A farsa do ensino médio self-service

Os estudantes não demorarão a perceber que a verdadeira liberdade de escolha continuará sendo privilégio dos que, na vida, sempre puderam frequentar restaurantes à la carte

 

Projeto de vida, emprego dos sonhos, arquiteturas curriculares flexíveis, inovação, empreendedorismo, tecnologias digitais e um extenso menu de percursos de aprofundamento – a escola adaptada às necessidades de seus estudantes e conectada ao mundo contemporâneo. É com essa linguagem a um só tempo vazia e sedutora, herdeira das novíssimas tradições do life coaching e das empresas de facilitação, que os papagaios da reforma do ensino médio tentam desviar a atenção dos estudantes daquilo que o Novo Ensino Médio realmente opera e produz: uma ruptura com a universalidade da escola pública no Brasil e com a busca por uma melhoria efetiva dessa escola.

 

 

“Novo Ensino Médio” (NEM) é o nome-fantasia da reforma educacional deflagrada em 2016 pela Medida Provisória n. 746. Naquele ano, mais de mil escolas e universidades foram ocupadas no país por estudantes que contestavam o autoritarismo da reforma – o que, no entanto, não desanimou seus elaboradores e promotores. Meses depois, a indigesta MP foi convertida na Lei n. 13.415/2017, a base daquilo que hoje, o Ministério da Educação propagandeia como imitação clichê de trailer cinematográfico e que as redes estaduais de ensino empurram a adolescentes de 15 anos com pesquisas de opinião fajutas e mensagens de incentivo ao exercício da “liberdade de escolha” e do “protagonismo juvenil”.

 

 

Entre 2019 e 2020, bem longe de escolas e estudantes e sob a coordenação do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) – devidamente patrocinado por fundações e institutos financiados por bilionários – a Frente de Currículo e Novo Ensino Médio construiu junto com as secretarias de educação dos estados o que seria, na visão do grupo, a “arquitetura” curricular de todas as escolas de ensino médio do país nos anos vindouros.[1]

 

 

Em junho do ano passado, São Paulo foi o primeiro estado do país a aprovar, por meio de seu Conselho Estadual de Educação, o novo currículo para o ensino médio. Embora, oficialmente, esse seja o marco inicial da implantação dos itinerários formativos que consolidarão o NEM na sua inteireza, a implantação da reforma na rede paulista já vinha sendo levada a cabo de maneira fracionada desde 2019; em fragmentos que – agora juntados – dão a impressão de que tudo está ocorrendo de supetão.

 

 

Um desses fragmentos, o Programa Inova Educação, é subproduto de uma parceria estabelecida em 2018 entre a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) e o Instituto Ayrton Senna para adequar o currículo paulista à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Desde 2019, o Inova já compromete 450 horas-aula da grade fixa do ensino médio paulista em disciplinas denominadas “Projeto de Vida” e “Tecnologia”, além de matérias optativas (como “empreendedorismo”, “administração do tempo” etc.). Numa das apresentações do “Movimento Inova” (06 dez. 2019), Haroldo Rocha, então secretário executivo da Seduc-SP, manifestou empolgação ao anunciar que a pasta vinha conversando com uma startup que era “uma espécie de LinkedIn para estudantes”, onde os jovens poderiam gerenciar seus projetos de vida. Escandalizados com o baixo nível das propostas pedagógicas oficiais, muitos profissionais da educação na rede estadual trabalharam para dar um rumo diferente às disciplinas “Inova”, impedindo que seus estudantes fossem obrigados a engolir cinco aulas semanais de autoajuda empresarial durante todo o ensino médio (mais de 14% da carga horária total do NEM).

 

 

Outro dos braços constituintes do NEM paulista é o programa Novotec, implantado há dois anos para escoar a demanda por educação profissional na rede estadual sem que o governo tivesse que efetivamente investir na ampliação da oferta de educação técnica e profissional. A solução do Novotec é simplificar: oferecer nas escolas regulares cursos técnicos com carga horária reduzida e que não exijam infraestrutura de laboratórios, parque de equipamentos etc. A gritante diferença no gasto por aluno é o que distingue a “formação profissional” à la Novotec daquela regularmente ofertada nas escolas técnicas (ETECs) do Centro Paula Souza ou nos Institutos Federais. A primeira – mais barata, de qualidade inferior e que não habilita os egressos com um diploma de ensino técnico – é dispensada aos estudantes mais pobres da rede estadual.

 

 

As lutas docentes e discentes que teriam o potencial de frear a autoritária Seduc-SP concorrem, no presente momento, com a luta pela vida em famílias destroçadas pela pandemia. Enquanto as comunidades escolares seguem tentando se organizar, o governo paulista junta as peças e avança na implantação do NEM: currículo escolar simplificado, Novotec, Inova Educação e ampliação do Programa Ensino Integral (este, como sempre, para poucos). A baixa adesão ao ensino remoto por parte dos estudantes inviabilizou um debate qualificado na rede de ensino sobre as mudanças radicais trazidas pelo NEM. Mas isso não vexa os administradores da educação paulista. Pelo contrário, o aligeiramento da reforma é de grande ajuda para o governo Doria.

 

 

Em primeiro lugar, a reforma funciona como elemento diversionista, permitindo à Seduc-SP saturar o debate público com pautas diferentes daquela que o governo quer evitar: as responsabilidades estatais pela tragédia educacional vivida na maior rede pública do país – estudantes e professores sem internet, escolas sem infraestrutura, baixa execução orçamentária durante a pandemia, manipulação de dados públicos para enganar a população quanto à segurança sanitária nas escolas etc.

 

 

Contorcionista, o governo paulista inverte o argumento e diz que a aceleração da reforma é uma boa maneira de combater a evasão escolar durante a pandemia. Dessa forma, Doria e seus correligionários esquivam-se responder por aquilo que lhes cabe na produção desta mesma evasão escolar no último ano e meio ao mesmo tempo em que implantam uma reforma educacional impopular sem serem importunados pelo burburinho de estudantes questionadores.

 

 

Dribladas as resistências, o governo paulista convidou os primeiranistas da rede estadual ao exercício da liberdade e da busca pelos sonhos em um questionário online, no qual as preferências de itinerários formativos deveriam ser indicadas por ordem de prioridade a partir de um cardápio com 11 opções. No formulário, os estudantes tinham acesso a uma “breve descrição” de cada itinerário e a uma sucinta “ementa geral”.

 

 

Apresentados aos estudantes como percursos de “aprofundamento” da formação geral fundamentada na BNCC, dez dos novos itinerários eram vinculados às chamadas “áreas do conhecimento” – Matemática e suas Tecnologias; Linguagens e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; além de combinações entre elas denominadas itinerários de “aprofundamento integrado”. O décimo-primeiro itinerário – técnico e profissional – é desdobrado em dois percursos: Novotec Integrado (com 21 cursos técnicos de 900 horas) e Novotec Expresso (com cursos profissionalizantes de curta duração). O NEM é vendido aos estudantes como um ensino médio self-service onde, à primeira vista, cada um pode escolher aquilo que mais lhe apetece.

 

 

Um ensino simples, fácil e rápido, com matemática, português e rudimentos de inglês como pratos principais e aulas de resiliência e autocontrole de sobremesa. Afinal, o trabalhador do futuro deve aprender a sorrir perante a humilhação e a manter-se permanentemente fora de sua “zona de conforto”, tolerando estoicamente um permanente desconforto. Como acompanhamentos, os jovens comensais do Novo Ensino Médio são convidados a encarar o sarapatel dos itinerários de aprofundamento ou o vistoso bufê do Novotec, com pequenos canapés que não matam a fome, mas são vendidos pelos chefs do governo paulista como o mais opulento dos banquetes.

 

 

Gourmetização curricular

 

 

Os itinerários de aprofundamento do NEM paulista ostentam nomes como “#SeLigaNaMídia” e “Superar desafios é de humanas”. Em particular, a escolha por este mexidão de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas implica em substituir discussões sobre a formação social brasileira – em que temas como raça e racismo são tratados – por unidades curriculares genéricas como “Muros e pontes: sociedade, tecnologia e informação”.

 

 

No recém-inaugurado site do Novo Ensino Médio SP, as ementas gerais dos itinerários ganharam maior detalhamento. Os documentos foram ampliados para explicar, afinal, o que será servido no ensino médio paulista para além do arroz-com-feijão da BNCC. Um exemplo interessante vem do itinerário que integra as áreas de Linguagens e Matemática (e suas respectivas Tecnologias), intitulado “Start! Hora do desafio!”. Os objetivos da Unidade Curricular 6 para o 3º ano do ensino médio são:

 

 

EUREKA! RUMO A NOVOS DESAFIOS! Nesta unidade, você vai revisitar o seu Projeto de Vida e identificar os desafios nos campos da vida pessoal e de atuação na vida pública, desenvolvendo sua autonomia e seu protagonismo. Para tanto, você terá oportunidades de elaborar e compartilhar estratégias para participação em processos seletivos, experimentar práticas bilíngues, criar perfis pessoais e profissionais utilizando mídias digitais e interagir no núcleo de estudos de resolução de problemas em matemática. Estas aprendizagens vão colaborar para suas escolhas futuras, tendo em vista a continuidade de seus estudos ou ingresso no mundo do trabalho.

 

 

A unidade é trabalhada em três componentes distintos: um sobre leitura e variação linguística, com ênfase em mídias digitais; outro sobre resolução de problemas de matemática, bem tradicional; e um terceiro, “Proficiência e desafios na vida pessoal e pública”, que trata de tudo um pouco – curadoria de informação, planejamento de estratégias para resolver problemas na “vida pessoal e pública”, exames vestibulares e “posicionamento responsável em relação a temas, visões de mundo e ideologias veiculados por textos e atos de linguagem”. Aprenderão os estudantes que essa ode à proficiência como Projeto de Vida, veiculada no texto curricular oficial, é um dos principais alicerces da mentalidade neoliberal? Oxalá as habilidades de leitura preconizadas pelas ementas capacitassem os estudantes para decodificar esse tipo de discurso.

 

 

Os três componentes da Unidade Curricular “Eureka! Rumo a novos desafios!”, do itinerário “Start! Hora do desafio!” (3º ano do ensino médio)

Os redatores das ementas se esforçaram ao máximo para dar ares de sofisticação a situações escolares triviais, mas nem por isso desimportantes. A ordinária escrita de textos, por exemplo, virou “planejamento, produção e edição de textos orais, escritos e multissemióticos”. A “pesquisa” escolar no Google e quejandos, mui conhecida de alunos e professores, também sofreu rebranding: agora é “curadoria de informação”. Além de cortar, triturar e reduzir a formação escolar em fogo alto, o governo paulista gourmetizou a gororoba.

 

 

A gourmetização do currículo paulista, no entanto, é operação bem mais profunda do que uma mera alteração na ordem ou nos nomes das coisas. Trata-se de remover do documento curricular, tanto quanto possível, os marcos referenciais aos conhecimentos específicos disciplinares (ditos tradicionais) que são a base da formação dos professores. Assim, como não haverá mais aulas de redação no NEM paulista – renomeadas como “laboratórios de produção jornalística” – elas poderão ser igualmente ministradas, a depender do percurso, por professores de português, inglês, artes e sociologia.

 

 

É curioso perceber que os três componentes da unidade curricular “Eureka!” são totalmente independentes um do outro, e facilmente poderiam ser tratados em aulas regulares de matemática, português e orientação de estudos (ou Projeto de Vida, como queiram). Mas para que facilitar, se se pode dificultar? É que um dos grandes objetivos ocultos da reforma – criticado pelo campo educacional em peso desde antes de 2016 – é induzir a desprofissionalização dos professores do ensino médio. O NEM permite aos governos “resolverem” o problema histórico da falta de professores licenciados na área em que lecionam – Física, Química, Sociologia e Filosofia são exemplos clássicos – por meio da supressão da demanda. Em São Paulo, a solução encontrada foi gourmetizar o currículo a ponto de torná-lo irreconhecível aos professores.

 

 

Em todos os itinerários propostos pela Seduc-SP, fundamentos científicos disciplinares construídos ao longo de décadas e uma vasta produção do conhecimento nas áreas do ensino e da didática das ciências humanas e naturais foram descartados e substituídos por uma miscelânea de modismos educacionais calcados em resolução de problemas, trabalho em equipe, elaboração/realização de produtos e habilidades socioemocionais – sempre na dimensão mais utilitária possível.

 

 

No Novo Ensino Médio, “Ciências Humanas e Sociais” só se forem “Aplicadas”. “Ciências da Natureza”, “Linguagens” e “Matemática” só em intersecção com “suas Tecnologias”. Se o Mercado aponta que designers de jogos ou operadores de planilhas eletrônicas estão em falta, o ensino médio público suprirá essa demanda por mão-de-obra. Já se esses trabalhadores terão o repertório necessário para compreender a lógica das planilhas ou para criar o conteúdo artístico dos jogos e aplicativos, este problema não mais competirá à escola pública. Dirão os mais cínicos que foram os próprios estudantes, no pleno exercício do seu protagonismo, que escolheram trocar a sua formação escolar geral por cursinhos profissionalizantes precários.

 

Uma nova educação política

 

Na prática, como vimos, o maravilhoso exercício da liberdade na rede estadual paulista se resumiu ao preenchimento, pelos estudantes, de um singelo questionário de “manifestação de interesse”. Centenas de milhares de adolescentes de 15 anos escolheram seus percursos escolares no cardápio da Seduc-SP sem terem acesso a informações minimamente qualificadas. Muitos foram orientados à distância por seus professores, igualmente excluídos do debate e que ainda não sabem se terão aulas para ministrar no ano que vem. A Seduc-SP chegou a organizar algumas lives sobre a implantação do NEM, mas manteve as caixas de comentários desativadas, impedindo que gestores escolares e professores tirassem dúvidas ou registrassem suas observações.

 

 

Foi só depois do encerramento da consulta na qual, segundo o governo, 89% dos estudantes do ensino médio paulista definiram seus itinerários em uma lista de prioridades, que a Seduc-SP lançou – enfim – o site oficial do NEM com a matriz curricular dos itinerários formativos e as ementas detalhadas. Apesar disso, o governo de São Paulo ainda não publicizou a matriz da formação geral básica de 1.800 horas, de modo que até o momento não se sabe se aquilo que está ausente dos percursos de aprofundamento fará parte da formação comum.

 

 

História do Brasil, por exemplo, é um dos assuntos que simplesmente não aparecem nas 217 páginas do ementário dos percursos de aprofundamento. Considerando todo o conjunto dos itinerários do NEM paulista, incluindo todos os percursos ligados à área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, um único componente do percurso integrado “Cultura em movimento: diferentes formas de narrar a experiência humana” (Linguagens + Ciências Humanas) traz aquilo que mais se aproxima de um ensino de história do Brasil. Trata-se do componente “Ressignificando a formação do povo brasileiro”, que pode ser igualmente ministrado por professores de Sociologia, Filosofia ou História:

 

 

Patrimônio; / identidades e territorialidades na constituição da memória; / povos tradicionais; cultura material e imaterial; / formação da sociedade brasileira e seus legados socioculturais; / condições socioespaciais e o lugar dos saberes tradicionais na construção da memória.

 

 

Termos como “racismo”, “ditadura”, “autoritarismo” – assim como “machismo”, “homofobia”, “transfobia”, “sexualidade” e muitos outros – simplesmente não aparecem em nenhuma das ementas. Já o termo “raça”, aparece uma única vez no contexto do componente “O corpo e o padrão social”, do itinerário “Cultura em movimento”

 

 

Exclusões e inclusões em grupos sociais por meio de marcadores da diferença: estabelecidos e outsiders; subsociedades; pessoas com deficiências; raça e etnia; masculinidades e feminilidades.

 

 

Além desta única referência indireta a debates de gênero no ensino médio, o termo “gênero” aparece relacionado ao componente “Mudanças sociais, demografia e trabalho” (do percurso integrado “#quem_divide_multiplica”), que faz referência a relações de gênero e étnico-raciais no mundo do trabalho. Também é aqui que aparece uma das duas únicas referências a “escravidão” em todos os percursos, sempre aparece no contexto de discussões sobre trabalho.

 

 

O tema do trabalho escravo contemporâneo também aparece no componente “Inovação e o mundo do trabalho”, que integra um percurso de aprofundamento alternativo para a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: “Liderança e Cidadania”. Este novo itinerário não constava do formulário distribuído aos alunos entre junho e julho, tendo sido lançado juntamente com as ementas detalhadas no site do NEM paulista. Os proponentes contemporizam o lançamento tardio, e justificam que caso a equipe escolar tenha interesse de desenvolver a segunda opção (…), deve haver um diálogo prévio com os estudantes que cursarão este Itinerário. A proposta do Novo Ensino Médio permite que as unidades escolares, diretorias de ensino e outras organizações da sociedade civil construam propostas de itinerários formativos.

 

 

A organização da sociedade civil que construiu o referido itinerário é o Instituto Politize!, organização especializada em programas escolares de educação política. Segundo a ementa, o estudante que cursar o percurso “Liderança e Cidadania”

 

 

terá a oportunidade de ampliar e potencializar ações políticas, direcionadas para iniciativas para atuar na esfera pública, privada e não governamentais, tais como: Movimentos sociais, entidades beneficentes, Organizações Não Governamentais (ONGs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), além de outras formas de associações civis de impacto social.

 

 

O Politize! tem como missão “formar uma geração de cidadãos conscientes e comprometidos com a democracia (…) levando educação política para milhões de pessoas” – e veicula conteúdos relacionados a desigualdades sociais, participação política, direitos humanos, polarização política e defesa da democracia. Embora a organização afirme o “respeito pela pluralidade de ideias, crenças e posições”, sua linha pedagógico-editorial é claramente a dos think tanks liberais.

 

 

Alguns componentes curriculares do itinerário “Liderança e Cidadania”, elaborado pelo Instituto Politize! O conjunto de todos os componentes pode ser encontrado no ementário disponibilizado pela Seduc-SP.

 

A despeito da forma e do conteúdo do itinerário “Liderança e Cidadania” – pessimamente redigido e um tanto fora da realidade do ensino médio – é reconfortante saber que o governo de São Paulo apoia a existência de programas de educação política na rede estadual, e que as escolas e outras organizações que também investem em programas de educação política – os movimentos sociais, por exemplo – também poderão desenhar percursos de aprofundamento para serem implementados no Novo Ensino Médio. Seria esta uma inflexão em relação a 2019, quando João Doria mandou recolher apostilas de 300 mil estudantes do ensino fundamental para interditar debates sobre gênero e gravidez na adolescência? Provavelmente não.

 

 

Ao mesmo tempo em que as discussões sobre raça e gênero estão circunscritas a apenas três componentes curriculares (dois sobre trabalho e um sobre corpo), as expressões “ONGs” e “OSCIPs” aparecem, respectivamente, cinco e seis vezes ao longo do ementário (em diferentes percursos formativos). E mais: “Empreendedorismo” (e suas variações[2]), 32 ocorrências; “Projeto de Vida”, 30 ocorrências; mercado, 12 ocorrências; “consumo” (e suas variações), 45 ocorrências; “curadoria”, 21 ocorrências; marketing ou publicidade (e suas variações), 35 ocorrências. A expressão “desigualdade social” (e também “igualdade de gênero”) aparece na esteira das citações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, aos quais o currículo gourmet está supostamente vinculado. Já a expressão “classe social”, não aparece nenhuma vez.

 

 

Formação profissional rebaixada

 

 

Para os apóstolos do Novo Ensino Médio, é a escola ultrapassada, rígida e desinteressante a grande responsável pelas elevadas taxas de evasão e pela existência de uma massa de jovens recém-saídos do ensino médio que não trabalham e nem estão matriculados em instituições de ensino superior – a geração nem-nem. A reforma do ensino médio, portanto, é moralmente justificada como a tábua de salvação para uma geração de jovens que, sem grandes perspectivas na vida, precisa de uma escola mais simples e atraente, voltada para a vida prática e para o aumento da produtividade no trabalho. É claro que quem formula essas justificativas pertence a uma outra geração nem-nem: aquela que nunca estudou ou trabalhou em escolas públicas e cujos filhos adolescentes passam longe dessas mesmas escolas.

 

 

A cornucópia dos itinerários formativos ditos “acadêmicos” (os percursos de aprofundamento) é voltada à parcela menor dos estudantes das redes públicas que eventualmente ingressarão em instituições de ensino superior. Isso, é claro, a depender daquilo que cada um perder ao escolher determinado percurso. Espera-se que a maioria – aqueles já considerados pelo governo estadual como não tendo condições de cursar uma universidade – optem pelos percursos profissionalizantes rebaixados do Novotec.

 

 

Embora a propaganda oficial tente associar o Novotec a instituições de referência como as ETECs do Centro Paula Souza, insistindo na ideia de uma formação profissional em sintonia com as demandas do mundo do trabalho, o governo paulista evita tocar no assunto mais delicado: o vertiginoso aumento da demanda por vagas do Novotec, projetado para os próximos dois anos, implica que os profissionais do Centro Paula Souza não darão conta de assumir os cursos nas escolas. Em 2020, o Novotec Integrado ofereceu cinco mil vagas; e o Novotec Expresso, 22,6 mil vagas. Já para 2023, ano em que se encerrará o primeiro ciclo de matrículas no NEM, estão previstas 83,4 mil vagas para o Novotec Integrado e mais 100 mil vagas para o Novotec Expresso. Sem fazer investimentos robustos na ampliação da rede própria e do corpo docente, tamanha expansão de vagas só poderá ser realizada pela via da privatização da oferta educacional direta.

 

 

Com efeito, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado de São Paulo já havia lançado, em 2020, edital de licitação para a contratação de “empresas e/ou instituições qualificadas para ofertar, ministrar e coordenar cursos de qualificação profissional e certificar estudantes no estado de São Paulo”. A contratação das 7.025 vagas de cursos de 150 horas foi dividida em cinco lotes, compreendendo cursos como “Técnicas de Atendimento”, “Ajudante de Logística” e “Criação de Sites e Plataformas Digitais”. As instituições contratadas foram: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Associação Sequencial de Ensino e ESSA Educação Profissional S.A., que puderam visitar as escolas estaduais para averiguar as condições de infraestrutura para o cumprimento do contrato.

 

 

ensino médio

Relação de cursos do Novotec Expresso licitados à iniciativa privada pela SDE em 2020.

 

 

 

O edital definia que os cursos deveriam se ministrados por docentes maiores de 18 anos, com ensino médio completo e com experiência profissional comprovada na área do curso. Já vigora na educação paulista, dessa forma, a contratação de professores por “notório saber” anunciada na Lei n. 13.415/201, e amplamente repudiada por entidades do campo educacional como mecanismo indutor da desprofissionalização docente. O também edital estabeleceu que as instituições contratadas podem receber “apenas” 90% do valor total por turma para os casos em que a evasão de alunos durante o curso superar os 33%. Diante dessas condições, e a depender dos custos operacionais dessas escolas, a manutenção de taxas de evasão elevadas pode ser financeiramente vantajosa.

 

 

Já para os estudantes, a escolha pelos percursos formativos do Novotec Expresso será bem menos proveitosa, já que no Novo Ensino Médio esses cursos de curta duração deixam de ser atividades de contraturno e passam oficialmente a substituir a formação escolar regular. Por sua vez, a formação “pré-técnica” do Novotec Integrado, que também substituirá a formação regular, exigirá dos estudantes que quiserem ter um diploma de ensino técnico e profissional passar (pelo menos) mais um ano estudando numa escola técnica para complementar a formação.

 

 

Considerando que as ETECs e o Instituto Federal possuem processos seletivos próprios – isto é, não há vagas para todos –, como o governo paulista pretende lidar com a expectativa por uma formação técnica em sentido estrito que a propaganda governamental alimenta nos estudantes? Poderão os jovens egressos do Novotec Integrado acessar as ETECs sem passar pelo vestibulinho para conseguir o tão sonhado diploma? Haverá salas e laboratórios suficientes?

 

 

Esta não parece ser uma preocupação para os arautos do NEM. Em evento do Movimento Inova, Anna Penido (Instituto Inspirare) afirmou que hoje a formação para o trabalho “demanda mais competências humanas do que simplesmente a operação de apertar botão, apertar parafuso. Então, a gente precisa formar profissionais, não necessariamente um técnico em alguma coisa específica” (05 dez. 2019). Outro entusiasta da desespecialização profissional é Haroldo Rocha que explicou à audiência que “durante a vida, que é cada vez mais longa, é possível ter duas, três, quatro profissões diferentes, e a gente tem que se preparar para isso” (06 dez. 2019).

 

 

Penido e Rocha resumem bem a concepção de educação profissional do Novotec, que coincide com a concepção mais geral de desprofissionalização docente da reforma do ensino médio. Em vez de ministrarem um ou dois programas num mesmo ano letivo, o NEM paulista obrigará os professores a trabalharem quatro, cinco ou mais programas simultâneos no currículo gourmetizado da Seduc-SP. O salário, as condições de trabalho a estrutura da carreira permanecerão os mesmos, mas os “desafios” serão sempre maiores. Dá-lhe resiliência para tanto desafio.

 

 

A oferta de todos os percursos (aprofundamento ou Novotec) será, como esperado, limitada pela realidade das escolas – infraestrutura, perfil do corpo docente e o número de optantes por itinerário. As direções escolares receberam da Seduc-SP, em formato de planilha, uma “calculadora de itinerários” para simular os impactos da reforma na atribuição de aulas aos professores, auxiliando a tomada da decisão sobre os percursos que serão realmente oferecidos – e que deverá, ainda, ser homologada pelas Diretorias de Ensino a partir de critérios (como de hábito) pouco transparentes. A liberdade de sonhar será especialmente limitada nos 325 municípios paulistas que possuem uma única escola pública de ensino médio.[3]

 

 

Quando voltarem plenamente às escolas, os estudantes do ensino médio em São Paulo terão muitas surpresas. Não apenas os seus colegas lhes parecerão estranhos, devido às rápidas transformações dos corpos adolescentes; a sua formação escolar terá sido retalhada pelo governo estadual sem que tenham tido a chance de tomar conhecimento do processo. Os estudantes não demorarão a perceber que a festejada escola self-service, com seu amplo cardápio de possibilidades, não passa de propaganda enganosa, e que a verdadeira liberdade de escolha continuará sendo privilégio dos que, na vida, sempre puderam frequentar restaurantes à la carte.

 

 

Débora Cristina Goulart é doutora em Ciências Sociais e professora da Unifesp do departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). Integra o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e participa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

 

Fernando Cássio é doutor em Ciências e professor da UFABC, onde integra o grupo de pesquisa “Direito à Educação, Políticas Educacionais e Escola” (DiEPEE). Integra o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e participa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

[1] São parceiros da Frente: Instituto Unibanco, Itaú BBA, Instituto Oi Futuro, Instituto Natura, Movimento pela Base, Instituto Sonho Grande, Fundação Telefonica e Instituto Reúna. Ver: www.consed.org.br/consed/gt-ensino-medio/sobre-a-frente-de-curriculo. Acesso em: 01 ago. 2021.

[2] Empreendedor/a, empreender, empreendimento/s e empreendedorismo.

[3] Os dados são do Censo Escolar 2020 do Inep.

Bolsonaro e Centrão eliminam direito a férias, 13º, FGTS e aumentam a jornada de trabalho

Na semana que marca o Dia do Estudante (11/8) e o Dia Mundial da Juventude (12/8), os(as) deputados(as) federais do Centrão deram um presente de grego aos(às) jovens brasileiros: a MP da escravidão. Aprovaram por ampla maioria a reforma trabalhista do governo Jair Bolsonaro (ex-PSL), contida na Medida Provisória (MP) 1.045/2021, que aprofunda a reforma trabalhista de Michel Temer e transforma os(as) trabalhadores(as), sobretudo os jovens, em escravos. Com 304 votos favoráveis e 133 contrários, a MP, de autoria do governo federal, foi aprovada, nessa quinta-feira (12), a título de renovar o programa de redução ou suspensão de salários e jornada de trabalho, cujas regras também valem para quem tem Carteira de Trabalho assinada e contratos de aprendizagem e de jornada parcial.

 

A MP 1045 retoma a chamada Carteira Verde e Amarela, criando a modalidade de trabalho sem direito a férias, 13º salário e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), mecanismo que proporciona ao trabalhador o direito à aposentadoria, e, com isso impede milhões de jovens e atuais trabalhadores de se aposentarem e terem outros direitos trabalhistas. Cria, ainda, uma modalidade de trabalho escravagista, sem Carteira de Trabalho assinada (Requip). Nessa modalidade (Requip), o empregado recebe um bônus no salário, mas seu FGTS é menor. Reduz o pagamento de horas-extras para algumas categorias profissionais, como bancários, jornalistas e operadores de telemarketing entre outros.

 

Também aumenta o limite da jornada de trabalho; restringe o acesso à Justiça gratuita em geral, não apenas na esfera trabalhista; proíbe juízes de anular pontos de acordos extrajudiciais firmados entre empresas e empregados; afasta sindicatos das negociações, seguindo a linha da precarização e aumento da vulnerabilidade dos(as) trabalhadores(as). O deputado federal Mauro Nazif (PSB-RO) denunciou a ação do Centrão e disse que o relatório diferente, repleto de jabutis, surgiu de repente e foi votado às pressas. Ele diz que diversos pontos da MP foram colocados de última hora, sem discussão e trazem mudanças permanentes nas leis trabalhistas, desmontando ainda mais a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e vão vigorar para além da pandemia.

 

“É lamentável ver tantos direitos sendo rasgados de um vez só. Não bastasse tudo que estamos vivendo, a crise instaurada por causa da pandemia, a dificuldade que as pessoas estão tendo para sobreviver, para comer, para pagar suas contas, ainda ver uma aberração dessas ser aprovada na Câmara é realmente lamentável”, disse Nazif nas redes sociais. Especialistas e parlamentares de oposição asseguram que a MP é o último ataque ao que restou de direitos trabalhistas no Brasil. O que deveria ser um conjunto de medidas emergenciais, válidos apenas para o período de pandemia, se transformou em alterações permanentes, mais uma vez no sentido da desregulamentação e da precarização.

 

A diretoria colegiada do Sinpro-DF lembra que a “reforma” trabalhista de 2017 também foi implantada sob o pretexto de criar empregos e impulsionar a atividade econômica, sem que isso tenha acontecido. “O que gera emprego é desenvolvimento econômico. O governo Bolsonaro e o Centrão fizeram foi um plano de destruição”. Também denuncia que os temas colocados de última hora e na surdina pelo relator da MP, deputado federal Christiano Aureo (PP-RJ), os quais não estavam previstos no texto original, teriam de ser debatidos com vários setores da sociedade antes de irem a Plenário.

“Ele colocou os chamados “jabutis” de propósito para precarizar, perversa e profundamente, as relações trabalhistas, como o Programa Jovem Aprendiz e a qualificação profissional, aprofunda as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) com extinção completa de direitos seculares da classe trabalhadora e definição de quem pode contar com gratuidade no acesso à Justiça”, denuncia a diretoria.

 

“Essa MP aprofunda drasticamente a reforma trabalhista de 2017, que foi danosa para os(as) trabalhadores(as). Utilizando o argumento de que iriam aprovar uma MP para fortalecer a política de emprego e renda, na esteira desse argumento eles aprovam muitos jabutis, vários itens que retiram direitos trabalhistas”, denuncia Meg Guimarães, vice-presidente da CUT Distrito Federal e diretora do Sinpro-DF.

 

Ela acrescenta que os(as) trabalhadores(as) estão comprimidos(as) pelo tempo e que se vê uma aceleração da crise institucional, o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional seguem aprovando medidas que atacam direitos, como a PEC 32, que é muito mais grave e mais profunda do que a própria reforma da Previdência, que já está em vigor. Para passar essa boiada, eles utilizam uma cortina de fumaça: quando o governo Bolsonaro coloca seus tanques enfumaçados na Esplanada é, literalmente, para criar uma cortina de fumaça para encobrir esses ataques”.

 

A MP 1045 e a precarização da carreira do Magistério Público

 

Hamilton Caiana, diretor do Sinpro-DF, considera essa reforma um atentado à classe trabalhadora “porque as pessoas serão obrigadas a abrirem mão dos seus direitos, como o direito ao recolhimento do INSS, FGTS e a nenhum benefício que o trabalhador conquistou ao longo de séculos de exploração da mão de obra e escravidão. Isso é de fato escravizar o trabalhador, que desesperadamente precisa de emprego, ainda mais nesta pandemia, e terá, muitas vezes, de se submeter a esse tipo de trabalho”.

 

No entendimento de Hamilton, a reforma trabalhista aprovada nesta semana tem tudo a ver com a Educação. “Já temos na nossa categoria a precarização do nosso trabalho: temos os(as) professores(as) do contrato temporário e os(as) educadores(as) sociais, que já passam por situações parecidas com essas da MP, e que terão de fazer um trabalho extenuante, que é o trabalho da educação, e não terão seus direitos ainda mais reduzidos e até eliminados”, explica.

 

Ele diz que a MP 1045 somada às precarizações em curso e à PEC da reforma administrativa, a situação será devastadora. “Aí vem em seguida a reforma administrativa, que acaba com os serviços públicos, com o servidor público. Após todas as reformas já feitas, que começaram com a reforma trabalhista, na gestão de Michel Temer, da Previdência, terceirização generalizada nos serviços públicos, a MP 1045 que aprofunda ainda mais os impactos trabalhistas que começaram com Temer, a reforma administrativa será a pá de cal, acabar com os serviços e com os servidores”, analisa.

SÁBADO, 14 | Sinpro-DF traz, mais uma vez, arte e cultura como forma de resistir

O Sinpro-DF, por meio da Secretaria de Cultura, realizará no dia 14 de agosto o 17º Arraial Sinpro Cultural. Nesta edição, o homenageado será o grande mestre Ariano Suassuna, professor, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo e advogado. Devido à pandemia da covid-19, a ação será no formato de live, transmitida pela página do Sinpro-DF no Facebook, pelo perfil no Instagram e pelo canal do Sindicato no Youtube.

Música, teatro e muita arte estão programados para o 17º Arraial Sinpro Cultural. Entre os artistas convidados estão a cantora Lucy Alves, o duo Myrlla Muniz & Ocelo Mendonça, os repentistas Chico de Assis e João Santana, a Quadrilha Rebuliço e o mamulengueiro, educador comunitário e ator Chico Simões. O evento também contará com apresentação de monólogos da obra O Auto da Compadecida, com Rose Costa, Tião Honório, Gilson Gezzar, Maria Bonita do Cerrado, Agnes Serrano, Fabiola Lima e Jésus Sousa, artistas da categoria do magistério público do DF.

“Cultura é Resistência! Em todos os cantos do país, a arte e a cultura estão presentes para expressar a dor, o luto e a nossa teimosia em continuar a luta com esperança, em dias melhores de um bem viver para todes. O Sinpro-DF, por meio da Secretaria de Cultura, vem implementando uma política de maior integração da categoria nas atividades culturais, por compreender que é preciso reafirmar e fortalecer nosso compromisso de pertencimento na luta organizada da classe trabalhadora, na educação, na cultura e na vida”, afirma a coordenadora da Secretaria de Assuntos Culturais Sinpro-DF, Eliceuda França. Para ela, o 17º Arraial Sinpro Cultural é um “movimento de esperançar”.

Em uma conjuntura marcada pela fome, miséria, desemprego e perda de milhares de pessoas, a diretora o Sinpro-DF Fátima de Almeida, que também integra a Secretaria de Assuntos Culturais do Sinpro-DF, afirma que a escolha de homenagear Ariano Suassuna não foi aleatória. “Amante do povo, defendia o socialismo como meio para garantir uma vida digna para todos e todas. Penso que a Secretaria de Cultura do Sinpro acerta mais uma vez, propondo algo leve em tempos tão pesados”, dialoga.

O 17º Arraial Sinpro Cultural é aberto a toda a comunidade escolar.

Leia aqui a biografia de Ariano Suassuna https://www.ebiografia.com/ariano_suassuna/

 
 

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Nota do Sinpro sobre as declarações do ministro Milton Ribeiro e em defesa do direito universal ao Ensino Superior

O pastor Milton Ribeiro, ministro da Educação de Jair Bolsonaro, voltou a defender a exclusão educacional no Brasil durante o programa “Sem Censura”, da TV Brasil/EBC, transmitido na terça-feira (10). Na ocasião, ele criticou professores(as) que defendem a vacinação em massa como condição para o retorno presencial às aulas; reforçou sua índole de “patrulhador”  da liberdade de expressão nas universidades federais; e prestou mais um desserviço ao dizer que quem paga impostos e tem direito à educação superior é a classe rica. Suas declarações reforçaram a marca elitista e genocida do governo Jair Bolsonaro. Dentre as várias afirmações, destaque para a que ele diz que “a universidade deveria, na verdade, ser para poucos, nesse sentido de ser útil à sociedade”.

 

Sem mencionar que a política econômica neoliberal em curso no Brasil é a responsável pela exclusão social e pelos índices alarmantes de desemprego, ele ilustrou seu discurso contra a oferta de educação superior para a classe trabalhadora com a seguinte frase: “Tem muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande”. Também declarou seu preconceito contra as cotas, ao dizer que “pelo menos nas federais, 50% das vagas são direcionadas para cotas. Mas os outros 50% são de alunos preparados, que não trabalham durante o dia e podem fazer cursinho. Considero justo, porque são os pais dos ‘filhinhos de papai’ que pagam impostos e sustentam a universidade pública. Não podem ser penalizados”.

 

Criticou e chamou de maus professores(as) todos os(as) profissionais da educação que defendem o direito à vida e, juntamente com seus sindicatos, exigiram a vacinação em massa da categoria como condição indispensável para voltarem às aulas presenciais e continuam, no momento, exigindo a vacinação da população e de seus estudantes: “Infelizmente, alguns maus professores fomentam a vacinação deles, que foi conseguida; agora [querem a imunização] das crianças; depois, com todo o respeito, para o cachorro, para o gato. Querem vacinação de todo jeito. O assunto é: querem manter escola fechada”, afirmou o ministro.

 

Demonstrando irresponsabilidade em relação aos riscos da Covid-19, Ribeiro destacou que “é preciso contar com a sociedade civil organizada” para que haja a retomada das atividades. “Como que o professor é capaz de ficar em casa e deixar as crianças sem aula? A culpa não é do governo federal. Se pudesse, eu teria mandado abrir todas as escolas. Mas não podemos, depende das redes municipais e estaduais”, acrescentou. Perseguiu reitores que não concordam com este governo, não são direitistas e não querem pactuar com a economia neoliberal, excludente e neocolonialista. Ele declarou que um reitor de universidade pública não precisa ser bolsonarista, mas não pode ser esquerdista ou lulista. “De 69 universidades federais, 69 reitores, nós temos hoje… eu converso com todos, alguns eu olho mais de longe. Mas eu tenho uns 20, 25 reitores que eu converso plenamente. 10 deles eu trouxe para visitar o senhor presidente da República”.

 

Após a repercussão negativa, Ribeiro voltou atrás e afirmou, na quarta-feira (11), que não quer tirar o amplo acesso da população ao Ensino Superior. Mas essa prática de dizer o que pensa e depois voltar atrás para tentar limpar a barra com os eleitores é comum no governo Bolsonaro. O Presidente da República é o principal nesse tipo de atitude. Por isso, a diretoria colegiada do Sinpro-DF vem a público esclarecer que as escolas do sistema público de ensino ficaram fechadas para aulas presenciais por causa da inoperância (ou má-fé) do governo federal, que não agilizou, deliberadamente, a política de saúde pública de controle da pandemia da Covid-19, de vacinação em massa, de bom-senso em defesa da vida e de respeito ao povo brasileiro, que é quem paga os impostos.

 

Informa que nenhum(a) professor(a) de qualquer região do Brasil desejou escolas fechadas, até porque toda a categoria sabe das armadilhas colocadas no caminho por governos neoliberais, como este em curso, durante o período de trabalho remoto e da pouca importância que dá à vida dos(as) estudantes pobres e dos(as) professores(as). Por isso mesmo que em todo o País, e, sobretudo no Distrito Federal, o trabalho remoto ocorreu de forma exaustiva, financiado pelos recursos financeiros do bolso do(a) professor(a) e pelo(as) gestores(as), que não suspenderam o atendimento presencial mesmo nos piores momentos da pandemia. A diretoria lembra que o próprio Presidente da República e o Ministro da Economia lutaram com todas as forças para não investir dinheiro público em tecnologias que garantissem as aulas remotas e a inclusão educacional dos(as) estudantes de baixa renda.

 

Há centenas de exemplos e provas dessa atitude perversa. Uma delas é a MP de Bolsonaro que retira do Estado a obrigação de fornecer Internet gratuita às escolas públicas, publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 4 de agosto. O resultado do esforço do governo federal e da omissão do Ministro da Educação está nos números. Levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado em novembro de 2020, indicou que mais de 172 mil estudantes ficaram fora da escola por evasão escolar. Crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, segundo o estudo, abandonaram ou deixaram de frequentar a escola no Brasil. Outro estudo, da Unicef, divulgado no mesmo mês, mostrou que entre março e novembro do ano passado, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil e que o País corre o risco de regredir duas décadas na evasão escolar por causa de vários obstáculos, principalmente por causa do não combate à pandemia, do não investimento do Estado em tecnologias para assegurar as aulas remotas a todos(as) e do desemprego em larga escalada.

 

Diferentemente do pensamento elitista e genocida do governo Bolsonaro, que forçou estados e municípios a abrirem escolas públicas mesmo sem condições para isso a fim de atender ao mercado, a categoria permaneceu firme, defendendo o direito à vida e o direito universal à educação. O Sinpro recorda, ainda, que é dever do governo federal, previsto na Constituição, assegurar educação em todos os níveis à população sem nenhuma exclusão. Ressalta que o acesso à educação em todos os níveis é um dos principais fundamentos para a consolidação da democracia, para fortalecer a capacidade dos indivíduos de participar de modo efetivo da tomada de decisões que os afetam e exercer o seu papel de cidadão ativamente na sociedade. O direito à educação em todos os níveis que, seguramente, desemboca no direito ao livre pensamento, é o principal instrumento de formação de cidadãos e cidadãs.

 

A ciência, que o governo Bolsonaro gosta de negar e desvalorizar para não investir o dinheiro público nesse setor, já provou várias vezes que quanto melhor é a formação educacional, mais as pessoas têm maiores condições de conhecer e acessar outros direitos essenciais, de se desenvolver profissionalmente e de mudar sua qualidade de vida e as condições culturais e materiais de sua comunidade. No entendimento da diretoria do Sinpro-DF, é justamente para evitar esse tipo de mudança social, capaz de formar cidadãos e cidadãs críticos, que o ministro Milton Ribeiro quer divulgar e instituir no principal órgão público de gestão da Educação brasileira o seu pensamento elitista e privatista.

 

É justamente contra esse pensamento preconceituoso, desumano, segregacionista, elitista, neoliberal e excludente que o Sinpro-DF defende e continua forte na luta pelo direito ao acesso à educação em todos os níveis da classe trabalhadora e que esse tema do direito ao acesso à educação tem sido cada vez mais debatido nas instancias globais e reconhecido como um direito fundamental em todo o mundo.

 
 

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Piso do Magistério, em 2022, está estimado em R$ 3.236,05 – reajuste de 12,12%

Depois do calote do governo federal que anulou o reajuste do piso salarial profissional nacional do magistério, neste ano de 2021(inicialmente previsto em 5,89%), agora, a nova previsão de reajuste para os menores vencimentos de carreira do magistério, vinculados à formação Normal de nível médio, é de 12,12%. E o valor do Piso poderá ser de R$ 3.236,05, a partir de 1º de janeiro de 2022.

Esse valor projetado depende ainda da confirmação final do valor aluno ano do Fundeb (VAAF 2021), e poderá ser majorado, uma vez que a receita de impostos tem crescido ao longo do ano.

A CNTE se mantém vigilante quanto ao cumprimento integral do piso do magistério e não aceitará retrocessos como desejam alguns parlamentares, que apresentaram projetos de lei para rebaixar as conquistas da Lei 11.738, especialmente no tocante ao critério de atualização do valor do piso e da jornada extraclasse.

Nenhum passo atrás!
Em defesa da valorização dos profissionais da educação!
Pela regulamentação do piso salarial para todos os profissionais da educação (art. 206, VIII da Constituição)!
Por planos de carreira unificados aos trabalhadores da educação básica pública!
Contra a PEC 32 (reforma administrativa)!

Brasília, 11 de agosto de 2021
Diretoria da CNTE

 
 

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Categoria decide pela manutenção do indicativo de greve

Professoras/es e orientadoras/es educacionais decidiram manter o indicativo de greve diante da insuficiência da atuação do Governo do Distrito Federal para mitigar o risco de contaminação e proliferação da covid-19 nas escolas públicas com o retorno presencial às aulas. A deliberação foi feita em assembleia virtual realizada nesta quarta-feira (11), por mais de 78% das/os participantes.

A assembleia ainda referendou a adesão da categoria do magistério público do DF ao Dia Nacional de Greve contra a Reforma Administrativa, agendado para 18 de agosto. Além disso, também foi reafirmada a realização de assembleia geral com indicativo de greve no dia 30 de agosto, prevista no Calendário de Alerta e Monitoramento aprovado na assembleia do último dia 30 de julho.

“Ainda estamos vivendo a pandemia, e o momento requer muita responsabilidade de todos nós. Aliás, responsabilidade é o que não falta à categoria desde o primeiro dia de pandemia”, disse a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa. Ao orientar a aprovação do encaminhamento da diretoria do Sinpro-DF, ela reforçou: “Não seria em um momento tão crítico como este que estamos vivendo que nosso Sindicato não reconheceria o que a categoria quer”.

No esforço de garantir condições adequadas para assegurar a saúde física e psíquica de quem frequenta as escolas em plena pandemia, Rosilene reforçou a importância do Comitê de Monitoramento de Retorno às Aulas Presenciais na Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, criado pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC), da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e integrado pelo Sinpro, OAB, Fiocruz e diversas organizações da sociedade civil. O mecanismo tem como objetivo verificar a oferta de estrutura, materiais e recursos humanos pelo GDF para o cumprimento dos protocolos de segurança nas unidades escolares. “É essencial que todas as pessoas que frequentam as escolas sejam fonte de informação do Comitê de Monitoramento”, disse a dirigente sindical.

A presidenta da CESC da Câmara Legislativa, deputada Arlete Sampaio (PT), participou da assembleia desta quarta-feira (11) e informou que a visitação do Comitê de Monitoramento às escolas iniciará nesta sexta-feira (13). “A ideia é dividir o grupo para que possamos ter vários agentes fazendo essas visitas e verificando se os protocolos de segurança sanitária estão sendo cumpridos nas escolas”, afirmou. Segundo a parlamentar, o Comitê se reunirá com a Secretaria de Educação na próxima quarta-feira, 18 de agosto. “Não basta estar vacinado. Normas de segurança sanitária precisam ser cumpridas”, ponderou a deputada.

Deputada Arlete Sampaio (PT)

 

Os relatos e as denúncias referentes à falta de cumprimento de protocolos de segurança nas escolas poderão ser feitos por qualquer membro da comunidade escolar. Para isso, basta acessar a linha direta com o Sinpro-DF pelo WhatsApp (61) 99959-0105 ou com a CESC/CLDF pelo o WhatsApp da (61) 98450-8155. Também é possível entrar em contato com o Comitê pelo e-mail cesc@cl.df.gov.br.

Negociações e luta em curso
No informe da Comissão de Negociação do Sinpro-DF realizado na assembleia desta quarta-feira (11), o diretor do Sindicato Cleber Soares foi categórico ao informar que “o processo de negociação com a Secretaria de Educação continua, e a luta também”. Segundo ele, o processo de retorno presencial às aulas vem sendo acompanhado e avaliado diariamente pelo Sinpro-DF e pela categoria, e todos os problemas e inseguranças levantadas nesse monitoramento, como falta de recursos humanos e materiais nas unidades escolares, estão sendo encaminhados à Secretaria de Educação. “Nesta sexta-feira (13), realizaremos mais uma reunião com a pasta para discutir as condições do retorno híbrido”, informou.

Luta contra a PEC 32
O povo brasileiro corre o risco de ser privado do direito à Educação e de outros serviços públicos. Além disso, servidores poderão sofrer uma série de prejuízos irreparáveis, como redução de direitos, fim da estabilidade empregatícia, perseguição política e impossibilidade de organização sindical. A ameaça está explícita na reforma administrativa, apresentada na PEC 32 (Proposta de Emenda à Constituição), em tramitação na Câmara dos Deputados. Para barrar o projeto, apresentado pelo governo Jair Bolsonaro, centrais sindicais, sindicatos e várias organizações civil realizarão no próximo 18 de agosto o Dia Nacional de Greve contra a Reforma Administrativa.

Na assembleia desta quarta-feira (11), o professor da rede pública de ensino do DF Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF (Central Única dos Trabalhadores do DF), lembrou que a reforma administrativa “acabará com concursos públicos e colocará apadrinhados do governo em cargos estratégicos dos diversos setores, gerando ainda mais corrupção”. Ele ainda ressaltou que “é falso que a reforma administrativa não atinge os atuais servidores”.

O presidente da CUT-DF convocou a categoria do magistério público a participar do esquenta para o Dia Nacional de Greve contra a Reforma Administrativa, que será realizado com panfletagem na Rodoviária do Plano Piloto, nesta quinta-feira (12), às 16h30. “Vamos conversar com a sociedade e mostrar os prejuízos irreparáveis que essa reforma traz ao povo do Brasil”, afirmou Rodrigo Rodrigues.

A participação de professoras/es e orientadoras/es educacionais no Dia Nacional de Greve contra a Reforma Administrativa defendida na fala da diretora do Sinpro-DF Meg Guimarães. “O dia 18 tem que ser abraçado por todos e todas nós. É fundamental que participemos do ato para mostrar nossa indignação e determinação em derrotar essa PEC, que representa o fim dos serviços públicos”, disse. “Temos que fechar as escolas e comparecer ao ato do dia 18. Precisamos de todos centrados contra a PEC 32”, completou a dirigente do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Mais detalhes sobre o Dia Nacional de Greve contra a Reforma Administrativa serão divulgados em breve nos canais de comunicação do Sinpro-DF.

 
 

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Diferença devida aos educadores que receberam abono de permanência durante as férias

O Sinpro, por meio da Secretaria de Assuntos Jurídicos, informa aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais que recebem ou receberam nos últimos cinco anos o pagamento do abono de permanência, que os valores pagos pelo Distrito Federal durante as férias foram menores do que o efetivamente devido aos(às) educadores(as). Diante deste cenário o sindicato ingressou com diversas demandas judiciais requerendo o pagamento das diferenças para os(as) sindicalizados(as) e está entrando em contato com todos(as) os(as) que ainda não entregaram a documentação para ingressar em juízo.

Os(as) filiados(as) ainda na ativa ou aposentados(as) podem ingressar com as ações, desde que tenham recebido o pagamento do abono de permanência durante o período de férias. Caso você seja um dos(as) filiados(as) que recebe o pagamento do abono de permanência em seus contracheques ou recebeu durante os últimos cinco anos, procure o sindicato para cobrar os valores que lhe são devidos. Estamos atendendo de forma remota e presencialmente através de agendamento com a sua assessoria jurídica.

Infelizmente alguns sindicatos têm enviado cartas aos(às) professores(as) e orientadores(as) para o ajuizamento da mesma ação, causando certa confusão, já que não são sindicatos de educadores. Todos(as) aqueles(as) que receberam as cartas nunca foram filiadas a estes sindicatos.

Caso você receba qualquer correspondência neste sentido, entre em contato com o jurídico do Sinpro para o ajuizamento da ação através do seu sindicato.

 

Os telefones para contato são:

Escritório Resende Mori e Fontes 3031-4400 (telefone e WhatsApp)

Sede SIG – (61) 3343-4200

Subsede Taguatinga – (61) 3562-4011

Subsede Gama – (61) 3556-9105 / 3384-8476

Subsede Planaltina – (61) 3388-5144

 

 
 

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Sinpro-DF convoca categoria para Assembleia Geral virtual nesta quarta (11/8)

A diretoria do Sinpro-DF convoca a categoria para Assembleia Geral da categoria, nesta quarta-feira (11/8), às 17h. O acesso será pelo aplicativo do sindicato no link https://app.sinprodf.org.br/ (confira o passo a passo ao final da matéria). A diretoria observa a importância da participação de toda a categoria e afirma que é extremamente necessária para avaliação e monitoramento deste retorno presencial determinado pelo governo distrital.

 

A pauta é a avaliação do processo de retorno às aulas presenciais em plena pandemia, próximas estratégias contra a reforma administrativa (PEC 32); novas nomeações; campanha por concurso público; pagamento da sexta parcela (reajuste de 2015); homeschooling (em tramitação no Congresso Nacional); voucher (em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal); e informes da comissão de negociação.

Passo a passo para participar da assembleia

 

Para participar da Assembleia Geral, basta clicar no link https://app.sinprodf.org.br/. O endereço é do aplicativo do sindicato e sua instalação para participar da Assembleia é opcional. Ao clicar no link, por um computador de mesa ou qualquer dispositivo móvel, o(a) participante acessará o App (aplicativo), no qual terá acesso ao botão “Assembleia”.

 

O aplicativo também disponibilizará espaço para inscrição de falas, além de possibilidade segura para que cada participante registre seu voto nos temas encaminhados.

 

Embora o download do aplicativo do Sinpro-DF não seja obrigatório, quem optar por deixá-lo permanentemente no próprio dispositivo poderá ter mais facilidade para atualizar dados cadastrais e agilizar a carteirinha de associado. Professores(as) com contrato temporário também poderão baixar o boleto da trimestralidade de associado(a). Clique aqui e veja o passo a passo para instalar o App da(o) Professora(or) em seu dispositivo. Ou acesse o tutorial no canal do YouTube do Sinpro-DF a seguir:

 

 

NOTA DE PESAR – WAGNER GOMES, SECRETÁRIO-GERAL DA CTB

A diretoria colegiada do Sinpro-DF comunica, com pesar, o falecimento, nessa terça-feira (10),  de mais um grande companheiro de luta. Aos 64 anos, o sindicalista Wagner Gomes, secretário-geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil (CTB), faleceu vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Nascido em Araçatuba, Gomes chegou à capital paulista em 1970. Foi operador de trens do Metrô-SP e presidente do Sindicato dos Metroviários de 1989 a 1995 e de 2009 a 2011. Estava na fundação da CTB, em 2007, e foi eleito seu primeiro presidente, cargo para o qual foi reeleito num congresso da central em 2009.

 

A notícia de sua morte repentina comoveu todo o movimento sindical. Nota divulgada na imprensa indica que a CTB prevê uma homenagem a ele no seu V Congresso, previsto para começar no próximo dia 12.

 

O Sinpro-DF lamenta imensamente a partida do companheiro Wagner Gomes e se solidariza com seus familiares, amigos(as), companheiros(as) de luta, a CTB e todos os sindicatos da referida central. Temos a certeza de que o companheiro Wagner ficará eternizado na luta da classe trabalhadora brasileira.

 

💐 Wagner Gomes, presente!

NOTA DE REPÚDIO | Ataque a gestores mira no desmanche da educação pública

A investida contra a educação pública e seus trabalhadores/as é flagrante em tempos de retrocesso, como o que se vive atualmente, quando direitos de todos os tipos são sistematicamente atacados pelo governo federal. A política avessa a uma educação que anseia democracia, empregabilidade e emancipação através do conhecimento vem ultrapassando fronteiras, e chega aos mais diversos cantos do Brasil de formas variadas. Demonstração disso foi dada nesta terça-feira (10), em fala do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).

Ao final de um evento no Palácio do Buriti, Ibaneis menosprezou a importância das/os gestoras/es das escolas públicas e questionou a idoneidade dessas/es trabalhadoras/es ao comentar sobre a Operação Quadro Negro. A ação foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para apurar supostos usos irregulares de recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf) da Secretaria de Educação no período de 2018 a 2020.

Claramente desconhecedor da educação pública, da sua importância e dos seus processos, o governador disse que a viabilização do Pdaf para as escolas públicas “é muito poder nas mãos de diretores de escolas que fazem esses pequenos reparos e que não prestam contas”.

Antes de tudo, é essencial citar que a Lei 4.751/12, que dispõe sobre o Sistema de Ensino e a Gestão Democrática do Sistema de Ensino Público do Distrito Federal, de autoria do próprio Poder Executivo, prevê mecanismos de controle e cobrança de transparência da administração dos recursos utilizados em todas as unidades escolares. Portanto, a afirmação de “não prestação de contas” dos recursos do Pdaf, feita pelo governador, é no mínimo leviana. Ao fazer descabida afirmação, para além do ataque a gestoras/es, o governador ataca também a gestão democrática e seus princípios de autonomia financeira, fundamentais para potencializar o processo de ensino-aprendizagem.

É essencial também reafirmar que os recursos do Pdaf são fundamentais para a manutenção das unidades escolares, principalmente neste período de pandemia, quando se faz urgente a providência ágil de reparos na estrutura física das escolas e na compra de materiais e equipamentos que mitiguem os riscos de infecção pela covid-19 no ambiente escolar. Atuar para que este recurso não seja gerido por gestoras/es, com o aval da comunidade escolar, é agravar o quadro de uma educação extremamente carente de investimento público.

Para além disso, não reconhecer o trabalho realizado por gestoras/es em um período caótico para a educação pública é virar as costas para a realidade. A dedicação que sempre foi evidenciada naquelas e naqueles que gerem as escolas públicas do DF foi intensificada nesse quase um ano e meio de pandemia. Trabalho presencial desde o início da pior crise sanitária do século, elaboração de estratégias para atendimento de todas/os as/os estudantes durante o ensino remoto e, mais recentemente, esforços hercúleos para defender a vida de toda a comunidade escolar com o retorno presencial às aulas com o novo coronavírus em plena atividade, são algumas das corajosas ações realizadas por gestoras/es, que nunca descumpriram com seus compromissos com a comunidade escolar e, sobretudo, com a Educação.

O Sinpro-DF é totalmente favorável à investigação de casos de mau uso de recursos públicos na Educação e em todos os outros setores públicos, como a Saúde, por exemplo, alvo de uma série de casos de corrupção. Não aceitamos, entretanto, que aquelas/es que sempre atuaram para superar deficiências geradas pela ausência do Estado tornem-se injustamente alvo de inverdades que, em outras linhas, objetivam o desmanche de uma educação pública, universalizada e de qualidade.

Diretoria Colegiada do Sinpro-DF

 
 

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