou estudos de pós-doutorado na Freie Universität e na Princeton University. Recebeu, em 2014, o prêmio Ensaio e Crítica Literária da Academia Brasileira de Letras, e, em 1998, o Prêmio Mário de Andrade da Biblioteca Nacional. É editor-executivo da revista Portuguese Literary & Cultural Studies, publicada pela University of Massachusetts-Dartmouth. Foi fellow da Universidade de Winsconsin, do Centre for Brazilian Studies da Universidade de Oxford, do St. John’s College da Universidade de Cambridge e da Beinecke Library da Universidade de Yale. Também ocupou a Cátedra Machado de Assis da Universidad del Claustro de Sor Juana, México. Autor de 13 livros, entre os quais “Guerra cultural e retórica do ódio”, é também organizador de mais de 30 títulos. Seu trabalho já foi traduzido para o mandarim, alemão, espanhol, francês, italiano e inglês.

 

“Guerra cultural e retórica do ódio: Crônicas de um Brasil pós-político” (Caminhos Editora e Livraria, 2021)

“Evolução e Conversão – Diálogos sobre a origem da cultura” (com René Girard e Pierpaolo Antonello; É Realizações, 2011)

“Culturas shakespearianas – Teoria mimética e os desafios da mímesis em circunstâncias não hegemônicas” (É realizações, 2017)

 

Acesse: https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/10/21/interna_pensar,1409943/castro-rocha-brasil-e-laboratorio-de-criacao-de-realidade-paralela.shtml

Hoje é dia do Sinpro no cinema

Hoje, 03/11, é dia do Sinpro no cinema, no Liberty Mall. Toda quinta-feira, você, professor(a) e orientador(a) educacional,  paga 10 reais na entrada, com direito a um acompanhante que pagará também o mesmo valor.

Para aproveitar o benefício, é preciso ser sindicalizado(a) e apresentar a carteirinha válida, em versão física ou digital. Esqueceu a carteirinha? Não tem problema. Você pode apresentar o último contracheque com o desconto da contribuição sindical.

 

Confira a programação:

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